quarta-feira, fevereiro 13, 2019

Noam Chomsky e as ajudas humanitárias


Noam Chomsky explica o que a "ajuda humanitária" esconde

VTV
O conceito de ajuda humanitária é quase todo o ato agressivo realizado por qualquer poder que, do ponto de vista do agressor, é uma ajuda humanitária, mas não do ponto de vista das vítimas, explica o filósofo Noam Chomsky. Segundo o também linguista e cientista político, os Estados Unidos reconhecem-no publicamente e são compreendidos no campo do império tradicional.

Primeiro exemplo de ajuda humanitária: o bombardeio da Sérvia em 1999
As forças albanesas cometeram ataques terroristas em território sérvio para provocar uma resposta do seu governo que serviria como justificativa para a NATO entrar no país, isto é, uma intervenção dos Estados Unidos. As perdas estimadas foram altas nos dois lados: duas mil vítimas.
Quando assumiram a invasão, o general americano responsável, Wesley Clark, informou Washington que como resultado do ataque dos EUA se intensificariam as atrocidades, porque a Sérvia não era capaz de responder militarmente bombardeando os EUA; a Sérvia respondeu por terra, expulsando os terroristas albaneses do Kosovo, logo após o bombardeio americano.
Mas a grande cobertura da mídia foi a de Slobodan Milošević (ex-presidente sérvio) levado ao Tribunal Penal Internacional por uma acusação de crimes em massa, todos com uma excepção porque foram depois do bombardeio dos Estados Unidos contra a sua população.
Tudo o que foi narrado antes foi uma intervenção humanitária, diz Chomsky.

As intervenções para ajuda humanitária são legais?
A Assembléia Geral das Nações Unidas tem uma resolução sobre a responsabilidade de proteger, que afirma explicitamente que um ato não militar não pode ser realizado a menos que autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU. É usado para garantir que os governos não reprimam suas próprias populações.
No entanto, o ativista americano explicou que havia outra comissão, presidida pelo ex-primeiro-ministro australiano Garreth Evans, que discutiu a "responsabilidade de proteger", muito parecido com a versão da ONU, mas com uma diferença "se no Conselho de segurança não concordam em autorizar uma intervenção, agrupamentos regionais podem intervir pela força por conta própria; há agrupamentos regionais capazes de uma intervenção? Há!, apenas um e é chamado NATO ".
A "responsabilidade de proteger" é legal porque a Assembléia Geral da ONU a autorizou, mas o que atualmente governa é a versão autorizada de Evans, um bom exemplo de como a propaganda funciona em um sistema poderoso, acrescenta Chomsky.

Outro exemplo de ajuda humanitária: o bombardeio da Líbia em 2011
Uma resolução da ONU em 2011 pediu a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia, excepto para objetivos "humanitários", que foram para os termos diplomáticos para resolver o problema, e que Muammar Gaddafi aceitou, declarando um cessar-fogo contra forças opostas ao seu governo.
Finalmente, Washington optou por apoiar uma resolução muito mais ampla do que a simples zona de exclusão aérea e optou por uma ocupação militar do país.
"O Reino Unido, a França e os Estados Unidos se tornaram a força aérea da oposição. Um de seus ataques acabou enterrando Gaddafi e matando 10 mil pessoas, deixando a Líbia no que é hoje, nas mãos de milícias ", lembra Noam Chomsky.
A partir desse momento, houve um grande fluxo de jihadistas armados na Ásia Ocidental e na África Ocidental, que se tornaram a principal fonte de terrorismo radical no mundo, "uma conseqüência da chamada intervenção humanitária na Líbia".

O poder dos EUA agora, com Donald Trump como presidente
Chomsky também explicou que a sociedade deve repensar o que significa poder. Os Estados Unidos, em sua opinião, permanecem supremos. Seu poder é prejudicial, mas do ponto de vista da oligarquia, esse poder lhes dá tudo o que eles pedem, diz o filósofo. Apenas em termos militares, esta nação lida com 25% da economia mundial e é também muito mais avançada em tecnologia do que o resto do mundo. Acrescenta que, embora na economia estejam em declínio, seria um erro pensar que perderam o domínio.
"As multinacionais americanas possuem metade do mundo, estão integradas ao Estado, têm todos os sectores: indústria, vendas, comércio, finanças."
Ele explica que, desde sua eleição como presidente, não é apenas Trump que representa o perigo, mas toda a liderança republicana, que nega o fenómeno do aquecimento global, para mencionar apenas um problema.
"O Partido Republicano é uma das organizações mais perigosas da história da Humanidade… pode soar excessivo, mas pense-se nisso por um momento, Hitler não queria destruir o futuro da existência humana, ninguém o quer", lamenta e acrescenta: não são as pessoas ignorantes ou fundamentalistas religiosos que colocam a sociedade em perigo, mas os mais instruídos e apoiados do mundo,.
De acordo com Chomsky, as políticas mais perigosas são pouco discutidas, são ameaças existenciais que enfrentamos, esta geração tem que decidir se a existência humana continuará ou não - não é uma piada! -, é o aquecimento global ou uma guerra nuclear, e as ações de Trump pioram as duas.


