domingo, dezembro 09, 2018

BREXIT - A "saída do povo"

do quase-diário:


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Adormeci (e acordei!) a ler, pela segunda vez, o artigo do João Ferreira no avante!

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No intervalo, recordei (de novo!) a minha nota de 1962 na Revista de Economia (um dos textos suportes de mim…), as breves reportagens radiofónicas aquando da adesão em 1972, Maastrich e opting-out… sei lá que mais.

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(muito lembro eu!, sempre com a precaução de não cair no excesso de historicismo de que a UNESCO/Lange, em 1972, acusava a abordagem marxista da ciência económica).

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Mas… reproduza-se o texto de João Ferreira, que bem merece ser lido e reflectido, a começar pelo título e a acabar no fecho.

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A «saída do povo»

Segundo o Gabinete Nacional de Estatística do Reino Unido, no último Inverno, entre Dezembro de 2017 e Março de 2018, estima-se que tenham ocorrido na Inglaterra e no País de Gales mais 51.100 mortes do que no período homólogo do ano anterior (2016-17), o número mais elevado em 41 anos. Estas mortes estão relacionadas com o frio e com deficientes condições de aquecimento das casas, incluindo casos de doenças respiratórias consideradas evitáveis. A maioria das vítimas são mulheres, embora o número de óbitos de homens com menos de 65 anos tenha duplicado. A edição do último fim-de-semana do «Morning Star» chama-lhe uma «tragédia humana», um «escândalo nacional», cuja explicação não é separável do aumento da conta de energia das famílias, nem dos lucros amealhados pelas seis grandes companhias de energia que dividem o mercado entre si.
O caso dá-nos o elucidativo pano de fundo sobre o qual se desenrola o processo de negociação da saída do Reino Unido da União Europeia. A realidade económica e social britânica é inseparável da pertença à UE e das políticas e opções neoliberais que determinaram o curso da vida política, económica e social no Reino Unido ao longo dos anos.
Tanto quanto a incerteza em relação ao futuro, que as negociações em curso adensam, é a precariedade do presente o que preocupa os trabalhadores e o povo britânico, assim como os imigrantes que vivem e trabalham neste país, incluindo a numerosa comunidade portuguesa, que engrossou significativamente durante os anos da 'troika' em Portugal.
Os 17 milhões de britânicos que em 2016 votaram pela saída do seu país da UE – na mais participada votação de sempre no Reino Unido – certamente que o terão feito com motivações diversas. Será todavia seguro afirmar que, com o seu voto, terão formulado um desejo de ruptura, a par da intenção de assumir o controlo sobre decisões fundamentais para as suas vidas, libertando-se de constrangimentos impostos pela UE, negativamente avaliados. Dois pressupostos – o desejo de ruptura e a afirmação de soberania – que o acordo alcançado há dias entre a UE e o governo do Reino Unido vem pôr em causa.
O grande capital britânico, atravessado por contradições que se estendem aos seus representantes políticos, divide-se pela aposta em caminhos diversos. Uma parte não desistiu ainda de reverter a decisão do povo britânico. Outra, pretende torpedeá-la, deturpando o seu significado, através de um acordo de saída que manterá o Reino Unido constrangido pelo neoliberalismo plasmado nos tratados e legislação da UE. Outra ainda, pretende, a partir de uma saída sem acordo, levar a cabo extensas medidas de desregulamentação e de agravamento da exploração.
A estes caminhos (todos diferentes, todos iguais na sua marca de classe) contrapõe-se, à esquerda, uma «saída do povo», um «Brexit dos trabalhadores e do povo», em que a libertação das políticas e imposições UE é encarada como condição de avanço progressista e emancipador. É a posição, entre outros, do Partido Comunista Britânico.
Para o PCP, o respeito pela decisão soberana do povo britânico e a defesa intransigente dos interesses da comunidade portuguesa que vive e trabalha no Reino Unido, são dois princípios orientadores da sua intervenção em todo este processo. Independentemente das atribulações e conclusões das negociações entre a UE e o Reino Unido, o Governo português deve trabalhar na construção de um quadro de relações e de cooperação futura com o Reino Unido, mutuamente vantajoso, respeitador da soberania e das aspirações de ambos os povos e dos interesses dos imigrantes portugueses neste país.
João Ferreira 
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"Paris já está a arder?", pergunta reincidente

do quase-diário:

A França em polvorosa, a arder!

