sábado, novembro 14, 2015

NA CURVA

Entre os muitos biscates por que me perco e encontro (e nenhum tacho, nem um...) está uma recente colaboração semanal com um jornal digital (mediotejo.net). Muito me agrada fazê-lo. Pelo convite, pela receptividade aos textos que envio, pela qualidade das ilustrações escolhida pela redacção do jornal. 
Segue amostra, graficamente adaptada:

“NA CURVA” 

 
Estamos perante uma curva (ou duas, ou mais) à escolha. De quem?
Antes de a darmos, estamos parados numa espécie de encruzilhada. Numa pausa dependente de uma vontade, numa pausa voluntária, desnecessária, prejudicial, perigosa.
Um de nós, mais dado à literatura, à poesia, iria pedir ajuda ao Drummond de Andrade e servir-se-ia da ladaínha “E agora, José?”. Mudaria umas coisas, adaptaria, a começar pela apóstrofe e perguntaria

“E agora, Aníbal?”

Sua palavra agreste,
seus momentos de febre,
sua fúria recalcada,
sua reforma de ouro e queixa,
seus juros e suas juras
sua biblioteca sem livros,
sua gula de pão de ló,
seu fato malfeito,
sua coerente incoerência,
seu ódio, sim! seu ódio
– e agora?

Com a chave na mão,
não quer abrir a porta,
a que existe,
que outras não há;
quer morrer no mar,
mas o mar você secou;
quer, talvez…, elefantes,
elefantes são de outro Aníbal;
quer continuar em Belém,
mas só há Boliqueime,
Belém não há mais.
Aníbal, e agora?

Um outro de nós (ou o mesmo), mais voltado para as coisas da política – que são as de todos nós –, perguntaria
(a José, a Aníbal, a Pedro, a Paulo,
a António, a Catarina, a Jerónimo, a Heloísa,
a ti, a mim, a nós)

“Que fazer?”

E pediria, a todos, que respondêssemos à pergunta e não ao nome de quem a fez e quando a fez e como e a quem a fez: 
que fazer? Só!
Cá por mim, não tenho dúvidas. Eu, que sempre tenho dúvidas e tantas vezes me enganei e engano, desta vez não hesitaria. Faria a curva e continuaria o caminho, que só pode ser de luta.
Por futuro menos cifrão e mercado, mais humano. Tenha as curvas que tiver que ter.

de desastre em desastre pela estrada da desHumanidade e do horror

O que está a viver-se em Paris, em França, que entra em nossas casas e dentro de cada um de nós, é horror, é tragédia.
É um episódio de uma escalada a que parece não se saber pôr fim, antes se estimula, se acirra.
Dizem-se coisas, dizem-nos coisas, no calor da emoção sincera, da indignação justificada, que são também explicação, catarse e revelação. De medo e impotência nossas. Do dito Ocidente.

Vamos ripostar como corpo agredido, ferido, massacrado? Vamos retaliar o que, no fundo, é retaliação pelo que temos sido e temos feito, somos e fazemos como corpo e civilização?
Mas... que corpo?, que civilização una e definitiva somos nós, que nas armas se funda, na violência e na guerra se consolidou, e que quer dar lição e exemplo? 
Sofremos a pequena e trágica história do momento em que esse corpo é ferido, massacrado, chacinado, e recuamos apenas para tomar balanço para ripostar, na escalada da violência, do massacre, da chacina... mas a coberto do manto da civilização, da civilização das armas, do poder de retaliação, em nome dos direitos humanos que são, evidentemente!, os que nós definirmos e que de trincheira mistificadora sirvam. Vamos invocar (e mobilizar) a sagrada sigla da NATO contra os outros que não quisemos que fossem nós, que não queremos que sejam nós, que são... os outros de que nós nos servimos para que sejamos apenas nós e não - também! - os outros.
Há tantas Paris, há tantas França, o Ocidente é - só! - um ponto cardeal na cosmografia da Humanidade.
A História nos julgará por querermos ser tudo sendo tão pouco! 

(sentimento de um ocidental,
Cesário Verde sempre comigo)

sexta-feira, novembro 13, 2015

Quem quer e quem não quer eleições antecipadas?

