Naqueles idos anos da segunda metade da década de 60, uma das tarefas em que me empenhava era a de participar em colóquios em colectividades, para que me convidavam directores que eram, digamos…, cúmplices. Havia como que uma “rede” que, tac(t)itamente, se ia entretecendo, no conhecimento (ou não) de que uma organização partidária existia, clandestina, e lutava contra o fascismo, e com que se articulava (ou não), o PCP.
Destas actividades guardei recordações indeléveis, e tenho sempre vontade de… contar histórias. A propósito de um recente “incidente” por este “canto da blogosfera”, com troca de comentários, nem todos agradáveis, lembrei-me de um colóquio, numa colectividade ali ao Casal Ventoso, sobre desporto, enquanto relevante fenómeno social. Era um dos meus três temas – os outros eram economia e a situação da mulher – embora, em privado, tivesse o hábito de dizer que só falava (e como ia aprendendo…) de materialismo histórico.
Então nesse debate no Casal Ventoso, numa sala cheia porque o tema era apelativo, lá fui cumprindo o meu papel, procurando dizer coisas certas a caminho de um debate aberto com os presentes, debate que, normalmente, corria animadamente. Às tantas, também como que usando uma “muleta” ou “truque” de comunicação, apeteceu-me contar uma jogada de um jogo que vira há alguns anos, em que Portugal perdera com a Inglaterra 10-0, e que me ficara gravado pareceu-me. Foi uma jogada em que o Stanley Mathews, já bem avançado na idade (o que então se considerava acima dos 30 anos…), correu com a bola pela extrema direita , que era a sua (não politicamente) e parou frente a Francisco Ferreira, o defesa esquerdo da selecção; ao mesmo tempo que parou, levou as duas mãos às melenas e fez um gesto de as ajeitar ao longo da cabeça. Na fracção de segundo seguinte, perante a estupefacção do nosso jogador, passou-lhe a bola entre as pernas e contornou-o – como se faz às rotundas – indo apanhar a bola mais à frente, isolado em veloz correria, para a centrar para o meio da grande área onde o Tommy Lawton lhe meteu a testa e fez a bola entrar numa baliza em que o Azevedo (ou foi o Capela?) só a viu passar (se é que a viu!) para ir bater no fundo das redes.
Então não é que, da assistência, lá do fundo, se levantou uma voz um pouco avinagrada a dizer entre-dentes mas bem audível “aí que este gajo é lagarto!”? A irritação daquele interlocutor vinha do facto do Xico Ferreira (grande jogador…) ser um símbolo do Benfica, de que foi muitos anos capitão, e “aquele gajo”-eu, ao contar assim a história, só podia ser do Sporting, na interpretação de quem tudo na vida resumia à rivalidade entre “lagartos” e “lampiões” (os "dragões" ainda não não tinham ganho estatura de grandes, o terceiro grande era o Belenenses, "os "pastéis de Belém"...) .
Tirando esse “incidente”, lembro-me que o colóquio correu muito bem.
Destas actividades guardei recordações indeléveis, e tenho sempre vontade de… contar histórias. A propósito de um recente “incidente” por este “canto da blogosfera”, com troca de comentários, nem todos agradáveis, lembrei-me de um colóquio, numa colectividade ali ao Casal Ventoso, sobre desporto, enquanto relevante fenómeno social. Era um dos meus três temas – os outros eram economia e a situação da mulher – embora, em privado, tivesse o hábito de dizer que só falava (e como ia aprendendo…) de materialismo histórico.
Então nesse debate no Casal Ventoso, numa sala cheia porque o tema era apelativo, lá fui cumprindo o meu papel, procurando dizer coisas certas a caminho de um debate aberto com os presentes, debate que, normalmente, corria animadamente. Às tantas, também como que usando uma “muleta” ou “truque” de comunicação, apeteceu-me contar uma jogada de um jogo que vira há alguns anos, em que Portugal perdera com a Inglaterra 10-0, e que me ficara gravado pareceu-me. Foi uma jogada em que o Stanley Mathews, já bem avançado na idade (o que então se considerava acima dos 30 anos…), correu com a bola pela extrema direita , que era a sua (não politicamente) e parou frente a Francisco Ferreira, o defesa esquerdo da selecção; ao mesmo tempo que parou, levou as duas mãos às melenas e fez um gesto de as ajeitar ao longo da cabeça. Na fracção de segundo seguinte, perante a estupefacção do nosso jogador, passou-lhe a bola entre as pernas e contornou-o – como se faz às rotundas – indo apanhar a bola mais à frente, isolado em veloz correria, para a centrar para o meio da grande área onde o Tommy Lawton lhe meteu a testa e fez a bola entrar numa baliza em que o Azevedo (ou foi o Capela?) só a viu passar (se é que a viu!) para ir bater no fundo das redes.
Então não é que, da assistência, lá do fundo, se levantou uma voz um pouco avinagrada a dizer entre-dentes mas bem audível “aí que este gajo é lagarto!”? A irritação daquele interlocutor vinha do facto do Xico Ferreira (grande jogador…) ser um símbolo do Benfica, de que foi muitos anos capitão, e “aquele gajo”-eu, ao contar assim a história, só podia ser do Sporting, na interpretação de quem tudo na vida resumia à rivalidade entre “lagartos” e “lampiões” (os "dragões" ainda não não tinham ganho estatura de grandes, o terceiro grande era o Belenenses, "os "pastéis de Belém"...) .
Tirando esse “incidente”, lembro-me que o colóquio correu muito bem.