terça-feira, fevereiro 12, 2019

Voltou a falar-se de convergência - 2

Li e ouvi afirmado, com algum despudor, que se teria verificado convergência económica com a União Europeia. 
É como se - para usar informação recorrente nestes dias... numa bem diferente vertente social... - se noticiasse um momento de apaziguamento num casal com um quadro de violência doméstica habitual e tolerada, ou não denunciada. 
Acresce que essa jubilosa informação se segue ao período de mais evidente  agressão de divergência. Que vem da origem da relação no que se refere à soberania sobre os recursos nacionais e à qualidade do aproveitamento desses recursos - como se verá oportunamente -, mas quantitativamente claramente agravada pela introdução do euro (e sua preparação... ou namoro), e também por uma eclosão violenta e inevitável da crise sempre latente.

Veja-se a evolução de 1996 a 2010 (como foi estimada em anteriores  trabalhos, com dados disponíveis)

Igualando a 100 o indicador "comunitário", e vendo qual a percentagem do PIB português, o primeiro gráfico mostra uma aproximação até 1999, por maior ser o "crescimento" de Portugal, e uma inversão clara dessa tendência, o que faz com que, depois de 2005, a percentagem do PIB baixe para inferior aos 77% do início do período em consideração.
O que será naturalmente mais visível no segundo gráfico, que mostra como depois de 1999 só em 2009 houve - excepcionalmente - convergência, por o indicador da evolução de Portugal desse ano ser superior ao "comunitário"... ou melhor (?!) não ser tão pior... Assim, pode resumir-se os gráficos dizendo que houve quatro anos de convergência, mais um "de excepção" e difícil definição, dois de igual percentagem de crescimento, e oito de divergência.
Separando o período em consideração - 1996-2010 - em três períodos, um pré e dois pós-euro, ainda fica mais claro

A qualidade, a estrutura do tal PIB, ver-se-á mais tarde...



segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Voltou a falar-se de convergência - 1

Convergência foi um dos argumentos usados e abusados pelos promotores da moeda única para a União Europeia “em construção”, depois da substituição do Tratado de Roma (de 1956, a 6-República Federal da Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo e, mais tarde a 9-6 mais Dinamarca, Irlanda e Reino Unido ) pelo Tratado de Maastrich (de 1992, então já a 12- com mais a Grécia, Espanha e Portugal e a absorção da ex-República Democrática da Alemanha pela RFA).
Enquanto prosseguia o alargamento (para 15, com Áustria, Finlândia e Suécia), preparavam-se em conferências inter-governamentais (CIG) – cujas decisões tinham, então, necessidade de ratificação democrática, ou seja, do povo ou seus representantes directos – a União Económica e Monetária (UEM) e a União Política (UP).
A UEM, com variados tropeços pelo caminho, concretizar-se-ia com a moeda única e o Banco Central Europeu e, na sua promoção, muito se acenava com a aproximação dos níveis de vida, a diminuição das assimetrias e desigualdades, através de uma convergência das economias nacionais.
Por dever de ofício, há muitos anos procuro acompanhar, com as medidas que existem (em Roma, que remédio senão ser romano…), a evolução do chamado PIB de Portugal.
Recorrendo a vários trabalhos dispersos (publicados alguns em diversos locais), vou usar gráficos que me parecem esclarecedores:
1. Para começar, uma vista geral, de antes de Roma… (do Tratado dos tratantes…) até chegar a hora da “europa connosco” (ou de nós na “europa”) e a dita convergência

onde, sumariamente, se podem observar a quase estagnação no início do período, alguma evolução com o 2º Plano de Fomento e o Plano Intercalar (1965/7), a guerra colonial e a Nova Política Industrial, que se arrasta até ao 1974 (25deAbril), quando a economia portuguesa começa a descolar e cresce, ao mesmo tempo que se opta pela financeirização e o afunilamento.
2. Com a entrada de Portugal para o “clube dos 9”, com a Espanha e depois da Grécia (I com outros parceiros, Irlanda e/ou Itália) forma-se a orla periférica, incompleta pois falta ser agregado o lado Leste da pretendida União Europeia

Para melhor adaptar os “dados em carteira” a este trabalho (que bastante trabalho me está a dar – e, confesso, também algum prazer…), repeti, em dois gráficos pós-adesão, o quinquénio de 1996-2000, por ser aquele em que o euro foi adoptado. Por estes dois gráficos, pode ver-se que Portugal viu evoluir o seu PIB apreciável entre 1986 e 2000, integrando a sua economia na divisão internacional “europeia” do trabalho (abdicando da sua soberania e de seus recursos, e financeirizando-se, nas vertentes pública e privada… mas isso é para outra abordagem), para, com a entrada da moeda única – e nas condições em que ela foi criada – ver abrandar e até cair significativamente o seu indicador PIB em 2009, no início da chamada crise.

