(Eu tenho-me perguntado se é oportuna esta série em que estou a insistir? Pelos raríssimos comentários e por um ou outro comentário a dúvida renova-se. Insisto. Não se fecha para campanhas eleitorais. Pelo contrário, penso que são oportunidade para se falar de coisas que não têm a ver com votos... por mais voltas que se lhe dê. E a informação e reforço teórico são, sempre, indispensáveis, talvez mais que nunca quando há condições particulares para "chegar aos outros". Por outro lado, tenho a intenção de juntar os "episódios" do "folhetim" e dar-lhe outro destino).
continuação
Desde a sua criação, em 1944, o FMI foi cumprindo o seu papel, e nesse cumprimento, no quadro do imperialismo, foi- se adaptando.
Quando em 1954, A. Ramos Pereira profere a sua conferência (que reputo notável), ainda o imperialismo não confrontava a realidade que começava a emergir com os novos países independentes, saídos do colonialismo-1ª-maneira. É verdade que a Índia, a América do Sul, a Indonésia, a própria China, países continentes (ou quase) estavam nessa rota. Histórica, ou da História que avança inexorável. Mas o cerne das lutas de libertação nacional, com uma característica bem marcada, estará em África (afirmação que, evidentemente, justifica - e aceita - grande discussão).
O que, para esta abordagem, quero deixar como reflexão sobre o papel do FMI é que ele começou a ter uma influência delegada na periferia. No mundo que, saindo do colonialismo-1ª-maneira, ganha nova expressão política. Determinante. Embora as malhas que o império tinha tecido o procurem manter agarrado ao capitalismo e sua histórica configuração de base, fundamental.
Quantas independências políticas o foram também económicas (e culturais!)? Quantas não deram lugar ao colonialismo~2ª-maneira, o predominantemente económico (e cultural!)?
O FMI apareceu onde preciso foi para... "dar ajudas". Para impor "soluções" para desequilíbrios fundamentais", no quadro do imperialismo e na dinâmica do financeirismo da economia, com os bancos e o crédito a ganharem posições que se vieram a tornar ditatoriais no âmbito do funcionamento do sistema.
E o FMI sempre a intervir, "tecnicamente", ao serviço de uma ideologia adequada a um tipo de relações sociais de produção, exploradoras e especulativas.
Muito significativo, e com particular significado para nós, portugueses, é o papel de "bombeiro" do sistema. Sempre a acorrer às periferias, diria periféricas, e às periferias do centro, como este canto há mais de 8 séculos indpendente e soberano politicamente, mas ou a ter de "meter na ordem" porque com veleidades outras ou porque, de tão obediente nas finanças mas ainda com resistências desse período de veleidades, é necessário encarreirar...
Pelo caminho, mas não irreversivelmente, ficaram movimentos não-alinhados, novas ordens económicas internacionais, um poderoso e visto como alternativo sistema de países socialistas, que se opuseram a esta ambígua ou encapotada intervenção do FMI ao longo de décadas. Ficaram, pelo caminho... mas não para sempre, não irreversivelmente.
continua
Estes teus esclarecimentos fazem muita falta. Cada vez são mais necessários para nos prevenirmos contra a "qualidade" do "papão" (como lhe chamou o B. Moura)que virá para"papar".
ResponderEliminarPela minha parte não consigo comentar porque é um assunto muito complexo para a minha "desingnorância".
Abraços
Campaniça
Eu também acho que o FMI foi criado para subjugar os países com veleidades de independência e subordiná-los à sua pressão política e económica. Isto é o que eu concluo das tuas lições que, confesso, não leio com a atenção necessária, devido à tensão contínua a que estes políticos mentirosos e infames nos submetem.
ResponderEliminarE tiveram alguns resultados positivos, para eles, com a queda dos países socialistas.Mas essa situação não é irreversível portanto nada de desânimos.
Um beijo.
Não te "iludas" com a falta de comentários. Mesmo que eu fosse capaz de comentar economia política (ou política económica) pura e dura... duvido que aqui o fizesse. Estou demasiado ocupado a tentar aprender... :-))) :-)))
ResponderEliminarAbraço.