Perante resultados eleitorais, há sempre várias leituras. Subjectivas. Mas há, também, objectividades. Que, aliás, se podem reforçar em previsões e prevenções.
Quando os dirigentes de partidos comunistas começam, para ganharem peso institucional, para serem abrangentes, a "facilitar" na base teórica, escondendo o que, sem ter de ser ostentivo, tem de ser identidade e firmeza, cedem em formas de organização, abandonando a luta de massas, a democracia interna e a direcção única, copiam o que deveria ser combatido, quando se começam a rever na caricatura que do comunista é feita e querem corrigir o retrato e não a caricatura, quando, em suma, são eles que, continuando dirigentes de partidos comunistas, deixaram de ser comunistas, que resultados se poderiam esperar? Não se ganha um voto dos "outros" (que "nossos" poderiam vir a ser, por condição de classe), perdem-se os votos dos "nossos" (e alguns "nossos" deixam de o ser).
É triste, é angustiante, ter esta razão. Nem é tanto o facto de, desde o fim da guerra, pela primeira vez não haver comunistas eleitos num País que já teve mais de um terço dos votos votados, é mais a forma como se procedeu ao lento suicídio institucional... com o argumento-pretexto de se querer ganhar peso institucional.
Em contrapartida, e com muita alegria e esperança, vejo por outros lados os sinais serem outros.
Sérgio,gosto muito deste teu post (como, aliás, de todos). Querer "corrigir o retrato e não a caricatura", é isso que é grave, próprio de troca-tintas e não de comunistas, E quem se "lixa" é o povo italiano, mais uma vez.
ResponderEliminarCampaniça
É realmente bastante triste ver um país onde o Partido Comunista teve a força e o papel que foi o do PCI (e serve para o PCE e PCF) ficar sem qualquer representante de esquerda no parlamento.
ResponderEliminarA firmeza de um partido é o garante para a sua credibilidade e continuação.
ResponderEliminarEncontramos na Europa o único Partido que se mantém fiel aos seus ideais, o PCP.
Por essa razão somos o Partido mais respeitado.
Dói-me saber o que aconteceu em Itália. Mas me dói quando muitos traidores tentaram que vendêssemos a nossa identidade!
GR
A coisa é simples. Não se pode estar em dois lados ao mesmo tempo ou como dizia o homem da Galileia não se pode servir dois senhores ao mesmo tempo. Com mais ou menos sofrimento uns ficam pelo caminho enquanto os outros avançam lavrando ofuturo.
ResponderEliminarO que aconteceu em Itália, já vem de longe, o facto das pessoas não se conhecerem a si próprias, não aceitarem ou serem avessas á disciplina , resulta no que está á vista.
ResponderEliminarQuando se abandona o respeito pelas decisões do colectivo, e se opta por um líder, os militantes deixam de o ser, e passam a sentir-se sócios.
Poderei estar a ver a coisa de maneira simplista,mas existem pricípios dos quais não podemos abdicar!
abraço
José Manangão
Ó GR, olha que, felizmente, não somos os únicos.
ResponderEliminarNão gosto de falar das "casas" dos outros - mas às vezes não resisto... tem de ser! -, dos seus interiores, mas um partido como o grego não pode ser esquecido... E há outros que - como o nosso - têm problemas, hesitações (nas direcções) - mas estão na luta.
Ó Campaniça, palavra que estou com saudades vossas. Por "aqui" apareces pouco, e por aqui não têm aparecido nada. Isto tem de ser revisto. E urgentemente. Fazem-nos falta "aqui" e por aqui!
ResponderEliminarCrixus, triste é, e é preciso perceber porquê, com uma abordagem a partir da nossa base teórica. Temos de estar sempre a procurar fazê-la face aos factos.
Auntuã, pois lavrando vamos!
José Manangão, nunca esquecer os princípios... e pô-los sempre em prática.
Eis o euro-comunismo a cumprir a sua função... cinco décadas depois de ter nascido, disfarçado de outra coisa, por inicativa de Kruchtchev...
ResponderEliminarNa realidade fui injusta! apesar de me ter lembrado da Grécia e não só!
ResponderEliminarBjs,
GR