quinta-feira, abril 09, 2020

Perguntas não-inocentes!

Será que ninguém reparou?
Será que foi mero engano nas contas, como é desculpável em jurista?
Será que não tem significado político que o Presidente da República Portuguesa, ao referir-se aos anos que tem a nossa democracia, fale em 45 anos, e assim desvalorize o significado histórico do 25 de Abril de 1974?
Será acto falhado (ou falho)?
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Estamos nesta... com este!

Eurogrupo retoma maratona negocial. Prazo para consenso expira esta quinta-feira

Stephanie Lecocq / EPA
Os ministros das Finanças europeus retomam esta quinta-feira a reunião por videoconferência iniciada na terça-feira e interrompida na quarta para tentar enfim chegar a um acordo político sobre a resposta económica da União Europeia à crise provocada pela Covid-19.
Esta reunião do Eurogrupo, considerada decisiva e conduzida por videoconferência desde Lisboa pelo ministro Mário Centeno, teve início na terça-feira à tarde e foi suspensa ao início da manhã de quarta-feira, após 16 horas de discussões sem que fosse possível chegar a um consenso, que tarda em ser alcançado, embora os responsáveis políticos garantam que já falta pouco.
“Após 16 horas de discussões, chegámos perto de um acordo, mas ainda não estamos lá. Suspendi o Eurogrupo e [a discussão] continua amanhã, quinta-feira”, anunciou após a primeira ronda da maratona negocial o presidente do fórum de ministros das Finanças da zona euro e ministro das Finanças português, acrescentando que os seus objetivos permanecem os mesmos.
Antes da reunião, alargada aos países que não têm a moeda única, Centeno disse esperar um acordo sobre um pacote financeiro de emergência robusto para trabalhadores, empresas e países, no valor total de cerca de 500 mil milhões de euros, bem como um “compromisso claro” relativamente a um plano de recuperação de grande envergadura.
Dois dos três elementos do pacote, as “redes de segurança” para trabalhadores e para empresas, parecem pacíficos, dado o consenso em torno do programa de 100 mil milhões de euros proposto pela Comissão Europeia para financiar regimes de proteção de emprego e uma garantia de 200 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento para apoiar as empresas em dificuldades, especialmente as pequenas e médias empresas.
A questão que continua a dividir os Estados-membros é a forma como apoiar os Estados, já que países como Alemanha e Holanda continuam irredutíveis na sua oposição à solução de emissão conjunta de dívida — os coronabonds ou eurobonds, defendidos por Itália, Espanha e Portugal, entre outros -, e mesmo a solução que parece mais próxima de colher unanimidade, as linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), continua a provocar divergências, designadamente sobre as condições que penderão sobre estes empréstimos, e encontra muita resistência por parte de Itália.
Os ministros das Finanças estão então “obrigados” a chegar a um compromisso sobre o apoio aos Estados-membros, pois foi essa a missão que lhes foi confiada pelos chefes de Estado e de Governo da UE na última cimeira, por videoconferência, realizada em 26 de março.
No final desse Conselho Europeu também marcado por divergências e fortes tensões, os líderes solicitaram ao Eurogrupo que apresentasse propostas concretas no prazo de duas semanas, prazo esse que “expira” precisamente esta quinta-feira.
De acordo com o Jornal de Negócios, se não houver acordo sobre a modalidade de acesso ao MEE, o nó poderá ter de ser desatado pelos líderes europeus.
A videoconferência do Eurogrupo será retomada esta quinta-feira às 16h de Lisboa, 17h de Bruxelas.

