ACORDAI! José Gomes Ferreira/Fernando Lopes Graça

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Terça-feira, Janeiro 31, 2012

Desemprego no final de 2011 quase nos 14%! - É este o caminho?

Em Diário Económico :

Eurostat (act.)
Portugal fecha 2011
com desemprego recorde de 13,6%
Rita Paz
31/01/12 10:00

A taxa de desemprego em Portugal agravou-se em Dezembro para 13,6%, a terceira pior do euro, anunciou hoje o Eurostat.
Os dados do Gabinete de Estatística Europeu mostram que a taxa de desemprego em Portugal subiu 0,4 pontos percentuais em Dezembro face ao mês anterior. Portugal fica assim na terceira posição do 'ranking' dos países da União Europeia (UE) com a taxa de desemprego mais elevada, apenas atrás de Espanha (22,5%) e Irlanda (14,5%).
No que toca à zona euro, a taxa permaneceu nos 10,4% em Dezembro, o valor mais elevado em quase 14 anos. Na UE a 27 o desemprego atinge 9,9% da população activa.
"Face a Novembro de 2011, o número de pessoas desempregadas aumentou em 24 mil na UE, e em 20 mil na Zona Euro", refere o comunicado do Eurostat publicado hoje, acrescentando que, em termos homólogos, registou-se uma subida de 923 mil desempregados na União Europeia e de 751 mil nos países do euro.
As taxas de desemprego mais baixas foram registadas na Áustria (4,1%), na Holanda (4,9%) e no Luxemburgo (5,2%), que vivem em pleno emprego.
Para a Grécia não há valores. No entanto, é de esperar que o número de desempregados seja também muito elevado, já que os dados de Outubro - os mais recentes - apontam para uma taxa a rondar os 20%.
Em relação ao desemprego nas camadas jovens, este foi de 21,3% na zona euro e de 22,1% na UE, com Espanha também aqui no topo da tabela (48,7%), logo acima da Eslováquia, onde 35,6% dos jovens estão sem trabalho. Portugal ocupa o terceiro lugar do ranking com uma taxa de desemprego entre os jovens de 30,8%.
Por género foram as mulheres (10,6%) que mais sofreram com o desemprego na zona euro. A taxa nos homens é de 10,6%.
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Medindo a tensão...

Três aponta mentes:




1. É curioso o pouco destaque que os jornais, nas suas primeiras páginas de hoje, e a restante comunicação, dão ao Conselho Europeu. Só indirectamente, como para dizer que a Grécia tem de chegar a acordo até ao fim da semana, que Keynes está arquivado em definitivo. 




2. Por outro lado, ou no lado oposto (da página... e não só), a primeira página do mesmo jornal que põe Keynes num canto inferior esquerdo, dá relevo, no canto inferior direito, a uma iniciativa que, espera-se, bem o venha a merecer: Marx em Maio, na Faculdade de Letras em Lisboa.


3. Quando o primeiro-ministro garante, perentório, coisas que se sabe, de antemão, que não irão ser cumpridas - a não renegociação e/ou recusa de um segundo "entendimento", e o "regresso aos mercados" em 2013 -, as agendas de "rating" mantém Portugal em BBB (ou como se faz a notação que nos atirou para o "lixo"), a central sindical unitária CGTP passou, em notação nossa (e bem mais credível), a AA+ (Arménio Alves Carlos)! 

OUTRA INFORMAÇÃO - a "Europa" vista de fora

Em Vermelho - Com agências

Greve geral paralisa Bélgica‎
em dia de cúpula europeia

Grande parte da Bélgica está paralisada, nesta segunda (30), devido à greve geral decretada pelas principais centrais sindicais contra medidas de austeridade adotadas pelo governo, sob imposição da União Europeia e acompanhadas pela ameaça de medidas punitivas. A última greve geral foi há 20 anos. Em Bruxelas não há transportes públicos e muitos dirigentes europeus terão de usar helicópteros, aviões e aeroportos militares para chegar à cúpula da União Europeia, nesta segunda.

