domingo, março 06, 2022

"Prova de vida"


 Se prova de vida era,

                                        prova de vida foi!

sexta-feira, março 04, 2022

Refrescar as memórias

Depois do golpe de Estado
                              de 2014
e do 2 de Maio em Odessa




 

Palavras com sentido (e reflectidas)

 No Público de hoje:



Parar a guerra/Dar uma oportunidade à PAZ

 Recebido (e divulgado) da URAP:

Caros Companheiros,

 a URAP, União de Resistentes Antifascistas Portugueses, subscreve o apelo do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e apela à participação de todos nos actos públicos «Parar a Guerra! Dar uma oportunidade à Paz!» que terão lugar no próximo dia 10, pelas 18h30 no Largo Camões, em Lisboa, e pelas 18h00 na Rua de Santa Catarina (junto à estação do Metro), no Porto.

Parar a Guerra

Dar uma oportunidade à Paz

 A situação de guerra na Ucrânia, que tem repercussões em toda a Europa, comporta riscos de consequências imprevisíveis.

A guerra não pode ser uma solução para um conflito e não é, em caso algum, um caminho para estabelecer a paz.

Nesse sentido, os subscritores:

-Apelam ao fim da guerra na Ucrânia, ao estabelecimento de negociações, de modo a encontrar um acordo justo e duradouro, no interesse dos povos;

-Reclamam que, a par da suspensão imediata dos combates na Ucrânia, seja travado o constante aumento de forças militares e de armamentos no Leste da Europa, situação que tende a sobrepor os interesses da guerra à paz, à amizade e à cooperação entre os povos da região;

-Salientam que as sanções não devem substituir a diplomacia porque, em primeiro lugar, atingem as condições de vida das populações, tanto dos países que as sofrem como dos que as impõem;

-Repudiam todas as manifestações de fascismo, nazismo e nacionalismo agressivo onde quer que se manifestem;

-Entendem como imprescindível e urgente a criação de acordos e mecanismos de diálogo que garantam o estabelecimento de um clima de paz, confiança e de segurança para todos os países e povos da Europa e do mundo;

-Apelam às autoridades portuguesas que, à luz da Constituição da República, não contribuam para o agravamento do conflito, o militarismo, a guerra, e sejam parte activa e empenhada na procura de justas soluções de paz;

-Manifestam a sua solidariedade ao povo ucraniano e a todos quantos sofrem com a guerra, assegurando formas de apoio humanitário, dirigidas a suprir necessidades urgentes das populações envolvidas, garantindo que o mesmo não venha a ser apropriado por grupos fascistas e neonazis ucranianos;

-Sublinham que o respeito pelo direito internacional, no quadro da ONU, pela Acta Final da Conferência de Helsínquia é o caminho essencial para a justiça, a segurança, o respeito pelos direitos dos povos e a paz.

Saudações Antifascistas


Refrescando memórias

 

Texto 

A dramática situação social, económica e política vivida atualmente na Ucrânia é indissociável dos acontecimentos que culminaram com um golpe de Estado, apoiado pelos EUA, EU e Nato, que conduziu ao poder forças de extrema-direita, abertamente neofascistas e xenófobas.

Na sequência da onda de violência e instauração de um clima de intolerância e perseguição — de que é exemplo o massacre perpetrado na Casa dos Sindicatos de Odessa —, os últimos dias tem sido marcados pela intensificação da ação repressiva do regime da oligarquia ucraniana.

A brutal campanha de repressão e perseguição levada a cabo
pelas autoridades de Kiev contra várias forças políticas e
personalidades teve novos desenvolvimentos com desencadear de um processo de ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia e com a aprovação, no passado dia 22 de Julho, da alteração do regulamento do Parlamento Ucraniano com vista a liquidação do grupo parlamentar deste partido.Estas decisões das autoridades ucranianas atestam bem o carácter profundamente antidemocrático do poder instalado naquele pais.

A par da ação persecutória e intimidatória contra forças políticas, as autoridades de Kiev lançaram, sob a capa de uma operação antiterrorista, uma operação militar na região do Donbass (distritos de Donestsk e Lugansk) que visa a eliminação ou rendição incondicional daqueles que não reconhecem o poder golpista.

