quarta-feira, outubro 03, 2018

TEMOS TANTAS PARA A TROCA…


O aparelho ideológico da classe dominante, ou (dito de outra maneira) a dominante e manipuladora informação burguesa, tem destas coisas. Destas subtilezas brutais.
A juntar às aliciadoras “informações” nos diários e semanários, sobre a “boa vida”, as saborosas gastronomias e os turismos em lugares sonhados e inacessíveis,
às quotidianas e enganadoras “informações” de diversos (e muitos são) hipermercados na caixa de correio, sobre produtos com preços a descer e periódicos descontos formidáveis
às penetrantes e teimosamente repetitivas “informações” (e imagens) em vários (e geminados) órgãos da comunicação “social”, sobre o que se passa no país e no mundo devidamente filtrado e ardilosamente manipulado,
apesar de tudo isso, ontem e hoje fomos invadidos pela informação via e-mail em ante-visão e telemovelmente em anúncios-“sapos” da publicação das histórias inspiradoras de 3-mulheres-3 “à frente do seu tempo”, das quais uma tinha um lado mais oculto, que aqui revelamos: quando dava pelo nome de Maria Armanda e era, espante-se, uma mulher de esquerda…”. Espantoso[1]!

Pois só venho dizer, se me dão licença…: quanto a mulheres inspiradoras e à frente do seu tempo, cá deste lado da vida temos muitas para a troca! Ao acaso da memória, cito Maria Lamas, Vírginia Moura, Cesina Bermudes. Repeso pelas injustiças que a memória necessariamente cometeu ao ter apenas três nomes para lembrar. Para a troca…

E três nomes acrescento, como se anónimos fossem mas que vivos estão e do lado do trabalho… não na luta por elas ignorada: Josefa, Josefina, Rosa.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

 Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada
António Gedeão


[1] - espanto por espanto, revelação por revelação… recordo que, numa dessas crónicas no Diário Popular, sobre um programa de televisão, a que “dava pelo nome” que era o dela elogiou… a minha gravata(

terça-feira, outubro 02, 2018

BRASIL - Que vice!!!

Em debate com vices, Manuela não deixa ataque sem resposta

Mudando um pouco o clima dos debates entre candidatos, em que o formato acaba engessando a discussão, as candidatas a vice-presidentes da República elevaram o tom da campanha nesta terça-feira (2), no debate promovido pelo UOL em parceria com a Folha de S.Paulo e o SBT.

Por Dayane Santos


A campanha da chapa PT-PCdoB norteou os principais embates travados entre a vice de Haddad, Manuela d'Ávila (PCdoB), a de Ciro Gomes (PDT), Kátia Abreu (PDT), e de Geraldo Alckmin (PSDB), Ana Amélia (PP). O vice de Marina Silva (Rede), Eduardo Jorge (PV), e de Jair Bolsonaro (PSL), Hamilton Mourão (PRTB), optaram por não participar do debate.

Manuela, por sua vez, não deixou ataque sem resposta e com jogo de cintura aproveitou as brechas para apresentar propostas e reafirmar o seu programa de governo.

O ex-prefeito de São Paulo foi alvo de críticas por sua gestão em São Paulo. Kátia e Ana Amélia tentaram desqualificar Haddad pelo o que elas consideraram falta de capacidade técnica e de experiência política. A vice de Ciro, em tom irônico, disse que Haddad só fez o que era determinado pelo governo Lula quando era ministro da Educação e que perdeu a eleição em 2016, porque não fez uma boa gestão, apesar de “ter as melhores intenções”.

"Se perder eleição fosse critério para governar, nós três não estaríamos aqui. O Alckmin e o Ciro também não. Aliás, um dos debates do #EleNão é aceitar o ganhar ou perder, pois o debate também é sobre aqueles que aceitam as regras democráticas e sobre o candidato que disse que não reconhecerá o resultado das eleições”, rebateu Manuela, se referindo ao movimento que levou milhares ás ruas nó último dia 29 em defesa da democracia e contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).