Lagarde apela à solidariedade

A propósito da reunião desta quinta-feira, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, pediu aos Estados europeus para estarem “lado a lado” na resposta com medidas orçamentais à crise causada pela pandemia de covid-19, numa altura em que há divergências.
“É vital que a resposta orçamental a esta crise seja suficientemente forte em toda a zona euro. Os governos devem estar lado a lado para aplicarem em conjunto políticas adequadas a um choque comum pelo qual ninguém é responsável”, escreveu Lagarde, num artigo de opinião divulgado pelo jornal francês Le Monde e citado pela AFP.
“Se alguns países não recuperarem, os outros vão sentir os efeitos disso. A solidariedade é do interesse de todos“, defendeu Lagarde.
“O alinhamento total das políticas orçamentais e da política monetária e a igualdade de tratamento face ao vírus são o melhor meio de proteger a nossa capacidade produtiva e emprego, tendo em vista regressar a taxas de crescimento e de inflação sustentadas quando a pandemia terminar”, rematou.
ZAP // Lusa

...uns e outros

 - Edição Nº2419  -  8-4-2020

Enquanto isso chegam os aviões…


A discussão sobre as medidas da União Europeia no quadro da crise da COVID-19, que já se prolonga há um mês, com a realização de três reuniões do Conselho Europeu sem resultados; a multiplicação de casos de autêntica guerra e pirataria comercial entre diversos governos de Estados europeus; o evidente nervosismo e a proliferação de profecias sobre se «a União Europeia sobrevive ou não a esta crise» demonstram bem o que de facto é, e a quem serve, esta estrutura.
Esta semana, os olhos estão postos na videoconferência do Eurogrupo de terça-feira. Ao momento que escrevemos ainda não sabemos das suas conclusões, apenas conhecemos o que é ventilado como «soluções» e, claro, toda a propaganda institucional que tenta contrariar o escândalo da gritante falta de solidariedade da União Europeia e dos seus principais centros de poder e potências.
Com o risco de escrever antes dos acontecimentos, atrevemo-nos a algumas antevisões:
A primeira é que tudo indica que desta vez haverá conclusões. E que a seguir à reunião e a uma outra possível do Conselho Europeu iremos ser bombardeados com a ideia que a União Europeia finalmente se moveu e que está a abrir os cordões à bolsa. Nada mais falso. O elefante na sala do Orçamento da União Europeia irá continuar a passear-se por entre as declarações e reuniões, e a verdade é que continuaremos a lidar com engenharias ilusórias em torno do que não se vai passar.
A segunda antevisão é que, de acordo com o que conhecemos ao momento da redacção destas linhas, os três principais «instrumentos» que vão ser aprovados baseiam-se todas no endividamento dos Estados: a) o programa sure apresentado como de «apoio ao emprego», é um empréstimo aos Estados-membros (que teria de ser devolvido). A ideia surgiu no passado associada à «harmonização» das legislações laborais; b) a «linha de crédito» do Mecanismo Europeu de Estabilidade (uma espécie de FMI da UE) é nossa conhecida, com a má memória dos memorandos da troika, também teríamos de o pagar e bem caro; c) a linha de crédito do Banco Europeu de Investimento às pequenas e médias empresas é também um empréstimo, com a agravante que poderia ser canalizado por via da banca.
Como é fácil de ver trata-se de aumentar dívida à dívida, amarras às amarras e condicionamentos aos condicionamentos. Mesmo a própria ideia dos Eurobonds, que em princípio não verá a luz do dia, estaria associada a condicionalismos insuportáveis à luz dos esforços e investimento público que os Estados vão fazer, ou mesmo do papel que o Estado vai ter de assumir no tecido produtivo. O que se retira da estéril discussão na União Europeia e entre os seus defensores é que a verdadeira preocupação destes não é salvar vidas, seja no combate ao vírus seja no plano social, nem as economias dos países como Portugal, mas sim o instrumento de domínio que é a União Europeia.

Enquanto isso… os aviões chegam com material chinês, médicos cubanos ou ajuda russa. E isso diz muito da forma como devemos olhar para o nosso futuro enquanto povo e País.

Ângelo Alves


afinal... às previsões, dizem nada!,
mas a via dos empréstimo sem se beliscar,
como?... mais um adiamento.

... e outros aviões também vão chegando,
de outros lados
mas, quando chegam,
 com militares e armas!