Estas ações militares, com recurso a artilharia pesada e aviação de combate, tem provocado milhares de vítimas civis e dezenas de milhares de refugiados, assim como a destruição de cidades e aldeias e de infraestruturas básicas.

O desencadeamento de uma situação de guerra insere-se numa ação de confronto que ameaça a região e agrava a tensão internacional.

A violência exercida pelo poder ilegítimo de Kiev, além do sofrimento que está a causar ao povo ucraniano, agrava ainda mais a situação económica da Ucrânia, a qual está a ser usada pelas autoridades de Kiev, com o apoio do FMI, dos EUA e da UE, para impor aos trabalhadores e ao povo ucraniano a liquidação de direitos sociais, de privatizações e de desregulação económica.

A gravidade da situação que se vive na Ucrânia não se compadece com caracterizações que branqueiem ou ignorem o ascenso e papel de forças abertamente neonazis, a natureza autoritária e repressiva do regime, o agravamento da escalada de violência e a deterioração das condições de vida do povo ucraniano, devendo ser firmemente condenada, pelo que a Assembleia da República, reunida a 25 de julho de 2014, delibera:

1. Solidarizar-se com as populações vitimas das brutais ações militares levadas a cabo pelas autoridades de Kiev na região do Donbass;
2. Condenar a perseguição e ataques que tem sido perpetrados pelo regime de Kiev contra diversas forças políticas e, em particular, a tentativa de ilegalização do Partido Comunista Ucraniano;
3. Exigir ao Governo Português que tome uma atitude de condenação das ações militares levadas a cabo pelas autoridades ucranianas contra o seu próprio povo e das ações persecutórias contra diversas forças políticas.


11/XII/3

Autoria: PCP

Voto de Condenação da situação na Ucrânia e de solidariedade com o povo ucraniano

Publicação: DAR II série B nº 60, de 2014

-

07

-

26

Debate e Votação: DAR I série nº 105, de 2014

-

07

-

26

Rejeitado 

A Favor: PCP, BE, PEV

Contra: PSD, PS, CDS-PP

quarta-feira, março 02, 2022

A comunicação que temos

Enche-me o computador a comunicação de que a Assembleia Geral das Nações Unidas fez uma votação em que 141 dos 193 países membros votaram favoravelmente uma moção visando o fim da guerra na Ucrânia, pondo em parangonas que a votação foi HISTÓRICA (como cidadão votaria favoravelmente... depois de ler os seus termos)

Se essa votação foi histórica, que adjectivo dar a esta, de uma das mais de 20 já feitas contra o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, que teve 191 votos a favor contra 2, dos Estados Unidos e Israel


que relevo foi dado a esta(s) anuais e históricas votações 
na "nossa" comunicação social?!

Um documento

Este artigo encontra-se em resistir.info:

Para resolver a crise na Ucrânia, comecem pelo fim

– Este artigo de Kissinger foi publicado em Março de 2014

Henry A. Kissinger [*]

Manifestantes em Washington contra a subsidiação aos neo-nazis ucranianos.

A discussão pública sobre a Ucrânia tem tudo a ver com confronto. Mas sabemos para onde vamos? Na minha vida, vi quatro guerras começarem com grande entusiasmo e apoio público, mas em todas elas não sabíamos como iam terminar e em três delas retirámo-nos unilateralmente. O teste da política é como elas terminam, não como começam.

Com demasiada frequência, a questão ucraniana é apresentada como um confronto: se a Ucrânia se junta ao Leste ou ao Ocidente. Mas para que a Ucrânia sobreviva e prospere, não deve ser o posto avançado de nenhum dos lados contra o outro – deve funcionar como uma ponte entre eles.

A Rússia deve aceitar que tentar forçar a Ucrânia a um estatuto de satélite e, assim, mover as fronteiras da Rússia novamente, condenaria Moscovo a repetir a sua história de ciclos auto-realizáveis ​​de pressões recíprocas com a Europa e os Estados Unidos.

