segunda-feira, janeiro 17, 2022

Publicidade enganosa e anti-democrática

(se não é redundante) 

de SEARAdeLETRAS:

(Soares Novais)

Sinais de Fogo

 PUBLICIDADE ENGANOSA

 








Rio e Costanão são candidatos a primeiro-ministro

 Rio e Costanão são candidatos a primeiro-ministro

 

Não vi o debate entre o dr. Costa e o dr. Rio. Bastou-me a publicidade enganosa, que durante toda a quinta-feira foi espalhada pelas rádios e pelos canais televisivos, para ficar cheiinho de náuseas.

Não gosto de publicidade enganosa. Logo não gosto que me digam que o dr. Costa e o dr. Rio são candidatos a primeiro-ministro. As eleições de 30 de Janeiro destinam-se a eleger deputados. Não primeiros-ministros.

malta das rádios, dos jornais e das televisões sabe isso muito bem. Mas gostam de vender tal mentira como verdade. Eles gostam de ter os patrões de ocasião do PS e do PSD na residência oficial do primeiro-ministro.

Por vezes o tiro sai-lhes pela culatra. Como aconteceu com o pobre do dr. Passos que, em 2015, não voltou a sentar o rabinho no gabinete de S. Bento – para desespero do agora aposentado dr. Cavaco.

Também não gosto que a malta da imprensa privelegie os patrões do “Rato” e da “São Caetano” em relação aos outros candidatos a deputados. Dar-lhes o triplo de tempo é uma sacanice de todo o tamanho -uma sacanice de lesa democracia.

Por estas e por outras não vi a conversita entre o dr. Costa e o dr. Rio. Nem os comentários dos chamados comentadores, que as rádios e tevês recrutam entre os rosas e os laranjas.

Como sempre faço, refugiei-me no Canal 2. Vi “Lei e Corrupção”, série britânica que revela os meandros da máfia policial. E conclui que alguns dos patrões que passaram pelo “Rato” e pela “São Caetano” seriam personagens perfeitos para uma série portuguesa...

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Aqui em casa também estivemos a ver

"Lei e Corrupção" na 2,

com espreitadelas ao De(s)bate 

para ver se conferia...

sábado, janeiro 15, 2022

O ano novo USA

  - Nº 2511 (2022/01/13)


1861: o ano novo dos EUA

Internacional

Em 1861 Henry Adams lamentava-se que «nenhum na América queria a guerra civil, nem a esperava, nem a antecipava». Na primeira semana de 2022, parece que todos os homens (e mulheres) da América a antecipam, a esperam ou a desejam.

«Vem aí a guerra civil?» perguntava, na semana passada, a manchete do New Yorker. «Enfrentamos uma segunda guerra civil?» ecoava, simultaneamente, uma coluna do New York Times. Três generais na reforma retorquiam numa coluna do Washington Post: «mais uma tentativa de golpe de estado» e ela pode mesmo estalar, avisavam. Entretanto, um estudo da Universidade da Virgínia revelou que mais de metade dos 74 milhões de eleitores de Trump acreditam que houve fraude eleitoral e defendem a secessão dos Estados republicanos. 44 por cento dos democratas concordam em partir a federação dos Estados.

No aniversário da patética tentativa de golpe ensaiada e gorada no capitólio, Biden perguntou-se se «vamos ser uma sociedade que aceita a violência política como a regra». Os sinais estão lá: a percentagem de estado-unidenses que admitem recorrer à violência para atingir fins políticos subiu de 10 por cento, na década de 90, para trinta por cento; o número de ameaças de violência contra congressistas duplicou em menos de um ano e, recorde-se, nos EUA há 434 milhões de armas para 330 milhões de pessoas e cerca 220 milícias. Oportunamente, Barbara Walter, uma consultora da CIA, promete ter todas as respostas no seu novo livro: «Como as guerras civis começam e como travá-las».

Os lunáticos tomaram conta do hospício?

Trump, surpreendentemente, embora enleado em processos judiciais, já escorraçado da Casa Branca e permanentemente censurado pelo Twitter, pelo Facebook e pelo Youtube, nunca foi tão popular. Segundo as últimas sondagens, reúne o apoio de 9 em cada 10 republicanos e conta com uma taxa de aprovação de 52 por cento dos estado-unidenses— mais do que quando se sentava na sala oval e o suficiente para sonhar com uma nova candidatura em 2024.

