sábado, março 16, 2019

... a força determinada para dar corpo à luta por uma outra Europa

INTERVENÇÃO DE JOÃO FERREIRA, 1.º CANDIDATO DA LISTA DA CDU ÀS ELEIÇÕES DO PARLAMENTO EUROPEU 2019, APRESENTAÇÃO DOS CANDIDATOS DA CDU ÀS ELEIÇÕES DO PARLAMENTO EUROPEU 2019

«Prosseguiremos a luta por um Portugal desenvolvido, livre e soberano»

Camaradas e amigos,
Está apresentada a lista de candidatos da CDU às eleições para o Parlamento Europeu, de 26 de Maio.
Mulheres e homens comprometidos com as causas do progresso e da justiça social, da liberdade e da democracia, da soberania e da independência nacionais, da defesa da natureza, da cultura, da paz e da cooperação. Gente que assume, enriquece e projecta na sua acção o património de valores, de intervenção e luta da CDU, em defesa do povo e do país.
Militantes do Partido Comunista Português, do Partido Ecologista «Os Verdes», membros da Associação Intervenção Democrática, independentes, candidatos com um percurso de intervenção cívica e política reconhecido e relevante.
Candidatos que dão garantia de ligação à vida, à realidade do país, de Norte a Sul, do Interior ao Litoral, das regiões autónomas dos Açores e da Madeira às comunidades emigrantes. Gente que conhece o país, que conhece os seus problemas e dificuldades, que conhece como ninguém as suas potencialidades. Que protagoniza um projecto para um Portugal com futuro.
Gente que luta. E que não vira a cara à luta perante as adversidades. Gente que não se resigna, que não desiste.
Na lista que hoje aqui apresentamos encontramos o mundo do trabalho, onde se dão os mais decisivos combates do nosso tempo. Encontramos a agricultura e o mundo rural, as pescas, a indústria, a realidade das micro e pequenas empresas. Encontramos construtores e defensores dos serviços públicos, da saúde, da educação, da cultura e da ciência. Encontramos uma ligação profunda aos elementos estruturantes da comunidade que somos. Encontramos a vontade de transformar o país que temos. E a força determinada para dar corpo à luta por uma outra Europa.
Os candidatos que darão rosto e voz à candidatura da CDU estiveram nas lutas que marcaram os últimos anos da vida nacional. Lutas que demonstraram que é possível avançar. E que é preciso, não andar para trás, mas avançar mais, na melhoria das condições de vida do nosso povo e na resposta aos problemas do país.
A Ana Margarida de Carvalho dá-nos a honra de ser mandatária desta candidatura. Com o seu notável percurso profissional e literário, a Ana Margarida prestigia a candidatura da CDU. Mas, sobretudo, associa-lhe simbolicamente o extraordinário impulso criador que anima uma obra reconhecida e premiada, a par da convicção que temos de que, nos livros como na nossa luta, as melhores páginas ainda estão por escrever.
Esta é uma lista em que as mulheres e os jovens não cumprem função de adorno, nem servem para compor a estatística, pelo contrário, assumem responsabilidades cimeiras. Nesta lista, como na luta e na vida. Nada menos do que isso.
Com a apresentação que hoje aqui fazemos, assumimos um compromisso solene: o de levar mais longe o trabalho realizado, ao longo dos últimos anos, no Parlamento Europeu pelos deputados eleitos pela CDU. Levar mais longe o nosso projecto e a nossa luta por um Portugal soberano e desenvolvido, numa Europa dos povos, da solidariedade, da cooperação e da paz.
Este é um compromisso firmado sobre o terreno firme e confiável de uma intervenção singular no quadro das forças que se apresentam a estas eleições.
No mandato que agora finda, os deputados eleitos pela CDU fizeram mais de 500 intervenções em plenário, mais de 1.200 perguntas à Comissão Europeia e ao Conselho, foram responsáveis pelo acompanhamento de mais de 200 relatórios e pareceres, sendo 24 da sua autoria.
Uma intervenção que se destaca não apenas do ponto de vista quantitativo, mas também e sobretudo do ponto de vista qualitativo. Pela estreita ligação que evidencia à realidade do país, e pelo conhecimento do que dessa realidade se relaciona com as decisões tomadas ao nível do Parlamento Europeu e das demais instituições da União Europeia.
Uma intervenção que deu resposta política quer a novos desafios que surgiram, quer aos problemas que se mantiveram ou agravaram. A crise económica e social; as assimetrias de desenvolvimento e a estagnação económica; os insustentáveis níveis da pobreza, o desemprego, a precariedade, as desigualdades e a exploração; a crise humanitária dos refugiados; a propagação de ideologias reaccionárias; a escalada securitária, cerceadora de direitos, liberdades e garantias; a deriva militarista; os problemas ambientais.
Se outros – como o PS, o PSD e o CDS – contribuíram, com os seus votos no Parlamento Europeu, para edificar um quadro legislativo que institui a chantagem, a ameaça e as sanções contra Estados soberanos, que institui os vistos prévios aos orçamentos nacionais e a intromissão permanente da União Europeia na vida nacional, quadro este que se virou contra Portugal no momento em que o país, com o contributo decisivo do PCP e do PEV, iniciou um caminho de recuperação, defesa e conquista de direitos e de rendimentos, os deputados eleitos pela CDU assumiram no Parlamento Europeu, como nenhuma outra força, a defesa do direito de Portugal e do povo português decidirem livremente o seu destino, sem intromissões nem chantagens.
Propusemos o fim da existência de sanções. PS, PSD e CDS votaram contra. Serviram para isto os votos que lhes foram confiados nas últimas eleições.
Se outros – como o PS, o PSD, o CDS e o BE – aceitaram uma distribuição de mandatos no Parlamento Europeu que beneficia os maiores países e vários países médios mas prejudica Portugal, os deputados eleitos pela CDU propuseram uma solução que permitiria ao país recuperar os deputados perdidos em anteriores alargamentos e assim aumentar a sua representação, atenuando as desigualdades de poder que hoje existem entre os Estados. A CDU propôs. PS, PSD, CDS e BE não apoiaram. Utilizaram assim os votos que lhes foram confiados nas últimas eleições.
Se outros – como o PS, o PSD e o CDS –, ainda esta semana, certamente saudosos da troika que trouxeram ao país, aprovaram, com os seus votos, a proposta de criação de um Fundo Monetário Europeu, uma espécie de troika versão 2.0, que a todos deve desde já deixar de sobreaviso sobre o que por aí pode vir, os deputados eleitos pela CDU propuseram no Parlamento Europeu o fim das intervenções da troika e a criação de um programa de apoio aos países intervencionados, prevendo a mobilização dos recursos financeiros necessários, incluindo ao nível dos fundos estruturais, para compensar os prejuízos económicos e sociais causados.
Propusemos a revogação do Tratado Orçamental. Propusemos – e conseguimos – que o Tratado Orçamental não fosse integrado no ordenamento jurídico da União Europeia. Falta agora que o governo português, aproveitando o embalo da derrota sofrida pelo tratado que Alemanha impôs, desvincule Portugal deste tratado. Não chega criticá-lo, por razões de mero oportunismo e tacticismo eleitoral. É necessário desvincular Portugal de um tratado, que limita a resposta aos problemas do país. Não há desculpa para não o fazer.