SOBRE O IMPASSE NO EUROGRUPO


"OUVER", com prioridade

https://www.facebook.com/deputadospcppe.guengl/videos/213855339945654/?t=29

terça-feira, abril 07, 2020

O PCP, o PdaR e a banca

Aos órgãos de comunicação social:

Declaração de Vasco Cardoso, Membro da Comissão Política do Comité Central do PCP Sobre o comportamento da banca e a resposta que o País precisa 

1- O PCP não acompanha a avaliação que o Presidente da República transmitiu ao País, no seguimento do encontro que hoje teve com os banqueiros. Depois de anos e anos em que foram mobilizados mais de 20 mil milhões de euros de recursos públicos para tapar os buracos provocados pela especulação, pela gestão danosa e fraudulenta na banca, e que o Povo português pagou e continua a pagar, impõe-se interromper a política de favorecimento deste sector monopolista e colocar a banca verdadeiramente ao serviço do País em vez de ficar à espera e dependente da vontade dos banqueiros.
2 - A realidade que está no terreno, seja junto das famílias, seja junto de milhares de micro, pequenas e médias empresas, não confirma a opinião transmitida pelo Presidente da República. Não é com spreads e taxas de juro de 3% e 4% como as que estão a ser propostas, não é com comissões bancárias que continuam a multiplicar-se e a reinventar-se, não é com os limites e processos burocráticos na concessão de crédito que excluem milhares de MPME’s, que se apoia e ajuda a economia.
Para o PCP é e será inaceitável que se procure, em nome da ajuda à economia nacional, uma nova forma de branqueamento e de financiamento de lucros presentes e futuros para este sector.
3 – Não basta impedir que sejam distribuídos dividendos à banca ou aos grupos económicos. As necessidades do Povo e do País vão muito além disso. O País precisa que a banca cumpra o seu papel no desenvolvimento da actividade económica. Sem ganhos por via da intermediação dos apoios públicos, com rapidez e prontidão, priorizando as micro, pequenas e médias empresas e não os grupos económicos. É isso que o PCP defende.
Sublinhamos, ainda, que a actual situação coloca ainda mais em evidência a necessidade de o País recuperar o controlo público sobre este sector estratégico da economia nacional, colocando-o ao serviço do seu desenvolvimento, afirmando-se como factor de promoção do progresso e da soberania nacional.
06.04.202

O PCP e o Serviço Nacional de Saúde

Aos órgãos de comunicação social:

Declaração de Jorge Pires, Membro da Comissão Política do Comité Central do PCP O papel decisivo do SNS no combate ao surto epidémico e na garantia do direito à saúde – Situação e medidas

Mais de um mês depois do primeiro caso detectado em Portugal de contágio com o coronavírus a questão central que o PCP  colocou  desde a primeira hora mantém toda a actualidade: adoptar um conjunto de procedimentos de prevenção adequados em que os serviços de saúde pública desempenham papel crucial e reforçar a capacidade do Serviço Nacional de Saúde em todos os seus planos, indispensável para a capacitação da resposta clínica.
Num quadro em que o número de doentes com a COVID-19 continua a aumentar, mais de 11 700 e apesar dos sinais positivos dos últimos dias com uma estabilização do crescimento percentual do número de casos abaixo dos 10%, é fundamental dar ao SNS todos os meios necessários no plano financeiro, técnico e de  profissionais, imprescindíveis para combater com êxito o surto epidémico.
Hoje é possível, apesar de estarmos longe do fim do surto, constatar de forma rigorosa que se não tivéssemos em Portugal um SNS universal, geral e de qualidade e a luta contra o vírus seria muito mais difícil de travar.
É óbvio que os condicionalismos sentidos diariamente nas unidades do SNS, não são apenas devido à dimensão do surto e das suas consequências. Elas são igualmente o resultado de durante mais de 30 anos se ter desenvolvido uma estratégia de redução do serviço público de saúde, com o encerramento de milhares de camas, de redução do número de profissionais, da não renovação de equipamentos. Os que hoje fazem críticas públicas e exigências que sabem difíceis de resolver, são os mesmos que  durante anos submeteram o direito constitucional à saúde às imposições do Euro e da União Europeia, e que diabolizaram e enfraqueceram os serviços públicos sustentados na ardilosa tese de que «os privados fazem melhor e mais barato».
Os portugueses sabem que é no SNS que encontram  no plano da saúde pública e da resposta clínica a garantia para enfrentar a actual situação.
Como o PCP tem sublinhado, a situação em vários países, para além de revelar um significativo potencial epidemiológico da COVID-19, o que se destaca é a gravidade da insuficiência da capacidade clínica instalada para dar uma resposta eficaz às exigências que o momento reclama.

