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sexta-feira, agosto 07, 2015

T(á)Visto - O estranho caso do PM tagarela

 - Edição Nº2175  -  6-8-2015

O estranho caso
do PM tagarela

Era uma vez. Ou melhor, não é assim que se deve começar porque não vai tratar-se aqui de uma estória de faz-de-conta, mas sim, bem pelo contrário, de um episódio da vida real, breve mas verdadeiro e até porventura eloquente para quem o saiba decifrar. Assim, não se dirá que «era uma vez», mas antes que «é», ou talvez melhor que «foi», aqui e agora, nesta amargurada terra que se chama Portugal e assim continuará a chamar-se se as «reformas» incansavelmente encomendadas pelos que de facto parecem julgar-se os verdadeiros «donos de isto tudo» não chegarem ao atrevimento de mudar o nome do País. Foi, pois, uma vez, mais uma, em que o senhor primeiro-ministro se abeirou da dupla câmara/microfone, a arma temível e eficaz que lhe permite impingir ao espoliado povo os «contos para crianças» com que conta renovar o seu consulado lá para os princípios de Outubro, e falou. As suas falas, que por sinal são geralmente debitadas em tom convicto e por vezes quase convincente, com todo o ar de quem acredita que a realidade não é o que toda a gente vê e sabe mas sim o que ele inventa, costumam não ser matéria que valha a pena desmentir: é da mais remota sabedoria popular que a mentira nunca vai longe quando se aplica a substituir os factos, e que é assim com ainda maior evidência quando os factos têm o sabor das lágrimas da esmagadora maioria de um povo. Desta vez, porém, a coisa foi um pouco diversa da rotina: inesperada e estranhamente, o senhor PM aplicou-se a semear a inquietação de milhares de portugueses ao fazer queixa pública da Caixa Geral de Depósitos, o banco público a quem muitos confiaram as suas economias talvez exactamente por ser público neste tempo de derrocadas ou perigosas oscilações de bancos privados.

Uma inevitável dúvida
Concretamente, o que disse o senhor primeiro-ministro? Revelou, em tom de denúncia, que a Caixa Geral de Depósitos ainda não pagou, como já deveria ter feito, uns noventa mil milhões de euros que o Estado há uns tempos lhe emprestou e que já lhe deveriam ter sido devolvidos. Estava assim o primeiro-ministro a acusar a Caixa Geral de incumprimento, a revelar ao País um indício de dificuldades de liquidez por parte do grande banco do Estado, a sugerir implicitamente que a CGD talvez possa revelar-se um dia destes como não sendo uma instituição confiável. Não era apenas, por parte de um senhor primeiro-ministro, uma espécie estranha de tagarelice, era uma inconfidência surpreendente e grave, tanto e de tal modo que não escapou a uma admoestação branda mas nítida por parte de Marcelo Rebelo de Sousa quando do seu comentário semanal. Suponhamos, é claro que por inacreditável absurdo, que o senhor primeiro-ministro queria destruir a credibilidade da Caixa Geral de Depósitos junto da sua clientela e dos mercados: não é verdade que este aparente desabafo se adequaria ao fim em vista? Mas as boas maneiras e porventura o bom senso mandarão afastar essa tenebrosa hipótese: restará então, como probabilidade alternativa, a da incompetência, pois é óbvio que um PM competente e ajuizado não anda por aí, perante microfones e câmaras, a assestar golpes verdadeiramente baixos no maior banco português e único banco estatal mesmo que porventura se tenha tratado apenas de uma «gaffe» não premeditada ou de um momento de distracção. Acresce que qualquer memória de cidadão minimamente atento se recorda de um dado embaraçoso: de que o mesmo senhor, agora PM, em tempos anunciou o desejo de privatizar esta mesmíssima Caixa Geral de Depósitos. Como terá dito Henrique VIII em circunstâncias muito diferentes, «honni soit qui mal y pense», mas é inevitável a emergência de uma dúvida: esta inconfidência terá sido resultado de uma leviandade ou um passo numa estratégia? E, de qualquer modo, uma conclusão irrecusável: não é coisa que se faça.


