quarta-feira, dezembro 12, 2018

Recortes

DO expresso diário:
(por Paulo Luís de Castro)

"(...)
Além deste tema com que abrimos o Diário desta quarta-feira, pegámos numa frase proferida esta manhã pelo primeiro-ministro espanhol no Parlamento, em Madrid, a propósito do anúncio do aumento do ordenado mínimo para 900 euros – “um país rico não pode ter trabalhadores pobres”, disse Pedro Sánchez – para abordar a realidade portuguesa.
Infelizmente, a conclusão é esta: apesar de termos uma economia considerada como avançada, ter um emprego e um salário no final do mês não chega para evitar que as pessoas caiam na pobreza. E os números desta realidade entre a população empregada continuam a ser muito elevados, quase meio milhão, de acordo com a análise recente do Instituto Nacional de Estatística.
Não perca ainda estes outros temas:

O país onde um gestor ganha 160 vezes mais do que os seus trabalhadores


Os presidentes executivos das empresas cotadas no índice PSI-20 ultrapassaram a crise e o período de resgate da troika com aumentos salariais de quase 50%, enquanto os trabalhadores perderam 6,2%. (...)

terça-feira, dezembro 11, 2018

Era hoje... um passo fals(ificad)o no BREXIT

Resumindo: 
apesar da enumeração de "saídas" (8, não é?), só virá a valer a que levar a novo referendo... desde que deste resulte um SIM a uma União Europeia em desmantelamento!
Chega a ser tragicamente caricato...

desCOESÂO ECONÒMICA E SOCIAL na U.E.

INTERVENÇÃO DE JOÃO FERREIRA NO PARLAMENTO EUROPEU

Preparação da reunião do Conselho Europeu de 13 e 14 de Dezembro de 2018

Ver vídeo
01:06
Relativamente ao orçamento da União Europeia pós-2020, nenhuma das posições em confronto no Conselho Europeu é aceitável para os interesses dos povos da Europa e particularmente para os países, como Portugal, mais prejudicados pela natureza assimétrica e divergente da integração.
Nestes países, as verbas da coesão – que agora querem cortar, e para isso não falta consenso – nunca compensaram os impactos negativos das políticas comuns, do mercado único e especialmente do Euro.
Que na mesma reunião do Conselho Europeu em que discutem o aprofundamento do mercado único – cujos benefícios e prejuízos caem, uns e outros, sempre para os mesmos lados – se discuta também um orçamento que corta as verbas da coesão, é elucidativo e diz muito da natureza da União Europeia.
Se o ascenso da extrema-direita nos mostra que o perigo do fascismo existe – e existe, de facto – é de elementar lucidez reconhecer que é a União Europeia quem lhe vem abrindo o caminho.
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... de classe!

segunda-feira, dezembro 10, 2018

Assembleia Geral das Nações Unidas de 10.12.1948

Há 70 anos. 
Quando "direitos humanos" era expressão não  utilizada pelos ideólogos da desideologia como arma da vertente ideológica da luta de classes:

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do homem;
Considerando que é essencial a protecção dos direitos do homem através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;
Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;
Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos do homem e das liberdades fundamentais;
Considerando que uma conceção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:

A Assembleia Geral

Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os lugares da sua personalidade jurídica.
Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.
  1. Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
  2. Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido.
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.
  1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.
  2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.
  1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países.
  2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
  1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
  2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.
  1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.
  2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos.
  3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado.
  1. Toda a pessoa, individual ou colectivamente, tem direito à propriedade.
  2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.
  1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.
  2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
  1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
  2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.
  3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.
Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.
  1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
  2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
  3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
  4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para a defesa dos seus interesses.
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.
  1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
  2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma protecção social.
  1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
  2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
  3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos.
  1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
  2. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.
Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciados na presente Declaração.
  1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.
  2. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.
  3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

Almoço de ontem em Alpiarça


do quase-diário:

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Almoço do PCP: pavilhão bem preenchido (cerca de 500 participantes, confrontados com 350 do ano passado), 6 de Ourém-Fátima, bom ambiente.

