domingo, maio 14, 2017

Para este domingo,

Neste domingo, depois de um dia em que Portugal pareceu em "estado de graça", os portugueses todos (sobretudo os que peregrinaram, os benfiquistas, os que se apegaram à televisão e vibraram com uma "vitória") têm de descer à Terra. 
Para os domingos, costumo escolher um trecho musical. Para este domingo, seria talvez adequado trazer a canção que ganhou a tal da Eurovisão. Na madrugada, ainda pensei nessa escolha. Tinha "ouvisto" de passagem duas ou três concorrentes, e delas fugi como quem foge das ondas de pó e luzes, dos efeitos que se pretendem espectaculares, de alguns pseudo-erotismos. 
Fui "ouver" a canção do português, já vitoriosa, e não me desagradou, por contraste, a sobriedade e a procura de contar qualquer coisa. Mas, aí, algo mais alto se sobrepôs. 
Será uma canção sobre o desespero de um amor a dois moribundo, que acabou. De um amor que, no entanto, continua vivo, desesperadamente vivo, para um dos amantes, para o que quer acreditar na sobrevivência, incapaz de aceitar o fim do que, sem reciprocidade - seja ela qual for -, não continua vivo, que acabou!
Mas essa situação traz-me a Brel, à sua criação-interpretação de Ne me quitte pas, e não me permite que outra coisa oiça, ou faça ouvir. 





Talvez (decerto!?) problema meu... mas o blog é meu, é pedaço de mim (esta do "pedaço de mim" do Chico veio perturbar-me as "sentenças"... talvez fique para o próximo domingo!) 


(escrito na madrugada, 
de rompante, 
teve ligeiras alterações na manhã acordada)

3 comentários:

Justine disse...

Incomparável, único, perfeito Brel!
(...mas o Salvador "de Portugal" não está mal - é pelo menos simples, natural, diferente, como tu dizes no teu excelente texto)

Sérgio Ribeiro disse...

Obrigado, Justine, pelo teu comentário.
E pelas duas palavras, trocadas avulso entre os dois, que me levaram à releitura e a ligeiros ajustes. Na manhá (já tarde...) acordada.

Francisco Manuel Gentil Apolónio disse...

Sem dúvida que a simplicidade, a humildade e a luta pelo bem comum foi marcante e determinante no passado, é no presente e será no futuro certamente!