ACORDAI! José Gomes Ferreira/Fernando Lopes Graça

Loading...

Quarta-feira, Junho 19, 2013

Quem é quem? E quem é que se autoriza a perguntar quem é quem?

Andam por aí uns jovens (de "cartão de cidadão"...) que, francamente, me causam repulsa e preocupam. São os obsoletos liberalões que se maquilharam de liberalíssimos, e se enfarpelam de modernismo intelectualoide
Escrevem "expressamente" e peroram onde são sempre bem-vindos, porque isto de haver esquerda e direita tem de ser remetido para o passado, e há que lançar nuvens de fumo para tapar a evidente luta de classes.
Entre os que mais avultam nessa fauna há um tal Henrique Raposo, em que se tropeça em cada revista ou página de... cultura (talvez com k). Teve, agora, uma resposta que bem merece, ao perguntar, irónica e acintosamente, quem é Mário Nogueira.
Com muito gosto (e gozo) a reproduzo: 


A MODO E A DESTEMPO 
(Com um agradecimento 
ao senhor Henrique Raposo)

Não vou perguntar quem é Henrique Raposo, simplesmente porque não me interessa conhecer quem, à falta de argumentos políticos, se dedica a ataques pessoais. Mas quero esclarecer o senhor Raposo, em primeiro lugar a propósito da pergunta que faz: quem sou eu; depois, sobre uma questão que, para ser compreendida, obriga a perceber o que é a democracia... mas tentar não custa.

Admitindo que não lhe interesse saber onde nasci, a minha filiação, as minhas habilitações académicas, a minha ficha clínica ou o nome do meu gato, limitar-me-ei a esclarecê-lo sobre três coisas:

1) A minha presença na atividade sindical decorre de processos eleitorais legais e democráticos, sendo que o cargo de Secretário-geral da FENPROF é por mim exercido há apenas dois mandatos. Iniciei o terceiro há pouco mais de um mês, na sequência de um Congresso Nacional que elegeu a direção da FENPROF. Dos 650 delegados presentes, 500 foram eleitos nas escolas pelos professores sindicalizados, tendo sido inequívoca a votação que elegeu esta direção.

2) A lei sindical a que a FENPROF e os seus dirigentes se sujeitam não é exclusiva para nós. É a mesma que se aplica a outras organizações respeitáveis como, no caso da Educação, a FNE, ou, num âmbito mais geral, as confederações sindicais CGTP e UGT;

3) A avaliação a que me sujeitei não se me dirige em particular. É a mesma que se aplica a todos os que, não estando na escola por desempenharem cargos fora dela, têm, contudo, de ser avaliados. Chama-se "ponderação curricular" e aplica-se aos dirigentes sindicais, aos deputados, aos membros do governo, aos autarcas, presidentes de câmara ou vereadores a tempo inteiro, e a outros docentes que em âmbitos diversos, exercem atividade fora da escola.

Feita a explicação, perguntar-se-á: pensaria Henrique Raposo que o país tinha uma lei especial para a FENPROF e, em particular, o seu Secretário-geral? Não parecendo ser assim, cabe então perguntar: por que não escolheu outro dirigente sindical, de outra organização, por exemplo, ou um deputado (há muitos que são professores), ou um presidente de câmara, ou um membro do atual governo ou até um dos seus muitos assessores que são professores?

A pergunta é retórica, claro, porque a resposta é óbvia: não lhe interessava. Em primeiro lugar porque, provavelmente, para si, a democracia só tem um lado, o do poder; depois, porque mesmo no que, eventualmente, considerará o lado oculto da democracia, eram a FENPROF e o seu Secretário-geral que pretendia atingir. Saiba o senhor Raposo que, sendo o ataque feito de forma tão pouco inteligente que deixa a nu o propósito, o que procurava ser um insulto acaba por ser deferência. A precisão da escolha significa que a FENPROF está a chegar onde era pretendido, pelo que, desorientados, os que se sentem atingidos deixam de reagir politicamente para desferirem ataques pessoais. São ótimos esses sinais e dão-nos ainda mais força para continuarmos. Fica, por isso, o agradecimento.



Ler mais (quem quiser): http://expresso.sapo.pt/mario-nogueira-responde-a-henrique-raposo=f814731#ixzz2WfsDaWE3

Ora toma!
Tau!, tau!
E hoje não tens sobremesa, ó Raposo!  

OUTRA INFORMAÇÃO - para ajudar a melhor perceber

de vermelho:

19 de Junho de 2013 

As ruas fazem soar o alarme 

para o PT e o governo

Um fantasma ronda o mundo petista. O da perplexidade. 
Apesar das importantes conquistas dos últimos dez anos e das pesquisas eleitorais favoráveis, a onda de protestos abala o principal partido da esquerda brasileira e aproxima-se do governo federal. 
Com o prefeito de São Paulo na berlinda e multidões de jovens nas ruas, tudo o que era sólido parece se desmanchar no ar.