É grande a exigência colocada ao SNS. Por um lado, responder ao  crescimento do número de vítimas de contágio e das necessidades de internamento, centenas das quais a exigirem
cuidados intensivos. Cumulativamente, assegurar a actividade normal de atendimento a milhares de utentes do SNS com outras patologias que não pode ser interrompido sob pena de amanhã se perderem vidas humanas por não terem tido o acesso aos cuidados de saúde que necessitam. Exigências que inscrevem como prioridade o aumento do número de camas de internamento hospitalar e particularmente de cuidados intensivos, devidamente equipadas. Para isso, é fundamental reabrir muitas das mais de 4 000 camas encerradas nos últimos 15 anos (mais de 2000 entre 2011  e 2015), adquirir os equipamentos necessários, e também recrutar os milhares de profissionais que se mostraram disponíveis para voltar ao trabalho. Não se trata de um exercício teórico, mas uma possibilidade real que apenas depende de vontade política para concretizar o investimento necessário.
O êxito do combate à epidemia  passa por garantir condições de segurança aos profissionais de saúde. Persistem situações  de falta de equipamentos adequados em algumas unidades de saúde que precisam de ser  ultrapassadas.
O elevado número de profissionais de saúde, mais de 1300, com doença profissional por COVID-19 no exercício da sua actividade,  revela da pior forma o tempo perdido que é urgente recuperar.
As aquisições no exterior, em grande medida devido à cooperação no plano das relações bilaterais entre Portugal e a China, cooperação tão mais necessária quanto a postura da União Europeia evidencia mais uma vez, a sua inércia,   mesmo hipocrisia e  falta de solidariedade, como se verifica na retenção de equipamentos adquiridos entre países da própria UE, têm permitido superar no imediato parte da carência de material.
Mas a aquisição ao  exterior, indispensável como se constata, testemunha a crescente dependência nacional associada ao abandono da produção e da falta de incentivo à investigação.  O  facto de várias universidades e empresas terem decidido dar o seu contributo, criando e produzindo este tipo de equipamentos,  dão  razão ao PCP de que é fundamental investir numa estratégia de substituição das importações pela produção nacional. No caso da saúde, a aposta na produção nacional é mais do que uma questão económica, é sobretudo uma afirmação de soberania nacional num sector essencial à vida das pessoas.
O  actual surto epidémico e os seus desenvolvimentos tornam urgente  ultrapassar atrasos e algumas hesitações que se mantêm. A expectável situação que se está a viver nos lares para idosos que justificou o alerta do PCP na Assembleia da República no passado dia 3 de Março, exige a adopção pronta de medidas, para evitar mais perda de vidas, garantindo que ninguém  é deixado para trás.
A densidade e diversidade das medidas que a situação exige, requerem planeamento, investimento e capacidade de concretização. 
A defesa de uma reserva estratégica de medicamentos assume particular acuidade face a interesses económicos contrários ao interesse nacional que procuram interferir e condicionar as decisões em proveito próprio, gerir stocks de acordo com os seus interesses e instalar um regime de especulação dos preços praticados.