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Em todas as televisões do mundo… ocidental!

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Muito oportuno (e actual!) este actual do Filipe Diniz:

 - Edição Nº2349  -  6-12-2018

Gato escondido

Francesco Cossiga, um homem de direita, foi ministro do Interior, primeiro-ministro e Presidente da República Italiana. Foi uma figura central na reestruturação da polícia, da protecção civil e dos serviços secretos italianos nos anos 70 do século passado. Estava em funções quando do assassínio de Aldo Moro e do atentado terrorista em Bolonha. Esteve associado à criação do «Gládio», braço terrorista da NATO.
Teorizou com grande sinceridade sobre a acção provocadora da polícia nos anos 60 e 70: «Deixar andar. Retirar as forças de polícia das ruas e das universidades, infiltrar o movimento com agentes provocadores dispostos a tudo e deixar os manifestantes durante uma dezena de dias devastar lojas, incendiar automóveis e deixar as cidades a ferro e fogo…[depois] as forças da ordem deverão sem qualquer piedade enviar todos para o hospital. Prendê-los não, porque há muitos magistrados que os deixariam de imediato em liberdade!»
Cossiga teve o mérito de falar claro, mas não inventou nada. Desde que há movimentos de massas que a classe dominante aprendeu que a provocação é uma das melhores formas de os combater.
Vem isto a propósito de imagens que nos chegam de Paris, e que são praticamente as únicas que os media internacionais transmitem acerca das manifestações dos «coletes amarelos»: vandalismo e violência. É óbvio que um movimento tão amplo e que mobiliza camadas sociais sem experiência de luta está exposto a todas as infiltrações e provocações. O que as imagens mostram grita «provocação». Não será certamente a única mas, infelizmente para a polícia francesa, o seu currículo nessa área está mais do que documentado. É uma das vantagens da net, enquanto não estiver inteiramente censurada. E lá surge o gato CRS escondido, com o «colete amarelo» por fora

Filipe Diniz 

sábado, dezembro 08, 2018

Pare, escute, olhe...

e LEIA (Público de ontem) que vale a pena:

<
se clicar
lerá melhor (:-)!

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Com todo o gosto... lá estaremos!

Calendário:
Cultura
Data:
12.12.2018
Localização:
Url:
https://www.facebook.com/events/361166800951097/

Descrição

Pelos 200 anos de Karl Marx e dos 139 anos do jornal A Voz do Operário, A Voz do Operário e a editora Althum têm o prazer de o/a convidar para o lançamento da banda desenhada de Carlos Barradas baseada n’O Capital de Karl Marx.

A sessão contará com a presença do autor da banda desenhada, Carlos Barradas e Sérgio Ribeiro, autor do posfácio à presente edição.


Bem prega Frei Tomás... ou l'arroseur arrosé

Às vezes (raras...) até dá vontade de rir


Bruxelles lance une lutte « low cost » contre la désinformation

[Monde] La Commission a présenté son plan d’action sur la désinformation. Mais le financement n’est cependant pas tout à fait à la hauteur.

segunda-feira, dezembro 03, 2018

Xi-Jinping em Lisboa


do quase-diário:

03.11.2018

Dia dedicado… à China.

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Ou não viesse chegar amanhã a Portugal (a Lisboa) Xi-Jinping.

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Passei uma parte do dia a… rever matéria dada, no tempo em que me dedicava muito aos blogs, ao “anónimo”, entretanto vencidos (mas não convencido) pelo face-book.

