quinta-feira, março 07, 2019

Hoje, amanhã (8 DE MARÇO!) e depois de amanhã


Sou de outro tempo. Sou do tempo dos partos sem assistência médica (ou qualquer outra) entre a cava da vinha e a apanha da azeitona, sou do tempo das viúvas de vivos (emigrantes “de salto”) – excelente o título do livro de Joaquim Lagoeiro –, sou do tempo de antes de Maio de 1968 e sua mitologia libertadora.

Por acaso de circunstâncias, sou também deste tempo de hoje. Sou deste tempo de juízes criadores de “causas fracturantes”, de sentenças ou despachos (de libertação ou de dispensa de pulseira para criminosos) auto-denunciadores de mentalidade de outros tempos... ou sem tempo, ultra-reaccionária.
Sou do tempo que medeia estes dois tempos. Sou, também de todos os entre-tempos, sempre atento e procurando intervir nesta área da condição das mulheres na sociedade do seu (e nosso!) tempo.

Por isso, estive na criação (em 1968) do Movimento Democrático das Mulheres, e suas primeiras iniciativas, por isso fui membro (e relator) da comissão das mulheres no Parlamento Europeu. Por isso, me congratulei de a violência doméstica ter passado, por lei, a ser considerada crime público.
Por isso, hoje se assinala, aqui, este dia.

Por isso, estarei na manifestação de 9 de Março de 2019.

Mas, atenção, não a partir de uma mobilização momentânea e mediática contra um expiatório juiz (e suas posições), que não mais é que o infeliz reflexo de uma mentalidade resquício não despiciendo do tempo que ainda vivemos. 
Lembrarei o 8 de Março e estarei nessa manifestação (e noutros actos) enquanto luta por uma outra sociedade, de que expurguem as desumanas sequelas de séculos que foram e antecederam o século que nos calhou viver (parte do XXº e este XXIº) e os que virão. 

quarta-feira, março 06, 2019

98 anos. Parabéns (a mim, ao colectivo... a todos)


O começo do século XX foi de profundas transformações. Como todo o tempo o é, mesmo que disso não se dêem conta os coetâneos.

No primeiro quartel do século XX, Portugal instaurou a república, participou na guerra de 14-18, viveu em grande instabilidade social e política.

Até este canto da Europa (que já existia antes de uma coisa chamada União Europeia) chegavam ecos de mudanças pelo mundo fora.

Já não era a revolução francesa, que por aqui entrara de armas e violência, era ainda (e por muito tempo) a colonização das periferias, sobretudo anglófona.
Éramos o país do sol e da vinha, vantagem comparativa – à David Ricardo (e Tratado de Methuen, e anteriores da Aliança mais antiga da História entre países “civilizados”) – que se contrapunha à das inovações tecnológicas dos teares para têxteis, das máquinas a vapor, dos transportes e comunicações. E aqui chegavam os sinais e ecos de verdadeiras transformações que vinham de mais longe, que vinham de lá onde acabava a Europa nos Montes Urais.

Sem rádio nem (ainda menos) televisão chegavam notícias que vinham ao encontro de sentires e de tomadas de consciência social. O movimento operário não esperava por informação mas crescia e estimulava-se com a informação que chegava, lenta e cheia de escolhos.

O movimento associativo sindical ganhara ímpeto e dividia-se, mas guardava e germinava na boa semente da participação e do associativismo.

Faltava algo de essencial.

Realizaram-se várias reuniões nas sedes de alguns sindicatos, com o intuito de se construir uma vanguarda revolucionária. Formou-se uma Comissão Organizadora para a criação do Partido Comunista Português, que começou, em Janeiro de 1921, a elaborar as bases orgânicas da nova formação política.
Por essa altura, em diversos países formavam-se associações desse tipo a partir de cisões de outros partidos, nomeadamente de partidos socialistas. Não foi o caso do Partido Comunista Português que se constituiu na base do movimento associativo, com sindicalistas que representavam o que havia de mais vivo, combativo e revolucionário no movimento operário português.
Foi na sede da Associação dos empregados de escritório, em Lisboa, que em 6 de Março de 1921 se realizou uma assembleia que aprovou os estatutos da associação e elegeu a primeira direcção do PCP.

Por isso, hoje se assinala o 98º aniversário deste partido, do PCP.
Como associação (política) que é, formou-se com associados, um estatuto que definia objectivos, princípios e regras, e uma actividade que está próxima do centenário.
A sua história merece ser conhecida. E respeitada!
Não tenho a pretensão de a contar. Não teria fôlego para isso, mas vivo-a como sei e posso. E dá-me vontade de fazer algumas analogias talvez simplistas.
Como é natural (e evidente), os fundadores do PCP já morreram todos, a sua actividade teve de se inserir numa sociedade em transformação, os seus estatutos tiveram de se ir adaptando ao evoluir dos tempos, mas os seus objectivos, princípios e regras foram mantendo-se os mesmos. Ou, a não ser assim, a associação teria desaparecido ou deixado de ser o que era quando formada. Há 98 anos. E, ao que parece, de boa saúde e… jovem.
Ao longo de seu percurso de vida, o colectivo que formou com os seus associados (que se afirmam como militantes) passou por momentos em que tudo foi posto à prova. Dos nove. Ou da realidade.
Em alguns desses momentos, para além das dificuldades próprias do que tem de se transformar e adaptar para vivo se manter num contexto sempre hostil e não raro de extrema violência, a associação teve, por vezes (não poucas), internos confrontos e mesmo cisões relativamente à forma de continuar ou, até, de sobreviver.
Na maneira de analogias simplistas em que pretendo manter-me nesta despretensiosa abordagem, nem por isso menos séria e reflectida, é como se associados de um colectivo formado para se jogar xadrez, tendo de se adaptar a tabuleiros e peças mutáveis, encarassem a alternativa de mudar de modalidade desportiva e propusessem passar a jogar às damas, em tabuleiros novos, com outras pedras e movimentações outras.
De acordo com as regras das associações, essas mudanças só seriam concretizáveis se, em assembleia-geral (ou – chame-se-lhes – plenários ou congressos), a maioria dos associados estivesse de acordo em alterar objectivos e princípios.
Cá por mim, continuo a querer ser jogador de xadrez e, para o continuar a jogar, discuto e aceito o que a maioria dos que comigo querem continuar a jogar xadrez. Como há 98 anos!   

terça-feira, março 05, 2019

Uma breve cronologia

É verdadeiramente assustador! Mas há que denunciar e resistir!