Bem podem anunciar “um novo contrato social”, proposta requentada de cada vez que há eleições. Um “contrato social” dentro dos muros do Tratado Orçamental e do Euro não é avanço, é recuo. Querem um “contrato social”? Olhem para aquele que há 43 anos está vertido nas páginas da Constituição da República e que é desrespeitado. É esse o nosso mais relevante “pilar social” e não aquele que a União Europeia quer usar para nivelar por baixo as condições de vida e de trabalho.
Camaradas e amigos,
Temos um trabalho ímpar no Parlamento Europeu. Que ninguém duvide que este trabalho será prosseguido e aprofundado nos próximos anos pelos deputados que a CDU vier a eleger de entre os candidatos agora apresentados. Serão tantos quantos o povo português nos queira confiar. Com a certeza de que essa confiança não será traída. Os votos na CDU não serão usados contra os interesses dos que os confiam.
Prosseguiremos, pois, a luta por um Portugal desenvolvido, livre e soberano, numa Europa dos trabalhadores e dos povos, de progresso, de paz e de cooperação.
Uma luta que une os actos eleitorais que se avizinham. Eles são momentos distintos de uma mesma batalha.
Se temos um trabalho ímpar no Parlamento Europeu, temos, no plano nacional, a responsabilidade primeira pelo caminho aberto a uma solução política que interrompeu planos concretos para prosseguir e intensificar a política de exploração e de empobrecimento do governo PSD-CDS. Os últimos anos deixaram à vista o papel destacado do PCP e do PEV na vida nacional. Cada conquista, cada avanço na melhoria dos rendimentos e dos direitos, não teria sido possível sem a nossa iniciativa, sem a nossa intervenção, e sem a luta dos trabalhadores e das populações.
Luta que alguns bem se esforçaram por apagar e esconder.
Luta que é o motor decisivo para os avanços por concretizar. Mas faz falta levar esta luta até ao voto, dando mais força à CDU! Muitos dos problemas que persistem sem resposta, muitos dos bloqueios ao desenvolvimento do país, resultam do facto de PS, PSD e CDS, na hora h, continuarem a juntar os trapinhos em questões essenciais e estruturantes da política de direita. Juntam-se para submeter o país às imposições da União Europeia. Juntaram-se para impedir a reversão dos aspectos mais negativos da legislação laboral, e até para a agravar, indo ao encontro das pretensões do grande patronato. Juntaram-se para impedir a fixação do salário mínimo em valores mais elevados, para impedir a resposta a justas pretensões dos trabalhadores do sector público. Juntaram-se para despejar mais uns milhares de milhões de euros nos buracos da banca privada. Juntaram-se para impedir a recuperação para o país das suas empresas e sectores estratégicos – na banca e restante sector financeiro, na energia (electricidade e combustíveis), nos correios e telecomunicações.
Aqui chegados, a solução não é andar para trás. A solução é avançar. E para avançar há que dar mais força à CDU. Avançar, em Portugal, na concretização de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, e avançar na Europa, na construção de uma outra Europa.
Uma Europa de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos, que respeite a democracia e a participação democrática, onde não haja lugar a imposições que firam o direito de cada povo a decidir as políticas (económicas e outras) que melhor lhe servem.
Uma Europa dos direitos sociais, que promova o emprego com direitos e salários dignos; que defenda e promova os serviços públicos; que garanta a igualdade entre homens e mulheres.
Uma Europa de progresso económico e social, ecologicamente sustentável, que promova uma convergência no progresso entre os diferentes países; que valorize e não bloqueie o investimento público; que promova o potencial produtivo de cada país, combatendo défices e dependências, designadamente no plano agro-alimentar; que respeite a Natureza e cuide dos seus recursos, assegurando a sua fruição por todos e não a sua mercantilização; que enfrente as alterações climáticas sem recurso a expedientes como o mercado do carbono, que não resolvem, antes pioram o problema.
Uma Europa de paz e cooperação com todos os povos do mundo, que respeite a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, incluindo os princípios da auto-determinação dos povos e a soberania e a integridade territorial dos Estados; que rejeite a corrida armamentista em curso, a militarização das relações internacionais, as ingerências e agressões externas.
Uma Europa que defenda as liberdades democráticas, os direitos cívicos e sociais, a diversidade cultural e o direito à criação e fruição culturais; que rejeite mecanismos repressivos, de controlo e vigilância (incluindo no mundo digital); que combata as discriminações com base na cor da pele, na religião, na identidade sexual ou na deficiência.
Uma Europa em que o poder económico se subordina ao poder político e em que os Estados se afirmam como estrutura determinante e referencial na economia.
Não estamos sozinhos nesta luta. Por iniciativa do PCP, foi dinamizado um apelo comum para as eleições para o Parlamento Europeu que junta até ao momento 24 partidos comunistas, progressistas, de esquerda e ecologistas, de países como a Alemanha, a Áustria, a Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta e o Reino Unido.
Dar mais força à CDU é contribuir também para reforçar a solidariedade internacionalista, a articulação fraterna com a luta dos trabalhadores e dos povos de outros países por uma outra Europa. Uma solidariedade que demonstra que os povos não estão condenados a escolher entre os nacionalismos, a extrema-direita e a União Europeia que lhes está a abrir o caminho.
Camaradas e amigos,
Temos uma campanha pela frente. Vamos construí-la com confiança, coragem, audácia e determinação. Vamos construí-la com a razão e a autoridade singulares de quem pode apresentar-se aos olhos do povo português com a coerência de posições a que a vida deu e dá inteira razão. Vamos construí-la com a serenidade de quem honra os compromissos e respeita a palavra dada. Com a segurança de quem tem um trabalho sério e empenhado para apresentar, em defesa dos trabalhadores, do povo e do país.
Sabemos, um saber de experiência feito, das dificuldades que iremos enfrentar.
À demagogia, oporemos a seriedade e a coerência. À desinformação, oporemos a informação e o rigor. À desmobilização, oporemos a mobilização assente no esclarecimento e no debate sobre as razões para o voto na CDU.
O voto que afirma a soberania e a independência nacionais como parte integrante de um projecto de desenvolvimento para Portugal.
O voto que afirma Portugal como país aberto à Europa e ao Mundo mas que não deixa nas mãos de outros o poder de decidir o nosso destino.
Esta é uma tarefa que os candidatos hoje apresentados têm pela frente. Sem dúvida.
Mas daqui lançamos um desafio a todos os que reconhecem na CDU o percurso e projecto distintivos.
Avançar é preciso. Mas só será possível avançar com a acção e a luta dos trabalhadores e do povo. Levem esta luta até ao voto, convirjam no voto na CDU – esta é a forma mais consequente de afirmar e construir novos rumos, para Portugal e para a Europa.
Sejam também candidatos! Sejamos todos candidatos!
Ao trabalho camaradas e amigos!

