sexta-feira, fevereiro 23, 2018

Eu, que activo estou (e me quero!) ...

 - Edição Nº2308  -  22-2-2018

Os inactivos
A cena mediática nacional é hoje palco privilegiado da actividade frenética a que se dedicam uns espécimes que a si próprios se classificam de inactivos, isto é, dos que dizem «estar fora da vida política activa». De José Miguel Júdice a Santana Lopes, de Marques Mendes a Cavaco Silva, só para citar alguns exemplos, é ver como todos se desunham a perorar sobre os «casos» colocados na ordem do dia pela agenda económica/política/social do capital.
Refastelados nos seus cadeirões de comentadores ou em poses para a posteridades, coloquais uns, mais doutorais outros, todos debitam em nome da democracia sobre os problemas do povo e do País como se estivessem isentos de responsabilidades, quais virgens sem sombra de pecado, e apontam caminhos que a ser seguidos só poderão levar ao desenvolvimento e ao progresso, apesar de terem a particularidade de serem os mesmíssimos trilhados ao longo de décadas com resultados sempre em desfavor dos suspeitos do costume.
Nesta lavandaria self-service, autêntica barrela de passados mais ou menos longínquos, Júdice já não é o antigo fundador do contrarrevolucionário MDLP onde a extrema-direita se acoitou para combater o 25 de Abril, de onde passou para o PSD, partido em que permaneceu até se aproximar do CDS, primeiro, e do PS, depois, em eleições autárquicas, acabando a apoiar Marcelo nas presidenciais. Do mesmo modo, Marques Mendes lixiviou um longo passado como autarca, deputado, ministro de Cavaco Silva (de 1985 a 1995) e de Durão Barroso (2002 a 2004), e dirigente do PSD. Poderíamos continuar por aqui que havia pano para mangas, mas seria ocioso. O que importa mesmo referir é que estes políticos da política de direita, dizendo não estar no activo, intervêm activamente como fazedores da opinião publicada, seja para falar sobre a «insustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde e do sistema de Segurança Social» ou ameaçar contar o que dirigentes socialistas lhe disseram no passado «sobre o Bloco de Esquerda e o PCP», como fez Cavaco em entrevista recente ao Expresso, seja nos recados semanais transmitidos nos comentários televisivos e replicados depois abundantemente em jornais, revistas e sítios electrónicos. A tónica mais recente, comum a praticamente todos, a propósito do congresso do PSD e até a despropósito, é a entronização da dupla Cavaco Silva / Passos Coelho em que todos parecem agora apostados. Afinal terão sido eles os salvadores da Pátria, o empobrecimento forçado e brutal de milhões de portugueses foi uma forma de progresso, os despedimentos em massa uma inevitabilidade para o crescimento da economia, etc., etc., etc.
Nesta corrida para ver quem lava mais branco, Marques Mendes, que foi ao congresso do PSD «matar saudades», deixa «uma palavra de agradecimento» a Passos Coelho pelo «legado na história do PSD e na história do País», e já anuncia que Luís Montenegro será líder do partido, não se sabe é quando.
Se isto é um inactivo, imagine-se o que seria se estivesse em actividade.

Anabela Fino 

... aplaudo activamente
este  A talhe de foice

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Impostos "europeus" e "cidadania europeia", ardis de rabito federalista de fora com federalismo escondido




do (quase) diário;

14.02.2018

Ontem, deitei-me muito tarde (…) já hoje.

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Ainda antes postei uma declaração importante do João Ferreira sobre os impostos “europeus”, em que insistiu muito (talvez demasiado) nas referências à coesão económica e social ligada ao orçamento, como coisa conhecida e falada... mas o que tem sido é deliberadamente esquecida e pouco lembrada como obrigação (ou objectivo) assumida com o Acto Único de 1986 ... onde é que isso já vai!

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E – ainda! – vi um post do Alexandre Castro merecedor de transcrição, e que preparei para esta manhã... manhãs sempre curtas em madrugadas longas:

A parolice do doutor Costa em relação aos novos impostos da UE


A parolice do doutor Costa em relação
aos novos impostos da UE
Ao chegar-se à frente na questão da criação de mais impostos europeus, o doutor Costa quer ser mais papista que o próprio Papa. Ou, então, estará a abrir caminho – através da exibição de um fanático e ridículo europeísmo – para vir a ocupar, no futuro, um cargo de prestígio nas instâncias europeias, após cessar as suas funções de primeiro-ministro de Portugal. Seja como for, fica-lhe mal a assumpção desta expressiva e bacoca profissão de fé europeísta, inquinada por um escandaloso e rasteiro servilismo, que envergonha o país. Eu até não sei se a ideia não lhe teria sido encomendada por alguém importante, de Bruxelas, de Paris ou de Berlim, para, assim, se iniciar uma campanha promocional que facilite a aceitação, por parte da opinião pública europeia, da criação de mais impostos comunitários. É que esta declaração extemporânea e absurda, que não cabe em nenhum contexto político das funções de um primeiro-ministro, enquanto tal (nenhum primeiro-ministro dos países da UE veio a terreiro falar disto), vai levar o médio cidadão europeu a formular o seguinte raciocínio: Se Portugal, um país pequeno e pobre, e que foi crucificado na cruz da troika, aceita, de bom grado, a criação de mais impostos comunitários, porque não aceitar a ideia como útil e razoável?