Por Breno Altman*, no Brasil 247


Muitos se perguntam o porquê de tanta ira depois de uma década na qual a pobreza diminuiu, a renda foi melhor distribuída e chegou-se praticamente ao pleno emprego. É verdade que as manifestações estão gravitando, por ora, ao redor de uma agenda local. A revolta juvenil exige principalmente menores tarifas de transporte e direito de manifestação, contrapondo-se à violência das polícias estaduais. Somente um autista político, no entanto, deixaria de perceber que uma nova situação se instaurou no país.

Alguns petistas, estarrecidos, não hesitaram em vislumbrar, balançando o berço dos protestos, a mão peluda da direita, arrastando junto os infantes da ultraesquerda. Mas a narrativa conspiratória não resistiu aos fatos. Os centros de poder do conservadorismo – especialmente os veículos tradicionais de comunicação e o governo paulista – desencadearam reação feroz contra a mobilização, que desaguou na repressão implacável da última quinta-feira.

A truculência policial serviu de condimento para a escalada de protestos e sua nacionalização. A defesa de um direito democrático fundamental, diante da qual vacilaram, nos primeiros momentos, tanto o ministro da Justiça quanto o prefeito paulistano, foi assumida com energia e radicalidade pela juventude das grandes metrópoles. Partidos e governos da direita foram os responsáveis pela escalada repressiva, mas tiveram a seu favor a tibieza de setores da esquerda surpreendidos com fenômenos alheios a suas planilhas.

Parte do estado-maior reacionário refez suas contas, emparelhando discurso para disputar a rebelião e voltá-la contra o governo federal, provisoriamente arquivando a opção da violência. Até o momento, colheram um rotundo fracasso. Não apenas as manifestações e lideranças resistiram a abraçar suas bandeiras como foram frequentes cartazes e palavras de ordem contra o governador Alckmin e a própria imprensa, especialmente a Rede Globo.

Mesmo os alvos escolhidos pelos segmentos mais radicalizados – o Palácio dos Bandeirantes em São Paulo, a Assembléia Legislativa no Rio, o Congresso Nacional em Brasília – demonstram que os jovens não estão nas ruas a serviço da restauração antipetista. Tampouco parecem se sentir representados e incluídos, porém, no processo impulsionado a partir da vitória de Lula em 2002.

A imensa maioria dos manifestantes tinha abaixo de 25 anos, formada por filhos das camadas médias e também dos bairros periféricos. A julgar por suas palavras de ordem, cartazes e bandeiras, não estão contra as reformas empreendidas desde 2003. Mas querem mais, melhor e rápido.

Ninguém levantou a voz para criticar o bolsa-família, o crédito consignado ou o Prouni. Nenhuma faixa foi erguida para defender privatizações e outras políticas favoráveis aos interesses de mercado. Poucos eram os manifestantes que carregavam cartolinas contra o “mensalão” e a corrupção. A luta é pela ampliação de direitos políticos e sociais, demanda encarnada pela exigência de barateamento do transporte público.

Mas cansaram de esperar que estes avanços sejam patrocinados por governos e partidos, mesmo os de esquerda. Não parecem satisfeitos com a timidez e a lentidão para realizar novas reformas, mais audazes, que acelerem a melhoria de suas condições de vida. E resolveram, como ocorre em determinados momentos históricos, tomar a construção do futuro em suas próprias mãos.

A rejeição à presença de bandeiras partidárias pode ser analisada pela ótica corriqueira, como rechaço a instrumentos de organização coletiva ou despolitização. Mas também caberia ser compreendida, ao lado de outros ingredientes, como simbolismo de quem, avesso às correntes conservadoras ou ao aparelhismo de pequenos grupos, não se sente cativado ou vocalizado no projeto liderado pelo PT.

Provavelmente não se trata apenas de uma questão econômico-social, mas igualmente política. Uma parte da sociedade, mesmo com inclinação progressista, dá sinais de fadiga com a estratégia de mudanças sem rupturas. Há crescente mal-estar com uma equação de governabilidade que preserva as velhas instituições, depende de alianças com fatias da própria oligarquia para formar maioria parlamentar, abdica da disputa de valores e renuncia à mobilização social como método de pressão.

Antes esse cansaço se restringia a pequenos círculos de militantes mais enfezados. Afinal, muito pode ser feito mesmo sem reformas estruturais, a partir da reorientação do orçamento nacional, integrando dezenas de milhões à cidadania e ampliando conquistas sociais. O fato é que esse cenário pode ter atingido seu teto. E as ruas começam a gritar.

O movimento não é contra o PT, mas coloca a estratégia do partido e do governo em xeque. Há uma exigência de protagonismo popular e juvenil, explicitada nos últimos dias. A direção partidária e o Palácio do Planalto estão dispostos a considerar essa mobilização um fator de poder e refazer suas conexões com estes movimentos, impulsionando sua ascensão para construir forças rumo a uma nova geração de reformas?