E A CONVERGÊNCIA?
Esta, a avaliação da convergência/divergência apenas se pode ver em confronto com a evolução de outras economias. Se esta revisita a dados conhecidos (por mim, e por mim trabalhados) foi de certo modo estimulada por um mail recebido recentemente, com pequeno artigo em que se agrupavam os países em EA8 e "periféricos" (onde estava Portugal), vou fazer, em próximo post, a  comparação em gráficos, da evolução dos PIBs “comunitário” (isto é, da União Europeia) e a do PIB de Portugal. 
É verdade que PIBs há muitos e previsões ainda mais que chapéus, mas não quero mais que detectar indícios, tendências… e responsabilidades.

Tenho a intenção de voltar amanhã 

domingo, fevereiro 10, 2019

Quando a diplomacia se confunde com o servilismo e/ou a psicopatia


Insensibilidade ou psicopatia


“A nossa melhor resolução é precipitar o colapso do governo, mesmo que isso implique meses e anos de sofrimento para os Venezuelanos”. William Brownfield

Julho de 2017: O banco americano Citibank rejeita um pagamento do Estado venezuelano destinado à compra de 300 mil doses de insulina.

Outubro de 2017:A Venezuela compra vacinas e medicamentos à Organização Pan-Americana de Saúde, uma filial da Organização Mundial de Saúde, e, portanto, sob a égide da ONU. Em virtude da extraterritorialidade das leis norte-americanas, o banco suíço UBS rejeitará o pagamento, provocando um atraso de quatro meses na entrega das vacinas, desorganizando amplamente o sistema público de vacinação gratuito do Ministério da Saúde venezuelano.

Novembro 2017: A Venezuela compra medicamentos anti-malária (primaquina e cloriquina) ao laboratório colombiano BSN Medical. O governo da Colômbia impede a entrega dos medicamentos, sem nenhuma justificação. Novembro de 2017:Os grupos farmacêuticos transnacionais Baxter, Abbott e Pfizer recusam emitir certificados de exportação com destino à Venezuela, tornando impossível a compra de medicamentos produzidos por estas empresas, nomeadamente de natureza oncológica.

25/06/2018: O Conselho Europeu adota a decisão 2018/901, sancionando os membros da administração venezuelana, incluindo os que operam no sector da alimentação. Esta medida faz eco àquela que foi tomada um ano mais cedo pelos EUA (9 de Novembro de 2017), tendo como finalidade impossibilitar a compra de alimentos pelo governo venezuelano.

09/11/2018: O Banco Central do Reino Unido recusa devolver à Venezuela 14 toneladas de ouro pertencentes àquele país. Trata-se de um valor que ronda os 550 milhões de dólares.

A INSENSIBILIDADE É NATURAL NOS PSICOPATAS


com o agradecimento a
aspalavrassaoarmas

Para este domingo... prenhe de saudades

de Cabo Verde, dos Tubarões, do Ildo-bom-amigo, do
Djonsinho Cabral















tradução em português

Joãozinho Cabral (Djonsinho Cabral)

Perguntem à Senhora Joana, que estava lá
Perguntem ao Senhor Filipe, que é testemunha
Perguntem ao Senhor António, que me assinou os papéis 1
Minhas gentes... este ano correu muito mal
Semeei o meu milho, semeei o meu feijão
Pus mongolão2, pus sapatinha2
As chuvas não vieram, nada deu
Já não temos palha para os animais comerem
Para o Senhor Morgado não tomar o nosso chão 3
Eu disse à mamã, vendemos o boi para pagar 4
Para o Senhor Morgado não tomar o nosso chão
Eu disse à mamã, nós vendemos o boi para pagar
Oi mamã, oi mamã, oi mamã
por isso, mamã, nós vendemos o boi para pagar
Oi mamã, oi mamã, oi mamã
Por isso, mamã, nós vendemos o boi para pagar
Joãozinho Cabral veio de Achada Fazenda 5
Joãozinho Cabral pariu machos e pariu fêmeas 
pariu ouro e pariu prata, 
Por isso Maria, nós vendemos o boi para pagar
Maria de Joãozinho, foi para a cadeia
Foi para a cadeia porque partiu vidros
Oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi
Por isso Maria,  nós vendemos o boi para pagar
Por isso Maria,  nós vendemos o boi para pagar
Por isso Maria,  nós vendemos o boi para pagar
Por isso Maria,  nós vendemos o boi para pagar
Por isso Maria,  nós vendemos o boi para pagar
Para o Senhor Morgado não levar o nosso chão
Eu disse à mamã, nós vendemos o boi para pagar
Para o Senhor Morgado não levar o nosso chão
Eu disse à mamã, nós vendemos o boi para pagar
Oi mamã, oi mamã, oi mamã
Por isso, mamã, nós vendemos o boi para pagar
Oi mamã, oi mamã, oi mamã
Por isso, mamã, nós vendemos o boi para pagar
Para o Senhor Morgado não levar o nosso chão
Eu disse à mamã, nós vendemos o boi para pagar
Para o Senhor Morgado não levar o nosso chão
Eu disse à mamã, eu vendo o boi para pagar
Oi mamã, oi mamã, oi mamã
Por isso, mamã, nós vendemos o boi para pagar
Oi mamã, oi mamã, oi mamã
Por isso, mamã, não vendemos o boi e pagamos
  • 1.Provavelmente Joãozinho Cabral era um camponês analfabeto e o Sr. António assinou por ele o empréstimo ou contrato.
  • 2.a. b. Uma espécie de feijão.
  • 3.No período colonial, o sistema agrário de morgadio tornava os agricultores dependentes do dono da terra, o morgado, ao qual tinham que pagar uma renda, mesmo que não tivessem produção suficiente devido às secas frequentes em Cabo Verde.
  • 4.Para pagar as dívidas ou a renda ao morgado; o boi, que ajudava na lavoura, era o último e valioso recurso do agricultor.
  • 5.Achada Fazenda é o nome de uma localidade.