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Antes desta visita de hoje aos “arquivos” já lera textos de actualização, particularmente um artigo interessante na Revista do Expresso da semana passada, de um tal Bruno Maçães.

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Interessante mas irritante pela petulância do autor e pela abordagem preconceituosa e redutora numa verdadeira obsessão ideológica geopolítica, numa postura “à colonizador”.

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Desconhecia o personagem, e quando, acabado de ler, fui pesquisar quem ele seria surpreendi-me porque até andou, há cerca de um ano, nas “bocas do mundo” (Visão, Correio da Manhã e outros lugares de más frequentações) por péssimas razões.

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Adiante... não vou gastar tempo e cera.

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Não obstante, a leitura do extenso artigo foi útil pelas informações que dá e questões que levanta à volta da “Cintura e Rota”.

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Estimulou-me a abrir o “arquivo” do blog e a fazer a tal revisão de matéria dada, em que não me senti nada mal a ler coisas que escrevi há uns anitos.

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Convidando-me a transcrever alguns "posts":


quarta-feira, novembro 09, 2011
de vermelho:
China, uma parceira estratégica que preocupa o Brasil
Desde 2009, a China é o parceiro comercial mais importante do Brasil. É o principal destino das exportações brasileiras e o segundo maior importador de produtos para o país. Mas, se essa relação, por um lado, é tão promissora, por outro, ela já desperta algumas preocupações. Uma das principais queixas é que, enquanto a China sabe exatamente o que quer dessa parceria, o Brasil ainda estaria se ajustando passivamente às necessidades do gigante asiático.

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domingo, janeiro 15, 2012

A China!

À boleia do leilão-venda a uma empresa estatal chinesa de parte substancial da EDP, muito há a reflectir.
Ainda a quente, vieram as nomeações para o Conselho (de quê?...), com os nomes conhecidos, as razões inconfessadas, os salários escandalosos, a desfaçatez de uns senhores desde um Ricardo Salgado, que fala como se fosse dono do BES, de Portugal, do Mundo, ao propriamente dito Eduardo Catroga, que se prefigura como boneco bordaliano, a antítese do Zé Povinho, com o manguito com o endereço invertido.
Mas não faltam também as referências estratégicas, com destaque para a “estratégia chinesa”, algo confusas ou confundidas, mesclando admiração, medo, menosprezo.
Uma porta de saída de recurso, daquelas que se conhecem por "saídas de emergência", é a de que a China está completamente convertida ao capitalismo, que a sua estratégia é capitalista.
Procurando vencer o nosso inato eurocentrismo na avaliação de todas as situações, como se fossemos, europeus, centro do mundo, e cada um de per-si, o umbigo desse centro barrigudo, começaríamos por afirmar que a avaliação da estratégia chinesa cabe, antes de todos, aos… chineses. E são em número que chega (1,3 mil milhões, mais chinês menos chinesa).
Passou a China a ser capitalista por estar… no mercado? [por ter entrado para a OMComércio, mantendo-se a dúvida se a OMComércio entrou no espaço imenso (social e económico) da China]
Parece-nos simplista a conclusão. Até porque as premissas antes da conclusão são inúmeras.
Há uma questão quase preliminar, a partir de base teórica em que assentamos:
·                  sendo o capital uma relação social de produção em que a classe predominante impõe o objectivo de acumular capital-material sob a forma dinheiro, passando de dinheiro no início a mais dinheiro no final, tenha este fundamento material ou seja ele simbólico, fictício, creditício, é esse o objectivo estratégico da China?,
·                  ou continua a ser, desenvolver a economia da China, a partir de uma situação de partida de desmesurado subdesenvolvimento, tendo como início e final do processo a satisfação de necessidades de seres humanos que se contam por dezenas de milhões?