Esta e outras perguntas estão embutidas no alarme que a revolta do vinagre fez soar. Diante do clamor, o petismo pode retificar sua estratégia e repactuar com a rebelião das ruas para aprofundar e acelerar reformas de base. Ou pagar o preço próprio das situações onde a esquerda e as ruas se divorciam.


* Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel

Eppur si muove!

Recebemos um mail que pede para ser partilhado. 
Com todo o gosto tal é feito:

OS 4 MIL MILHÕES DO FMI, 

ESTÃO AQUI NA GALILEI!!!


O FMI aponta como caminho para os 4 mil milhões novos cortes inteligentes. Mas existem alternativas.

Uma delas é ir directamente ao espólio da Galilei.

A Galilei Grupo é o novo nome da antiga Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e a SLN era a detentora do BPN, os tais amigos não-presos.


O BPN que faliu e ofereceu aos contribuintes portugueses um buraco de 9 mil milhões. Mas a GALILEI existe, funciona tem dinheiro e é uma das empresas portuguesas mais ricas em PATRIMÓNIO.


Tudo isso deve voltar para as mãos do Estado!


Os contribuintes têm o direito de exigir!


Partilhem!!!

Reflexão lenta vinda madrugada

As parcelas e a soma

Viver com os outros é conviver com outros, sendo cada um de nós e cada um dos outros com que convivemos uma parcela de uma soma que é o que nós somos.
Dir-se-á que La Palisse não diria melhor, mas já este monsieur não diria tanto se se começar a meter o tempo (da História) na história. Isto é, se a reflexão se continuar e, como reflexão, avançar dizendo que para essa soma contribuem as parcelas já vividas antes, desde sempre, ao longo de séculos e milénios.
As massas não são o que somos hoje, as parcelas coevas, mas são também os que foram, todos os de antes de nós.
E assim é quanto ao espaço
As massas não somos apenas os que somos aqui, no nosso canto – por mais que o alarguemos, da aldeia ou rua ao país ou continente – mas igualmente as parcelas de outros espaços que não os da nossa rua ou aldeia, país ou continente.
Como o são, acrescentariam alguns, as parcelas de todas as raças e de qualquer civilização.
Sim, e esta é a conclusão da breve reflexão, porque se acredito (será o verbo adequado) nas massas, já não me merecem confiança incondicional as parcelas que as formam, de hoje e de sempre, daqui e de todo o mundo (e de ninguém...),  uma a uma (um a um). Por muito que confie nelas enquanto parcelas de uma soma que é o que elas são mas que lhes é diferente. Qualitativamente.

Nada  fácil?
Pois (não) é!
Mas quando um homem se põe a pensar 
sobre o que vive e como convive...
E há outra maneira?

Terça-feira, Junho 18, 2013

Professores, exames, e aquilo que a falta de vergonha leva um mini stro a fazer e a dizer...

Com tanto - mas tanto!... - para dizer, aproveite-se o que nos parece mais importante que fique guardado... por agora:

27 de Junho


Segunda-feira, Junho 17, 2013

Notícias sobre a hora

destaques do sapo:

Fenprof para Nuno Crato.

  “O melhor é arrumar as coisas e pôr-se a andar"

Mário Nogueira acusa o Ministério da Educação de irresponsabilidade

  • Áudio Mário Nogueira indica 90% de adesão à greve

  • Vídeo Aluna questiona Mário Nogueira. "Somos inocentes nesta guerra"

  • Áudio Mário Nogueira pede demissão de Nuno Crato
São vários os cenários nas escolas onde estão marcados os primeiros exames nacionais. 
Fenprof fala em 90% de adesão. 
Em Lisboa, no Liceu Camões, apenas 100 alunos devem realizar a prova de Português. 
No Porto, na escola Alexandre Herculano, o exame decorre com regularidade.

Um governo de amuos e retaliações!

No cumprimento da estratégia que lhe foi imposta, além da obediência servil ao exterior e do excesso de zelo e da indiferentça perante as leis do País, a começar pela lei-mestra da Constituição a que está obrigado, este governo é, psicossomaticamente, de amuos e de retaliações.
A sua reacção às decisões do Tribunal Constitucional é sintomática. Com os trabalhadores e os pensionistas como as vítimas do costume.
Este trabalho, publicado no Económico, ilustra-o, sendo, do ponto de vista informativo, muito útil. Mas sublinha-se o aspecto institucional do executivo actuar, retaliando relativamente ao Tribunal Constitucional, no desprezo pela Assembleia da República e pelo Presidente da República.


A proposta de lei do Governo que regula a forma de reposição dos subsídios de férias aos funcionários públicos e pensionistas ainda está no Parlamento. Mas o Executivo já deu ordens aos serviços públicos para processarem os subsídios de acordo com o futuro diploma.

Como será reposto o subsídio de férias à Função Pública e aos pensionistas?

