segunda-feira, maio 22, 2017

domingo, maio 21, 2017

Para este domingo

https://www.youtube.com/watch?v=85tRr6_1FXQ
canção famosa na voz de Elis Regina, mas da autoria de Belchior, desaparecido o mês passado


Obrigado, Gonçalo!
... mas a Elis!!!

sábado, maio 20, 2017

Abençoadas palavras!

Nem todas as palavras serão abençoadas. Algumas o são, Se para tal (o)usasse a minha humana condição escolheria estas, acabadas de ler:


 - Edição Nº2268  -  18-5-2017

As três vitórias


(... passo adiante o trecho inicial para depressa chegar às abençoadas palavras, não por menos mérito das que não são citadas e preencheriam este espaço "em branco" entre reticências e parênteses ...)

Do mesmo lado
De qualquer modo, fixemo-nos neste último facto, a vinda de Francisco, aqui arrolado como vitória nacional e, como se justificava, com intensa cobertura pela TV. Por muito que tenhamos tido gosto na visita, convém reconhecer que o Papa utilizou a vinda a Fátima não apenas para acrescer mais dois santos à Igreja que lidera, mas também para mais uma vez orar pela Paz no mundo. Sem surpresa: a Paz e a veemente condenação de um modelo social que assenta na pobreza de milhões para proveito de milhares têm sido os temas dominantes das intervenções do Papa, tantas vezes e de tal modo que lhe granjearam a pública reprovação de muitos e a surda hostilidade de uns quantos. E não tente ninguém, farisaicamente, sustentar que o combate de Francisco em favor da Paz e contra a exploração de muitos por alguns (os marxistas dizem isto de outro modo, bem se sabe) foi irrelevante para a maré alta de presenças em Fátima nos passados dias 12 e 13: telespectadores que somos, vimos e ouvimos muitos depoimentos de gente grata ao Papa pelas suas palavras em favor da Paz e da efectiva fraternidade que exclui as injustiças sociais. Assim, os que lutam por um futuro diferente e justo tiveram mais uma vez a confirmação de que Francisco está do seu lado, ainda que porventura de outro modo. E agradecem-lhe pela condição de factual aliado.


Correia da Fonseca 

Menos metro e meio, mais (mais ou menos...) vinte centímetros!


Os 20 centímetros que o Salvador Sobral trouxe são em grande parte mérito dele, e o metro e meio que perdemos é demérito nosso.
20 de Maio de 2017, 7:23