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Muitos encontros de amigos e camaradas, mas um particularmente me “tocou”: com o Marvão, o único vivo dos 6 de Alpiarça que comigo “estagiaram” na sala 2-r/chão-direito em Caxias, há 55 anos – Abalada, Arraiolos, Brasileiro, Machado, Marvão, Raposo (Facalhim)  

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Boa intervenção do Jerónimo de Sousa (que, antes, gostei de abraçar), com chamada de atenção para as eleições do ano 2019 (as “europeias” – com destaque para o papel condicionador da nossa soberania pela União Europeia –, as “legislativas” – com relevante sublinhado para quem vai ser candidato e eleito: os deputados para a Assembleia da República e não o primeiro ministro e o governo!).

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Para as quais é preciso preparar o Partido, disse Jerónimo, e eu permito-me acrescentar: e preparar os militantes e as massas…

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Ouvi uma frase na intervenção (que quero confirmar no vídeo), depois das necessárias referências aos passos dados na legislatura por influência determinante do PCP desde os resultados, seu arranque e OEs, frase que me convocou a registar e a tomar nota na toalha de papel:
 “… este caminho não encontra estrada!”

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domingo, dezembro 09, 2018

BREXIT - A "saída do povo"

do quase-diário:


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Adormeci (e acordei!) a ler, pela segunda vez, o artigo do João Ferreira no avante!

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No intervalo, recordei (de novo!) a minha nota de 1962 na Revista de Economia (um dos textos suportes de mim…), as breves reportagens radiofónicas aquando da adesão em 1972, Maastrich e opting-out… sei lá que mais.

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(muito lembro eu!, sempre com a precaução de não cair no excesso de historicismo de que a UNESCO/Lange, em 1972, acusava a abordagem marxista da ciência económica).

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Mas… reproduza-se o texto de João Ferreira, que bem merece ser lido e reflectido, a começar pelo título e a acabar no fecho.

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A «saída do povo»

Segundo o Gabinete Nacional de Estatística do Reino Unido, no último Inverno, entre Dezembro de 2017 e Março de 2018, estima-se que tenham ocorrido na Inglaterra e no País de Gales mais 51.100 mortes do que no período homólogo do ano anterior (2016-17), o número mais elevado em 41 anos. Estas mortes estão relacionadas com o frio e com deficientes condições de aquecimento das casas, incluindo casos de doenças respiratórias consideradas evitáveis. A maioria das vítimas são mulheres, embora o número de óbitos de homens com menos de 65 anos tenha duplicado. A edição do último fim-de-semana do «Morning Star» chama-lhe uma «tragédia humana», um «escândalo nacional», cuja explicação não é separável do aumento da conta de energia das famílias, nem dos lucros amealhados pelas seis grandes companhias de energia que dividem o mercado entre si.
O caso dá-nos o elucidativo pano de fundo sobre o qual se desenrola o processo de negociação da saída do Reino Unido da União Europeia. A realidade económica e social britânica é inseparável da pertença à UE e das políticas e opções neoliberais que determinaram o curso da vida política, económica e social no Reino Unido ao longo dos anos.
Tanto quanto a incerteza em relação ao futuro, que as negociações em curso adensam, é a precariedade do presente o que preocupa os trabalhadores e o povo britânico, assim como os imigrantes que vivem e trabalham neste país, incluindo a numerosa comunidade portuguesa, que engrossou significativamente durante os anos da 'troika' em Portugal.
Os 17 milhões de britânicos que em 2016 votaram pela saída do seu país da UE – na mais participada votação de sempre no Reino Unido – certamente que o terão feito com motivações diversas. Será todavia seguro afirmar que, com o seu voto, terão formulado um desejo de ruptura, a par da intenção de assumir o controlo sobre decisões fundamentais para as suas vidas, libertando-se de constrangimentos impostos pela UE, negativamente avaliados. Dois pressupostos – o desejo de ruptura e a afirmação de soberania – que o acordo alcançado há dias entre a UE e o governo do Reino Unido vem pôr em causa.
O grande capital britânico, atravessado por contradições que se estendem aos seus representantes políticos, divide-se pela aposta em caminhos diversos. Uma parte não desistiu ainda de reverter a decisão do povo britânico. Outra, pretende torpedeá-la, deturpando o seu significado, através de um acordo de saída que manterá o Reino Unido constrangido pelo neoliberalismo plasmado nos tratados e legislação da UE. Outra ainda, pretende, a partir de uma saída sem acordo, levar a cabo extensas medidas de desregulamentação e de agravamento da exploração.
A estes caminhos (todos diferentes, todos iguais na sua marca de classe) contrapõe-se, à esquerda, uma «saída do povo», um «Brexit dos trabalhadores e do povo», em que a libertação das políticas e imposições UE é encarada como condição de avanço progressista e emancipador. É a posição, entre outros, do Partido Comunista Britânico.
Para o PCP, o respeito pela decisão soberana do povo britânico e a defesa intransigente dos interesses da comunidade portuguesa que vive e trabalha no Reino Unido, são dois princípios orientadores da sua intervenção em todo este processo. Independentemente das atribulações e conclusões das negociações entre a UE e o Reino Unido, o Governo português deve trabalhar na construção de um quadro de relações e de cooperação futura com o Reino Unido, mutuamente vantajoso, respeitador da soberania e das aspirações de ambos os povos e dos interesses dos imigrantes portugueses neste país.
João Ferreira 
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"Paris já está a arder?", pergunta reincidente