domingo, março 10, 2019

para este domingo

Manifestações, aniversários - Equívocos, fracturas e facturas


Em 1969, no ano da mudança no fascismo para o fascismo continuar (e a guerra colonial), a resistência – a clandestina e a outra – também continuaram. Foi um ano, entre a queda da cadeira e a morte de Salazar, de equívocos e de reforço da luta contra equívocos.
Nas muitas formas de luta, ganhou força a do esclarecimento e mobilização das massas. A condição das mulheres foi causa e motivo. A criação do Movimento Democrático das Mulheres é marco indelével desse reforço. Unitário! Não como começo de algo novo, mas como continuidade e adequada forma.
Passados 50 anos, com tanto trabalho feito neste meio século!, para este ano o MDM organizou uma manifestação nacional para 9 de Março, para que convidou as mulheres de todo o País a participar, e foi criando condições para que fosse “um momento de luta e de celebração para dar voz aos problemas mais sentidos pelas mulheres”.
Conseguiu-o! Inteiramente.
Entretanto, de diversas origens, beneficiando das “redes sociais” e de um inusitado apoio da comunicação massificada, e cavalgando oportunistamente circunstâncias especiais (e nalguns casos com despudorados objectivos de ano de eleições) foi convocada para 8 de Março uma outra manifestação. Teve todos os apoios e foi o que foi… embora outra tivesse sido a imagem.
Sobre a Manifestação Nacional de Mulheres – Igualdade na Vida-o combate do nosso tempo! –  foi dada escassa notícia e envergonhada imagem.
Permito-me facultar à comunicação social a imagem, tirada por telemóvel, inabilmente manejado, de um dos muitos momentos da manifestação que me emocionou.

Outro equívoco neste descarado (mas difícil de denunciar!) aproveitamento de verdadeiros problemas da sociedade que nos calhou viver, e transformá-los em causas fracturantes (que fracturem… e facturem votos!), está no assinalar de dois aniversários:
  •        o do 20º aniversário do Bloco de Esquerda
  •        o dos 98 anos do PCP, em que se inclui quase meio século de luta (clandestina) contra a ditadura.

Malhas que o imperialismo tece numa luta de classes que só a luta contínua (com as massas) pode destecer.

sexta-feira, março 08, 2019

8 Março - uma leitura recente, uma lembrança com quase 47 anos

8 de Março ano-a-ano... desde quando?... já publiquei, e coloqueei, e disse, e ouvi, tanta coisa!. Mas há sempre coisas novas.

Para hoje, para este 8 de Março de 2019, uma leitura recente (na Revista do Expresso de sábado)

ISTO ANDA
TUDO LIGADO 

ANA
CRISTINA
LEONARDO 

CÉREBROS PRECOCEMENTE ENVELHECIDOS 

lAssim como Nicolás Maduro antecipou o Carnaval, decretou dois feriados em vez de um e presenteou os venezuelanos portadores do Cartão Pátria com um bónus económico, que também a mim me seja permitido antecipar, apesar de não ter bónus para oferta, o Dia Internacional da Mulher. A ideia surgiu há mais de um século, em 1910, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas (vejo gente a ficar nervosa...). Quanto à sua origem e ao dia escolhido para a assinalar, as várias hipóteses conjugam um incêndio numa fábrica em Nova Iorque — que matou maioritariamente mulheres (mais de 100) —, e uma greve de operárias russas que teria constituído o pontapé de saída para a Revolução de 1917 (vejo mais gente a ficar nervosa...). Seja como for, dessa dupla entente proletária entre russas e americanas resultaria, já em 1975, o estabelecimento (e reconhecimento) pela ONU do 8 de março como Dia Internacional da Mulher (1975 também deixa muita gente nervosa, mas factos são factos...). A que vem esta invocação prematura? Porque lendo certas coisas sobre feminismo, que têm vindo a ser escritas nos jornais portugueses por jovens mulheres, lembrei-me de que “Um Quarto que Seja Seu”, de Virginia Woolf, data de 1929, e “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, de 1949. Agora, se quisesse parecer jovem, diria: há bué! Não sendo jovem nem querendo parecê-lo, interrogo-me como é que certas dessas pessoas que leio na imprensa portuguesa — elas sim, jovens — conseguem pontificar sobre o tema como se tais títulos nunca tivessem existido ou, para quem desconfie de livros com mais de seis meses, como se a neurocientista britânica Gina Rippon fosse de Marte ou o seu recente, “The Gendered Brain”, não questionasse muitos dos lugares-comuns sobre as diferenças entre as características cerebrais de homens e mulheres. Leia-se, pela pena das jovens: “Nas suas formas mais toscas e agressivas, o discurso [de vitimização feminino] pode explicar-se por simples inveja de características e competências intrinsecamente masculinas”;[a mulher dita emancipada] optou por se objetificar, pretendendo ser apenas fonte de desejo em relações casuais, rejeitando todo o seu potencial feminino, matrimonial e maternal. São estas três últimas, as características mais belas da mulher!”; “Nunca houve nenhuma boa dona de casa que não tivesse imenso que fazer.” Peço desculpa, a última frase não é de agora. É de 1933. Assina: Salazar.
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... e uma lembrança de 1972, grata e amarga!..., da Festa de l'Humanité em que ouvi-vivi o lançamento do disco Ferrat chant Aragon 




Questões muito sérias num debate sem respostas

Face ao escandaloso (e costumeiro) silêncio da comunicação social relativamente a estas intervenções (por serem demasiado sérias?...):


Sérgio Ribeiro partilhou uma ligação.
11 min

Sobre este site
PCP.PT
Intervenção de Jerónimo de Sousa


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quinta-feira, março 07, 2019

Hoje, amanhã (8 DE MARÇO!) e depois de amanhã


Sou de outro tempo. Sou do tempo dos partos sem assistência médica (ou qualquer outra) entre a cava da vinha e a apanha da azeitona, sou do tempo das viúvas de vivos (emigrantes “de salto”) – excelente o título do livro de Joaquim Lagoeiro –, sou do tempo de antes de Maio de 1968 e sua mitologia libertadora.

