Pelo menos ficam três tristes títulos (e mais luta), entre muita outra actualização no fim-de-semana:
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PS afasta PCP do Tribunal Constitucional - Pela primeira vz, o PS quebra tradição. Ignora comunistas na designação da nova juíza do TC. - Expresso, P9, de 28.11.2009
Fuga de capitais atinge recorde este ano - Dinheiro português em paraísos fiscais cresceu €2,8 mil milhões - Expresso, E1, de 28.11.2009
Espanha quer Península Ibérica a uma só voz na UE- Expressso, P1, de 28.09.2009
Naquela hora, ou naqueles minutos que terminam um dia, fechado o computador, desligados uns interruptores (de fora e cá de dentro de mim), antes de me ir deitar, espreitei para a televisão para "ouver" um programa que vira anunciado. Apercebi-me que falavam... de fezes. Não em sentido figurado mas escatológico, como se fossem crianças. E pareciam, e riam muito...
Fui mais depressa para a cama. Antes da leitura do livro que estou a saborear - e que oferecido me foi, num gesto muito amigo - abri um Brecht que anda sempre por perto, Histórias do senhor Keuner. Assim como quem toma um laxante, um clister...
Saltou-me esta história do sr. K.:
Uma boa resposta
No tribunal, perguntaram a um operário se queria prestar juramento sob a forma laica ou religiosa. E ele respondeu: «Estou desempregado».
«Não se trata apenas de uma distracção.», disse o senhor K. «Com esta resposta dava a entender que se encontrava numa situação em que semelhantes perguntas, e talvez todo o procedimento judicial propriamente dito, tinham deixado de ter sentido.»
Engels previa, no seu prefácio – e o José Barata-Moura sublinha em apresentações da tradução que fez –, que “o volume segundo (de O Capital) vai suscitar grande desilusão, por ser tão puramente científico e não conter muito de agitatório”. Em parte, corroboro porquanto os Tomos IV e V do Livro segundo são menos apelativos à agitação quanto o seriam os três tomos do Livro primeiro. São de grande densidade na análise dos processos de circulação do capital, das suas metamorfoses e reprodução, com exemplificações e ilustrações – sem o recurso ao Excel... – por vezes exaustivas... e que deixam o leitor/estudioso exausto. Mas só em parte. Porque, por vezes, dá para parar e sorrir, com a fina ironia que Marx usa, pela qualidade da sua escrita. Por exemplo, num trecho que reproduzo e em que inclui notas que julgo pertinentes (de passagem): «De passagem. O senhor capitalista, tal como a sua imprensa, está frequentemente descontente com a maneira como a força de trabalho* despende o seu dinheiro, e com as mercadorias II** em que ela realiza o mesmo***. Nesta oportunidade, ele filosofa, tagarela de cultura e filantropiza (...). «Longas horas de trabalho parecem ser o segredo do comportamento racional e saudável que há-de elevar a situação do operário pelo melhoramento da sua capacidade espiritual e moral e fazer dele um consumidor racional.» ____________________________________________ * - não a força de trabalho mas o seu “proprietário”, o trabalhador que vendeu a força de trabalho. ** - sector de produção dos meios de consumo. ***- que ele, o trabalhador, compra com o dinheiro da venda da sua mercadoria, a força de trabalho.
