segunda-feira, janeiro 06, 2014

No tempo em que os economistas falavam...

Agora, nestes dias de agora, meteu-se-me um título na cabeça, “no tempo em que os economistas falavam”, para “chapéu” de um artigo a escrever, de actualização (ou mais do que isso) de trabalho feito, em 1986, para a 2ª Conferência do CISEP,


para que escrevi um texto que me parece interessante (“Os Agentes (Económicos da mudança em Portugal – Reflexões a partir de documentos definidores”, páginas 940 a 956 do Volume II) e de que recolho e transcrevo, para já, as citações de abertura e de fecho e um esquema a partir das Grandes Opções do Plano para 1985 e para 1986.  

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A citação de abertura é de Marx, de uma carta a Annenkov, nos finais de 1846:

O senhor Proudhon compreendeu que os homens fabricam o pano, a tela, os tecidos de seda… e é grande o mérito de ter compreendido tão pouca coisa!  

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A outra citação, no final do trabalho é de um livro de Solange Mercier-Josa (Pour lire Hegel et Marx), de 1980:

Compreender que são as Pessoas, o Homem, o Povo, que são o “sujeito real” é o acto teórico que torna possível a reapropriação do Estado pelo Povo, como reapropriação da sua Objectividade. Isso torna, assim, a Constituição na sua “obra própria”, no seu “livre produto”, no desenvolvimento da sua disposição de espírito político. 

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A referência à Constituição (não a nossa, em particular, mas a lei fundamental do Estado, de qualquer Estado) é de sublinhar.

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O esquema, a mais de duas décadas e meia de distância – sem excel e outros meios de elaboração e de visualização –, é, pelo menos, curioso.


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E foi debatido, e rebatido, nestes termos.

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Que, nestes dias de agora, tanta falta fazem.

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Foi no tempo em que os economistas (ainda) falavam!

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Foi no tempo em que as finanças eram uma área da “ciência económica” e se discutia o financiamento da economia.

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Hoje, nestes dias de agora, ou se subalterniza o que é a produção, as necessidades humanas, o trabalho que cria (e tudo criou) ou, se desconhecem essas minudências.

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Há – e só!, ao que parece… – os mercados financeiros.

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Circula-se, na História, em contramão, nas autoestradas das PPP e dos swaps.

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domingo, janeiro 05, 2014

Dias em que fomos Peniche!

03/04.01.2014

Manhãs tristes. Sob temporal. Também dentro de mim chove e venta.

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Mas eu não sou só eu, eu sou – também – todos os outros, os de antes, os de agora e os de depois.

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Dias em que não só estivemos em Peniche, em que não só fomos a Peniche.

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Dias em que fomos Peniche!

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Dias que foram do mesmo dia e do mesmo mês em 1960, e que foram de 10 de Novembro de 1913 e de 25 de Abril de 1974, em que tantos tanto fomos e que tantos fizemos dias tão nossos.

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Dias 3 e 4 de Janeiro de 2014! De chuva e ventania. De temporal. De alertas de várias cores e desastres que despertam solidariedade.

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Dias de chuva e ventania. Menos em Peniche. Em que até sol houve e nos aqueceu.

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Fomos Peniche nestes dois dias. Muitos!

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 Não todos os que o somos.

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Porque uns temeram, timoratos, as intempéries, uns perderam o autocarro (!), uns não se/nos encontraram, porque outros… porque não!

(em 60 anos de luta, edições avante!, 1982)

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Não somos, os que fomos, um grupo que sonha utopias, que está fora do tempo real, do espaço em que vive e firma os pés.

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Fomos os que sabemos e queremos que sejam, aqueles dias, dias marcados na nossa agenda histórica, e que outros se lhes somem e que faremos nossos.

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Não fomos/somos um grupo que se afirma em grito e luta apenas porque não quer o que está mas que também se afirma e conquista no espaço e em espaços em que já é poder –ainda que nunca estático, definitivo –, em que, aqui, é Poder Local.

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Dias e espaço simbólicos e reais, por nós vividos no tempo e no espaço em que somos.