O Aeroporto Nacional de Bruxelas regista grandes congestionamentos e atrasos, o de Charleroi foi totalmente encerrado. As comunicações ferroviárias de e para Bruxelas, designadamente com Paris, Amesterdão, Londres e Colónia estão paralisadas, incluindo as composições de alta velocidade.
Os correios não funcionam e os trabalhadores do porto de Antuérpia, um dos maiores da Europa, paralisaram completamente a atividade. Em algumas estradas do país, comissões sindicais promovem operações de paralisação do tráfego para divulgação de informação sobre os motivos da luta social.
A greve geral na Bélgica é a primeira em quase 20 anos. “Sempre dissemos que era necessário um plano de saneamento orçamentário, mas isso deve ser feito protegendo as costas dos mais vulneráveis”, declarou Claude Rolin, secretário geral da Confederação dos Sindicatos Cristãos, considerada a mais forte central sindical do país.
O governo belga de coligação sob a chefia do socialista Elio di Rupo, que pôs fim a uma crise política de 541 dias, diz-se forçado a fazer cortes nas despesas públicas da ordem dos 11 bilhões de euros, quantia que vai abalar toda a economia belga e atingir em primeiro lugar, como na generalidade dos países, os salários e direitos sociais dos trabalhadores.
Sendo a Bélgica um país com a dimensão de cerca de um terço de Portugal, este valor tem um enorme impacto se comparado, por exemplo, com o volume do último corte previsto pelo governo francês, de 7 bilhões de euros.
O governo de Elio di Rupo já está sendo acusado pelos trabalhadores belgas de fazer “um caminho à Zapatero” numa altura em que o flagelo do desemprego se torna ainda mais consciente ao nível europeu com o anúncio de que existem mais de 23 milhões de cidadãos sem trabalho, cerca de 10%, segundo o Eurostat.
A dívida soberana da Bélgica atinge atualmente os 100% do PIB e tem sofrido degradações regulares por parte das agências norte-americanas de notação financeira. As ameaças de sanções proferidas pela Comissão Europeia obrigam a Bélgica a procurar economias suplementares de 1,3 bilhões de euros sobre o orçamento de 2012.
Cúpula Europeia
É nesse contexto de greve geral que os líderes da União Europeia (UE) iniciam em Bruxelas uma reunião de cúpula sobre a crise da dívida na zona do euro. No encontro, os chefes de Estado ou governo pretendem analisar o pacto intergovernamental debatido na última reunião de dezembro para reforçar a disciplina fiscal nos 17 países que utilizam o euro como moeda.
Tal compromisso obriga os Estados a incorporarem em suas legislações nacionais uma denominada regra de ouro que limita o déficit fiscal, como já ocorreu na Espanha.
O plano, que deverá ser assinado em março, prevê também severas sanções para os países incapazes de cumprirem suas obrigações orçamentais ou manter a dívida abaixo de 60% do Produto Interno Bruto, o que implicará novos ajustes.
Em várias nações do continente, as políticas implementadas pelos governos para resolver a crise da dívida às custas do sacrifício dos povos têm gerado protestos massivos, como agora ocorre na própria Bégica.

Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

Brevíssima - o que tem mais significado?

Que, dos 27 ("líderes"...), 25 ("líderes"...) tenham aprovado um pacto orçamental?, ou que o Reino Unido e a República Checa (pelos seus "líderes", que não são nem melhores nem piores que os outros...) tenham ficado de fora?
Grande Conselho...  

Uma anedota e o 11 de Fevereiro no Terreiro do Paço

Mão amiga fez-me chegar um mail em que transcrevia uma anedota e um comentário, publicados no Financial Times de 6 de Novembro. Traduzo (livremente):

Num engarrafamento, um automobilista é abordado por um homem que lhe bate no vidro da janela e o interpela: ”Terroristas assaltaram o Congresso e sequestraram os congressistas. Exigem 100 mil dólares, sob a ameaça de queimarem tudo com gasolina…”, dizia o homem, “estamos a recolher donativos…”. “… e o que tem recebido… assim em média…?”, perguntou o condutor. “… entre 5 a 10 litros…”, foi a resposta que teve.
O comentário do jornal é que esta anedota seria muito mal recebida aqui há uns anos. E diz que Bob Hope nunca a teria metido no seu reportório. Hoje, circula na blogosfera com grande aceitação e divulgação, revelando o clima de descredibilidade em que caíram as instituições ditas democráticas.

