domingo, maio 02, 2021

No dia da MÃE




 in diagonal

1º de Maio de 2021 - a caminho da Alameda

 7 imagens (a caminho da Alameda pelo norte...)

último ensaio

preparativos finais

a sair do Campo Pequeno, ladeando o monstruoso edifício da CGD

a entrar na Almirante Reis

das raras janelas abertas... mas distraídos com avião.

já na Alameda, ao encontro dos que vinham dos Anjos

encontro ribatejano ...
(espero que não tenhamos feito falta em Santarém
pensa ela, a de Almeirim 
pois... também eu... mas não deu...
pensa ele, o de Ourém)


7 excertos de 
larga reportagem fotográfica
de MJDR

Ir buscar lã... e vir tosquiado!

  - Nº 2474 (2021/04/29)


Foram buscar lã…

Opinião


A forma como uma certa imprensa trata recentemente a China e as privatizações, fez-me recordar um velho dito português «foram buscar lã, saíram tosquiados». Senão vejam:

Titulava o Jornal de Negócios: «Chineses recuperaram 70% do investimento na EDP». Um escândalo, de facto. Que o artigo ilustra de forma ainda mais eloquente, informando que «os chineses» já embolsaram 1875 milhões de euros desde a privatização, e que a sua posição na empresa vale 3697 milhões de euros, mais 38% do que quando a adquiriram. Ou seja, que em 10 anos multiplicaram o seu capital para mais do dobro. Repito: um escândalo. Mas porquê o título «Chineses»? A CTG vai receber «apenas» 143,4 milhões dos 753,5 milhões de dividendos escandalosamente distribuídos este ano pela EDP. O conjunto dos fundos americanos vai receber ainda mais que a CTG. Não seria mais correcto o título que referisse que os accionistas da EDP em 10 anos recuperaram tudo o que investiram e mantêm o capital da empresa? Que em 10 anos, com duas crises pelo meio, a privatização deu a estes accionistas mais de 12 mil milhões de euros de rendimento? Mas isso seria colocar a tónica no crime – cometido por PS, PSD e CDS com o estímulo da UE – que foi privatizar a EDP. E esse não é objectivo deste tipo de notícias.

Uns dias antes, titulava o mesmo jornal: «Chinesa BEWG exige 133 milhões à Câmara de Paredes em Tribunal». A razão, o facto desta Câmara pretender resgatar a concessão do serviço de água. Se pensarmos que a BEWG pagou em 2013 cerca de 95 milhões pela Veolia Portugal, recebendo assim as concessões de Mafra, Paredes, Valongo e Ourém, e que entretanto já recebeu 21 milhões pelo resgate da concessão em Mafra e uns milhões de lucro por ano, é de facto um escândalo o que a privatização já custou aos utentes destes 4 municípios e aos próprios municípios e o que os capitalistas ainda lhes exigem. Mas mais uma vez, o problema não são os chineses, é a privatização e a liberalização.

Mas tudo isto é reflexo da súbita compreensão no imperialismo «ocidental» de que estão a perder o controlo do mundo com as regras que eles impuseram para o dominar. E estão a aquecer uma Guerra Fria contra a China. São uns lobos carecas e cheios de medo. E muito, muito perigosos.

Manuel Gouveia
___________________________________________________

De vez em quando, transcrevem-se,
aqui,
da secção
do 
,
alguns comentários.
Este, de Manuel Gouveia,
merece-nos particular destaque,
por várias razões, 
entre elas, 
a de ser a factura que,
cá em casa,  se paga todos os meses.
Tirando isso, que não é de somenos,
é mesmo um despautério a sanha
contra "os chineses"...
É mesmo a confirmação de que,
muitas vezes,
se vai buscar lã e se sai tosquiado.
A China é o  mais populoso país do mundo,
 desde 1949 com um partido comunista no poder,
que adoptou a fórmula
um País, dois sistemas,
o que pode ser - e é - controverso
mas não consta, na História da Humanidade, 
que alguma vez tenha atacado outra nação,
lançado bombas atómicas, 
imposto criminosas sanções e bloqueios económicos
contra povos!

S.R.

domingo, abril 25, 2021


Obrigado, Zé Santa!

 

sexta-feira, abril 23, 2021

... e a propósito...

