domingo, janeiro 08, 2017

como pôr fim ao banksterismo

O caderno Economia do semanário Expresso, como toda a panóplia de veículos de comunicação deste grupo, ilustra a complexa frente ideológica da luta de classes. 
Não é por acaso que "o fundador" (e fundidor!) do grupo é "o português do Clube Bilderberg". Em doses bem medidas (e à medida do tempo em que se joga), a equipa é uma selecção que vai da direita mais "caceteira" (ideologicamente, claro) ao esquerdismo mais verbal, passando pelas tendências várias da social-democracia e por um keyneseanismo que, evidentemente, não é só económico, apenas ficando de fora quem é, claramente, do outro lado da luta... embora um convite esporádico e espúrio possa aparecer por manifesta oportunidade ou para dar alguma cor ao pluralismo.
Por este caderno e seus alimentadores me perco ao fim de semana (e, por vezes, pelo meio da semana), sempre com proveito, embora irregular. Particularmente na página 5, onde até posso ganhar uns quartos de página de bem escolhida poesia.
Vem isto a propósito deste sábado - como já veio em muito outros apropósitos -, em que Nicolau Santos aborda o "sarilho no Novo Banco" e diz que ele "tem um nome", embora não diga qual ele seja.
Nomes próprios refere alguns (Carlos Costa, Vitor Bento, Stock da Cunha, Sérgio Monteiro, António Ramalho), e muitos ficam por referir, embora citados noutras oportunidades, como Maria Luís Albuquerque, e deixa dois nomes não de pessoas mas ajudando à caracterização do "sarilho" - BNP Paribas (com uma estranha assessoria de €15 milhões) e Lone Star (um dito "fundo de investimento" para que o apodo de abutre é carinhoso). 
Em resumo, sarilho há. E pesado em euros! Eram 4,4 mil milhões de € em "resolução" (que é feito do fundo da dita?), que se propõe "resolverem-se" com 750 mil (que, com uma estranha garantia de 2,5 mil, se podem transformar em - 1,750 mil milhões!), através de uma venda a privados, talvez a conselho de assessorias a custo de mais de 15 milhões de euros (qual o papel do dr. Sérgio Monteiro nestas operações banco-cirúrgicas?), pagando administrações precárias em SOS e, decerto..., não remuneradas ao nível do salário mínimo. E quem confiou, e manteve a sua confiança, no "banco bom" e... Novo?!, o que é que sabe e pensa? 
Nome tem o sarilho! Mas NS não diz qual escolheria (seria Carlos Costa?) porque, se o dissesse, talvez tivesse de ir mais além, de ir ao fundo das questões e não pudesse, "perante o actual cenário...", pedir para "...se continuar a reestruturar o banco e negociar com Bruxelas mais tempo para vender a instituição."
Capitalismo, não lhe dirá nada?, e nacionalização?, e negociação com Bruxelas (e credores) bem para além de apenas tempo para se entregar mais um pedaço nosso a privados em condições menos... "vexatórias"? 

voltarei a esta página 5          

Para este domingo

Para este domingo, não iria cometer a deselegância a insensibilidade relativamente ao que possam muitos sentir, de colocar uma música festiva. Não que algum sentimento pessoal o impedisse, como nenhum outro a tal convidasse.
Ponho o vídeo que estava preparado para este domingo:


E seria tudo. Hoje. Ou agora.

Um entre muitos, perante o escândalo

Ano novo, velho banco

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 06/01/2017)
quadros
No momento em que escrevo esta crónica (01.30 de quinta-feira), o destino do Novo Banco ainda é uma incógnita. Segundo fontes próximas do Banco de Portugal (o astrólogo do Doutor Carlos Costa), “a Lone Star é a mais bem colocada para ficar com Novo Banco”. A proposta da Lone Star, que visa a compra de 100% do Novo Banco, é de 750 milhões de euros, citando a mesma notícia. Eu tenho a teoria de que isto ainda acaba com o Novo Banco vendido à Padaria Portuguesa.
Recordo que a 5 de Agosto de 2014 (ver artigo neste jornal www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca—financas/detalhe/novo_banco_vale_44_mil_milhoes) a questão discutida pelos analistas era se o Novo Banco valia ou não… 4,4 mil milhões de euros? E havia gente dividida…
Em dois anos, passámos da possibilidade de obter 4,4 mil milhões, pela venda, para 750 milhões (mais um fim-de-semana para duas pessoas em Benidorm). Não quero ser advogado do diabo, mas será que o Salgado não fazia melhor que o Stock da Cunha? 750 milhões pelo Novo Banco? Aposto que a Remax fazia melhor que o Sérgio Monteiro. Não podemos vender o Novo banco aos vistos gold? Ou aproveitar os balcões para fazer uns hostels?
Como se não bastasse, a proposta da Lone Star, segundo se diz, é em torno dos 750 milhões, mas a garantia pedida ao Estado é de 2,5 mil milhões de euros. Isto não é vender o Novo Banco, isto é ter de pagar pelo dote da mais nova. Perante estes números, eu não imagino que tipo de pessoas é que ainda têm conta no Novo Banco mas calculo que amanhã de manhã sejam menos de metade. Convém não esquecer que o BES foi dividido em BES bom e BES mau, e que o BES bom era este.
Mas a novela não acaba aqui, porque, no mesmo dia em que se fala da Lone Star, Mário Centeno não exclui possibilidade de nacionalização do Novo Banco. Talvez seja a melhor ideia se a colecção de obras de arte estiver ao nível do BPN. Esta possibilidade deixa-me uma dúvida: se o Novo Banco não for vendido e o Sérgio Monteiro foi pago para o vender, será que ele devolve a massa que lhe deram? Sempre é mais ou menos meio milhão que se poupa.
Acho que é chegada a altura de assumir que, finalmente, acertámos no grande desígnio de Portugal: somos uma nação que salva bancos. O primeiro país a abolir a pena de morte e a ter uma complacência infinita para com os banqueiros. Merecíamos um Luís de Camões capaz de narrar esta nova epopeia. Vistas bem as coisas, já gastámos mais dinheiro a salvar bancos que nos Descobrimentos.