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Em que, na ressaca de muitos quilómetros, de muita conversa descozida e de alguns silêncios, de muitos (imensos) encontros e abraços e beijos, de reconstituições emocionadas, de vozes e bandeiras ao alto, de duas bifanas no mesmo canto esconso povoado de gente como nós (sabê-lo-á?), em que, nestoutro tempo e espaço tão próximos, tenho o querer de escrever isto. 
  

E de isto dedicar, 
assim, com caras, corpos e nomes, 
ao Luís e ao Pedro, 
à Sara e à Yolexis 
(viva Cuba!
o exemplo e a força da solidariedade internacionalista).

Para este domingo - o hino de Caxias (e não só!)

quinta-feira, janeiro 02, 2014

REFLEXÕES E CONTA(RE)S DE AMIGO E MAL-DIZER (à vida…)

Era uma vez um país P., à beira mar plantado, na periferia do que se considerava, arrogante e prepotente, o centro do Mundo,
P. tem uma longa História. 
Muitos, uns raros com talento e ofício, a foram (e vão) escrevendo, mais raros ainda os que o fizeram (e têm feito) com verdade e respeito pelo Povo de P. Não pretende este modesto escriba mais que registar factos recentes e ora vividos, embora para isso deva recorrer à anotação de antecedentes, de dinâmicas históricas, de influências aparentemente exteriores, e assim procure deixar pontes para um quadro (e moldura) de conjunto.

Vivem as gentes de hoje, que são o P. coevo, uma hora de agora – que por décadas se contará – dita de desdita ou difícil ou, para se ser mais directo e moderno, de crise.
P. viveu (sofreu!) transformações profundas, resultado de entradas (por saídas) de fundos destinados a fazer atravessar P. de vias (ou veias) em todos os sentidos,  nalguns casos em duplicações e triplicações sem sentido, de muita construção civil como estádios de futebol e pavilhões desportivos para práticas, encontros esporádicos e assistências ralas quando não desertas, ao mesmo tempo que se destruía a dita (e bem dita) economia produtiva, desaproveitando os seus recursos com o financiamento de abate de frotas pesqueiras e a colocação de terras em pousio.
P. transformou-se. Com estes exemplos e mais o que melhor se contaria se sobrasse tempo (e houvera engenho e arte), apenas ficando dito que assim se integrava um país no redil de um sistema de que dera mostras de ser capaz de tresmalhar.
Negócios em cadadupa reconstituíram grupos do antigamente, antigamente constituídos nem se cuidando de mudar nomes e títulos. Grupos reconstituídos em conluio com outros de outras sedes, e que enveredaram pela multiplicação das finanças e não da riqueza cuja a si chamavam como se sua fosse.
E, importante é sublinhá-lo, foi criada uma camada de "pequena e média burguesia compradora" (PMBC), consumista e satisfeita que, quando não dispunha de meios, os tinha à disposição em fartas quantidades e diferidos pagamentos.

Foram tempos efémeros de muito crédito e alguma moeda, esta a tornar-se única, num caminho de desvio e desvario. Com crescente procura interna enquanto decrescia a produção também interna.
Só podia dar no que deu!, como foi previsto, alguns preveniram e lutaram contra, outros calaram, estimularam e aproveitaram... dentro de regras conhecidas, ou para além delas, com abusos desmedidos e não (ou não suficientemente) castigados.
E agora? Bem, aquilo que, agora – hoje, 2 de Janeiro de 2014 –, o escrevinhador quer deixar escrito é que, confirmando o tantas vezes dito, e a que foram feitos ouvidos de mercador e negociante, é que o busílis está no povo, nas massas.
Como exemplo transparente, embora opacizado, o que tanto se apregoa, se propagandeia, como sinais de recuperação, comprova o que dito foi e não teve ouvidos. Por efeito de muita movimentação e luta, de decisões de quem tem a estrita obrigação de vigiar o cumprimento das normas básicas da convivência em P., em Novembro e Dezembro houve ligeira recuperação do poder de compra, com recebimento de remunerações que se davam por perdidas, e a procura interna animou. E animou de forma que chegou a surpreender quem observa a realidade que nos rodeia, que nos cerca e garroteia. Foi a PMBC no tempo de um suspiro, de um respirar fundo, e em festas de espavento mediático, suspiro de quem se vinha habituando, à contrafé, a respirar pouco e mal.
Tempo efémero. O orçamento para 2014 está aí. Dispensado de fiscalização preventiva pelo maior responsável de P. hoje (ou só protagonista visível como 1º ministro, ontem, como presidente da República, hoje), e de P. estar como está. A bacanal do mando e da austeridade continua, embrulhada em palavras descoloridas e ocas sem efeito analgésico para o que se vai seguir.