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sexta-feira, junho 26, 2015

Reflexões lentas - BRICS, BAII, RMB, Rota da Seda e outras rotas

Se BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul), e coisas como essa, estimulam uma "leitura" da História, e da história que nos é contemporânea, preocupam algumas outras "leituras" ou "literaturas", que julgavam, ou queriam convencer, que a História chegara ao fim. 
Neste mundo em ebulição, que alguns estertores tornam por demais perigoso, há umas "cabecinhas" - umas que se querem lúcidas, outras semi-lúcidas, do tipo "mudanças, sim... mas na continuidade do que não pode mudar" - que não se metem na areia, e observam o que se passa à sua volta.
A criação do Banco Asiático de Investimento, o papel da moedarenminbi na actual e próxima situação monetária mundial, a concretização do megaprojecto da Rota da Seda (lembrando a Teoria geopolítica da Heartland, dos primeiros anos do século XX) são (ou podem ser) manifestações de um vulcão em laboração que transforma em espuma (mediática... mas espumazita) tudo o que tanto nos (pre)ocupa. 

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sexta-feira, dezembro 25, 2015

Acontecem coisas... até no dia de Natal!

Uma notícia Lusa:

quinta-feira, novembro 29, 2018

O caminho faz-se a caminhar...


INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA NA ASSEMBLEIA DE REPÚBLICA
Encerramento
da discussão do Orçamento do Estado 2019
29 Novembro 2018
Senhor Presidente
Senhores Deputados,
Senhores membros do Governo,
Votamos hoje o último Orçamento do Estado de uma legislatura que permitiu inverter a intensificação de exploração e liquidação de direitos que PSD e CDS tinham em curso e projectavam ampliar.
Não foram só estes dois partidos que foram derrotados. Com eles foi desmentida a ideia de que ao País apenas restava o caminho do empobrecimento dos trabalhadores e do povo. Derrotados também os que convocaram todos os demónios das opções únicas. Os que pressionaram, chantagearam a partir de fora mas também de dentro sobre cada medida de inversão do caminho do empobrecimento. Os que fizeram da intriga, da amalgamação de tudo, para tudo confundir e para que tudo ficasse como antes planeavam.
Aliás, foi ver PSD e CDS no debate deste Orçamento a exercitar a sua demagogia, a propor mundos e fundos que no passado recente negaram na esperança vã de que os mais distraídos se esqueçam do que representam.
Um exercício pouco consistente, até porque em momentos decisivos deste debate PSD e CDS foram a mão protectora do Governo, da sua fixação numa trajectória do défice que voltou a não permitir os níveis de financiamento e de investimento que o País precisa. Quando foi preciso, lá estiveram PSD e CDS a dar o jeito ao Governo.
Defender, repor e conquistar direitos afirmou-se como um factor de crescimento económico e elevação das condições de vida. Limitado e insuficiente, é certo, porque a resposta aos problemas que o País enfrenta não é compatível com os constrangimentos que o governo do PS impõe a partir das suas opções e compromissos com o grande capital, o Euro e a União Europeia.
Não desvalorizamos os avanços alcançados inseparáveis da luta dos trabalhadores e da intervenção do PCP. Não desvalorizamos o que se repôs e conquistou, o que se foi consolidando nestes últimos três anos.
Foram repostos os salários, pôs-se fim aos cortes das pensões e promoveu-se o seu aumento, tal como do abono de família, do apoio às pessoas com deficiência e aos desempregados. Valorizaram-se as longas carreiras contributivas. Avançou-se para a gratuitidade dos manuais escolares em toda a escolaridade obrigatória. Foi reposto o direito ao pagamento por inteiro do subsídio de Natal. Foram repostos os feriados roubados. Na Administração Pública foram repostas as 35 horas, o direito à progressão na carreira, tomadas medidas de combate à precariedade. Reforçou-se a acção social escolar, a contratação de funcionários nas escolas. Foi possível reduzir taxas moderadoras, alargar a contratação de médicos e enfermeiros, reduzir os custos com medicamentos, fixar compromissos para a construção de novos hospitais. Foi possível assegurar a gratuitidade do acesso aos museus aos domingos e feriados e o reforço do apoio à criação artística. Aliviou-se o IRS sobre os rendimentos do trabalho e os mais baixos rendimentos, reduziu-se e eliminou-se o Pagamento Especial por Conta que pesava sobre as MPME, reduziu-se o IVA da restauração. Foi possível assegurar o apoio à agricultura familiar, a redução dos custos com combustíveis para agricultores e pescadores, medidas de valorização do pescado e dos rendimentos dos pescadores, entre outras.