sábado, janeiro 07, 2017

A incompatibilidade da precariedade





De Rerum Natura

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Níveis de precariedade na Investigação são inadmissíveis

Comunicado de Imprensa da ABIC, FENPROF e OTC:

No âmbito do Dia Mundial de Luta Contra a Precariedade Laboral na Investigação Científica, que se celebrará em 15 de março de 2017, e da Apreciação Parlamentar do Diploma sobre o Emprego Científico (Decreto-Lei 57/2016, de 29 de agosto), agendada para o próximo dia 11 de janeiro, a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e a Organização dos Trabalhadores Científicos (OTC), organizações afiliadas da Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos (FMTC), reuniram-se para analisar a situação da ciência no país e, em particular, dos bolseiros de investigação, bem como definir um conjunto de iniciativas a implementar.

A ciência e os bolseiros de investigação vivem uma situação de extrema precariedade que tem vindo a agravar-se há vários anos e que levou a que o recurso aos bolseiros de investigação se tenha tornado, atualmente, uma prática corrente e sistemática para suportar a realização de todo o tipo de trabalho científico, não sendo, por isso, como seria correto, uma exceção. Este recurso abusivo e criticável da figura do bolseiro de investigação cria instabilidade, não apenas na vida dos bolseiros, tanto em termos pessoais como profissionais, mas também ao nível do desenvolvimento dos projetos de investigação, sendo, potencialmente, uma fonte geradora de má ciência e de desperdício de recursos que, portanto, deve evitar-se.

O Decreto-Lei 57/2016 visa promover a contratação de investigadores, mas, contudo, fica muito aquém das necessidades. Por um lado, apenas substitui as bolsas por contratos a termo certo, mantendo a precariedade. Pelo outro, potencia a criação de uma eventual carreira de investigação paralela e também precária. Embora seja positivo o acesso às prestações sociais, é necessário dar o passo seguinte, ou seja, dignificar o Estatuto do Investigador, abrindo os concursos para integração nos “quadros de pessoal”, estabilizando, dessa forma, a vida dos profissionais da investigação.  
A implementação do Decreto-Lei 57/2016 levanta outras preocupações e dúvidas, nomeadamente no que diz respeito ao financiamento da contratação temporária de investigadores ao abrigo deste diploma, o que urge clarificar.

A ABIC, a FENPROF e a OTC irão acompanhar o processo de Apreciação Parlamentar do Diploma sobre o Emprego Científico e apresentar as suas sugestões no sentido de eliminar a enorme precariedade vivida no setor, defendendo, desde já, a reestruturação da Carreira de Investigação Científica e subsequente integração dos trabalhadores científicos.
Lisboa, 04 de janeiro de 2017
ABIC ― Associação dos Bolseiros de Investigação Científica
FENPROF ― Federação Nacional dos Professores
OTC ― Organização dos Trabalhadores Científicos

FMTC ― Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos (ONG Internacional em Parceria Oficial com Estatuto Consultivo na UNESCO)


quinta-feira, janeiro 05, 2017

terça-feira, janeiro 03, 2017

...de onde menos se espera...

Aqui há uns "posts" aproveitava um texto JPacheco Pereira para sublinhar a utilidade de ler (ou ouvir) o que outros que não pensam como nós escrevem (ou dizem). À maneira de confirmação, e estando a folhear o Expresso, não muito vocacionado em perder tempo com a iniciativa de edição de livros sobre Estaline dessa fonte (porque tanto está em leitura sempre e cada vez mais atrasada...), tropecei nesse sublinhado do prefácio de Paulo Portas:


Não que fosse impensável que Paulo Portas escrevesse coisas destas, mas porque é abordagem da evolução da guerra de 1939-45 que não se esperaria ver divulgada, em sublinhado, debaixo de fotografia deste personagem. Já mais de muitas vezes e em muitos lados se podem encontrar versões em que se contrariam as que dão este devido relevo à resistência do povo soviético durante a guerra... e em que se escamoteia a decisiva, porque apoiada por essa resistência, intervenção do Exército Vermelho e contribuição para a vitória dos "aliados". 
Sem Estaline(de bom ou mau)grado, a História seria outra! 
E qual seria ela? Não especulemos, mas não deixemos de ler e de reflectir sobre a História. 

