Mostrar mensagens com a etiqueta cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cultura. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, novembro 19, 2019

No Jornal de Sicó

Alvaiázere: Al-Baiäz propõe conversar sobre censura e clandestinidade

15 de Novembro 2019
A Al-Baiäz – Associação de Defesa do Património propõe falar sobre censura e clandestinidade numa conversa que decorre no próximo dia 23 de Novembro, entre as 15h30 e as 16h45, no Museu Municipal de Alvaiázere.
“A existência uma tipografia clandestina no Barqueiro, freguesia de Maçãs de D. Maria, será o pretexto para a sétima sessão do ‘Chícharo com Património no Museu’”, refere uma nota da Al-Baiäz, revelando que “nessa tipografia imprimiu-se o jornal Avante durante vários anos, no tempo do Estado Novo, até ser descoberta pela polícia”.
No âmbito desta iniciativa, acontece a inauguração de uma exposição temporária de “Publicações clandestinas”, que estará patente ao público no Museu Municipal.
A sessão termina com uma componente gastronómica, onde os participantes poderão saborear Merendeiras de Azeite e sangria de chícharo.
De salientar que a iniciativa “Chícharo com Património no Museu” é “um evento sobre história e património, em forma de conversa (tertúlia)”, que se realiza no terceiro sábado de cada mês, da parte da tarde, tendo como objectivo “desenvolver hábitos culturais entre os alvaiazerenses”. A entrada é livre.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

terça-feira, julho 05, 2011

T(á)Visto - Duas mentiras e meia... será um concurso com o antecessor?

É um prazer, um gozo - e também um desprazer, um desgoz(t)o... como manda a dialéctica -, ler Correia da Fonseca e as suas crónicas de televisão. Por isso (com as sempre devidas autorização e vénia), de vez em quando, aqui pranto (ou planto) uma:

«DUAS MENTIRAS E MEIA

1.Uma das estações portuguesas de televisão, pelo menos uma delas, teve a boa ideia de retransmitir agora aquela declaração do dr. Pedro Passos Coelho, perpetrada ainda em Abril, segundo a qual o seu governo (o tal ainda então longe de estar constituído mas já na cabeça do declarante, segundo o próprio) nunca tocaria no subsídio de Natal. Entendeu-se a solidez da informação: como apoio à chamada Festa das Famílias com vínculo directo a uma celebração sagrada, o subsídio teria ele próprio alguma coisa de sagrado, mais ainda para um governo que embora sendo ainda apenas coisa mental era já conotável com algumas das mais antigas tradições portuguesas. Infelizmente, porém, o Diabo tem uma capa com que tapa e outra com que destapa, como também tradicionalmente diz o povo, e quanto ao subsídio de Natal terá vindo o Diabo e levou-o em cerca de metade. Excepto para os mais pobrezinhos, porque este é um governo cristão e também porque neles já pouco o Diabo encontraria para levar.

2.Creio que foi em data posterior a essa declaração que o então ainda primeiro-ministro, José Sócrates, voou para Bruxelas levando consigo o projecto de um PEC não-sei-já-quantos que acalmaria talvez as alcateias de lobos que continuavam a uivar. Ou de sanguessugas que continuavam ávidas, também não sei bem. Toda a gente pode lembrar-se de que então o dr. Pedro Passos Coelho esbravejou um bocado. Que parecia impossível, que nunca se vira, um PM ir para Bruxelas com um PEC na pasta sem que acerca dele falasse primeiro com o Líder do Principal Partido da Oposição que por sinal era ele, dr. Pedro Passos Coelho! Passou-se um tempinho breve e veio a saber-se que não havia sido bem assim. Numa primeira fase, teria havido afinal uma conversa telefónica entre o PM e o PPP. Depois, ficou claro que houvera afinal uma conversa ao vivo e a cores em São Bento, na residência oficial do primeiro-ministro. Em suma: o chinfrim do dr. Pedro arrancara de uma mentira. Ou, se se preferir uma fórmula soft, de uma inverdade.

3.Já finalmente primeiro-ministro, embarcou o dr. Pedro Passos Coelho para Bruxelas, mas não perdeu a oportunidade que se lhe deparava para fazer perante os portugueses, o País, porventura a Europa e o mundo, prova pública do seu sentido de cuidadosa gestão dos dinheiros públicos em conjugação com o seu espírito de sacrifício pessoal, de indiferença pelas comodidades inerentes ao seu novo posto quando pagas pelo “bolso dos contribuintes”. Assim, para exemplar acto de economia e de austeridade financeira embarcou o dr. Pedro em mera classe turística, como qualquer cidadão pobretana, e não em classe executiva, como lhe seria devido por força da graça de deus e do voto popular. A notícia do bonito gesto foi naturalmente propalada aos quatro ventos pelos pregoeiros do costume para óbvia edificação popular. Aliás, é também pela memória de feitos assim que mais tarde se pode constituir um dossiê para a beatificação ou mesmo para a canonização, ainda que apenas política, de quem a mereça. Eis, porém, que lá voltou o Diabo com a sua capa literalmente diabólica, e veio a saber-se que afinal poupança não houvera porque a TAP, pelo menos enquanto não for privatizada, não cobra o preço das passagens aos membros do governo. Assim, o lindo gesto afinal não existira, sendo embora de admitir que pode ter havido a ingénua intenção de praticá-lo e a nada ingénua intenção de o divulgar.