Mais uma vez, Portugal tem um primeiro-ministro a fazer a quixotesca figura do “Bom Aluno” da Europa, uma postura que foi comum a todos os primeiros-ministros, depois da adesão à UE. Parolice promovida…


Alexandre de Castro

Muito importante!

terça-feira, fevereiro 13, 2018

domingo, fevereiro 11, 2018

Para este domingo - Zeca a propósito de Rasputines cá dos Cabrais

Com as nossas tamanquinhas...



ZECA AFONSO
Como se faz um canalha
Conheci-te ainda moço
Ou como tal eu te via
Habitavas o Procópio
Ias ao Napoleão

Mas ninguém sabia ao certo
Como se faz um canalha
Se a memória me não falha
Tinhas o mundo na mão

Alguma gente enganaste
(A fé da muita amizade
Tem também as suas falhas
Hoje fazes alianças

A bem da Santa União
Em abono da verdade
A tua Universidade
Tem mesmo um nome: Traição

Um social-democrata
Não foge ao Grão-Timoneiro
Basta citar o paleio
O major psicopata

Já são tantos namorados
Só falta o Holden Roberto
Devagar se vai ao longe
Nunca te vimos tão perto
Nunca te vimos tão longe
Daquilo que tens pregado
Nunca te vimos tão fora
Da vida do Zé Soldado

Ninguém mais te peça meças
No folgor dos gabinetes
Hás-de acabar às avessas
Barricado até aos dentes

És um produto de sala
Rasputim cá dos Cabrais
Estas sempre em traje de gala
A brincar aos carnavais

Nos anais do mundanismo
A nossa história recente
Falará com saudosismo
Dum grande Lugar-Tenente

São tudo favas-contadas
No país da verborreia
Uma brilhante carreira
Dá produto todo o ano

Digamos pra ser exacto
Assim se faz um canalha
Se a memória não me falha
Já te mandei prò Caetano

    

terça-feira, fevereiro 06, 2018

"Modelo alemão"? (ou a alternativa "chora-mingalhas"?)

do Público de hoje:
Aumento de 4,3% e menos horas de trabalho
põem fim a guerra laboral
Patrões das principais empresas alemãs e o mais poderoso sindicato germânico põem fim a braço de ferro
com acordo que prevê jornada de 28 horas semanais e participação nos lucros das empresas.

6 de Fevereiro de 2018, 11:12
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BÀ sexta foi de vez. O mais forte sindicato alemão, o IG Metall, chegou a um acordo com o patronato para um aumento salarial de 4,3% e um alívio no número de horas incluídas na jornada laboral. Depois de cinco reuniões sem sucesso, e uma série de greves de 24 horas que custaram 200 milhões de euros à economia alemã, a última ronda de negociações permitiu chegar a um pacote de medidas que ficam aquém das exigências iniciais daquele sindicato (pedia aumento de 6%), mas que deverá servir de referência para futuras negociações, incluindo noutros sectores da maior economia europeia.

A aplicação das medidas aceites pelo IG Metall (que representa 3,9 milhões de trabalhadores alemães) e pelo patronato vai estender-se por um período de 27 meses, segundo noticia a imprensa alemã nesta terça-feira. "Os trabalhadores vão ter mais dinheiro no bolso em termos reais; vão obter uma parte justa dos lucros das empresas; e isso vai impulsionar o consumo", resumiu um dos negociadores daquele sindicato, Roman Zitzelsberger, citado pela Reuters, ao fim de 13 horas de negociações.
O acordo foi selado em Estugarda, sede de empresas importantes como a Daimler, abrangendo no imediato meio milhão de trabalhadores no sudoeste do país, mas acabará por se estender a outras regiões e sectores de actividade, "servindo de benchmark para milhões de trabalhadores" na Alemanha, sublinham analistas ouvidos pela mesma agência de notícias.
Numa base anual, o acordo representa um acréscimo salarial de 3,5%, segundo as contas de um analista do banco alemão Commerzbank, Eckart Tuchtfeld. O que significa que, para as empresas, haverá um aumento dos custos de produção acima do inicialmente previsto, mas, como refere outro analista do Barclays, "pelo menos este acordo traz garantias de maior certeza" para o patronato. Ainda na semana passada, uma greve de 24 horas paralisou empresas como a Airbus, a Daimler, BMW e Bosch, custando aos fabricantes de carros, empresas fornecedoras de bens e de engenharia qualquer coisa como 200 milhões de euros. E os sindicatos tinham ameaçado com mais greves e outras formas de luta, caso a reunião de segunda-feira não servisse para alcançar um acordo. O que acabou por acontecer, depois de se registarem cedências de ambas as partes.
Além de um aumento salarial de 4,3%, que começará a ser pago a partir de Abril, os trabalhadores abrangidos irão receber um pagamento único de 100 euros, relativo ao exercício fiscal do primeiro trimestre. É um valor extra, não repetível, que a partir de 2019 se converterá num pagamento único de 400 euros por cada ano, ao qual acrescerá outro pagamento anual extra correspondente a 27,5% do salário mensal de cada um. Porém, este montante pode ser convertido em menos horas de trabalho por quem preferir uma jornada laboral mais leve – o que acontecerá de qualquer forma, visto que uma das alíneas do acordo agora firmado prevê a redução das 35 horas de trabalho semanal para 28, para quem tiver filhos menores, familiares doentes ou idosos. Uma medida que será válida por um período de dois anos. Em compensação, as empresas poderão recrutar mais trabalhadores que estejam disponíveis para 40 horas de serviço semanal, o que será uma forma de criar "mais flexibilidade", sobretudo em períodos em que seja necessário aumentar a produção para responder a aumentos na procura.
A notícia deste acordo surge no mesmo dia em que as bolsas europeias registaram índices a perder cotação, em resposta às perdas acentuadas verificadas em Wall Street, onde o Dow Jones Industrial caiu, pressionado pelo aumento das taxas das obrigações do Tesouro dos EUA. Um movimento que é justificado pelos dados dos custos salariais, que subiram na economia norte-americana, e que pôs os investidores à espera de uma subida das taxas de juro. O dia ainda traz outra boa notícia para a economia alemã, a de que as encomendas na indústria subiram 2,2% no último mês de 2017.