Maio de 2016: O banco alemão Commerzbank fecha as contas de várias instituições venezuelanas, incluindo as contas dos bancos públicos da Venezuela e da empresa pública petrolífera PDVSA – Petróleos de Venezuela S.A.
Julho de 2016: O banco americano Citibank proíbe a sua rede de intermediários bancários de efetuar transações com instituições venezuelanas, incluindo o Banco Central da Venezuela.
Agosto de 2016: O fecho unilateral das contas de intermediários bancários obriga a Venezuela a efetuar transações noutras moedas, sendo que a maior parte das receitas obtidas pela venda de petróleo é em dólares. O país sofre grandes perdas devido aos novos custos das transações, das taxas de câmbio e outros custos operacionais.
Agosto de 2016: O Novo Banco (Portugal) informa o Estado venezuelano, que não realizará mais nenhuma transação em dólares com bancos ou instituições venezuelanas, devido à pressão exercida pelos seus intermediários bancários.
Julho de 2017: A empresa Delaware, que gere os portfólios de títulos da PDVSA, informa a PDVSA que o seu banco intermediário, PNC Bank, não aceitará mais fundos provenientes da empresa petrolífera.
Julho de 2017: O banco americano Citibank rejeita um pagamento do Estado venezuelano destinado à compra de 300 mil doses de insulina.
21/08/2017: O Banco da China, sediado no Panamá, informa a Venezuela que, no seguimento de pressões do Departamento do Tesouro dos EUA, bem como do governo do Panamá, não poderá realizar mais nenhuma transação em dólares a partir da Venezuela ou para a Venezuela. 22/08/2017:Vários bancos russos informam a Venezuela da impossibilidade de realizar transações com os bancos venezuelanos, devido à restrição imposta pelos bancos intermediários dos Estados Unidos e de vários países europeus.
23/08/2017: O banco intermediário BDC Shandong bloqueia uma transação da China para a Venezuela, no valor de 200 milhões de dólares. Seria necessário mais de um mês para que a Venezuela pudesse recuperar esta soma pecuniária.
24/08/2017:Donald Trump assina a Ordem Executiva 13808, intitulada “Imposição de sanções adicionais a propósito da situação na Venezuela”. Este decreto proíbe toda uma série de transações com o Estado venezuelano, e sobretudo com a PDVSA, e qualquer outra entidade pública da Venezuela. É, assim, estabelecida uma lista de restrições a operações financeiras : – O Estado venezuelano e a PDVSA estão proibidos de emitir novos títulos de dívida. – Interdição de efetuar transações de títulos emitidos pelo governo antes da entrada em vigor do decreto. – É proibido o pagamento de dividendos ou de lucros ao governo da Venezuela, pela parte de entidades residentes nos EUA. Isto afeta sobretudo a Citgo, empresa subsidiária da PDVSA e que conta com três refinarias e 6 mil estações de serviço no território dos EUA. – É proibida a compra de certos títulos do Tesouro e de dívida venezuelana. A Casa Branca declara que este conjunto de proibições foi “cuidadosamente pensado para negar à ditadura de Maduro, uma fonte não negligenciável de financiamento”. O decreto 13808 visa a sistematização de ataques contra empresas públicas e operações comerciais e financeiras do Estado venezuelano, com o objetivo de destruir a economia do país. Relativamente a este assunto, o embaixador americano na Venezuela, William Brownfield declarou: “A nossa melhor resolução é precipitar o colapso do governo, mesmo que isso implique meses e anos de sofrimento para os Venezuelanos”.
Agosto de 2017:No seguimento de pressões do Departamento do Tesouro americano, a empresa Euroclear, uma filial do banco americano JP Morgan, congela as operações de transação sobre a dívida soberana da Venezuela. A Euroclear retém assim, desde esta altura, 1,2 mil milhões de dólares, pertença da República Bolivariana da Venezuela.
Agosto de 2017: O Banco da China – filial de Frankfurt – recusa a emissão de uma transação no valor de 15 milhões de dólares devidos pela Venezuela à empresa mineira Gold Reserve.
05/09/2017: O Canadá e os EUA associam-se para “adotar medidas económicas contra a Venezuela e contra pessoas que contribuem ativamente para a situação atual do país”.
Outubro de 2017: O Deutsche Bank informa o banco chinês CITIC Bank do fecho de contas nos seus intermediários bancários, por terem aceitado pagamentos da PDVSA.
Outubro de 2017:A Venezuela compra vacinas e medicamentos à Organização Pan-Americana de Saúde, uma filial da Organização Mundial de Saúde, e, portanto, sob a égide da ONU. Em virtude da extraterritorialidade das leis norte-americanas, o banco suíço UBS rejeitará o pagamento, provocando um atraso de quatro meses na entrega das vacinas, desorganizando amplamente o sistema público de vacinação gratuito do Ministério da Saúde venezuelano.
03/11/2017: O presidente Maduro anuncia que a Venezuela reembolsou mais de 74 mil milhões de dólares aos seus credores nos últimos 4 anos. Apesar disto, as agências financeiras degradam a notação ligada ao risco de incumprimento da Venezuela, tornando assim mais difícil a obtenção de crédito no mercado de capitais.
09/11/2017: Os Estados Unidos sancionam um grupo de funcionários venezuelanos, evocando o “espezinhar da democracia e de administrar programas governamentais corrompidos de distribuição de alimentos”. Os funcionários responsáveis pela importação de alimentos no país ficam impedidos de assinar acordos comerciais, que favoreçam a política alimentar do governo.
13/11/2017: A UE proíbe a venda de material de defesa e de segurança interna à Venezuela.
14/11/2017: A agência de notação Standard and Poor’s declara o “incumprimento parcial” da Venezuela, apesar dos pagamentos regulares de dívida.
15/11/2017: O Deutsch Bank, principal intermediário do Banco Central da Venezuela, fecha definitivamente as contas desta instituição, colocando em perigo todas as suas operações bancárias.
Novembro 2017: A Venezuela compra medicamentos anti-malária (primaquina e cloriquina) ao laboratório colombiano BSN Medical. O governo da Colômbia impede a entrega dos medicamentos, sem nenhuma justificação.