Só a luta! Só a luta que não pode parar. 
Que continua. Que tem de continuar.       

quarta-feira, janeiro 01, 2014

Temerário é a palavra

A mensagem de Cavaco é uma espécie de discurso de auto-elogio fúnebre. No enterro próprio, a prazo.
Estava a tentar digeri-lo, quando de um comentador habitualmente contido e dos de discurso mais "ouvível" saiu com um erro crasso, inacreditável. Disse - e mais que uma vez - que Cavaco foi temerário, querendo dizer exactamente o contrário do significado, em português, da palavra. Temerário quer dizer arrojado, corajoso e não cauteloso, timorato.
Arrepiei-me ao ouvir o erro. Como é possível tratar-se tão mal a nossa língua?!
Mas o facto é que desse erro se pode "tirar o retrato" ao discurso de Cavaco: é cauteloso porque não passa de chavões e completamente vazio de ideias - mesmo para se corresponder aos chavões -, e é temerário na definição ideológica quando faz afirmações sobre a democracia e, concretamente, sobre o 25 de Abril. e os seus 40 anos!    

2014... um comentário/mensagem

Como por vezes acontece, alguns comentários (ou trechos destes) ao que  por aqui se publica suscitam-me vontade de transcrição. Como este pedaço sobre o ano começado. Substitui, com evidente vantagem, o que estamos obrigados a "ouver" da mensagem de ano novo do cavalheiro que ocupa o lugar de Presidente da República, e que tem um conceito de democracia redutor e abstruso.

«(...)

O Ano 2014 vai ser muito mais difícil.

Idêntico? Quase. Mas muito pior.
Entramos o ano esboçando um falso sorriso, já com coração dorido de saudade, nos aeroportos. 
Fazemos contas à vida, tentando que o dinheiro chegue.
Esperamos que num amanhã próximo não nos encerre o local de trabalho, não mutilem ainda mais a nossa Carta Magna, esperamos…esperamos…esperamos sempre por um melhor Futuro.
É aqui que nós somos diferentes, pois enquanto esperamos, vamos lutando, reivindicando, exigindo, vamos fortalecendo o Futuro que tanto desejamos.
Foi assim que os nossos Heróicos Resistentes nos ensinaram e nós fomos aprendendo, uma caminhada difícil, mas como eles 48 anos depois de duras lutas Venceram, nós iremos Vencer também.

...»

Obrigado, GR!
Em 2014, continuaremos a luta!
Qual a alternativa?
Não há!

5ª feira antecipada - avante por um ano nOVO



O encerramento das comemorações do centenário de Álvaro Cunhal tem lugar nos próximos dias 3 e 4 de Janeiro com uma recriação histórica da fuga do Forte de Peniche – que disponibilizou para a luta revolucionária um valioso conjunto de quadros do PCP determinantes para o êxito Revolução de Abril e para o seu desenvolvimento – e um comício com a participação de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP. As duas iniciativas marcam o início das comemorações do 40.º aniversário da Revolução de Abril, acontecimento maior da história do País que libertou Portugal do fascismo e abriu o caminho para um futuro de liberdade, democracia, paz, progresso e independência nacional. Defender estes valores, que a contra-revolução quer liquidar, exige o total empenhamento dos comunistas e demais democratas na luta por uma política alternativa, patriótica e de esquerda, afirmando o projecto inscrito na Constituição da República Portuguesa.