Todos estes factores conjugados apontam para um aumento da inflação na zona euro, empurrada pelo principal motor económico que é a Alemanha, fazendo a taxa aproximar-se dos 2%, meta do Banco Central Europeu (BCE). Mas será necessário aguardar para ver se isso de alguma forma pode acelerar a retirada dos estímulos que o BCE tem empregado para ajudar a economia da zona euro.

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Trabalho extraordinário e em dia feriado, encurtamento do dia de trabalho e "bolhas"

de  "eles andam aí?" (no Expresso curto de hoje, por Pedro Lima):

"(...)

O PCP lembrou este fim-de-semana as más companhias com que anda o PS ao lembrar o chumbo, com o apoio do PSD e do CDS, da reposição do pagamento do trabalho extraordinário e em dia feriado proposta pelos comunistas. (NB1)

(...)

Eles andam também aí, os receios de turbulência nas Bolsas. Depois de um início de ano quente, a semana passada foi marcada por uma forte queda das ações em muitos mercados. O que nos dizem estas recentes quedas? É o princípio de uma correção mais acentuada? É uma bolha prestes a estourar? Os receios estão aí, como nota o Wall Street Journal, os alertas também. Depois de Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal, ter dito que nos Estados Unidos há duas bolhas, uma nas ações e outra nas obrigações, este fim-de-semana coube a Janet Yellen, que no final da semana deixou também de ser presidente da Reserva Federal, dizer que o facto de as avaliações dos ativos estarem tão elevadas é fonte de “alguma preocupação”. Se é uma bolha ou não, é algo a que não sabe responder. Foi numa entrevista à estação televisiva CBS.

Hoje alguns dos principais mercados asiáticos fecharam a sessão a cair: Tóquio 2,2% e Hong Kong 1,4%. Lisboa abriu a perder 0,56% com as quedas do BCP, Galp e EDP em destaque.

Há também alertas em torno das moedas virtuais, com a Bitcoin a destacar-se pela forte perda de valor. Nouriel Roubini, o economista americano que gosta de nos dar más notícias, também anda por aí a alertar para aquela que considera a maior bolha de sempre na História da Humanidade. (NB2)

(...)"

Notas do blog:
(NB1) - Citação de fontes onde se vai
quando por outros trabalhos:
... o verdadeiro reino da liberdade,
a qual, porém, só pode florescer
 com aquele reino da necessidade como base sua.
O encurtamento do dia de trabalho 
é a condição fundamental.

(NB2) - Quando é que "eles"
deixaram de estar "c' a bolha",
ou, pelo seu funcionamento,
deixaram de caminhar para ela?

domingo, fevereiro 04, 2018

Para este domingo



Sonho de Primavera

Sonhei com flores coloridas,
tal como florescem em Maio.
Sonhei com verdes campos
e com o canto alegre dos pássaros.

Quando os galos cantaram,
meus olhos abriram-se.
Estava escuro e frio,
e corvos grasnaram no telhado.

Mas, nas vidraças,
quem pintou estas folhas?
Podem rir-se do sonhador
que viu flores no inverno?

Sonhei com um amor a-dois,
eu e uma bela donzela,
com carícias e beijos,
com alegria e felicidade.

Quando os galos cantaram
acordaram meu coração.
Agora, sento-me, aqui, sozinho
e sonho o meu sonho!

E fecho de novo os meus olhos,
com o coração ainda a bater apressado.
Quando me entrarão os verdes pela janela?

Quando terei meu amor em meus braços?