Novembro de 2017:Os grupos farmacêuticos transnacionais Baxter, Abbott e Pfizer recusam emitir certificados de exportação com destino à Venezuela, tornando impossível a compra de medicamentos produzidos por estas empresas, nomeadamente de natureza oncológica.
Novembro de 2017:Os bancos intermediários recusam várias transações da Venezuela no valor de 39 milhões de dólares. Esta soma destinava-se a 23 operações de compra alimentar para as celebrações de Natal e fim de ano.
29/01/2018: O Departamento do Tesouro americano afirma que “A campanha de pressão contra a Venezuela começa a dar frutos. As sanções financeiras que impusemos obrigaram o governo deste país a entrar em incumprimento relativamente à sua dívida soberana, bem como da dívida da PDVSA. Podemos assim assistir (…) a um colapso económico total da Venezuela. Ou seja, a nossa política funciona e a nossa estratégia funciona, devemos por isso continuá-la”.
12/02/2018: O Departamento do Tesouro americano alarga as sanções financeiras contra a Venezuela. É proibido renegociar e restruturar a dívida venezuelana, bem como a dívida da PDVSA emitida antes de 25 de Agosto de 2017.
Março de 2018: 15 pugilistas venezuelanos são impedidos de participar nas competições de qualificação para os Jogos da América Central e das Caraíbas de 2018, devido à falta de acordo com a agência de viagens, emissora dos bilhetes de avião. Quando a empresa se apercebeu que se tratava do transporte da Federação Venezuelana de Pugilismo, os preços das passagens aéreas passaram de 300 dólares para 2 100 dólares por pessoa. Posteriormente, uma companhia privada propôs um voo charter para transportar a equipa. No entanto, Colômbia, Panamá e o México não autorizaram a aeronave a sobrevoar o seu espaço aéreo.
02/03/2018: Os Estados Unidos renovam por mais um ano, os decretos 13692 (Obama) e 13808 (Trump). O decreto 13808 impõe seis novas medidas coercitivas, tendo como objetivo, atacar a estabilidade financeira da Venezuela. O Gabinete de Crimes Financeiros dos Estados Unidos (FinCEN) alerta as instituições financeiras mundiais que as transações com entidades públicas venezuelanas são suspeitas de corrupção. Esta acusação, sem fundamento nem provas, tem como consequência a travagem do pagamento às empresas alimentares e aos laboratórios farmacêuticos, tornando difícil a importação de bens essenciais. Isto resultará no congelamento de 1,65 mil milhões de dólares, pertença do Estado venezuelano.
19/03/2018: O presidente Trump assina a ordem executiva 13827, que proíbe todos os cidadãos e instituições, de efetuar transações financeiras com a criptomoeda venezuelana “Petro”, mesmo antes de esta dar entrada nos mercados de criptomoedas. Esta decisão é a primeira do género a ocorrer na curta história das criptomoedas.
27/03/2018: O governo do Panamá publica uma lista de 16 empresas venezuelanas suspeitas, sem provas, de branqueamento de capitais e de financiamento do terrorismo.
19/04/2018: Steve Mnuchin, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, reúne-se com representantes da Alemanha, Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Espanha, França, Guatemala, Itália, Japão, México, Panamá, Paraguai, Perú e Reino Unido, para pedir “acções concretas, de forma a restringir, a capacidade dos funcionários venezuelanos corrompidos e das suas redes de apoio”. Afirma que o presidente Nicolás Maduro não tem legitimidade para pedir financiamento em nome do seu país. A drenagem financeira da Venezuela representa assim o único objetivo destas propostas.
Maio de 2018: São congelados 9 milhões de dólares ao Estado venezuelano, destinados aos tratamentos de diálise. Como consequência, 20 mil pacientes serão privados de tratamento.
Maio de 2018: O banco italiano Intensa Sanpaolo bloqueia o dinheiro destinado à construção do pavilhão da Venezuela na XVIª Bienal de Arquitectura de Veneza.
21/05/2018:Devido à reeleição de Nicolás Maduro para a presidência, Donald Trump reforça as sanções. De agora em diante, todos os cidadãos e empresas americanas estão proibidos de adquirir propriedades pertencentes ao governo da Venezuela no território dos EUA.
25/06/2018: O Conselho Europeu adota a decisão 2018/901, sancionando os membros da administração venezuelana, incluindo os que operam no sector da alimentação. Esta medida faz eco àquela que foi tomada um ano mais cedo pelos EUA (9 de Novembro de 2017), tendo como finalidade impossibilitar a compra de alimentos pelo governo venezuelano.
01/11/2018: O presidente Trump assina um novo decreto, autorizando o Departamento do Tesouro a confiscar as propriedades dos operadores do sector mineiro aurífero da Venezuela, sem que acusações penais ou civis sejam necessárias. O objetivo é o de impedir a recuperação, por parte do Estado da Venezuela, da bacia mineira de Orinoco, uma das maiores reservas mundiais de minério aurífero. O Secretário-adjunto do Tesouro americano, Marshall Billingslea, num absoluto cinismo, declarará, a propósito deste assunto: “Deveríamos manifestar mais indignação face aos danos infligidos ao ambiente e às populações indígenas”.
09/11/2018: O Banco Central do Reino Unido recusa devolver à Venezuela 14 toneladas de ouro pertencentes àquele país. Trata-se de um valor que ronda os 550 milhões de dólares.
13/12/2018: A fabricante norte-americana de pneus Goodyear fecha a sua fábrica na Venezuela. O motivo invocado pela direção da empresa é que “as sanções dos Estados Unidos tornam a sua atividade impossível naquele país”. 
04/01/2019: Os governos do Grupo de Lima (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colombia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Sainta Lúcia), com exceção do México, adotaram uma resolução para reforçar o bloco. O texto prevê estabelecer uma lista de personalidades jurídicas venezuelanas com as quais “não devem trabalhar, devem ter o aceso impedido aos seus sistemas financeiros e, se necessário, congelar os seus ativos e recursos económicos”. Igualmente, a resolução obriga os países do Grupo de Lima a trabalharem de perto com os organismos financeiros internacionais que integram para impedirem a cedência de novos créditos à República Bolivariana da Venezuela.