Não transcreveria (livremente)esta anedota, e o comentário, se a “nossa democracia”, tão duramente conquistada ao fascismo, não a tivesse tornado oportuna e pertinente.
Depois da exclusão, da responsabilidade maior do PS, do Conselho de Estado do membro do PCP que nele tinha assento desde que existia essa instância, a não audição de partidos com assento parlamentar nas vésperas de reunião do Conselho Europeu, como sempre se fez até à semana passada (embora o primeiro-ministro tenha recebido, com essa finalidade, o secretário-geral do PS…), veio evidenciar o sentido da política no plano institucional. Um sentido de desmocratização… nem sequer se ouvindo quem tenha posição diferente, ainda que com significativa representação parlamentar.

Tudo a apontar para a necessidade do reforço da política ao nível das massas, da intervenção participativa que colmate a deriva autoritária (ou "austeritária"…) da face representativa, redutora da cidadania ao voto … ou até o dispensando, como o ilustram as evoluções grega e italiana. Assim se entende que 3 em 4 irlandeses queiram referendar questões orçamentais, que na Bélgica se esteja em greve geral, que o Terreiro do Paço vá encher no dia 11 de Fevereiro!

Saboreando emoções

A LONGA ESPERA

Até onde chegará a nossa
resistência?
Até onde
suportaremos nós,
homens de carne e osso,
a tortura inumana?
Até onde, pacientes,
metódicos,
secretos,
seremos capazes de levar
as nossas palavras
firmes e consoladoras?
Até onde ecoarão elas,
e em que ouvidos?
Até onde teremos de mascarar-nos,
de mentir,
de fingir?
Revolução
porque tardas?
Já escarva o chão,
pronto a investir,
o gigantesco toiro,
de baba espessa,
de olhos chispantes
e frementes músculos.
Já desabrocham cravos
no silêncio contido.
Já as ocultas labaredas
se preparam para desfraldar-se
resgatadoras,
ao vento solto.
Já as multidões,
com a sua ira,
quebram em estilhaços
o lavado cristal do dia atento.
Revolução,
porque tardas?
Desdobra, cotovia amável,
como um harmónio,
a tua alacridade,
sob o frio dos escombros.
Semeia, sol,
a luz e o calor fertilizadores
pelos campos lavrados.
Dai as mãos e anunciai,
trabalhadores de todo o mundo,
o grande recomeço.
Soldados,
quebrai com ímpeto
as vossas armas arrependidas
e pisai-as.

E tu, menino, proclama,
com a tua voz de alvorada,
para além dos teus desejos,
os teus sonhos realizados.

Armindo Rodrigues

Obrigado, Amigo,
pela intenção com que o publicaste
em cravodeabril!

Pelos caminhos da deSmocratização

Nas vésperas do Conselho Europeu. Uma novidade escandalosamente anti-democrática!
Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

Sobre a não realização
das normais reuniões institucionais
entre o Primeiro Ministro
e os partidos com assento parlamentar
em vésperas do Conselho Europeu


1 – O PCP, afirma que a informação prévia da agenda e projecto de conclusões do Conselho Europeu aos partidos políticos com assento parlamentar - independentemente do carácter formal ou informal das reuniões do Conselho - constitui uma prática consolidada ao longo dos sucessivos governos.

2 – A decisão de abdicar deste dever de informação e auscultação é tanto mais incompreensível e grave, quanto este Conselho Europeu abordará questões de relevante importância para Portugal que atingem a sua soberania nacional e colidem com a própria Constituição da República Portuguesa.

3 – A decisão do Primeiro-ministro de se reunir apenas com o Partido Socialista, constituindo um inaceitável acto de discriminação, é em si mesmo expressão indisfarçável do comprometimento que une PS, PSD e CDS na concretização do Pacto de Agressão que arrasta o país para o declínio e empobrece os trabalhadores e o povo português.