segunda-feira, dezembro 30, 2013

Em tempo de balanços

Na sua página Cem por Cento (5 do caderno Economia do Expresso), que vale sempre a pena ler, Nicolau Santos excedeu-se esta semana em ironia amarga. Dentro da sua redoma keyneseana, ele observa a realidade e vai-a comentando. Por vezes com acutilante objectividade, por vezes com irritante incapacidade para ver para fora dos limites da redoma.
Pois desta vez excedeu-se em ironia amarga, mas esta nem pode ser levada muito a sério, como é mester da ironia, precisamente pelos limites da redoma em que o autor se enferma, e lhe impõe. Isto é, (lhe) impede de acrescentar - um parágrafo que seja... - em que se vislumbrem as causas do que denuncia ironicamente. Sobre a relação de forças numa luta de classes sem quartel. 
Pelo que, ao ler, possa parecer descosido ou desligado o que já Garrett mostrava ser (para usar imagem adequada) as duas faces de uma mesma moeda.
O que NS arrola como provas de quão magnífico foi o ano - "recessão inferior ao previsto", "menor quebra do consumo", etc. -, e faz a bem-aventurança de uns poucos já e sempre bem-aventurados, não acontece por acaso, mas por obra e graça, causa e efeito. E faz com que muitos vivamos o 2013 como tendo sido horrível, no que respeita ao nível de vida do povo, aos trabalhadores, aos pensionistas, às massas. Para quem  também terá sido magnífico pelas lutas que mobilizou, pelas consciências que despertou, e ainda por ter havido quem tenha cumprido a sua obrigação de velar pelo cumprimento da lei fundamental.
Também as faces têm mais que uma face!
Que venha 2014.A luta continua!
  

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Comunicado à (habitual e amiga) navegação

Para além da menor actividade "blogueira", e para além também da quadra especial que se atravessa (a que não podemos ser indiferentes), sinto necessidade de justificar a minha ausência. Tenho estado em trabalhos (forçados...) de preparação da Assembleia Municipal de Ourém, de que sou o Grupo Por Ourém, único membro e seu (próprio) chefe. Atirei-me aos documentos previsionais e demais ordem de trabalhos e - devo dizer - gosto do que é um verdadeiro exercício. Necessário e, por vezes, desesperante. Mas nunca desesperançoso.

Já agora, deixo um comunicado que fizemos sair:

POR OURÉM
(grupo da Assembleia Municipal de Ourém)

Comunicado
(e convite)

Realiza-se no dia 27 de Dezembro a reunião ordinária da Assembleia Municipal de Ourém.
Ordem de Trabalhos (OT) consta de edital tornado público e afixado (diz-se) nas Juntas de Freguesia e “lugares de estilo”. Entre os vários pontos dessa OT, avulta a “apreciação e votação dos documentos previsionais” para 2014, mas outros haverá de muito interesse para o quotidiano dos oureenses, cabendo a responsabilidade das deliberações a quem foi eleito para os representar naquele órgão.
Como todas as reuniões deste órgão institucional será aberta ao público e, como em todas, um ponto da OT será de ”período de intervenção aberto ao público”.
Assim se pode fazer uma “ponte” entre a democracia representativa e a democracia participativa, segundo o entendimento de democracia de POR OURÉM que não se esgota na escolha periódica de eleitos.
Por isso mesmo, o nosso representante eleito bateu-se, na chamada “reunião de lideres”, por um horário das reuniões que tornasse mais fácil o acesso a essas reuniões. E conseguiu que a próxima reunião, de 27 de Dezembro, fosse marcada para as 20.30, o que possibilita que o chamado público possa acompanhar os trabalhos e intervir no período que lhe está reservado.
Este comunicado é, sobretudo, de informação e um convite à presença.

Ourém, 23 de Dezembro de 2013

...e deixo dito que estou com saudades do nosso convívio.
Bom Ano nOVO!

quinta-feira, dezembro 26, 2013

A última 5ª feira deste ano - avante!




