Correia da Fonseca

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Já por aqui se tratou deste estranho caso, a que então se chamou abstruso. Não faltariam adjectivos para tão esconsas motivações do primeiro ministro, e nesta (como sempre) oportuna crónica CdaF é certeiro e ironicamente contundente. Não se resiste a duas observações (uma, aliás, justificada por comentário ao "post" de 30 de Julho):

  • É uma dúvida: o tal empréstimo da "troika" à banca não estava vedado, por ingerentes imposições da U.E., à banca pública?, não se tratou, por isso, de uma fórmula/artifício de aumento de capital?
  • A tagarelice do dito 1º (muito bem acompanhado,,,) não funcionou exactamente com sentido inverso no caso do BES, ao pretender tranquilizar o povinho, escondendo-se-lhe a desastrosa situação?

quinta-feira, julho 30, 2015

As preocupações do dito nosso primeiro-ministro e a CGD

A preocupação do primeiro-ministro português em relação à Caixa Geral dos Depósitos (portuguesa), da forma como foi confessada em público, seria das coisas mais abstrusas se não estivessemos a viver o tempo e o lugar em que estamos. Com este desgoverno e na sequência destes anos e décadas de destruição. De destruição da economia produtiva, dos serviços públicos, de tudo que é nacional (... é nacional, é mal - é publico, é mau, é privado... é pior).
De qualquer forma... a forma como o dito primeiro.ministro se refere à gestão de um empréstimo de que é o primeiro responsável dos dois lados do empréstimo é realmente... abstrusa! 
Nem no confessionario e a um padre de confiança... como é suposto serem todos para o crente em confissão.

sábado, fevereiro 09, 2013

Uma postura... paradigmática

Que bom!, a galinha das minhas vizinhas ficou ainda mais magrinha que a minha!
Porreiro!, o concelho aqui ao lado está mais endividado que o meu!
Bestial!, entre os países periféricos não somos o que está pior!
G'anda pinta!, o "orçamento comunitário" baixa mais para outros que para nós! (vêem como sou bom?) 

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Mais um... imposto?, ou...


... se o ridículo levasse à demissão, tínhamos "este" problema resolvido!


 

Primeiro-ministro voltou hoje a dramatizar a "necessidade" de o país fazer a reforma do Estado, apelando novamente a um "consenso alargado", num recado ao PS.


Claro que
 terá uma violenta 
"aPStensão"!,
a não ser que  as massas
imponham outra coisa!

sábado, junho 25, 2011

Altos voos

1. Demagógicos
Tornou-se motivo político relevantíssimo o facto de Passos Coelho ter viajado para Bruxelas, na TAP e em classe económica.
O que dá bem a medida de duas tristes verificações:
(1) Da descarada vocação demagógica com que este governo começa;
(2) da pobreza fransciscana (do ponto de vista político-cultural) de uma comunicação social que se/nos entretém a glosar (gozando-nos?) este mote.



2. “Patrióticos”
Em 1974, logo em Maio, a TAP, com a crescente influência da comissão de trabalhadores e dos sindicatos, acabou com as duas classes. Tendo de ir a Genève, em missão do Ministério do Trabalho, entrei em contacto com a delegação da nossa transportadora aérea e, para o regresso, fui informado, na véspera, que iria ter a companhia do dr. Mário Soares.
Encontrando-me na fila de embarque, e tendo vindo cumprimentar-me quem me dera essa informação, perguntei-lhe, de passagem, “então?… e o dr. Mário Soares?”. Com ar contrafeito e escandalizado, deixou escapar o desabafo “ora… nem imagina… vai regressar no voo da Swissair… e sabe porquê? Porque a TAP não tem 1ª classe!...”

Pois!

sexta-feira, maio 14, 2010

A passos (de) coelho - 2 - Dois "sustos" e (alguns) artigos relacionados...

O Executivo diz que vai seguir as orientações da OCDE,
que tem pedido uma maior flexibilização dos despedimentos




O antigo ministro das Finanças considera que a situação desesperada condenou o País aos sacrifícios. Elogia o PSD e o trabalho de Teixeira dos Santos. Mas diz que a Assembleia não inspira confiança e critica as corporações de privilegiados

(Alguns) "artigos relacionados":