Na primeira rodada de perguntas entre as candidatas, Manuela questionou se o posicionamento dos candidatos em relação à candidatura de Bolsonaro e seu discurso era apenas eleitoral. Primeiro, direcionou a questão a senadora Ana Amélia. “Várias candidaturas se somaram ao #EleNão e seu candidato disse que se somava ao movimento também. A senhora e seu candidato vão manter essa opinião no segundo turno?”, perguntou Manuela.



Apesar da pergunta ter sido objetiva, Ana Amélia desconversou e disse que o segundo turno não está definido. “Não há necessidade de estarmos condicionando ou imaginando o que vai acontecer”, disse a vice de Alckmin.

"#EleNão para nós não é oportunismo de primeiro turno", rearfimou Manuela.

Alianças e o golpe

Sobre as alianças Ana Amélia e Kátia tentaram constranger Manuela ao falar de apoio que a coligação tem recebido daqueles que apoiaram o impeachment. A vice de Haddad lembrou que muitos já se deram conta "do estrago que se produziu no Brasil, desestabilizando a democracia com o golpe contra a Dilma".

"Aliás, Dilma que vencerá as eleições em Minas Gerais contra um Aécio que se escondeu e sequer concorre ao Senado porque o povo percebeu que aquilo foi uma armação", rebateu Manuela.

Kátia Abreu, em uma de suas perguntas, disse que os governo Lula e Dilma, não promoveram mudança significativas no país apesar dos avanços.

"Nós construímos mudança profundas sim", refutou Manuela. "Dizer que não construímos mudanças quando temos o Minha Casa, Minha Vida garantindo a chave da casa própria na mão da mulher. Quando garantimos que 36 milhões de brasileiros saíssem da pobreza extrema. Quando nós colocamos milhares de jovens para dentro das universidades públicas e privadas com o Prouni. Quando garantimos que 20 milhões de empregos fossem gerados. Essas são mudanças importantes que nós construímos num ambiente de diálogo com o Congresso", enfatizou Manuela, lembrando que a própria Kátia Abreu fazia parte da base do governo e, posteriormente, integrou a equipe do governo Dilma.

Corrupção

Combate a corrupção e os apoios recebidos por Haddad nos estados também foram alvos de críticas das adversárias de Manuela, que reafirmou que uma das características de Haddad é capacidade de aglutinar forças na divergência por meio da conciliação.

“Haddad é o homem certo para governar o país neste momento. Temos um projeto que representa a possibilidade de desenvolvimento, com combate às desigualdades. A retomada de direitos importantes para o nosso povo retirados a partir da reforma trabalhista. A gente representa a retomada dos investimentos públicos em saúde e educação. Além disso, o Haddad tem a tranquilidade e a capacidade de lidar com a divergência. O Brasil vive um ambiente de guerra e de ódio iniciado justamente pela postura do Temer, que não só assumiu como articulou o golpe”, lembrou Manuela.

As ações de combate à corrupção, e as críticas aos abusos cometidos pela Operação Lava Jato também foram alvo de ataques da senadora Ana Amélia, que fez uma defesa ao juiz Sérgio Moro, dizendo que ele está atuando pelo Estado Democrático de Direito.

"Eu temo pelo futuro da Lava Jato. Dependendo da eleição, o PT não pode ter esse discurso de que é uma perseguição do juiz [Sergio] Moro contra o ex-presidente Lula", disse Ana Amélia.

Lava Jato

Manuela rejeitou a tese de que a sua coligação pretenda barrar as investigações e lembrou que os governo Lula e Dilma criaram e fortalecera os mecanismos e combate à corrupção, que antes não existiam, citando a Lei de Transparência, o fortalecimento da Polícia Federal e a e garantia de autonomia do Ministério Público.

“Existem governos que combatem a corrupção e os outros que colocam ela debaixo do tapete. No último ciclo, nós avançamos na consolidação dos mecanismos de controle e combate à corrupção”, destacou a vice de Haddad.

Manuela disse ainda que as críticas contra os abusos da Lava Jato fazem parte da democracia e devem ser vistas com tranquilidade e não incômodo. “Temos que ter tranquilidade. Quando há excesso e natural nas democracias que se denuncie. Quando um jornalista denuncia um deputado, não estão agindo contra o parlamento. Pelo contrário, querem que aquele deputado seja punido pelo seu ato para que o parlamento seja fortalecido. Da mesma maneira são feitas as denúncias contra os abusos visíveis à população da Operação Lava Jato”, argumentou. “Não há um brasileiro hoje que não perceba a motivação política do juiz Sergio Moro”, completou.