Uma jogada baixa. Suja. 
De quem arrota democracia. 
Que da democracia se aproveitou, e quer continuar a aproveitar.
Para manipular. 
Para possibilitar que se explore até ao osso dos explorados. 
Que asco! 

aponta mentes e/imprestáveis

No cruzamento indestrinçável da procura de mim e de estar e comunicar com os outros (que eu sou), voltei à escrita da espécie de diário dias de agora, e para aqui aproveitarei alguns trechos.

(...)
E aqui estou, a aproveitar uns pedaços de toalha de papel que há dias (dois ou três) espera “passagem a limpo”, à maneira de Joaquim Namorado em AVISO À NAVEGAÇÃO

OS DONOS
            DO DINHEIRO
            DAS COISAS
            DE TUDO QUE NÃO É HUMANO
                        SALVO A FORÇA DE TRABALHO
(isto é, OS DONOS DE NADA,
porque nada tem dono!)
ESTÃO ASSUSTADOS,
VISLUMBRAM RISCOS
NAS SUAS POS(S)ES DE TUDO SEREM E TEREM
                                                            QUE É NADA!

CUIDADO!
AS BESTAS FERAS ASSUSTADAS SÃO PERIGOSAS!  
PELA POSSE DO NADA DE QUE SÃO DONOS
                                     SÃO CAPAZES DE TUDO!

&-----&-----&


Ficam mais por transcrever (“passar a limpo”)… 

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Só temos, colectivo que somos, a força que nos derem!
(que nos dermos…)
Não nos deram força bastante, ontem e hoje?
(não nos demos…)
Lutemos para que no-la dêem amanhã!
(para que a tenhamos...)
(...)»

A luta continua, contÍnua!

 - Edição Nº2189  -  12-11-2015

A luta continua!

A concentração de anteontem em frente à Assembleia da República foi um momento pleno de significado, emoções e alegria. Ali confluíram muitas vontades e muitas lutas e ali se abriram muitas portas à esperança num futuro melhor para o nosso povo. Não foi à toa que nos últimos anos o PCP tem vindo a insistir nos conceitos de «força do povo» e de «esperança e confiança». São elementos fundamentais para que no plano subjectivo e das consciências se possam operar transformações sociais. O dia 10 de Novembro foi um passo importante nesse processo. Agora, será a força do povo, a força que emana da confiança, da esperança e das justas aspirações, e a luta que permite dar conteúdo e forma material a esses sentimentos, que não só continuarão, mas serão ainda com maior peso, o motor fundamental da transformação do nosso País.
Ao escrevermos estas linhas ainda não sabemos dos desenvolvimentos ulteriores a dia 10, nem conhecemos as decisões do Presidente da República. Mas independentemente disso tudo o que se passou já foi de uma extraordinária importância. E só foi possível por duas razões fundamentais:
1 - Porque durante todos estes anos, e especialmente nos últimos quatro, houve muitos que nunca desistiram de lutar. Os desenvolvimentos políticos são inseparáveis do aprofundamento da luta social e dos resultados concretos dessa luta que foram bem visíveis. É caso para dizer que «resistir é já vencer» e que «lutar vale a pena».
2 - Porque o PCP é uma força política única no panorama político nacional. Porque este Partido é verdadeiramente um Partido revolucionário que sabe em cada momento ler quais são as principais prioridades e etapas necessárias para fortalecer num determinado período a luta revolucionária. Porque soube ler a realidade e dialogar democraticamente com vistas a uma posição conjunta que não era, nem é, um fim em si próprio, mas antes um instrumento para encontrar uma solução política que dê resposta a alguns dos mais urgentes problemas dos trabalhadores e o povo.
A todos aqueles que se emocionaram de alegria no dia 10, é agora importante dizer que será a sua acção e luta que irá determinar o quão longe pode chegar o caminho de esperança aberto no dia 10 de Novembro. Sempre pelo povo, com o povo e para o povo, a luta continua!

Ângelo Alves 



quinta-feira, novembro 12, 2015

SEMPRE FORA DA LEI!

