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segunda-feira, agosto 27, 2012

Desemprego - conceitos e números - 4

Num  recente "post" (de 17 deste mês...) tentei sublinhar o significado do desemprego no feminino, a partir dos dados então revelados. Retomo, nesta série, o que então foi publicado sobre abordagem que há muito me (pre)ocupa:

«(...) Sobre o desemprego, avançaram-se os dados do INE relativos ao 2º trimestre de 2012, com o número central dos 15% batendo recordes nacionais e colocando-nos na lista dos medalhados da “modalidade”, embora só de bronze porque a Espanha e a Grécia ainda nos ultrapassaram nesta 1ª metade do ano e assim deverá continuar a acontecer.

Mas queríamos sublinhar alguns factos, sem voltar a referir e a tratar de números por duas razões. Primeiro, porque há quem o faça muito e bem; segundo, porque, para além dos números, há que pensar/”pinçar” também de forma não quantificada, desamarrando-nos dos algarismos e fugindo ao risco de que eles nos afastem da realidade que apenas (e mal) representam.

Pela primeira vez desde não sabemos quando,nestas estatísticas são mais os desempregados que as desempregadas. Quer isto dizer que, a partir da base numérica em que se escora essa representação de uma evolução social, a sua desagregação por sexos revela um possível ponto de viragem do maior significado.

Serem mais os homens no desemprego que as mulheres é um sinal de que se teria tocado no cerne da regressão social, aliás propugnada por alguns próceres da Igreja Católica, na linha ideológica de que o lugar das mulheres na sociedade é o de pôr no mundo as criancinhas e delas cuidar, e de cozer as meias, como paradigma caricaturado da condição feminina, ficando para os homens as actividades herdeiras da caça e da pesca (mais actualizadamente: "a ida ao mercado... mas só ao do trabalho").

Quando em fase de evolução positiva da História, no capitalismo reserva-se para as mulheres serem o “exército natural de reserva da força de trabalho”, e ficam “naturalmente” ausentes do mercado quando se chega à sua fase de evolução claramente negativa. Quando são tantos os homens desempregados que fazem as mulheres no mercado?, para que são necessárias quando a concorrência do lado da oferta da "mercadoria" é suficiente para baixar os preços e desvalorizar a defesa dos direitos?, não deverão voltar ao estatuto de “stock” morto (ou adormecido) da "mercadoria", de recolher aos armazéns e prateleiras de antanho, labutando domesticamente para que as crianças possam ainda assim crescer, para que a paparoca esteja na mesa quando os homens voltam do trabalho (ou da sua "procura no mercado"…), para que a cama esteja aquecida obviando a que a demografia acuse falta de produtividade?

Mais homens no desemprego que mulheres!Que sinal de degenerescência no sistema de relações sociais, demonstrando-se as arrecuas na História! (...)»

Insisto (não por pecadilho de auto-citação... acho eu...), até para fazer a "ponte" para esta série "à maneira de folhetim" recuperando coisas publicadas há quase um quarto de século, em que as ilustrações de Luís Afonso acompanhavam O Mistério da D. População Activa


Talvez ainda hoje volte a este "post"...
e a este tema recorrente.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Aponta mentes ou um pequeno porMAIOR

No dia de trabalho de ontem, à volta do "portal do Instituto Nacional de Estatística" e de dados estatísticos sobre a evolução próxima dos níveis salariais por estratos profissionais  (para um artigo que me foi pedido para a Confederação de Quadros), detive-me numa reflexão que me pareceu merecer ser partilhada.
O pequeno porMAIOR é que se a procura era sobre a situação salarial por estratos profissionais, de acordo com classificações (e qualificações) que nos são facultadas, tal como as nossas estatísticas as estruturam, as respostas eram num indicador ICT, que quer dizer índice de custo do trabalho.  

Aqui se encontra um "aponta mentes" que não se quer deixar fugir. 
O "trabalho", o uso da força de trabalho na actividade económica, tem duas maneiras de ser encarado,
i) ou pelo lado do trabalhador que, com esse uso, dispõe de condições de acesso à satisfação das suas necessidades, 
ii) ou pelo lado de quem se serve desse uso para, teoricamente, criar ou proporcionar o acesso aos seres humanos ao que lhes satisfaz as suas necessidades e que é, nas predominantes relações sociais, dita economia de mercado, a procura de acumular capital aplicado (na forma-dinheiro, próprio ou emprestado, verdadeiro ou fictício).
Chame-se a uma, à primeira, óptica do rendimento (do trabalhador); chame-se a outra, à segunda, óptica do custo (da força de trabalho para as empresas).
São duas "faces da mesma moeda". Mas a "moeda" cai sempre do lado das "coroas" (dos cifrões) e nunca do lado das "caras" (das gentes). 