Sobre qual é a proposta de sua coligação para o combate à corrupção, Manuela defendeu a maior participação popular.

“Nós precisamos pensar em novos mecanismos para que a corrupção não aconteça. Criamos mecanismo que combatem, controlam e punem os episódios que já aconteceram. Mas precisamos criar mecanismos que impeçam. E eu acredito muito nas ferramentas que combinam controle público com participação social. Acho que o estímulo da participação da população nas decisões e no controle das atividades do estado é o mais eficiente para evitar novos casos de corrupção”, reforçou.




Do Portal Vermelho

segunda-feira, outubro 01, 2018

quinta-feira, setembro 27, 2018

ENCONTRO PELA PAZ

 - Edição Nº2339  -  27-9-2018

Alargar a acção pela paz em Portugal e no mundo
SEGURANÇA Com a situação internacional «marcada por imensos riscos», o Conselho Português para a Paz e Cooperação apela à convergência de vontades em defesa da paz. Em Outubro, Loures recebe um Encontro pela Paz.


O apelo foi feito no Dia Internacional da Paz, que se assinala a 21 de Setembro. Em nota de imprensa divulgada nesse dia, o CPPC reafirmou o seu «compromisso de sempre, de agir com todos quantos, na sua acção quotidiana, defendem os valores da paz, do desarmamento, do respeito pela soberania dos Estados e dos povos e a solidariedade com todos os que, por esse mundo fora, se batem pelo respeito do direito a decidir livremente do seu próprio futuro e pelo progresso social».
«A actual situação internacional, marcada por imensos riscos para a paz e segurança mundial, coloca a necessidade de uma ampla convergência de vontades em defesa da paz, pelo desanuviamento das relações internacionais, pelo respeito da soberania dos povos e da independência dos Estados, conforme preconizado na Carta das Nações Unidas e no direito internacional», destaca o CPPC.
Encontro em Loures
A realização, a 20 de Outubro, no concelho de Loures, do Encontro pela Paz (no Pavilhão Paz e Amizade, entre as 10h30 e as 17h00), promovido por diversas organizações e movimentos, incluindo o CPPC, contribui para a ampliação do movimento da paz em Portugal e para o desenvolvimento de um amplo movimento da paz ao nível mundial.
«O que a história mostra é que os amantes da paz, os povos do mundo, mobilizados e unidos, podem travar o passo às forças da guerra», refere o CPPC

terça-feira, setembro 11, 2018

A Festa - ainda e sempre

Querem reduzir a Festa ao ritual dos regressos de férias da política. Procuram metê-la no "pacote das rentrés partidárias". Desde logo, há quem não faça férias de exercício de cidadania (na etimologia séria e exigente) e etiquetar a Festa de redutora "rentré" partiária é, como ironizou Jerónimo de Sousa na abertura da festa-2018, impossível. Ela, a Festa, não tem semelhanças com outras manifestações partidárias em que bem bronzeados dirigentes regressados das praias, ou em intervalo estival, fazem discursos "à maneira". Não tem semelhanças, por muito que algumas iniciativas ridiculamente a queiram arremedar.
A Festa é um acontecimento cultural, de concertos, exposições e espectáculos, de encontros e convívio, de debates e solidariedade, de esclarecimento e informação, de gastronomia e desporto, de internacionalismo e inclusão. Por isso, político. Sendo partidário. Desde 1976.
Todos os anos, muitas reflexões se me suscitam enquanto calcorreio as sempre melhoradas veredas do espaço aumentado e alindado. Com críticas a pedirem necessárias melhorias (por exemplo, o som... ou os sons sobrepondo-se, mormente na Festa do Livro). Este ano, tocou-me a impressionante variedade (e coexistência) etária. Tanto jovem e tanto velhote (como eu)! E o excelente espaço criança (e pais e avós...).
Idílica a perspectiva? Não! Talvez, e felizmente, esperançosa, optimista. Mas com pés assentes naquele chão.
A percorrer a cidade internacional na universalidade das referências, nalguns locais me perguntei se, neste momento histórico, aquele ou aqueloutro partido terá existência para além da Festa do Avante.
Vivemos um tempo incerto e perigoso, disse Jerónimo de Sousa entre muita outra cousa onde a comunicação social pescou à linha o que lhe serviria (e a quem ela serve) para o espaço a conceder à "rentré do PCP".