4 – O PCP não deixará de fazer ouvir a sua voz relativamente às decisões que estão previstas ser tomadas no próximo Conselho Europeu e que, pelo que é conhecido, representarão mais um gravíssimo passo na estratégia de concentração e centralização de poder económico e político no grande capital e nas principais potências europeias e no projecto de profundo retrocesso social e de ataque aos direitos dos trabalhadores na Europa, num quadro actual de profunda crise do processo de integração europeia

Domingo, Janeiro 29, 2012

Alegrias

"Quando a esmola é grande, o pobre desconfia", diz o povo e tem razão (como quase sempre, salvo quando, em vez de ordenar, se deixa ordenhar...)
Com tanta alegria junta, estou a desconfiar do que esteja para me acontecer.

A tarefa de ontem. no CT de Carnaxide correu muito bem. Pelo menos, para mim. Pelo ambiente, pelos encontros amigos, pelos rissóis, pelo que ouvi.
Também não faço má avaliação auto-crítica sobre o que disse a uma sala cheia, com duas alas. Uma, à minha frente, a que chamaria dos pais e avós, outra, à minha direita, a que chamaria de filhos e netos. Misturando-se na participação viva, animada. 
E como se não bastasse vir de lá para a Rodoviária, satisfeito, e ter feito a viagem para o cantinho do Zambujal acompanhado, por mero acaso, por uma jovem vizinha, que me falou, com entusiasmo e acerto, da sua profissão e de projectos para a "nossa terra", recebi, hoje, um mail, com o assunto "Estive em Carnaxide", em que uma camarada me diz coisas agradáveis e úteis da sessão de ontem , e junta um seu poema, que colocou na empresa onde trabalha, quando uns prémios foram distribuídos a umas chefias. Partilho-o porque, pela sua qualidade e o seu "tom" brechtiano, me deu mais uma alegria... que não quero só para mim.    

O  P R É M I O

Quem faz a estrada? o projectista
e a casa? o arquitecto
e a ponte? o engenheiro.
Quem faz a fábrica? o patrão
e a empresa? o empresário.
Quem manda? o presidente.
Quem governa? o ministro.
     E estão sós? NÃO, mas pensam que sim.

QUEM tem calos nas mãos
E os ossos dobrados ao peso da picareta
E os olhos piscos da luz intensa
E as rugas das noites de vigília
E os pulmões cheios de pó
E os pés sangrando das grandes caminhadas
E a voz rouca do sol abrasador
E a chalaça cantante das lágrimas contidas
E a presença firme na hora do perigo
E o braço estendido
E a mão aberta
E o coração pronto
para os outros que com ele fizeram esta TERRA?

Então, se aqueles não estão sós,
     porque levam o prémio que também é destes?

Obrigado, Clotilde! 

A "fidúcia" - explicação em 3 imagens



in dollar we trust?



















é preciso traduzir?!

Para este domingo - Gracias à la vida


Sábado, Janeiro 28, 2012

Campeia infrene...

Retive, de um professor que nos passou pela frente (creio que de contabilidade), a frase "campeia infrene a maio rindisciplina". Não sei se teria sido exactamente assim, mas ao longodos anos - e tantos são... - a frase foi-se moldando ao meu léxico e uso-a, quando não para outros fins para uso interno, sempre que noto alguma desorientação nas hostes, quaisquer elas sejam.
Folheio o Expresso e... campeia infrene a maior confusão por estas hostes!
Eles lá se vão safando, mas a confusão é digna de registo. 
Sobre a crise e Davos, no caderno economia, respigaria uma chusma de exemplos, a merecerem outra exclamação "ninguém se entende!", apesar do ar para leitor ler de que se estão a entender. Deixo só, a propósito de malabarismos pseudo-científicos sobre uma coisa chamada défice estrutural, que cada um calcula à sua maneira, a catalogação de "ciência oculta" por parte de "The Economist".
E ainda se deixa a recomendação do artigo habitual do Nicolau Santos, que não estou com pachorra para transcrever com excepção do título Visões e delírios económicos, em que os visionários e delirantes são o ministro das finanças e o primeiro ministro por estarem a afirmar coisas que se sabe perfeitamente que não irão acontecer. (A seguir-se o rumo em que insistem e persistem, dizemos nós...)

