quarta-feira, outubro 26, 2005

Admiração e respeito

Acabado o almoço, bebido um golito de vinho cá do nosso, para acamar o bocadito de pão com queijo da Serra que tão bem soube, apetece-me escrever isto:

Andam por’í uns cromos oureenses a dizer que têm muita admiração pelo c’roa por aquilo que ele foi.
Pois o dito trocaria toda essa afirmada admiração pelo que ele teria sido por algum respeito por aquilo que ele é. Ou melhor: pelo que ele continua a ser.

8 comentários:

Teresa disse...

KUÃO ENIGMÁTICO...É esta a tua dose de utopia!

Sérgio Ribeiro disse...

Olá Teresa,
Não acredito que seja enigma. E muito menos é utopias (das minhas).
Apenas um desabafo motivado pelo cansaço de ouvir dizer e ler que me admiram (cá ao c'roa...) pelo que fui e não me respeitarem como sou.
Aliás, já dizia a avózinha... "não me sei dar ao respeito".
Paciência.

Elvira disse...

Pois, tudo isto é um pouco contraditório, de facto...

Um abraço.

GR disse...

Pois é!
Mas o problema de quem faz essas afirmações, eu até compreendo!!!
“Estão verdes, não prestam! Só os cães as podem tragar!”
São “pessoas” que não tiveram nas suas vidas um PASSADO, histórico!
O PRESENTE, das “ditas pessoas” é sem interesse, nem dinamismo, nem criatividade, nem solidariedade, nem Luta, nem amigos diários, nem imaginação, nem grandes responsabilidades políticas, nem paixão!
O FUTURO, dos que tais afirmações fazem… sem perspectivas!
Todos os que te conhecem, respeitam e admiram (naturalmente) o teu heróico passado, mas também por o que hoje, és! E pelo amanhã, que continuarás a ser!

Um bj,com todo o respeito e muita admiração.
GR

mrsleeves disse...

Como é que se troca o que os outros dizem?

Pedro Namora disse...

Eu julgo que só é possível manter respeito pelo passado de alguém, quando o presente o confirma. Como diz um camarada, quando nos batem à porta, ninguém pergunta "Quem foste?".
Evidentemente, o respeito que tantos nutrimos por ti deve-se, sobretudo, à coerência e honradez de que alimentas o ser que és. Quando fui a Peniche e vi nas paredes os versos de alguém que agora considero um ser desprezível, nem o passado que referem ter tido diminuiu o asco que me suscita.

contador_indeterminado disse...

Não considero a admiração de actos passados como uma falta de admiração de actos presentes, ou possível admiração de actos futuros! Acho que a admiração se prende muitas vezes a momentos e situações, e duvido que ela se perpetue se no presente não considerarmos a pessoa ainda digna de admiração! Não que tenha de se contentar com as admirações por aquilo que foi, mas antes porque estas admirações só existem, porque de facto o admiram por aquilo que é hoje, caso contrário caíam no esquecimento.
É por isso que ser digno de admiração é uma condição que exige responsabilidade em saber mantê-la! (mas isto são cogitações de uma mente cansada em hora avançada...)

Sérgio Ribeiro disse...

Tanta cogitação a fazer cogitar!

Sinto quase a necessidade de continuar o desabafo que saíu assim, depois do golito após o queijo da Serra, em cada comentário a cada comentário.
Só uma espécie de ementa:
A incongruência da afirmação de admiração (que pode ser só estranheza, incompreensão) e a falta de respeito, ou até o menos-prezo.
O tempo e o seu papel: admirar o que alguém foi e não respeitar o que esse alguém é... quando apenas mantém a coerência com o que foi!
Meu Caro mrsleeves, tenho a ideia que lhe contaram mal a história, ou mal a interpretou, e o desabafo não tinha o seu endereço.
Quando bato a uma porta e me perguntam quem sou, queria ser sempre capaz de responder "sou quem fui e quero continuar a ser".
A necessidade de ser sempre diferente e outro para poder continuar a ser sempre igual e o mesmo.
Quando é que ser digno deixará de justificar admiração e merecerá respeito, por maiores que sejam os desacordos... respeitáveis, claro?
Admirar alguém, hoje, pelo que ele foi ontem, não é o mesmo - ou não o é muitas vezes - que respeitar, hoje, quem afirmamos admirar.
(...)