Uma frase guardei, reconfortado por me identificar com a "luta que abriu uma fissura no fosso das inevitabilidades". Luta que tem de continuar (e de se aprofundar) para sanear esse fosso/fossa em que tantos se perdem, atolados em falsas inevitabilidades.

VIVA A FESTA!  


   

11 de Setembro - CHILE

VICTOR JARA

Ainda (e sempre) A FESTA!

Não há festa como esta. Dá para tudo e para todos. E para todo o ano. Até a próxima. À de 2019.
E cada um terá a sua. Como a antena 2 da RDP teve a sua, que ganha o prémio da ausência ignomiosa, ao ignorar o Concerto em Louvor do Homem da noite de 6ª feira, com a Orquestra Sinfonietta de Lisboa e o Coro Sinfónico Lisboa Cantata, em que uma multidão (não exagero) ouviu Copland, Bernstein, Mendelssohn, Tchaikovsky e Beethoven. Era o que mais faltava, dar relevo a um acto realizado em celebração do II Centenário do Nascimento de Karl Marx (t'arrenego)...
Claro que também tive uma festa para mim. Adaptada às actuais condições, minhas e com os outros, diferente de cada uma das anteriores. Eu que, como dizia um amigo, "fui a todas...". Desde 1976.
Desta, da de há pouco, destaco - para já - uma vivência pessoal nova e uma observação política.
A vivência  começou por ser a contragosto, e por limitação individual. Senti necessidade de recuperar do vai-vem e das visitas a "todas as capelinhas" e a tantos camaradas que fazem a Festa (e de lembrar, como emoção e saudade, alguns que este ano já não vieram). E encontrei-me a descansar numa sombra com vista para o recinto onde se praticava desporto. Nunca o fizera. 
Foi tão bonito ver duas equipas de jovens "teenagers" a jogar futsal, uma vinda de Guimarães e outra não sei de onde! Com qualidade técnica e irrepreensível "fair play", com os árbitros (voluntários) a  fazerem cumprir as regras no vivo e leal confronto. Mas há um pormenor que me traz à escrita: nas duas equipas, que à primeira vista eram femininas (e assim se designava: futsal feminino), integrava-se um rapaz. Naturalmente. Como mais um/a (e até meteu um golo... saudado por todo/as, aliás como todos os outros golos). 
Senti-me tão bem na "cidade do desporto" que por lá me perdi mais que o tempo de recobro do fôlego, e visitei o matraquilhódromo (?), o espaço do xadrez e assisti (pela primeira vez) a jogos inclusivos de Boccia.
Ainda por lá passei, depois do comício, para ver um pouco de hóquei em patins. E sonhar. Com projectos oureenses,,,

o outro comentário fica para mais logo


segunda-feira, setembro 10, 2018

De regresso...


De regresso às rotinas quotidianas depois desta que se tornou a rotina anual de 3 dias de Festa, sonho e luta. com vivências que dão sempre para viver (e contar) o ano inteiro entre as Festas. Inesgotáveis. Em cada Festa há sempre algo para descobrir e sempre muito que fica por viver. Este ano foi o ano descoberta do desporto em Festa a compensar o tanto que ficou por viver ou reviver. 

Assim se constrói a vida transformada. Com gente de todas as idades e sentires.
Este ano, cumpri uma tarefa num momento de solidariedade. Que me emocionou pelo que lembrei e convivi. No espaço do Setúbal. Momento de solidariedade que abri, dizendo:


ÁFRICA É DOS SEUS POVOS

Caros companheiros,
É com alguma emoção que, em nome do PCP, vos reitero formalmente e neste momento de solidariedade, as boas vindas a esta Festa, na sua 42ª realização e que, por ser o que é e como é, é também a vossa Festa.