sábado, fevereiro 09, 2019

Convergência/divergência de economias e o euro

Ainda há daqueles mails amigos - ainda há mais que dos outros... -, dos que dão informações e ajudam a perceber o que se está a passar neste momento, porque inserem este momento no processo histórico e, só assim!, cada um SE pode informar... e o caso é que, num desses mails, transcrevia-se um artigo com título sugestivo e apelativo:

Busting The Myths Of The Euro: 

Economic Convergence



Ora se o euro foi criado mitificadamente, isto é, carregado de promessas míticas para "enganar o pessoal", esse da convergência foi um dos mais badalados, com a comunicação social "de plantão" a dar todo o apoio. Depois tal vocábulo foi-se apagando do vocabulário corrente. E bom é que haja quem o recorde para o "bustingar" (quebrar, arrebentar).  Algumas palavras compõem, naturalmente, o artigo, mas mais que o diz me parece de interesse o que/como o mostra.
Gráfico 1 - a evolução do crescimento (em PIBs) nos 12 "fundadores"do euro divididos em 2 grupos - EA8 (Alemanha, Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Holanda, Irlanda e Luxemburgo) e "periféricos", ou Club Med (Espanha, Itália, Grécia e Portugal), - tendo, por opções nacionais, ficado de fora dessa "fundação" 3 dos então 15 Estados-membros (Dinamarca, Reino Unido, Suécia)
deste gráfico pode retirar-se que na década 1990-99 a média de crescimento dos EA8 foi superior à dos "periféricos", isto é, há alguma divergência, na década de 2000-2009 há ligeiríssima convergência pois quase coincidem os valores das médias de crescimento dos dois grupos de países, e depois de 2009, com a chamada crise, no período 2010-2018 divergirem abruptamente, tendo os EA8 média perto dos 2%/ano e os "periféricos" média perto da estagnação, entre 0 e 0,5%.
Gráfico 2 -  para este gráfico, o autor igualou a 100 os valores dos PIB dos dois agrupamentos em 1990, e representou as respectivas evoluções a partir desse índice  


por esta forma se confirma e melhor visualiza o que o outro gráfico ilustra; a evolução do crescimento é de desconvergência até 2002, e de convergência entre 2003 e 2007,  voltando à desconvergência em 2008 para ser de claro acentuar das rotura do paralelismo das evoluções, com os EA8 a atingirem os valores de 2007/8 em 2011 e os "periféricos" "with their total real GDP sitting still 3.2 percentage points below the pre-crisis peak (attained in 2007), marking 2018 as the eleventh year of the crisis for these economies." (com o seu total PIB real tendo ainda 3,2 pontos percentuais abaixo do pico da pré-crise (atingido em 2007), o que faz de 2018 o 11º ano de crise para estas economias)... O 11º ano de indisfarçável divergência!, cavando mais fundas as assimetrias entre Estados e as desigualdades sociais.  

Curiosamente (?), este mail, que usa agrupamento de países discutível (como todos o serão, e basta lembrar os "países da coesão" - Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal, com a Irlanda no lugar da Itália - e os "ofensivos" PIGEs com um ou os dois I, de Itália e/ou Irlanda), entrou-me no computador quando, recuperando trabalho anterior, preparava uma colaboração com a Universidade Intergeracional da Estefânia, em que um dos pontos (com gráficos!) foi sobre convergência/divergência e o papel  do euro (de mito, de ludibrio).
Desse trabalho aproveitarei alguns trechos e gráficos (!) para amanhã. Que é domingo... 


Mais uma opinião esclarecedora - informe-SE!

Em

Os sociopatas e os seus seguidores
 08 DE FEVEREIRO DE 2019
Para os países alinhados com Washington já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.


