sábado, janeiro 25, 2020

Reflexões lentas (mas com pressa...) sobre ocasião e ladrões

do meu quase-diário:


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Entretanto… entre tanto para ler, tanto para ver e ouvir, tanto para conhecer, tanto para estudar, tanto para intervir… somos informados!

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Somos inundados de informação, mais: afogam-nos com informação… desinformam-nos informatando-nos!

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A ocasião faz o ladrão, diz o ditado popular… mas é preciso acrescentar que só o ladrão aproveita a ocasião.

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E diz também outro (ou será o mesmo?) ditado popular que ladrão que rouba a ladrões tem cem anos de perdão (é mais ou menos assim…).

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Logo, se a ocasião é criada para que se roube, ladrão que rouba a ladrões teria cem anos de perdão.

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No entanto, recomenda-se, vamos lá a não exagerar, ou – ou aliás…– de vez em quando parece haver necessidade de denunciar ladrões expiatórios, que roubariam exageradamente, ou visivelmente, e fazer - de eles e com eles - a informação a inundar, a afogar os roubados para que continuem a deixar-se roubar.

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O que – re-aliás… – até faz muito jeito para ocupar espaço de informação e roubá-la (este verbo está obsessivo...) a outras coisas de que não convém dar informação na/à ocasião… e (re-re-aliás) aproveita-se a ocasião para que continue a haver ocasião igual.  

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Houve um senhor, lá p´ró meio do século 19, que disse que a propriedade é um roubo, e nunca mais foi esquecido porque é útil que não seja lembrado que não é bem assim, ou que é preciso completar a frase: a propriedade é um roubo quando, nas relações sociais predominantes, serve para roubar os outros, os que têm apenas a propriedade dos seus braços, do seu cérebro, dos conhecimentos que são o resultado do trabalho de todos, dos de agora e dos de antes de agora.

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É que, por outro lado – por estes lados! –, há que aproveitar a ocasião para dizer que a denúncia dos ladrões tem de ser, também, denúncia das ocasiões e não permitir que seja utilizada para que, sem contraditório, se preserve a ocasião que é dos/cria os ladrões que aparentemente abusam da(s) ocasião(ões).

quarta-feira, janeiro 22, 2020

segunda-feira, janeiro 20, 2020

sábado, janeiro 18, 2020

CHILE!

Chile! 
TRÊS MESES DE LUTA

Quem é que está esquecido?
ou
quem é que quer que se esqueça?

segunda-feira, janeiro 06, 2020

QUEM É QUE ROMPEU O QUÊ? E QUANDO?


O que é o acordo nuclear com o Irão
e porque é que Trump o rasgou?
08.05.2018 às 18h47


Mais de 60% dos americanos queriam que o acordo nuclear com o Irão continuasse em vigor mas Donald Trump retirou esta terça-feira os Estados Unidos do documento assinado em 2015 e que é defendido pela grande maioria dos aliados europeus


Durante mais de dez anos, o Ocidente preocupou-se com a possibilidade de que o Irão, um regime xiita, profundamente religioso e conservador, pudesse estar a desenvolver capacidade nuclear colocando em risco alguns dos (poucos) aliados no Médio Oriente que tanto os Estados Unidos como os seus aliados europeus ainda mantêm. Quando o Plano Conjunto de Ação foi assinado, esse perigo dissipou-se um pouco mas a sombra do seu regresso voltou a aparecer esta terça-feira quando Donald Trump anunciou que vai rasgar o acordo assinado ainda durante a administração de Barack Obama, antigo Presidente dos Estados Unidos.
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sábado, janeiro 04, 2020