Isto só contado, porque visto não se acredita...

11 de Fevereiro tem de ser um dia
para ver e acreditar!

Uma espécie de concurso

Fora do meu cantinho de trabalho e vida para estes anos, por exultantes motivos - que muitas vezes me levarão a migrar -, trouxe "trabalho para fora de casa", até porque há compromissos a cumprir, como a participação, hoje â tarde, numa iniciativa em Carnaxide, no Centro de Trabalho.

A ler uma entrevista, de que não digo a data nem com quem, surgiu-me a ideia/exercício de transcrever frases e de fazer um espécie de concursos. Algum dos eventuais passantes, quer arriscar

quem foi que o disse e quando?

À pergunta sobre que pensa da previsão do primeiro-ministro (à data) de que, com os empréstimos (a "ajuda") "a nossa economia poderá reequilibrar-se dentro de quatro anos" 

frase 1 - não é assunto para me pronunciar levianamante: tenho responsabilidades como economista.
frase 2 - os empréstimos ajudam a resolver as dificuldades de pagamentos externos.
frase 3 - Ponto importante é o das consequências a médio e longo prazo.
frase 4 - Como se trata de empréstimos e não de donativos, será necessário pagar juros e os próprios capitais.
frase 5 - muitos dos empréstimos contém cláusulas impondo as compras nos países em que se aplicam no país que empresta...
frase 6 - O capitalismo tem os seus códigos de fraternidade - mas os efeitos sobre a balança de pagamentos que se está a ajudar são, por vezes, pesados.
frase 7 - numa situação precária como a portuguesa, o "banqueiro" domina o jogo, agora que está a emprestar e, depois, quando se tratar de cobrar juros e indemnizações.
frase 8 - Eles, nos EUA, na RFA, no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial (vão sendo sempre os mesmos), sabem das dificuldades e da sua provável persistênci:; seguram-se, impondo um juro político que vai da "brigada NATO" até à liberdade de movimentos das forças de direita.

Chega? Mas havia tanto mais e tão interessante! Mais algo virá com a resposta, 2ª feira, aos eventuais concorrentes.
Arrisquem, embora nada haja para petiscar...

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

OUTRA INFORMAÇÃO - o capital financeiro e a situação social nos Estados Unidos

Citado de "frase da semana" (obrigado, Jorge V):
"Nos Estados Unidos, [...] a relação entre economia e política é quase caricatural: os ricos utilizam o seu dinheiro para adquirirem mais poder e o poder para ganharem mais dinheiro"
Atlas da Globalização - Le Monde Diplomatique (2003)

Do avante! de ontem:

Enquanto a pobreza e a desigualdade alastram

Capital financeiro embolsa milhões

Os seis maiores bancos norte-americanos registaram lucros de dezenas de milhares de milhões de dólares em 2011, cenário que contrasta com o alastramento da pobreza e das desigualdades no país.
De acordo com dados divulgados por agências noticiosas, JPMorgan Chase, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Bank of America acumularam mais de 50 mil milhões de dólares em ganhos líquidos durante o ano passado, o que representa um crescimento de cerca de 10 por cento face aos resultados conjuntos anunciados em 2010.
No topo da cadeia, JP Morgan Chase, Wells Fargo e Citigroup destacam-se com cifras na ordem dos 19, 16 e 11,5 mil milhões de dólares em lucros, respectivamente.
(...)
Em contraste, (...) Dados oficiais indicam que (...) mais de 46 milhões de norte-americanos subsistem graças às senhas de alimentação. Estima-se, ainda, que menos de 20 por cento dos norte-americanos detenham 85 por cento da riqueza criada. Somente 15 por cento da riqueza vai para os trabalhadores assalariados.
Neste contexto, não é de estranhar que uma sondagem recente efectuada pela Gallup indique que metade dos norte-americanos considera a redução do fosso entre ricos e pobres «extremamente importante» ou «muito importante», e que outra pesquisa semelhante efectuada pelo Centro de Pesquisa Pew garanta que 66%das pessoas acreditam que existe um conflito «forte» ou «muito forte» entre ricos e pobres, contra apenas 47% que assim pensavam em 2009.
Recorde-se que, em 2010, o número de norte-americanos que viviam na pobreza era superior a 49 milhões, de acordo com gabinete de estatísticas dos EUA.
No território, a linha de pobreza é calculada com base num rendimento anual de 22.350 dólares por ano para uma família de quatro pessoas. O índice é criticado por não contemplar as variações no custo da habitação ou as diferenças nos preços dos géneros essenciais existentes nos vários estados da União.
Se esses factores fossem tidos em conta, em média as famílias de quatro indivíduos necessitaria de aproximadamente 40 mil dólares por ano para fazer face às necessidades básicas.