Por acaso de circunstâncias, sou também deste tempo de hoje. Sou deste tempo de juízes criadores de “causas fracturantes”, de sentenças ou despachos (de libertação ou de dispensa de pulseira para criminosos) auto-denunciadores de mentalidade de outros tempos... ou sem tempo, ultra-reaccionária.
Sou do tempo que medeia estes dois tempos. Sou, também de todos os entre-tempos, sempre atento e procurando intervir nesta área da condição das mulheres na sociedade do seu (e nosso!) tempo.

Por isso, estive na criação (em 1968) do Movimento Democrático das Mulheres, e suas primeiras iniciativas, por isso fui membro (e relator) da comissão das mulheres no Parlamento Europeu. Por isso, me congratulei de a violência doméstica ter passado, por lei, a ser considerada crime público.
Por isso, hoje se assinala, aqui, este dia.

Por isso, estarei na manifestação de 9 de Março de 2019.

Mas, atenção, não a partir de uma mobilização momentânea e mediática contra um expiatório juiz (e suas posições), que não mais é que o infeliz reflexo de uma mentalidade resquício não despiciendo do tempo que ainda vivemos. 
Lembrarei o 8 de Março e estarei nessa manifestação (e noutros actos) enquanto luta por uma outra sociedade, de que expurguem as desumanas sequelas de séculos que foram e antecederam o século que nos calhou viver (parte do XXº e este XXIº) e os que virão. 

quarta-feira, março 06, 2019

98 anos. Parabéns (a mim, ao colectivo... a todos)


O começo do século XX foi de profundas transformações. Como todo o tempo o é, mesmo que disso não se dêem conta os coetâneos.

No primeiro quartel do século XX, Portugal instaurou a república, participou na guerra de 14-18, viveu em grande instabilidade social e política.

Até este canto da Europa (que já existia antes de uma coisa chamada União Europeia) chegavam ecos de mudanças pelo mundo fora.

Já não era a revolução francesa, que por aqui entrara de armas e violência, era ainda (e por muito tempo) a colonização das periferias, sobretudo anglófona.
Éramos o país do sol e da vinha, vantagem comparativa – à David Ricardo (e Tratado de Methuen, e anteriores da Aliança mais antiga da História entre países “civilizados”) – que se contrapunha à das inovações tecnológicas dos teares para têxteis, das máquinas a vapor, dos transportes e comunicações. E aqui chegavam os sinais e ecos de verdadeiras transformações que vinham de mais longe, que vinham de lá onde acabava a Europa nos Montes Urais.

Sem rádio nem (ainda menos) televisão chegavam notícias que vinham ao encontro de sentires e de tomadas de consciência social. O movimento operário não esperava por informação mas crescia e estimulava-se com a informação que chegava, lenta e cheia de escolhos.

O movimento associativo sindical ganhara ímpeto e dividia-se, mas guardava e germinava na boa semente da participação e do associativismo.

Faltava algo de essencial.

Realizaram-se várias reuniões nas sedes de alguns sindicatos, com o intuito de se construir uma vanguarda revolucionária. Formou-se uma Comissão Organizadora para a criação do Partido Comunista Português, que começou, em Janeiro de 1921, a elaborar as bases orgânicas da nova formação política.
Por essa altura, em diversos países formavam-se associações desse tipo a partir de cisões de outros partidos, nomeadamente de partidos socialistas. Não foi o caso do Partido Comunista Português que se constituiu na base do movimento associativo, com sindicalistas que representavam o que havia de mais vivo, combativo e revolucionário no movimento operário português.
Foi na sede da Associação dos empregados de escritório, em Lisboa, que em 6 de Março de 1921 se realizou uma assembleia que aprovou os estatutos da associação e elegeu a primeira direcção do PCP.

Por isso, hoje se assinala o 98º aniversário deste partido, do PCP.
Como associação (política) que é, formou-se com associados, um estatuto que definia objectivos, princípios e regras, e uma actividade que está próxima do centenário.
A sua história merece ser conhecida. E respeitada!
Não tenho a pretensão de a contar. Não teria fôlego para isso, mas vivo-a como sei e posso. E dá-me vontade de fazer algumas analogias talvez simplistas.
Como é natural (e evidente), os fundadores do PCP já morreram todos, a sua actividade teve de se inserir numa sociedade em transformação, os seus estatutos tiveram de se ir adaptando ao evoluir dos tempos, mas os seus objectivos, princípios e regras foram mantendo-se os mesmos. Ou, a não ser assim, a associação teria desaparecido ou deixado de ser o que era quando formada. Há 98 anos. E, ao que parece, de boa saúde e… jovem.
Ao longo de seu percurso de vida, o colectivo que formou com os seus associados (que se afirmam como militantes) passou por momentos em que tudo foi posto à prova. Dos nove. Ou da realidade.
Em alguns desses momentos, para além das dificuldades próprias do que tem de se transformar e adaptar para vivo se manter num contexto sempre hostil e não raro de extrema violência, a associação teve, por vezes (não poucas), internos confrontos e mesmo cisões relativamente à forma de continuar ou, até, de sobreviver.
Na maneira de analogias simplistas em que pretendo manter-me nesta despretensiosa abordagem, nem por isso menos séria e reflectida, é como se associados de um colectivo formado para se jogar xadrez, tendo de se adaptar a tabuleiros e peças mutáveis, encarassem a alternativa de mudar de modalidade desportiva e propusessem passar a jogar às damas, em tabuleiros novos, com outras pedras e movimentações outras.
De acordo com as regras das associações, essas mudanças só seriam concretizáveis se, em assembleia-geral (ou – chame-se-lhes – plenários ou congressos), a maioria dos associados estivesse de acordo em alterar objectivos e princípios.
Cá por mim, continuo a querer ser jogador de xadrez e, para o continuar a jogar, discuto e aceito o que a maioria dos que comigo querem continuar a jogar xadrez. Como há 98 anos!   

terça-feira, março 05, 2019

Uma breve cronologia

É verdadeiramente assustador! Mas há que denunciar e resistir!

