domingo, fevereiro 19, 2017

Para este domingo

Bom dia, Manel
Bom dia, Sidónio Muralha



Pequenos deuses caseiros
que brincais aos temporais,
passam-se os dias, semanas,
os meses e os anos
e vós jogais, jogais
o jogo dos tiranos.
o jogo dos tiranos.
o jogo dos tiranos.

Pequenos deuses caseiros
cantai cantigas macias
tomai vossa morfina,
perdulai vossos dinheiros
derramai a vossa raiva
gozai vossas tiranias,
pequenos deuses caseiros.
pequenos deuses caseiros.

Erguei vossos castelos
elegei vossos senhores
espancai vossos criados,
violai vossas criadas,
e bebei,
o vinho dos traidores
servido em taças roubadas
servido em taças roubadas

Dormi em colchões de pena,
dançai dias inteiros,
comprai os que se vendem,
alteai vossas janelas,
e trancai as vossas portas,
pequenos deuses caseiros,
e reforçai, reforçai as sentinelas.
e reforçai, reforçai as sentinelas.
e reforçai, reforçai as sentinelas.
e reforçai, reforçai as sentinelas.

sábado, fevereiro 18, 2017

Quando os lobos...


Ainda a CAixa e os biltres

em abrilabril

Política e negócios misturam-se na polémica dos SMS

Depois de Lobo Xavier dar conhecimento das comunicações entre Domingues e Centeno ao Presidente da República, o seu conteúdo é publicado pelo jornal de que é administrador.






António Lobo Xavier à entrada para uma reunião da
Assembleia-geral do BPI, banco de que é vice-presidente,
e onde foi colega de António Domingues, ex-presidente
da Caixa Geral de DepósitosCréditos/ Agência LUSA

ARTIGOS RELACIONADOS


Tarrafal, memória, hoje

Associo-me - anonimamente neste século xxi - a este convite e recordo, emocionado, a chuvada que tantos e tantos apanhámos há 40 anos aquando desta manifestação aos tarrafalistas.



Não poderei ir... mas irei ler, aqui no meu canto de Ourém, umas tantas páginas de um livro de José Luandino Vieira, um tarrafalista (da segunda fase dessa nódoa da nossa história, a da guerra colonial) sobre o Tarrafal, que é uma obra notável. Que pode ser lida como um romance, mas melhor o será como um documento de consulta frequente:



sexta-feira, fevereiro 17, 2017

O alvo CGD e promiscuidade

Abril Abril

Hoje

Sexta, 17 de Fevereiro de 2017



Política e negócios misturam-se na polémica dos SMS

Depois de Lobo Xavier dar conhecimento das comunicações entre Domingues e Centeno ao Presidente da República, o seu conteúdo é publicado pelo jornal de que é administrador.
Política e negócios misturam-se na polémica dos SMS
VER:
https://www.facebook.com/ostruques/videos/586731568190802/

(e mais... informe-se!
o alvo não é Centeno,
é a CGDepósitos)

A Rangel os dentes

"Tirado" à pressão da Rádio Renascença:


não haverá terapias
para estas psicofobias?
 

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

A(s) voz(es) incómoda(s) - T(á)Visto

 - Edição Nº2255  -  16-2-2017

A voz incómoda

Fátima Campos Ferreira não resistiu e interrompeu Arménio Carlos. No «Prós e Contras» da passada segunda-feira, é claro, com as leis laborais como tema do programa. E não é que o dirigente da CGTP estivesse a falar durante muitos minutos: a questão é que Arménio Carlos incomoda, dispara factos e números capazes de causarem escândalo, não se mostra inclinado a encarar com serenidade que os trabalhadores cumpram o seu destino natural que é o de serem explorados das muitas e variadas maneiras que ele, Arménio Carlos, bem conhece. E depois há a voz e talvez também o modo como ele a usa: aquela voz surge sempre impregnada de uma indignação que reforça o efeito dos dados que ele exibe e que por si já seriam indignantes. É claro que uma voz assim a desfiar factos fundamentados e fundamentais não fica lindamente numa reunião onde desejavelmente todos deviam ser, se não amigos, pelo menos tranquilos e pacíficos. Ouve-se Arménio Carlos e é fácil perceber que ele não é homem para certas omissões ou, no mínimo, para certos esquecimentos: para esquecer que são muitos os portugueses que trabalham sem deixarem de estar afundados na pobreza, que a famigerada troika veio com o objectivo de destruir a legislação laboral que defendia ou ainda defende os direitos dos trabalhadores, que 25 por cento das crianças portuguesas vivem abaixo da linha técnica que identifica a pobreza, que subsistem condições de trabalho que engendram a morte em pleno acto laboral. É claro que uma voz assim que enumera coisas destas assusta, injecta mal-estar em gente serena e bem sentada nas suas cadeiras, e em consequência é preciso calá-la. Por isso Fátima acudiu a interromper Arménio, como era exigido pela serenidade geral e o desejável bom entendimento entre todos. Fátima é sem dúvida uma boa senhora que não gosta de ver gente incomodada. 