O PCP aponta como elementos da resposta política que a situação do País coloca, seja as que correspondem aos problemas estruturais, seja as que se resultam do surto epidémico e das suas repercussões:
. Contratar todos os profissionais disponíveis para voltarem ao trabalho nas unidades do SNS;
. Reabrir o máximo possível de camas encerradas no Hospital Pulido Valente,  hospital que teve um papel importantíssimo na valência de pneumologia;
. Afectar o Hospital Militar em Belém (no passado dedicado ao combate às doenças infectocontagiosas), cuja reabertura está decidida, ao surto de COVID-19;
. Alargar a outras unidades industriais existentes no País com o objectivo de reconverter a produção industrial para passarem a produzir material clínico, reagentes, medicamentos, equipamentos fundamentais para responder ao surto epidémico;
. Alargar o número de testes aos profissionais de saúde, a todos aqueles que contactam com potenciais portadores do vírus, aos idosos (a todos os idosos mesmo sem registo de casos detectados) e aos profissionais que têm a responsabilidade de lhes dar o apoio devido;
. Tomar medidas urgentes para a concretização da criação do Laboratório Nacional do Medicamento, tal como decisão da Assembleia da República.
O PCP reafirma que num quadro marcado por uma redução muito significativa da actividade económica, a redução de salários e rendimentos acrescentará, com a perda de poder de compra, uma retracção do mercado interno indutora de uma dinâmica recessiva que é preciso prevenir.
Sem desvalorizar  os impactos económicos que o surto epidémico está a provocar, o PCP alerta para a instrumentalização da situação no sentido do aprofundamento de políticas neoliberais, ao serviço do capital monopolista e de ataque a direitos, bem como para  a promoção de concepções reaccionárias e anti-democráticas que visam o ataque a liberdades e a garantias fundamentais à democracia.
Hoje, o que se impõe é assumir o investimento público e o apoio à produção, bem como a garantia do rendimento integral dos trabalhadores, como elementos estratégicos de curto e médio prazo.
Uma comunicação de verdade e transparência, contra os alarmismos que favorecem o pânico e a não imposição de restrições à intervenção das organizações dos trabalhadores e das populações no desenhar e executar medidas de combate à epidemia,  são em si mesmos um factor promotor de confiança, da saúde e de bem estar.
Para este ano de 2020 a Organização Mundial de Saúde propõe-nos como tema que celebremos o trabalho dos profissionais de enfermagem sublinhando o papel crítico que desempenham para manter o mundo saudável.

Nesta ocasião o PCP associa-se à homenagem, atenção e apoio que a OMS nos exorta a todos a fazer dos profissionais de enfermagem e alarga-a a todos os profissionais – enfermeiros, médicos, técnicos de diagnóstico, outros técnicos superiores de saúde, assistentes operacionais.
Uma iniciativa que mais uma vez dá razão à luta que desde sempre temos vindo a conduzir para que aos seus profissionais do Serviço Nacional de Saúde sejam reconhecidas as condições contratuais, as carreiras, as remunerações e as condições de trabalho conformes com a sua exigente formação, os elevados riscos que correm e as altas responsabilidades que têm para assegurar funções essenciais dos cidadãos e da sociedade, como acontece neste momento ao estarem na linha da frente da resposta ao COVID-19. 
Uma última palavra de esperança dirigida aos trabalhadores e ao povo português. Vamos certamente ultrapassar a fase difícil que o País está a viver. O caminho que vamos percorrer encontrará muitos obstáculos. Vencê-lo-emos com determinação e com a certeza de que o PCP estará sempre presente, como aconteceu ao longo dos seus  99 anos de vida, na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores e do povo.
 
06.04.2020 O Gabinete de Imprensa do PCP

A Agenda do PCP está disponível na Internet em www.pcp.pt Rua Soeiro Pereira Gomes, 3 - 1600 – 196 Lisboa Telef. 217813800 - 217813880 * email: imprensa@pcp.pt * Web: www.pcp.pt

segunda-feira, abril 06, 2020

QUEM DÁ O QUE TEM!...


Médicos cubanos chegam à Itália para combater o Covid-19. Foto: RT


















Em agradecimento expresso pela assistência de uma brigada de médicos cubanos à região italiana da Lombardia, a mais afetada no país pela disseminação do novo sars Cov-2 coronavírus, o Partido Comunista daquele país europeu enviou uma mensagem ao primeiro secretário da Comitê Central do Partido, general-de-exército Raúl Castro Ruz, e o presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez.
A carta elogia a valiosa cooperação da Ilha maior das Antilhas, que ajudou o sistema de saúde pública italiano em um sério momento de emergência nacional.
«Depois de anos de cortes nos gastos em saúde pública, nosso sistema de saúde encontra-se em grande dificuldade hoje, apesar do trabalho abnegado e implacável de médicos e profissionais de saúde, que também estão hoje na trincheira contra a coronavírus».
Enviado «em nome do Comitê Central e de todo o Partido(Partido Comunista da Itália)», a carta agradece profundamente «uma pequena Ilha estrangulada por muitos anos pelo bloqueio econômico total da maior potência do mundo. Uma das nações que está dando uma grande lição de solidariedade e humanidade. Seus médicos curaram pacientes em 64 países do mundo. Graças aos ensinamentos do comandante Fidel, eles testemunham o valor e a superioridade da sociedade socialista».
O documento pede transmitir um abraço fraterno aos médicos extraordinários, ao Partido Comunista, ao povo de Cuba e a todos aqueles que trabalharam pela manutenção da sociedade e da pátria socialista contra todos os ataques. «Por 60 anos, eles foram um exemplo e um recurso inestimável para todos os povos do mundo».
Nas linhas finais da mensagem, eles se declaram ainda mais unidos na construção de um mundo de paz e igualdade social, e enfatizam que hoje, graças aos cubanos, «também na Itália se entendeu que o capitalismo fornece o supérfluo, enquanto o socialismo dá o que é necessário».