Cortaram-se benefícios aos fundos imobiliários, passou-se a tributar o património imobiliário de valor mais elevado com a introdução do adicional do IMI e aumentou-se a tributação sobre os grandes lucros por via do aumento da derrama do IRC. Passos tímidos na hora de taxar com eficácia o grande capital e que, mesmo assim, encontraram resistência, como aliás se provou com a decisão de anteontem de não aprovar o novo escalão da derrama para empresas com lucros de muitos milhões.
Registamos que este Orçamento do Estado para 2019 tenha dados novos passos positivos: a gratuitidade dos manuais escolares em toda a escolaridade obrigatória, um novo aumento extraordinário de pensões de reforma já em Janeiro, novos avanços no abono de família e no abono pré-natal, a redução do valor das propinas e o alargamento do complemento para alojamento de estudantes com bolsa, a redução do IVA na cultura, o novo passo no regime de reformas antecipadas para longas carreiras, a perspectiva aberta de uma redução significativa nos preços do transporte público, a eliminação do Pagamento Especial por Conta para os pequenos e médios empresários, a majoração do abono de família até aos seis anos e alargamento do abono pré-natal ao 4.º escalão, o início de construção de uma rede pública de apoio a cuidadores informais.
Sim, o caminho da defesa e valorização de direitos é o caminho que é preciso percorrer para dar resposta aos problemas nacionais.
Mas, os avanços alcançados não devem iludir o que se deveria ter feito para ir mais longe. Não ignoramos o que o governo e o PS não quiseram adoptar, o que deixaram por cumprir ou mantiveram adiado.
Ao contrário do que é afirmado, responder plenamente aos problemas do país, vencer défices estruturais e assegurar o desenvolvimento não são objectivos que possam ser alcançados com o País amarrado às orientações e imposições da União Europeia, submetido aos constrangimentos do Euro, das suas regras, da governação económica, dos semestres europeus, dos vistos prévios de orçamentos, dos programas de estabilidade, todos cada vez mais constrangedores e insistindo em manter opções de redução do défice desligadas das necessidades do País.
Cada décima hipotecada à redução forçada do défice são milhões retirados ao investimento, ao financiamento dos serviços públicos, ao apoio à produção, ao combate às injustiças e desigualdades sociais que se mantêm enormes.
A resposta aos problemas do País não se faz com uma política que recusa a superação dos constrangimentos de uma dívida pública sufocante e insustentável.
Não se faz com uma política que opta por continuar a drenar centenas de milhões de euros de recursos públicos para o sector financeiro, tal como opta por não enfrentar o capital monopolista seja pela recusa de reversão das PPP, seja pela manutenção do domínio dos grupos monopolistas em sectores estratégicos da economia.
Uma situação que conduziu ao crescente domínio do grande capital, sobretudo estrangeiro sobre a economia do País e que leva a uma permanente saída de milhares de milhões de euros para o estrangeiro em pagamentos de dividendos, em prejuízo do investimento no País.
Domínio que conduz à manutenção de profundas injustiças sociais.
A situação da distribuição da riqueza no nosso País é reveladora: em 2017, os salários apenas representavam 34,6% nessa distribuição e os rendimentos de capital acumulavam 41,6% dessa riqueza.
Uma situação que mostra que não basta fazer crescer a economia, que ainda estamos muito aquém da concretização de uma verdadeira política de valorização do trabalho e dos trabalhadores. A sua concretização exige a valorização dos salários, o direito à estabilidade e segurança do emprego, o decisivo combate à precariedade e à desregulação dos horários de trabalho, a eliminação das normas gravosas da legislação laboral.
Portugal precisa de elevar a um outro patamar a resposta aos seus problemas de fundo e isso exige uma outra política.
Por isso, a questão crucial que está colocada é a da construção de uma política alternativa liberta das opções que têm estado na origem dos problemas e na sua acumulação.
Com a mesma convicção que nos leva a não desperdiçar nenhuma oportunidade para dar resposta a aspirações dos trabalhadores e do povo, o PCP afirma que a construção de um Portugal com futuro, justo, desenvolvido e soberano é inseparável de uma alternativa patriótica e de esquerda.
Disse.