Se. para trabalhar as representações da realidade que são as estatísticas, se tem de dar a volta aos dados (e nem sempre é possível, ou se é capaz), aquilo que se tem de fazer, para que se valorize o que se considera essencial e não seja este instrumentalizado - , é dar a volta à realidade que se vive.
E quem o pode fazer senão as gentes que são as "caras", deixando para os "cifrões" o seu papel instrumental?  

domingo, fevereiro 19, 2012

Destaques do INE e respectivos resumos

Num domingo passado a trabalhar dados do INE (de que talvez se venham a conhecer alguns resultados... se forem adequados a este veículo e valer a pena), pareceu de registar estes três destaques do site oficial:
  • O Índice de Custo do Trabalho decresceu 1,7% - 4.º Trimestre de 2011
15 de fevereiro de 2012

Resumo
O Índice de Custo do Trabalho (ICT) corrigido dos dias úteis, excluindo a Administração Pública, registou, no 4º trimestre de 2011, um decréscimo de 1,7% face ao mesmo período do ano anterior (no 4º trimestre de 2010 esta variação tinha sido de 4,1%). Em termos médios anuais, a variação do ICT foi de -0,2% (menos 1,5 pontos percentuais do que a variação registada em 2010).


  • Taxa de desemprego de 14,0% - 4.º Trimestre de 2011
16 de fevereiro de 2012

Resumo
A taxa de desemprego estimada para o 4º trimestre de 2011 foi de 14,0%. Este valor é superior em 1,6 pontos percentuais ao do trimestre anterior.
A população desempregada foi de 771,0 mil, o que representa um acréscimo trimestral de 11,8% (mais 81,4 mil pessoas).
A população empregada foi de 4 735,4 mil, o que representa um decréscimo trimestral de 2,4% (menos 118,3 mil pessoas).
A taxa de desemprego média anual foi de 12,7% em 2011 e a população desempregada de 706,1 mil.

  • Redução da atividade económica acentua-se em dezembro. Importações diminuem expressivamente e exportações, mantendo crescimento elevado, abrandam - Janeiro de 2012
17 de fevereiro de 2012

Resumo
Na Área Euro (AE), no 4º trimestre de 2011, o PIB em termos reais registou uma variação homóloga de 0,7% e uma variação de -0,3 % face ao 3º trimestre de 2011. Em janeiro de 2012, os indicadores de sentimento económico e de confiança dos consumidores diminuíram na AE.
Em Portugal, de acordo com a estimativa rápida, o PIB em volume apresentou uma variação homóloga de -2,7% no 4º trimestre de 2011 (-1,8% no trimestre anterior), e uma variação face ao trimestre precedente de -1,3%. O indicador de clima económico voltou a agravar-se em janeiro, mantendo o acentuado movimento descendente iniciado em outubro de 2010. Relativamente ao comércio internacional de bens, em termos nominais, as exportações e importações registaram variações homólogas de 12,4% e -10,5% em dezembro (15,6% e -3,4% no mês anterior), respetivamente.
No 4º trimestre de 2011, a taxa de desemprego situou-se em 14,0% (mais 1,6 p.p. que no trimestre anterior) e em 12,7% no conjunto do ano de 2011. O emprego por conta de outrem passou de uma variação homóloga de 0,1% no 3º trimestre para -2,3% no 4º trimestre. A taxa de variação homóloga mensal do Índice de Preços no Consumidor (IPC) passou de 3,6% em dezembro para 3,5% em janeiro. A ligeira diminuição desta taxa em janeiro ocorreu num contexto de alteração de taxas de IVA para um conjunto significativo de produtos, cujo impacto mecânico estimado foi de 1,1 p.p..

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Últimas do INE - PIB

Destaque do INE, de hoie:                                                 



Evolução do PIB (medida do crescimento económico), revelada hoje em destaque:
- 2,7% entre os 4º trimestres de 2012 e 2011
- 1,3% entre o 4º trimestre e o 3º trimestre de 2012
- 1,5% entre os anos de 2012 e 2011


Este é um caminho de desastre: 

terça-feira, dezembro 13, 2011

O nosso (des)poder de compra

PIB de Portugal per capita
em paridades de poder de compra 
está 20% abaixo da média europeia.