Passos rejeita formação 

de executivo do PS 

que considera "um golpe político"

LUSA

«(...)
O primeiro-ministro nomeou todos os partidos que derrubaram o Governo PSD/CDS-PP na Assembleia da República - "refiro-me evidentemente ao PAN, ao PEV, ao Bloco de Esquerda, ao PCP, ao Partido Socialista" - e acusou-os de terem com esse gesto cometido "o seu pecado original".(...)»

O golpista anti-Constituição
a chamar golpistas aos outros
... e a promover "golpes de Estado"
contra a Assembleia da República!
Ao que leva o desespero!!!

Sem vergonha e despudorados!

... e em Público (de hoje)!

ao primeiro, perguntar-se-ia
para quê o acrescento de
"do Ocidente"?,
é "um ocidental sem vergonha" 
e... pronto, tudo dito!;
ao segundo, informar~se-ia
que Cavaco não tem que dar posse,
tem, antes, de indigitar,
e, antes de tudo, de cumprir a Constituição
que jurou 
e no/para cumprimento da cuja está onde está!

Que provocação!

A TAP - a nossa TAP! - vendida a privados que nem crédito bancário têm,
venda agora consumada por um governo de gestão
que apenas pode estar a "gerir" por aparente hesitação
de um fantoche que está na Presidência da República,
só pode ser provocação!

Reflexões lentas - Unidade, aliancas, acordos

Retomando dias de agora (aleluia...), que ficara em Janeiro na página 5460:

«(...)
Antes disso, depois de ter lido o “expediente”, queria deixar registada a lembrança de Amílcar Cabral sobre unidade e palavras afins.

&-----&-----&

 De uma forma não de citações, lembro a reflexão-lição de que a unidade, as alianças, os acordos (a ordem não é arbitrária nem alfabético-ascendente) só podem ser realizados entre diferentes.

&-----&-----&

Entre iguais nunca haveria razão (ou razões) para se fazerem acordos, alianças ou unidade.

&-----&-----&

E os acordos, as alianças, a unidade nunca se deveriam fazer com o objectivo táctico ou estratégico de uma das partes absorver as outras, ou que estas negassem, por essa via, as suas identidades e diferenças relativamente às outras partes.

&-----&-----&

Nem que alguns elementos de uma qualquer das partes viesse a ser vice-primeiro ministro ou ministros, na partilha de lugares de poder... e clientelas ou pior! 
(...)»  

quarta-feira, novembro 11, 2015

Que viva o Povo de Angola

Era isto que eu queria ter feito (sido capaz de fazer...)

QUARTA-FEIRA, 11 DE NOVEMBRO DE 2015

O MENINO NEGRO NÃO ENTROU NA RODA - Geraldo Bessa Victor/Luís Cília

Que viva o Povo de Angola
11 de novembro de 1975/2015

O MENINO NEGRO NÃO ENTROU NA RODA

O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas — as crianças brancas
que brincavam todas numa roda viva
de canções festivas, gargalhadas francas…

E chegou o vento junto das crianças
— e bailou com elas e cantou com elas
as canções e danças das suaves brisas,
as canções e danças das brutais procelas.
E o menino negro não entrou na roda.
Pássaros, em bando, voaram chilreando
sobre as cabecinhas lindas dos meninos
e pousaram todos em redor. Por fim,
bailaram seus voos, cantando seus hinos…
E o menino negro não entrou na roda.
«Venha cá, pretinho, venha cá brincar»
— disse um dos meninos com seu ar feliz.
A mamã, zelosa, logo fez reparo;
e o menino branco já não quis, não quis…
E o menino negro não entrou na roda.
O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas. Desolado, absorto,
ficou só, parado com olhar de cego,
ficou só, calado com voz de morto.

Geraldo Bessa Victor
(1917-1990), poeta de Angola


Mesmo "a calhar"!



de 1960! - em:


Na manhã do dia seguinte

Ontem, na Assembleia da República e em consequência dos resultados eleitorais de 4 de Outubro, deu-se uma mudança muito significativa na situação política portuguesa. A governação PSD-PP foi interrompida, foi-lhe posto um fim. Assim aconteceu porque se aproveitaram as condições criadas pelas legislativas (não "governativas"...), possibilitando e validando a interpretação de que era esse o sentido do voto, concretizando a inequívoca vontade popular manifestada de muitas outras formas.
Assim se criaram as condições para um outro rumo para a política, o social, a economia. Passo num caminho fácil? Evidentemente que não! Passo laboriosamente - e seriamente! - preparado, no respeito institucional/constitucional, e na expectativa de próximo e idêntico respeito da parte de quem ocupa a Presidência da República.
Entretanto, conhecem-se e dão-se a conhecer reacções (da reacção). De estupefacção, de desespero, de ira. Como é possível, depois de 40 anos de posse e/ou partilha do poder em diferentes formas e combinações, verem-se afastados da governação dois partidos nela enquistados?
Mas essa reacção não se estranha, e há que ter atenção a (e cuidado com) sequentes manifestações.
Para enfraquecer o que possibilitou este passo e se prepara - repito: laboriosa e seriamente - para iniciar um caminho, começaram a aparecer e a inventar-se artes e manhas. 
A de BE, PCP e PEV não se terem comprometido a não propor (ou a votar contra) moções de censura a um governo minoritário do PS é a mais mirabolante (talvez apenas superada pela de se exigir, eventualmente, a presença e o apadrinhamento do Papa Francisco numa espécie de casamento, e como garante da eternidade de união dos nubentes...).
Repare-se nesta pérola na manchete da 1ª página do jornal de mais vetusta referência, no dia seguinte à rejeição de um governo PSD-PP por todos os outros deputados:


O espectáculo vai continuar!
       

terça-feira, novembro 10, 2015

O debate - 4 (A direita é mais de direita na hora da despedida)

Foi... educativo.
Antes da votação, e na certeza do seu resultado, as quatro intervenções de fundo (e defuntas) da direita foram:
espumante (e espumando) - Portas
parlamentar (e interessante, apesar de paralamentar) - Montenegro
claque (dos grandes adeptos... pelo BemFica) -Telmo
patético (e repetitivo até à chateza) - Passos

O debate - 3 (acompanhamento)

O que está a acontecer na AdaR diz respeito a todos nós. E deriva da nossa posição, de cada um de nós, como eleitores. Mas a nossa participação, como cidadãos, não se esgota, longe disso!, na escolha de nossos mandatários no plano institucional e representativo. Há outras (e necessárias) manifestações democráticas, participativas. Como as que, a esta hora, se concretizam do lado de fora do edifício do Parlamento. E, curiosamente, até os que se mostram tão autistas ou alérgicos a essas manifestações, convocaram uma para apoio ao governo em vias de extinção, que será "grande" mesmo que tenha escassas dezenas..., para contrapor à outra, convocada pela CGTP, que será "pequena" mesmo que só possa contar-se por milhares de participantes.

O debate - 2 (a espera, o desespero e a expectativa)

Estou a "ouver" Paulo Portas. A dominar a minha já por si calma indignação.  
Depois do período da infeliz sinecura de "grande estadista", voltou o "jornalista" do Independente
Fluente, brilhante, fátuo, pouco (ou nada) preocupado com a verdade e o rigor, "basofo", petulante. Convincente... para os convencidos. 
Uma pena tanto talento com tão perversa utilização.
Que repouse algum tempo em paz... de que bem precisa de tão frustrado que está e com toda a espumante raiva por o CC do PCP ter tido a importância que tem e que, agora, terá tido! 

segunda-feira, novembro 09, 2015

O debate sobre o programa de governo (deste que Cavaco quis) - 1

A assistir ao debate sobre o programa do XXº Governo (que Cavaco terá...) pareceu-me estar a participar numa aula de uma escola do ensino básico de cidadania e ciência política em que alunos - o 1º ministro e os deputados da coligação das bancadas da direita - começaram por longamente revelar, de forma arrogante e autista, a maior ignorância ou desprezo pelas regras da democracia parlamentar. 
Foi-lhes explicado, paciente e (claro) inutilmente, que o voto de 4 de Outubro foi para - por distritos, regiões, círculos de emigrantes - se escolherem 230 deputados e não 1º ministros. Transformar a escolha de deputados em escolha de governo é um erro. Aceita-se como desconhecimento, recusa-se e acusa-se como fraude!  