O Ocidente deve entender que, para a Rússia, a Ucrânia nunca pode ser apenas um país estrangeiro. A história russa começou no que foi chamado de Kievan-Rus. A religião russa espalhou-se a partir daí. A Ucrânia faz parte da Rússia há séculos, e as suas histórias estavam entrelaçadas antes disso. Algumas das batalhas mais importantes pela liberdade russa, começando com a Batalha de Poltava em 1709, foram travadas em solo ucraniano. A Frota do Mar Negro – o meio da Rússia de projetar poder no Mediterrâneo – é baseada no arrendamento a longo prazo de Sebastopol, na Crimeia. Até mesmo dissidentes famosos como Aleksandr Solzhenitsyn e Joseph Brodsky insistiam que a Ucrânia era parte integrante da história russa e, de facto, da Rússia.

A União Europeia deve reconhecer que a sua lentidão burocrática e a subordinação do elemento estratégico à política interna na negociação da relação da Ucrânia com a Europa contribuíram para transformar uma negociação em crise. A política externa é a arte de estabelecer prioridades.

Os ucranianos são o elemento decisivo. Eles vivem num país com uma história complexa e uma composição poliglota. A parte ocidental foi incorporada na União Soviética em 1939, quando Stalin e Hitler dividiram os despojos. A Crimeia, cuja população é 60% russa, tornou-se parte da Ucrânia apenas em 1954, quando Nikita Khrushchev, ucraniano de nascimento, a concedeu como parte da celebração dos 300 anos de um acordo russo com os cossacos. O oeste é em grande parte católico; o leste em grande parte ortodoxo russo. O oeste fala ucraniano; o leste fala principalmente russo. Qualquer tentativa de uma ala da Ucrânia de dominar a outra – como tem sido o padrão – levaria eventualmente à guerra civil ou ao rompimento. Tratar a Ucrânia como parte de um confronto Leste-Oeste arruinaria por décadas qualquer perspectiva de trazer a Rússia e o Ocidente – especialmente Rússia e Europa – para um sistema de cooperação internacional.

A Ucrânia é independente há apenas 23 anos; anteriormente estava sob algum tipo de domínio estrangeiro desde o século XIV. Não surpreendentemente, os seus líderes não aprenderam a arte do compromisso, muito menos a perspectiva histórica. A política da Ucrânia pós-independência demonstra claramente que a raiz do problema está nos esforços dos políticos ucranianos para impor sua vontade às partes recalcitrantes do país, primeiro por uma facção, depois pela outra. Essa é a essência do conflito entre Viktor Yanukovych e sua principal rival política, Yulia Tymoshenko. Eles representam as duas alas da Ucrânia e não estão dispostos a dividir o poder. Uma política sábia dos EUA em relação à Ucrânia buscaria uma maneira de as duas partes do país cooperarem entre si. Devemos buscar a reconciliação, não a dominação de uma facção.

A Rússia e o Ocidente, e muito menos as várias facções na Ucrânia, não agiram de acordo com esse princípio. Cada um piorou a situação. A Rússia não conseguiria impor uma solução militar sem se isolar num momento em que muitas das suas fronteiras já são precárias. Para o Ocidente, a demonização de Vladimir Putin não é uma política; é um álibi para a ausência de uma política.

Putin deve perceber que, quaisquer que sejam as suas queixas, uma política de imposições militares produziria outra Guerra Fria. De sua parte, os Estados Unidos precisam evitar tratar a Rússia como uma aberração ao ser pacientemente ensinada sobre as regras de conduta estabelecidas por Washington. Putin é um estratega sério – nas premissas da história russa. Compreender os valores e a psicologia dos EUA não é o seu ponto forte. A compreensão da história e da psicologia russas também não foi um ponto forte dos formuladores das políticas dos EUA.

Líderes de todos os lados devem voltar a examinar os resultados, não competir em postura. Aqui está minha noção de um resultado compatível com os valores e interesses de segurança de todos os lados:

1. A Ucrânia deve ter o direito de escolher livremente suas associações económicas e políticas, inclusive com a Europa.

2. A Ucrânia não deve aderir à NATO, posição que assumi há sete anos, quando surgiu pela última vez.

3. A Ucrânia deve ser livre para criar qualquer governo compatível com a vontade expressa de seu povo. Os sábios líderes ucranianos optariam então por uma política de reconciliação entre as várias partes do seu país. Internacionalmente, devem seguir uma postura comparável à da Finlândia. Essa nação não deixa dúvidas sobre sua feroz independência e coopera com o Ocidente na maioria dos campos, mas evita cuidadosamente a hostilidade institucional em relação à Rússia.