do quase-diário:

A França em polvorosa, a arder!

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Em todas as televisões do mundo… ocidental!

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Muito oportuno (e actual!) este actual do Filipe Diniz:

 - Edição Nº2349  -  6-12-2018

Gato escondido

Francesco Cossiga, um homem de direita, foi ministro do Interior, primeiro-ministro e Presidente da República Italiana. Foi uma figura central na reestruturação da polícia, da protecção civil e dos serviços secretos italianos nos anos 70 do século passado. Estava em funções quando do assassínio de Aldo Moro e do atentado terrorista em Bolonha. Esteve associado à criação do «Gládio», braço terrorista da NATO.
Teorizou com grande sinceridade sobre a acção provocadora da polícia nos anos 60 e 70: «Deixar andar. Retirar as forças de polícia das ruas e das universidades, infiltrar o movimento com agentes provocadores dispostos a tudo e deixar os manifestantes durante uma dezena de dias devastar lojas, incendiar automóveis e deixar as cidades a ferro e fogo…[depois] as forças da ordem deverão sem qualquer piedade enviar todos para o hospital. Prendê-los não, porque há muitos magistrados que os deixariam de imediato em liberdade!»
Cossiga teve o mérito de falar claro, mas não inventou nada. Desde que há movimentos de massas que a classe dominante aprendeu que a provocação é uma das melhores formas de os combater.
Vem isto a propósito de imagens que nos chegam de Paris, e que são praticamente as únicas que os media internacionais transmitem acerca das manifestações dos «coletes amarelos»: vandalismo e violência. É óbvio que um movimento tão amplo e que mobiliza camadas sociais sem experiência de luta está exposto a todas as infiltrações e provocações. O que as imagens mostram grita «provocação». Não será certamente a única mas, infelizmente para a polícia francesa, o seu currículo nessa área está mais do que documentado. É uma das vantagens da net, enquanto não estiver inteiramente censurada. E lá surge o gato CRS escondido, com o «colete amarelo» por fora

Filipe Diniz 

sábado, dezembro 08, 2018

Pare, escute, olhe...

e LEIA (Público de ontem) que vale a pena:

<
se clicar
lerá melhor (:-)!

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Com todo o gosto... lá estaremos!

Calendário:
Cultura
Data:
12.12.2018
Localização:
Url:
https://www.facebook.com/events/361166800951097/

Descrição

Pelos 200 anos de Karl Marx e dos 139 anos do jornal A Voz do Operário, A Voz do Operário e a editora Althum têm o prazer de o/a convidar para o lançamento da banda desenhada de Carlos Barradas baseada n’O Capital de Karl Marx.

A sessão contará com a presença do autor da banda desenhada, Carlos Barradas e Sérgio Ribeiro, autor do posfácio à presente edição.


Bem prega Frei Tomás... ou l'arroseur arrosé

Às vezes (raras...) até dá vontade de rir


Bruxelles lance une lutte « low cost » contre la désinformation

[Monde] La Commission a présenté son plan d’action sur la désinformation. Mais le financement n’est cependant pas tout à fait à la hauteur.

segunda-feira, dezembro 03, 2018

Xi-Jinping em Lisboa


do quase-diário:

03.11.2018

Dia dedicado… à China.