4. Digamos que esta última mentira foi apenas pela metade, pelo que será justo contabilizá-la com meia mentira. Ainda assim, parece que duas mentiras e meia, ainda que de gravidade desigual mas em tão pouco tempo, correspondem a um elevado ritmo de mentiras em breve período, o que é de todo inconveniente para um PM cujos apoiantes andaram durante anos a chamar mentiroso ao anterior primeiro-ministro e até a desenharem um nariz de Pinóquio no seu retrato. Fico a suspeitar de que o dr. Pedro Passos Coelho tem de regenerar-se rapidamente desta inclinação para alguma leviandade nas declarações cujo impacto, e também cuja infelicidade final, são ampliados pela televisão, e por isso de resto aqui se registam. Bem se pode dizer que, literalmente, dão muito nas vistas.»

quinta-feira, junho 30, 2011

Este governo - "Duas marcas"

Continuando o seu labor incansável e de enorme valia político-cultural, Correia da Fonseca vai publicando as suas crónicas sobre televisão. No avante! e no Alentejo Popular sou seu leitor, e nelas encontro, sempre, matéria para aprender e para divulgar. Para divulgar, ou por meu assimilado e indirecto (e, decerto, nem sempre fiel ou ajustado) intermédio, ou por transcrição directa, como é o caso desta Duas marcas, que li no Alentejo Popular de 23 de Junho, e quero dar a conhecer a quem não a tenha lido, ou aconselho a releitura. 


1. A televisão tem estado cheiinha da notícia: aí está ele, o governo. Não um governo qualquer. Nem sequer um qualquer governo de direita. Trata-se de um governo que, emergindo de uma maioria parlamentar absoluta, se prepara não só para ajustar contas com o 25 de Abril mas também para destruir o que dele reste. Há sérias razões para admitir que o País está perante o projecto silencioso, talvez até em certa medida inconsciente de si próprio, de refundar um salazarismo sem Salazar, sem polícia política e sem censura oficial (aliás tornada inútil perante a evidente eficácia das formas actuais de censura instaladas na generalidade dos media dominantes). E a abundante informação que a TV nos fornece acerca do governo Coelho/Portas, como aliás é seu dever fornecer, não tem a mínima preocupação em dourar a pílula amaríssima, se não venenosa, que a Europa dos Ricos prescreveu para administração urgente ao povo português: em nome do interesse nacional, como sempre se faz quando se trata de agredir as populações, vão ser atirados para o desemprego milhares de trabalhadores, vai ser extorquido mais dinheiro aos doentes e aos deficientes, vai ser reduzido por alegada falta de meios o apoio ao milhão e tal de velhos que já se arrasta na pobreza E não sou eu quem o diz ou aqui o inventa: foi a TV que nos últimos dias me veio ensinando isto e muito mais, numa quase alegre profecia fácil das desgraças a que o povo português foi sentenciado.

2. Compreender-se-á, espero, que nestas colunas se dê especial atenção a duas marcas que este governo desde já ostenta e de que se diria serem claras, por óbvias, se não fossem de facto nigérrimas por ilustrarem, além do mais, a sinistra mistura de ódio e medo que através dos tempos a direita sempre arrasta na sua bagagem relativamente à cultura. Não poderá dizer-se, decerto, que ela não tem boas razões para isso: a cultura ilumina e a direita obscurece para confundir, a cultura revela o mundo e a vida enquanto a direita lhes falsifica a imagem, a cultura liberta e a direita oprime. Objectar-se-á talvez que a direita sempre tem contado com gente de boa craveira cultural/intelectual entre os seus. Mas convém saber que essa espécie de situação contranatura decorre da existência de contradições internas na personalidade ou no pensamento das figuras que concretamente ilustram essas situações paradoxais ou de excepção. Nem todos podem ser construídos de uma só peça e a coerência, embora possa acontecer sem grande esforço, não é uma espécie de maná que caia do céu aos trambolhões.

3. As tais duas marcas a que me refiro, escolhendo-as entre outras por terem directamente a ver com as preocupações regularmente abordadas nestas duas colunas, são o projecto de privatização da televisão pública e a extinção do Ministério da Cultura. Até ao momento em que escrevo, não foram prestados ao País quaisquer esclarecimentos acerca do modo e do grau que consubstanciarão a anunciada privatização da TV estatal, sendo contudo muito provável que se trate de entregar a RTP1 a privados. Desde já é possível sublinhar, contudo, duas ou três coisas. A primeira delas será que, com provável excepção para a RTP África, cuja missão poderá talvez ser desempenhada pela RTP Internacional, todos os canais da RTP são necessários para que ela possa cumprir de facto os deveres de serviço público que lhe estão cometidos. A segunda nota será para sublinhar que, como aliás é praticamente consensual, o mercado telepublicitário já não suporta mais um canal concorrente sem que esse facto redunde em grave prejuízo financeiro para todas as operadoras. Por último, é preciso acentuar uma esquecida (ou escamoteada) verdade fundamental: sendo certo que a acção da Radiotelevisão Portuguesa tem estado longe de convergir para o cumprimento de um eficaz serviço público, designadamente na área da promoção e divulgação cultural, é evidente que o remédio para essa gravíssima omissão não é o despedaçamento da empresa ou a amputação dos canais decisivos para o êxito da sua missão. Alegar que para ter uma RTP que falha o seu dever mais valerá que o Estado se desfaça dela é, a menos que se trate de um caso de debilidade mental, uma tentativa um pouco ingénua de enganar as gentes. Mas elas, as gentes, de tanto serem enganadas já perderam um pouco a capacidade para identificarem os vários contos do vigário. Pelo que sempre convém preveni-las. Como agora e aqui se tenta fazer.