Denise Fernandes  
17/06/13 


O acerto nas tabelas de retenção na fonte será feito no final do ano.
A proposta de lei do Governo que regula a forma de reposição dos subsídios de férias aos funcionários públicos e pensionistas ainda está no Parlamento. Mas o Executivo já deu ordens aos serviços públicos para processarem os subsídios de acordo com o futuro diploma, tal como avançou o Diário Económico na semana passada. Saiba como serão então pagos os subsídios de férias.
1 - Até 600 euros
Para os funcionários públicos e pensionistas com salário ou pensão até 600 euros, não há alterações face a anos anteriores. Ou seja, os funcionários recebem o subsídio por inteiro em Junho e os pensionistas também recebem na íntegra, mas em em Julho.
2 - Entre 600 e 1.100 euros
As coisas mudam de figura para quem ganha entre 600 e 1.100 euros brutos. Os funcionários públicos recebem uma parte do subsídio de férias em Junho e o restante em Novembro. Na prática, o subsídio será pago em Junho, mas com os cortes progressivos que estavam previstos no Orçamento do Estado. O restante será pago então no final do ano, com os acertos de contas de IRS. Também para os pensionistas com reformas entre 600 e 1.100 euros, a ideia é a mesma: recebem parte do subsídio em Julho e o restante em Novembro, se forem da Caixa Geral de Aposentações, ou em Dezembro, se for da Segurança Social.
3 - Acima de 1.100 euros
Os funcionários públicos e os pensionistas que ganham acima de 1.100 euros têm outras regras. No caso da função pública, o subsídio será pago, na íntegra, só em Novembro, ou seja, não recebem nada em Junho. No caso dos pensionistas, será pago 10% do subsídio em Julho e 90% em Novembro (CGA) ou Dezembro (Segurança Social).
4 - Subsídio de natal
O subsídio de Natal está já a ser pago em duodécimos desde Janeiro para todos os funcionários públicos e pensionistas.
5 - Sector privado
No sector privado, os trabalhadores puderam escolher se queriam receber metade de cada subsídio em duodécimos ou por inteiro na altura habitual.
6 - Junho obrigatório
Apesar de já ter sido dada ordem para processar os subsídios de acordo com a nova lei (que ainda não entrou em vigor), o constitucionalista Tiago Duarte considera que, até que entre em vigor, o que tem de ser aplicado é a norma do Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas. Esta norma obrigaria os serviços a pagarem os subsídios de férias em Junho a todos os trabalhadores do Estado, independentemente do valor da remuneração.
7 - Cavaco tem de ser rápido na promulgação
Para que o subsídio não seja pago de forma ilegal - com base numa lei que não entrou em vigor - o Presidente da República, Cavaco Silva, terá de ser rápido a promulgar a lei, depois da votação no Parlamento. O Presidente da República vai ficar com dez dias para aprovar a lei que repõe o pagamento dos subsídios de férias aos funcionários públicos e pensionistas, ou seja, metade do tempo a que tem direito.
______________________________

Fora com um governo fora da lei!

Domingo, Junho 16, 2013

Para este domingo





enquanto se preparam outras coisas...
que nos vão trazer - aqui à terra... e num domingo - 
o Fausto e a Joana, o Carlos e o Manelito
(o João Queirós e o Carlos do Carmo ficam para outra altura)

Sábado, Junho 15, 2013

Registo indispensável!

Apesar de... do cansaço, não resisto a registar - aqui! - esta intervenção parlamentar.



Boa, Bruno!

Quinta-feira, Junho 13, 2013

Registo de "dias de agora"

13.06.2013

Ao fim do dia, uma reflexão a partir do discurso e estadia de Cavaco Silva no Parlamento Europeu.

&-----&-----&

Isto porque ainda um dia destes, numa reunião, levantei esta questão do FMI, depois de algumas últimas posições que técnicos desta instituição tomaram.

&-----&-----&
Não será que, na inevitável transformação do capitalismo – e até onde possa mudar sem alterar as relações sociais a que desesperadamente se agarra –, este terá de acolher uma mudança no FMI, criado há quase 70 anos, quando havia uma União Soviética e massas ganhadoras da guerra, e o mundo (imperialista) se repartia por hegemonias imperiais capitalistas?
&-----&-----&
Depois da sua criação, esse tal FMI veio a ter papel de relevo no controle (económico) das descolonizações (políticas), mas o "estado do mundo” alterou-se imenso.
&-----&-----&
Já se passou por “mundo capitalista”, “mundo socialista” e "não-alinhados", já se passou do GATT ao OMC, e eclodiu o “mundo socialista" enquanto Estados, a globalização e ausência de inimigo no plano inter-nacional obrigou o capitalismo a “inventar” e a formatar “inimigos”, há países emergentes a crescer enquanto se passou pela inflação-desemprego para a stagnaflação e agora as estatísticas (apesar da sua pouca credibilidade) apontam para desemprego e deflação, se “descontruiu” o sistema monetário internacional e se instalou o capital na forma de dinheiro fictício e creditício e a especulação explode.
&-----&-----&
Serão poucas as muitas palavras, mas estou a resumir.
&-----&-----&
E não digo mais, por hoje e por aqui, mas queria deixar imediato registo após as “cavacadas” filo-“europeias” e céptico(senão anti)-FMI, ignorando em absoluto o novo quadro internacional.
&-----&-----&
Em que o Brasil entrou em jogo, assim como a Índia e a África do Sul, que eram colónias, e a China que estava “fora de jogo” e a Rússia que já estava noutro jogo, de que regressou, e também querem “dar cartas” e têm muitos trunfos.
&-----&-----&
Fica este começo de registo.
&-----&-----&