42 Festas, desde 1976!
Um tempo que, na nossa contemporânea idade, começa a ter dimensões históricas.
Este ano de 2018 assinalando 2 séculos. Do nascimento de Marx. E também os 100 anos de Mandela!
Como o ano passado, em 2017, se assinalou um século. Da revolução soviética.
Tal como estamos a aproximar-nos de meio século de tanto da História que muitos de nós ajudaram a escrever. E que tão mal escrita está por alguns escribas…

Um tempo na escala da história dos humanos que somos. Mas também, decerto, um tempo histórico à escala da Humanidade.
Na viragem da década de 60 para a de década 70 do século XX vivia-se a consciência da necessidade de uma Nova Ordem Económica Internacional pós-colonial, embora com forte reacção imperialista.

Se se vierem a colocar marcos ou balizas no recente processo histórico, eles bem podem vir a pôr-se nos anos de 1974 e 1975. Em resultado das nossas lutas, das lutas dos nossos povos.
Das lutas do povo português a resistir e a libertar-se do fascismo, das lutas dos vossos povos a resistirem e a libertarem-se do colonialismo e a encetarem caminhos cheios de escolhos e armadilhas, caminhos que se queriam de independência e soberania.

Há algumas datas de imprescindível referência para Portugal e para os novos países em África.

(Repito: à nossa escala humana e à escala temporal da Humanidade. Em 1974/75)

Com o PAIGC a antecipar-se na Guiné-Bissau ao nosso (de todos nós!) 25 de Abril de 1974 com o seu 24 de Setembro de 1973, cumprindo o inapagágel legado do tão nosso, tão de nós todos, Amílcar Cabral, assassinado nesse ano;
em Moçambique, a luta da FRELIMO e a data de 25 de Junho de 1975, depois de vencida a reacção mas, em 86, sem se ter sido capaz de impedir a estranha queda de avião que matou Samora e acompanhantes;
em Cabo Verde, ainda o PAIGC em 5 de Julho de 1975, e depois o PAICV;
uma semana depois, a 12 de Julho, S. Tomé e Príncipe  do seu MLSTP;
por último, e já com dificuldades acrescidas pela sua relevância económica e estratégica, o MPLA e Angola, no acto tristemente unilateral de 11 de Novembro de 1975.

No entanto, já antes, a 12 de Dezembro de 1974, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por 120 votos a favor, 6 votos contra e 10 abstenções, aprovara uma Carta dos Direitos e Deveres Económicos dos Estados. Onde, nessa assembleia-geral, se afirmou ser (cito):

“… um instrumento efectivo para o estabelecimento de um novo sistema de relações económicas internacionais baseadas na equidade, na igualdade soberana e na interdependência dos interesses dos países desenvolvidos e dos países em desenvolvimento…”

Na votação dessa Carta não participaram, ainda, os vossos novos Estados em vias de criação, mas o papel dos partidos e movimentos pela independência dos seus povos está nela reflectido.

Foi há quase meio século – foi ontem!

Aqui, neste extremo da Europa, nesta porta para os caminhos do Sul, este Partido lutava, com outras forças, por um continente nas mãos dos povos, em segurança e cooperação, e também foi, este Partido, o único sempre solidário com os povos de África a lutarem pelo futuro nas suas mãos.

Passaram décadas
Em que muito se viveu. Com muitos passos atrás.
Em que aos avanços civilizacionais se seguiram provocadores e inevitados recuos.
Nas sempre novas condições concretas, a retoma dos caminhos de ontem está na ordem dos dias de hoje e na necessidade dos povos. E nas suas lutas!

Em Festa, em encontros e reencontros que ela proporciona, reafirma-se a solidariedade como intrínseca aos povos que queremos representar.
___________________________________

Depois de intervenções das delegações presentes, todas a contribuir indelevelmente para um ambiente amigo e fraterno, solidário!, ainda me coube encerrar. o que fiz num brevíssimo apontamento que, apesar disso, ainda deu para lembrar dois episódios: a fuga de Portugal de Agostinho Neto e Vasco Cabral em 1963, e o encontro  das delegações dos nossos povos enquanto a guerra colonial prosseguia, no Congresso Mundial das Forças de Paz de 1973, em Moscovo. 


sexta-feira, setembro 07, 2018

quarta-feira, setembro 05, 2018

terça-feira, setembro 04, 2018

Atenção ao Brasil - 4 - o teatro, sempre...

em 1973!


