À medida que a hegemonia dos EUA esmorece, agravam-se as contradições internas da burguesia. Essas contradições tomam as formas mais diversas: são demográficas, num país urbano e democrata de costas voltadas para um país republicano e rural; são eleitorais, na distorcida sobre-representação dos republicanos no Senado; são económicas, na alta finança oposta à indústria e são, crescentemente, políticas, na amplitude de soluções propostas para salvar o capitalismo em crise.

É possível prever que 2022 traga, à semelhança de 1861, um clima político ainda mais polarizado, violento e volátil. É difícil dizer se esse clima conduzirá a mais erupções localizadas de violência ou à rotura da união dos Estados porque a resposta depende bastante de medidas de loucura. Mas, tratando-se dos EUA, ninguém ficará surpreendido se um dia os lunáticos tomarem conta do hospício. Por ser um hospício, primeiramente. E por estar apropriadamente a transbordar de lunáticos, já agora.

António Santos

sexta-feira, janeiro 14, 2022

As eleições de 30 de Janeiro são legislativas!

 

Solução terá que estar no Parlamento. 


De repente, depara-se com estas parangonas!
Mas não é para isso que se fazem eleições legislativas?
Esta campanha é uma fraude quando é transformada
(e nisso a comunicação social é grande responsável)
numa putativa escolha do 1º ministro.
Isto é um verdadeiro atentado à democracia!



AGORA, SIM... e já é tarde!!


 

quarta-feira, janeiro 12, 2022

POSTAL DO DIA ( (retrato de Jerónimo de Sousa)

Não conheço Luís Osório, nunca calhou - conheci o pai a cantar fado (e não só) na Tágide, se me não engano..., e depois -, e quero dizer, aqui, que este postal do dia é o retrato de um Homem, feito por outro Homem, que me emocionou até à lagrimita rebelde, perdão revolucionária (que também há lágrimas que o são!).

Hoje, e ao transcrever este postal do dia, só acrescento obrigado, Luís Osório!

POSTAL DO DIA

Quando Jerónimo de Sousa nos abraça
1.
Jerónimo de Sousa é um homem especial.
Mas não digam que é boa pessoa.
(apesar de ser boa pessoa)
Não digam que sempre gostaram dele
(apesar de poder ser mesmo verdade o que dizem)
Não digam coisas que, sendo certas, nos desviam do que foi e é a sua vida.
2.
Jerónimo é um operário metalúrgico.
E um comunista.
E apesar de deputado há quase 50 anos, continua a combater pela dignidade dos trabalhadores numa qualquer fábrica em que os seus ideais lhe saltem à vista.
Alguns talvez não acreditem.
Mas se não acreditam é porque nunca vos apertou a mão.
Ou abraçou.
Ou porque nunca estiveram com ele numa fábrica.
Quando nos aperta a mão percebemos o peso do trabalho operário.
Quando nos abraça percebemos que o faz com o que carrega, com a poesia de todos os que combateram e já não estão.
Quando está numa fábrica percebemos que está como se fosse a sua casa, os operários (comunistas ou não) são uma parte de si, mais do que os passos perdidos de um parlamento que conhece como as suas mãos, mas onde não sente pertencer por inteiro.
3.
Não digam que é uma boa pessoa pois isso é menorizar o combate de uma vida.
Jerónimo é uma boa pessoa – e como se sente que o é –, mas é no combate que o reconhecemos. E nesse combate é inclemente e daria a sua vida sem uma hesitação que fosse.
Jerónimo é um homem que se comove.
Com a dureza de princípios de um comunista, mas com a leveza de um coração que não esconde as lágrimas (mesmo que as lágrimas não sejam visíveis para os que lhe estão próximos).
Um dia telefonou-me depois de um “Postal” que dediquei aos meus amigos comunistas.
“Olá, Luís. É o Jerónimo. Só para te dizer que foi muito bonito o que escreveste. E para te dizer que estamos na expetativa de que a Benedita seja comunista”.
4.
Naquele postal eu publicara a fotografia da minha filha Benedita com o braço direito no ar.
A Benedita, neta mais nova do meu pai, um comunista convicto.
É por isso, em nome do respeito que os comunistas nos merecem, que o combate do Jerónimo (e de tantos outros e outras) nos merece, que devemos nestas horas complicadas desejar que possa sair do hospital com vontade de continuar a abraçar o mundo e de continuar o combate.
Comunistas e não comunistas, como eu.
Que possamos dar o abraço, Jerónimo.
Meu amigo.
E hoje camarada.
LO

(fotografia do Público)

DESinformação e DESpedagogia DEMOcrática

 Do meu quase-diário:

 (,,,)

Estou preocupado com a intervenção cirúrgica fo Jerónimo – de quem gosto como camarada amigo e amigo camarada – e que espero que corra bem… e que depressa regresse à primeira linha da luta.