 

E eu lembro Jean Ferrat:


https://youtu.be/hQT3nUYQayU

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C'est une émission formidable

Sur les problèmes de société

Où des héros et des minables

Vous parlent en toute liberte

Sont-ils victimes sont-ils coupables

Ce soir voici pour commencer

Quelques racketteurs redoutables

Qui font la sortie des lycées

Ils vont pour vous se mettre à table

A condition d'être masqués masques

Un témoignage inoubliable

Un grand moment de vérité

Ce soir ce soir

Après la roue de la fortune

Les racketteurs les racketteurs

Sont à la une

C'est une émission fantastique

Où vous avez un rôle à jouer

Un rôle moral un rôle civique

Pour nous aider à retrouverT

ous ceux dont on est sans nouvelles

Disparus volatilisés

Ce soir je vous lance un appel

Vous seuls pouvez nous renseigner

Dans quels bas-fonds la malheureuse

A-t-elle un jour pu s'égarer

A quelles manœuvres très douteuses

A-t-elle fini par se livrer

Ce soir ce soir

Après la roue de la fortune

La main d'ma sœur la main d'ma sœur

Est à la une

C'est une émission fracassante

Sur les tréfonds d'la société

Une tranche de vie saignante

Que vous ne pouvez pas manquer

Un homme qui a payé sa dette

Vingt ans de prison mérités

Reconstituera en direct

Le crime qu'il a perpétré

Tout ce qui s'passait dans sa tête

Combien de fric il a touché

En appuyant sur la gâchette

Pour refroidir un député

Ce soir ce soir

Après la roue de la fortune

Les assassins les assassins

Sont à la une

C'est une série faramineuse

De grands débats télévisés

De controverses fabuleuses

De face à face sans pitié

Entre qui saigne et qui charcute

Entre bourreaux et tortures

Entre un ripou et une pute

Un délateur un dénoncé

Entre un para et un fellouze

Entre un violeur et des violées

Et puis comme une apothéose

Entre SS et déportés

Ce soir ce soir

Après la roue de la fortune

Un PAF obscène un PAF obscène

Est à la une

 

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Mais que a tradução (bem difícil), o sentido (bem claro):

A transmissão-espectáculo, em todas as 1, 2, 3, sic's, tvi's, em nossas casas, deste encontro fantástico, inesquecível, formidável e etc., do violador com as violadas, do torturador com os torturados, do carrasco com o condenado, dos assassinos com os assassinados, o inconciliável em concílio, e por aí fora, … como se fosse os grandes momentos de verdade!

Curtas e recortes - 25 de Abril

 O 25 de Abril não tem dono, o 25 de Abril foi de todos e é para todos…

Mas… se não tem dono também não é de todos, não é dos que não quiseram que ele viesse a ser, não é dos que não querem que ele seja o que foi, e o que ele é!

 &-----&-----&

De documento do PCP sobre o 25 de Abril e comemorações:

Denunciando acções provocatórias de cariz fascizante e outras manobras de diversão que visam animar polémicas estéreis tendo em vista diminuir o alcance e significado das comemorações do 25 de Abril – sejam os actos oficiais, sejam, em particular, as de natureza popular – o PCP apela aos trabalhadores, à população, à juventude e aos democratas para que por todo o País façam da sua participação um momento de afirmação do que Abril representa de avanço e conquista no plano da liberdade, dos direitos, e de progresso. Abril comemora-se e defende-se com os que com ele estão identificados e não com os que o pretendem destruir.

O PCP reafirma o seu total empenhamento e compromisso com os valores de Abril, profundamente enraizados no povo português. É pela sua afirmação, defesa e aprofundamento que se construirá o caminho para um Portugal mais desenvolvido, justo e soberano.”


O poder das narrativas ou narrativas de um poder

 Uma reflexão de que se recomenda, vivamente, a leitura... e a reflexão:


No Ipsilon do Público de hoje


segunda-feira, abril 19, 2021

TáVisto

 - Nº 2472 (2021/04/15)