Hoje, o INE informa, através de dados do Eurostat - para que contribuiu -, que o PIB per capita em paridades de poder de compra era, em 2010, de apenas 80,1% da média da União Europeia. Ou seja, o português médio pode consumir em um ano o que a média dos parceiros europeus consome em menos de 10 meses.
Entre os 27 Estados-membros da U. E., Portugal está em 18º lugar (a lista inclui a Noruega, a Suiça e a Islândia), e abaixo do lugar  português só estão dois países dos 17 da zona euro: Eslováquia e Estónia (países bem acima de Portugal no que respeita a IDH - 42º, 35º e 34º, respectivamente, entre os 187 arrolados pelas Nações Unidas  -, por melhores indicadores de saúde e educação, não monetarizados, Portugal é o 46º face ao 27º da Estónia e ao 28º da Eslováquia).
Portugal está longe da Espanha - ligeiramente acima da média (100,3%) - e  também bem abaixo da Irlanda (127,6%) e, ainda, da Grécia (89,7%).

segunda-feira, novembro 14, 2011

Recessão agrava-se!

INE

Recessão agrava-se,
PIB recua 1,7%
no terceiro trimestre (DE)

O PIB português emagreceu 1,7% no terceiro trimestre em termos homólogos, informou hoje o INE.

Que outra coisa se poderia esperar?
Esta evolução (involução!) estatística da economia portuguesa deve-se à "acentuada diminuição" das despesas das famílias, reflexo do reforço das fortes medidas de austeridade a que o País começou a ser sujeito no âmbito do memorando de "entendimento" entre as troikas, em tro(i)ca de uma "ajuda" de 78 mil milhões de euros, ao fim e ao resto um empréstimo usurário, embora a juros mais baixos do que os da usura nos "mercados", mas com encargos adicionais, que pagarão despesas e darão lucros aos componentes "troikeiros" do exterior.
Em termos estatísticos (próprios do INE), o INE explica que "a diminuição mais intensa do PIB em termos homólogos no terceiro trimestre resultou sobretudo da desaceleração das exportações de bens e serviços, que ainda assim mantiveram um crescimento elevado, e da redução mais expressiva do investimento".
Que outra coisa se poderia esperar?
Não foi previsto (e prevenido!)? O que vamos exportar se não produzimos?, e para onde?, que países estão com tendências importadoras?
Isto é mesmo uma etapa da luta de classes, em que o objectivo é destruir conquistas sociais, intensificar a exploração. Adiar, agravando, as contradições intrínsecas ao capitalismo.
A resposta é a imposição (pelas massas) de pôr Portugal a produzir (recursos tem...) e de, consequentemente, estimular a procura interna. 

sexta-feira, setembro 09, 2011

PIB no 2º semestre de 2011 - destaques no Destaque do INE

Foi divulgado ontem o Destaque do INE relativo à evolução do PIB no 2º trimestre de 2011. Alguns destaques devem ser destacados ou sublinhados...

Produto Interno Bruto diminuiu 0,9% em volume
no 2º trimestre de 2011 
08 de Setembro de 2011
Resumo
No 2º trimestre de 2011, o PIB diminuiu 0,9% em volume face ao período homólogo de 2010 (variação de -0,5% no trimestre anterior). Esta redução reflectiu o acentuado contributo negativo da Procura Interna, em resultado da diminuição de todas as suas componentes com destaque para o Investimento. O contributo da procura externa líquida aumentou no 2º trimestre de 2011, com as Importações de Bens e Serviços a registarem uma variação homóloga negativa mais acentuada que a do trimestre anterior e as Exportações de Bens e Serviços a manterem um crescimento elevado.
Comparativamente com o 1º trimestre de 2011, o PIB registou uma variação nula, reflectindo contribuições simétricas da procura interna (negativa) e da procura externa líquida.

Sobretudo impressiona a queda brutal da procura interna. Que parece não impressionar nada os nossos (des)governantes, apenas peocupados com um entendimento que os obriga a um número do défice orçamental e que, para isso, tudo fazem para agravar este rumo de desgraça que se traduz em deterioração do nível de vida da maioria dos portugueses não beliscando a nababa existência de uma minoria e... a atracção do capital estrangeiro, ignorando as potencialidades portuguesas de produzir soberanamente.
Por isso, 
«Investimento diminuiu 12,5% em termos homólogos
O Investimento registou uma diminuição acentuada no 2º trimestre de 2011, apresentando uma variação homóloga de -12,5% (-6,2% no 1º trimestre). A FBCF total diminuiu 10,3% em volume no 2º trimestre de 2011, o que compara com a variação de -7,0% observada no trimestre anterior. A FBCF em Construção foi a componente que mais contribuiu para a redução do Investimento no 2º trimestre de 2011, passando de uma variação de -4,4% no 1º trimestre para -12,0%. (...)»
Há que mudar de rumo. O mais depressa possível! O que depende de nós... porque d'eles só se pode esperar destaques nesta via desgraçada.