Muito grato a quem me possibilitou esta cronologia 
(mantendo a grafia mas "arrumando" graficamente)!
S.R.

Venezuela - a permanente provocação

 - Edição Nº2361  -  28-2-2019

Venezuela vencerá!

De entre as importantes ilações que se devem retirar dos acontecimentos, ocorridos no último fim-de-semana, em torno da provocação montada pelos EUA contra a República Bolivariana da Venezuela, é o terem posto a nu a incomensurável distância que separa a infame campanha de manipulação e mentira – incluindo a veiculada em Portugal – da efectiva realidade venezuelana.
Assinale-se que, mesmo perante o descalabro da acção provocatória, mas imbuídos pelo guião de mentira (e quimera) que tramaram, os seus «mentores» e «actores» – de Pence, Pompeo, Bolton ou Rubio, à sua «marioneta» Guaidó – continuavam a apelar ao recrudescimento da ingerência e da agressão, incluindo através da intervenção militar contra a Venezuela e o seu povo.
No entanto, o que a realidade determinou foi a importante derrota dos agressivos planos imediatos do imperialismo norte-americano, que contaram com o particular envolvimento das autoridades colombianas. Uma derrota que se deve, em primeiro lugar, à resposta determinada e séria das forças bolivarianas, à firmeza da unidade cívico-militar, ao compromisso patriótico da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), à corajosa mobilização popular em defesa da Revolução, da soberania e independência da Venezuela – que contou com o significativo posicionamento em defesa dos princípios da Carta das Nações e a activa solidariedade de diversos países e das forças da paz e do progresso por todo o mundo.
Embora tal resposta tenha contribuído para um maior isolamento do intento, arquitectado pelos EUA e executado pela extrema-direita golpista venezuelana, de abrir o caminho à intervenção armada – a coberto de uma falsa e hipócrita «ajuda humanitária», de que as Nações Unidas e a Cruz Vermelha Internacional correctamente se demarcaram –, continua a incitação ao isolamento e à ingerência contra a Venezuela, nomeadamente através da instigação da operação golpista, como resultou da recente reunião do conspirador «Grupo de Lima».
Para além das ameaças de intervenção militar por parte da Administração Trump, secundadas por Juan Guaidó, contra o povo venezuelano, continuam a desestabilização, as sanções e o bloqueio económico, a confiscação ilegal de bens e recursos financeiros, que visam asfixiar a economia da Venezuela e degradar as condições de vida do seu povo.
Face à expressão do apoio popular e legitimidade do Governo dirigido pelo presidente eleito, Nicolás Maduro, o Governo português continua vergonhosa e irresponsavelmente alinhado com a operação golpista, a que eufemesticamente designa de «transição», tendo chegado a afirmar que a «questão»que se colocava era a de saber se esta se podia «fazer de forma pacífica, sem confrontação interna, nem intervenção externa» (DN, 1.2.19).
Desde há 20 anos que o imperialismo procura esmagar o processo bolivariano, iniciado com a eleição do Presidente Hugo Chávez. Um processo que não só garantiu pela primeira vez direitos a milhões de venezuelanos, como impulsionou um histórico avanço na cooperação soberana latino-americana e caribenha, fora da alçada do domínio dos EUA, contribuindo, pelo seu exemplo, para a luta dos povos de todo o mundo. Os EUA e seus acólitos não irão desistir das suas provocações e intentos agressivos. Tão pouco a Venezuela bolivariana deixará de resistir e de lutar – é com ela que há que estar solidário!
Pedro Guerreiro 

Manifestação de 9 de Abril



eu, que não sou do MDM
mas que sou do MDM antes de ele existir...,
lá estarei!

segunda-feira, março 04, 2019

domingo, março 03, 2019

A democracia (deles) eÉ a prosperidade deles...

 - Edição Nº2361  -  28-2-2019
Abjecta hipocrisia

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel foi à Colômbia participar nas provocações contra a Venezuela do passado fim-de-semana: «Tudo o que o PPE, o Parlamento Europeu e eu próprio, enquanto dirigente da maior família política da União Europeia, puder fazer para levar novamente a democracia e a prosperidade ao povo venezuelano, farei sem hesitar um segundo.»
O mesmo Rangel saudou (Público, 10.12.2013) o «golpe da Praça Maidan» em Kiev: «centenas de milhar de pessoas arriscam a vida, a integridade física e a liberdade para se juntarem à Europa – à União Europeia – e aos valores que ela representa». Sublinhou que essa «europeização» da Ucrânia implicaria a «adopção de um modelo de liberdades e garantias – designadamente, em sede de possibilidade de contestação e de oposição».
Se na altura era já inteiramente claro que tais protestos – dirigidos pelos EUA – eram encabeçados pelos neonazis do Sector Direito e Svoboda, ainda ficou mais claro depois. As «liberdades e garantias» e os «valores da UE» traduziram-se num poder de Estado onde pontificam fascistas, na ilegalização, repressão e até massacre de opositores, na integração das milícias fascistas no exército ucraniano, na completa subordinação da Ucrânia à irresponsável estratégia agressiva dos EUA/NATO. Aí Rangel já não teve nada a dizer.
Disse-se apreensivo face à ideologia de Bolsonaro mas esteve politicamente ao seu lado na fronteira venezuelana. Ao lado de outro personagem de extrema-direita que a UE reconheceu presidente da Venezuela. Sabe que, se saísse vitorioso o golpe que apadrinha, a «democracia e prosperidade» que aí diz defender seriam de qualidade semelhante às da Ucrânia. Mas para esta gente os fins justificam tudo, incluindo a mais abjecta hipocrisia.
Filipe Diniz