Lembrar

Argumentos

Foi no passado domingo e num canal pouco frequentado, o AXN, presumivelmente só visitado por uma minoria de telespectadores, para mais a meio da tarde, que foi transmitido «Resistentes», filme de Edward Zwick. Era, mais uma vez, uma estória situada durante a Segunda Guerra Mundial, ficção tristemente verosímil, com a brutalidade nazi a ser contestada por acções de resistência. Nada de novo, dirá quem porventura já esteja saciado de narrativas protagonizadas pelos crimes nazis e pela coragem dos que contra eles se organizaram. Essa eventual saciedade, porém, implica algum risco: não esquecer os crimes é a primeira condição para que eles não se repitam, e quem porventura prefira que «falemos de outras coisas» por este assunto já ter sido suficientemente abordado pode estar à beirinha de lhes facilitar uma reedição. Tem sido lembrado, mas nunca excessivamente, que o nazifascismo foi (ou mais exactamente, é) uma serpente que nunca chegou a ser exterminada de modo a impossibilitar uma indesejável ressurreição. Ou de outro modo: que nunca os ovos dessa serpente foram eficazmente destruídos.


Ajudar a memória

Poderá lembrar-se que os anos entre 33 e 45 do século passado já estão longe, que o actual mundo é outro, que as extremas-direitas de fardas paramilitares e cruzes mais ou menos suásticas estão definitivamente fora de moda. Pois sim. O essencial da questão, porém, será que os nazifascismos, com fardas e botas ou sem elas, sejam os passados ou eventualmente alguns actuais, não correspondem a qualquer delírio militarófilo sem raízes: os nazifascismos, os que a História regista e os que por aí circulem fora de moda mas sempre à espreita e disponíveis, são uma forma da luta de classes e serão sempre uma via possível mesmo se improvável. Por isso é saudável, e até mais que isso, lembrar até onde podem chegar as classes dominantes quando vêm a sua hegemonia em grande risco: não é possível uma compreensão correcta da Segunda Guerra Mundial sem a relacionar com classes, domínio, exploração em crescimento exponencial. Não foi por acaso que os movimentos de resistência antinazi em toda a Europa ocupada tiveram os partidos comunistas como sua espinha dorsal e não é por acaso que os sinais mesmo que ligeiros do regresso nazi em diversos lugares da Europa e do mundo são denunciados pelos comunistas. Não haverá grande pessimismo ou enorme exagero ao dizer-se que a direita no mínimo «compreensiva» para com os neonazis é a modalidade por agora «democrática» de pendores nazificantes. Na dúvida, olhe-se para a actual política interna na democrática Alemanha actual e repare-se em como por lá vai vivendo sem problemas nem visíveis angústias a extrema-direita. Por isso são saudáveis os programas que ajudem a não esquecer. Até porque haverá quem deseje que esqueçamos.

Correia da Fonseca 

Combate à corrupção e à criminalidade económico-financeira

 1

Parte inferior do formulário

15 Abril 2021, Assembleia da República

Propostas do PCP para o combate

à corrupção e à criminalidade económico-financeira


«(,,,)  Desde Fevereiro de 2007 que o PCP tem vindo a propor a criminalização do enriquecimento injustificado. Ao longo de vários anos e legislaturas, as propostas do PCP contaram sempre com os votos contra do PS, do PSD e do CDS.

Na XII Legislatura, o PSD passou, alegadamente, a defender a criminalização do enriquecimento ilícito, fazendo-o sempre, no entanto, com a aprovação de soluções que foram declaradas inconstitucionais. Na parte final dessa Legislatura, em 2015, o PSD, mesmo conhecendo a jurisprudência do Tribunal Constitucional, rejeitou a proposta do PCP e insistiu, com o apoio do CDS, numa proposta que sabia de antemão que seria declarada inconstitucional. Foi o que veio a acontecer.

O PCP reitera a sua convicção de que a criação de um tipo criminal de enriquecimento injustificado poderá ser um elemento de grande importância para a prevenção e detecção de crimes de corrupção e que é possível encontrar uma solução que não seja violadora de princípios e normas constitucionais.

O que o PCP propõe é a criação de um dever geral de declaração às Finanças de quem disponha de património e rendimentos de valor superior a 400 salários mínimos nacionais mensais, e posteriormente, um dever de declaração sempre que esse património registe um acréscimo superior a 100 salários mínimos, havendo nesse caso o dever de justificação da origem desse enriquecimento. A criminalização incide sobre a omissão dessa declaração e da justificação da origem desse acréscimo patrimonial. O bem jurídico tutelado é a transparência da aquisição de património e de rendimentos de valor significativamente elevado.

O acréscimo patrimonial não constitui, em si mesmo, qualquer presunção de ilicitude. O que se sanciona como ilícita é a ausência de declaração ou da indicação de origem do património e rendimentos, o que a ser corrigido implica a dispensa de pena.