Reflexões lentas - e apropósito...

De reflexões que levam a "textos em carteira", alguns são para posterior aproveitamento público, de partilha. Há um desses textos, longo, que espera fecho e oportunidade, que tem uma introdução com um título "De imensuráveis contributos, por serem enormes, e de contributos imensuráveis, por serem minúsculos – todos únicos e insubstituíveis", de que me salta um trecho a pedir antecipada publicação (porque terá sido?...):

«(...)
Nenhum ser humano nasce comunista. Não vem no código genético.

O ser comunista pode entranhar-se no ser humano. Porque as circunstâncias o tenham provocado e os genes acolhido.
Assim pode acontecer num processo, em que o salto qualitativo pode ser um facto, um encontro, uma conversa, uma leitura. E esse salto qualitativo pode ser também a entrada para um partido com uma prática, uma base teórica, um programa, embora a coincidência não seja automática ou inevitável.
Não há uma via única nesse processo, embora haja uma que é natural, que é feita de exploração, de carne viva, sangue, sofrimento.
Mas se é certo que existe uma dinâmica social imparável, que a sucessão dos modos de produção conduziu ao aparecimento de burgueses e de proletários, pode o conhecimento e a compreensão dessa dinâmica e do aparecimento dessas classes, constituir uma outra via de se chegar a comunista, "tomando partido".
Nenhuma das duas vias é mecânica, nenhuma é fácil. (...)»

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

OUTRA INFORMAÇÃO - A Líbia o que é?, até onde Irão? (e a Siria, como será?)

Imperialismo segura petróleo no meio do caos


Militares dos EUA ocupam Líbia

Doze mil soldados norte-americanos chegaram à Líbia consumando o domínio do país pelo imperialismo. A ocupação ocorre quando o território está mergulhado em conflitos entre facções do CNT, e um grupo armado supostamente leal ao antigo regime tomou de assalto a cidade de Bani Waled.

(...)

avante!

Brevíssima - a promiscuidade e as clientelas partidárias

Fazer viagens (de "expresso" e por excelentes motivos...) a ler jornais que não se compram na aldeia, pode completar a "informação" audio-visual que nos invade a casa. E comprovar, por vezes com surpreendente surpresa a luta das clientelas partidárias e a promiscuidade entre uma certa maneira de fazer política e o "mundo dos negócios".

Chega a doer!

Chega a doer que se dê crédito a quem diga que "Portugal está a caminho".

Está a caminho de quê o País que já era dos mais desiguais socialmente do "clube OCDE", segundo alguns critérios só discutindo a "lanterna vermelha" com os Estados Unidos, e está a tomar medidas que só podem agravar as desigualdades?
Está a caminho de quê o País em que o desemprego cresce estatística a estatística publicada e, muito mais importante, família a família?
Está a caminho de quê o País que, à podoa, vê ser destruido o seu Serviço Nacional de Saúde, que era dos seus "emblemas", que estava a precisar de ser acompanhado para impedir desperdícios e falcatruas e que, em vez disso, se quer troca por um sistema que aproveite o negócio da doença e "elimine" os custos com os que não podem pagar, como quem sentencia à morte velhos e doentes sem posses?
Está a caminho de quê o País em que os que se endividaram, pessoalmente ou para criarem pequenas empresas, aliciados pelo crédito fácil e barato, negócio dos bancos, se vêem hoje em situações desesperadas ?
...
Por aqui nos ficamos

Este País só pode estar a caminho de muita luta que imponha, ao País, um outro rumo.
Este País tem de deixar de dar ouvidos aos que querem que o caminho do País seja o mesmo que aqui o trouxe, mudando caras, vestimentas, ou com meras cosméticas que só agravarão as situações sociais. Do Povo. 