(...)

por agora é tudo
... mas breve teremos de,
 decerto,
 voltar,
ATENÇÃO AO BRASIL!

segunda-feira, setembro 03, 2018

Atenção ao Brasil - 3 - a "futebolização" da comunicação

Ao passar as páginas do Atenção ao Brasil - que escrevi há 45 anos! - fui invadido por esta página... como por uma vertiginosa erva daninha ou por um daqueles insectos que fazem bagas pelo corpo todo:





































E se há 45 anos, no Brasil, o confronto com a "futebolização" me provocou esta reacção - que estendi até hoje e a este "post" - que dizer do que acabo de comprovar, com quase indiferença..., na "nossa" comunicação "social"?, de que acabei de apagar o "zapping" que me ofereceu a escolha do dia seguinte, ou o prolongamento ou o pé em riste e agora, aqui no computador, não sei como fugir das notações "informativas" em catadupa sobre as eleições no Sporting?
É esta a "futebolização" que nos impõem! 













Atenção ao Brasil - 2 (abertura em 1973)

... antes do (enquanto o, depois do) golpe no Chile!










(...)
ATENÇÃO AO BRASIL!
ANEXO
(Chile-Setembro 73)
(...)
e, agora (em 2018), a Venezuela?!

...há mais!

Atenção ao Brasil - 1

Somos inundados de "informação". Que bom seria que fosse informação! Há que procurá-la. Há que descobrir o trigo que pode estar escondido pelo joio que nos inunda. Há que informar-SE!
Por (e para) exemplo sobre a América do Centro e do Sul, sobre a das traseiras dos Estados Unidos da América do Norte. Por (e para) exemplo sobre o Brasil. O joio é muito e de variada espécie. Mas há basto trigo. Até porque a língua é a mesma...
Estávamos nestas elo(u)cubrações, quando da estante próxima (e muito esquecida) nos piscou o olho um livrito editado em 1973. 
Fomos folheá-lo como quem pede ajuda à própria e pequenina história. E recordámos que... antigamente (há 45 anos!) eram a censura e a apreensão de publicações o que, hoje, tem muito mais sofisticadas formas e meios de condicionar a comunicação.
Mas, mas continua a ser muito importante ter Atenção ao Brasil! Como em 1973, ou em 2008. E hoje.  

DOMINGO, AGOSTO 10, 2008

A Prelo Editora - 19

Algumas edições, como já aqui se disse, não se integravam em colecções. Por razões várias.
A deste livro talvez mereça ser contada. Se calhar, como todas. Mas esta foi vivida pelo (a)post(ador).
Sendo colaborador da "economia" do Diário de Lisboa, a direcção do jornal propôs que acompanhasse uma missão do Fundo de Fomento de Exportação ao Brasil, em Abril de 1973.
Eram oito dias, e tudo foi possível. Oito dias, repartidos por Rio de Janeiro e São Paulo. Vividos intensamente. Escrevendo muito, tendo de telefonar uma ou outra notícia, mandando o material mais "pesado" por correio. Nem nets, nem mails, nem "correio azul"...
No regresso, pouca coisa tinha sido publicada, e muita não tinha sequer chegado e não chegaria a chegar (e não por culpa dos CTT...). Além disso, algumas coisas mais "leves" (conversinhas) colocadas no Notícias da Amadora, e que neste sairam, mereceram comentários menosprezadores do género "foi este fulano ao Brasil para vir contar coisinhas destas, de japonesas de perna gorda..." .
Em reacção, quase em desafio, resolvi publicar tudo o que publicado não fora. Em livro. Neste:
As razões foram explicadas num preâmbulo (que terminava «Aqui está o que quero que esteja.»), e tinha mais quatro páginas de anexo que começava assim: «Já com todo o "material" entregue na tipografia, enquanto aguardávamos as provas deste livro, aconteceu o golpe militar, o "putch" chileno. Este acontecimento histórico é daqueles perante os quais as pessoas se definem. (...)». Por isso, sublinhei referências à "Escola Superior de Guerra" do Brasil, conhecida na América Latina pela "Sorbonne brasileira", e ao "plano Alfa" elaborado pelo Pentágono, e com o muito do que se observara e escrevera nesses oito dias mais jus fazia aquele título Atenção ao Brasil!
(a capa é de um jovem brasileiro, TÓPIN, que, então, trabalhava no DL... que será feito dele?)

