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quarta-feira, dezembro 29, 2010

IDH-2010 - continuação (Chipre e Portugal -1)

É dos trabalhos que (me) absorvem. Procurar encontrar, nos números, as realidades que eles deveriam representar. Procurar, através da sua análise, as realidades que quero conhecer.
O IDH ajuda-me... e absorve-me.
Chipre é um Estado-membro da União Europeia de que pouco se fala. E ainda bem... e ainda mal.
Ainda bem, porque é sinal de que não há coisas graves e que o País segue o seu rumo; ainda mal, porque em Chipre se vive uma situação em que não é admissível aceitar o statu quo da ocupação turca.
Também - e de que maneira! - porque tem um partido comunista, o AKEL, com mais de 30% de votos e um Presidente da República que é membro desse partido, e dele até foi secretário-geral.
Tudo motivos de muito interesse, e que melhor comentarei noutros "posts". Para este, apenas (!?) um trabalho de compilação e confronto (que bastante trabalho - com algo de lúdico... - me deu).

terça-feira, dezembro 28, 2010

Voltando ao IDH... e a Chipre - (continuação)

Na reunião na Casa da Paz, entre a central sindical PEO, de Chipre, e o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), para além das informações históricas e genéricas (que reproduzimos algumas), houve notas de informação que são de útil divulgação, enquanto não se volta ao tema do IDH.

Voltando ao IDH... e a Chipre

É tempo de voltar ao índice de desenvolvimento humano, que tem estado de salmoura.
E a Chipre, que começou por ser referido quando iniciei as mensagens sobre estes relatórios do PNUD.
Entretanto, chegaram-me, do Conselho Português para a Paz e Cooperação, umas informações com dados que podem servir para "fazer a ponte".
Essas informações resultam de uma reunião que o CPPC teve com o PEO (a maior central sindical de Chipre, fundadora do movimento sindical mundial, em 1945, e representando mais de 80% dos trabalhadores cipriotas), e vou seleccionar algumas:
.

continuará

quinta-feira, dezembro 16, 2010

IDH-2010 - continuação

Sendo cada nação um caso, a “medida” da sua riqueza não pode ser simplificada e, menos ainda, redutoramente reduzida a um indicador de crescimento económico, seja ele o produto interno (PIB) ou o rendimento nacional (RNB), calculados por cabeça e em dólares (US$) e paridades de poder de compra (PPC).
Se esta consideração é irrefutável, os esforços do PNUD para que haja um caminho, uma procura, um trabalho consequente no sentido a levar à prática, é relevante. Não obstante todas as dificuldades, hesitações, decerto erros no percurso, decerto também distorções, fragilidades, ou até “leituras” de base ideológica (de sinal diferente ou contrário à que não nego que é a minha).
Retome-se a lista dos países que podem melhor ilustrar a discrepância nos ordenamentos por RNB e por IDH (isto é, com inclusão de componentes relativas a saúde e educação), entre os 169 países das Nações Unidas que foram arrolados, a que se juntam linhas com mais dois países que particularmente me interessam nesta abordagem (Portugal e Chipre) e os chamados BRIC, além de uma coluna com a evolução destes países no que respeita a IDH, entre 2005 e 2010:

O que posso dizer, por agora, é que esta tabela vai servir para muitos comentários. Aliás, espero que alguns comentários e dúvidas possa suscitar. E - mais! - estou aberto a pedidos de informação sobre países específicos que possam interessar a alguns vistantes em particular.
Além, claro, de ir continuar mais algum tempo com estes IDH e coisas que eles nos podem ensinar enquanto representação da realidade que vivemos.

terça-feira, dezembro 07, 2010

O IDH - 2010 - prefácio

Acho que vale a pena ler este prefácio ao relatório com o título A Verdadeira Riqueza das Nações, e estes relatórios do Desenvolvimento Humano, de que se publica o 20º (apenas faço sublinhados...).