segunda-feira, janeiro 02, 2017

De vez em quando, recuperaSonhos... que não ilusões

Não sou crente.
Não sou crente. Mas sempre respeitei quem o é.
Sou um homem de convicções! Quem me conhece, assim me reconhecerá.
Às vezes, tenho um sonho (como o Luther King), por vezes, neste últimos dias, tenho tido um sonho em que encontro raízes judaico-cristãs, raízes da nossa cultura.
Sempre tivemos, os do chamado “ocidente” ou do chamado “norte”, a pretensão de espalhar, aos quatro cantos do mundo (que até é redondo), a fé e o império. E, nessa missão, alguns exageraram, alguns insistem e persistem no exagero, levado até ao crime do esmagamento do outro enquanto outro e não igual.
E temos aberto os olhos de espanto, de indignação, de horror, quando o outro reage e responde ao fundamentalismo com fundamentalismo, ao radicalismo com radicalismo, à intransigência com intransigência, à violência com violência, ao terrorismo com terrorismo.
Mas, às vezes, tenho um sonho.
Hoje, quer dizer: n'estes dias tumultuosos, lembro-me da ficção/sonho da figura do Papa, noutros dias que também tumultuosos foram(*), a erguer-se entre trincheiras beligerantes, e actualizo o sonho/ficção: vejo o Papa, este João Paulo VI, que tanto se esforçou para tentar evitar a guerra/invasão do Iraque, vejo este Papa que ergueu a sua voz contra a força do império, a força sem razão nem direito internacional, que ergueu a sua voz em nome da fé de que ele, Papa, é o vértice terreno, vejo este Papa a tomar um dos aviões do Vaticano e a aterrar em Bagdade e a dizer ao mundo: estou aqui, onde chega a agressão e a invasão, estou aqui, onde está o povo agredido e invadido, estou aqui, a afirmar que a Paz na Terra é a minha missão, é a missão da Igreja, como, há 40 anos, João XXI o pôs em encíclica.
Zambujal,

5 de Abril de 2003

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Isto foi escrito em 2003, mais uma vez perante ditos e não-feitos, 
a lembrar o que li em livro lido há muitas décadas:


PAASSEN (PIERRE VAN) - 
ESTES DIAS TUMULTUOSOS


Tradução de Leonel Vallandro. 
Lisboa, 1946 - 548 págs 
Estes Dias Tumultuosos - Diário de quem viveu a segunda grande guerra. O Autor era um jornalista holandês-canadense-americano, escritor. Em 1921, tornou-se um jornalista do Toronto Globe, e um ano depois se mudou para os EUA. Nesta obra, detalha muitos eventos que não poderia mencionar em suas reportagens anteriores. Foi o livro de não ficção mais vendido nos Estados Unidos durante quase dois anos.


domingo, janeiro 01, 2017

Trechos de textos e contra-textos



Vamos lá a ver!:


"pela primeira vez"  ?
quantos já antes o disseram?

"números fiáveis" ?
quem passa os atestados?

"ganhar menos" ?
ganhar?... em € ou em US$?
e as necessidades... que são as mesmas e outras?!

"qualidade de vida inferior à nossa" ?
à nossa?... de quem?...
"deveria bastar" ?
pois deveria!

"ganhar mais do que nós" ?
lá está: ganhar mais...!
(o quê? € ou US$?)

"direitos adquiridos" ?
por luta social? ou por herança?, 
por acaparação?, por especulação?,
 por roubo, em suma?

Não terá JMT ouvido falar
de capitalismo,
lido uma linha de Marx
ou de um qualquer "outro"?

Obrigadinho, igualmente!

Ignorância ascendente e falta de respeito

Voz amiga e avisada saudou-nos festivamente e alertou-me para textos lidos (é moeda de troca...). Assim nos desviou do propósito de para aqui trazer leituras feitas e em curso. Porque, depois dos foguetes e das imagens e perguntas repetidas até à exaustão na televisão [rima e é verdade "o que espera (ou o que deseja) de 2017?"], apesar de exausto (salvo seja... da "exaustão"), ainda li dois desses textos recomendados. Li-os, não por especial recomendação mas para descompressão e por curiosidade, e encontrei bastos motivos para os comentários em cuja onda ando sobre textos e contextos (não que tenha quaisquer pretensões a substituir-me ao comentador promovido a comentador oficial da República, isto é, Presidente desta). 
Muitos desses motivos guardarei para mim, mas trarei alguns para aqui. Como um, do espaço público ocupado  por José Pacheco Pereira, no último dia de 2016, 

em que ele termina escrevendo "... Como, na nova ignorância, se trata de uma atitude hostil ao saber e ao seu esforço, mais que um efeito da fonte única, há uma guetização da opinião, com arregimentação entre os próximos e a diabolização dos "outros". Ler só aquilo com que concordamos pode ser satisfatório psicologicamente, mas destrói o debate público fundamental numa sociedade democrática."
E como o título do artigo na página 44 do Público é A ascensão da nova ignorância, parece que a ilustração dessa nova ignorância foi mandada para a página 48, onde João Miguel Tavares, no seu habitual alarde de que "o respeitinho não é bonito", 

brinda o eventual leitor com um textinho com o aliciante título Este mundo não é para novo e demonstra a sua ascendente ignorância que disfarça com vestes de citação de David Leonhardt, Thomas Piketty, Raj Chetty, perante as quais pasma de reverente admiração, só possível pela diabolização dos outros" que há muito fizeram uma leitura da História (sempre em necessária actualização) que ajuda a entender as suas "descobertas" por entrepostas citações de seus aprioriticamente tomados por próximos. 
Os aumentos das desigualdades impõem-se, como se vê... mas nada de confundir faltar ao respeitinho com o necessário respeito devido a "outros" cujo é muito bonito, aos "outros" que procuram as causas das desigualdades e lutam para as combater  
    

Para este domingo primeiro

Bom dia! 
O 1º dia da semana (se amanhã será segunda-e-feira!...), 1º do mês (do 1º mês), 1º dia deste ano.
Assim decidido e aceite pela sociedade em que nascemos e crescemos (aprendendo que há outros e outras, e outras contagens do mesmo tempo que todas e todos vivemos). 