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Ou não viesse chegar amanhã a Portugal (a Lisboa) Xi-Jinping.

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Passei uma parte do dia a… rever matéria dada, no tempo em que me dedicava muito aos blogs, ao “anónimo”, entretanto vencidos (mas não convencido) pelo face-book.

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Antes desta visita de hoje aos “arquivos” já lera textos de actualização, particularmente um artigo interessante na Revista do Expresso da semana passada, de um tal Bruno Maçães.

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Interessante mas irritante pela petulância do autor e pela abordagem preconceituosa e redutora numa verdadeira obsessão ideológica geopolítica, numa postura “à colonizador”.

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Desconhecia o personagem, e quando, acabado de ler, fui pesquisar quem ele seria surpreendi-me porque até andou, há cerca de um ano, nas “bocas do mundo” (Visão, Correio da Manhã e outros lugares de más frequentações) por péssimas razões.

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Adiante... não vou gastar tempo e cera.

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Não obstante, a leitura do extenso artigo foi útil pelas informações que dá e questões que levanta à volta da “Cintura e Rota”.

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Estimulou-me a abrir o “arquivo” do blog e a fazer a tal revisão de matéria dada, em que não me senti nada mal a ler coisas que escrevi há uns anitos.

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Convidando-me a transcrever alguns "posts":


quarta-feira, novembro 09, 2011
de vermelho:
China, uma parceira estratégica que preocupa o Brasil
Desde 2009, a China é o parceiro comercial mais importante do Brasil. É o principal destino das exportações brasileiras e o segundo maior importador de produtos para o país. Mas, se essa relação, por um lado, é tão promissora, por outro, ela já desperta algumas preocupações. Uma das principais queixas é que, enquanto a China sabe exatamente o que quer dessa parceria, o Brasil ainda estaria se ajustando passivamente às necessidades do gigante asiático.

(...)


domingo, janeiro 15, 2012

A China!

À boleia do leilão-venda a uma empresa estatal chinesa de parte substancial da EDP, muito há a reflectir.
Ainda a quente, vieram as nomeações para o Conselho (de quê?...), com os nomes conhecidos, as razões inconfessadas, os salários escandalosos, a desfaçatez de uns senhores desde um Ricardo Salgado, que fala como se fosse dono do BES, de Portugal, do Mundo, ao propriamente dito Eduardo Catroga, que se prefigura como boneco bordaliano, a antítese do Zé Povinho, com o manguito com o endereço invertido.
Mas não faltam também as referências estratégicas, com destaque para a “estratégia chinesa”, algo confusas ou confundidas, mesclando admiração, medo, menosprezo.
Uma porta de saída de recurso, daquelas que se conhecem por "saídas de emergência", é a de que a China está completamente convertida ao capitalismo, que a sua estratégia é capitalista.
Procurando vencer o nosso inato eurocentrismo na avaliação de todas as situações, como se fossemos, europeus, centro do mundo, e cada um de per-si, o umbigo desse centro barrigudo, começaríamos por afirmar que a avaliação da estratégia chinesa cabe, antes de todos, aos… chineses. E são em número que chega (1,3 mil milhões, mais chinês menos chinesa).
Passou a China a ser capitalista por estar… no mercado? [por ter entrado para a OMComércio, mantendo-se a dúvida se a OMComércio entrou no espaço imenso (social e económico) da China]
Parece-nos simplista a conclusão. Até porque as premissas antes da conclusão são inúmeras.
Há uma questão quase preliminar, a partir de base teórica em que assentamos:
·                  sendo o capital uma relação social de produção em que a classe predominante impõe o objectivo de acumular capital-material sob a forma dinheiro, passando de dinheiro no início a mais dinheiro no final, tenha este fundamento material ou seja ele simbólico, fictício, creditício, é esse o objectivo estratégico da China?,
·                  ou continua a ser, desenvolver a economia da China, a partir de uma situação de partida de desmesurado subdesenvolvimento, tendo como início e final do processo a satisfação de necessidades de seres humanos que se contam por dezenas de milhões?