Há quem se admire por aqui tanto se transcrever do avante!,
... eu não... leiam-no!, isto é, informem-SE,
e façam-no melhor...

Venezuela na Voz do Operário

 - Edição Nº2361  -  28-2-2019

Solidariedade com a Venezuela ecoou na Voz
INICIATIVA Um enorme abraço fraterno ao povo da Venezuela que defende a paz e o direito a decidir o presente e o futuro da sua pátria, foi enviado a partir da Voz do Operário num acto político-cultural realizado a partir do final da tarde de sexta-feira, 22, em Lisboa.



No histórico salão nobre da sociedade de instrução e beneficência operária, que assinala 140 anos em 2019, a iniciativa promovida por mais de duas dezenas de organizações prolongou-se por cerca de três horas. Primeiro, com as intervenções políticas. Depois, com estas a darem lugar às palavras cantadas solidariamente por Tiago Santos e Sofia Lisboa, Jorge Rivotti, El Sur (Rui Galveias e Joana Manuel), Freddy Locks e Sebastião Antunes. Tudo apresentado pelo actor Fernando Jorge Lopes, a quem coube, a meio do espectáculo, declamar dois poemas a propósito: «Mãe deixa-me lutar», do compositor e intérprete venezuelano Ali Primera, e «Ode à Paz», de Natália Correia.
Sentados nas primeiras filas da plateia que se estendia até àqueles que não conseguiram lugar sentado, e que por mais do que uma vez repetiram consignas como «Paz sim! Guerra não!» ou «Venezuela vencerá», encontravam-se os embaixadores da  Venezuela, de Cuba, da Federação Russa e da Palestina, bem como representantes das mais de vinte organizações promotoras da iniciativa.
E foi dali que saiu Ilda Figueiredo, presidente da Direcção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), que destacando desde logo o importante «alcance político» da sessão «face à ameaça da administração norte-americana de invadir a Venezuela e agredir militarmente o seu povo», reafirmou que o povo daquele país «não está só» na rejeição de uma guerra de semelhantes motivações como as levadas a cabo pelos EUA e os seus aliados contra os povos da Jugoslávia, Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria ou Iémene.
Tambores de guerra que ressoam impulsionados por uma «imensa operação de ingerência» e uma «ampla campanha de desinformação» , destacou ainda Ilda Figueiredo, para quem os objectivos desestabilizadores dos EUA e dos seus subordinados são claros: garantir através da divulgação de «mentiras sem escrúpulos» e da «infame propaganda do ódio», da «asfixia da economia venezuelana e do agravamento das condições de vida do seu povo, incluindo da numerosa comunidade portuguesa que reside naquele país», voltar a impor «o domínio sobre as riquezas naturais daquele país» e «quebrar o exemplo de desenvolvimento e progresso soberano» oferecido pela Revolução Bolivariana em curso.
Em nome da CGTP-IN, também Augusto Praça considerou que o papel que a Venezuela bolivariana tem desempenhado na conquista de direitos sociais e laborais por parte dos povos da América Latina, incomoda o imperialismo. Facto que, aliado ao desejo de deitar mão ao petróleo venezuelano motivam o lançamento de mais uma «guerra de saque» pelos EUA, disse, por seu lado a Embaixadora de Cuba em Portugal.
Usando da palavra a partir do palco, Mercedes Martínez alertou, consubstanciando com elementos concretos, para a real possibilidade de uma intervenção militar dos EUA. Uma agressão que está em marcha «com acções encobertas» a partir de bases militares norte-americanas em «total desrespeito pelos governos dos territórios onde se situam», e que, como noutros casos, «invoca pretextos humanitários».
A «narrativa humanitária», a exploração de «causas nobres reconhecidas unanimemente», não é novidade. E por isso impõe-se novamente uma forte mobilização que afirme que «a ajuda verdadeiramente humanitária» não se compagina com a «violência e a violação do Direito Internacional», acrescentou a diplomata da República de Cuba, que reiterou, igualmente, a «invariável solidariedade para com o presidente constitucional da Venezuela, Nicolás Maduro».
Querem ajudar?
Nicolás Maduro, aliás, é um dos alvos da campanha de intoxicação pública, notou, por seu lado, o embaixador da Venezuela no encerramento do período das intervenções. Caucionando como «presidente interino» um indivíduo que se autoproclama chefe de Estado, que foi eleito deputado em segundo lugar num círculo eleitoral com pouco mais de 90 mil votos, ou 0,29 por cento do total dos eleitores venezuelanos, em detrimento do presidente eleito, em Maio de 2018, por mais de 6,2 milhões de venezuelanos, o imperialismo e o aparato golpista prossegue o plano posto em marcha desde o passado mês de dezembro, denunciou Lucas Rincón Romero.
«Mas quem é Juan Guaidó?», questionou o embaixador da República Bolivariana da Venezuela em Portugal, explicando, logo em seguida(tendo como pano de fundo num ecrã no palco imagens que atestavam as suas palavras), tratar-se de um operacional da CIA. Um «fantoche» adestrado como «desestabilizador profissional» em programas de «mudança de regime» desde 2005; participante de primeira linha nos actos terroristas (guarimbas) ocorridos na Venezuela nos últimos cinco anos.
«Ninguém pretende negar que há uma crise económica na Venezuela. Nem o presidente Nicolás Maduro», disse igualmente Lucas Rincón Romero. Contudo, precisou, ela é provocada pelo bloqueio económico e financeiro imposto pelos EUA e seus vassalos, acusou.
«Querem ajudar a Venezuela?», insistiu o embaixador venezuelano. «Acabem com as ingerências e o bloqueio». «Devolvam-nos o dinheiro que têm sequestrado», acrescentou, calculando em seis mil milhões de euros, em moeda e em ouro, o total cativo só nas instituições europeias, justamente para agravar a crise na Venezuela e sustentar o golpe de Estado em curso, concluiu.