Ex-citações - O regresso de Nicky Florentino


Na mesma situação. Há muita coisa em que não dá o sebo para a mecha. Daí que não espante que o cúmulo de rendas do senhor prof. doutor Aníbal António Cavaco Silva, contando apenas as - quantas? - que lhe são garantidas pela fazenda pública, não chegue para as despesas decorrentes da vida espartana que declarou levar. Consta que a criatura é experta em finanças públicas. Sabe-se o que significa. Uma ilustração. Em julho de dois mil e dez declarou não valer a pena recriminar as agências de notação financeira norte-americanas. Em julho de dois mil e onze declarou que as mesmas eram uma ameaça à estabilidade europeia e tal. Em janeiro de dois mil e doze declarou surpresa pelo mais de um quarteirão de líderes da união europeia amochar diante das agências referidas. Como atestado, o senhor prof. doutor Aníbal António Cavaco Silva está sempre em pé desde há muito tempo. O que, admita-se, talvez lhe custe mais do que o que consegue arrecadar. Nicky Florentino.

aguarela © Georg Grosz, Unemployed, 1934

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Renegociar? Quanto mais tarde e menos soberanamente, pior!

Notícia no Económico:

Dívida
Risco de Portugal em máximo com rumor de novo resgate

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Seguro contra a bancarrota de Portugal
já custa mais de 1,3 milhões de euros por ano,
 [por cada 10 milhões (13%!)] 

O preço dos credit default swaps (CDS) sobre Obrigações do Tesouro (OT) de Portugal a cinco anos, que funcionam como uma espécie de seguro que os investidores pagam para se protegerem de um cenário de incumprimento por parte de um país, está hoje a aumentar 22 pontos para 1.309 pontos, um máximo da era euro. Além disso, é a maior subida no mundo, segundo o monitor da Bloomberg, que analisa 59 países. Isto significa que é necessário pagar 1,309 milhões de euros por ano para segurar 10 milhões de euros de dívida soberana portuguesa.
Ontem, o Wall Street Journal colocou Portugal na mira dos mercados. Invocando a associação de credores que está a negociar a reestruturação grega, o diário norte-americano escreveu que "investidores, economistas e políticos estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de Portugal vir a precisar de um segundo pacote de ajuda e que não será capaz de regressar aos mercados em 2013". Em reacção, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu que Portugal não vai pedir um novo fundo de resgate à ‘troika'. Os mercados estão, contudo, a dar mais crédito à notícia do WSJ.
Mas não é só o valor dos CDS lusitanos que se agrava no dia de hoje. As 'yields' (rendimentos) das OT da República sobem em todos os prazos. A taxa a dez anos, por exemplo, avança até aos 14,604%. Pelo mesmo caminho seguem as ‘yields' das obrigações de Espanha, Itália e França, perante a falta de entendimento em relação aos termos da reestruturação grega. Os credores privados exigem um valor médio no cupão das novas obrigações gregas de 4%, mas os ministros das Finanças da zona euro só aceitam pagar 3,5%. Além disso, os credores, representados no IIF (o Instituto Internacional de Finança), querem que não apenas parte da dívida privada seja perdoada mas também a dívida detida pelo FMI e bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu (BCE), algo que tem estado protegido pelo estatuto preferencial.

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Só negócios!
Só dinheiro (falso) a "produzir" dinheiro (falso)!
A crescer e a multiplicar-se desvairadamente.
Valha-nos S. Tomás de Aquino, perdão,
valham-nos as massas que são gente!

Que título? Escândalo, desumanidade, crime organizado, genocídio?

Hoje, na Assembleia da República:

Serviços mínimos...

Há 100 anos, quando os trabalhadores dos eléctricos faziam greve, também havia serviços mínimos.
Os "chora". Os "fura-greve" é que deviam puxar!