4. É incompatível com as regras da ordem mundial existente a Rússia anexar a Crimeia. Mas deve ser possível colocar o relacionamento da Crimeia com a Ucrânia numa base menos tensa. Para esse fim, a Rússia reconheceria a soberania da Ucrânia sobre a Crimeia. A Ucrânia deve reforçar a autonomia da Crimeia nas eleições realizadas na presença de observadores internacionais. O processo incluiria a remoção de quaisquer ambiguidades sobre o estatuto da Frota do Mar Negro em Sebastopol.

Estes são princípios, não prescrições. As pessoas familiarizadas com a região saberão que nem todos serão palatáveis ​​para todas as partes. O teste não é a satisfação absoluta, mas a insatisfação equilibrada. Se alguma solução baseada nesses ou em elementos comparáveis ​​não for alcançada, a tendência para o confronto acelerará. A hora para isso chegará em breve.

05/Março/2014

[*] Secretário de Estado dos EUA de 1973 a 1977.

O original encontra-se em www.washingtonpost.com/opinions/henry-kissinger-to-settle-the-ukraine-crisis-start-at-the-end/2014/03/05/46dad868-a496-11e3-8466-d34c451760b9_story.html


CONDENAR as guerras,
todas as guerras.
os seus fautores,
os actos e os factos
as fazem parecer inevitáveis


 

sexta-feira, fevereiro 25, 2022

Dossier do PCP

 DOSSIER

SOBRE
A SITUAÇÃO
NA
UCRÂNIA

ELEMENTOS PARA A COMPREENSÃO

IDEIAS-CHAVE






              I D E I A S - C H A V E

É urgente: desescalada do conflito, 
instauração de cessar-fogo, abertura de via negocial

O PCP expressa a sua profunda preocupação 
pelos graves desenvolvimentos na situação no Leste da Europa, 
com operações militares de grande envergadura da Rússia 
na Ucrânia, e apela à urgente desescalada do conflito, 
à instauração de um cessar-fogo e à abertura de uma via negocial.

Cumprir os princípios da Carta da ONU 
e da Acta Final da Conferência de Helsínquia

Contribuir para processo de diálogo com vista: 
solução política para o conflito na Ucrânia; 
resposta aos problemas de segurança colectiva na Europa; 
cumprimento dos princípios da Carta da ONU 
e da Acta Final da Conferência de Helsínquia 
– como o PCP defendeu aquando das guerras 
contra a Jugoslávia, o Iraque, o Afeganistão, a Líbia ou a Síria.

Agravamento é indissociável da tensão 
e confrontação de EUA, NATO e UE contra a Rússia

Estratégia de tensão e confrontação que passa 
pelo contínuo alargamento da NATO 
e reforço militar ofensivo junto às fronteiras da Rússia,
em que insere a instrumentalização da Ucrânia, 
desde o golpe de 2014, com o recurso a grupos fascistas, 
e que levou a um regime xenófobo e belicista, 
cuja violenta acção é responsável 
pelo agravamento de fracturas e divisões.

A Rússia é um país capitalista 
com uma concepção de classe oposta à do PCP

O posicionamento da Rússia é determinado pelos interesses 
das elites e os grupos económicos. 
Posicionamento que teve expressão, nomeadamente, 
nas declarações de Putin desta semana 
que constituem uma grosseira deformação 
da notável solução que a União Soviética 
encontrou para a questão das nacionalidades 
e o respeito pelos povos e suas culturas

A escalada

 - Nº 2517 (2022/02/24)

A Santa Aliança Americana

Internacional

O reconhecimento, por parte da Rússia, da independência das Repúblicas Populares do Donbass, foi o pretexto invocado por Biden para elevar ainda mais o risco de uma guerra, disparando um pesado pacote de sanções económicas cuja crítica uniu a chamada «esquerda progressista» do Partido Democrata à direita mais reaccionária do Partido Republicano. De Bernie Sanders a Donald Trump, todos acham que Joe Biden não está a fazer soar os tambores de guerra tão alto quanto devia.