A MENTIRÁ É UMA ARMA

 - Edição Nº2405  -  3-1-2020

OPCW

Peritos da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ, ou OPCW na sigla inglesa) estão em revolta contra a manipulação e mentira que visa submeter a organização internacional ao belicismo imperialista.
Em Abril de 2018 uma das campanhas mediáticas que antecedem as operações militares dos EUA/NATO/UE acusava o governo sírio de usar armas químicas em Douma. Um video mostrava crianças, supostamente vítimas, a serem encharcadas com água por Capacetes Brancos. A foto dum cilindro em cima duma cama numa casa bombardeadea seria a prova. EUA, França e GB lançaram mais de 100 mísseis sobre a Síria, ainda antes dum relatório da OPAQ falar em cloro no local do alegado ataque.
 Mas cientistas da OPAQ divulgaram pela Wikileaks documentos provando que o relatório oficial não foi escrito pela equipa de peritos que visitou o local do suposto ataque e «não reflecte as suas opiniões». Um memorando refere que «cerca de 20 inspectores expressaram a sua preocupação sobre a situação», adiantando que «o relatório da FFM [Missão de Apuramento dos Factos] não reflecte as opiniões de todos os membros da equipa que visitou Douma. Apenas um membro [do grupo que escreveu o relatório final] esteve em Douma». Particular revolta provocou o falso desmentido de que o inspector Ian Henderson tinha estado em Douma. Henderson foi suspenso e expulso à força da sede da OPAQ. Após visitar Douma, tinha escrito que era inexplicável que o cilindro que alegadamente foi lançado dum helicóptero e atravessou um tecto em cimento armado, pudesse estar intacto em cima da cama onde foi fotografado. Foram também questionadas as imagens do hospital, lançando a suspeita duma encenação. O relatório final escondeu a informação de que o cloro encontrado era residual.
 Já o primeiro chefe da OPAQ, o brasileiro Bustani, enfrentou o gangsterismo imperialista. Segundo contou à RT (7.4.18), o futuro Director de Segurança Nacional dos EUA, Bolton, visitou a sede da OPAQ antes da invasão do Iraque, dando-lhe um ultimato de 24 horas para se demitir. Face à recusa de Bustani, Bolton imitou Al Capone: «OK, haverá represálias. Prepare-se para aceitar as consequências. Sabemos onde estão os seus filhos». Segundo Bustani, o Iraque já não tinha armas químicas, mas os EUA «já tinham planos para […] acções militares».
Com raríssimas excepções, a comunicação social de regime não noticia a revolta na OPAQ. O jornalista Tareq Haddad conta como foi censurado pela Newsweek. Para não ter de calar-se ou mentir, optou por despedir-se (tareqhaddad.com, 14.12.19). Julian Assange, o fundador da Wikileaks, está preso em Londres, aguardando sentença sobre a sua extradição para as masmorras dos EUA. O Relator Especial da ONU sobre Tortura, Nils Melzer, considerou que Assange está a ser sujeito a torturas psicológicas (RT, 16.10.19). O ex-Embaixador britânico Craig Murray, após assistir a uma das sessões judiciais, manifestou-se «profundamente abalado» pelo estado físico e psíquico de Assange, receando «que possa não chegar vivo ao fim do processo de extradição» (craigmurray.org.uk, 22.10.19).
Querem calar quem desmascara a mentira para poderem cometer crimes com impunidade.

Jorge Cadima

quinta-feira, janeiro 02, 2020

Sobre mensagens (de natal, de ano novo e outras)


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reTIRADO do quase-diário:

No último duche do ano 2019, filosofando sobre a miséria, el(o)ucubrei à volta de Proudhon, procurando perceber como é que tanta gente (que se quer) boa, que conhece (isto é, não pode ignorar) como vivem tantos contemporâneos nossos em tantos lugares da Terra (e aqui perto, nas nossas terras), que sabe das desigualdades crescentes e da corrupção que de excepção se tornou regra, como é que alinha com teses simplistas e redutoras, e considera que a propriedade é um roubo e que é a causa de todos os males. E assim (essa gente) se dispõe a abdicar do que será sua propriedade (que não lhe faça falta…), ou até a contribuir para que se organize a sociedade de maneira a que se elimine a propriedade, ou que toda ela seja de todos, o que não é o mesmo mas parecido.
Sai do duche irritado. A apostrofar de miséria tal “filosofia”, como foi feito, há quase dois séculos, quando essa “filosofia da miséria” se enunciou e ganhou aguerridos adeptos, que hoje têm continuadores. Tendo então sido explicado, bem explicadinho, que o fundamento dos intoleráveis problemas sociais não está na propriedade mas no uso da propriedade, por alguns seres humanos, para explorarem outros seres humanos.

E insisto, repetindo e/ou à minha maneira: 
denuncie-se, sempre, que a relação do ser humano com as coisas, com a natureza de que faz parte, não pode servir (mas serve…) para secundarizar e escamotear a natureza das relações sociais, das relações que foram sendo engendradas e modificadas ao logo dos tempos, dos séculos, dos milénios, entre os seres humanos no seu tempo e, nalguns casos, para o futuro. Relações que são, por sua natureza, transformáveis – pelos seres humanos! –, devendo adaptar-se (adequa-se) às mudanças concretizadas nas coisas pelo ser humano. Ser humano que, nessa acção – com e pelo trabalho – também vai mudando. 
Sempre.