QUE SORTE TER VIVIDO/ESTAR A VIVER ESTE TEMPO

que sorte ter vivido
     e resistido
     e vencido
o fascismo e a guerra colonial
com experiências que não se apagam

que sorte ter vivido
     e nascido outra vez
     e participado
os 400 dias de sonho em luta
com conquistas que ninguém nos pode tirar

que sorte ter vivido
décadas de recuo,
de sombras a vencerem  aparentes claras idades,
de quedas inesperadas, brutais mas previsíveis,
de fraternas e caseiras renúncias
de domésticos e domesticados arcos de governação
     e ter continuado a resistir
     e ter continuado a lutar

que sorte ter vivido
este tempo
     e ter tanto aprendido
     e ter tanto vivido

e que sorte estar vivo
neste tempo histórico
só histórico porque todos o são
mas alguns um bocadinho mais do que outros

domingo, novembro 08, 2015

Não se pode ser mais sintético e CLARO, a 6 de Novembro e até que haja mais notícias a tornar públicas

NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP, LISBOA

Sobre o trabalho em curso com o PS com vista a uma solução política


O PCP salienta a importância de não permitir a continuação em funções do Governo PSD/CDS e reafirma o seu propósito de apresentação de uma moção de rejeição do Programa do Governo que será votada na próxima terça-feira na Assembleia da República. Como temos afirmado, PSD e CDS não estão em condições de, por si só, prosseguirem o rasto de destruição e declínio que a sua política constituiu.
O PCP enviou ao PS esta tarde o texto de “Posição conjunta do PS e do PCP sobre solução política”, no seguimento da reunião realizada na última quarta-feira, que permite afirmar que estão reunidas as condições para pôr fim ao Governo PSD/CDS-PP, assegurar um governo da iniciativa do PS, num quadro em que está garantida uma composição da Assembleia da República para a formação de um governo do PS, a apresentação do programa, a sua entrada em funções e para a adopção de uma política que assegure uma solução duradoura.
No sentido do anúncio formal daquela Posição Conjunta o PCP propôs ao PS uma data para a sua divulgação pública.
O Gabinete de Imprensa do PCP informa ainda que no próximo domingo dia 8 de Novembro se realizará uma reunião do Comité Central do PCP.

UM COMUNISTA NÃO É DE PAU…

Clara Ferreira Alves[i] veio afirmar-se anticomunista (e agradecer…).
Já cá se sabia! Mas Clara vem, agora, dizê-lo claramente. Em texto longo, fluente, de crítica e interpretação literária, contraditório, pejado de anacronismos e clara mente memorialista!
Para quê e porquê agora?...

Clara é anticomunista porque é livre (dit-elle)! Ponto, parágrafo.
Clara será livre de tudo o que quiser e para o que quiser, até para cumplicidade na sonegação da liberdade dos outros (dessa coisa…), dos que apenas têm a liberdade de vender a sua força de trabalho para sobreviverem. Mas Clara não é livre dos seus fantasmas, do exibicionismo culto e de culto ostracista, dos seus traumas, de arranhadelas freudianas escondidas com o rabinho de fora.
Mas... Clara é livre. E é só Clara. O resto, todos o resto são ou “comunistas” ou manipulados por “comunistas” enquanto entidade fantasmagórica por ela criada com despojos e reminiscências salazarentas.
Clara é clara na companhia única de Agustina. E do Expresso, claro. Que lhe dá toda a guita para o papagaio. Para cujo voo estaremos a contribuir.
Não o queria fazer… mas um comunista não é de pau. Tem as suas fraquezas humanas e, livra!, até a uma Clara destas não consegue este comunista resistir e de, em reacção, lhe sugerir que frua o gozo que lhe deve ter dado o impacto mediático (no meio...) do seu texto, e que – pelo menos por uns tempos – não nos provoque. Temos muito mais que fazer. Pela liberdade, pela democracia, segundo conceitos nossos está claro, Clara.

P’rá campanha já basta assim!




[i] Nunca a tratarei por CFA porque a “encomenda” não tem Custos, Fretes & Seguro (assurances)

sábado, novembro 07, 2015

Ainda a tempo, ainda a 7 de Novembro

7 de Novembro de 1917, 
como há um ano, como há 2 anos, como há 98 anos!




