Ted Cruz, do Partido Republicano, acusou Biden de «ser, em larga medida, culpado por esta crise» por ter uma «estratégia sem credibilidade baseada em fazer o que tem de ser feito». Já o congressista democrata Jim Jones, agoirava que «Putin está a invadir a Ucrânia, ponto final, parágrafo. Já o fez uma vez e vai fazê-lo novamente se não impusermos sanções absolutas». Também o democrata Bob Menendez pedia a Biden para «parar de se equivocar sobre se isto é ou não é uma invasão», acrescentando que «os EUA têm de tornar claro que as consequências começam já». Na mesma linha, a democrata Elissa Slotkin, da CIA, sintetizava: «Este é o momento de lhes mostrarmos [à Rússia e à China] quem vai escrever o próximo século.»

Acabados de regressar aos EUA, a delegação bipartidária de 21 quadros Republicanos e Democratas à Conferência de Segurança de Munique, subscreveu o mesmo texto em que se reclama que «o ditador Putin e os seus oligarcas corruptos paguem um preço devastador». Betty McCollum, em nome da delegação, resumiu a verve: «somos ambas as câmaras do Congresso, somos ambos os partidos, estamos unidos. A NATO está unida, a UE está unida e estamos dispostos a fazer tudo o que for preciso.»

Este consenso já se começou a traduzir em iniciativas legislativas nas duas câmaras do Congresso: na Câmara dos Representantes, os dois partidos uniram-se para aprovar o Support, um novo pacote de doação de armamento de guerra à Ucrânia; no Senado, 80% dos democratas aprovou outro pacote semelhante.

Nesta santa aliança contra a Rússia couberam os chamados «democratas progressistas» como Bernie Sanders. Conhecido por já ter apoiado as guerras na Jugoslávia e no Afeganistão, Sanders exige agora «sanções sérias» contra a Rússia. Também Jamaal Bowman, dos «Socialistas Democráticos da América», comparou Putin a Hitler e exigiu «agir agora, imediatamente».

Na verdade, a beligerante «Unidade Nacional» dos EUA é um consenso de classe que, para além de objectivos imperialistas comuns, permite esconder as suas profundas divisões e silenciar os graves problemas que o país atravessa.

António Santos 

quinta-feira, fevereiro 24, 2022

segunda-feira, fevereiro 21, 2022

Como se pode ser neutro...

... com uma informação destas a invadir-nos?

Um exemplo entre milhentos:

Hoje de manhã (para começar o dia):

Um tiro pode deitar tudo a perder. Na linha da frente ucraniana a ordem é para manter o sangue frio, gelado como a temperatura do ar. Não ripostar, não reagir, mesmo que haja provocações do lado pró-russo, mesmo que sejam atacados ou ameaçados. Um só disparo ou bombardeamento pode ser a desculpa para a invasão, como crianças mimadas que justificam a quezília porque o outro começou.

Com tanta aparente leveza (ou ligeireza, ou leviandade) de "um lado" face ao "lado pró-russo", quem tem, ou procura, outra informação, só pode ter uma posição. Não de indiferença, não de neutralidade, é-se obrigado a ser pró-russo (ou lá o que nos queiram chamar)!

quarta-feira, fevereiro 16, 2022

terça-feira, fevereiro 15, 2022

A "ajuda dos escuteiros"

Há não sei por quem contada (ou inventada), nem sei há quantos anos (décadss) já foi, muito ri com a história da boa acção (BA) diária que os escuteiros tinham de relatar aos seus superiores. Teria sido o caso de três ou quatro terem relatado a BA de terem ajudado uma velhinha (uma senhora idosa...) a atravessar uma rua de muito trânsito. 

Quando o terceiro (ou o quarto) jovem escuteiro abundava na mesma história de ter ajudado a pobre senhora de idade a atravessar a rua, o monitor (ou como se chamam os escuteiros de mais idade e responsabilidade) questionou: "... espererem aí... mas era a mesma senhora idosa?... e porquê foram vocês todos a ajudá-la a atravessar a rua?". os três ou quatro tossicaram e e responderam " ... é que ela não queria atravessar a rua... tivemos de ser os 4 a a 'ajudá-la'".