Isto de ser desmancha-prazeres não é propriamente muito agradável, mas lá terá de ser. A Pátria está mais uma vez a atravessar um espasmo nacionalista por causa da vitória dos irmãos Sobral na Eurovisão. Isto é por surtos, agora vai haver 15 dias de celebrações, cheias de grandes frases, cheias de peito feito, por parte de quase toda a gente que nem sabia que Salvador Sobral existia. Como agora se diz, “as redes sociais fervem”, e, quando elas “fervem”, a comunicação social, que devia ser menos excitável, perde o equilíbrio. Subitamente tudo parece possível, o interesse pelo português sobe em flecha, o lirismo passa a receita universal, Portugal é o maior, e duas pessoas, os irmãos Sobral, passam do anonimato para heróis nacionais. É bom, é cómodo para toda a gente, mas, com a excepção dos irmãos e de quem os ajudou e apoiou, este sucesso tem a característica habitual do modo como nos “auto-estimamos” com o trabalho e a dedicação dos outros, ou seja, sem trabalho próprio, sem esforço — cai-nos no céu. É por isso que é politicamente útil e utilitário, porque civicamente barato e psicologicamente agradável.
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Ninguém o disse melhor que o senhor Presidente da República, que afirmou que “a vitória na Eurovisão deu 'mais 20 centímetros' aos portugueses” (cito o PÚBLICO). Sim, excelente, andamos todos com mais 20 centímetros, mas onde é que está o metro e meio que perdemos como nação há 20 anos para cá, com a perda de poderes do Parlamento português, com a assinatura de tratados como o Orçamental, com a subjugação a um modelo de crescimento medíocre em nome das “regras europeias”, com acordos como o Acordo Ortográfico, que fez proliferar as normas da ortografia do português, em vez de as unificar, ficando nós com a mais pobre, com os cortes no ensino da língua e da projecção da cultura, com a ênfase na diplomacia económica e o definhar das instituições como o Instituto Camões?
O mais grave de tudo é que os 20 centímetros que o Salvador Sobral trouxe são em grande parte mérito dele, e o metro e meio que perdemos é demérito nosso. Foi o resultado de uma política de dolo que a União Europeia usou, com destaque para ao Tratado de Lisboa, que tirou às escondidas e sem debate público poderes que ninguém conscientemente deu à União, em detrimento da soberania nacional, foi o resultado dos desastres de Sócrates que nos levaram ao resgate e da política para forçar eleições em 2011 do PSD, foi o resultado da nossa apatia cívica face ao que é verdadeiramente importante, em contraste com as excitações futebolísticas. Foi o resultado de um sistema político no qual a dimensão cultural, histórica e expressiva da língua e da sua ortografia foi deitada ao lixo, por uma espécie de engenharia diplomática que se revelou um desastre, ficando todos pior do que o que estavam.
Nós gostamos da vida fácil, anómica, civicamente alheia e, salvo raras excepções, não somos voluntários para quase nada, não temos causas a não ser as mediáticas nestes surtos, somos mais clubistas do que patrióticos, deixamos estragar o que de bom ainda temos, mostramos uma indiferença egoísta face ao trabalho dos outros, a quem atribuímos sempre más intenções, exibimos a nossa ignorância com cada vez com mais arrogância, possuímos a atitude da aldeia, punindo a iniciativa, porque há sempre alguma coisa que está mal, e depois vampirizamos, para alimentar a nossa “auto-estima”, o trabalho e o mérito alheio. Há razões sociais para ser assim, a mais importante é que somos muito mais pobres do que aquilo que pensamos que somos, e temos um caminho ainda longo até termos essa força cívica que faz as nações fortes. Se fosse assim, não “engolíamos” o que engolimos, por inércia, por preguiça, ou porque protestamos pouco e mal.
Eu não tenho muitas ilusões sobre o que ocorreu nos anos imediatamente a seguir ao 25 de Abril. Sei o papel que tinham estudantes que se descobriam proletários e como muitas organizações com nomes pomposos e revolucionários eram uma inexistência e, acima de tudo, nem eram “de trabalhadores”, nem “populares”, muito menos “proletárias”. Sei também do autoritarismo que percorria muitas ideias políticas, do enorme machismo e sexismo existente, das inúmeras ficções, teatros e enganos desses anos do final da década de 70. Mas estou neste momento a organizar mais de mil fotografias desses anos tiradas por militância e não pela arte da imagem, e que só em parte tinham intenção documental. E essas fotografias revelam um momento excepcional da vida portuguesa, menos político do que pensávamos na altura, mas mais social, altruísta e, à falta de melhor palavra, esperançoso. De facto, o passado é um país estrangeiro.
Numa das fotos, um operário da construção civil conserta o telhado de uma casa ocupada para uma associação popular. Percebe-se que sabe o que faz, não é um estudante trasvestido de operário. Veste pobremente, usa bóina e tem os sapatos certos para andar em cima de um telhado. Está a trabalhar de graça, talvez pela causa que iria dar nome à casa ocupada, talvez porque arranjou novos amigos e uma forma de companhia a que nunca tinha tido acesso, ou talvez porque sentia que o seu trabalho tinha uma dignidade diferente. Ou talvez por coisa nenhuma, mas estava. Noutra fotografia, uma mulher de bata, que se percebe ser igualmente pobre, talvez dona de casa, talvez operária, talvez trabalhando na limpeza, rega umas plantas envasadas em latas, também numa associação popular, daquelas que proliferaram nesses anos. Talvez ela apenas gostasse de flores e lhe custasse o desprezo a que, em nome da revolução, eram votadas, talvez já as regasse antes e não queria que morressem. Seja o que for. Estas faces e estes corpos teriam certamente as mais genuínas das emoções pela vitória de Salvador Sobral na Eurovisão. Mas não se ficavam por aqui, tinham algumas esperanças que nós não ousamos ter. E temo que os espasmos nacionalistas com as canções e com o futebol tenham ocupado algumas dessas esperanças, transformando-as em egoísmos.
Nunca me esqueci de um dos mais notáveis ensaios de E. P. Thompson sobre um livro de George Orwell, chamado The Road to Wigan Pier. Thompson refere a profunda empatia que Orwell tinha perante uma visão fugaz da tristeza e solidão de uma mulher num dos subúrbios operários do Norte de Inglaterra, apanhados pela Depressão e pelo desemprego. É para esse olhar e para o “movimento” da atitude de Orwell que me volto nestes dias como antídoto para a facilidade e para o facilitismo social, para as profundas perdas de dignidade e soberania, de liberdade e autonomia, que aceitamos todos os dias por preguiça mediatizada, por “auto-estima” de plástico. Tenho consciência de que há muitas contradições, ou sentidos contraditórios, neste artigo. Às vezes é assim.