Haja música!

sábado, dezembro 31, 2016

No balanço de 2016 para nos atirarmos a 2017

Agradeço a todos que me desejaram (e aos anónimos assumidos) um Bom Ano.
Seleccionado do acontecido e dito, para fechar 2016 escolhi :




Carlos Carvalhas 
no XX Congresso do PCP










... pelo ganhar das consciências
... pela luta empenhada das massas

quinta-feira, dezembro 29, 2016

Sob o disfarce de jornalismo de élite

Este é o texto que me saiu na rifa dos mails, em mais um Expresso curto:

(...)

Não valerá gastar muita cera mas, no contexto, é sintomático! Da intenção de amesquinhar, do estilo "gracioso" a  fazer de irónico.
Jerónimo não terá sido actor em nenhuma representação, não foi o 801º figurante. Terá sido o visitante respeitador e respeitado de uma iniciativa popular que merecia ser visitada.
Assim se faz política disfarçada de jornalismo de élite, ao serviço dos patrões.

Textos & Contextos - Palavras maltratadas-2




Escrevia, ontem, que hoje escreveria tratando do outro texto, no contexto dos horários de trabalhodo tempo de férias e de um novo feriado (o da 3ª feira de carnaval). Eram essas as palavras e frases de se servia João Vieira Pereira para se "inspirar" nd apresentação do seu Expresso curto na manhã daquele dia.
E, como ontem dizia, vinha eu comentar numa postura crítica diferente da relativamente ao texto de António Guerreiro. Por serem diferentes (claro...), por o texto de AG me fazer sentir um desejo de debater, de discutir seriamente, enquanto que o de JVP me fazia nascer a vontade de bater (salvo seja...) pelo facto de me irritar o tom com que aborda questões muito sérias, à maneira irónica e superior que caracteriza quem (com honrosas excepções) está de serviço aos expressos, curtos, abatanados ou de chávena cheia.

Que é isso de interrogar acintosamente o leitorzinho se em 2017 vamos trabalhar menos se não a insinuada e jocosa (mas bem clara) forma de começar logo por afirmar que  já trabalhamos de menos (e mal) pois, a não ser assim, não teríamos a produtividade baixa que temos? Mas... nós?, quem? Obviamente, os trabalhadores!
Com evidente oportunismo mediático, esse curto expresso veio cavar na (ou tentar escavacar a) seara de quem, nesse mesmo dia, procurava que melhor se regulamentasse a utilização da força de trabalho e se definissem horários de trabalho, períodos de férias e se recuperasse um feriado tradicional. Em benefício dos trabalhadores... que, segundo implícito em JVP, tão privilegiados têm sido e tão mal agradecidos parecem pela benesse de terem quem lhes dê emprego.
Ora há aqui uma diferença de perspectiva essencial (além do estilo e sobranceria).
Poderia alongar-me por veredas teóricas mas, para aqui, na falta de fotografia ou de traço de ilustração, procuro a imagem dos exemplos práticos:

  • se, há décadas, um produto se produzia, e distribuía, com a utilização do  tempo de uso de força de trabalho (individual e colectiva) de 48 horas semanais
  • e se, hoje, esse mesmo produto (ou equivalente) se poderá produzir, e distribuir, com utilização do  tempo de uso de força de trabalho (individual e colectiva) vivo de 35 horas semanais, beneficiando de invenções e aplicações dos que vão trabalhando na investigação e aplicações
  • que fazer com as libertas 13 horas semanais, de não-uso de força de trabalho como mercadoria (isto sem entrar em contas com mudanças nos tempos de deslocação para e de local de seu emprego)?
  • Quantas serão as horas de tempo de vida livres a aproveitar pelos trabalhadores (para as quais o prolongamento da esperança de vida teria vindo contribuir)?

O facto é que a questão nunca se põe assim, ou seja, dada a correlação de forças sociais coloca-se em pino: quanto aumentou o número de desempregados e de subsidiados por coisas como o TSU, magnanimamente financiadas pelos empregadores? 
Mas, no fundo, a questão é esta: o progresso, só possível pelo trabalho, dá aos humanos tempo livre ou fabrica desempregados e mais sujeitos à dependência de alguns escassos que desse progresso se apropriam? 

Será que em 2017 teremos de trabalhar o mesmo tempo para ganhar um pouquinho mais, enquanto cresce o número de milionários à custa dos trabalho de todos?

quarta-feira, dezembro 28, 2016

Textos & Contextos - Palavras maltratadas-1

As palavras maltratadas são, hoje, as mesmas dos textos de ontem: tempo e trabalho.
São-no, a meu juízo, de maneira diferente. 
Num caso (o do texto opinião de António Guerreiro-"Trabalho, tempo, dinheiro"), por se lhes ter juntado, em cohabitação, uma outra palavra que, por maltratada ser, invade o significado das duas que tanto prezo e que fazem parte de uma meia dúzia de conceitos que me moldam como ser que humano quer ser (e contribuir para que todos os seres humanos possam vir a ser humanos no seu tempo).
Não que dinheiro seja perverso e intrusivo em si mesmo. O dinheiro é uma das grandes descobertas da Humanidade, e se houve economista que se atreveu a colocá-lo, curiosamente, entre as coisas que, tal como o guarda-chuva só nos apercebemos da sua existência e utilidade quando dele precisamos e não o temos... porque chove ou os bolsos estão vazios (ou cheios de cotão e não de tostão) não chega.
A necessidade das coisas não as define, não diz o que são, até pode desconhecer aquilo que foi a sua origem e é a sua natureza, esconder para o que foram criadas pelo trabalho, e para o trabalho... Dizer que nos falta dinheiro, ou que jeito nos daria ter mais algum, ou que não se sabe o que se faria se a lotaria ou o euromilhões nos inundasse de dinheiro, ou que não basta a alguns o imenso dinheiro que têm, tão insaciáveis e capazes de tudo para multiplicar o que já em muito lhes sobra, são ditos e frases (e uma infinidade delas se poderiam acrescentar) que, traduzindo realidades, nos afastam do verdadeiro significado da palavra, ou no que ela se tornou com o rolar do tempo.
Ora dinheiro é aquilo em que se foi transformando o meio de troca que permite que quem produz pão e precisa de sapatos não tenha de procurar um sapateiro que precise de pão para entre si trocarem. Por várias etapas se foi passando. E ignorando essa génese que não perdeu razão de ser... O dinheiro troca produtos diferentes de trabalhos diferentes em espaços e tempos diferentes, relaciona seres humanos na procura de satisfação das suas necessidades. 
Este processo histórico (no sentido de procedimentos humanos) percorreu e percorre séculos de séculos, e - no contexto mediatizado de hoje, 28.12! - seria oportuno (ou oportunista) dizer umas graças e fazer baixa política ao aproveitar coisas ditas irresponsavelmente sobre feiras de gado, que é onde os proprietários de gado iam - e vão - trocar o seu gado por dinheiro que lhes permita trocar por coisas de que necessitam... para si e para a manutenção e criação de mais gado seu. Mas adiante...
O que queria ainda deixar dito (ou escrito) é que a introdução do dinheiro para, formando um terceto, compor uma mesa de pé de galo, desvirtua as palavras trabalho e tempo, tornando-as de definição condicionada por um tipo de relações sociais que assenta na contemporânea utilização do dinheiro. Relações sociais que, negando formalmente a escravatura e libertando o ser humano da ligação e servidão à terra e natureza, criaram uma mercadoria força de trabalho como se fosse mera peça de uma engrenagem, mercadoria igual a qualquer outra. E não o é!, porque essa força é a que cria valor (de troca e uso), e tudo se estrutura (e desestrutura) ao haver troca desigual no acto de usar essa mercadoria em tempo superior ao que ela necessitou para o que criou para a troca, através dos tempos.
Dir-me-ão que esta base de reflexão está ultrapassada, que é obsoleta. Talvez... mas, com base nela, percebe-se o que se está a passar, enquanto que sem ela verifica-se que ninguém se entende, mesmo quando anda lá perto com reflexões sobre trabalho e tempo.
Caminha-se para um beco sem saída. 
Ou com a saída da superação do tipo de relações humanas comandadas pela busca de acumulação de um dinheiro fictício, desmaterializado. Ou a destruição de tudo... para o que o ser humano, com trabalho e tempo, foi também criando condições.

Amanhã, tratarei do outro texto 
no contexto dos horários de trabalho, 
do tempo de férias e dos feriados
     

terça-feira, dezembro 27, 2016

Textos & Contextos - Tempo, Trabalho

Tenho por hábito ler "qualquer coisita" (um artigo atrasado, as páginas de um livro) antes de apagar a luz e de fechar os olhos.
Ontem, calhou ser uma "opinião" do jornalista António Guerreiro, no Público de 23 de Dezembro. Estava de reserva porque são opiniões que prezo, porque o tema colocado em título "Trabalho, tempo, dinheiro" é desafiador de mim.



De manhã, tenho por hábito começar por ler o que me possa actualizar enquanto pequeno almoço. Não há dúvida que o homem é um animal de hábitos (... o homem e a mulher, respinga a companheira... e, retroco eu, o gato que nos acompanha...). 
O facto, talvez relevante, é que, na prática desse hábito nesta manhã, tropecei num Expresso curto, servido pelo Director-Adjunto João Vieira Pereira, em que ele nos pergunta (?), exclamativo (!), "E não é que em 2017 vamos trabalhar menos?", g(l)osando tema que, depois, voltei a encontrar em outras fontes.
Dois comentários adrede:
1. A opinião de António Guerreiro me convoca-me a debate que iria muito para além deste espaço, e aqui apenas deixo a (minha) opinião de que a de AG sofre a abusiva intrusão do dinheiro, intrusão que em tudo desvirtua conceitos básicos, conceitos que sem ele nasceram e bem viveriam. 
Foi pelo trabalho (como eu o entendo) que o ser humano se foi libertando da condição animal para ganhar condição humana (e sujeições derivadas); é o tempo que vive o humano, e como o vive, que o define como ser humano. Ora, no seu percurso, o humano arranjou um meio para servir de intermediário nas suas humanas relações, o dinheiro, e este veio - e está progressivamente a - deshumanizá-lo ao transformar em mercadoria-coisa a força de trabalho, coisa essa que é o tempo de uso da capacidade de transformar e de criar que o humano tem em si. Citaria Marx (e Engels), e um dos seus erros, depois corrigido. Mas,no entanto, citações ainda menos serão para este espaço, apenas me parecendo que a referência de AG a Proust serve para ilustrar como o dinheiro é perverso ao insinuar-se no tempo como sendo este gasto (na sua acepção de custo monetário) quando deveria ser, sempre, na de tempo perdido, se como de uso de mercadoria for.
2. Mas tempo perdido é o tempo não usado, dispendido, não vivido como livre, como opção humana, individualmente, e também, e sobretudo, vivido colectivamente como animal social que somos. Por isso, o "Expresso curto" de JVP, no estilo irónico-sobranceiro que caracteriza tantos dos "seus", provoca-me rejeição ao tratar um tema muito sério de forma jocosa, apenas revelando desrespeito pelos trabalhadores, trabalhadores que parecem incapazes de verem senão como peças de uma engrenagem (escreveu Soeiro Pereira Gomes...), como outros de que outros usariam tempo de força de trabalho, mercadoria ao menor preço possível pelo maior tempo que se retiraria, perdido, do seu tempo livre.    

segunda-feira, dezembro 26, 2016

É assim mesmo!

Do JornalEconómico:


Israel isolada na ONU (sem o veto e com a abstenção dos EUA)