«Prefácio


Em 1990, o PNUD publicou o seu primeiro Relatório do Desenvolvimento Humano (RDH), com o recém-criado Índice de Desenvolvimento Humano. A premissa do IDH, considerada radical na época, era de uma simplicidade elegante: o desenvolvimento nacional devia ser medido não apenas pelo rendimento nacional, como era prática havia muito tempo, mas também pela esperança de vida e pela alfabetização, em relação às quais estavam disponíveis dados comparáveis para a maioria dos países.
O novo IDH tinha as suas imperfeições, como os próprios autores do Relatório reconheceram de imediato, incluindo o facto de se basear em médias nacionais, o que ocultava as assimetrias de distribuição, e a ausência de uma “medida quantitativa de liberdade humana”. Contudo, adiantava com sucesso a tese central do Relatório, expressa sucintamente na sua primeira frase: “As pessoas são a verdadeira riqueza de uma nação.”
Vinte anos depois, o brilho conceptual e a continuada relevância desse paradigma original do desenvolvimento humano são indiscutíveis. É agora quase universalmente aceite que o sucesso de um país ou o bem-estar de um indivíduo não podem ser avaliados somente pelo dinheiro. O rendimento é, obviamente, crucial: sem recursos, qualquer progresso é difícil.
Contudo, devemos também avaliar se as pessoas conseguem ter vidas longas e saudáveis, se têm oportunidades para receber educação e se são livres de utilizarem os seus conhecimentos e talentos para moldarem os seus próprios destinos.
Essa foi a visão original e permanece como a grande realização dos criadores do Relatório do Desenvolvimento Humano, Mahbub ul-Haq, do Paquistão, e o seu amigo e colaborador próximo Amartya Sen, da Índia, que trabalharam com outros pensadores do desenvolvimento humano. O seu conceito serviu de orientação, não só para 20 anos de Relatórios de Desenvolvimento Humano globais, mas também para mais de 600 Relatórios de Desenvolvimento Humano nacionais – todos investigados, redigidos e publicados nos seus respectivos países – bem como para muitos relatórios provocadores de âmbito regional apoiados pelos gabinetes regionais do PNUD.
Talvez mais importante, a abordagem do desenvolvimento humano afectou profundamente toda uma geração de responsáveis por políticas e especialistas do desenvolvimento de todo o mundo – incluindo milhares no âmbito do próprio PNUD e noutras agências do sistema da ONU.
Este marco do 20º aniversário constitui uma oportunidade para rever de forma sistemática as realizações e os desafios do desenvolvimento humano aos níveis global e nacional – uma tarefa nunca tentada desde o primeiro Relatório – e para analisar as suas implicações nas políticas e nas investigações futuras. Num aspecto crucial, os dados existentes são convincentes e claros: existe muito que os países podem fazer para melhorar a qualidade de vida das pessoas, mesmo em circunstâncias adversas. Muitos países obtiveram grandes ganhos na saúde e na educação apesar de um modesto crescimento no rendimento, enquanto que outros países com um forte crescimento económico ao longo de décadas não conseguiram progressos igualmente impressionantes na esperança de vida, na educação e nos padrões de vida em geral.
Os melhoramentos nunca são automáticos – requerem vontade política, liderança corajosa e o continuado empenho da comunidade internacional.
Dados dos últimos 40 anos revelam também uma enorme diversidade de percursos no sentido de alcançar o desenvolvimento humano: não há um modelo único ou uma receita uniforme para o êxito.
Este Relatório mostra um progresso significativo de muitos dos países em muitas das áreas, com os países mais pobres a mostrarem, com frequência, os ganhos maiores. Embora possa não ser uma surpresa para os estatísticos, há quatro décadas atrás estava longe de ser universalmente presumido que os países de mais baixo rendimento dariam os significativos passos em frente que os registos agora revelam em termos de saúde, educação e (em menor grau) rendimento.
Nem todas as tendências são positivas, como tão bem sabemos. Infelizmente, vários países tiveram um recuo na consecução absoluta do IDH desde o Relatório de 1990. Estes países proporcionam lições sobre o devastador impacto dos conflitos, das epidemias de SIDA e da má gestão económica e política. Muitos deles sofreram os efeitos de vários ou até de todos esses factores.
Apraz-me especialmente a continuação da tradição do Relatório do Desenvolvimento Humano em matéria de inovação da medição. No Relatório deste ano são introduzidas três novas medidas – que registam a desigualdade multidimensional, as disparidades de género e a privação extrema. O IDH Ajustado à Desigualdade, o Índice de Desigualdade de Género e o Índice de Pobreza Multidimensional, que exploram inovações no terreno e avanços na teoria e nos dados, são aplicados à maior parte dos países do mundo e proporcionam perspectivas novas e importantes.
Estas novas ferramentas de medição reforçam a continuada validade da visão original do desenvolvimento humano. Em antecipação, os Relatórios futuros terão de enfrentar problemas ainda mais difíceis, incluindo a área da sustentabilidade, cada vez mais vital, bem como a desigualdade e os conceitos mais amplos de capacitação. Continuamos a confrontar-nos ainda hoje com muitos dos desafios analíticos e estatísticos identificados no Relatório original de 1990.
O PNUD pode ter um justificado orgulho no seu apoio a este Relatório inovador e intelectualmente independente ao longo das duas últimas décadas, mas os Relatórios de Desenvolvimento Humano nunca foram um produto criado exclusivamente pelo PNUD.
Os Relatórios dependem muito dos conhecimentos e das perspectivas de outras agências da ONU, dos governos nacionais e de centenas de académicos de todo o mundo, e sempre estivemos gratos por essa colaboração. Como demonstra persuasivamente a edição do 20º aniversário deste ano, podemos e devemos continuar a ser orientados pelos valores e conclusões dos Relatórios de Desenvolvimento Humano para os próximos 20 anos – e mais além.


Helen Clark
Administradora
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

A análise e as recomendações políticas deste Relatório não reflectem necessariamente as perspectivas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ou do seu Conselho Executivo. O Relatório é uma publicação independente encomendada pelo PNUD. A investigação e a redacção do Relatório constituem um esforço colaborativo da equipa do Relatório do Desenvolvimento Humano e de um grupo de consultores eminentes liderado por Jeni Klugman, Directora do Gabinete do Relatório do Desenvolvimento Humano

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A seguir, será publicado o índice do Relatório de 2010 e, depois, muitos comentários e se há comentários a fazer!