Ele há cada "hábito"!!!







Quem é que se «habituou»
a comprar à China?


Se é verdade que Portugal não pode produzir tudo o que consome,
também é certo que garantir a soberania alimentar e produtiva é fundamental 
para evitar cenários catastróficos.

Créditos/ Vida Rural
Em entrevista à Renascença esta sexta-feira, o primeiro-ministro António Costa afirmou que a «grande lição» a retirar desta crise provocada pela pandemia de covid-19 é que Portugal tem que voltar a produzir «o que se habitou a importar da China».
Décadas de políticas que nos trouxeram aqui transformam-se, num passo de mágica, num «hábito» que os portugueses adquiriram, de comprar ao estrangeiro e deixar de produzir. 
Portugal tem a maior zona económica exclusiva da União Europeia, mas o saldo na balança comercial de pescado é negativo em mais de mil milhões de euros. A nossa dieta tem nos cereais um elemento fundamental, mas o trigo que produzimos dá apenas para os primeiros 15 dias do ano e o milho para quatro meses. A batata nacional não se vende mas comemos mais de 300 mil toneladas de batata francesa ou espanhola. 
Mesmo com o encerramento de mais de 90% das explorações leiteiras, somos ainda auto-suficientes em leite cru, mas compramos mais de 50 mil toneladas de queijo e de 75 mil toneladas de leite no estrangeiro.
Portugal é um dos países no mundo cuja economia menos cresceu nas últimas décadas. Nem podia ser de outra forma, quando o País mantém os mais elevados custos do crédito, da energia, ou das comunicações, em consequência da entrega a privados – quase todos estrangeiros – destes sectores, e quando as pequenas e médias empresas estão sujeitas ao domínio da grande distribuição que esmaga os preços e lhes impõe condições desiguais.
Esta realidade é fruto de opções políticas e não de «hábitos de consumo». Foram décadas de políticas dirigidas por sucessivos governos seguindo as imposições da União Europeia e de quotas que favoreciam as grandes economias europeias.
O sector têxtil e do calçado foi considerado dispensável, a metalurgia pesada um fardo que era necessário afastar, cultivar couves e batatas estava ultrapassado, pescar era coisa obsoleta. Encerraram milhares de empresas e privatizaram os sectores produtivos.
Mas a ideia de que, comprando ao estrangeiro, poderíamos sobreviver apenas de sol e serviços revela-se agora um erro tremendo.
Perante esta situação de grande incerteza, cabe aos trabalhadores insistir na adopção de medidas que coloquem no horizonte a recuperação da produção nacional. E, pelo caminho, exigir a garantia de condições dignas de trabalho aos que produzem aquilo de que necessitamos para viver.

(re)Citações em estado de virulência - 4

10 de março de 2020
Coronavírus: 
o testemunho de um virologista

Bruno CANARD
(...)
Em 2002, a nossa jovem equipa estava a trabalhar sobre a dengue, pelo que fui convidado para uma conferência internacional onde era tema os coronavírus, uma grande família de vírus que eu não conhecia. Então, em 2003, surgiu a epidemia de SARS (síndroma respiratória aguda grave) e a União Europeia lançou importantes programas de pesquisa para tentar não ser apanhada de surpresa em caso de emergência. 
A abordagem é muito simples: como antecipar o comportamento de um vírus que não conhecemos? Ora bem... só estudando os vírus conhecidos para dispor de conhecimento transferível para novos vírus, especialmente no modo de replicação. A pesquisa é incerta, os resultados não podem ser planeados e é necessário muito de tempo, de energia, de paciência.