John Bolton, Mike Pompeo e Mike Pence, antes do início de uma conferência de imprensa
 na Casa Branca, 7 de Junho de 2018. CréditosAndrew Harnik/AP / MPN News

Houve ocasiões – raras – em que os principais governos da União Europeia se distanciaram do comportamento boçal, truculento e neofascista da administração norte-americana gerida por Donald Trump. É certo que as razões nem eram louváveis, uma espécie de escrever direito por linhas tortas porque contrapor à política de fortaleza comercial de Washington o neoliberalíssimo «comércio livre» global, que serve meia dúzia de grandes conglomerados económico-financeiros, não é propriamente um comportamento honroso.
Ainda assim, essa situação foi suficiente para os que fazem política e comunicação navegando à vista nas vagas do oportunismo situacionista tentarem fazer crer que entre Washington e alguns dos principais aliados existiam saudáveis divergências, recomendáveis pelo facto de «parecer mal» estarem associados aos desmandos trumpistas.
Porém, o que tem de ser tem muita força, a realidade impôs os factos, as máscaras caíram, o globalismo ditou as suas leis, embora já periclitantes, e deixou de haver lugar para disfarces.
A harmonia entre Washington e os aliados restabeleceu-se quando foi preciso por mãos à obra e cuidar do que interessa a quem manda: o domínio sobre as matérias-primas e a vantagem militar planetária para, em última instância, assegurá-lo.
Bastou o aparecimento de provas de que a superioridade militar da NATO e respectivas ramificações pode estar em causa; eis que entra na ordem da actualidade uma disputa mais cerrada pelas riquezas naturais do mundo – e logo a boçalidade e o desprezo militante de Trump por qualquer coisa que tenha a ver com democracia e direitos humanos deixaram de ser problema.

A harmonia chegou com os psicopatas
Esbateram-se os limites, desapareceu a vergonha. Se o caminho mais eficaz para garantir a sobrevivência do «nosso civilizado modo de vida» é o recurso à autocracia, então que seja, desde que o discurso oficial assegure as melhores intenções democráticas e humanistas.
Mesmo que a harmonia entre a NATO e a gestão do Pentágono, a comunhão de ideais entre quem manda na União Europeia e a administração de Washington se tenham restabelecido no momento em que, depois de muitos tumultos e convulsões, a equipa que traça a doutrina Trump seja agora um sólido núcleo de psicopatas.
John Bolton, o conselheiro de Segurança Nacional do presidente; Michael Pompeo, o secretário de Estado, por inerência o titular dos Negócios Estrangeiros; Michael Pence, o vice-presidente, formam um triunvirato de fascistas com provas dadas em carreiras onde o recurso ao terrorismo político, declarado ou clandestino, nunca foi um problema.
Se lhes associarmos as figuras de um comprovado assassino e fora-da-lei como Elliott Abrams, agora escolhido como enviado especial para gerir o golpe na Venezuela; e de um expoente da «supremacia branca» como Steve Bannon, que corre mundo unindo as hordas fascistas, xenófobas, populistas e nacionalistas para manter a pressão, de modo a que o neofascismo seja a solução e nunca um problema, teremos um quinteto de psicopatas à altura de Trump, de tal modo que torna o próprio presidente descartável.
União Europeia ao lado de Trump contra a Venezuela

Pois foi precisamente na hora da estabilização do fascismo e da sociopatia como doutrina norte-americana que a NATO e a União Europeia – com o governo de Portugal fazendo questão de destacar-se – decidiram prestar-lhe vassalagem. Certamente não foi para que o governo português encarreirasse na esteira do terrorismo político e da guerra nuclear que os portugueses votaram.
Para os devidos efeitos e para memória futura registemos o desprezo assumido pela equipa de António Costa em relação à democracia, aos direitos humanos, à paz e ao direito internacional. Não existe outra interpretação possível do apoio ao golpe contra a Venezuela; não há hipótese de concluir outra coisa do alinhamento pleno com a NATO nos caminhos da guerra nuclear que estão a ser abertos por Washington.