Provocação aberta
O acto político-cultural na Voz do Operário decorreu a poucas horas da concretização de uma «provocação em larga escala» na fronteira da Venezuela com a Colômbia, como a qualificou o embaixador Lucas Rincón Romero. Operação que contou com ampla difusão de informação manipulada e distorcida, como de resto provou o dignitário.
Tudo começou com uma mensagem do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, na mais popular rede social na América Latina, alegando que «o povo venezuelano necessita desesperadamente de ajuda», a qual «não chega porque os militares e Maduro não o permitem».
A mensagem, acompanhada de uma foto de uma ponte que liga a Colômbia à Venezuela, foi replicada em primeiras páginas de jornal e tele-noticiários «sem que jornalistas e editores se preocupassem em averiguar a veracidade de factos simples».
Factos tais como: como mostra a foto, a cerca e os blocos de cimento que bloqueiam a ponte Tienditas estão do lado da Colômbia, tendo sido este país a colocá-los; a foto foi tirada há 18 meses, portanto os obstáculos estão lá desde então e não foram colocados agora por ordem do governo bolivariano da Venezuela; a ponte, paga pela Venezuela, ainda não foi inaugurada porque se mantém um diferendo entre a Colômbia e a Venezuela, portanto a sua abertura ou encerramento nada tem a ver com a actual conjuntura.
Neste contexto, aduziu Lucas Rincón Romero depois de realçar aqueles «factos simples», resulta claro que a manobra na ponte Tienditas e o prazo dado pelos EUA e outros apoiantes do golpe para a entrada da «ajuda humanitária», «não foi mais do que uma provocação mediatizada para justificar uma intervenção militar».
«Operação de ajuda», salientou ainda, «que foi inclusivamente rejeitada pela Cruz Vermelha Colombiana», organização que se demarcou prontamente da manobra.
Imagens e informações difundidas durante o fim-de-semana e posteriormente por órgãos de comunicação social não-corporativos e nas redes sociais, mostram que os camiões com «ajuda humanitária» parados na ponte Tienditas, no sábado, 23, foram incendiados por indivíduos que se encontravam do lado colombiano da fronteira.

Governo seguidista

A dirigente do CPPC Ilda Figueiredo, na sua intervenção, não deixou de expressar a indignação colectiva perante «a posição do governo português» de «submissão e suporte do golpe de Estado levado a cabo pelos EUA contra a Venezuela e o seu povo».
Posição «vergonhosa e seguidista» que «desrespeita e afronta a Constituição Da República Portuguesa e o Direito Internacional», e torna o Governo «cúmplice» da intentona visando «o legítimo presidente Nicolás Maduro e o regime constitucional venezuelano», frisou.

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

Vozes que nos falam...

Danny Glover:

https://facebook.com/televisaodomundo/videos/1164245970416853/?t=0

Venezuela

Caros amigos

Caros amigos,

Perante os níveis verdadeiramente avassaladores da desinformação relativa à Venezuela, bem como os reais perigos de uma agressão dos EUA e de guerra em toda a região, tomo a liberdade de vos enviar alguma informação complementar, que não passa na grande comunicação social.

1) Apesar de dificuldades e carências, resultantes do embargo imposto à Venezuela, *não há crise humanitária* na Venezuela. Eis imagens, todas desta última semana, de supermercados e de mercados populares com abastecimentos garantidos pelo governo (videos do jornalista norte-americano Max Blumenthal, do site grayzoneproject.com):

https://www.youtube.com/watch?v=mbXqGiNlWWw
https://youtu.be/qlX3yfXNX_g

2) Eis imagens de algumas das muitas manifestações de apoio ao governo. Aqui numa zona fronteiriça no passado dia 20:

https://twitter.com/teleSURtv/status/1098318252114087944

e aqui em Caracas no dia 24:

https://twitter.com/VillegasPoljak/status/1099447611407429632

Já no passado dia 3 (logo no início desta tentativa de golpe promovida por Trump) tinha havido outra manifestação em Caracas:

http://albaciudad.org/wp-content/uploads/2019/02/DybsYOIWoAEu004.jpg


3) Programa da jornalista norte-americana Abby Martin, com entrevista a um Relator de Direitos Humanos da ONU, Alfred De Zayas, que esteve na Venezuela para investigar a situação:

https://www.youtube.com/watch?v=ii5MlQgGXyk


4) Uma peça do site norte-americano FAIR sobre as mentiras da grande comunicação social:

https://fair.org/home/venezuela-coverage-takes-us-back-to-golden-age-of-lying-about-latin-america/?utm_campaign=shareaholic&utm_medium=twitter&utm_source=socialnetwork


Um abraço a todos,

Jorge Cadima


OBRIGADO!
Um abraço a todos
S.R.

terça-feira, fevereiro 26, 2019

Procurando informar-me E INFORMAR

Sérgio Ribeiro partilhou uma ligação.
5 min
Sobre este site
VIDEOS.TELESURTV.NET
El abogado e historiador estadounidense, Alfred de Zayas, experto en el campo de los DDHH, advirtió sobre el uso del término crisis humanitaria para intervenir Venezuela y derrocar al gobierno actual. Programa Feb. 20, 2018

Cuba... notícias

Obrigado.