sexta-feira, maio 19, 2017

ATENÇÃO

Quando os exageros levam a 
procurar definições médicas:

ciclotímia

Psicose que se manifesta com fases de euforia alternando com fases de depressão.

ou a lembrar velhas palavras de ordem:

evitai o pânico
e fugi do ridículo

quinta-feira, maio 18, 2017

eurovisão do coração


"a notícia"

Notificam-nos "a notícia" no computador
Ouvimos "a notícia" no rádio do carro
Alertam-nos para "a notícia" no telemóvel
Lemos "a notícia" nas capas de todos os jornais
Almoçamos com "a notícia" em todos os canais
Seroamos comentários sobre "a notícia" a várias vozes 
>>> está formatada a informação!
>>> vá lá saber-se 
        se "a notícia" foi um facto acontecido 
        ou se se trata de um "facto alternativo"...

Notícias da Palestina

Notícias da Palestina
1 a 15 de Maio de 2017
Relação das notícias sobre a Palestina, o Médio Oriente e a actividade do MPPM publicadas nas nossas páginas no Facebook e na Internet no período indicado

Agenda
COLÓQUIO
“Viver na Palestina após 50 anos de colonização | Solidariedade com os presos políticos palestinos”
No início de Junho de 1967, Israel ocupou militarmente, na Palestina, a Margem Ocidental, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, e ainda os Montes Golã e a Península do Sinai. Se a Península do Sinai foi devolvida ao Egipto, mantém-se a ocupação dos Montes Golã, pertencentes à Síria, e os territórios palestinos ocupados têm sido sujeitos a meio século de colonização caracterizada pela coacção física e psicológica sobre as populações, pilhagem de recursos, discriminação étnica e violações de direitos humanos. Teremos testemunhos de quem conviveu de perto com a realidade de como é viver na Palestina ocupada nos dias de hoje. E, porque decorre uma greve de fome dos presos políticos palestinos nos cárceres de Israel – silenciada em toda a comunicação social portuguesa -  este é um tema que será, inevitavelmente, abordado.

5 a 30 de Junho
Sociedade de Instrução e Beneficência «A Voz do Operário» – Rua da Voz do Operário, 13 – Lisboa
EXPOSIÇÃO
“Gaza 2014 – Testemunho de uma agressão”
Entre 8 de Julho e 24 de Agosto de 2014 Israel desencadeou uma brutal agressão contra a população palestina da Faixa de Gaza. Foram registadas 2.251 vítimas mortais entre os palestinos, das quais 551 crianças e 299 mulheres. No mesmo período, houve 73 mortos israelitas, sendo 6 civis. O número de feridos palestinos ascendeu a 11.231. Esta agressão, não só causou uma enorme perda de vidas como provocou danos sem precedentes nas infra-estruturas públicas deixando centenas de milhares de pessoas sem acesso a electricidade, água potável ou cuidados de saúde. A maioria da população de Gaza perdeu os seus meios de subsistência. Toda esta devastação veio agravar ainda mais a já débil economia de Gaza onde, antes da agressão, já 57% da população sofria de insegurança alimentar.
É essa tragédia que esta exposição documenta em imagens captadas por fotógrafos palestinos.


Notícias

15-05-2017
MPPM assinala 69º aniversário da Nakba recordando presos palestinos em greve de fome

14-05-2017
Eleições municipais na Margem Ocidental, em clima de divisão política

12-05-2017
Assembleia da República aprova voto de solidariedade com presos políticos palestinos nas prisões israelitas

11-05-2017
Fatah exorta todos os seus membros presos a juntarem-se à greve da fome, já no 25.º dia

10-05-2017
Parlamento de Israel aprova projecto de lei que consagra Israel como «estado judaico»

09-05-2017
MPPM associa-se a Semana da Palestina organizada pela AEFCSH-UNL

04-05-2017
50 dirigentes vão juntar-se à greve da fome dos presos políticos palestinos encarcerados por Israel

02-05-2017
Hamas lança novo documento de princípios, aceita fronteiras de 1967 para futuro Estado Palestino