A criminalização é agravada no caso dos titulares de cargos políticos (…)


2

no espaço público e em política no Público de 16.04, tratava-se em profusão do tema, entre outros com opinião do Presidente do GP do BES e um espaço partilhado por notícia sobre PCP e Chega (este com foto):


3

no Público de 17.04, perdido nas Cartas ao Director podia ler-se:



umas páginas à frente, com uma meia-coluna sobre corrupção, em que se misturava tudo no mesmo saco

e, noutra página - em Público & Notório, uma gracinha muito destacada nada inocente, insistente e indecente:


4

para terminar esta ronda de fim de semana - de 5ª a domingo - o Público de domingo, 18, sobre o assunto da semana, fechava com chave de ouro com o relevo que auto-denúncia a objectividade de sua informação:


aNOTAção

é evidente, neste caso, que força política é valorizada, e haverá quem diga (ou pense) antes essa que outra mas a verdadeira questão é de qual a força política que importa, neste como noutros assuntos, desvalorizar, combater, por vezes com subtilezas imaginativas ou aparentemente inócuas. 
Mania da perseguição? NÃO!... exemplos  de luta de classes. 
(per que las hay, las hay...)

sexta-feira, abril 16, 2021

Teoria da vergonha

 segundo António Guerreiro, (no Público-Ipsilon de hoje):





Vale a pena ler!

quinta-feira, abril 15, 2021

Malhas que o império tece...

  - Nº 2472 (2021/04/15)


Teias

Opinião

Vivemos tempos perigosos, de potencial catástrofe desencadeada pelo imperialismo. Mas o jornal online do BE decidiu divulgar um texto com o polido título «O “anti-imperialismo” dos imbecis». Tenta-nos convencer que, se anteriores guerras dos EUA eram más, na Síria há uma genuína revolta popular.

A sério? Segundo o actual Presidente dos EUA, os aliados dos EUA no Médio Oriente «despejaram centenas de milhões de dólares e milhares de toneladas de armamento a todos quantos combatessem Assad. Mas quem estava a ser apoiado era a al-Nusra e al-Qaeda e os elementos extremistas do jihadismo vindos de outras partes do mundo». Foi assim, segundo Biden, «que surgiu o ISIS» (CNN, 6.10.14). Biden nomeou a Turquia e os Emirados. Calou o papel dos EUA e Israel. Mas o New York Times (2.8.17) informa sobre a «guerra secreta da CIA na Síria» com «um dos mais caros programas secretos da história» que durante 4 anos custou mais de mil milhões de dólares para «armar e treinar rebeldes sírios», tendo «algumas das armas fornecidas pela CIA acabado nas mãos dum grupo rebelde ligado à Al-Qaeda». Trump, no seu estilo, afirmou que «vamos ficar com o petróleo» da Síria (ABCnews, 28.10.19). Por maiores que fossem as razões de protesto, é isto uma genuína revolta popular?

Isto é o programa de sempre de subjugação imperialista. Documentos dos serviços secretos anglo-americanos revelam planos de 1957, antes de Assad ou seu pai serem Presidentes, para «financiar um “Comité Síria Livre” e armar “facções políticas com capacidade paramilitar”» enquanto «a CIA e o MI6 instigavam levantamentos internos» e «encenavam falsos incidentes de fronteira» para criar «um pretexto para uma invasão da Síria» (Guardian, 27.9.03). O General Wesley Clark revelou que em 2001 havia planos para «abater sete países em cinco anos», entre os quais a Síria.

O texto promovido pelo BE ataca «meios de comunicação social e jornalistas pouco recomendáveis» por «difundir propaganda perniciosa e desinformação». Coincidência ou não, tem data de 27 de Março, 16 dias após uma importante Declaração denunciando «preocupantes desenvolvimentos que lançam sérias e sustentadas suspeitas» sobre a investigação da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPCW) do alegado ataque químico em Douma, que serviu de pretexto para bombardeamentos da Síria pelos EUA, Reino Unido e França (couragefound.org). A lista de subscritores é digna de registo. Além do primeiro Presidente e quatro outros funcionários importantes da OPCW, há gente marcada pelas anteriores mentiras das guerras imperialistas. Como os ex-vice Secretários Gerais da ONU Denis Halliday e Hans von Sponeck, que se demitiram pelas sanções contra o Iraque anteriores a 2003; o Coronel Wilkerson, ex-Chefe de Gabinete de Colin Powell, MNE dos EUA no tempo das patranhas sobre o Iraque; e um ex-Chefe de Estado Maior da Marinha de Guerra do RU, Lord West of Spithead. Esta extraordinária Declaração foi silenciada na comunicação social de regime. Se a conhecemos, muito se deve aos meios que o texto publicado pelo BE ataca. Tal como a entrevista do ex-Embaixador inglês na Síria (thegrayzone.com, 20.3.21).