quarta-feira, novembro 28, 2018

segunda-feira, novembro 19, 2018

A renegociação da dívida pública no debate político


Na leitura habitual das 5ªs. feiras reteve-se a notícia:

Conferência do PCP no dia 24 em Setúbal

ALTERNATIVA O PCP realiza no próximo dia 24 de Novembro, sábado, no Fórum Municipal Luísa Todi, a Conferência «Alternativa Patriótica e de Esquerda por um Portugal com Futuro».


Em destaque estarão a situação do País e as respostas necessárias para o desenvolvimento e a soberania, assentes na alternativa patriótica e de esquerda.
A Conferência, cujos trabalhos decorrem entre as 10h30 e as 18 horas, contará com um vasto conjunto de intervenções que, partindo da caracterização da situação do País e dos seus problemas estruturais, analisará os desafios do presente e do futuro na afirmação dos objectivos, eixos e propostas que integram a política alternativa patriótica e de esquerda que o PCP defende e propõe ao povo português.


São conteúdos desta política alternativa:
a libertação do País da submissão ao euro e às imposições e constrangimentos da União Europeia; a renegociação da dívida pública nos seus prazos, juros e montantes; a valorização do trabalho e dos trabalhadores, assegurando o pleno emprego, o aumento dos salários, e do Salário Mínimo Nacional, a redução do horário de trabalho e o trabalho com direitos, combatendo o desemprego e a precariedade e aumentando reformas e pensões; a defesa e promoção da produção nacional e dos sectores produtivos; o controlo público da banca e a recuperação para o sector público dos sectores estratégicos da economia; uma administração e serviços públicos ao serviço do povo e do País; uma política de justiça fiscal que alivie a carga fiscal sobre os rendimentos dos trabalhadores e do povo, combata os paraísos fiscais e rompa com o escandaloso favorecimento do grande capital; a defesa do regime democrático e a garantia do cumprimento da Constituição da República Portuguesa.
Esta política alternativa requer, para a sua concretização, uma alternativa política que lhe dê suporte


... e sublinharam-se conteúdos que reiteradamente - e de há uma década, pelo PCP, suas estruturas e militantes - exigem a renegociação da dívida pública...

Pois no domingo, no expresso (rodoviário e público), apanha-se com uma 1ª página (e, depois, com o desenvolvimento nas páginas 2 a 4) de onde se reproduz 
... que Costa e Centeno são obrigados (por quem U É... ou são?) a ignorar o que será inevitável - e quanto mais tarde mais gravoso -, é um facto, mas que a comunicação "social" queira ignorar quem faz do debate da renegociação um "conteúdo" político prioritário (não só um discurso...) é silenciamento ruidoso. 