01-05-2017
MPPM na Festa do Trabalhador


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MPPM - MOVIMENTO PELOS DIREITOS DO POVO PALESTINO E PELA PAZ NO MÉDIO ORIENTE
Presidente da Assembleia Geral: Carlos Araújo Sequeira | Presidente da Direcção Nacional: Maria do Céu Guerra
Vice-Presidentes: Adel Sidarus, Carlos Almeida, Frei Bento Domingues
Presidente do Conselho Fiscal : Frederico Gama Carvalho
Rua Silva Carvalho, 184 – 1º Dtº | 1250-258 Lisboa | Portugal | Tel. 213 889 076
O MPPM é uma Organização Não Governamental acreditada pelo Comité das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino (Deliberação de 17 de Setembro de 2009)


terça-feira, maio 16, 2017

Ameaças e bravatas

Bravatas de Kim Jong-un estarão consensualizadas como perigosas ameaças. Travestem-se de bravatas deslocações de pessoal e de material de incalculável potencial de destruição, já efectivo uso de uma coisa chamada “mãe de todas as bombas” e outras acções. Faz-se cair manto de pesado silêncio sobre a eleição, na Coreia do Sul, de Moon Jaen-In, contrário às manobras internacionais conduzidas pelos Estados Unidos-NATO-Nações Unidas (por esta ordem) e, ao que se sabe…, adepto de diálogo e negociações com a Coreia do Norte.



um diz-se que ameaça.

o outro vai fazendo!








As palavras (e os silêncios) traem as intenções. Ainda que não sejam as intenções dos que dizem ou escrevem as palavras, dos que desvalorizam ou calam o que deveria ser dito ou escrito, mas sim as intenções dos mandantes do que deve ser escrito ou dito, do que deve ser calado ou desvalorizado.
A adjectivação ajuda a esclarecer as intenções (ajudará quem quiser ser ajudado, isto é, informar-SE). Chamam-se bravatas às ameaças e aos actos de não escamoteável agressão, praticados e em vias de se praticarem. Dizem-se ser ameaças o que são bravatas de quem tem sido ameaçado e agredido.
Não se conclua, como será fácil e expedito, que se apoiam posturas e afirmações que de bravata sejam, e por isso dêem azo e argumentos e fundamentos que alimentem a imagem ameaçadora. Somos contra TODOS os dogmatismos e recusamos critérios de hereditariedade na transmissão da posse do poder (que é, como bem se sabe, do povo). Mas esse combate não obnubila o outro, parente gémeo e mais determinante, que é o combate contra a usurpação do poder (do povo, como bem se saberá...) por gentes, famílias, classe, que dele se apropriam para explorarem outréns, directa ou por entrepostos agentes e serventuários. O que se torna de uma perigosidade inaudida (e escondida) quando, para se manter tal usurpação do poder, os meios a que não se olha são de destruição de tal monta que põem em risco a Humanidade.

segunda-feira, maio 15, 2017

Noções de Economia e Sindicalismo - na UPP


o programa segue dentro de momentos

Síria


Mas porque será????

Extracto do Expresso-curto acabado de ler:


«...Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu ontem o endurecimento de sanções contra a Coreia do Norte no seguimento do disparo de um míssil balístico no sábado, que caiu a 500 quilómetros da fronteira russa. "Que esta nova provocação seja um apelo a todas as nações para implementar sanções mais fortes contra a Coreia do Norte", lê-se num comunicado de imprensa divulgado pela Casa Branca. A União Europeia considerou que o disparo é "uma ameaça à paz e segurança internacional" e representa uma escalada da tensão na região. Também a China e a Rússia reagiram, mostrando-se "preocupadas com a escalada de tensão" na península coreana. A situação está a ficar tão dramática que Estados Unidos e Japão pediram uma reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que se vai realizar amanhã.(...)»

Porque será que em NENHUM espaço de informação vi relevo (ou sequer notícia e/ou comentário) aos resultados eleitorais na Coreia do Sul, muito positivos no sentido de criação de condições favoráveis ao desanuviamento na península da Coreia, e contrários aos desígnios dos falcões-fautores da guerra?

domingo, maio 14, 2017

Para este domingo,

Neste domingo, depois de um dia em que Portugal pareceu em "estado de graça", os portugueses todos (sobretudo os que peregrinaram, os benfiquistas, os que se apegaram à televisão e vibraram com uma "vitória") têm de descer à Terra. 
Para os domingos, costumo escolher um trecho musical. Para este domingo, seria talvez adequado trazer a canção que ganhou a tal da Eurovisão. Na madrugada, ainda pensei nessa escolha. Tinha "ouvisto" de passagem duas ou três concorrentes, e delas fugi como quem foge das ondas de pó e luzes, dos efeitos que se pretendem espectaculares, de alguns pseudo-erotismos. 
Fui "ouver" a canção do português, já vitoriosa, e não me desagradou, por contraste, a sobriedade e a procura de contar qualquer coisa. Mas, aí, algo mais alto se sobrepôs. 
Será uma canção sobre o desespero de um amor a dois moribundo, que acabou. De um amor que, no entanto, continua vivo, desesperadamente vivo, para um dos amantes, para o que quer acreditar na sobrevivência, incapaz de aceitar o fim do que, sem reciprocidade - seja ela qual for -, não continua vivo, que acabou!
Mas essa situação traz-me a Brel, à sua criação-interpretação de Ne me quitte pas, e não me permite que outra coisa oiça, ou faça ouvir. 