É terrorismo, não é democracia
Aquilo que está a acontecer na Venezuela, e que tem proactivamente a mão do governo de Portugal, é terrorismo, é tentação fascista, é jogar com a vida de milhões de pessoas.
Não se trata apenas da entronização como «presidente interino» de um arruaceiro que os Estados Unidos treinam e pagam há 15 anos para servir como instrumento numa operação de golpe de Estado. Juan Guaidó é um entre vários que se formaram numa escola de terrorismo na Sérvia financiada pelos Estados Unidos, conhecida como Otpor/CANVAS1, para organizar «revoluções coloridas» e mudanças de regime em geral, de que são exemplos casos como o da Ucrânia, Geórgia, Egipto, Líbia, Síria, Honduras, Paraguai, Brasil.
E não se trata igualmente do recurso ao pretexto das supostas «irregularidade» e «ilegitimidade» das eleições presidenciais de Maio do ano passado, que decorreram segundo normas democráticas comprovadas por entidades independentes e de reconhecida idoneidade que acompanharam todo o processo. Ao contrário do que fizeram, por exemplo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a alta comissária europeia, Federica Mogherini, que recusaram os convites para serem ou enviarem observadores, partindo do princípio de que as eleições seriam fraudulentas muito antes de se realizarem.
O que está verdadeiramente em causa como consequência do comportamento das personalidades, entidades e organizações que apoiam a estratégia de mudança de regime montada pela equipa de psicopatas de Trump é a tragédia que paira sobre todo o povo venezuelano – comunidade portuguesa obviamente incluída.
Uma tragédia anunciada, uma vez que os promotores da operação tiveram o cuidado de não deixar margem de recuo. A parada é alta e todo o processo foi montado de modo a que não haja outra saída que não seja a destruição da Revolução Bolivariana, sufragada em mais de uma vintena de consultas populares legítimas realizadas durante os últimos 20 anos.

Solução: banho de sangue
Ora a capitulação do governo de Nicolás Maduro – que não tem de se demitir ou de convocar eleições porque a Constituição, a única lei pela qual responde, não o obriga – só pode ser alcançada por estas vias: golpe militar interno, agressão estrangeira directamente pelos Estados Unidos ou por procuração (Brasil, Colômbia e Argentina estão prontos), ou colapso absoluto do Estado devido às sanções, extorsão e roubo de que os bens do povo venezuelano são vítimas – a começar pelas 31 toneladas de ouro de que entidades bancárias estrangeiras se apropriaram abusivamente, também com responsabilidade do Banco Central Europeu, para que conste.
Sejam quais forem os caminhos seguidos pelos responsáveis do golpe, o resultado será um banho de sangue com extensão imprevisível. Esse é o preço que Estados Unidos e aliados estão dispostos a pagar para deitarem as mãos aos 300 mil milhões de barris de petróleo venezuelano – as maiores reservas mundiais conhecidas – às poderosas reservas de ouro, nióbio, tântalo e outros elementos e metais preciosos.
Não há pretextos e máscaras que sirvam para a ocasião. O que, através do golpe, os Estados Unidos, a União Europeia e aliados puseram em andamento foi a compra que um valiosíssimo lote de riquezas naturais e estratégicas pago com sangue humano, na quantidade que for precisa. Afinal, tal como no Iraque, na Líbia, na Síria ou Afeganistão.

O caminho para a guerra nuclear
A fuga para a frente com o objectivo de garantir a sobrevivência do neoliberalismo, conduzida pelo gang de tiranos sociopatas de Washington, não hesita, como se vê, perante a repugnante e desumana traficância em curso na Venezuela.
Fuga essa que começa a adquirir velocidade própria numa outra direcção até aqui vedada pelos mais compreensíveis instintos de sobrevivência colectiva: a da guerra nuclear.
Não há outra leitura para a decisão norte-americana de abandonar o Tratado de Armas de Médio Alcance (INF2), assinado há 30 anos pelos Estados Unidos e a União Soviética.
Não há outra leitura do apoio a essa posição manifestado pela NATO e pelo sempre «bom aluno», o governo de Portugal.
Os pretextos invocados para o abandono do Tratado são falsos ou, no mínimo, desconhecidos. Nem os Estados Unidos nem a NATO apresentaram, até ao momento, qualquer prova de que a Rússia estaria a violar esse acordo. Em paralelo, também não se regista qualquer interesse, tanto dos dirigentes norte-americanos como da NATO – e da comunicação social com eles sintonizada – em aceitarem os convites de Moscovo para visitarem os locais onde supostamente estariam a ser construídas as armas que violam o Tratado.
É objectivo dos Estados Unidos instalar os novos mísseis em países europeus como a Itália, a Alemanha e a Holanda, onde também está prevista a disponibilização de bombas nucleares de nova geração3.

Trata-se de engenhos ditos de potência reduzida, isto é, com uma capacidade de destruição calculada em metade ou mesmo menos dos largados sobre Hiroxima e Nagasaki. Este facto tem ajudado a consolidar a tese perigosíssima segundo a qual as novas bombas poderão ser utilizadas em conflitos limitados e sem provocarem respostas equivalentes, o que as torna uma vantagem decisiva.
Torna-se evidente que o recurso a essas bombas implica a existência de mísseis vocacionados para transportá-las – e daí a quebra do Tratado INF.
Deduz-se, pois, que pelas cabeças doentes e sanguinárias de figuras como Bolton – que pretende enviar Maduro para Guantánamo – Pence e Pompeo passa, de facto, a ideia de vir a utilizar essa nova combinação de mísseis de médio alcance com armas nucleares de «potência reduzida» e tendo a Europa como um dos cenários de operações. Pelo que os países europeus sintonizados com os tiranos sociopatas de Washington não desprezam apenas a vida dos venezuelanos, mas também a dos seus próprios povos4.
Já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

QUE VERGONHA!