  • Ministro da Economia admite "impactos que penalizam" crescimento
  • Aumentos nos impostos "inevitáveis" e fáceis de prever
  • Jardim acusa Passos Coelho de levar o PS "às costas"
  • Governo alemão saúda "novos esforços" de Portugal
  • Risco da dívida portuguesa sobe apesar do plano de austeridade
  • Aumento do IVA nos livros pode agravar situação de empresas frágeis
  • Eduardo Catroga sugere missão técnica da Comissão Europeia
  • Deflação não é necessariamente negativa e pode ser útil
  • Nestlé compreende medidas, mas receia retracção no consumo
  • Subida de impostos "vai prejudicar mais quem vive no interior"
  • Restauração e turismo exigem redução de "impostos mascarados"
  • Cortes nas autarquias ameaçam "apoio social" às populações
  • Aumento de impostos e redução do crédito ao consumo terão impactos na banca
  • Comissão Europeia congratula-se com plano de austeridade
  • Portugal vai evitar grandes manifestações sociais
  • Aumento do IVA nos livros terá consequências idênticas às dos outros sectores
  • Mais pobres e classe média serão os mais afectados
  • "Pobres não podem ficar mais pobres", alerta o bispo Januário Torgal Ferreira
  • Sector da construção depende agora da reabilitação urbana
  • Novo escalão de IRS ainda não foi publicado e já sofre aumento
  • Aumento de impostos é "um mal inevitável" – jovens empresários
  • Economistas queriam mais redução na despesa
  • Aumento do IVA erro estratégico para indústrias criativas e hotelaria
  • Crédito ao consumo vai continuar a diminuir este ano
  • Decreto para limitar atribuição e manutenção de prestações sociais à condição de recursos
  • Passos: cortar despesa e na desorçamentação
  • Aumento de impostos e corte da despesa até 2011
  • Portugal terá sexta taxa de IVA mais alta da UE
  • Carenciados os mais atingidos pelo aumento de impostos
  • Esforço é "absolutamente inevitável" face ao "desequilíbrio financeiro"
  • Governo económico europeu retira soberania orçamental
  • Governo de Zapatero corta salário dos funcionários públicos em 5%
  • Portugal cresce mais que a UE mas não tranquiliza
  • Sobem todos os impostos, cortes drásticos na despesa
  • PS resiste a fiscalização mensal do Orçamento
  • Ministro da Economia admite "impactos que penalizam" crescimento
  • Aumentos nos impostos "inevitáveis" e fáceis de prever
  • Jardim acusa Passos Coelho de levar o PS "às costas"
  • Governo alemão saúda "novos esforços" de Portugal
  • Risco da dívida portuguesa sobe apesar do plano de austeridade
  • Aumento do IVA nos livros pode agravar situação de empresas frágeis
  • Eduardo Catroga sugere missão técnica da Comissão Europeia
  • Deflação não é necessariamente negativa e pode ser útil
  • Nestlé compreende medidas, mas receia retracção no consumo
  • Subida de impostos "vai prejudicar mais quem vive no interior"
  • Restauração e turismo exigem redução de "impostos mascarados"
  • Cortes nas autarquias ameaçam "apoio social" às populações
  • Aumento de impostos e redução do crédito ao consumo terão impactos na banca
  • Comissão Europeia congratula-se com plano de austeridade
  • Portugal vai evitar grandes manifestações sociais
  • Aumento do IVA nos livros terá consequências idênticas às dos outros sectores
  • Mais pobres e classe média serão os mais afectados
  • "Pobres não podem ficar mais pobres", alerta o bispo Januário Torgal Ferreira
  • Sector da construção depende agora da reabilitação urbana
  • Novo escalão de IRS ainda não foi publicado e já sofre aumento
  • Aumento de impostos é "um mal inevitável" – jovens empresários
  • Economistas queriam mais redução na despesa
  • Aumento do IVA erro estratégico para indústrias criativas e hotelaria
  • Crédito ao consumo vai continuar a diminuir este ano
  • Decreto para limitar atribuição e manutenção de prestações sociais à condição de recursos
  • Passos: cortar despesa e na desorçamentação
  • Aumento de impostos e corte da despesa até 2011
  • Portugal terá sexta taxa de IVA mais alta da UE
  • Carenciados os mais atingidos pelo aumento de impostos
  • Esforço é "absolutamente inevitável" face ao "desequilíbrio financeiro"
  • Governo económico europeu retira soberania orçamental
  • Governo de Zapatero corta salário dos funcionários públicos em 5%
  • Portugal cresce mais que a UE mas não tranquiliza
  • Sobem todos os impostos, cortes drásticos na despesa
  • PS resiste a fiscalização mensal do Orçamento

A passos (de) coelho - 1

Segundo a Wikipédia, um silogismo é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das primeiras duas, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão. A teoria do silogismo foi exposta por Aristóteles em Analíticos anteriores.
Num silogismo, as premissas são um ou dois juízos que precedem a conclusão, e dos quais ela decorre como consequente necessário dos antecedentes, dos quais se infere a consequência. Nas premissas, o termo maior (predicado da conclusão) e o termo menor (sujeito da conclusão) são comparados com o termo médio, e assim temos a premissa maior e a premissa menor segundo a extensão dos seus termos.
Um exemplo de silogismo "aristotélico" é o seguinte, clássico:
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Todo homem é mortal.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.
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Isto vem a propósito de uma conversa amiga, de ontem, sobre este blog e as suas elucubrações (e não só!):
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Um bem bom (!) barato é raro.
Um bem raro é caro.
Logo, um bem bom (e) barato é caro!