(...) 

...quando um vírus surge, os pesquisadores são solicitados a mobilizarem-se com urgência e encontrar uma solução para o dia seguinte. Com colegas belgas e holandeses, enviámos duas cartas de intenções à Comissão Europeia há cinco anos atrás, dizendo que tínhamos que antecipar. 

A ciência não funciona com urgência e resposta imediata.

Na minha equipa, continuamos a trabalhar no vírus da coronavírus, mas com fraco financiamento e em condições de trabalho que gradualmente se deterioram.
(...)

em Le Grand Soir
(já aqui reproduzido a 12 de março)

Porque ainda há domingos... hoje é domingo






... se houvesse perfeição
deveria ser perto disto...
(digo eu,
que não sou melómano)







sábado, abril 04, 2020

Nota à imprensa




A Direcção da Organização Regional de Santarém (DORSA) do PCP manifesta a sua preocupação e repúdio quanto ao encerramento nocturno do Serviço de Urgência básica dos Hospitais de Tomar e Torres Novas a partir do próximo domingo, dia 5 de Abril e exige que o Governo tome as medidas necessárias e imediatas com vista a reverter esta decisão.
O encerramento entre as 24h00 e as 08h00 é na prática antecipado para as 21 horas, porquanto a admissão de doentes a essas mesmas Urgências apenas poderá efetuar-se até essa hora, sendo inaceitável que em alternativa os doentes se tenham de deslocar ao Hospital de Abrantes.
Tendo a área de Intervenção dos três hospitais que integram o Centro Hospitalar do Médio Tejo uma população na ordem dos 247000 habitantes e uma dispersão geográfica acentuada, a que se associa o facto de ser expectável uma maior afluência de casos de COVID-19 a partir dos próximos dias, no hospital de Abrantes, parece evidente que a resposta do serviço de urgência deste hospital será insuficiente, pondo em causa os cuidados de saúde a prestar.
Naturalmente que o surto epidémico do COVID-19 que o distrito, o país e o mundo enfrentam hoje exige, antes de mais, que se priorize a adopção de medidas de reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) capazes de responder não só ao surto epidémico mas, de uma forma contínua, a todas as outras necessidades de prestação de cuidados médicos.
Neste contexto, compreendem-se medidas de reorganização dos serviços de saúde, mas sempre no sentido do seu reforço e da garantia de preservação das capacidades de resposta diversificada e não numa linha de mero encerramento de valências e unidades. É indispensável que o Governo procure o reforço das equipes médicas, de enfermagem e de outro pessoal de saúde, para fazer face à situação, designadamente com recurso às bolsas de profissionais disponíveis e a novas contratações.
Para o PCP é obrigação do Governo tomar todas as medidas necessárias para impedir o encerramento do Serviço de Urgência dos Hospitais de Tomar e de Torres Novas, no período nocturno.
A DORSA do PCP anuncia que, no plano da Assembleia da República irá questionar o governo sobre esta decisão.
Uma vez mais, quando os trabalhadores e o povo mais precisam do PCP, afirmamos que cá estamos e cá estaremos, com a nossa acção, mas também com a nossa presença onde for necessário.

Santarém, 2 de Abril de 2020
O Secretariado da DORSA do PCP

Acompanhando e comentando

do quase-diário:


03.04.2020: 
(...)
… e se há morte e mortos para além dos pandemortos que a estatística nos informa “ao minuto”, (de todo o mundo menos do Terceiro, exceptuando a Índia porque os indianos são aos milhões), também há vida e doenças de vivos para além da vida em pandemia, dos infectados, podendo estes dividir-se em já detectados e não (ou ainda não, ou em vias de serem) detectados, os picos a adiantar ou a atrasar, as estatísticas informativo-manipuladas-manipuladoras.

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(...)… e começo por escrever duas ou três coisitas sobre o assunto e suas estatísticas.