A "Revolução
das Revoluções"

"A classe operária não esperava milagres da Comuna. Ela não tem utopias, feitas por decreto popular, para introduzir na situação. Ela sabe que para realizar a sua própria emancipação, e, com ela, essa forma superior de vida para a qual a sociedade actual tende irresistivelmente, dado o seu próprio desenvolvimento económico, terá de passar por longas lutas, por toda uma série de processos históricos que transformarão completamente as circunstâncias e os homens."

K. MARX
A guerra civil em França

Milagres?
Nem da Comuna,
nem da Revolução das Revoluções,
nem da do 25 de Abril.
nem das que...!
«... longas lutas,
... uma série de processos históricos
que transformarão completamente
as circunstâncias e os homens.»

sexta-feira, novembro 06, 2015

mesmo a tempo

GR7

ACORDAI! e ACORDAI? os dois significados de um mesmo imperativo

1.- ACORDAI!
(José Gomes Ferreira/Fernando Lopes Graça)



2.- ACORDAI?
(PCP/PS)

O BE e o PS já acordaram (no sentido de que teriam chegado a acordo!). 
E já há muito o teriam feito se o acordo entre os dois fosse suficiente. 
Mas não é!
São necessários, para que haja maioria absoluta no parlamento, os deputados eleitos pela coligação CDU, pelo menos os que compõem o Grupo Parlamentar do PCP.
De onde, a aritmética ser política e vice-versa.
E o acordo não tem sido fácil. Naturalmente! Porque acordos fazem-se entre diferentes. Dificuldades só de um dos lados? Do "mau de todas as fitas"?

Essa é a maneira enviezada e falsificadora de apresentar as coisas.
Como em todos os acordos (e desacordos) estes são feitos, sempre, tendo em conta as identidades, as necessidades, os interesses da cada uma (e, por isso, das duas) partes.
Quando se chega a acordo, a "culpa" é dos dois lados. 
Não nos queiram convencer que quando o acordo é difícil (ou até a ele se não chega...) a "culpa" é apenas de uma das partes. 
E sempre do mesmo. Do que tem as costas largas... e objectivos bem definidos!  

quinta-feira, novembro 05, 2015

Pressões, acertos, concertos e desconsertos

100-empresários preocupados e pressionando-100






enquanto o PS se concerta e desconserta, 
a ministra das finanças acerta cortes.
e há quem junte tropas em tropel

São as ilusões e os os ilusionismos.
São os muito cultos e a malta sem cultos
É a luta de classes em banho-maria? 
Qual quê!!!!!
Por detrás e à frente de tudo
estão os gajos da massa a manobrar.
Mas estão (também e sempre) as massas!
Esperar não faz a hora (diz o outro)
nem os minutos
nem os dias contados
(isto dizemos nós...
e como é que os nós se atam
e se desatam?)

Congresso Nacional das Colectividades - programa



ESTA INICIATIVA
MERECIA MUITA DIVULGAÇÂO!


O Óscar para o actor mais secundário... ou da vergonha nacional

 - Edição Nº2188  -  5-11-2015

E o Óscar vai para…
Desde 2010 que a associação de editores de jornais e revistas da Alemanha entrega o Prémio «Europeu do Ano». Na sua primeira edição o prémio foi atribuído a Durão Barroso e nos anos subsequentes a figuras com Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu e ex-governante polaco ou a Enda Kenny, primeiro-ministro iIrlandês e ex-vice-presidente do Partido Popular Europeu. Este ano foi dedicado «aos 11 milhões de pessoas que vivem em Portugal». Quem o entregou, e proferiu esta elucidativa frase, foi o comissário Günther Öttinger, actual Comissário para a Economia, ex-vice-presidente da segunda Comissão Barroso, conhecido pela aberta ingerência nos assuntos internos de vários estados e célebre pela atoarda de que os países mais endividados deveriam ter as suas bandeiras a meia haste nos edifícios da União Europeia. Segundo Öttinger o prémio é entregue porque Portugal aplicou bem o programa da troika e conseguiu «encontrar o caminho para mais emprego e competitividade». Mas disse mais: o prémio era também um pedido para que os tais 11 milhões «possam manter uma estabilidade» (…) «sem oscilações». Se parássemos por aqui a coisa dava para rir.
Mas não, o caso é mesmo grave e não dá para rir. Do lado do receptor do prémio estava Rui Machete, o ainda ministro dos Negócios Estrangeiros que afirmou que «cumprimos o que nos foi pedido e ajudámos a Alemanha a justificar o seu papel de liderança», que destacou «o auxílio da Alemanha» e que notou que a língua portuguesa é muito falada no Mundo e que isso tem permitido aos «investidores alemães acesso a importantes mercados lusófonos». Falando em alemão realçou que o Prémio era «uma grande responsabilidade para Portugal» e que portanto o próximo governo «tem o dever de manter o rumo».
A inqualificável e vergonhosa atitude de Machete, profundamente lesiva da soberania, independência e dignidade nacionais só tem uma explicação: a seita que tenta manter-se no poder em Portugal é a versão nacional de uma seita maior da qual Öttinger é uma das sinistras figuras de proa. Mas Machete conseguiu o impensável: não só insultou os portugueses e participou activamente na chantagem e ingerência externa – com toda a gravidade que este facto comporta quando falamos do MNE – como conseguiu ser mais cínico e hipócrita que Öttinger. Da nossa parte, acaba de ganhar o Óscar da vergonha nacional.