Maio de 2016: O banco alemão Commerzbank fecha as contas de várias instituições venezuelanas, incluindo as contas dos bancos públicos da Venezuela e da empresa pública petrolífera PDVSA – Petróleos de Venezuela S.A.
Julho de 2016: O banco americano Citibank proíbe a sua rede de intermediários bancários de efetuar transações com instituições venezuelanas, incluindo o Banco Central da Venezuela.
Agosto de 2016: O fecho unilateral das contas de intermediários bancários obriga a Venezuela a efetuar transações noutras moedas, sendo que a maior parte das receitas obtidas pela venda de petróleo é em dólares. O país sofre grandes perdas devido aos novos custos das transações, das taxas de câmbio e outros custos operacionais.
Agosto de 2016: O Novo Banco (Portugal) informa o Estado venezuelano, que não realizará mais nenhuma transação em dólares com bancos ou instituições venezuelanas, devido à pressão exercida pelos seus intermediários bancários.
Julho de 2017: A empresa Delaware, que gere os portfólios de títulos da PDVSA, informa a PDVSA que o seu banco intermediário, PNC Bank, não aceitará mais fundos provenientes da empresa petrolífera.
Julho de 2017: O banco americano Citibank rejeita um pagamento do Estado venezuelano destinado à compra de 300 mil doses de insulina.
21/08/2017: O Banco da China, sediado no Panamá, informa a Venezuela que, no seguimento de pressões do Departamento do Tesouro dos EUA, bem como do governo do Panamá, não poderá realizar mais nenhuma transação em dólares a partir da Venezuela ou para a Venezuela. 22/08/2017:Vários bancos russos informam a Venezuela da impossibilidade de realizar transações com os bancos venezuelanos, devido à restrição imposta pelos bancos intermediários dos Estados Unidos e de vários países europeus.
23/08/2017: O banco intermediário BDC Shandong bloqueia uma transação da China para a Venezuela, no valor de 200 milhões de dólares. Seria necessário mais de um mês para que a Venezuela pudesse recuperar esta soma pecuniária.
24/08/2017:Donald Trump assina a Ordem Executiva 13808, intitulada “Imposição de sanções adicionais a propósito da situação na Venezuela”. Este decreto proíbe toda uma série de transações com o Estado venezuelano, e sobretudo com a PDVSA, e qualquer outra entidade pública da Venezuela. É, assim, estabelecida uma lista de restrições a operações financeiras : – O Estado venezuelano e a PDVSA estão proibidos de emitir novos títulos de dívida. – Interdição de efetuar transações de títulos emitidos pelo governo antes da entrada em vigor do decreto. – É proibido o pagamento de dividendos ou de lucros ao governo da Venezuela, pela parte de entidades residentes nos EUA. Isto afeta sobretudo a Citgo, empresa subsidiária da PDVSA e que conta com três refinarias e 6 mil estações de serviço no território dos EUA. – É proibida a compra de certos títulos do Tesouro e de dívida venezuelana. A Casa Branca declara que este conjunto de proibições foi “cuidadosamente pensado para negar à ditadura de Maduro, uma fonte não negligenciável de financiamento”. O decreto 13808 visa a sistematização de ataques contra empresas públicas e operações comerciais e financeiras do Estado venezuelano, com o objetivo de destruir a economia do país. Relativamente a este assunto, o embaixador americano na Venezuela, William Brownfield declarou: “A nossa melhor resolução é precipitar o colapso do governo, mesmo que isso implique meses e anos de sofrimento para os Venezuelanos”.
Agosto de 2017:No seguimento de pressões do Departamento do Tesouro americano, a empresa Euroclear, uma filial do banco americano JP Morgan, congela as operações de transação sobre a dívida soberana da Venezuela. A Euroclear retém assim, desde esta altura, 1,2 mil milhões de dólares, pertença da República Bolivariana da Venezuela.
Agosto de 2017: O Banco da China – filial de Frankfurt – recusa a emissão de uma transação no valor de 15 milhões de dólares devidos pela Venezuela à empresa mineira Gold Reserve.
05/09/2017: O Canadá e os EUA associam-se para “adotar medidas económicas contra a Venezuela e contra pessoas que contribuem ativamente para a situação atual do país”.
Outubro de 2017: O Deutsche Bank informa o banco chinês CITIC Bank do fecho de contas nos seus intermediários bancários, por terem aceitado pagamentos da PDVSA.
Outubro de 2017:A Venezuela compra vacinas e medicamentos à Organização Pan-Americana de Saúde, uma filial da Organização Mundial de Saúde, e, portanto, sob a égide da ONU. Em virtude da extraterritorialidade das leis norte-americanas, o banco suíço UBS rejeitará o pagamento, provocando um atraso de quatro meses na entrega das vacinas, desorganizando amplamente o sistema público de vacinação gratuito do Ministério da Saúde venezuelano.
03/11/2017: O presidente Maduro anuncia que a Venezuela reembolsou mais de 74 mil milhões de dólares aos seus credores nos últimos 4 anos. Apesar disto, as agências financeiras degradam a notação ligada ao risco de incumprimento da Venezuela, tornando assim mais difícil a obtenção de crédito no mercado de capitais.
09/11/2017: Os Estados Unidos sancionam um grupo de funcionários venezuelanos, evocando o “espezinhar da democracia e de administrar programas governamentais corrompidos de distribuição de alimentos”. Os funcionários responsáveis pela importação de alimentos no país ficam impedidos de assinar acordos comerciais, que favoreçam a política alimentar do governo.
13/11/2017: A UE proíbe a venda de material de defesa e de segurança interna à Venezuela.
14/11/2017: A agência de notação Standard and Poor’s declara o “incumprimento parcial” da Venezuela, apesar dos pagamentos regulares de dívida.
15/11/2017: O Deutsch Bank, principal intermediário do Banco Central da Venezuela, fecha definitivamente as contas desta instituição, colocando em perigo todas as suas operações bancárias.
Novembro 2017: A Venezuela compra medicamentos anti-malária (primaquina e cloriquina) ao laboratório colombiano BSN Medical. O governo da Colômbia impede a entrega dos medicamentos, sem nenhuma justificação.