quinta-feira, agosto 30, 2018

PELA PAZ

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70 ANOS EM DEFESA DA PAZ

Congresso Mundial dos Intelectuais pela Paz – Agosto de 1948

Há precisamente 70 anos, entre 25 e 28 de Agosto de 1948, a cidade polaca de Wroclaw acolheu o Congresso Mundial dos Intelectuais pela Paz, importante expressão do movimento mundial que, dois anos depois, se conjugaria em torno do Conselho Mundial da Paz.
Este congresso reuniu centenas de delegados, oriundos de 45 países, entre os quais se contavam destacados intelectuais e artistas, como Pablo Picasso, Eugénie Cotton, Irène Curie, Paul Éluard, Jorge Amado, Henri Wallon, Anna Seghers, Aimé Cesaire, Andersen Nexø e György Lukács. As delegações mais numerosas provinham da própria Polónia e também dos Estados Unidos da América, Reino Unido, França, Itália e União Soviética.
Portugal, apesar da repressão da ditadura fascista, também esteve representado. Integravam a delegação portuguesa o físico Manuel Valadares, o compositor Fernando Lopes-Graça, o escritor Alves Redol, os médicos João dos Santos e Hermínia Grijó e a bióloga Maria da Costa. Da tribuna do Congresso, Alves Redol garantiu que a delegação portuguesa traduzia o «sentimento de todos os escritores, artistas e homens de saber do nosso país realmente amigos da paz».
A participação de partidários da paz portugueses no movimento que, a partir de finais de 1950, se constituiria no Conselho Mundial da Paz foi constante: em 1949, no Primeiro Congresso Mundial dos Partidários da Paz, em que participaram mais de 2000 delegados provenientes de 72 países, o físico português Manuel Valadares esteve particularmente activo na sua preparação. O mesmo cientista passou a integrar, em Novembro de 1950, o Conselho Mundial da Paz constituído no Segundo Congresso Mundial da Paz, realizado em Varsóvia. Nos anos seguintes juntaram-se-lhe outras personalidades, como Ruy Luís Gomes, Maria Lamas, Armando Castro, Urbano Tavares Rodrigues, Silas Cerqueira ou, já após a Revolução de Abril de 1974, o Marechal Francisco da Costa Gomes, que foi Presidente da República Portuguesa.
Paralelamente à participação em eventos e movimentos internacionais, a luta pela paz desenvolveu-se em Portugal desde a década de 40 do século XX, apesar da repressão movida contra o movimento da paz e seus activistas pela ditadura fascista. Logo em 1950, em torno da recolha de assinaturas para o Apelo de Estocolmo, pela proibição das armas atómicas, foram criadas por todo o País (em empresas, serviços, escolas, localidades e associações) comissões para a defesa da Paz. Em Agosto, é criada a Comissão Nacional para a Defesa da Paz, da qual faziam parte, entre muitos outros, o médico e Prémio Nobel Egas Moniz, o professor Ruy Luís Gomes, o escritor Ferreira de Castro, o compositor Fernando Lopes-Graça, a escritora Maria Lamas, o matemático José Morgado e a engenheira Virgínia de Moura.