Ângelo Alves

Machete, pois claro...
depois de muitos anos
a "ensaiar" na Fundação Luso.Americana 

quarta-feira, novembro 04, 2015

segunda-feira, novembro 02, 2015

Estamos convocados!




«No dia 10 votamos também, na rua, a queda do governo. E que seja esta a hora de comemorar! Para todas e todos os que se bateram e lutaram contra o governo da austeridade a oportunidade é histórica: juntemos os nossos aplausos e façamos deste momento o corolário lógico de todas as saídas à rua, de todas as greves, de todas as manifestações: 15 de Outubro, 15 de Setembro, 2 de Março, as greves gerais de Novembro: nada foi em vão. Respondemos todas e todos ao apelo da CGTP, trabalhadores, estudantes, pensionistas, desempregados, trabalhadores precários e mostremos que estamos na rua em luta para a queda do governo. Continuaremos vigilantes e atentos.»  

2 de Novembro

No dia de hoje, em lembrança dos que já se foram, GR7 enviou-nos este desenho dedicado em particular a um amigo que morreu há um ano. Solidários com essa lembrança, aqui deixamos o seu desenho.

GR7

O especialista!

A cada um, a sua especialidade.
A este, a de vender.

O quê?

  • Imóveis, 
  • moveis, 
  • transporte por ar, terra, debaixo da terra, mar, 
  • o que comunique material ou imaterialmente, com ou sem fios, tudo o que seja de todos.
Para quê?
  • para passar a ser só de alguns poucos o que´r de todos,
  • para deixar de ser o que é ,
  • para desaparecer da circulação,
  • para cumprir, ardilosamente, défices orçamentais,
  • para vender o que outros não conseguiram vender.
Porquê?
  • por fanatismo ideológico vulgo sectarismo,
  • para fazer pela vidinha, entre Estado ao serviço do privado e no privado contra o Estado.

... e com muito gozo divulgo... para todos ficarmos mais descansados!

e-mail recebido de um amigo:

«Reencaminho com ...muito gozo!
Agora já estou mais descansado!
Estamos safos. Já temos o Código do Procedimento Administrativo a nosso favor.
Eis um excerto do  nº. 7 do preâmbulo do novo Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei nº 4/2015, acabado (?) de entrar em vigor. Apreciem:

 "No n.º 2 do artigo 57.º, além de se deixar absolutamente claro o caráter jurídico dos vínculos resultantes da contratação de acordos endoprocedimentais, configura-se uma possível projeção participativa procedimental da contradição antro e pré procedimental e exo ou pós procedimental de pretensões de particulares ou simulativas pessoais nas relações jurídico-administrativas multipolares, polipolares ou poligonais  multidimensionais." ...

Obrigado, Zé Santa!

Acordo "à esquerda"?... é bom lembrar!

De repente. chega um mail amigo, tirado de páginas de facebook:
«...
»

... e um acordar de lembranças muito oportunas. Ajudado por pesquisa laboriosa e compensadora.