(...)

sexta-feira, junho 26, 2015

Reflexões lentas - BRICS, BAII, RMB, Rota da Seda e outras rotas

Se BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul), e coisas como essa, estimulam uma "leitura" da História, e da história que nos é contemporânea, preocupam algumas outras "leituras" ou "literaturas", que julgavam, ou queriam convencer, que a História chegara ao fim. 
Neste mundo em ebulição, que alguns estertores tornam por demais perigoso, há umas "cabecinhas" - umas que se querem lúcidas, outras semi-lúcidas, do tipo "mudanças, sim... mas na continuidade do que não pode mudar" - que não se metem na areia, e observam o que se passa à sua volta.
A criação do Banco Asiático de Investimento, o papel da moedarenminbi na actual e próxima situação monetária mundial, a concretização do megaprojecto da Rota da Seda (lembrando a Teoria geopolítica da Heartland, dos primeiros anos do século XX) são (ou podem ser) manifestações de um vulcão em laboração que transforma em espuma (mediática... mas espumazita) tudo o que tanto nos (pre)ocupa. 

(...)

sexta-feira, dezembro 25, 2015

Acontecem coisas... até no dia de Natal!

Uma notícia Lusa:

quinta-feira, novembro 29, 2018

O caminho faz-se a caminhar...


INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA NA ASSEMBLEIA DE REPÚBLICA
Encerramento
da discussão do Orçamento do Estado 2019
29 Novembro 2018
Senhor Presidente
Senhores Deputados,
Senhores membros do Governo,
Votamos hoje o último Orçamento do Estado de uma legislatura que permitiu inverter a intensificação de exploração e liquidação de direitos que PSD e CDS tinham em curso e projectavam ampliar.
Não foram só estes dois partidos que foram derrotados. Com eles foi desmentida a ideia de que ao País apenas restava o caminho do empobrecimento dos trabalhadores e do povo. Derrotados também os que convocaram todos os demónios das opções únicas. Os que pressionaram, chantagearam a partir de fora mas também de dentro sobre cada medida de inversão do caminho do empobrecimento. Os que fizeram da intriga, da amalgamação de tudo, para tudo confundir e para que tudo ficasse como antes planeavam.
Aliás, foi ver PSD e CDS no debate deste Orçamento a exercitar a sua demagogia, a propor mundos e fundos que no passado recente negaram na esperança vã de que os mais distraídos se esqueçam do que representam.
Um exercício pouco consistente, até porque em momentos decisivos deste debate PSD e CDS foram a mão protectora do Governo, da sua fixação numa trajectória do défice que voltou a não permitir os níveis de financiamento e de investimento que o País precisa. Quando foi preciso, lá estiveram PSD e CDS a dar o jeito ao Governo.
Defender, repor e conquistar direitos afirmou-se como um factor de crescimento económico e elevação das condições de vida. Limitado e insuficiente, é certo, porque a resposta aos problemas que o País enfrenta não é compatível com os constrangimentos que o governo do PS impõe a partir das suas opções e compromissos com o grande capital, o Euro e a União Europeia.
Não desvalorizamos os avanços alcançados inseparáveis da luta dos trabalhadores e da intervenção do PCP. Não desvalorizamos o que se repôs e conquistou, o que se foi consolidando nestes últimos três anos.
Foram repostos os salários, pôs-se fim aos cortes das pensões e promoveu-se o seu aumento, tal como do abono de família, do apoio às pessoas com deficiência e aos desempregados. Valorizaram-se as longas carreiras contributivas. Avançou-se para a gratuitidade dos manuais escolares em toda a escolaridade obrigatória. Foi reposto o direito ao pagamento por inteiro do subsídio de Natal. Foram repostos os feriados roubados. Na Administração Pública foram repostas as 35 horas, o direito à progressão na carreira, tomadas medidas de combate à precariedade. Reforçou-se a acção social escolar, a contratação de funcionários nas escolas. Foi possível reduzir taxas moderadoras, alargar a contratação de médicos e enfermeiros, reduzir os custos com medicamentos, fixar compromissos para a construção de novos hospitais. Foi possível assegurar a gratuitidade do acesso aos museus aos domingos e feriados e o reforço do apoio à criação artística. Aliviou-se o IRS sobre os rendimentos do trabalho e os mais baixos rendimentos, reduziu-se e eliminou-se o Pagamento Especial por Conta que pesava sobre as MPME, reduziu-se o IVA da restauração. Foi possível assegurar o apoio à agricultura familiar, a redução dos custos com combustíveis para agricultores e pescadores, medidas de valorização do pescado e dos rendimentos dos pescadores, entre outras.
Cortaram-se benefícios aos fundos imobiliários, passou-se a tributar o património imobiliário de valor mais elevado com a introdução do adicional do IMI e aumentou-se a tributação sobre os grandes lucros por via do aumento da derrama do IRC. Passos tímidos na hora de taxar com eficácia o grande capital e que, mesmo assim, encontraram resistência, como aliás se provou com a decisão de anteontem de não aprovar o novo escalão da derrama para empresas com lucros de muitos milhões.
Registamos que este Orçamento do Estado para 2019 tenha dados novos passos positivos: a gratuitidade dos manuais escolares em toda a escolaridade obrigatória, um novo aumento extraordinário de pensões de reforma já em Janeiro, novos avanços no abono de família e no abono pré-natal, a redução do valor das propinas e o alargamento do complemento para alojamento de estudantes com bolsa, a redução do IVA na cultura, o novo passo no regime de reformas antecipadas para longas carreiras, a perspectiva aberta de uma redução significativa nos preços do transporte público, a eliminação do Pagamento Especial por Conta para os pequenos e médios empresários, a majoração do abono de família até aos seis anos e alargamento do abono pré-natal ao 4.º escalão, o início de construção de uma rede pública de apoio a cuidadores informais.
Sim, o caminho da defesa e valorização de direitos é o caminho que é preciso percorrer para dar resposta aos problemas nacionais.
Mas, os avanços alcançados não devem iludir o que se deveria ter feito para ir mais longe. Não ignoramos o que o governo e o PS não quiseram adoptar, o que deixaram por cumprir ou mantiveram adiado.
Ao contrário do que é afirmado, responder plenamente aos problemas do país, vencer défices estruturais e assegurar o desenvolvimento não são objectivos que possam ser alcançados com o País amarrado às orientações e imposições da União Europeia, submetido aos constrangimentos do Euro, das suas regras, da governação económica, dos semestres europeus, dos vistos prévios de orçamentos, dos programas de estabilidade, todos cada vez mais constrangedores e insistindo em manter opções de redução do défice desligadas das necessidades do País.
Cada décima hipotecada à redução forçada do défice são milhões retirados ao investimento, ao financiamento dos serviços públicos, ao apoio à produção, ao combate às injustiças e desigualdades sociais que se mantêm enormes.
A resposta aos problemas do País não se faz com uma política que recusa a superação dos constrangimentos de uma dívida pública sufocante e insustentável.
Não se faz com uma política que opta por continuar a drenar centenas de milhões de euros de recursos públicos para o sector financeiro, tal como opta por não enfrentar o capital monopolista seja pela recusa de reversão das PPP, seja pela manutenção do domínio dos grupos monopolistas em sectores estratégicos da economia.
Uma situação que conduziu ao crescente domínio do grande capital, sobretudo estrangeiro sobre a economia do País e que leva a uma permanente saída de milhares de milhões de euros para o estrangeiro em pagamentos de dividendos, em prejuízo do investimento no País.
Domínio que conduz à manutenção de profundas injustiças sociais.
A situação da distribuição da riqueza no nosso País é reveladora: em 2017, os salários apenas representavam 34,6% nessa distribuição e os rendimentos de capital acumulavam 41,6% dessa riqueza.
Uma situação que mostra que não basta fazer crescer a economia, que ainda estamos muito aquém da concretização de uma verdadeira política de valorização do trabalho e dos trabalhadores. A sua concretização exige a valorização dos salários, o direito à estabilidade e segurança do emprego, o decisivo combate à precariedade e à desregulação dos horários de trabalho, a eliminação das normas gravosas da legislação laboral.
Portugal precisa de elevar a um outro patamar a resposta aos seus problemas de fundo e isso exige uma outra política.
Por isso, a questão crucial que está colocada é a da construção de uma política alternativa liberta das opções que têm estado na origem dos problemas e na sua acumulação.
Com a mesma convicção que nos leva a não desperdiçar nenhuma oportunidade para dar resposta a aspirações dos trabalhadores e do povo, o PCP afirma que a construção de um Portugal com futuro, justo, desenvolvido e soberano é inseparável de uma alternativa patriótica e de esquerda.
Disse.