Johana Tablada
3 h
#Cuba ratifica la nueva Constitución con el 86.85% de los votos emitidos, según datos preliminares
25 febrero 2019 | + |
La nueva Constitución de la República de Cuba fue aprobada popularmente con el 86.85 por ciento de los votos emitidos según datos preliminares, informó hoy Alina Balseiro Gutiérrez, presidenta de la Comisión Electoral Nacional. Balseiro Gutiérrez aseveró que 6 millones 816 mil 169 electores votaron SÍ (86.85%) y 706 mil 400 votaron NO (9.0%).
http://www.cubadebate.cu/et…/reforma-constitucional-en-cuba/

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

Cuba - referendo

Depois de exaustivas buscas... consegui a notícia:

Mais de 80% dos cubanos habilitados votaram neste domingo (24) na nova Constituição, que reafirma o socialismo como sistema político “irrevogável”, em um dia marcado pela defesa cubana da Venezuela e críticas cruzadas com os Estados Unidos.
As cerca de 25 mil seções eleitorais fecharam as portas às 18h locais (20h de Brasília). O último boletim da Comissão Eleitoral, divulgado às 17h locais (19h de Brasília), uma hora antes do fechamento, indicou que 81,53% dos 8,6 milhões de habilitados tinham exercido o direito ao voto, que é voluntário da ilha.
Os resultados preliminares serão conhecidos na tarde desta segunda-feira.

domingo, fevereiro 24, 2019

Venezuela - Temos de ler noutra língua...

24 de febrero de 2019
El intento de la oposición venezolana quedó frustrado al permanecer cerrada la frontera con Colombia
En el Día D los camiones no pudieron entrar
A pesar del despliegue permanente de la confrontación en los puentes Bolívar y Santander, a la cual se sumó un intento de ocupar el aeropuerto de San Antonio, que fue desactivado, la oposición buscó hacer un uso político de la ayuda humanitaria.
Vista aérea del puente internacional entre Cúcuta y Ureña, donde se ve el humo de camiones quemados. 
Desde Ureña, Táchira
El 23 de febrero, día de la anunciada entrada de la ayuda humanitaria a Venezuela llegó, y terminó. Los pronósticos apocalípticos no tuvieron lugar, no cayó Nicolás Maduro, Juan Guaidó se quedó en Cúcuta, el país no entró en una confrontación cinematográfica. ¿Alta tensión? Mucha, en particular en la zona de frontera que separa los dos países a través de tres puentes sobre un río casi seco: Simón Bolívar, Tienditas, y Santander. De un lado Táchira, las ciudades de San Antonio y Ureña, del otro Norte de Santander, con la ciudad de Cúcuta. 
La jornada empezó temprano con lo que se esperaba, una presión frontal con fuerza mediática en los puentes. Las acciones tuvieron momentos de euforia, debido por ejemplo a que un puñado de integrantes de la Guardia Nacional Bolivariana (GNB) decidieron sumarse a las filas de Trump-Rubio-Duque-Guaidó. La euforia bajó y con el pasar de las horas se formó la certeza de que no pasarían para el otro lado ni la gente ni los camiones. 
Esa situación se tradujo en dos elementos centrales. Por un lado, el despliegue de una confrontación permanente en los puentes Bolívar y Santander, a la cual se sumó un intento de ocupar el aeropuerto de San Antonio que fue desactivado, y por el otro la utilización de los camiones con la ayuda humanitaria. 
La confrontación recordó las estrategias callejeras violentas desplegadas durante el 2014 y 2017 por la derecha en varias ciudades del país, conocidas como guarimbas. Con la diferencia de estar concentradas en puentes internacionales, y contar con el apoyo explícito de los cuerpos de seguridad del Estado colombiano. El ciclo fue repetido: avanzar hacia el lado venezolano, retroceder, intentar pasar por debajo del puente en el caso del Simón Bolívar. ¿Qué debería hacer un gobierno ante un intento de invasión guarimbera financiada internacionalmente?
La utilización de los camiones tuvo tres momentos centrales. El primero el de mostrar unas caravanas en camino hacia los puentes y explotar mediáticamente las imágenes, el segundo el de mentir al afirmar que habían ingresado a Venezuela –como lo hizo el cantante venezolano Nacho al dar por terminada la jornada– y el tercero generar un falso positivo, como fue la quema de dos gandolas. La matriz fue la de acusar a la GNB, cuando quedó filmado cómo fueron jóvenes de primera línea de confrontación.
El incendio de las gandolas parece haber sido planificado, y se tradujo en la acusación a Nicolás Maduro de haber cometido un crimen de lesa humanidad, la escalada de amenazas internacionales, como la que también twitteó el senador norteamericano Marco Rubio, quien afirmó que Venezuela había disparado en territorio colombiano, y que Estados Unidos defendería a Colombia en caso de agresión.
Lo cierto es que, por fuera de esos episodios, no ocurrió lo que habían anunciado. No ingresó la ayuda humanitaria a Venezuela por ningún punto, ni por Colombia, ni por Brasil ni por el mar, no se produjo un quiebre de la Fuerza Armada Nacional Bolivariana, los puentes se parecieron a las imágenes ya conocidas en la estrategia violenta de la derecha, ahora en un marco más complejo. Si era el día final no lo fue, si era el punto de quiebre tampoco parece haberlo sido en la dimensión que lo anunciaron. Otra vez se generó la desilusión de la base social de la oposición, confrontada a la distancia entre las promesas de sus dirigentes –que ahora son internacionales– y las correlaciones reales de fuerza. 
El chavismo, por su parte, movilizó en Caracas, fue su quinta movilización consecutiva en cinco días. En ese contexto el gobierno anunció la ruptura de relaciones con el gobierno colombiano como medida central, que se suma a las decisiones tomadas en días anteriores de cerrar las fronteras con Brasil, Colombia, y las islas de Aruba, Bonaire y Curazao. 
El resultado al finalizar el 23 fue de una gran ofensiva que planteaba ser la final y no logró sus objetivos, y un gobierno venezolano que se mantuvo de pie ante la embestida que, como se sabía, golpeó en simultáneo sobre varios flancos: armados, mediáticos, psicológicos, diplomáticos, territoriales. Ese saldo final era el esperable según las fuerzas reales –sin efecto inflado por redes sociales– y sin la aparición de una carta nueva por parte de Elliot Abrams, Iván Duque o Marco Rubio. 
Existe otro saldo, que es la cantidad de noticias falsas, construcciones de rumores, de datos sin comprobar, sin fuentes creíbles. Forma parte de la avalancha, el aturdimiento, la justificación de nuevas posibles acciones. El caso de los camiones quemados fue la más clara el 23. La dificultad reside muchas veces en confirmar fuentes, números, veracidad de los hechos, algo que suele quedar barrido en las lógicas de guerra que tienen a la operación comunicacional como columna vertebral. Nadie puede sorprenderse de una mentira norteamericana dentro de un asalto, el derecho a la inocencia está prohibido, la necesidad de la sospecha es permanente. 
¿Qué pasará el 24 o 25? Resulta temprano saberlo, pareciera, por cómo se han dado los acontecimientos, que seguirán las presiones en los puentes sin capacidad real de ingresar a Venezuela, irán en ascenso las amenazas y reuniones internacionales, y tal vez se de un falso positivo de alta envergadura. Yo la anunció Rubio la noche del 22 al 23 cuando escribió acerca de la posibilidad de que el Ejército de Liberación Nacional, de Colombia, asesine civiles. Anunció lo que ellos mismos parecen dispuestos a hacer, cómo disfrazarlo, y a partir de allí justificar nuevas acciones, y pasar de la forma “ayuda humanitaria” a un nuevo esquema.
La frontera termina en una noche tensa, como si algo pudiera ocurrir en cualquier momento. Estamos en horas y días complejos, donde uno de los objetivos centrales del gobierno de Venezuela, del chavismo, es el de prevenir las acciones-trampas, las imágenes de violencia, la violencia misma, que dejó 42 heridos del lado venezolano el día 23. Una idea del clima social en la noche del sábado la da la tendencia del Twitter, donde cinco de las etiquetas más posicionadas son para pedir la intervención internacional. La certeza de que no lograrán derrocar a Nicolás Maduro, democráticamente electo, por fuerza propia, parece ser mayoritaria