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 Entretando, tinha ido ao correio… e só encontrei um folheto de propaganda partidária (do PSD) por onde passei os olhos pelas fotos, onde estão dois de Ourém – em 2º e 13º – e pelo texto, curto… mas com um parágrafo que é bem o exemplo da desinformação e de despedagogia cidadã.

 

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 Com que então, nas eleições legislativas não escolhemos apenas o primeiro ministro!!!

(...)




terça-feira, janeiro 11, 2022

Atenção!

 Malcom X : « Se não desconfiares dos meios de comunicação, eles far-te-ão amar o opressor e detestar o oprimido ».



  

sexta-feira, janeiro 07, 2022

Outra informação doutros lugares...


 - Nº 2510 (2022/01/6)

Etiópia, «ajudas» e ingerências

Internacional

O governo norte-americano concretizou a ameaça e excluiu a Etiópia de um tratado comercial entre os Estados Unidos da América e países africanos.

Também o Mali e a Guiné sofreram o mesmo castigo, deixando de poder aceder aos «benefícios» da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA, na sigla em inglês), que regula e «facilita» o comércio entre os EUA e parceiros africanos. Ao abrigo do convénio, em vigor até 2025, milhares de produtos africanos exportados para os EUA gozam de reduzidas taxas aduaneiras.

A administração Biden acusa os três países de «graves violações de direitos humanos reconhecidos internacionalmente».

O Mali e a Guiné foram há meses palcos de golpes de Estado militares e essa é a justificação para as sanções norte-americanas.

O golpe de força em Conakry será decerto perdoado e esquecido em breve, já que os golpistas são liderados por um coronel que mantém boas relações com Paris e Washington.

O caso maliano é mais «grave», na perspectiva norte-americana, uma vez que a junta militar instalada em Bamako ousou pôr em causa a «ajuda» ocidental e admitiu reforçar a sua cooperação militar histórica com a Rússia.

Curiosamente, um fiel aliado da França e dos EUA, o Chade – o quartel-general da Barkhane, a operação militar francesa de intervenção no Sahel, está instalado em N’Djamena –, onde o poder também foi tomado pelos generais, ficou de fora da lista dos países sancionados.

Em relação à Etiópia, Washington acusa o governo federal etíope de «aprofundar o conflito» no norte do país, referindo-se à guerra de agressão movida por secessionistas do Tigré.

Adis Abeba defende-se e apresenta provas do apoio actual dos EUA, da União Europeia e aliados à Frente de Libertação Popular do Tigré (TPLF, na sigla em inglês), considerada um grupo «terrorista». E contra-ataca com um artigo publicado há dias pela agência oficial de notícias etíope.

Lembra que desde há muito que os norte-americanos fornecem «ajuda» económica à Etiópia, atraídos pela importância e dimensão do país e pela sua situação geográfica, na região do estratégico Corno de África e do acesso ao Mar Vermelho. E explica que, a partir dos começos da década de 90 do século XX e ao longo dos 27 anos de governação de uma frente de organizações políticas liderada então pela TPLF, os EUA continuaram a utilizar a sua volumosa «ajuda económica» como instrumento para atingir os seus objectivos políticos e não para promover o desenvolvimento sustentável do país. Nesse período – insiste hoje Adis Abeba – os EUA não se preocuparam com as violações de direitos humanos e as atrocidades cometidas pela TPLF e usaram a «ajuda» económica para manter a Etiópia na sua esfera de interesses políticos e económicos.

Esta política imperialista norte-americana não é nem nova nem única. Ao contrário, é antiga e generalizada a prática global dos EUA visando dominar os países para os explorar e pilhar as suas riquezas. Mas, em África e em todo o mundo, os povos cada vez mais resistem e lutam pela sua independência e soberania. E vencerão.

Carlos Lopes Pereira
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.... de outras  gentes
e mundos deste nosso mundo.
Onde encontrá-la?