No Terreiro do Paço, em Janeiro de 1912

A luta continua!
a 11 de Fevereiro de 2012
... nem que seja de "chora!

Uma entrevista para ser lida, relida e reflectida - 3


Ao chamar-se a atenção para esta entrevista, cumpre-se uma tarefa. Não só militante. Também informativa.

Se o primeiro grande título é o de que "A alternativa nascerá da luta de massas", releva-se ainda mais esta afirmação com um trecho da entrevista em que Jerónimo de Sousa diz "Esse é o grande desafio que está colocado. Há quem ache exagerado, mas não é, quando colocamos o desenvolvimento da luta de massas como o factor determinante que pode ajudar à criação de condições para os objectivos que nos propomos. Bem podemos participar valorativamente no quadro institucional, bem podemos fazer reflexão em tese sobre estas magnas questões, que aquilo que é fundamental é o desenvolvimento, a intensificação e a multiplicação da luta de massas."

Outro tema para que a entrevista - e Jerónimo de Sousa - chama a atenção, de forma particularmente forte, é para a realização do Congresso. Cuja preparação, sublinha, não pode ser secundarizada.
É que, tendo os congressos do PCP três fases - preparação, discussão e realização -, nelas se procura sempre envolver o maior número possível de militantes, bem ao contrário dos congressos dos outros partidos em que os militantes apenas contam - tal como os cidadãos - para votarem moções ou líderes.
Jerónimo de Sousa sublinha que o Partido "não suspenderá as tarefas e lutas que estão em curso. Ou seja, não fechamos para Congresso mas também não podemos subestimar ou secundarizar a preparação e a discussão congressual e o envolvimento do nosso colectivo partidário."
Assim o tem sido sempre e, para mais, a realização em 30 de Novembro e 1 e 2 de Dezembro irá cair num momento em que a luta estará mais acesa, e a sua preparação e discussão acompanhará um período em que se sentirão intensamente as consequências da aplicação do pacto de agressão com toda a sua gravidade na realidade política, económica e social da sociedade portuguesa. 

Uma entrevista para ler, reler e ser reflectida - 2








Está quase a fazer uma semana, ficou aqui um "post" sobre a entrevista de Jerónimo de Sousa no avante!.
Tinha-se, então, a intenção de, acompanhando a leitura atenta, ir deixando uns comentários e chamadas de atenção sobre a entrevista. Bem justificada intenção... mas o tempo foi correndo, os dias sucedendo-se, e se a leitura (e releitura) comprovavam a sua justeza, ela ficou por cumprir. Até hoje... véspera de saída do avante! seguinte.
Em jeito de recuperação, neste "post" referem-se, como sublinhado, os grandes títulos, e deixar-se-á uma breve observação; num próximo "post", relevar-se-ão dois pontos que se consideram essenciais e que a entrevista coloca em destaque.

Títulos :
  • A alternativa nascerá da luta de massas
  • PCP foi o primeiro a propor esta solução - Renegociar a dívida antes que seja tarde
  • Permanecer ou sair do euro? - Há que fazer as contas ao que Portugal perdeu
  • O que parece eterno pode ser transformado
  • O Partido tem um prestígio imenso
  • XIX Congresso marcado para 30 de Novembro e 1 e 2 de Dezembro - Não podemos secundarizar a preparação do Congresso
Este "índice" é, com grande abertura e franqueza, largamente tratado por Jerónimo de Sousa. É um retrato do Partido. Que desfaz, mais uma vez e com enorme acerto, muitas perversas "caricaturas".
Não esgota nenhum tema, mas trata-os todos com verdade e sentido de classe e patriótico.
Cada um terá a sua "leitura". Do que está e do que não está, porque 8 páginas são espaço estreito para a quantidade e importância dos temas.
Pelo nosso lado, gostaríamos de ter lido comentários mais aprofundados à situação internacional e referência à base teórica sobre que assenta o Partido, que estando implícita em toda a entrevista, não a tem explícita, mormente quando se fala na formação dos militantes, justamente considerada como questão importantíssima.