Aqui e – porque não? – também no anónimo.
A semana que passou... passou sem 5ª feira. Sem 5ª feira na 5ª feira, isto é, sem avante no dia próprio. Esta vida!...
E hoje ia pelo memso caminho, o que representaria (para mim!) um sinal grave. Mas, vamos lá a recuperar, começando por repor uma parte da capa de 06.06. 2013 (que bem merece!):

e retomar o que não queremos que falte neste cantinho, às 5ªs.:



Um dia especial num calendário especial

do efémero e do perene:

Num calendário de secretária especial (oferta muito amiga, obrigado GR), para que foi escolhida (obrigado, GR) uma fotografia com uma pessoa e um gesto especiais, tirada num local que foi especial, um  dia assinalado como especial, aniversário do João (as outras "sinalizações" são as idas à Universidade Popular do Porto para o curso de introdução à Economia Política). 
                       

tudo isto a valer como efeméride... especial;
e haveria mais coisas para este dia,
mas ficam para daqui a uns meses
e/ou anos!

Quarta-feira, Junho 12, 2013

Coisas dos "dias de agora"

(...)
&-----&-----&

Mas há mais, até porque o Nicolau Santos, o Sousa Tavares, toda essa maralha que não tem genes vindos de 1933, está a dar voltas aos pregos, embora não tenham descoberto – nem descobrirão… – que os pregos têm um bico e um sítio onde martelar.

&-----&-----&

Entretanto, saiu-me isto:

O pai de Vitor Gaspar, Victor Rabaça Gaspar, foi meu colega. No ISCEF. Não convivemos muito ele era um bocado bisonho quanto eu exageraria no risonho...), mas eram urbanas as relações. Se calhar, cruzei-me com o puto nalgum festivo encontro de antigos alunos…

&-----&-----&

Da mãe, que também é tia do Francisco Louçã, não escrevo... bem lhe basta o filho e o sobrinho que lhe calharam em sorte (ou em azar), coitada da senhora!

&-----&-----&

Cavaco Silva – outro, ou “o melhor”… à compita com o Soares e o constante Constâncio – entrou para o ISCEF quando eu saía da escola, embora a continuasse a frequentar (sobretudo para os “amigáveis”, antepassados do moderno futsal), e não foi meu aluno porque só me eram permitidas essas actividades lúdicas porque as docentes só depois de 1976, e por convite e insistência de alunos. Disso me orgulho.

&-----&-----&

Mas já achei curioso, como dirigente do CDUL assinar o cartão de um aluno da minha escola que, pernilongo, tinha potencialidades (não concretizadas porque se dedicou a outras "corridas") nos 110 metros barreiras, de seu nome Aníbal e apelidos Cavaco e Silva.

&-----&-----&

Do que a gente se lembra! E nada se orgulha, nem incluiria em qualquer currículo ou nalguma biografia.

(...)

Depois de ler uma crónica - Plumas e sinais caprichosos nas leituras do tempo este

Se alguém etiqueta de psicopata outrém que nós consideramos psicopata, isso não torna esse alguém um dos nossos. Há muitas maneiras de ver a psicopatia do outros. Além da científica, claro...
Mas o facto é que essa etiqueta nos levou a ler. Assim a modos de "vamos lá a ver como este alguém, de que leituras anteriores nos afastam, chegou à psicopatia... - e a qual... - do tal outrém", que,  logo se viu quem era e que, segundo nossa avaliação, é psicopata.
E tem-se uma surpresa. Agradável. 
Noutra linguagem, ou terminologia, por outros caminhos embora alguns os mesmos - sobretudo o que se cruzam com gente viva a sofrer da psicopatia por nós diagnosticada - encontramos razões que são as nossas, uma psicopatia do tipo da que faz do outrém   um sujeito... psicopata.

A crónica é de Clara Ferreira Alves,
tem o título Psicopata,
veio publicada na revista do Expresso,
e o "paciente" é um tal Gaspar!

Uma entrevista que vale a pena ler (em Diário Liberdade - Galiza)

Novas da Galiza - Entrevista completa a Manuel Rocha, histórico membro da banda portuguesa Brigada Victor Jara, realizada por Ana Paz para o Novas da Galiza.