Talvez (decerto!?) problema meu... mas o blog é meu, é pedaço de mim (esta do "pedaço de mim" do Chico veio perturbar-me as "sentenças"... talvez fique para o próximo domingo!) 


(escrito na madrugada, 
de rompante, 
teve ligeiras alterações na manhã acordada)

sábado, maio 13, 2017

Despacho: divulgue-se!



A vinda do peregrino Francisco a Fátima trouxe, sem dúvida, muito a muita gente. Muito sentimento diferente a muita gente diferente. 

Pensava nisto, ontem ao fim do dia - em que não liguei a televisão... mas tive o zumbido dos helicópteros toda a tarde e começo de noite dentro da minha cabeça -, quando li esta crónica do Pata Negra. Diria, à maneira Mia Couto, que me proporcionou um sono abensonhado. Tanto assim que começo o dia de hoje com a tarefa (sim, tarefa!) de agradecer a crónica ao autor (e, indirectamente, ao Papa Francisco, cuja visita a provocou), por ser das melhores "peças" que me foi dado ler nos últimos tempos. 

Agradecer... e divulgar pelos meus limitados meios, a começar pela minha privada conselheira e censora literária, que apoia a avaliação:   


Ir a Fátima e não ver o Papa


- JÁ CHEGA!


(Este post destina-se apenas àqueles que hoje não ligaram a televisão)

Contava contar-vos hoje uma visão que tive de madrugada. Via eu uma multidão de homens e mulheres, populares, à volta duma virgem, via um ancião vestido de branco acenando a todos e a este e àquele, via gente abrindo os braços em sinal de louvor, gente de mãos erguidas pedindo isto e aquilo e saúde, via lágrimas de sofrimento e emoção, sorrisos de felicidade e de graças, portanto, uns contentes outros nem tanto, via Fátima. Contava também agradecer a não sei quem - se à Senhora de Fátima, se ao Papa, se ao António Costa, se à Assunção Cristas -  a tolerância que me deram sem eu a pedir.
Mas eis que os comandos da televisão não resistem a um dia em casa e, para meu espanto, a minha visão perdia qualquer valor porque acontecia em todos os canais - honrosa exceção para o Sport TV e para o Vénus. Fiquei chateado! Talvez tivesse adormecido a ver televisão e a minha visão não passasse dum sono leve no sofá e não duma revelação de ordem sobrenatural! 
(Irritou-me também a devoção às virgens porque lembrou as relações históricas entre cristianismo e islamismo e aqueles que, segundo a televisão, se fazem explodir porque, por o fazerem, serão recebidos no céu por dezenas de virgens. Esta fixação dos homens, castos ou varões, pela virgindade das mulheres é uma coisa que não cabe na minha civilidade! Que me perdoem as irmãs e os machões!)

No meio de tudo isto surgiu a minha filha. Aconselhada por mim a seguir a vida religiosa desafiou-me quando, sem o meu consentimento, se fez militante da JCP. Pensei: de mal o menos! Duma forma ou de outra não terá um namorado da JS ou da JSD! Mas eis que premiada, pelo pai remediado, com uma lambreta, por ter concluído o 12ºano apenas com negativa a Religião Moral, hoje me disse:
- Pai, eu vou a Fátima ver o Papa!
E passei eu todo o meu santo dia a ver se via a minha filha na televisão - tentativa frustrada - para me chegar ela agora a casa, depois do jantar, e completar-me o vão do dia:
- Pai, corri Fátima toda de mota e não vi o Papa!
E eu, sempre paternal e amigo, santo pai:
- Manda lixar o papa, tens aqui o papá! Este ano iremos à Festa do Avante e vais ver o Marcelo Rebelo de Sousa! Por tua causa já vi hoje mais televisão do que no dia do funeral do Mário Soares!
Come e cala-te, de papa JÁ CHEGA!