Num tempo de propaganda belicista, controlo férreo da comunicação e redes sociais e perseguição a quem denuncia as mentiras de guerra, como Julian Assange, Chelsea Manning, John Kiriakou ou, já com Biden, Daniel Hale (RT, 6.4.21), os ataques publicados pelo BE levam água ao moinho dos crimes actuais do imperialismo.


Jorge Cadima

quarta-feira, abril 14, 2021

O primeiro astronauta - Iúri Gagárin

A viagem de Gagárin na imprensa portuguesa há 60 anos

20210413DN19610413 A 12 de Abril de 1961, Iúri Gagárin foi o primeiro ser humano a ir ao espaço. Em Portugal, sob a ditadura fascista, o histórico acontecimento foi notícia na imprensa diária. Ana Catarina Almeida, com a colaboração de Silvestre Lacerda, aborda a forma como essa cobertura foi feita.

 

 

 

 

 

 

A viagem de Gagárin
vista pela imprensa portuguesa

Por Ana Catarina Almeida, licenciada na URSS (Relações Económicas Internacionais, em Kiev, 1985-1991)
a partir de imagens pesquisadas por Silvestre Lacerda, director-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas

 

«Vamos!» «Поехали!»

Foi a 12 de Abril de 1961 que Iúri Gagárin pronunciou esta frase, a bordo da nave Vostok, lançada do cosmódromo de Baikonur. Com apenas 27 anos, era o primeiro ser humano a ir ao espaço. Gagárin completou uma volta completa ao planeta em 108 minutos, a uma velocidade de 28 mil km/h.

O êxito desta missão deveu-se, em grande parte, ao talento do engenheiro-chefe Serguei Koroliov, que dirigia o programa espacial soviético.

Com o lançamento da Vostok, a URSS ganhava uma batalha na corrida espacial.

Devido ao enorme risco, a missão não foi tornada pública antes do seu lançamento.

O governo da URSS preparou antecipadamente três versões sobre o lançamento de um homem ao espaço, que enviou à TASS em três envelopes fechados. Apenas um deveria ser aberto e os restantes destruídos: um, para o caso de o cosmonauta regressar sem vida; outro, em caso de perigo que obrigasse a uma aterragem de emergência; e um terceiro, confirmando o sucesso da operação.

Foi esta a mensagem divulgada pela TASS e que se espalhou por todo o mundo 55 minutos após o início do voo.

19610412TASS
Fonte: https://tass.ru/spec/gagarin

 

E em Portugal?

Em 1961 Portugal vivia sob a ditadura de Salazar. Quase a totalidade dos artigos reproduz notícias divulgadas pelas agências da época: EFE, ANI, FP e APN.

 

20210413DN19610413O Século

Na primeira página da sua edição de 13 de Abril, o Século trazia: «O Homem venceu o espaço – Pela primeira vez um astronauta girou em voo livre à volta da Terra à altitude mínima de 175 km e máxima de 302. Foi um jovem major da aviação russa quem viveu a espantosa aventura que durou apenas 108 minutos».

A notícia foi ilustrada com uma fotografia de Gagárin e a legenda «Foi assim vestido que Yuri Gagarin fez a sua viagem ao espaço».

No dia 14 de Abril, o jornal volta a pegar na notícia, desta vez com o título «A Rússia homenageia hoje o major Gagarin, herói do cosmos, que ao lado de Khruschtchev assistirá a um desfile militar na Praça Vermelha, em Moscovo», o qual será «um desfile gigantesco, em homenagem ao herói soviético, major Gagárin».19610414O Seculo

A partir do arquivo de O Século incorporado na Torre do Tombo, consultando as provas que eram enviadas à Direção dos Serviços da Censura, podemos verificar que parte desta notícia foi censurada.