Em terrível incerteza 
Ora, entre o muito que Arménio Carlos enumerou no estreito tempo de antena que apesar de tudo conseguiu, talvez mereça referência destacada a epidemia de precariedade laboral que percorre o País. A questão é que a precariedade elimina a expectativa natural, dir-se-ia que quase instintiva, de uma existência compatível com necessidades humanas básicas e continuadas: alimentação, reprodução, habitação. Quem não sabe se terá trabalho remunerado na semana seguinte, no mês seguinte, e assim vai manter-se ao longo da sua vida laboral, vive em terrível incerteza: não pode estar certo de continuar a ter duas ou três refeições diárias, de assegurar a si próprio e à sua família um tecto sob o qual sobrevivam, de manter a esperança de dar aos filhos o pão e o ensino de que eles carecem absolutamente. Em verdade, a precariedade que vem sendo apregoada como inevitável e tendencialmente «natural» é a semente de todas as angústias, a intensificadora de muitas subserviências, a estimulante de todos os abusos, a propiciadora de muitas infâmias. Arménio Carlos decerto sabe muito bem tudo isso e muito mais, faz parte do seu trabalho conhecer esse peculiar monstro que foi introduzido no cenário laboral, e porque o sabe é tão firme nas denúncias que aliás documenta. É nesse quadro que bem se entende que Fátima o tenha interrompido, ela, que é boa senhora e por isso gostaria de ver todos amigos ou pelo menos todos cordeais. Percebe-se, porém, que Arménio Carlos é diferente: que é saudavelmente exigente na escolha de amigos e na selecção de cordialidades. Acontece que também ali, no improvisado estúdio que a RTP montou no auditório da Fundação Champalimaud, Arménio Carlos está a bater-se por direitos humanos fundamentais, e essa é uma situação enormemente séria. E, contudo, mesmo com aquela voz incómoda, com aquela veemência que a muitos parecerá excessiva, Arménio Carlos tem muitos milhares de amigos. Que lhe chamam camarada. Que gostam de ouvi-lo. E detestam que Fátima Campos Ferreira lhe corte a palavra.


Correia da Fonseca

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

No meio da palha das palavras e dos números, a semente das coisas...

Para lá do "folhetim" e do burburinho em volta quase insuportável, o que importa? Por exemplo, o acabado de ler no Expresso curto


«... É de esperar que este folhetim continue, ajudando a esconder o que de facto se passou na gestão da Caixa para levar à necessidade de tantas imparidades. Depois de tantas horas de CPI ainda não sabemos quem foram os grandes beneficiados com os créditos da Caixa, e acima de tudo, quem serão os grandes prejudicados se o registo de 2,7 mil milhões de imparidades extra forem registados, as garantias exigidas e o devedores penhorados...»

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Salário e produtividade - e ideologia(s)!

Na página 5 do caderno Economia do Expresso há (quase) sempre coisas muito interessante e úteis para ler, graças a Deus... ou a Keynes. 
Na última edição, uma nota sobre Salário mínimo e produtividade, um debate inquinado e ideológico merece leitura e reflexão.
Vamos por partes, a começar pelo título: qualquer debate sobre salário é sempre ideológico. O que é o salário? Por um lado (ou para um lado), é um custo; por outro lado (ou para o outro lado), é um rendimento. E estamos caídos na(s) ideologia(s)...
Por um lado, numa perspectiva ideológica, "A subida do salário mínimo tem de estar ligada ao aumento da produtividade. Foi esta a posição defendida pelo Governo PSD/CDS quando, após cinco anos de congelamento do salário mínimo (2010-2014), o aumentou no final de 2015. Não está(va) sozinho nesta posição. A Comissão Europeia, a OCDE e o FMI têm alertado sistematicamente para as consequências para a economia do aumento do salário mínimo acima da produtividade. E, na Concertação Social, o debate segue o mesmo caminho. O problema é que por trás desta discussão está uma opção ideológica", o que é certo, mas não é "o problema", o problema é que essa "uma opção ideológica" "... reduz qualquer atividade humana a uma avaliação contabilística e ignora olimpicamente todos os fatores que influenciam a produtividade do trabalhador e que vão muito além daquilo que está estritamente nas suas mãos." 
Mas também ignora olimpicamente o lado rendimento que é a outra face do salário. Além disso, se "Com efeito, a produtividade depende dos trabalhadores, seguramente, mas os saltos que ela pode dar resultam muito mais da introdução de equipamentos mais sofisticados, de uma melhor organização das empresas, das condições de trabalho do que do desempenho individual de cada um. Só para dar um exemplo evidente: se aos jornalistas da imprensa escrita fossem retirados os computadores e as plataformas digitais e os obrigassem a voltar às máquinas de escrever nós seríamos exatamente os mesmos mas de um dia para o outro a nossa produtividade cairia brutalmente." 
E podem dar-se muitos outros exemplos, um talvez por demais evidente: se fosse um médico - uma dessas profissões de que O Manifesto/Marx veio denunciar a assalariação por via da relação social-capital - como medir a produtividade em "avaliação contabilistica"?, em minutos de consulta?, em receitas passadas, em indicadores de mortalidade?
Regressando dos exemplos  à página 5 e ao salário... mínimo: "Ora, as pessoas que ganham o salário mínimo desempenham, na maior parte dos casos, tarefas muito básicas, repetitivas, com recurso a pouca tecnologia e com nula ou muito escassa inovação. Como é que a jovem que está numa loja aumenta a sua produtividade? Sai aos saltos pelo centro comercial a tentar vender a roupa a quem passa? E a senhora da limpeza, passa a esfregar com mais denodo e rapidez o chão? O homem do lixo tenta aumentar o ritmo com que despeja os baldes dos detritos no camião? Os motoristas das empresas de transporte passam a conduzir mais rapidamente? Os estafetas esforçam-se por entregar mais depressa as encomendas?