Vigília em Belém culmina semana de luta

O Povo não se rende

Vencendo frio, vento e chuva, segurando archotes, lanternas, bandeiras, cartazes, os manifestantes que ao início da noite compareceram na vigília de dia 19, frente à Presidência da República, mostraram que o povo não desiste de lutar pela demissão do Governo e pela mudança para uma política de esquerda e soberana. «Abril de novo, com a força do povo» foi a palavra de ordem com que os manifestantes responderam ao anúncio de que, em 2014, a CGTP-IN dará grande destaque à comemoração dos 40 anos do 25 de Abril e do 1.º de Maio em liberdade. «A luta continua» foi a resposta à informação de que, no dia 7 de Janeiro, o Conselho Nacional da central irá analisar novas formas de luta, para o início do ano, porque «isto não vai parar».

A posição do PCP sobre a política (e o OE-14), de que Cavaco é co-responsável, depois de ter sido um dos seus caboucos



do económico:
O PCP critica o Presidente da República 
por não ter pedido a fiscalização preventiva 
do Orçamento do Estado para 2014
O PCP acusou hoje o presidente da República de ser cúmplice da política do Governo PSD/CDS-PP, por não ter pedido ao Tribunal Constitucional (TC) a fiscalização preventiva do Orçamento do Estado para 2014 (OE2014).
"Consideramos que é uma decisão que evidencia uma vez mais a sua [do Presidente da República] profunda cumplicidade com este Governo e com a sua política, tornando-o um dos principais responsáveis pelo rumo de empobrecimento e de ruína que está a ser imposto ao país", disse Pedro Guerreiro, do Comité Central do PCP.
Pedro Guerreiro considerou que o envio do diploma para o TC era "um dever do Presidente da República". "Face às medidas que estão inscritas no OE2014 e até a decisões que já foram tomadas no TC referentes a medidas que têm consequência no OE, seria o seu dever e era o mínimo que se poderia exigir", considerou.
Cavaco Silva não enviou o diploma do OE2014 para fiscalização preventiva no TC, já que terminou hoje o prazo previsto legalmente para tal.
O OE2014 fora enviado a 17 de Dezembro para Belém e Cavaco Silva dispunha de oito dias para solicitar a fiscalização preventiva da constitucionalidade.
Não optando pelo envio prévio do diploma para o Palácio Ratton, Cavaco Silva tem agora até 6 de Janeiro - contando o prazo de 20 dias previsto na Constituição - para decidir se promulga ou veta o diploma do Governo.
O Presidente da República (PR) pode ainda promulgar o diploma e pedir a fiscalização sucessiva de algumas normas, o que fez, aliás, em relação ao Orçamento do Estado para 2013, não existindo, nesse caso, prazo limite para o TC se pronunciar.