Foi em 1979. Há 36 anos. 
Já fora 1974, com o seu (nosso...) 25 de Abril; já fora 1975, com o seu (deles...) 25 de Novembro; já fora 1976, com o seu (nosso e para todos...) 2 de Abril e Constituição; já tinham sido 2 eleições (tanta gente a escolher quem mandatar como seus representantes!).
Havia uma Assembleia da República (a primeira pós-Constituição prometida pelo MFA e cumprida!) 
bullet I Legislatura (eleição em 25 de abril de 1976)

Gráfico dos resultados eleitorais da I Leg. 

 partido
 deputados
votos
 percentagem
Quadrado_UDP   UDP
1
91.691
 1,67%
Quadrado_PCP   PCP
40
786.701
14,35%
Quadrado_PS   PS
107
1.911.706
34,87%
Quadrado_PPD/PSD   PPD
73
 1.336.697
24,38%
Quadrado_CDS-PP   CDS
42
877.494
16%
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Entre a eleição dessa primeira legislatura em liberdade e democracia e Junho de 1979 já tinha havido muita coisa, como a que, na AdaR, provocara uma divisão ao meio do PPD/PSD criando um grupo de "independentes" sociais-democratas. O que não alterava a correlação de forças parlamentares: PS com maioria relativa (107 em 253) a apoiar governo, a sua direita com maior número de deputados (115), a sua esquerda... fora do "arco".
É neste quadro parlamentar que é feita a proposta da criação de um Serviço Nacional de Saúde, projecto de autoria do deputado do PS António Arnaud, projecto que, em comissão especializada (como relator o deputado do PCP José Manuel Jara) e em trabalho colectivo, chega a redacção de Lei de Bases e vai a aprovação final global e teve aquele resultado.
Assim se dava corpo político-legislativo a um direito constitucional - o direito à saúde - e a uma das mais belas realizações da sociedade portuguesa pós-25 de Abril.

Mas, também em 1979, entrava-nos em casa (pela primeira vez...) o FMI, os claramente vencidos na votação da Lei de Bases já conspiravam contra o Serviço Nacional de Saúde e começavam a "pescar" apoios nas fileiras de quem a propusera e a aprovara, sem conseguirem impedir a construção de uma realização que foi exemplo e mereceu os maiores encómios.
Mas não é a história do SNS, sua ascensão e permanente ataque, sabotagem e contaminação, que se quer fazer (aqui... e sequer o esboço). O que a lembrança daquele extracto das actas da AdaR que o mail trouxe é a de um exemplo (e enorme na perspectiva dos direitos dos portugueses) que destrói a ideia batida de que a "esquerda" pela primeira vez parece querer chegar a acordo. Sempre chegará a acordo quando (e se) a direcção do PS quiser fazer (as massas, a sua base de apoio eleitoral a obrigarem a fazer) política de esquerda.   
  
   

domingo, novembro 01, 2015

Para a série dos feriados furtados

GR7

Culpados e recompensados!

 - Edição Nº2187  -  29-10-2015



"Blair desculpa-se por invasão do Iraque

O antigo primeiro-ministro britânico pediu desculpa pelas falsas informações que usou para agredir o Iraque, assim como por alguns erros no planeamento e sobretudo pelo erro de previsão «do que aconteceria após o derrubamento do regime» de Saddam Hussein.
Em entrevista transmitida no domingo, 25, pela estação norte-americana CNN, Blair reconheceu que o principal pretexto para a invasão (o uso de armas químicas pelo exército iraquiano contra a sua própria população) «não existiu da forma como pensávamos».
À pergunta se a invasão do Iraque foi a principal causa para o surgimento do Estado Islâmico, Blair admitiu que «há elementos de verdade nessa questão».
«Não podemos dizer que nós, que derrubámos Saddam em 2003, não temos responsabilidades pela situação em 2015».

Ainda assim, o político declarou-se preparado para «enfrentar o julgamento da história» pelos acontecimentos posteriores à invasão e não se arrepende de ter participado na agressão que derrubou o governo iraquiano, provocando milhares de mortos e o caos no país."

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Em que jornais (não lemos) esta "confissão" de Blair?
E quanto ganha em cada conferência que anda por aí a fazer?
E os seus cúmplices (entre eles Barroso!), 
quantos "tachos" arranjaram?
Isto é que são penitências...