
Saiu hoje o Boletim da Primavera do Banco de Portugal.
É um documento de trabalho. E, neste momento da sociedade portuguesa, todos os documentos são convergentes na denúncia da política e na flagelação dos próprios erros. Sem, no entanto, visível vontade de humildade e reconhecimento da parte dos maiores responsáveis. A culpa é da... conjuntura externa, dos outros. A quem entregámos as rédeas da condução da política. Que nas nossas mãos deveria estar. Até porque as entregámos a mandatários por nós eleitos (nanja eu, nanja eu...).
E os que vêm de fora dar ordens, fazer avaliações, essas coisas... também dão bons exemplos de pouco tino e nenhuma humildade, até nas "bocas", como o sr. do FMI!
Significativamente, o tema em destaque no boletim é a Avaliação dos erros de projeção do Banco de Portugal para a actividade económica no período 2009-2012.
Estamos perante uma primavera mais de tempestade do que de bonança. O boletim reflecte-o e não pode augurar melhor tempo, embora cheio de cautelas para não contribuir para mais borrasca.
Sem prejuízo do interesse de outros trabalhos, o texto que mais atenção concita é o das Projeções para a economia portuguesa 2013-2014. Dele se retira o Quadro 1 e os sub-títulos, que são elucidativos, informam e convidam ao comentário e à reflexão.
Queda persistente da procura externa em 2013, seguida de recuperação em 2014
(Sim mas também... depende. E nós cada vez mais dependentes com o consumo privado em vermelho e a FBCF com valores projectados absolutamente aterradores - -14,5% para 2012 e -7,1% para 2013).
Contração da actividade económica e deterioração das condições no mercado de trabalho em 2012, num contexto de ajustamento acentuado da balança de pagamentos
(traduzindo: desemprego a galope e o "benefício" de redução nas importações a "ajustar" o "prejuízo" de não se exportar)
Contração menos acentuada da actividade económica e da procura interna em 2013
Mas quando se contra, se contra, se contrai tem, inevitavelmente, de se seguir contracção menos acentuada...)
Desaceleração das exportações em 2013 e recuperação em 2014
(Estavam aceleradas a 3% em relação a 2011?, e quando chegará 2014?)
Continuação do processo de ajustamento do desequilíbrio externo
(Ajustamento, memorando de entendimento... o novo léxico! Austeridade, pacto de agressão!)
Estabilização da inflaçãoem níveis ligeiramente inferiores a 1 por cento em 2013 e 2014
(Como manda o BCE e as estatísticas obedecem)
Continuação da queda do emprego
(... e da subida do desemprego e da emigração)
Riscos globalmente descendentes para a actividade económica, em especial em 2014, e equilibrados para a inflação
(2014 é que vai ser se seria se fosse... não era para ser se seria se fosse em 2013?!)
O processo de redução dos desequilíbrios estruturais deverá continuar a marcar a economia portuguesa nos próximos anos, sem o qual não é possível assegurar um crescimento sustentável
(Isto é que é um sub-título! Tem tudo, ou seja, não diz nada e fala que se farta. 3 linhas de título para 10 linhas de prosa. Economia? Hei-de encontrá-la no palheiro das ferramentas financeiras).
Com esta primavera
nunca mais chega o verão

Li os teus post por aí abaixo e fiquei com umas saudades do verão e do futuro que há de chegar (oxalá ainda no tempo da geração dos meus filhos).
ResponderEliminarUm beijo.
Boletim terrîfico!Igual ao anterior.Primavera invernosa,realmente!(E eu que nao gosto nada do inverno)
ResponderEliminarUm bjo