sábado, novembro 17, 2018

Auxiliares de memória - 1 BREXIT


Breves “auxiliares de memória”
para compensarem a invasão “informativa”
com que se apagam factos e manipula a História
1-BREXIT
·       Quando, em 1951 (CECA) e em 1957 (CEE e CEEA),
plenipotenciários de 6 Estados europeus (Bélgica, França, Holanda, Itália, Luxemburgo e República Federal da Alemanha) assinaram os tratados que os tornavam estados-membros das “comunidades”, a formalização democrática exigiu a ratificação soberana dos povos, directa ou por seus representantes eleitos.
·       Quando, em 1972, as “comunidades” se  alargaram
a 9 (Dinamarca, Reino Unido, República da Irlanda) assim foi também e só não passaram a 10 porque, na Noruega, os noruegueses não ratificaram o acordado entre os negociadores
·       Quando, em 1976, se alargaram a 10 (Grécia) e,
 em 1986, a 12 (Espanha e Portugal) repetiu-se o procedimento formalmente democrático
·       Com 12 Estados-membros, o Acto Único, enquanto
preparação de um novo tratado (Maastrich – com os objectivos mercado único e coesão económica e social), de novo houve ratificação, embora com várias declarações anexas
·       Com o Tratado de Maastrich, começaram a pôr-se em
 causa as ratificações, apesar das campanhas de “informação”
o   os dinamarqueses não ratificaram “à primeira”
o   e, com os britânicos, impuseram a novidade do
“opting  out” (ficar de fora em algumas áreas)
·       Em 1992, pela segunda vez, os noruegueses recusaram
a adesão de novo negociada
·       Os suecos recusaram a moeda única, aderindo
ao “opting out”
·       A “Constituição Europeia” seria o passo seguinte
o   após ratificação pelo parlamento da Eslovénia e da Grécia e da sua ratificação, por via de referendo em Espanha, em 2005, os referendos em França e na Holanda não a ratificaram, o que provocou uma reavaliação do processo de ratificação de tratados através de referendos que iria culminar com a adopção do Tratado de Lisboa (2007), procurando evitar-se a via referendária
o   no entanto, não foi conseguido impedir a exigência de referendo na Irlanda (República da), o que alterou o calendário  previsto de ratificação pelos Estados-membros em 2008
o   os irlandeses não ratificaram, mas essa decisão foi “revertida” num segundo referendo realizado em 2009.

Quando os referendos começaram a dar resultados não desejados pelos interesses da classe dominante, não obstante toda a máquina de propaganda e manipulação, ou se acaba com eles ou se arranjam artes e manhas para que se repitam até “reverterem” a vontade expressa pelos eleitores, ou seja, pelo povo. Isto é… que é democracia!

A(s) história(s) é(são), por vezes, escabrosa(s).
(H)aja memória. Veja-se o actual “folhetim” do BREXIT!


segunda-feira, novembro 05, 2018

O "papel" dos meios de comunicação


 
Brasil

'Queremos saber quem financiou as notícias falsas na eleição', cobra Manuela

Citando uma matéria publicada pelo Congresso em Foco, a deputada estadual e vice na chapa presidencial de Fernando Haddad, Manuela d'Ávila (PCdoB-RS) cobrou a apuração do esquema de disparo de notícias falsas por parte da campanha de Jair Bolsonaro que o elveou a ser eleito.

Reprodução
  
De acordo com pesquisa IDEIA Big Data/Avaaz, 83,7% dos eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) acreditaram na informação de que Fernando Haddad (PT) distribuiu o chamado kit gay para crianças em escolas quando era ministro da Educação. No último dia 15, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que a informação era um fake news e proibiu Bolsonaro de acusar seu adversário no segundo turno de distribuir material que, segundo ele, estimulava a pedofilia.

"Para vocês verem o impacto das fake news nesta eleição: notícias falsas, impulsionadas a partir de um financiamento duvidoso, com o objetivo de confundir a população. Queremos saber: quem financiou a rede de notícias falsas que circulou na eleição?", questionou a parlamentar em sua página no Twitter.

A pesquisa aponta ainda que outras quatro notícias falsas compartilhadas pela campanha de Bolsonaro também tiveram forte influência na escolha eleitoral. Segundo a pesquisa, 98,21% dos eleitores de Bolsonaro entrevistados foram expostos a uma ou mais mensagens com conteúdo falso.