sexta-feira, maio 12, 2017

as notações das agências de rating em resumo e muito bem explicadinho



 - Edição Nº2267  -  11-5-2017

As notações

Ao que consta, a agência de rating Moody's classificou recentemente Portugal na categoria de «estável» o que, para os entendidos, significa que o nosso País vai continuar na posição de «lixo». A outra agência norte-americana, a Standart & Poor's, fará o mesmo, já que zelosamente tem sempre emparelhado opiniões na desclassificação financeira do nosso País.
Como diz o bando de experts nestas questões, o que nos vai valendo é a agência de rating canadiana, a FITCH, que mantém Portugal acima da classificação «lixo» e nos permite «recorrer aos mercados». Num irreprimível augúrio de desgraça, os especialistas do burgo até qualificam esta classificação da FITCH como a bóia que «nos mantém à tona de água», procurando deixar-nos em suspenso e com falta de ar.
Genericamente, as agências de notação financeira avaliam o valor do crédito de emissões de dívida de uma empresa ou de um governo, constituindo um instrumento que o capitalismo utiliza a bel prazer para gerir os negócios do mundo.
Com um pormenor substantivo: o de misturar empresas e governos como se de a mesma coisa se tratasse, desprezando o facto de os governos serem órgãos nacionais que gerem ou comandam (ou deviam gerir e comandar) países inteiros e também as empresas que neles medram, nos seus negócios.
A «globalização» atamanca a teoria neoliberal de que os estados vão perdendo importância a favor da livre circulação de capitais que, por fim, determinam o alfa e o ómega das políticas a seguir nos países e no mundo, presumindo-se que até ao fim dos tempos. Isto está longe de ser novo – é até bastante velho e constitui o sonho imperialista do capitalismo, certeiramente analisado e desmontado por Karl Marx, no século XIX.
Quanto à confiança que estas agências de rating merecem, está superlativamente demonstrada no que elas realizaram no passado recente.
Em 2008, em plena crise financeira do subprime, a agência Moody's e a agência Standart & Poor's davam a notação máxima de «Triple A» na avaliação de confiança ao banco Lehman Brothters, na véspera deste «gigante do investimento» pedir falência ao governo dos EUA, enquanto a agência canadiana FITCH dava a mesma classificação de «Triple A» aos bancos islandeses, na véspera de estes entrarem em falência declarada.
E o mundo gira, as agências de rating continuam a desempenhar o papel que o capitalismo lhes atribuiu, a generalidade finge acreditar nelas, as suas previsões continuam a alimentar os jogos capitalistas de quem manda no sistema e, todavia...
Todavia, à mulher de César não lhe basta ser séria, é preciso também parecê-lo. A seriedade é coisa que as agências de rating não têm, e nunca mais vão parecer tê-la.

quinta-feira, maio 11, 2017

Fátima. Hoje. E aqui.

Fátima mexe connosco.
Não só com os crentes. Não só com os que interiorizaram o que lhes foi dito ter sido visto.
Não só com os que aceitaram a versão para o que lhes foi sendo fabricado e contado como tendo acontecido naquele sítio e por aqueles dias.
Fátima mexe connosco.
Não só com os vizinhos do lugar que, de ermo passou a ser, num curto espaço de tempo, povoado, aldeia, vila, cidade. E, em certas ocasiões, sobrepovoado!
Não só com os que, em Fátima e por Fátima, procuram no sobrenatural curas para maleitas e males, que não encontram por seus meios e ajudas de seus próximos e semelhantes.
Fátima mexe connosco.
Não só com os que, não crentes ou crentes, buscam o que são, o que os outros seus iguais são e o que a vida é.
Não só com os que vêem a dinâmica da História nas massas, e da informação delas, das suas lutas, o cerne da humanização ou o travão ao que as desumaniza.
Fátima mexe connosco.
Não só com os que tudo traduzem em cifrões com ou sem conteúdo material, só obedecendo a leis do negócio.
Não só com os que lêem, estudam, buscam a semente da verdade (ou a erva daninha da mentira) na palha das palavras escritas ou ditas.
Fátima é, sem dúvida – mas prenhe de dúvidas – um fenómeno social.
Como o é Meca, por exemplo.

Perguntaram-me coisas sobre Fátima. Porque quase em Fátima nasci, moro perto, conheci protagonistas. Às perguntas que me fizeram respondi em amena e simpática conversa com destino a jornal dito de referência. Sem peias nem cálculos de espaço.
A jornalista editou no seu blog o que tirara – e trabalhara – do gravador, e um extracto num caderno de publicação regional. E preveniu-me (e a toda a gente…) de problemas derivados da extensão da nossa conversa e da inelastecidade dos jornais, tendo o cuidado de sublinhar que a versão integral da entrevista estava no seu blog O Barulho das Luzes.
Numa pausa de outros quefazeres, confrontei o que o DN publicou com a versão integral. Como seria de esperar, estimei alguns pedaços do que não saiu o que mais gostaria de ter visto publicado.
Então o que se transcreve parece-me essencial para a compreensão da minha posição. Discutível, mas minha e bebida em boas fontes.