Quando, das três premissas discutíveis mas (parece) consensualmente aceites

  • apoio popular
  • forças armadas (internas, pressupõe-se!)
  • reconhecimento internacional,
a primeira está (parece) dividida em partes equivalentes (o que o português médio/ano desconhece porque a comunicação social portuguesa o informa manipuladamente), 
a segunda, apesar de raríssimas - para não dizer singulares - excepções, está com uma das partes, a do usurpado, eleito em maio de 2018 (!) com 67% dos votos
a terceira tem posição - diria ostensiva e abusivamente comandada - pelos EUA/Trump (o que não são o mesmo mas, infelizmente, é igual) a favor da parte que se auto-proclama a partir de instruções de Washington, o que não tem unanimidade ou, até, maioria evidente (cito México, Cuba, Rússia)

o governo português, através do seu inenarrável MNE, o sr. ASS, coloca-se na primeira fila dos que apoiam e reconhecem legítima, sem reservas, uma da partes, a de um auto-proclamado usurpador sem/ou com não reconhecida legitimidade à luz do direito (nacional ou internacional), ingerindo-se, escandalosamente, na questão interna de soberania de um povo (premissa um), e repudia a outra parte com/ou sem aparente legitimidade, apesar dos 2/3 da votação largamente escrutinada de há 9 meses 

QUE VERGONHA!

sábado, fevereiro 02, 2019

Dando a palavra a quem tem coisas para dizer - João Ferreira

Entrevista à agência LUSA:


Este Governo nem sequer é de esquerda,
diz João Ferreira
2 fev 2019 09:23
O cabeça-de-lista da CDU às europeias sublinha que os quatro últimos Orçamentos do Estado foram do PS,
apesar dos votos de PCP, PEV e BE, até porque este nem é "sequer um Governo de esquerda",
mas minoritário dos socialistas.