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

TáVisto-Faria rir se não cheirasse a esturro (e petróleo!)

Como a partir de um caso tristemente ridículo se faz uma crónica bem humorada, cheia de pontaria e pedagogia! Senhoras e senhores, estimados espectadores, eis o caso do deputado que perdeu um avião (coisa tão grande!) e dos colegas do dito que não perderam o avião mas não acharam a porta de desembarque para levarem ouro, incenso e mirra ao menino que lhes mandaram adorar:

 - Edição Nº2360  -  21-2-2019

Ida e volta

Rangel, eurodeputado, tinha diante de si a perspectiva agradável de uma viagem que lhe daria prestígio e lhe acrescentaria o currículo: ir à Venezuela cumprimentar e apoiar Guaidó, o presidente que se elegeu a si próprio. Para tanto, foi a Madrid e meteu-se num táxi para chegar ao aeroporto. Acontece, porém, que o trânsito em Madrid não parece mais fácil que em Lisboa, que os táxis emperram por lá mesmo quando transportam um eurodeputado em missão superiormente democratizante, e que em consequência Rangel falhou o avião para Caracas. Soubemos desta pequenina odisseia pela televisão, naturalmente, e também por ela pudemos recordar mais tarde que há males que vêm por bem. É que outros eurodeputados, digamos que uma mão-cheia deles, não perdeu avião nenhum, fez a viagem para Caracas que não é nada breve, e chegando à capital da Venezuela foi devolvida imediatamente à procedência porque as legítimas autoridades venezuelanas não estão dispostas a consentir ingerências estrangeiras na sua vida interna. Dizem elas, as legítimas, que o chavismo é um património do povo, e talvez acrescentem que, quando olham para o interior das autocaracterizadas democracias que enformam a União Europeia, não encontram que a gestão da coisa pública em qualquer delas se situe tão decisivamente no interesse dos povos quanto o chavismo na Venezuela, salvaguardadas obviamente as diferenças abissais entre as circunstâncias europeias e a amarga história de submissão ao peculiar colonialismo que é a marca norte-americana em todo o continente.
Como novos reis magos

Ficaram, pois, os devolvidos eurodeputados a digerir a sua rejeição, eles, que já antessaboreavam o prazer e a honra de cumprimentarem Guaidó, o presidente que Trump reconhece e após Trump todos os seus vassalos; o engenheiro formado numa universidade cuja designação, «George Washington», dirá o fundamental quanto aos saberes ali ministrados, designadamente os saberes políticos, que serão os mais relevantes. O episódio, ainda que fique por secundário, é verdadeiramente frustrante: imagine-se que há cerca de dois mil anos os chamados «reis magos» haviam sido impedidos de se ajoelharem diante do presépio e tinham sido devolvidos à procedência. Pois bem: podemos entender que, embora a uma escala diferente, os eurodeputados impedidos de oferecerem a Juan Guaidó as formas actuais de oiro, incenso e mirra, foram despojados da oportunidade de se parecerem pelo menos um pouco com os antigos magos, o que decerto muito lhes agradaria. Sobra que as coisas poderão não ficar por aqui: a União Europeia poderá não encaixar passivamente a desfeita: Rangel perdeu o avião mas não irá perder o espectáculo das agressões múltiplas que vão chover sobre Caracas. Esperemos que diferentes da trágica «chuva» que há já quase quarenta e seis anos desabou sobre Santiago. 


Correia da Fonseca