Uma versão resumida desta entrevista foi publicada no número 96 do Novas da Galiza. Aqui apresentamos a versão integral.
261210_rocha











Manuel Vaz Pires da Rocha. Nasceu em Coimbra (Portugal) no ano de 1962. Desde 1977, nunca mais abandonou os Brigada Victor Jara. Formou-se em Violino na antiga URSS. O seu nome tem surgido ao longo dos anos nas listas da Coligação Democrática Unitária (CDU), que funde o Partido Comunista Português (PCP), de que é um membro destacado, com o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV). Professor de violino, assume ainda a direcção do Conservatório de Música Coimbra. Acrescentaria algo ao seu cartão de cidadão do mundo?
Operário da música às vezes, animador de sessões para crianças quando se trata de viajar pelos significados da música (sem paternalismos, guia apenas). Estreei-me com a Brigada num disco que nunca chegou a sair, com canções da Guerra Civil Espanhola. E com a Brigada o primeiro foi o Tamborileiro. Entrei no grupo em 1977, durante os espectáculos de apresentação do Eito Fora.
NdGz - Isso não vem na biografia oficial; mas afinal entrou em 1977?
Em 1977, sim. Tinha 14 anos, estava de regresso das campanhas de alfabetização do Movimento Alfa, e um músico da Brigada ouviu-me tocar numa festa para crianças, numa Comissão de Moradores (foi há tanto tempo!). Precisavam de um violino e os ditos não abundavam, na época.
NdGz - E daí foi um pequeno passo até à antiga URSS?
Entrei na Brigada e logo em Abril de 1978 o grupo foi convidado a apresentar-se na URSS. Mas confesso que não morri de amores pelo socialismo real, no meu primeiro encontro com o país de Lenine. A imagem da URSS era muito idealizada, na época. E o país pareceu-me muito estranho, com cartazes dos dirigentes do PCUS por todo o lado. Ora eu já era militante de um partido que recusava o culto da personalidade. Mas, na altura, não estava nos meus horizontes vir a viver naqueles lados. Fui parar à URSS por causa de uma namorada. Achou que a vida em Coimbra era muito insuficiente (e era) e "obrigou-me" a pedir uma bolsa para ir estudar para "fora". Na altura, estava em Coimbra um casal de velhos dirigentes comunistas, a Sofia Ferreira e o António Santo. Subi ao Centro de Trabalho e perguntei ao Santo se havia possibilidade de pedir uma bolsa para ir estudar para um país socialista. Disse-me que iria averiguar e passados dois meses o meu pai apareceu no Vale de Rossim, onde eu estava acampado com outra namorada (gabarolanço lusitano) e disse-me: "o Santo ligou lá p'ra casa. Partes para Moscovo na próxima quarta-feira". E fui.
NdGz - Com 14 anos andava nas campanhas de alfabetização.
Foi duro. Fiquei colocado em Malpica do Tejo, distrito de Castelo Branco.
NdGz - Começou então muito cedo a experiência de uma atitude social independente das iniciativas do Estado.
Durante o dia trabalhávamos na cooperativa Camponês Livre e à noite alfabetizávamos os camponeses na escola primária.
NdGz - ... e essa atitude ainda hoje a mantém. Conte lá.
Mas hoje é diferente. Na altura vivia-se um ambiente de resistência à investida da direita, na sequência da queda do 5º governo provisório e do 25 de Novembro.
Mas havia, ainda, focos de resistência. As cooperativas ainda eram territórios de "construção do socialismo". Era trabalho militante, portanto. Mas sem ser partidariamente enquadrado. Usávamos o método  do pedagogo brasileiro Paulo Freire. A primeira palavra escrita que ensinávamos era LUTA. Mas a primeira coisa que as pessoas queriam aprender era a escrever o seu nome (a assinatura nos cheques, nas folhas oficiais era um sinal de recusa do analfabetismo). Foi a experiência mais importante da minha juvenil existência. Sou neto de camponeses, mas essa era uma realidade meio afectiva, meio romanceada. Viver ali foi realmente marcante. Tanto, que cheguei a querer desistir - disse-o por carta ao meu pai. Na volta do correio recebi um discurso ideológico-amoroso que me exortava à aprendizagem da vida onde quer que ela me acontecesse.
NdGz - É dessa confluência que surge o ecologismo? Que anda a fazer agora em Coimbra e arredores pela cultura local?
O ecologismo decorre das vivências em meio familiar. Tinhamos pouco dinheiro e vivia-se muito no meio da natureza. No Verão ia-se ao rio e quando começou a chegar a poluição de modo visível, o sentido ecológico era uma reacção natural de sobrevivência. Faço pouco pela cultura local, no sentido "antropológico" do termo.
NdGz -É verdade, nessa região, como aliás na maior parte da Galiza, existe uma grande tradição de técnicas "familiares" que se vão perdendo.
Parece-me que a Galiza deslumbrou-se menos com a "modernidade". Seja por razões de enraizamento ou de resistência nacional (e nacionalista) encontra-se mais na Galiza do que em Portugal, essa chama da partilha dos saberes ancestrais. Lembro-me de ter ficado muito impressionado em Vigo com o Museu do Povo Galego. Guardo, ainda, na parede da sala de estar, um cartaz lindíssimo de uma exposição de barcos de pesca artesanal galegos.