terça-feira, dezembro 24, 2013

dias de agora - de hoje

24.12.2013
(...)
Vim aqui dizer umas coisas…
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Quanto mais ondas de pó e do mar (letais, e muito lamento solidário com quem sofre as perdas), quanto maior parece a confusão, quanto mais a “coligação à direita" está descoligada e (se) procura a bengala do PS, com o Paulinho a fazer asneiras cheio de prosápia e o Pedrinho a dizer baboseiras e ver se embrulha tudo (e todos) em nome dos que mandam… quanto mais tudo isso, esta aparente confusão, mais necessário é o Bloco, e manifestos a 3D, e o Mário Soares e o Carvalho da Silva, e o Rui Tavares (Livre e pesporreico), e a "esquerda" sem o PCP, isto é, tudo (pode ficar) cada vez mais claro.
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Claro!
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Há que fazer – sempre! – uma leitura da História, sobretudo quando estamos a ser nós a fazê-la… ainda que sejam só alguns/outros a escrevê-la formal e adequadamente.
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Formal e adequadamente aos interesses (e à ideologia) da classe dominante.
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Como ouvi ontem, por mero acaso, quatro jovens (já pelos quarentas) - um "socialista" sempre disponível para a discussão política. um "revolucionário" a saltitar de partido em movimento (ou vice-versa), um "social-democrata" disciplinado PSD mas resmungante, e mais um que não fiquei a saber (se calhar nem ele) -  em amena cavaqueira tu-cá-tu-lá, a porem todos os pontos nos is, como se os is já não os tivessem...
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Em resumo, a classe que, na nossa leitura de História, queremos ser – a classe operária (e de todos os trabalhadores) – é uma, tem a sua vanguarda organizada (tal-qual seria desejável é outra questão… e nossa!) e não há esquerda sem ela.
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Tudo o resto, incluindo essa amálgama informe, conveniente,"bem cheirosa", incluindo «a esquerda sem “eles”, isto é, nós», serve ao capital (imperial, financeiro e transnacional) para fazer a sua parte da luta de classes.
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E pronto… por mais que digamos, e decidamos, que este é um dia igual aos outros não conseguimos que o seja.
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Porque os outros… somos nós!
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Fechamo-nos em casa, ouvindo o tamborilar e os pingos da chuva nos recipientes que aparam os que sobram lá de cima, das claraboias e das telhas, mas não é isso que torna o dia diferente.
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O que torna 24 de Dezembro um dia diferente são os outros que somos nós.
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São os telefonemas (de amigos e não só), são os vizinhos (alguns amigos mas não só)… quais dia igual aos outros?!
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E é a chuva, insistentemente, a cair lá de cima e a alastrar até aos CDs e à secretária, e à impressora, e são mais uns apagõezitos… um verdadeiro inferninho molhado e não em chamas como nas gravuras.
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Só agora – olho o relógio: 16:46 – é que vou (tentar) voltar à preparação para a reunião da AM.
(...)

O Estado de direito, os tribunais e o estado da direita - recortes

«(...)
Quase em paralelo com o chumbo do TC, o Tribunal de Contas destaca, na Conta Geral do Estado de 2012, a "omissão de 1045 milhões de euros, por benefícios atribuídos a SGPS (sociedade gestoras de participações sociais)", modelo de organização usado por grupos económicos.
O Fisco dá uma explicação fatelosa ao nível do bando que nos desgoverna para explicar o inexplicável , sem responder seriamente (mas quem espera que haja gente séria neste desgoverno?) ao alerta do Tribunal de Contas para a excessiva concentração dos benefícios fiscais em poucas empresas e entidades públicas. Revela o Tribunal de Contas que considerando os cinco principais tipos de benefício em sede de IRC, que correspondem a mais de 60% de toda a despesa fiscal, quase metade (48,2%) está concentrada nos dez maiores beneficiários que deixaram de pagar 132 milhões de euros. O grau de concentração cresceu em relação a 2011, ano em que as dez principais beneficiárias absorveram 44% destes benefícios. Um saco onde ir buscar os chorados 400 milhões.
Isto  prova à saciedade que este desgoverno governa a favor dos mais ricos e poderosos. Tendência que aumenta de ano para ano. Os benefícios fiscais concedidos às empresas em 2012, e relativos ao ano de 2011, cresceram 91 milhões de euros. Em sentido inverso evoluiu a despesa com os benefícios fiscais dos contribuintes indibuividuais, em sede de IRS, que baixou 106 milhões de euros em 2012.

Entre 2010 e 2012, os benefícios fiscais às empresas aumentaram 157 milhões de euros  e o número de empresas, de grandes empresas reduziu-se subtancialmente, como o Tribunal de Contas sublinha. No mesmo período, os benefícios aos particulares caíram 130 milhões de euros.
(...)»

(de Manuel Augusto Araújo
Praça do Bocage)

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Só(!) para que se saiba!

A factura com juros e comissões 

do empréstimo da 'troika'

já está perto dos 3 mil milhões de euros

considerando apenas os valores 

de 2012 e de 2013 até Novembro,

segundo a Direcção-Geral do Orçamento.




G'and'ajuda!

Ditos, frases, designações que me perturbam

Ouço-as ou leio-as e acho-as parvas, idiotas, suicidas, mentirosas, poeira p'rós olhos, inaceitáveis, sei lá... 
Sou eu que devo andar fora do espírito natalício! 