Não sei porquê (ou sei?) a informação torrencial sobre a "invasão da Ukrânia pela Rússia" fez-me lembrar a inocente historinha dos escuteiros. 

quinta-feira, fevereiro 10, 2022

de pandemia em pandem(on)ias, de histeria em histerias...

 ... até à pantomima e história finais, a toque de caixa do tsumani informativo?!

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

isto é de perder a tramontana

 Uns-de-nós estão "ligados" à vodafone; outros-de-nós estão "ligados" à meo; todos-nós estamos "ligados" uns aos outros.

Isto tudo - e todos - feito num nó. Que seria lindo se fosse  no plural, num nós.

Uma das coisas a que uns-de-nós estão "ligados" tem um problema, sabotagem, pirataria, ou lá o que seja (o que deus quiser que seja), e é uma coisa do arco-da-velha: tudo em polvorosa!

Já tinha havido um antecedente, num "ataque cibernético" à Impresa, do Expresso. 

Mas à segunda vez, até parece ter sido "de vez".

Mesmo quem passe pela televisão só de passagem, não conseguiu escapar ao assunto do momento.

Ele foram todas as horas "nobres" com a cibervigilância. RTP1, RTP2 e 3, SIC e vários SIC, TVI, CNN. A CMTV? Não se viu se conseguiu tirar algum espaço ao futebolar. 

Não se garante que alguém tenha ficado devidamente informado, mas de boa mente se pode dizer que não faltaram informação, e debates, e opiniões.

De repentemente, a cibervigilância invadiu-nos a casa, o pós-prandial, o sono, e não se diz os sonhos mas, de certeza, as preocupações.

Como se não chegassem as preocupações que temos como temas, este passou a tema-maior!

Parece tudo - e todos - de tramontana perdida!

A propósito, e do Assange não se fala?

As "várias razões" do sr. mini stro...

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva,  confirmou que Portugal não terá representação política nas cerimónias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, "por várias razões", segundo revelou esta segunda-feira em Bruxelas (onde é que havera de ser?)

HORIZONTES PRÓXIMOS

LEITURAS QUE INFORMAM:

O ORIENTE PRÓXIMO HORIZONTE DO MUNDO

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 

Enquanto que os EUA e a UE mantêm guerras, ingerências e sanções em vários países do médio - oriente, o Irão emerge apesar de tudo isto, como uma peça relevante no xadrez político que fervilha no sudoeste asiático. Este país com uma longa história na região procura na Ásia uma saída alternativa.

Como declarou o deputado iraniano Mohsen Zanganeh :" Penso que se concentramos a nossa atenção nos países orientais, especialmente aqueles da Ásia Central, Ásia Oriental , bem como na Europa Oriental em vez de nos concentramos no Ocidente, podemos definitivamente beneficiar do seu considerável potencial económico. "

Desenha-se claramente uma aliança China, Russia e Irão, chamada Parceria da Grande Eurasia que inclusive anunciou já, exercícios navais conjuntos no Golfo Pérsico.

O Irão finalizou um plano abrangente de cooperação por 25 anos com a China e aderiu ainda à Organização de Cooperação de Xangai (SCO). Está também a ser negociado, baseado neste acordo, um outro por 20 anos com a Rússia.

Abriu-se também o Corredor Internacional de Transporte e Trânsito Golfo Negro que irá impulsionar a Iniciativa Rodoviária e do Cinturão Leste - Oeste liderado pela China (BRI) e para o Corredor Internacional de Transportes Norte - Sul, liderado pela Rússia e pela Índia.

Este corredor envolve a Rússia, Ásia Central, Azerbeijão Europa, Turquia, Irão, Afeganistão e Índia, sendo um sistema de trânsito multimodal de 7200 Km em conexão com a (BRI).

Na cimeira da Organização de Cooperação Económica (ECO) o Azerbeijão, Irão e Turquemenistão finalizaram um acordo de troca de gás.

Deste acordo resultou também o desenvolvimento das enormes reservas de petróleo e gás off shore, existentes no Mar Cáspio.