Conforme a sondagem, 40% das pessoas ouvidas disseram ter mudado de posição nas últimas semanas de "oposição ou com dúvidas sobre" Bolsonaro para "decididos" ou "considerando votar" nele. Isso no mesmo período em que essas notícias falsas atingiram o ápice de popularidade nas redes.

Ainda de acordo com o levantamento, a fake news que ficou entre aquelas em que os eleitores de Bolsonaro mais acreditaram está a que dizia que haveria fraude nas urnas eletrônicas. Para 74% dos seguidores dele, essa informação era verdadeira.

A notícia falsa que atribuía a Haddad a defesa da prática do incesto e da pedofilia (74,6%) também foi uma das que os eleitores de Bolsonaro acreditavam ser verídica.

Em entrevista ao site, o fundador e CEO da Avaaz, Ricken Patel, o Facebook e o WhatsApp precisam tomar medidas urgentemente para impedir que eleições sejam fraudadas com notícias falsas.

"Não podemos deixar que a criptografia do WhatsApp seja uma "terra de ninguém" para atividades criminosas. Ativistas pela democracia em países autoritários usam aplicativos mais bem encriptados como o Signal. No mínimo, o WhatsApp deveria ter como padrão uma 'proteção contra a desinformação', dando aos usuários a opção de protegerem suas democracias e a si mesmos das fake news. Outras eleições se aproximam, como nos EUA, Índia e Europa; Zuckerberg tem semanas, e não meses, para tomar uma atitude", afirmou. 

Do Portal Vermelho, com informações do Congresso em Foco

domingo, novembro 04, 2018

O bloqueio económico a Cuba - um verdadeiro escândalo anualmente repetido

No Expresso:


Assembleia Geral da ONU aprova resolução anual
para fim do embargo económico
dos EUA contra Cuba
02.11.2018 às 10h09

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou esta quinta-feira de maneira esmagadora a sua 27.ª resolução anual pedindo o fim do embargo económico dos EUA a Cuba. A aprovação segue-se a uma tentativa fracassada de Washington de emendar o texto no sentido de pressionar Cuba a melhorar o seu registo de direitos humanos, revela a agência de notícias Reuters.
Apesar de a votação da ONU poder ter peso político, apenas o Congresso americano pode suspender o embargo de mais de meio século. Os Estados Unidos e Israel votaram contra a resolução e 189 países votaram a favor, enquanto a Ucrânia e a Moldávia não votaram.
Segundo a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, ao votarem a favor da resolução, os países estão a dizer ao regime cubano que é “aceitável” a forma como trata o seu povo.

24 ANOS INTERROMPIDOS POR OBAMA E RETOMADOS POR TRUMP
Os Estados Unidos votaram consistentemente contra as resoluções da ONU durante 24 anos mas abstiveram-se pela primeira vez em 2016 quando Barack Obama era Presidente, numa altura em que Washington e Havana tentavam uma aproximação. No entanto, as relações deterioraram-se drasticamente desde a tomada de posse de Donald Trump em janeiro de 2017, com o regresso da retórica da Guerra Fria e com a reimplementação das restrições de comércio e viagens que tinham sido aliviadas por Obama.
No ano passado, apenas os EUA e o aliado Israel votaram contra a resolução, enquanto os restantes 191 membros da Assembleia Geral votaram a favor. Este ano, os Estados Unidos propuseram oito emendas à resolução, designadamente apelando a Cuba que “conceda plenamente aos seus cidadãos direitos e liberdades civis, políticos e económicos internacionalmente reconhecidos, incluindo liberdade de reunião, liberdade de expressão e livre acesso à informação”. No entanto, todas as emendas fracassaram, apenas com os EUA, Israel e a Ucrânia a votarem favoravelmente todas as oito emendas.
O ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodriguez, disse que a Administração dos EUA não tem “autoridade moral” para criticar Cuba e outros países em matéria de direitos humanos. “O embargo é uma violação dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. É um ato de agressão e um ato de guerra económica, que perturba a paz e a ordem internacional”, disse o governante antes da votação.

sexta-feira, novembro 02, 2018