O lançamento do Tomo V do Livro segundo de O Capital, nas edições avante!, foi um acontecimento. Ou, por outra, parece que foi porque até é justa a dúvida se se terá realizado, dado o escassíssimo impacto mediático. É claro que quem escreve é suspeito (oh!, se é…). Até porque teve parte activa no evento, mas – que querem? – parece-lhe que não só o lançamento em si desta obra, a primeira em português que vai tão longe na edição completa da obra capital de Karl Marx, como a intervenção do ex-reitor da Universidade Clássica de Lisboa e a presença e a intervenção do secretário-geral do Partido Comunista Português, num Salão Nobre da Reitoria a “deitar por obra”, justificavam outro tratamento. Que, naturalmente, não teve. Confirmando em que sociedade e com que informação vivemos. Já agora, conto uma anedota. Estando a realizar-se, noutra sala da Reitoria, uma reunião da Ordem dos Técnicos de Contas, uma jornalista para ali destacada, ao saber que havia uma sessão de lançamento de um livro no primeiro andar, teve a curiosidade, que só lhe fica bem!, de ir saber do que se tratava, apesar de ser ... dos comunistas, e dirigiu-se ao Salão Nobre. Talvez estimulada pelo ambiente que sentiu, pelo acontecimento que “aquilo” era evidentemente, perguntou … se podia falar com o autor do livro.
Havia um presidente eleito que deu a conhecer estar a preparar uma consulta popular sobre umas alterações institucionais que, ao que parece, desagradariam a uns indivíduos e interesses. Fácil: tira-se de lá o presidente eleito, arranja-se um presidente à força das armas, provisório e de facto, depois enjorcam-se uma eleições novas "à maneira"... e já está. Da notícia:
«Quem também já reconheceu a vitória foi Roberto Micheletti. O presidente de facto das Honduras garantiu que irá entregar o poder "sem condições" ao vencedor das eleições. Numa declaração escrita emitida pela Casa Presidencial, Michelleti afirma que "a equipa do governo de transição concluirá a sua tarefa, entregando o poder ao governante que a maioria dos cidadãos elegeu". »
Concluída a tarefa (!!!), fica-se pronto para... novas tarefas. E deixa-se o exemplo de um procedimento.
Em ocravodeabril, Fernando Samuel publicou uma série com o título genérico de A caça às bruxas que deveria ser de leitura obrigatória para quem por aí se permite falar de História, nossa e recente, a partir da informação que lhe instilaram e instilam. O final da guerra 1939-45 e o lustro e década que se lhe seguiram têm momentos e episódios verdadeiramente impressionantes que são escondidos ou escamoteados enquanto outros deformados ou empolados de forma tenebrosa... e esclarecedora. Este trabalho de Fernando Samuel é notável e só a preguiça ou a desonestidade intelectuais o poderão ignorar.
«(...) Tudo o que “o economista” te rouba de vida e de humanidade, ele te compensa em dinheiro e em riqueza, e tudo o que tu não podes, o teu dinheiro poderá. Com ele, podes comer, beber, ir ao bailado, ao teatro; com ele, podes conhecer a arte, a erudição, as curiosidades históricas, o poder político; com ele, podes viajar. Ele pode comprar tudo isso. Ele é o verdadeiro poder. Ele pode arranjar-te tudo isso. Todas as paixões e toda a actividade são engolidas na sede da posse. Concede-se ao operário apenas o que ele precisa para que possa viver, e ele só pode querer viver para possuir.
Às questões:
será que obedeço às leis económicas quando consigo o dinheiro à custa do abandono, da oferta do meu corpo à concupiscência do outro (em França, os operários das fábricas chamam à prostituição das suas mulheres e das suas filhas a hora de trabalho suplementar, o que é literalmente exacto)?,
ou então: quando vendo o meu amigo como escravo a marroquinos (e a venda directa de homens sob a forma de comércio de jovens tem lugar em todos os países civilizados)?,
para essas questões. o “economista” tem uma resposta pronta. O "economista" declara: se assim fizeres, tu não ages contra com as minhas leis. Claro que deves tomar em atenção o que diz uma minha “prima”, a senhora moral, e um outra minha “prima”, a senhora religião; no entanto, essas minhas “primas”, a moral e a religião, não têm nada a objectar-te do ponto de vista económico. (...)» .