NdGz - Além da militância no PCP está actualmente ligado a alguma associação local?
Sou sócio do Ateneu de Coimbra, uma colectividade que teve, no tempo do fascismo, uma grande actividade cultural. Foi ali que ouvi, ainda antes da Revolução de Abril, o Manuel Freire, o Francisco Fanhais, o Adriano Correia de Oliveira, o Mário Castrim. Era criança, mas recordo-me do ambiente conspirativo daqueles momentos.
NdGz - Nada que se pareça com os tempos de hoje...?
Nada, claro que não. Eu tinha primos na Guerra Colonial, amigos dos meus pais na prisão, consciência da repressão aos estudantes e assisti às cargas da polícia nas crises académicas. Essa vivência foi fundamental para a minha formação enquanto cidadão, mas muito do que constituía esse tempo morreu já, felizmente.
261210_rocha2NdGz - Estou obviamente a puxar o tema do Estado da nação.
Estado da Nação:
Tenho algum pudor na comparação dos tempos. Mas não há dúvida de que havia, naquele tempo, uma maior agudização dos conflitos. O fascismo não era apenas uma curiosidade histórica. Era um sistema aberta e boçalmente repressivo. E do lado da oposição jogava-se a liberdade, às vezes a própria vida. Eram tempos acesos. Hoje o capitalismo monopolista, as forças da alta finança não têm necessidade de exibir um tal poder caceteiro. Aprenderam que as agências de informação são um meio muito mais eficaz do que a proibição pura e simples. O Avante! nas bancas à vista de toda a gente é menos nocivo do que o Avante clandestino. Portugal, o povo português na sua generalidade, sente-se refém dos "nervos" dos mercados, sem suspeitarem que os mercados, como os movimentos de massas, são produto da História. Nesse sentido, é menos claro o ambiente político do que o que se vivia naquele tempo. Mas vive-se melhor.
NdGz -O ambiente chega a ser mesmo nebuloso, sobretudo depois do episódio do Orçamento de Estado, que foi o culminar de uma série de outros acontecimentos.
O episódio do Orçamento é uma simulação de desentendimento que, a haver, se circunscreve à luta pelo exercício do poder político. Porque o exercício do poder económico está claramente nas mãos dos grandes accionistas da economia nacional. E hoje é já claro que o poder político está subordinado ao poder económico (ao contrário do que, a nível da natureza do regime, está definido na Constituição). Quando um orçamento se aprova num órgão de soberania para apaziguar os mercados, já não é de política que estamos a falar, mas de um gigantesco embuste. E isso pode gerar um ambiente de grande instabilidade social. Muitas guerras se iniciaram em quadros em tudo semelhantes. Muitas ditaduras se estabeleceram em situações análogas. Mas nem tudo é mau. Está demonstrada a natureza de classe dos professores, dos funcionários públicos, dos quadros intelectuais - proletários, afinal – em vez da classe média que chegaram a pensar ser. A sua riqueza é, simultaneamente, a sua maior fragilidade: o seu posto de trabalho. Classe em termos sociológicos. É uma interpretação marxista da sociedade. Tenho vindo a concluir, a esse propósito, que o acto de maior democraticidade não é o voto, é a greve!
Explico:
O voto é uma opinião sem rosto. Quem o usa em sinal de protesto fá-lo sem assumir qualquer tipo de responsabilidade. Pelo contrário, quem protesta através da greve fá-lo por sua conta e risco, mostrando a cara e sofrendo o desconto do seu salário. Não será por acaso que a abstenção é a grande vedeta da democracia de sufrágio. Nos tempos que correm não é dos votos que as forças de direita têm medo. É do movimento de massas. Repare que este mesmo fenómeno foi o que derrubou os regimes de Leste. Sempre o movimento de massas. E no Leste, a seguir à conquista do direito a votar, no contexto sistemas pluripartidários, veio o descrédito da democracia representativa, e a abstenção é já uma realidade instalada.
NdGz - A revolução seria possível?
Claro que sim. Seria impensável que a sociedade, enquanto sistema dinâmico, tivesse chegado ao fim do processo de transformação. A novidade é que os partidos socialistas e social-democratas assumem, hoje, o papel de defesa dos monopólios e do capital especulador. Essa é a grande novidade do nosso tempo – a natureza anti-socialista destes partidos. O objectivo da actividade política é a tomada do poder, sem que isso tenha de constituir um pecado. A questão não está no facto de exercer o poder, mas na forma como ele é exercido.
NdGz - Conhece sobretudo a Galiza musical.