Ou seja, aumentos de produtividade em pessoas que executam tarefas muito básicas serão sempre muito reduzidos. Por isso, ligar a evolução do salário mínimo à produtividade permite duas coisas: primeiro, que empresas que não deveriam estar no mercado porque só sobrevivem à custa dos baixos salários mantenham as portas abertas, deteriorando a qualidade do tecido produtivo; depois, serve para condicionar a pirâmide salarial em muitas áreas de atividade; e em terceiro passa a mensagem de que se a produtividade na economia não aumenta a responsabilidade deve-se aos trabalhadores. É por isso que esta ligação tem de ser combatida: o salário mínimo não pode nem tem de depender da produtividade. O salário mínimo é, tem de ser, um referencial civilizacional, pelo qual o poder político, o patronato e os sindicatos chegam a um acordo sobre o valor mínimo pelo qual uma pessoa cumpre uma função útil à sociedade. Abaixo disso passa-se para o patamar da servidão ou da escravatura. E não se melhora a produtividade." 
O debate continuará inquinado se não for ideológico! Se não meter outros conceitos, como valor, mais-valia (de onde nasce o lucro), especulação financeira (que os raríssimos assalariados fazem :-), off-shores, exploração de trabalhadores, of course!

domingo, fevereiro 12, 2017

As "portas giratórias" e o grande portão da CGD... apesar de público!



A 7 de Novembro, sob esta gravura e estes título-legendas, abrilabril editava um elucidativo trabalho de informação - https://www.abrilabril.pt/nacional/caixa-grande-porta-giratoria - que começava assim:

«A polémica que envolve a actual composição do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) esconde uma realidade: os cargos na gestão do banco público serviram para distribuir lugares de acordo com prioridades que nada têm a ver com os interesses da CGD. Recuámos a 1989, à época da privatização da banca, da criação da União Económica e Monetária e das maiorias absolutas do PSD, com Cavaco Silva como primeiro ministro. Analisámos os dez mandatos que cobrem o período entre 1989 e 2015 e os números são claros: a passagem de ex-governantes, militantes, dirigentes e gente próxima do PSD, do PS e, a partir de 2004, do CDS tem sido regra na gestão da Caixa. 
Mas uma análise caso a caso mostra outra realidade: a promiscuidade alastra-se ao regulador – o Banco de Portugal – e à banca privada. O que têm em comum Vieira Monteiro, Mira Amaral, Carlos Santos Ferreira, Tomás Correia e Jorge Tomé? Todos eles foram presidir a bancos privados depois de saíram da Caixa. Na verdade, os três primeiros ainda estão à frente do Santander Totta, do BIC, e do BCP, respectivamente. 
Os conselhos de administração da Caixa Geral de Depósitos foram, ao longo dos últimos anos, território ocupado por gente próxima do poder político e económico, que muitas vezes se confundem. Na verdade, a actual composição dos órgãos sociais da Caixa não mostram qualquer ruptura com este passado, pelo contrário. Paulo Mota Pinto, ex-deputado e dirigente do PSD, preside à Assembleia Geral. Rui Vilar, o primeiro presidente do período que abordamos, é vice-presidente do conselho de administração. O presidente, António Domingues, e metade da comissão executiva vieram directamente do BPI para o banco público. (…)»

Esta informação – e de informação se trata – tem todo o interesse cidadão mas não só político, ou da prática política. Tomo-o como informação a procurar divulgar, talvez estimulado pela leitura do recente Para a Crítica da Crise-Diálogos com intelectuais e parlamentares de esquerda em Portugal, trabalho académico da autoria de Marcelo Braz, já aqui referido e de onde se retira o seguinte trecho: