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terça-feira, junho 02, 2015

Actualizando informação - relatório OCDE

 - Edição Nº2165  -  28-5-2015

Relatório da OCDE confirma
Desigualdade recorde

«As desigualdades nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) nunca foram tão altas», afirmou o secretário-geral da OCDE na apresentação de um relatório sobre o tema. Portugal é o nono país mais desigual entre os 34 considerados.


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De acordo com o documento elaborado pela Organização, as discrepâncias de rendimentos atingiram índices nunca vistos na maioria dos países-membros. No seu conjunto, os 10 por cento mais ricos têm rendimentos 9,6 vezes superiores aos 10 por cento mais pobres, quando, na década de 80 do século passado, e nos primeiros anos do século 21, a proporção era, respectivamente, de 7,1 e 9,1.
O estudo, divulgado em Paris no dia 18, mostra que «atingimos um ponto crítico», notou Angel Gurría, que exemplifica com a situação com a propriedade imobiliária, onde 10 por cento da «elite» detém metade do património.
A OCDE sublinha que a desigualdade é mais acentuada no Chile, México, Turquia, EUA ou Israel. Nas chamadas economias emergentes, como o Brasil e em geral na América Latina, o fosso tem vindo a diminuir apesar de se manter em níveis altos.
Portugal ocupa a nona posição situando-se entre os mais desiguais, apresentando uma quebra do índice Gini (que mede precisamente o fosso dos rendimentos) entre 2011 e 2012, e 10 por cento da população a concentrar 25,9 por cento do total da riqueza. Por contraste, os 10 por cento «menos afortunados» detêm apenas 2,6 por cento da riqueza.
No mesmo período, a taxa de pobreza calculada pela OCDE para Portugal passou de 12 para 12,9 por cento. A pobreza consolidada ascendeu a 13,6 por cento, bem acima da média dos 9,9 por cento registados para os 34 países, o que coloca Portugal no sexto lugar.
Emprego sem direitos
A OCDE atribui o crescimento do fosso de rendimentos em grande parte às políticas de emprego impostas nos últimos anos, lembrando que mais de metade dos empregos criados nas últimas duas décadas são a tempo parcial, a termo certo ou noutros regimes precários, como a falsa prestação de serviços.
Neste contexto, «os trabalhadores pouco qualificados com contratos temporários, em particular, têm rendimentos muito mais baixos e instáveis do que aqueles com vínculos permanentes», realça-se no texto, onde se precisa que 40 por cento dos jovens têm um emprego qualificado como atípico, que metade dos trabalhadores temporários têm menos de 30 anos, e que os jovens têm menos possibilidade de passar de uma situação precária para um trabalho permanente e estável.

Atendo-se aos dados disponíveis entre 1995 e 2013, a OCDE conclui que «durante as crises, as desigualdades de rendimento continuaram a aumentar, principalmente devido à quebra no emprego», que a redistribuição através dos impostos e das transferências sociais são poderosos instrumentos de combate às desigualdades, mas que só parcialmente e cada vez menos têm sido usados, e que as famílias dependentes de rendimentos de trabalho informal têm taxas de pobreza mais elevadas (22 por cento em média).

quinta-feira, dezembro 15, 2011

A OCDE diz que

Trinta anos
 de aumento das desigualdades

Desde os anos 80 que o fosso entre pobres e ricos não pára de aumentar, segundo revela um relatório da insuspeita Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (06.12), concluindo que as desigualdades sociais alcançaram o seu nível máximo nos últimos 30 anos.

Os rendimentos dos 10 por cento mais ricos são actualmente nove vezes superiores aos rendimentos dos 10 por cento mais pobres, sendo que as diferenças se acentuaram inclusivamente em países tradicionalmente mais «igualitários», caso da Alemanha, Dinamarca ou Suécia, onde a relação entre ricos e pobres passou de 5:1 em 1980 para 6:1. Na Itália, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido, esta relação é de 9:1, enquanto em Israel, Turquia e EUA alcança 10:1. No Chile e México o rácio da desigualdade é de 25 para 1, o maior entre os países da OCDE.

«O contrato social está a desfazer-se em muitos países», comentou o secretário-geral da organização, Ángel Gurría, durante a apresentação do relatório em Paris, reconhecendo que o estudo contradiz a ideia difundida de que os benefícios do crescimento económico se repercutem automaticamente nos mais desfavorecidos. «Sem uma estratégia de desenvolvimento inclusivo, provavelmente, a desigualdade continuará a aumentar», concluiu Gurría.

(em avante!, de hoje)