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Contrariando, ou esclarecendo, dúvidas que me assaltaram (...) o post que postei a 31 de Março (esperando acontece?!) estava muito bem apostado.

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Repito o final:
Assim sendo, face ao que acompanho,
ou i) as projecções eram catastróficas,
ou ii) os números anunciados estão longe da realidade, 
ou iii) as medidas tomadas foram muito eficientes no objectivo de atacar a pandemia e está a “achatar-se” a curva dos infectados como pretendido.

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Pois parece comprovar-se (e esconder-se numa verborreia mais de números que palavras) que na alternativa do meio é que estava a virtude, embora também seja certo que podia considerar a terceira alternativa como certa, desde que a ajustasse dizendo que o objectivo é, prioritariamente, o de “achatar” a curva dos infectados e menos, ainda…, o objectivo de atacar a pandemia.

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Até pela falta – objectiva em relação ao objectivo – de meios para a atacar… que estarão a chegar de avião (que é para isso que os aviões estão a servir).

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Daí resulta este espectáculo ou exibicionismo em que se transformou a vida cidadã dita política, com o artista Marcelo em grande vedeta, cabeça de todos os cartazes.

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Aliás… quando não o está, ou parece que se apagou um pouco, logo dá umas actualizadas braçadas no Tejo poluído (em sentido figurado, claro) ou recupera truques de comentador televisivo.

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E, antes de passar à vida (e à morte) para além do Covid19, ainda deixo mais dois apontamentos de despedida e sem auto-promessa de não recidiva.

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O primeiro sobre o pico ,que não é o dos Açores: 
julgava eu, na minha santa ingenuidade ou ingenuidade de santo, qu o dito pico era o ponto mais alto da pandemia e que, depois dele, era a descer com os números de infectados, internados, em cuidados intensivos, a descerem e os de curados a subirem.
Pelo que, desejava eu, na tal minha ingenuidade mais ignorante que santa, que ele se atingisse depressa, e depressa se começasse a descer do pico, ou seja a voltar à normalidade… embora em muito preocupantes novas condições.

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Ao ouvir Marcelo dar a boa notícia de que estão a adiar o dito pico, comecei por não perceber, até atingir o busílis, isto é, que o que se pretende é achatar a curva para que não haja picos tão cedo.

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O que quer dizer que, dada alguma (?) morosidade em fases preambulares, como testes e detecção dos infectados, com tradução em números que compõem as curvas, há achatamentos destas e adiamento de picos, o que, do mal o menos…, mantém-se a informação às massas com o “número” que vai sendo exibido em continuidade de alarme mas sem pânico, e como alimento da confiança em futuras melhores notícias.

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Muito… fino, jogando com o negativo para dele se tirarem pombas do chapéu.

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O segundo apontamento (e não quero que seja mais do que isso) é sobre infectados detectados ou recenseados ou anunciados e uma panóplia de números que substituem a realidade de que deveriam ser, modestamente, a representação.

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Cada vez que se anunciam os números dos infectados e se acrescenta, como auxiliar de informação, a evolução em percentagens… arrepio-me.

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Porque essa percentagem, se referida a números anteriores de acréscimos é falsificada porque, e fico-me por exemplos extremos: se os chamados infectados 0, isto é, do dia 1 (d1), fossem 2 e se, no dia seguinte (d2), se detectassem mais 80, a percentagem de aumento seria de 4000%, se referida ao ponto de partida (2), e de 97,6% se referido ao total detectados (82); se, no dia a seguir (d3), se detectassem mais 80, a percentagem de aumento referida ao número de detectados anteriores seria também de 97,6% mas, se se referida aos detectados globais seria de 49,4%; para terminar (uff!), se, no momento (dn-1) havia 1000 detectados, e se se detectava igual número de 80 no momento (dn) as percentagens seriam, referida ao ponto de partida (1000), de 8%, e referida ao total (1080) seria de 7,4%.  

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Já chega!, mas fique a “ponta” para a questão, tão importante em tantos casos e alturas, da representatividade que os números podem emprestar ao conhecimento de situações e evoluções, e como pode ser perversa a sua utilização, substituindo, distorcendo ou invertendo a realidade.