A seguir a “Depois de a Igreja começar a aceitar, Fátima foi muito bem aproveitada pelo Estado Novo, naquele “casamento” Salazar-Cerejeira” disse eu (como tiro do blog da jornalista):

Quem quer ter uma perspetiva histórica, vê que há uma fase inicial entre 1917-1930 (em que a igreja toma posição, lentamente, enquanto ia comprando terrenos à volta). Depois é a fase a seguir aos anos 30 em que é a Igreja e o Estado Novo; vem a fase do anticomunismo, com o Papa Pio XII, com o aproveitamento da mensagem de Fátima, já firmada com o aval da Igreja, e com todo o apoio político do fascismo. A terceira fase é a da universalidade, a peregrinação da imagem pelo mundo todo, é a mensagem do terceiro segredo, é o anticomunismo que ganha grande força.

Muito mais coisas disse. Que, se as estimo importantes, não teriam a importância deste trecho. Por isso o reproduzo. Aqui. E hoje.

E pergunto: estaremos a entrar numa quarta fase?

terça-feira, maio 09, 2017

Inde Pendentes e Pendências

do Jornal de Notícias
Como o que parece confuso 
(não inocente mas indecentemente) 
se clarifica e até foi previsto!


9 de Maio, dia da Europa? Para casmurros, casmurrro e meio!






segunda-feira, maio 09, 2016


Dois acontecimentos históricos - 2

Reincidente, reincidigo reincidência de há 3 anos (e mais anos) neste blog:


«Reincidindo... este ano de 2013, no dia 8 de Maio

9 de Maio, Dia da Europa? - Tão teimoso como "eles"!

Estes foram os "post" de 2007:

Quarta-feira, Maio 09, 2007
Qual o Dia da Europa?
8 ou 9 de Maio? - 1

“Eles” dizem que hoje, 9 de Maio, é que é o dia da Europa.
E porquê?
Porque, como nos diz a Wikipédia:

“Em 9 de Maio de 1950, Robert Schuman apresentou uma proposta de criação de uma Europa organizada, requisito indispensável para a manutenção de relações pacíficas.
Esta proposta, conhecida como "Declaração Schuman", é considerada o começo da criação do que é hoje a União Europeia.
Actualmente o dia 9 de Maio tornou-se um símbolo europeu (Dia da Europa) que, juntamente com a bandeira, o hino, a divisa e a moeda única (o euro), identifica a identidade política da União Europeia. O Dia da Europa constitui uma oportunidade para desenvolver actividades e festejos que aproximam a Europa dos seus cidadãos e os povos da União entre si.”
_____________________

Eu protesto!
Sobretudo porque não aceito que se confunda a Europa com a União Europeia, adoptando-se para Dia da Europa uma data que começou por ter a ver exclusivamente com 6-países-6 da Europa e com um arranjo sectorial sobre o carvão e o aço.
Nessa mesma (i)lógica porque não a data da criação do BENELUX, que juntou a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo?

Qual o Dia da Europa?
8 ou 9 de Maio? - 2


Estas buscas que andei fazendo, e os calorosos parabéns que hoje recebi da Lécia, a “nossa” ucraniana – não pela CECA mas pela PAZ, de que ela sabe que sou defensor estrénuo – vieram lembrar-me outra circunstância significativa relativa ao 9 de Maio.
Ainda da Wikipédia:

“O Dia da Vitória na Europa (V-E Day) foi o dia 8 de Maio de 1945, data formal da derrota da Alemanha Nazi em favor dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.
A data foi motivo de grandes celebrações, especialmente em Londres, onde mais de um milhão de pessoas festejaram o fim da guerra na Europa, embora os racionamentos de comida e vestuário continuassem por mais uma série de anos. (…)
Nos Estados Unidos, o Presidente Harry Truman, que celebrava 61 anos nesse mesmo dia, dedicou a vitória ao seu antecessor, Franklin D. Roosevelt, que morrera há cerca de um mês antes, no dia 12 de Abril.
Os Aliados haviam acordado que o dia 9 de Maio de 1945 seria o da celebração, todavia os jornalistas ocidentais lançaram a notícia da rendição alemã mais cedo do que era previsto, precipitando as celebrações. A União Soviética manteve as celebrações para a data combinada, sendo por isso que o fim da Segunda Guerra Mundial, conhecida como a Grande Guerra Patriótica na Rússia e outras zonas da antiga URSS, é celebrado no dia 9 de Maio.”
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Talvez se possa concluir, sem se ser demasiado abusivo, que o dia 8 de Maio é o dia da Vitória, da Paz, da Europa, porque era o dia de aniversário de Truman…
De qualquer modo, se razão há para se considerar este dia 9 como o Dia da Europa não o deveria ser por o sr. Schuman ter feito, nesta data, aquele discurso na sala dos relógios (ou lá onde foi) mas porque os “Aliados” tinham decidido que seria o dia da proclamação da Paz na Europa, o fim da 2ª Guerra Mundial, o que não foi respeitado pelo “Ocidente” e, pior ainda, a guerra foi continuada pelos Estados Unidos fora da Europa porque ainda tinham umas bombitas atómicas para lançar no Japão, sobre Hiroshima e Nagasaki.

Tenho dito.
Por agora!

Continuo a dizer!

Com os outros, aprende-se sempre...

Dada a vizinhança e outras proximidades, Fátima diz-me coisas. Aliás, tenho de passar por Fátima para chegar à A1 ou ir tomar o expresso da Rodoviária... Algumas dessas coisas são, para mim, de enorme relevância, como as que me foram ditas por Artur de Oliveira Santos ou o meu pai, como as lidas em Tomás da Fonseca, Rodrigues Miguéis, Filipe Torgal. 
Ainda agora estive quase uma hora (roubada à sesta...) a ouvir testemunhos sobre Fátima, a minha vizinha numa campanha promocional desmesurada. Que chorrilho! Que condição humana! Desde os maiores disparates (que a fé desculpará) a alguns sinais e expressões curiosos. 
De Zita Seabra não falo (podia queimar a língua...) mas retive a citação de Malraux por Adriano Moreira e a sua referência à vinda  a Fátima de Paulo VI, em contraste com o traste de Paulo Portas que sublinhou a importância que teria, para Portugal, a vinda de 3 Papas a Fátima... esquecendo-se da vinda desse mesmo Paulo VI, depois de ter recebido os representantes dos três movimentos de libertação nacional (PAIGC, MPLA, FRELIMO) a que o governo de Portugal respondia com guerra colonial! Que significativo!

Acabou a pausa de sesta...

domingo, maio 07, 2017

Quando extravasa a insensatez, de todo o lado vêm vozes sensatas

Não será grande consolo, mas sempre ajuda... A ex-presidente do PSD, ministra de várias pastas, também directora-geral do Orçamento (de Miguel Cadilhe) com quem se podia falar..., foi, ontem, uma dessas vozes.



Para este domingo amargo e triste/de sol e esperança




A porter ma vie sur mon dos 
J'ai déjà mis cinquante berges
 
Sans être un saint ni un salaud
 
Je ne vaux pas le moindre cierge
 
Marie maman voilà ton fils
 
Qu'on crucifie sur des affiches
 
Un doigt de scotch et un gin fizz
 
Et tout le reste je m'en fiche
 

Ils ont voté... et puis, après?
 

J'ai la mémoire hémiplégique
 
Et les souvenirs éborgnés
 
Quand je me souviens de la trique
 
Il ne m'en revient que la moitié
 
Et vous voudriez que je cherche
 
La moitié d'un cul à botter?
 
En ces temps on ne voit pas lerche... 
Ils n'ont même plus de cul, les français!
 

Ils ont voté... et puis, après?
 

C'est un pays qui me débèqu'te 
Pas moyen de se faire anglais
 
Ou suisse ou con ou bien insecte
 
Partout ils sont confédérés...
 
Faut les voir à la télé-urne 
Avec le général Frappard
 
Et leur bulletin dans les burnes
 
Et le mépris dans un placard
 

Ils ont voté... et puis, après?
 

Dans une France anarchiste
 
Je mettrais ces fumiers debout
 
A fumer le scrutin de liste
 
Jusqu'au mégot de mon dégoût
 
Et puis assis sur une chaise
 
Un ordinateur dans le gosier
 
Ils chanteraient la Marseillaise
 
Avec des cartes perforées
 

Le jour de gloire est arrivé

(a cada um a sua tradução...)


Para este domingo
amargo e triste
de sol e esperança
 (como todos os dias)
porque de luta!.
Para este domingo
de derrota certa
quaisquer os números
por uns momentos Léo Ferré
... depois (como todas as horas
de todos os dias!)
a luta de sempre.