MPPM - MOVIMENTO PELOS DIREITOS DO POVO PALESTINO E PELA PAZ NO MÉDIO ORIENTE

COMUNICADO 18/2016
MPPM SAÚDA RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU QUE CONDENA OS COLONATOS DE ISRAEL

O Conselho de Segurança da ONU aprovou no dia 23 de Dezembro passado uma resolução relativa aos colonatos israelitas no território palestino ocupado.
Votaram a favor quatro membros permanentes (China, França, Reino Unidos, Rússia) e todos os actuais 10 membros não permanentes (Angola, Egipto, Espanha, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Senegal, Ucrânia, Uruguai e Venezuela). Os Estados Unidos não utilizaram o direito o direito de veto, optando pela abstenção.
O MPPM congratula-se com este acontecimento de primeira importância, que deve ser saudado por todos quantos apoiam o povo palestino na sua longa e corajosa luta por uma solução que conduza à criação do seu Estado independente dentro das fronteiras de 1967 e com capital em Jerusalém Oriental.
Com efeito, são inequívocos a este respeito os pontos principais da resolução, em que o Conselho de Segurança:
— reafirma a inadmissibilidade da aquisição de terra pela força;
— reafirma a obrigação de Israel, enquanto potência ocupante, de «respeitar escrupulosamente as suas obrigações e responsabilidades legais ao abrigo da Quarta Convenção de Genebra relativa à Protecção de Pessoas Civis em Tempo de Guerra», e recorda a «opinião consultiva proferida em 9 de Julho de 2004 pelo Tribunal Internacional de Justiça»;
— condena «todas as medidas visando alterar a composição demográfica, o carácter e o estatuto do Território Palestino ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, incluindo, entre outros, a construção e expansão de colonatos, a transferência de colonos israelitas, a confiscação de terra, a demolição de casas e o desalojamento de civis palestinos, em violação do direito humanitário internacional e das resoluções relevantes»;
— expressa «grave preocupação por as continuadas actividades de colonização israelitas estarem a por em gravemente em risco a viabilidade da solução de dois Estados baseada nas linhas de 1967»;
— recorda a obrigação de Israel «congelar … toda a actividade de colonização, incluindo o “crescimento natural”, e desmantelar todos os postos avançados erigidos desde Março de 2001»;
— «reafirma que a criação por Israel de colonatos no território palestino ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, não tem validade legal e constitui uma violação flagrante do direito internacional e um importante obstáculo à realização da solução de dois Estados»;
— «reitera a sua exigência de que Israel cesse imediata e completamente todas as actividades de colonização no território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental»;
— «salienta que a cessação de todas as actividades de colonização israelitas é essencial para salvar a solução de dois Estados, e apela a medidas afirmativas a serem tomadas imediatamente para inverter as tendências negativas no terreno que estão a pôr em perigo a solução de dois Estados»;
— «sublinha que não reconhecerá quaisquer alterações às linhas de 4 de Junho de 1967, incluindo no que diz respeito a Jerusalém, que não sejam as acordadas pelas partes através de negociações»;
— «exorta todos os Estados a distinguirem, nas suas relações relevantes, entre o território do Estado de Israel e os territórios ocupados desde 1967».
É preciso recordar que, de acordo com números fornecidos pela ONU, pelo menos 570.000 colonos israelitas vivem em cerca de 130 colonatos e 100 postos avançados na Margem Ocidental ocupada, e que, sob a direcção do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, entre 2009 e 2015, o governo de Israel promoveu a construção de 11.000 novas casas nos colonatos.
Esta resolução assume ainda maior importância se se tiver em conta que o Knesset (Parlamento de Israel) está actualmente a discutir uma proposta de lei, da autoria do governo, visando legalizar retroactivamente os postos avançados «ilegais» à luz do próprio direito israelita — mas que, com flagrante hipocrisia, só se mantêm graças ao apoio e protecção do Estado de Israel. Determinados sectores políticos israelitas, incluindo representados no governo (de que são exemplo os ministros da Educação, Naftali Bennet, e da Justiça, Ayelet Shaked, do partido Lar Judaico), não escondem que encaram a aprovação dessa lei como um passo para a anexação da Margem Ocidental ou pelo menos da sua Área C. A presente resolução do Conselho de Segurança vem reafirmar com vigor a ilegalidade de tais desígnios.
É também de salientar a atitude dos Estados Unidos ao possibilitarem a aprovação da resolução, já que desde a tomada de posse da administração Obama esta é a primeira vez que os EUA não utilizam o veto para impedir a aprovação de uma resolução condenando o Estado de Israel. Recorde-se, a este propósito, que, em Fevereiro de 2011, os EUA vetaram uma resolução justamente sobre a questão dos colonatos e que foi durante a administração Obama, que agora termina, que a actividade de colonização atingiu o seu apogeu. Ainda recentemente Israel foi contemplado pelo seu aliado americano com o maior pacote de ajuda militar alguma vez dado a qualquer país, no valor de 38 mil milhões de dólares.
A presente resolução do Conselho de Segurança não poderá ser revertida e, como se disse, o seu significado é de enorme relevo. A declaração do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de que não a respeitará, assim como o anúncio de medidas de retaliação contra a Nova Zelândia e o Senegal, proponentes da proposta aprovada, dão a medida da derrota política do Governo de Israel e confirmam a sua atitude de confronto e desafio com o direito e a legalidade internacional. A reacção do presidente eleito dos EUA, de que «depois de 20 de Janeiro as coisas vão ser diferentes», assim como a nomeação recente por Donald Trump para embaixador em Israel de David Friedman, personalidade alinhada com os sectores extremistas do movimento dos colonos e adversário aberto da solução de dois Estados, suscitam fundadas preocupações sobre a evolução ulterior da política dos EUA em relação à questão palestina e, em geral, à situação no Médio Oriente.
Será necessário que prossigam os esforços, as iniciativas e as medidas para impor o respeito da legalidade internacional no que diz respeito à questão palestina.
O MPPM exorta o novo secretário-geral da ONU, António Guterres, a empenhar nesse sentido os seus melhores esforços.
O MPPM exorta o governo português a ter em boa conta a presente resolução nas suas relações com o Estado de Israel, nomeadamente quanto ao repúdio dos colonatos e à recusa das relações económicas com estes, e no apoio por todos os meios ao seu alcance a uma solução para a questão palestina conforme com o direito internacional.
O MPPM reafirma a sua solidariedade com o povo palestino e o seu empenho em continuar a lutar:
— pelo fim da ocupação israelita, o desmantelamento dos colonatos, do «Muro de Separação» e de todos os instrumentos de usurpação de terra palestiniana;
— pela libertação dos presos políticos palestinianos das prisões israelitas;
— pelo fim do bloqueio à Faixa de Gaza;
— pela criação do Estado da Palestina, com as fronteiras de 1967 e capital em Jerusalém Oriental e o respeito do direito ao regresso dos refugiados palestinianos.
Lisboa, 25 de Dezembro de 2016
A Direcção Nacional do MPPM

MPPM - MOVIMENTO PELOS DIREITOS DO POVO PALESTINO E PELA PAZ NO MÉDIO ORIENTE
Presidente da Assembleia Geral: Carlos Araújo Sequeira | Presidente da Direcção Nacional: Maria do Céu Guerra
Vice-Presidentes: Adel Sidarus, Carlos Almeida, Frei Bento Domingues
Presidente do Conselho Fiscal : Frederico Gama Carvalho
Rua Silva Carvalho, 184 – 1º Dtº | 1250-258 Lisboa | Portugal | Tel. 213 889 076

O MPPM é uma Organização Não Governamental acreditada pelo Comité das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino 
(Deliberação de 17 de Setembro de 2009)





domingo, dezembro 25, 2016

Para este domingo - 3 notas para uma memória com 55 anos

1 - 

A Morte Saiu À Rua

José Afonso

  

A morte saiu à rua num dia assim 
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai 
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte
 o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação






2 -
Todos os anos, desde 1961, este tempo dito de Natal traz consigo uma das  memórias mais vivas, mais fundas, da minha já longa vida, A morte saiu à rua em 19 de Dezembro, naquele lugar com o nome de Rua da Creche (hoje Rua José Dias Coelho), e assassinos  mataram o camarada que eu esperava uma centena de metros antes da esquina em que estava à hora combinada. Depois de dias de ansiedade, no desconhecimento do que acontecera, de busca quase desesperada, soube que o camarada se chamava José António Dias Coelho, que era escultor e que fora "assassinado a tiro em Alcântara, em circunstâncias que continuam por esclarecer e o funeral efectua-se na terça feira, a hora a determinar, do Instituto de Medicina Legal para cemitério a designar" (num jornal de 24 de Dezembro). 
Na terça feira seguinte à de 19 de Dezembro, quando a morte saíra à rua, a 26 de Dezembro de 1961 o corpo de José Dias Coelho desceu à terra que o abraçou.