Extracto, em tradução livre, de "manuscritos de 1844" de K. Marx
De repente, quando tudo estava em "retoma", menos o emprego, claro... mas este é uma minudência face à evolução trimestral dos pibes e aos problemas das "grandes finanças" em geral e dos lucros da banca em particular, um enorme sobressalto vindo do Dubai. Quando por cá, nos distraim(os) com outras "cenas", toca de ter ir aos "aparelhos de busca" e ver onde fica essa coisa do Dubai que, ao que parece, está a fazer tremelicar a sustentação da convalescença da ainda mal curada "crise". Felizmente que se meteu o fim-de-semana, e com um Sporting-Benfica!
Agora quem acompanha "estas coisas", põe-se questões.
Como a de ser ou não esta "crise no Dubai", que nos vai - talvez - aparecer na segunda-feira, e no mundo todo, uma espécie de ante-estreia, ou um aviso muito sério para o que pode resultar de estarmos no peak do petróleo (ou estar a chegar lá) pois Dubai representa meia dúzia de magnatas à custa do "ouro negro" que lhes saltou debaixo dos pés e lhes possibilitou negócios das arábias.
E que é isso do "peak", que é mais que, traduzido "à letra" um pico?
Peak Oil será o momento em que a produção de petróleo a nível mundial atingirá o seu máximo. Também se lhe chama Pico de Hubbert, do nome do geólogo dos EUA que primeiro estudou, em termos científicos, a curva de produção dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão gás natural). Vamos a ver o que isto do Dubai vai dar.
Ele são decapitações políticas, assassinatos políticos, assassínios de carácter, homicídios de carácter.
Ele é o Governo a nomear os candidatos derrotados às câmaras (casos de Gondomar, Espinho, Viseu e Alpiarça) como governadores civis dos respectivos distritos.
Ele é, sobretudo, o inenarrável romance das "escutas" do primeiro-ministro que não eram ao primeiro-ministro; do procurador-geral que divulgava as escutas para "acalmar isto" mas não divulga; do corropio das certidões entre a Procuradoria-Gerla da República (PGR) e o Supremo Tribunal de Justiça (STJ); do manda destruir mas não destrói, poque afinal parece que não se pode, as ditas certidões das ditas escutas; do manda arquivar as ditas cuja mas sem direito a consulta, por causa - palavras do PGR - da "natureza dos elementos"; do afinal não se pode consultar o que arquivado já estaria mas que afinal já não está porque estará agora de novo "em poder do senhor presidente" do STJ; do diz que diz que disse mas não disse e tudo é (ou pode vir a ser mentira...
A vida política está marcadas indelevelmente pela criação do "ambiente".
Na impossibilidade de se impedir, pela proibição e censura, a circulação da informação, para o que contribui decisivamente a evolução dos "meios" - comunicação escrita, rádio, televisão, telemóveis, também "isto" das "nets" e "blogs" -, eles são utilizados manipuladamente pelo(s) poder(es).
Nas campanhas eleitorais é o "marketing", são as sondagens, é o espectáculo. No exercício do poder - real ou aparente ao serviço do poder real - são as "imagens" da situação, veiculadas com impacto mediático, verdadeiramente profissionalizado e sem preocupações com critérios tendo um pingo de ética.
Neste momento, confronto - a nível de interpretação pessoal - duas expressões desta deriva:
A dramatização da situação recebida dos anteriores detentores do "poder". Não que ela não seja má, ou até péssima... mas dramatiza-se a "herança". Depois de se ter feito campanha contra a "política anterior" catalogada (e justamente) de caótica, depois de se ter tido ganho de causa, vem a utilização abusiva da "surpresa"... perante o caos, transformado em quase alibi, mesmo antes das medidas prévia e eleitoralmente anunciadas para se ter conhecimento rigoroso da situação.
A vitimização por não se dispor de maioria absoluta. É a criação e o empolamento de situações que permitam veicular - sempre a veiculação das imagens a ser prevalecente - a ideia de que "assim não se pode governar" como se governar não fosse, também!, a capacidade de ter de ter os outros em conta, a imprescindível negociação com respeito pelos outros, minoritários que sejam, por não se poder fazer "tábua raza" das suas posições quando se dispõe de maioria absoluta.
