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segunda-feira, dezembro 21, 2009

Notas cariocas - 11

Ontem foi domingo. No Rio. Um dia em cheio. Apenas duas notas, de tantas que ficaram cá dentro. Em arquivo. Mas não arquivadas.
  • Um passeio no Parque do Flamengo, Ainda insistimos para que o passeio fosse a pé, para melhor sentirmos o Parque e as gentes que o enchem numa manhã de domingo ensolarada. De praia, "footing" (para todas as idades) e massagens, convívios (de espanhois) e pic-nics, lazer como só aqui. Os nossos anfitriões, amigos, já família adoptando-nos e adoptada, não se comoveram. E ainda bem. Eles é que sabiam... Entrámos num carrinho e percorremos quilómetros - muitos - guiados por um simpatiquissimo carioca que nos foi dando sucessivas lições. Primeiro, pensei que fosse historiador, pelo modo como nos contou a História (do Brasil, de Portugal, do mundo), as historias do Parque (Carlos Lacerda, Carlota, a inspiradora e motora, dos arquitectos); a seguir, achei que seria biólogo, pelo que conhecia de cada planta, de cada árvore, de cada flor; logo achei que fosse das artes e arquitectura, pelo modo como descrevia os edifícios... desisti. E perguntei. A sua formação é de comunicação social, tem 52 anos, faz aquela tarefa de condutor-guia porque ali nasceu e cresceu, estudou (a fundo), faz parte do Parque, está por ele apixonado. E é um pedagogo. O que ele sabe, e o que ele nos ensinou! Foi uma primera parte da manhã maravilhosa num parque maraivilhoso da cidade maravilhosa. Obrigado, amigo carioca guia-professor que ama o que faz ... para não falar, claro, dos "primos" cariocas.
  • Como se não chegasse, fomos, ainda na manhã, à Praça de S. Salvador ouvir o chorinho que por lá se faz aos domingos. Chegámos bem a tempo! No meio de uma praça cheia de gente, entre barraquinhas várias de várias coisas, um espaço onde uns vinte expontâneos se juntam, e ao redor de si juntam muita gente, a tocar "chorinhos". Como todos os domingos. Eram cerca de vinte os tocadores dos "chorinhos", desde belas senhoras de meia idade e ar muito fino a tocar clarinete, senhores de ar distinto agarrados ao violão, homens com ar modesto e rude a soprar saxofones, até jovens iniciados a praticar na percussão, até mesmo um mais jovem ainda e ar de portador de deficiência na caixa e nos pratos. Em redor, corpos ondulando ao ritmo de sambinhas (ou sambinhas ritmados ao ondular dos corpos?), bebés a serem adormecidos ao som do chorinho, senhoras de cadeiras de rodas com os olhos brilhantes e pézinho a saltar, caipirnhas do Luizinho em manipulação espectacular e gostinho especial. Gente diferente, muito diferente, de todas as cores e dores, em com-vívio. O sentimento de que bem-aventurança existe, sem esquecer que tem de ser sem reserva do direito de admissão, para todos!

  • Hoje, é outro dia... especial!

3 comentários:

  1. Amanhã vou à Roda de Choro de Lisboa. Todas as terças-feiras...
    Deve ser bonito ouvir assim, ao ar livre!

    Um abraço especial, hoje!

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  2. "Em redor, corpos ondulando ao ritmo de sambinhas (ou sambinhas ritmados ao ondular dos corpos?)"

    Parabéns po esse excelente poder de observação. Faz falta a tantos músicos...

    Abraço.

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