uma "espécie de crónica"
tirada de uma "espécie de diário":
(...)
Ao começo da tarde, tocou o
telefone, atendi-o ou, com mais precisão, atendi-a, à voz feminina que, do
outro lado dos fios (foi o telefone fixo!) me perguntou se era eu tal como
estou nomeado na lista telefónica, com Ferreira e tudo.
&-----&-----&
Preparava-me para a habitual (e
simpática… coitados/as) “corrida em osso”, quando lá de cima, do outro telefone,
a Zé se meteu na conversa a dois, pelo que passou a ser conversa a três.
&-----&-----&
Então que era?
&-----&-----&
Uma coisa muito bem armadilhada,
após um introito que nos prendeu, com respostas satisfatórias a perguntas
pertinentes.
&-----&-----&
Uma “voluntária”, ao serviço de uma
instituição (do Estado?... pois, pois…) propunha-nos um rastreio de
prevenção de AVCs (do Ministério da Saúde?... sim, sim…) que iria ser feito em
Ourém.
&-----&-----&
Vencido o primeiro embate, a
“voluntária”, cheia de voluntariedade, encantada por estar a falar com pessoas
tão diferentes do habitual (economista e filóloga…filóloga?... não conhecia o
curso… também não se pode saber tudo, não é verdade?…, cada um com a sua
especialidade), viu-se mesmo (ou ouviu-se mesmo) com pena de deixar a “conversa
à trois”, passou-nos à colega encarregada das marcações.
&-----&-----&
Esta, a das marcações, tomou notas,
notou-se que estava a consultar a lista das marcações, e propôs-nos 19 horas, a
Zé contrapropôs 7 e meia, aceite com ligeira relutância e o pedido de
pontualidade pois o rastreio terminaria às 20 horas, chegando ao ponto de nos
pedir que estivéssemos um pouco mais cedo.
&-----&-----&
Indicou-nos o local, e recomendou
que não tomássemos café ou fizéssemos outras coisas que (deduzimos…) alterassem
o estado com que nos apresentaríamos ao rastreio de prevenção de AVCs.
&-----&-----&
Perguntaram, inclusive, se tínhamos
médico de família e o nome dele.
&-----&-----&
Na nossa boa fé, tão bem
manipulada, adiámos coisas mais ou menos in(d)iciadas para a tarde, não tomámos
o café que nunca tomamos nem o chá que tomamos sempre, organizamo-nos para
estar às 7 e pouco na “Casa da Banda”,
depois de meter gasolina no carro da Zé (já ao novo preço… antes que aumente
amanhã), de fazer umas pequenas compras.
&-----&-----&
E estávamos.
&-----&-----&
Alguma afluência, caras conhecidas,
ou que me conheciam (“olá, sôtor… também veio… é preciso aproveitar tudo, não
é?... como isto está!...”)
&-----&-----&
Informámo-nos, junto de uma
recepcionista, do andamento dos trabalhos “lá dentro” e fomos dar uma volta “de
fazer horas” pelas cercanias, aproveitando para fazer coisas que tinham de ser
feitas.
&-----&-----&
Às sete e vinte e muitos minutos,
alí estávamos nós, preparados para o rastreio de prevenção dos nossos eventuais
ou previsíveis AVCs.
&-----&-----&
Eu sentei-me cá fora a ler o
Pennac, a Zé lamentou a falta do livro e, também por isso, ao passarem uns
minutos das tais 7 e ½ dirigiu-se à menina recepcionista perguntando pela
pontualidade e teve logo resposta pronta, nem sabemos se passando por cima de
alguns expectantes com marcação anterior à nossa.
&-----&-----&
Entrámos no salão de ensaios e
espectáculos da Banda e deparámo-nos com umas seis ou sete mesas com alguém “da
casa” (não da Banda-dona-de-casa mas dos concessionados do espaço) a receber
os… “fregueses”.
&-----&-----&
Que é o que nós éramos, embora só o
descobríssemos tarde… por excesso de boa fé..
&-----&-----&
Um jovem, cheio de simpatia, algo
untuosa, identificou-nos (com um sorriso surpreso e cúmplice quando, à pergunta
casados?, respondemos unidos de facto!) e começou a a
apresentar-se.
&-----&-----&
Mas só começou… porque logo que
disse que representava uma empresa privada que estava a fazer um estudo, o
interrompemos e dissemos não ser essa a informação que ali nos levara.
&-----&-----&
O jovem tartamudeou com deficiência
de informação da "telemark" (que trabalharia
para várias empresas, e etc. e tal) e procurou avançar dizendo que nos iria medir
a tensão arterial, mediria a massa corporal (aquilo que as máquinas nas farmácias
fazem por 50 centimos) e que… mas não quisemos ouvir mais.
&-----&-----&
Apenas dissemos ter sido enganados, e que não estávamos interessados em mais nada dali.
&-----&-----&
Quando regressávamos a casa, irritados,
eu ia com aquele pesar de quem só se lembra do que deveria ter feito depois de ter
perdido a oportunidade de o fazer.
&-----&-----&
Deveria ter pedido o livro de reclamações
e despejado ali a irritação que trazia para casa por ter caído naquele conto do
vigário, que não teve consequências materiais salvo as de tempo perdido e programas
alterados.
não há respeito algum pelos outros,
vale tudo,
isto é, apenas, um pequeno (quase inocente) exemplo
... de empreendedorismo
Eu também já fui contactada para um conto do vigário idêntico, mas como já conhecia a história vinda de uma vítima, não cheguei a cair.
ResponderEliminarSorte a minha, porque para irritar basta o conto do vigário que é esta política.
Um beijo.