Novembro de 2017:Os grupos farmacêuticos transnacionais Baxter, Abbott e Pfizer recusam emitir certificados de exportação com destino à Venezuela, tornando impossível a compra de medicamentos produzidos por estas empresas, nomeadamente de natureza oncológica.
Novembro de 2017:Os bancos intermediários recusam várias transações da Venezuela no valor de 39 milhões de dólares. Esta soma destinava-se a 23 operações de compra alimentar para as celebrações de Natal e fim de ano.
29/01/2018: O Departamento do Tesouro americano afirma que “A campanha de pressão contra a Venezuela começa a dar frutos. As sanções financeiras que impusemos obrigaram o governo deste país a entrar em incumprimento relativamente à sua dívida soberana, bem como da dívida da PDVSA. Podemos assim assistir (…) a um colapso económico total da Venezuela. Ou seja, a nossa política funciona e a nossa estratégia funciona, devemos por isso continuá-la”.
12/02/2018: O Departamento do Tesouro americano alarga as sanções financeiras contra a Venezuela. É proibido renegociar e restruturar a dívida venezuelana, bem como a dívida da PDVSA emitida antes de 25 de Agosto de 2017.
Março de 2018: 15 pugilistas venezuelanos são impedidos de participar nas competições de qualificação para os Jogos da América Central e das Caraíbas de 2018, devido à falta de acordo com a agência de viagens, emissora dos bilhetes de avião. Quando a empresa se apercebeu que se tratava do transporte da Federação Venezuelana de Pugilismo, os preços das passagens aéreas passaram de 300 dólares para 2 100 dólares por pessoa. Posteriormente, uma companhia privada propôs um voo charter para transportar a equipa. No entanto, Colômbia, Panamá e o México não autorizaram a aeronave a sobrevoar o seu espaço aéreo.
02/03/2018: Os Estados Unidos renovam por mais um ano, os decretos 13692 (Obama) e 13808 (Trump). O decreto 13808 impõe seis novas medidas coercitivas, tendo como objetivo, atacar a estabilidade financeira da Venezuela. O Gabinete de Crimes Financeiros dos Estados Unidos (FinCEN) alerta as instituições financeiras mundiais que as transações com entidades públicas venezuelanas são suspeitas de corrupção. Esta acusação, sem fundamento nem provas, tem como consequência a travagem do pagamento às empresas alimentares e aos laboratórios farmacêuticos, tornando difícil a importação de bens essenciais. Isto resultará no congelamento de 1,65 mil milhões de dólares, pertença do Estado venezuelano.
19/03/2018: O presidente Trump assina a ordem executiva 13827, que proíbe todos os cidadãos e instituições, de efetuar transações financeiras com a criptomoeda venezuelana “Petro”, mesmo antes de esta dar entrada nos mercados de criptomoedas. Esta decisão é a primeira do género a ocorrer na curta história das criptomoedas.
27/03/2018: O governo do Panamá publica uma lista de 16 empresas venezuelanas suspeitas, sem provas, de branqueamento de capitais e de financiamento do terrorismo.
19/04/2018: Steve Mnuchin, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, reúne-se com representantes da Alemanha, Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Espanha, França, Guatemala, Itália, Japão, México, Panamá, Paraguai, Perú e Reino Unido, para pedir “acções concretas, de forma a restringir, a capacidade dos funcionários venezuelanos corrompidos e das suas redes de apoio”. Afirma que o presidente Nicolás Maduro não tem legitimidade para pedir financiamento em nome do seu país. A drenagem financeira da Venezuela representa assim o único objetivo destas propostas.
Maio de 2018: São congelados 9 milhões de dólares ao Estado venezuelano, destinados aos tratamentos de diálise. Como consequência, 20 mil pacientes serão privados de tratamento.
Maio de 2018: O banco italiano Intensa Sanpaolo bloqueia o dinheiro destinado à construção do pavilhão da Venezuela na XVIª Bienal de Arquitectura de Veneza.
21/05/2018:Devido à reeleição de Nicolás Maduro para a presidência, Donald Trump reforça as sanções. De agora em diante, todos os cidadãos e empresas americanas estão proibidos de adquirir propriedades pertencentes ao governo da Venezuela no território dos EUA.
25/06/2018: O Conselho Europeu adota a decisão 2018/901, sancionando os membros da administração venezuelana, incluindo os que operam no sector da alimentação. Esta medida faz eco àquela que foi tomada um ano mais cedo pelos EUA (9 de Novembro de 2017), tendo como finalidade impossibilitar a compra de alimentos pelo governo venezuelano.
01/11/2018: O presidente Trump assina um novo decreto, autorizando o Departamento do Tesouro a confiscar as propriedades dos operadores do sector mineiro aurífero da Venezuela, sem que acusações penais ou civis sejam necessárias. O objetivo é o de impedir a recuperação, por parte do Estado da Venezuela, da bacia mineira de Orinoco, uma das maiores reservas mundiais de minério aurífero. O Secretário-adjunto do Tesouro americano, Marshall Billingslea, num absoluto cinismo, declarará, a propósito deste assunto: “Deveríamos manifestar mais indignação face aos danos infligidos ao ambiente e às populações indígenas”.
09/11/2018: O Banco Central do Reino Unido recusa devolver à Venezuela 14 toneladas de ouro pertencentes àquele país. Trata-se de um valor que ronda os 550 milhões de dólares.
13/12/2018: A fabricante norte-americana de pneus Goodyear fecha a sua fábrica na Venezuela. O motivo invocado pela direção da empresa é que “as sanções dos Estados Unidos tornam a sua atividade impossível naquele país”. 
04/01/2019: Os governos do Grupo de Lima (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colombia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Sainta Lúcia), com exceção do México, adotaram uma resolução para reforçar o bloco. O texto prevê estabelecer uma lista de personalidades jurídicas venezuelanas com as quais “não devem trabalhar, devem ter o aceso impedido aos seus sistemas financeiros e, se necessário, congelar os seus ativos e recursos económicos”. Igualmente, a resolução obriga os países do Grupo de Lima a trabalharem de perto com os organismos financeiros internacionais que integram para impedirem a cedência de novos créditos à República Bolivariana da Venezuela.


Muito grato a quem me possibilitou esta cronologia 
(mantendo a grafia mas "arrumando" graficamente)!
S.R.

Venezuela - a permanente provocação

 - Edição Nº2361  -  28-2-2019

Venezuela vencerá!

De entre as importantes ilações que se devem retirar dos acontecimentos, ocorridos no último fim-de-semana, em torno da provocação montada pelos EUA contra a República Bolivariana da Venezuela, é o terem posto a nu a incomensurável distância que separa a infame campanha de manipulação e mentira – incluindo a veiculada em Portugal – da efectiva realidade venezuelana.
Assinale-se que, mesmo perante o descalabro da acção provocatória, mas imbuídos pelo guião de mentira (e quimera) que tramaram, os seus «mentores» e «actores» – de Pence, Pompeo, Bolton ou Rubio, à sua «marioneta» Guaidó – continuavam a apelar ao recrudescimento da ingerência e da agressão, incluindo através da intervenção militar contra a Venezuela e o seu povo.
No entanto, o que a realidade determinou foi a importante derrota dos agressivos planos imediatos do imperialismo norte-americano, que contaram com o particular envolvimento das autoridades colombianas. Uma derrota que se deve, em primeiro lugar, à resposta determinada e séria das forças bolivarianas, à firmeza da unidade cívico-militar, ao compromisso patriótico da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), à corajosa mobilização popular em defesa da Revolução, da soberania e independência da Venezuela – que contou com o significativo posicionamento em defesa dos princípios da Carta das Nações e a activa solidariedade de diversos países e das forças da paz e do progresso por todo o mundo.
Embora tal resposta tenha contribuído para um maior isolamento do intento, arquitectado pelos EUA e executado pela extrema-direita golpista venezuelana, de abrir o caminho à intervenção armada – a coberto de uma falsa e hipócrita «ajuda humanitária», de que as Nações Unidas e a Cruz Vermelha Internacional correctamente se demarcaram –, continua a incitação ao isolamento e à ingerência contra a Venezuela, nomeadamente através da instigação da operação golpista, como resultou da recente reunião do conspirador «Grupo de Lima».
Para além das ameaças de intervenção militar por parte da Administração Trump, secundadas por Juan Guaidó, contra o povo venezuelano, continuam a desestabilização, as sanções e o bloqueio económico, a confiscação ilegal de bens e recursos financeiros, que visam asfixiar a economia da Venezuela e degradar as condições de vida do seu povo.
Face à expressão do apoio popular e legitimidade do Governo dirigido pelo presidente eleito, Nicolás Maduro, o Governo português continua vergonhosa e irresponsavelmente alinhado com a operação golpista, a que eufemesticamente designa de «transição», tendo chegado a afirmar que a «questão»que se colocava era a de saber se esta se podia «fazer de forma pacífica, sem confrontação interna, nem intervenção externa» (DN, 1.2.19).
Desde há 20 anos que o imperialismo procura esmagar o processo bolivariano, iniciado com a eleição do Presidente Hugo Chávez. Um processo que não só garantiu pela primeira vez direitos a milhões de venezuelanos, como impulsionou um histórico avanço na cooperação soberana latino-americana e caribenha, fora da alçada do domínio dos EUA, contribuindo, pelo seu exemplo, para a luta dos povos de todo o mundo. Os EUA e seus acólitos não irão desistir das suas provocações e intentos agressivos. Tão pouco a Venezuela bolivariana deixará de resistir e de lutar – é com ela que há que estar solidário!
Pedro Guerreiro 

Manifestação de 9 de Abril



eu, que não sou do MDM
mas que sou do MDM antes de ele existir...,
lá estarei!

segunda-feira, março 04, 2019

domingo, março 03, 2019

A democracia (deles) eÉ a prosperidade deles...

 - Edição Nº2361  -  28-2-2019
Abjecta hipocrisia

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel foi à Colômbia participar nas provocações contra a Venezuela do passado fim-de-semana: «Tudo o que o PPE, o Parlamento Europeu e eu próprio, enquanto dirigente da maior família política da União Europeia, puder fazer para levar novamente a democracia e a prosperidade ao povo venezuelano, farei sem hesitar um segundo.»
O mesmo Rangel saudou (Público, 10.12.2013) o «golpe da Praça Maidan» em Kiev: «centenas de milhar de pessoas arriscam a vida, a integridade física e a liberdade para se juntarem à Europa – à União Europeia – e aos valores que ela representa». Sublinhou que essa «europeização» da Ucrânia implicaria a «adopção de um modelo de liberdades e garantias – designadamente, em sede de possibilidade de contestação e de oposição».
Se na altura era já inteiramente claro que tais protestos – dirigidos pelos EUA – eram encabeçados pelos neonazis do Sector Direito e Svoboda, ainda ficou mais claro depois. As «liberdades e garantias» e os «valores da UE» traduziram-se num poder de Estado onde pontificam fascistas, na ilegalização, repressão e até massacre de opositores, na integração das milícias fascistas no exército ucraniano, na completa subordinação da Ucrânia à irresponsável estratégia agressiva dos EUA/NATO. Aí Rangel já não teve nada a dizer.
Disse-se apreensivo face à ideologia de Bolsonaro mas esteve politicamente ao seu lado na fronteira venezuelana. Ao lado de outro personagem de extrema-direita que a UE reconheceu presidente da Venezuela. Sabe que, se saísse vitorioso o golpe que apadrinha, a «democracia e prosperidade» que aí diz defender seriam de qualidade semelhante às da Ucrânia. Mas para esta gente os fins justificam tudo, incluindo a mais abjecta hipocrisia.
Filipe Diniz

Há quem se admire por aqui tanto se transcrever do avante!,
... eu não... leiam-no!, isto é, informem-SE,
e façam-no melhor...

Venezuela na Voz do Operário

 - Edição Nº2361  -  28-2-2019

Solidariedade com a Venezuela ecoou na Voz
INICIATIVA Um enorme abraço fraterno ao povo da Venezuela que defende a paz e o direito a decidir o presente e o futuro da sua pátria, foi enviado a partir da Voz do Operário num acto político-cultural realizado a partir do final da tarde de sexta-feira, 22, em Lisboa.