Estrela da tarde . Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia eu esperava por ti, tu não vinhas tardavas e eu entardecia Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia quando nós nos olhamos tardamos no beijo que a boca pedia e na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia era tarde de mais para haver outra noite para haver outro dia.
Meu amor, meu amor Minha estrela da tarde Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza Se tu és a alegria ou se és a tristeza. Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza.
Foi a mais bela de todas as noites Que me aconteceram Dos nocturnos silencios que à noite De aromas e beijos se encheram Foi a noite em que os nossos dois Corpos cansados não adormeceram E da estrada mais linda da noite uma festa De fogo fizeram. Foram noites e noites que numa só noite Nos aconteceram Era o dia da noite de todas as noites Que nos precederam Era a noite mais clara daqueles Que à noite amando se deram E entre os braços da noite de tanto Se amarem, vivendo morreram.
Eu não sei, meu amor, se o que digo É ternura, se é riso, se é pranto É por ti que adormeço e acordo E acordado recordo no canto Essa tarde em que tarde surgiste Dum triste e profundo recanto Essa noite em que cedo nasceste despida De mágoa e de espanto. Meu amor, nunca é tarde nem cedo Para quem se quer tanto.
Este blog, anónimo sec.xxi, não é um espaço do Partido Comunista Português.
É o espaço de um militante do PCP, que pratica o centralismo democrático, e que tem o marxismo-leninismo como estrutura mental e de aproximação à realidade que vive e em que convive, isto é, em que vive com os outros.
Como tal, sendo o que sou - e com orgulho o afirmo -, não me assumo porta-voz de nada, nem tenho a tarefa de, oficial ou oficiosamente, justificar o que quer que seja. Muito menos, sublinho-o!, contribuirei para o que considere serem aproveitamentos de factos para atacar o Partido e o que defendemos, os que do Partido somos. Há quem esteja encarregado de o fazer, e bem se esforce no cumprimento da missão! Não os ajudarei.
Trarei, aqui, o que me parecer que merece informação, não responderei a provoções com a intenção de me fazerem, ainda que involutariamente, engrossar corais de anti-comunismo militante.
Há quantos anos debita Vitor Constância o mesmo discurso? Há quantas décadas se repete, sabedor e supervisor?
Se já o tivessem ouvido - e seguido... sobretudo o exemplo pessoal de contenção e abstinência - não estariam os salários médios dos trabalhadores nas alturas exorbitantes em que se vê, não estaria o salário mínimo nessa pouca vergonha dos sei lá quantas vezes quinhentos euros, os nossos custos do "factor trabalho" estariam ao nível dos "europeus" e não tão acima, não seria o regabofe da gentinha que nunca está satisfeita e dá cabo da competitividade externa.
Se já o tivessem ouvido - e seguido o seu exemplo pessoal - não estaria a economia como está, estaria tudo controlado, bem supervisionado, o povo feliz e o PS no governo.
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Ouçam, por favor, o Exmo. Senhor Professor Doutor Vitor Constância... que eu já não posso mais ouvi-lo!
Reunião do Comité Central do PCP Domingo, 22 Novembro 2009 Jerónimo de Sousa, na apresentação das principais conclusões da reunião do Comité Central, alertou para o facto de o Governo se estar a preparar para transferir para os trabalhadores e camadas mais desfavorecidas os custos da crise e manifestou preocupação com o avolumar incontrolado dos casos e práticas de corrupção na sociedade portuguesa e no Estado. O Secretário-Geral do PCP anunciou também a realização de uma grande Campanha Nacional de contacto e esclarecimento dos trabalhadores e da população, na defesa do emprego, do trabalho com direitos e no combate à precariedade.