Calhordastroga disse
... o País não pode gastar 15% da riqueza que produz em pensões! ...

este homem andou na mesma escola que eu?
é parvo ou julga que nós o somos?
oh, "culega"!... estamos a falar de quê?
as pensões não são um pagamento diferido
do que foi descontado, segundo cálculos acturiais,
a quem trabalhou?
que culpa têm os que descontaram
se houve quem aplicasse mal 
(ou bem... para certos bolsos e bolsas)
o dinheiro que foi descontado?
deveriam, os que descontaram, já ter falecido?
quem é que deveria ser responsabilizado
por ainda estarem vivos?
quem é que em vez da produção 
só quer especulação?
e quem é que deveria ir para a cadeia?

Cavaco reuniu com "notáveis", por iniciativa 
do "Conselho da Diáspora"

tinhamos, Portugal, um problema gravíssimo.
que se traduzia em número de emigrantes;
com a compensação (só estatística!) 
de diminuir o número de desempregados.
agora está tudo bem:
deixou de haver emigrantes, há "diasporados"
(ou dióspiros?)
e conselheiros da dita diáspora
que reúnem com Sua Excelência, 
comem bolo-rei com ele, com ele a dizer que
"o País deve ser mais positivo".
está tudo a ficar certo
e positivo!

Fui ao cinema (aleluia) e, como cheguei antes de começar o filme, apanhei com esta:
"Benvindo à UCI/prepare-se para uma experiência inesquecível/connosco"

vi o filme.
não era mau!
quanto à "experiência inesquecível",
ou não houve
ou já a esqueci!


Reflexão (ainda aniversariante) sobre o facebook

Pois... "fiz anos"! Como disse um poeta vizinho "que tolo... ainda se os desfizesse"
Por não poder ter, como todos os últimos anos, um pequeno jantar de convívio com a família e dois ou três amigos mais próximos, resolvi nada organizar a pretexto do aniversário. Por sua iniciativa, almoçaria por aqui, com a família, nas suas já três gerações, e nada mais. 8 convivas, do mês e meio da Oriana aos meus 78 anos. Assim foi.
Ou assim teria sido, não fora o facebook. Comecei por ter o e-mail a mandar-me ir ver as mensagens no dito facebook. Obedeci. Foram dezenas de parabéns, ao mais diverso estilo. Mensagens de amigos (algumas, comovendo-me), de camaradas (muitas na dupla condição), de conhecidos, de não-reconhecidos.
Como  (mais ou menos) bem educado que sou, entendi dever agradecer. A cada um? Impossivel. Só a alguns? Pareceu-me incorrecto. Resolvi, no dia seguinte, ontem, e na última mensagem chegada, agradecer a todos, e transcrever o agradecimento para uma mensagem geral. Assim fiz:

Terá sido esta a última das mensagens de parabéns que me encheram a página do facebook (que pouco frequento), o dia, "cá por dentro". Tantas foram que não posso agradecer todas as palavras amigas e simpáticas que aqui - e que por outras vias - li e ouvi! Foi bom e ajudaram a passar um dia feliz, apesar de ter decidido (!) esquecer-me de fazer anos e, se possível, desfazê-los. Para todas/os o meu muito grande, grato, e por vezes comovido, abraço.

Que fui eu fazer?
Quem não sabia, ficou a saber, e foi uma nova avalanche. Dezenas e dezenas. Foi como se, a 22, tivesse "feito anos" outra vez. De novo me comovi, me lembrei, sorri, com-vivi, a pretexto do que desejava "desfazer".
Por exemplo (e bem a propósito): 



(obrigado, Rogério,
belo divertimento
... embora faltem os nossos
avante, camarada;
hino de Caxias;
 a internacional!)

Estou num estado de espírito paradoxal, provocado pelo "facebook". 
Dou "graças à la vida" e aos amigos que me festejam a vida, reforcei as minhas reservas quanto ao facebook. E encerro o período de três dias aniversariantes quando nem um pensei ter. 
Para o ano logo se verá...

domingo, dezembro 22, 2013