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domingo, janeiro 22, 2012

Para este domingo - Fala do homem nascido

Samuel a cantar
poema de António Gedeão
música de José Niza




Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

5 comentários:

  1. Foi bom,muito bom, abrir o computador com o Samuel a cantar Gedeão.

    Um beijo.

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  2. Este blog até estava a ir tão bem... francamente! :-) :-)

    Abraço.

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  3. É sempre um encanto e um mimo ouvir o Samuel.
    Ele já é tão bom.

    Uma referência.

    Um abraço,
    mário

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  4. Faz tempo que não ouvia. E foi bom!

    Bom domingo.

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