3 -
A 25 de Abril de 1974, treze anos depois, floriram rosas de uma nação, depois de tantas covas feitas no chão. Seria o tempo de fazer justiça, com o "olho por olho", o "dente por dente" apenas como metáforas. Alguma justiça se fez, muita ficou por fazer. Aos assassinos de Dias Coelho até o louvor do próprio violento aparelho repressivo pelo "feito" (louvor de 27 de Dezembro de 1961!) serviu de atenuante no inacreditável julgamento e sentença do 2º Tribunal Militar, em 1976. 
Transcreve-se, da minuta do recurso à tal sentença, feito pelo advogado Fernando. Luso Soares, entre uma galeria de breves depoimentos, o de quem é hoje, 40 anos depois (e 55 anos depois do assassinato) Presidente da República:
"De um advogado, jornalista e político, Marcelo Rebelo de Sousa, no «Diário de Notícias de 6 de Janeiro de 1977: «Não pode deixar de causar preocupação, em termos políticos gerais, que um regime democrático, ao julgar os agentes de um aparelho repressivo, não seja capaz de julgar, de forma exemplar, o próprio aparelho»

adenda (à maneira de assinatura) -
Dedicatória de Fernando Luso Soares no seu livro O Caso Dias Coelho


Para o Camarada e Amigo Sérgio Ribeiro, no 2º dia da "Festa do Avante", com as saudações comunistas muito sinceras, em particular porque referidas, quanto a este opúsculo, à sua "presença" (oculta) neste drama, Lx, 10/9/1977  ass.

sexta-feira, dezembro 23, 2016

É urgente informar toda a gente!

É urgente informar toda a gente. É vital que toda a gente se informe sobre o mundo e o tempo que vive. Sobre o que aturde as “nossas vidinhas” (não é, Ana Margarida Carvalho?), sobre o que está no germe do que faz perigar a Humanidade. Toda.

Alepo é, diriam bem-falantes…, paradigmático. O avante! de ontem sobre Alepo é exemplar! Porque informa e comenta com base na informação. A crónica de Jorge Cadima
é, como sempre, fundamentada e pedagógica (“… Nada disto é novo. Em 1957…”, “… A histeria é grande, porque a derrota do imperialismo em Alepo é pesada…”); os comentários de João Frazão e Ângelo Alves são certeiros e actuais. 
À dimensão de um blog, aproveito o comentário do Ângelo mas, pela vossa e nossa saúde..., informem-SE que isto é/está muito sério e TUDO depende de nós!
 O terrorismo e a guerra
A instabilidade internacional atingiu níveis quase impensáveis há alguns anos. As suas causas radicam, como sempre afirmámos, numa deriva violenta, reaccionária, agressiva e militarista das classes dominantes e dos governos das grandes potências imperialistas. A sucessão vertiginosa de acontecimentos não nos deve, nem pode, turvar a visão global e de fundo. É na crise do capitalismo, na sua natureza de classe e contradições, e na reacção do imperialismo a essa crise, que estão as fundas causas dos recentes acontecimentos.
Os três ataques de segunda feira não aconteceram por acaso. Ocorrem num momento extremamente importante para os desenvolvimentos da guerra imperialista na Síria, em que se confirma as verdades sobre quem está, e sempre esteve, por detrás daquela guerra de agressão; num momento em que a «coligação» dos EUA, NATO, Turquia e petro-ditaduras do Golfo Pérsico não só sofre uma pesada derrota, como começa a registar importantíssimas fissuras.
O que os três ataques, cada um com um objectivo concreto, demonstram, é que a guerra na Síria, e em geral no Médio Oriente, está longe de estar terminada. O assassinato do embaixador russo visou limitar complexas negociações entre Turquia, Irão e Federação Russa relativas a soluções diplomáticas para a guerra na Síria. O ataque em Berlim visou reavivar o sentimento de medo e terror na Europa, que justifique mais guerra e mais medidas securitárias, como aliás Hollande já veio afirmar. Pode ser aliás o clique, e o lastro psicológico, por detrás de uma ainda maior e mais directa escalada de guerra imperialista na Síria e Iraque. O ataque de Zurique, num centro de oração islâmico, tem como objectivo manter a tensão religiosa com que se tenta envolver o conflito no Médio Oriente.
Os três convergem num mesmo propósito. Não permitir que a vitória do legítimo governo sírio em Alepo atinja dois objectivos: 1 – Desmascarar quem são de facto os terroristas (circulam as notícias de dezenas de agentes de forças especiais ligados à NATO e às petro-monarquias cercados ou mesmo já capturados em Alepo) 2 – Abrir campo a compromissos negociais que envolvam um dos responsáveis da guerra: a Turquia. Para impedir estes dois objectivos vale tudo. Como sempre, o terrorismo serve os interesses da reacção e do imperialismo.
Ângelo Alves

Isto não é para assustar
      = :-)              
 é só para avisar
a partir de opiniões avisadas