“A questão dos Orçamentos do Estado, não foram orçamentos do PCP, foram orçamentos do Governo do PS porque este é um Governo PS, não é um Governo das esquerdas, nem sequer um Governo de esquerda. É um Governo do PS, que não se libertou em aspetos essenciais e estruturantes das políticas de direita que levou à prática no passado”, afirmou João Ferreira, em entrevista à agência Lusa.
Porém, o dirigente comunista realçou a ação preponderante de PCP e “Os Verdes” em alguns avanços de rendimentos e direitos das pessoas, pois “algumas das medidas que foram tomadas nestes três anos nunca foram tomadas antes nem seriam nunca tomadas por um Governo do PS com maioria absoluta”, referindo-se às negociações orçamentais bilaterais.
“A relação de forças é a que é. O que tivemos nestes três anos foi determinado por um quadro em que o PS tem um Governo minoritário, o PSD e o CDS, juntos, também não têm maioria, mas em que a relação ainda é a que é. Os três partidos juntos têm uma proporção muito significativa dos lugares na Assembleia da República e, várias vezes, os três se juntaram para inviabilizar propostas positivas feitas pelo PCP”, lamentou.
Sobre o dilema de as forças à esquerda do PS reclamarem algumas “bandeiras” para si, mas renegarem o respeito pela disciplina financeira imposta por Bruxelas e o eventual ganho eleitoral dos socialistas, nomeadamente nas últimas autárquicas, João Ferreira atribui essa noção a uma “deficiente perceção” do público, dada a menor presença no espaço mediático de PCP e PEV, por discriminação e silenciamento da comunicação social ou sobrevalorização de iniciativas de outros partidos.
“O que a situação demonstra é que o que é necessário não é andar para trás do ponto de vista do que foi esta alteração positiva na relação de forças. O facto de o PCP e a CDU terem crescido nas eleições ajudou ao que temos hoje e para irmos além do que temos hoje – é uma lição que estes três anos nos dão – o caminho passa pelo reforço da CDU necessariamente”, garantiu.
João Ferreira reconheceu que o principal móbil da denominada ‘geringonça’ de esquerda – o PS com acordos com bloquistas, comunistas e ecologistas – foi desalojar a direita do poder, terminando o seu projeto de “subversão constitucional” e de “cortes” para dar lugar à reversão de tais medidas.
O também vereador da Câmara Municipal de Lisboa vincou que foi a CDU “a primeira força política” a dizer na noite eleitoral de outubro de 2015 que “eles perderam” (PSD/CDS-PP) quando outros partidos “baixavam os braços”.
João Ferreira exclui subida a secretário-geral do PCP em 2020
O cabeça-de-lista da CDU às europeias rejeita a hipótese de suceder a Jerónimo de Sousa, mesmo que só dentro de dois anos, como secretário-geral do PCP, no Congresso Nacional ordinário dos comunistas, previsivelmente em dezembro de 2020.
O dirigente comunista elevou antes os cargos de vereador na autarquia lisboeta e parlamentar em Bruxelas e Estrasburgo em detrimento da eventual liderança do partido, frisando a diferença face a outras forças políticas do PCP, com a sua tradição e prática de cariz coletivista.
"As responsabilidades que admito são as de vereador na Câmara Municipal de Lisboa, pelo menos até 2021, e de deputado no Parlamento Europeu nos próximos cinco anos. São as responsabilidades que me motivam, neste momento. Está a falar com um atual membro do Comité Central, que continuará com essa condição, pelo menos, até ao próximo congresso do partido", disse.
O biólogo de 40 anos é pela segunda vez o primeiro nome da coligação que congrega PCP e "Os Verdes" na lista para o Parlamento Europeu, depois de já ter encabeçado o rol de candidatos autárquicos a Lisboa também por duas ocasiões, além da presença semanal em comentário televisivo, sendo assim um dos militantes comunistas com maior visibilidade a seguir ao atual secretário-geral, o antigo operário Jerónimo de Sousa, com 71 anos e há mais de 14 à frente do partido.
"De certeza que não. Certamente que não", respondeu rindo-se sobre a possibilidade de vir a tornar-se líder comunista, a partir de 2020.
Relativamente à sua contínua presença mediática, o eurodeputado e recandidato nas eleições europeias de 26 de maio relativizou, pois "há muitos militantes do PCP com visibilidade em função das tarefas que desenvolvem".
"Houve outros que as tiveram antes de mim e tiveram igual visibilidade. É sinal de uma intervenção destacada que o PCP e a CDU têm em muitas frentes, mas é fruto, sobretudo, não de rasgos individuais, mas de um coletivo. Nós somos um partido diferente em várias coisas, também desse ponto de vista. Nós temos uma liderança que é, sobretudo, uma liderança coletiva", afiançou.
"Pode perguntar mais uma vez e as vezes todas que quiser. Esse é um cenário que não está colocado. O que está colocado é desempenhar as tarefas que tenho neste momento e é isso que me motiva também", garantiu, perante a insistência sobre disponibilidade para o posto de secretário-geral do PCP, caso os seus "camaradas" o viessem a escolher.
João Ferreira acusa UE de funcionar com "recorte neocolonial"
O cabeça de lista da CDU às eleições europeias acusa a União Europeia (UE)de funcionar com um "recorte neocolonial" em muitos aspetos, criando uma "subordinação política intolerável" dos Estados-membros, como quando põe burocratas a apreciar orçamentos nacionais.
"Termos um conjunto de burocratas a dizer o que é que esse Orçamento do Estado deve conter, e a dizer que linhas é que ele não pode passar, e a dizer que medidas é que ele tem obrigatoriamente que prever, isto é uma situação de subordinação política intolerável”, argumenta João Ferreira, em entrevista à agência Lusa.
Para o eurodeputado e recandidato nas eleições de 26 de maio, “a União Europeia tem hoje um funcionamento que assume o recorte neocolonial em certos aspetos”, considerando e é essa dependência económica e uma subordinação política que tem que ser combatida.
O candidato comunista sustenta que o euro foi "um instrumento central na criação deste quadro", mas "não foi o único".
"É importante ter presente que o euro não é o único constrangimento que hoje pesa sobre Portugal, há outros. As políticas comuns, a Política Agrícola Comum, a Política Comum das Pescas e a política comercial comum tiveram impactos negativos. [O euro] não é o único constrangimento, mas é um constrangimento que se destaca face aos demais...E é um constrangimento que tem que ser removido", acentua.
João Ferreira admite um referendo para decidir se Portugal deve continuar no euro, apesar de preferir "uma solução no quadro da União Europeia, organizada, que permita a reconstituição de moedas nacionais".
O candidato defendeu que, para decidir a permanência de Portugal na União Económica e Monetária, "o ideal será um processo negociado no quadro da União Europeia", justificando assim as propostas dos eurodeputados do PCP de "um programa de apoio aos países que entendam sair do euro".
"Preferencialmente, devemos procurar uma solução no quadro da União Europeia, organizada, que permita a reconstituição de moedas nacionais não sendo isso possível. Não sendo possível, [Portugal] deve rejeitar soluções que sejam prejudiciais aos seus interesses", sustentou o eurodeputado.
Caso a UE continue a rejeitar uma solução negociada, o referendo é "uma hipótese".
Para justificar a saída da moeda única, João Ferreira recordou que, nos 20 anos anteriores à entrada no euro, Portugal cresceu "sempre acima da média da União Europeia" e "acima da média mundial". Mas inverteu a situação após a entrada na moeda única: "são 20 anos a crescer abaixo da média da União Europeia e da média mundial", ou seja, "duas décadas perdidas".
"Há poucos países no mundo, se virmos as bases de dados do Banco Mundial e do FMI, há poucos países no mundo com uma taxa de crescimento inferior à portuguesa, e os que existem são países que foram devastados por guerras e por conflitos civis", salientou.