 

quinta-feira, janeiro 06, 2022

Venezuela, a triangulação (nova modalidade de corrupção)

  - Nº 2510 (2022/01/6)

Venezuela denuncia perante ONU roubos de activos seus no exterior


Internacional

Um alto responsável venezuelano, Elvis Amoroso, denunciou recentemente perante a Organização das Nações Unidas (ONU) o roubo dos activos do seu país no exterior por parte dos governos de alguns países, nomeadamente da Europa e América do Norte.

Durante o debate da 9.ª conferência dos Estados partes da Convenção das Nações Unidas contra a corrupção, que se desenrolou em meados de Dezembro em Sharm El-Sheikh, no Egipto, o representante da Venezuela denunciou o que chamou «uma rede de corrupção desenhada por governos no mundo». Afirmou que «há milhões de dólares em ouro e dinheiro depositados em bancos europeus que não se puderam utilizar».

Contra a Venezuela, disse, aplica-se uma nova modalidade de corrupção, a triangulação, a qual é desenhada e apoiada por alguns Estados que procuram apoderar-se de empresas e recursos que legalmente pertencem ao país sul-americano.

«Os governos dos Estados Unidos da América e da Colômbia reconheceram e apoiaram um ex-deputado que se autoproclamou como presidente interino numa praça, com o único propósito de arrebatar e apoderar-se de empresas importantes que a nossa pátria tem no exterior», como são a corporação petrolífera Citgo (nos EUA) e a petroquímica Monómeros (na Colômbia), explicou.

Recordou que o ouro depositado no Banco de Inglaterra e o dinheiro que ascende a mais de um milhão de dólares em bancos portugueses, foram roubados, facto sem precedentes a nível mundial.

Acrescentou que os corruptos e responsáveis desses saques, acusados de acordo com distintas leis da Venezuela, refugiam-se na Colômbia e nos EUA, aonde vivem como magnatas.

Isto, alertou, não pode continuar a acontecer e a Convenção da ONU contra a corrupção deve alertar todos os seus membros para acabar, de uma vez por todas, com esse tipo de acções, para evitar que outros países em desenvolvimento sofram pilhagens semelhantes.

O presidente Nicolás Maduro e outros dirigentes da Venezuela têm denunciado em muitas ocasiões o roubo de activos financeiros do país, no valor de milhões de dólares, pelos EUA e seus títeres, dificultando ou impedindo o acesso do povo venezuelano a vacinas, medicamentos, alimentos e outros bens de primeira necessidade.

Que campanha "previsível" para a "estabilidade"...

 

 - Nº 2510 (2022/01/6)

Estabilizando

Opinião

Com as eleições legislativas antecipadas no horizonte voltaram à ordem do dia, sem pejo e muito desplante, conceitos que nos últimos anos estiveram, por força das circunstâncias, mais ou menos ausentes do discurso político-mediático. Ouve-se de novo falar em «eleger o primeiro-ministro», nos «dois partidos» de governo, e sobretudo, com uma insistência cada vez maior, em «estabilidade».

Para que não nos falte nada, o Presidente da República, na sua mensagem de Ano Novo, acrescentou à lista a «previsibilidade», que como se sabe é o ingrediente da política que mais agrada ao capital, garantido quando no governo estão o que por cá se chama «partidos do arco da governação».

Depois de em 2015 a realidade ter obrigado a meter na gaveta o anacronismo de se considerar democrática a prática de ignorar que todos os votos contam, deixando claro que nas legislativas se elege deputados e não ministros, eis que a não aprovação do Orçamento do Estado para 2022 foi classificada na categoria de catástrofe a exigir medidas drásticas, como se não houvesse outras soluções a não ser a ida às urnas, de resto brandida por Belém muito a jeito de ameaça. Porque o País precisa de «estabilidade» e «previsibilidade», recorde-se. Devemos ser os únicos.

Não consta que os Países Baixos tenham passado a instáveis e imprevisíveis e que os «baixinhos» tenham perdido estatuto por terem ido antecipadamente a votos e demorado nove, NOVE!, longos meses a formar governo. Isto só para citar um exemplo, que coligações, acordos, arranjos, entendimentos entre diferentes forças políticas, com incidência governativa e/ou parlamentar, é o que não falta por essa Europa fora. Daí que, na hora de escolher, valha a pena perguntar para quem e para quê é a tal estabilidade.

Anabela Fino