19610414O Seculo prova com cortes Censura
Fonte: Torre do Tombo

O jornal menciona também «vários mistérios e outras perguntas sem resposta acerca da proeza do cosmonauta Gagarin», como o momento da captação da fotografia que foi divulgada na TV soviética, sobre a visibilidade para o exterior a partir da Vostok ou sobre o momento de publicação do comunicado.

Continua O Século com uma pequena notícia, citando o «New York Daily News», a especular que a origem do cosmonauta não seria proletária mas aristocrática (neto de um príncipe russo) e por isso olhado com desconfiança.

Talvez por isto a PIDE tenha censurado também a publicação de uma fotografia de Gagárin com os pais, difundida pela APN (agência Novosti).

1961Foto censurada APN1961Legenda censurada foto APN
Fonte: APN (frente e verso da foto, com legenda e anotações)

 

19610412Diário de LisboaDiário de Lisboa

Dia 12 de Abril de 1961 o vespertino Diário de Lisboa titula na sua primeira página «Um astronauta russo regressou vivo à Terra após primeira viagem no cosmos».

Nesse mesmo dia, no âmbito de uma reunião do grupo de trabalho «Aero Space Medical Panel», formado por cientistas da NATO especializados em medicina aeronáutica e do espaço, é realizada uma conferência de imprensa. Perante a pergunta de um jornalista, é confirmada por um perito a notícia do envio de Gagárin para o espaço.

A noticia é desenvolvida noutra página: «Os Estados Unidos foram o primeiro país a felicitar a Rússia pelo feito dos seus cientistas».

No dia 14 é publicada a primeira foto de Gagárin, acompanhada de um desenho da nave

 

Diário Popular 

A 12 de Abril de 1961 o Diário Popular, também vespertino, destaca na primeira página: «O primeiro astronauta (o major russo Gagarine) deu a volta ao mundo num “sputnik” em órbita».

No dia 13 de Abril, traz novamente o tema à primeira página, com o título «Primeiro homem no espaço atravessou a Ásia num quarto de hora e a África em 6 minutos».

 

19610413Jornal de NoticiasJornal de Notícias

No dia 13 de Abril podemos ler no Jornal de Notícias: «O primeiro astronauta lançado pela Rússia no espaço fez um voo em volta da Terra e desceu num local previamente fixado».

A manchete é publicada sem foto. Na última página, o jornal desenvolve a notícia sobre o significado da viagem espacial e sobre a «luta de competição dos americanos com os russos».

Com chamada na primeira página, no dia 14 de Abril escreve na última página sobre a «Reconstituição hipotética da viagem de Gagarine à volta da Terra».

Descrevendo a viagem, diz o jornalista: «Como pode Gagarine observar a Terra, que viu inculpada num grande arco de círculo azulado, as florestas, os rios e as grandes cidades, o céu negro? No passado, os cientistas soviéticos nunca tinham aludido a uma vigia na cápsula da nave cósmica que imaginávamos estanque e cega».

Logo, descreve um desenho da Vostok publicado pela imprensa soviética, com um passageiro dentro da cabine, «munida à altura da cabeça do astronauta de um “cinto vigia” circular que permitia ao passageiro deitado com as pernas dobradas em “S”… fazer observações em todas as direcções».

Termina o artigo referindo mensagens de felicitações enviadas a Khruschtchov pelo presidente francês De Gaulle e pelo PM britânico Harold Maxmillan.

 

O Primeiro de Janeiro19610413O Primeiro de Janeiro

Ainda no dia 12 de Abril, O Primeiro de Janeiro publica uma pequena nota: «Os russos preparam lançamento duma nave espacial com um homem a bordo», fazendo referência a uma declaração de Kuznetsov, no dia 11, em Moscovo, dizendo que o «lançamento de uma nave espacial com um homem a bordo terá lugar provavelmente num futuro próximo».

No dia 13 de Abril, na primeira página, destaca em título: «Um cosmonauta soviético deu a volta completa à Terra, numa nave espacial, e foi recuperado vivo após 1 hora e 48 minutos de voo».

No interior do jornal, há uma descrição do voo e a sua reconstituição, assim como uma pequena biografia do cosmonauta.

 

Diário da Manhã

No dia 13 de Abril o jornal alinhado com o regime fascista noticia: «Foi lançado com êxito um foguetão espacial da URSS tripulado por um major da aviação soviética». A notícia não foi acompanhada de foto.

 

Um caso grave!