A Galiza musical é a Galiza política. É a Galiza que acolhe a música portuguesa como se fosse a sua própria música (e é-o, de facto). Mas numa perspectiva de criação de identidade, de encontro com as razões de se ser assim naquela terra, em resultado daquela História. Haverá, certamente, uma Galiza reaccionária que agita as bandeiras da tradição numa perspectiva passadista. Mas essa não é a que eu conheço. Eu conheço a Galiza em que os jovens e os velhos dançam na praça da localidade, a dos jovens aprendem gaita porque sentem aquele som como traço de singularidade. A Brigada faz mais sentido em A Guarda do que em Caminha, por muito paradoxal que isso pareça. Uma vez participei numa manifestação independentista em Compostela. E um manifestante empunhava uma bandeira portuguesa. Não gostei de ver. Porque, de facto, Portugal não merece aquela distinção. Fiz parte do grupo de cidadãos que subscreveram a candidatura da Galiza e do Norte de Portugal a património imaterial da UNESCO. Estive presente na apresentação da candidatura em Lisboa. A Galiza fez-se representar pelo responsável máximo da Cultura do Governo Galego. Portugal fez-se representar pelo chefe de gabinete da Ministra... Não tenho capacidade para explicar tais paradoxos, mas talvez a explicação esteja na incapacidade da intelectualidade portuguesa em conviver com a nossa realidade cultural.
NdGz - Na esquerda portuguesa não lidamos muito bem com o nacionalismo. Menos ainda com o uso das bandeiras portuguesas.
Há quem não entenda o carácter internacionalista do nacionalismo entendido como programa de defesa dos traços identitários. Mas depois é do bacalhau com batatas que gostamos. E das azeitonas de Elvas. Quem andou "lá por fora" percebe bem que um ser humano só é aceite como tal se levar consigo uma herança.
NdGz - O independentismo pode-se confundir numa primeira manifestação com o nacionalismo de direita, não fosse a estética e os slogans?
Mas esse nacionalismo reaccionário vê-se à distância! É o que evoca a grandiosidade da Pátria, não o que canta as suas ternuras. Um hino franquista é 1000 vezes menos convincente do que um Alalá. E, no entanto, é este que caracteriza a Galiza.
Talvez pudessemos recriar um pouco melhor as nossas heranças. A recriação é um exercício. É um caminho capaz de mudar de rumo.
NdGz - A bandeira...
Deixe lá estar a bandeira! Pelo menos a nossa é da República, e nisso os galegos estão pior do que nós.
261210_brigadaE em relação às nossas heranças, acho que ainda não ultrapassámos o complexo de menoridade que nos ficou da infantilização da nossa herança cultural, promovida pelo salazarismo através da Política do Espírito. Ainda temos a mania da gravatinha. Da roupinha pra parecer bem. Das mesuras sem sentido, no lugar da gentileza sem engulho. Da reverência ao médico, da observância subserviente do superior hierárquico. É o país salazaro-cavaquista no seu melhor. Não me parece que os 10 anos de governação cavaquista tenham tido um impacto de menosprezar no atraso civilizacional que é o nosso. Crise actual incluída.
NdGz - A história é só um processo histórico, tal como a herança cultural.
Claro que sim. Por isso é que qualquer tentativa de congelamento da história se debate com a inevitabilidade da morte. Eu não entendo a tradição fora do seu devir transformado. Por isso é que os ranchos folclóricos são tão caricatos. Ao apresentarem a "tradição" como montra do passado estão fora do nosso tempo. E não fazem qualquer sentido.
NdGz - Mas a tradição é já um congelamento, ou melhor uma recriação (como diz o seu camarada Hobsbawm, por oposição a hábitos e rotinas).
A tradição não é um congelamento. É um sinal identitário que permite ser transportado. Quando congela é já passado
NdGz - É uma marca carregada de passado que vive no presente.
A morte das tradições não é uma tragédia. É apenas uma notícia na coluna necrológica da História
NdGz - Mas tem para isso de ser sujeita algum tipo de intervenção.
Claro que sim. Mas só é intervencionada quando alguém a julga útil. E aí persiste. Transformando-se, porém. A Brigada canta cantigas da ceifa. Há um lado funcional – o da ceifa – que não resiste ao transporte. Mas há uma dimensão estética – a musical – que permitiu ser gostada e transformada. Seria caricato ver tipos de Coimbra cantarem aquilo vestidos de ceifeiros numa seara de tábuas (o palco). Temos, no entanto, a sorte de viver num tempo que consegue fixar imagens e sons das coisas no seu meio natural. É a verdade possível, mesmo que desvirtuada por estarem submetidas a uma descodificação que não é vivencial. Mas é a possível. Do mesmo modo, quem olha a Gernika no Rainha Sofia de Madrid dificilmente descodificará com exactidão a intenção e a raiva do Picasso no momento em que a fez.
Por terem percebido no folclore a sua dimensão lúdica e particular. Todos os espectáculos da Brigada na Galiza convertem-se em baile popular. É das coisas mais saborosas que há: tocar para que alguém o aproveite física e animicamente.
NdGz - E quando volta lá?
Não sei. Mas todos os anos calha passar por ali. Houve um tempo que ía muitas vezes tocar ali: com o açoriano Zeca Medeiros, com a Brigada, com a Mísia. Agora milito em menos frentes...