Tal como sucedia a nível internacional, nesta comissão convergiam personalidades com diferentes concepções políticas e religiosas. Nestes primeiros anos (e à semelhança do que ainda hoje sucede), a luta pela paz não se limitou ao movimento vocacionado especificamente para o efeito, agregando outros movimentos e organizações democráticas, como o Movimento de Unidade Democrática Juvenil, o Movimento Nacional Democrático ou a Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Juntas, estas organizações, com ramificações de Norte a Sul do País, levaram a cabo muito importantes acções em prol da paz, do desarmamento e da solidariedade, enfrentando abertamente eixos centrais da política externa da ditadura e sofrendo por isso constantes perseguições. Repressão a que o 25 de Abril de 1974 pôs fim, continuando o movimento da paz a realizar em liberdade e em democracia a sua imprescindível intervenção, que prossegue até aos dias de hoje.
Num momento, como aquele em que vivemos, marcado pelo agravamento das tensões e da militarização das relações internacionais; pelo incremento da ingerência, das operações de desestabilização e guerras de agressão; pelo desrespeito pela independência dos Estados, pela soberania e os direitos dos povos; pelo aumento das despesas militares e da corrida aos armamentos – em resultado da política belicista promovida pelos EUA, a UE, a NATO e os seus aliados –, importa ter presente o exemplo dos partidários da paz que, em tempos igualmente difíceis, souberam, apesar de diferenças, determinar a ameaça e o perigo principal e unir forças contra uma nova guerra, em defesa da paz e da sobrevivência da Humanidade. Levantemos alto e continuemos hoje e no futuro o seu legado e luta.
28 de Agosto de 2018
Conselho Português para a Paz e Cooperação

quarta-feira, agosto 29, 2018

desensaio sobre a lucidez

Numa entrevista ao Público, Miguel Tiago "admitiu", com grande lucidez, que a lucidez não signifique estar sempre certo...

Como se gostaria que este blog tivesse implícito, em cada post, 
o tema-mote da lucidez, aplaude-se e junta-se uma glosa:

A LUCIDEZ NÃO PERMITE APAGAR (OU ESQUECER) ERROS PASSADOS, 
NEM PODE SERVIR DE CINTO DE SEGURANÇA 
PARA IMPEDIR ACIDENTES INEVITÁVEIS
OU DE VACINA INFALÍVEL 
PARA IMUNIZAR DE ERROS FUTUROS  

e parafraseia-se (ao lado, obviamente...) Álvaro de Campos: 
Estou lúcido, merda!


estarei?

segunda-feira, agosto 27, 2018

sexta-feira, agosto 24, 2018

A definição do inimigo

Resposta aberta a um

Mui Caro comentador deste blog, 
li, com a satisfação de sempre, o seu comentário ao meu post em que me lembra que 
"... hoje é dia 23 de agosto e a Comissão Europeia lançou cá para fora algo:  http://europa.eu/rapid/press-release_STATEMENT-18-5041_es.htm..." 
e onde, além do abraço, junta um 
"...P.S. - trata-se de uma "provocação benigna" só para a discussão






domingo, agosto 19, 2018

Para este domingo... com todo o R-E-S-P-E-C-T

Como um Expresso curto (porque escrito por Valdemar Cruz...) "me obriga" a este para este domingo:

"... Dois anos depois, “Respect” chegava a Aretha. Canção e cantora precisavam-se. Buscavam-se há muito sem o saberem. O momento do encontro é um instante fundamental da história da música popular norte-americana. Sendo a mesma, a canção passou a ser outra. Aretha transformou-a. Aumentou-lhe o ritmo e fez algumas mudanças fundamentais. Uma delas passou por assumir o papel da mulher que espera em casa, cansada, às vezes desprezada, tantas vezes humilhada, menosprezada, tratada sem dignidade. De repente, o que não passava de uma lamechice sobre o varão que pretende ter em casa uma criada para todo o serviço, passa a ser um grito pela dignidade. Transforma-se no clamor de uma mulher que exige respeito.
“Respect” impõe-se num momento de grandes convulsões políticas e sociais. Os EUA vivem a guerra do Vietname, a luta pelos direitos civis dos negros, o combate pela emancipação das mulheres, e o que começa por ser um grito com repercussões locais, projeta-se para uma escala global. Afinal, nos EUA como em qualquer recanto do mundo, como se verá ao longo deste Expresso Curto, haverá sempre alguém, uma mulher, um homem, um trabalhador, uma criança, todo um povo para quem uma só palavra poderá significar uma profunda mudança de vida: RESPEITO.
Morreu Aretha Franklin. Tinha 76 anos. Chamavam-lhe a rainha da “soul” e o obituário está mais do que feito. Agora, a melhor recordação é ouvi-la: (...)





tradução minha
... com todo o respeito!
s.r.