No histórico salão nobre da sociedade de instrução e beneficência operária, que assinala 140 anos em 2019, a iniciativa promovida por mais de duas dezenas de organizações prolongou-se por cerca de três horas. Primeiro, com as intervenções políticas. Depois, com estas a darem lugar às palavras cantadas solidariamente por Tiago Santos e Sofia Lisboa, Jorge Rivotti, El Sur (Rui Galveias e Joana Manuel), Freddy Locks e Sebastião Antunes. Tudo apresentado pelo actor Fernando Jorge Lopes, a quem coube, a meio do espectáculo, declamar dois poemas a propósito: «Mãe deixa-me lutar», do compositor e intérprete venezuelano Ali Primera, e «Ode à Paz», de Natália Correia.
Sentados nas primeiras filas da plateia que se estendia até àqueles que não conseguiram lugar sentado, e que por mais do que uma vez repetiram consignas como «Paz sim! Guerra não!» ou «Venezuela vencerá», encontravam-se os embaixadores da  Venezuela, de Cuba, da Federação Russa e da Palestina, bem como representantes das mais de vinte organizações promotoras da iniciativa.
E foi dali que saiu Ilda Figueiredo, presidente da Direcção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), que destacando desde logo o importante «alcance político» da sessão «face à ameaça da administração norte-americana de invadir a Venezuela e agredir militarmente o seu povo», reafirmou que o povo daquele país «não está só» na rejeição de uma guerra de semelhantes motivações como as levadas a cabo pelos EUA e os seus aliados contra os povos da Jugoslávia, Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria ou Iémene.
Tambores de guerra que ressoam impulsionados por uma «imensa operação de ingerência» e uma «ampla campanha de desinformação» , destacou ainda Ilda Figueiredo, para quem os objectivos desestabilizadores dos EUA e dos seus subordinados são claros: garantir através da divulgação de «mentiras sem escrúpulos» e da «infame propaganda do ódio», da «asfixia da economia venezuelana e do agravamento das condições de vida do seu povo, incluindo da numerosa comunidade portuguesa que reside naquele país», voltar a impor «o domínio sobre as riquezas naturais daquele país» e «quebrar o exemplo de desenvolvimento e progresso soberano» oferecido pela Revolução Bolivariana em curso.
Em nome da CGTP-IN, também Augusto Praça considerou que o papel que a Venezuela bolivariana tem desempenhado na conquista de direitos sociais e laborais por parte dos povos da América Latina, incomoda o imperialismo. Facto que, aliado ao desejo de deitar mão ao petróleo venezuelano motivam o lançamento de mais uma «guerra de saque» pelos EUA, disse, por seu lado a Embaixadora de Cuba em Portugal.
Usando da palavra a partir do palco, Mercedes Martínez alertou, consubstanciando com elementos concretos, para a real possibilidade de uma intervenção militar dos EUA. Uma agressão que está em marcha «com acções encobertas» a partir de bases militares norte-americanas em «total desrespeito pelos governos dos territórios onde se situam», e que, como noutros casos, «invoca pretextos humanitários».
A «narrativa humanitária», a exploração de «causas nobres reconhecidas unanimemente», não é novidade. E por isso impõe-se novamente uma forte mobilização que afirme que «a ajuda verdadeiramente humanitária» não se compagina com a «violência e a violação do Direito Internacional», acrescentou a diplomata da República de Cuba, que reiterou, igualmente, a «invariável solidariedade para com o presidente constitucional da Venezuela, Nicolás Maduro».
Querem ajudar?
Nicolás Maduro, aliás, é um dos alvos da campanha de intoxicação pública, notou, por seu lado, o embaixador da Venezuela no encerramento do período das intervenções. Caucionando como «presidente interino» um indivíduo que se autoproclama chefe de Estado, que foi eleito deputado em segundo lugar num círculo eleitoral com pouco mais de 90 mil votos, ou 0,29 por cento do total dos eleitores venezuelanos, em detrimento do presidente eleito, em Maio de 2018, por mais de 6,2 milhões de venezuelanos, o imperialismo e o aparato golpista prossegue o plano posto em marcha desde o passado mês de dezembro, denunciou Lucas Rincón Romero.
«Mas quem é Juan Guaidó?», questionou o embaixador da República Bolivariana da Venezuela em Portugal, explicando, logo em seguida(tendo como pano de fundo num ecrã no palco imagens que atestavam as suas palavras), tratar-se de um operacional da CIA. Um «fantoche» adestrado como «desestabilizador profissional» em programas de «mudança de regime» desde 2005; participante de primeira linha nos actos terroristas (guarimbas) ocorridos na Venezuela nos últimos cinco anos.
«Ninguém pretende negar que há uma crise económica na Venezuela. Nem o presidente Nicolás Maduro», disse igualmente Lucas Rincón Romero. Contudo, precisou, ela é provocada pelo bloqueio económico e financeiro imposto pelos EUA e seus vassalos, acusou.
«Querem ajudar a Venezuela?», insistiu o embaixador venezuelano. «Acabem com as ingerências e o bloqueio». «Devolvam-nos o dinheiro que têm sequestrado», acrescentou, calculando em seis mil milhões de euros, em moeda e em ouro, o total cativo só nas instituições europeias, justamente para agravar a crise na Venezuela e sustentar o golpe de Estado em curso, concluiu.



Provocação aberta
O acto político-cultural na Voz do Operário decorreu a poucas horas da concretização de uma «provocação em larga escala» na fronteira da Venezuela com a Colômbia, como a qualificou o embaixador Lucas Rincón Romero. Operação que contou com ampla difusão de informação manipulada e distorcida, como de resto provou o dignitário.
Tudo começou com uma mensagem do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, na mais popular rede social na América Latina, alegando que «o povo venezuelano necessita desesperadamente de ajuda», a qual «não chega porque os militares e Maduro não o permitem».
A mensagem, acompanhada de uma foto de uma ponte que liga a Colômbia à Venezuela, foi replicada em primeiras páginas de jornal e tele-noticiários «sem que jornalistas e editores se preocupassem em averiguar a veracidade de factos simples».
Factos tais como: como mostra a foto, a cerca e os blocos de cimento que bloqueiam a ponte Tienditas estão do lado da Colômbia, tendo sido este país a colocá-los; a foto foi tirada há 18 meses, portanto os obstáculos estão lá desde então e não foram colocados agora por ordem do governo bolivariano da Venezuela; a ponte, paga pela Venezuela, ainda não foi inaugurada porque se mantém um diferendo entre a Colômbia e a Venezuela, portanto a sua abertura ou encerramento nada tem a ver com a actual conjuntura.
Neste contexto, aduziu Lucas Rincón Romero depois de realçar aqueles «factos simples», resulta claro que a manobra na ponte Tienditas e o prazo dado pelos EUA e outros apoiantes do golpe para a entrada da «ajuda humanitária», «não foi mais do que uma provocação mediatizada para justificar uma intervenção militar».
«Operação de ajuda», salientou ainda, «que foi inclusivamente rejeitada pela Cruz Vermelha Colombiana», organização que se demarcou prontamente da manobra.
Imagens e informações difundidas durante o fim-de-semana e posteriormente por órgãos de comunicação social não-corporativos e nas redes sociais, mostram que os camiões com «ajuda humanitária» parados na ponte Tienditas, no sábado, 23, foram incendiados por indivíduos que se encontravam do lado colombiano da fronteira.

Governo seguidista

A dirigente do CPPC Ilda Figueiredo, na sua intervenção, não deixou de expressar a indignação colectiva perante «a posição do governo português» de «submissão e suporte do golpe de Estado levado a cabo pelos EUA contra a Venezuela e o seu povo».
Posição «vergonhosa e seguidista» que «desrespeita e afronta a Constituição Da República Portuguesa e o Direito Internacional», e torna o Governo «cúmplice» da intentona visando «o legítimo presidente Nicolás Maduro e o regime constitucional venezuelano», frisou.