Por outro lado, espera-se a conclusão do Trans Caspian Pipeline (TCP) que atravessa o Mar Cáspio e que irá estabelecer a ligação ao corredor de Gás do Sul e à TANAP da Turquia.

A ramificação final para a Europa será finalmente concluída através do gasoduto Nabuco que traria para a região gás em abundância. É claro se não houver sabotagem política, como facilmente se adivinha.

Convém recordar que numa disputa recente com a UE, o impedimento da construção do gasoduto North Stream 2, fará esta sofrer unilateralmente com a correspondente não utilização, porque indo ao encontro dos ditames dos EUA, impondo a compra do seu gás natural liquefeito (GNL), muito mais caro, devido aos elevados custos de extracção e de transporte.

Em contrapartida a Rússia tem um novo acordo estratégico com a China.

O gasoduto "Power of Siberia", começou a exportar gás do leste da Sibéria para o nordeste da China há dois anos.

Estes países fizeram um acordo para a construção de um segundo gasoduto Power of Siberia 2 que transportará gás natural da península de Yamal no Artico Russo, para o nordeste da China. Tal significa que este gás tanto poderá facilmente abastecer a China como a Europa.

Encontram-se ainda em execução projectos ferroviários para ligar o Golfo Pérsico ao Mar Negro, através do Irão, Azerbeijão e Georgia que permitirá a movimentação de mercadorias dos portos do Sul do Irão para a Europa Central por via exclusivamente terrestre.

Estes factos podem explicar as tentativas de desestabilização e uma permanente política de agressão com recurso à NATO, aos países oriundos ou não da ex União Soviética, através de sanções, chantagens e ameaças perpetradas pelos EUA, lamentavelmente acolitados pela UE.

Não será dispiciendo admitir que estas novas rotas deste importante recurso energético que é o gás natural desencadeie uma desenfreada e perigosa corrida aos armamentos.

Podemos considerar que esta estratégia se destina a enfraquecer a economia da Rússia e da China, forçando - as a aumentar os gastos militares em prejuízo do respetivo desenvolvimento e melhoria social, à semelhança do que foi feito com a URSS que poderá ter conduzido ao seu colapso.

A parceria da Grande Eurásia, é impulsionada pela defesa dos interesses comuns de um conjunto de Estados que pretende criar um novo paradigma multipolar, gerando nova riqueza que harmonize as necessidades de um todo.

E assim, se libertarão do monopólio unipolar dos EUA.


Ver:

Mathew Ehret - Dinâmica global - Dez. 2021

John Foster - Counterpunch - 3 Fev. 2022 

terça-feira, fevereiro 08, 2022

O MANDA CHUVA - Fevereiro (de 1972)-1

                                          CINQUENTENÁRIO DE


O MANDA CHUVA


(continuação da história de o mandachuva)

Caminhavam, então, os pides da brigada, mandados pelo respectivo chefe, pela António Maria Cardoso, atravessavam o Largo de Camões, subiam a Rua da Misericórdia (a Rua do Mundo...), para irem cumprir a ordem (seca à chefe de brigada) "vão à Prelo e apreendam o manda-chuva! Deviam ir matutando e conversando "apreender o manda-chuva... qual manda-chuva... será chuva?, será gente?". Subiram a escada do 67, bateram à porta talvez sem a habitual brutalidade. Do outro lado, veio abrir-lhes a porta o João Honrado, como muitos anos de Peniche e de tratos (maus, claro) com aquela gentalha, Sem se terem identificado, um dos dois agentes daquela gentalha tartamudeou "... o manda-chuva...". Surpreendentemente, o João, a viver a euforia do êxito editorial, não hesitou: "... quantos querem?". Esclarecida a dúvida que os atormentava, entraram os dois de rompante, casa dentro e com voz de comando "TODOS!"

Levaram meia dúzia de exemplares, que tinham ficado de sobras! 

(continua... que isto não fica assim) 


continua



sexta-feira, fevereiro 04, 2022

CONTRADIÇÕES - USA (e abUSA)

  - Nº 2514 (2022/02/3)


Contradições

Opinião

A mais recente escalada de retórica bélica anti-russa parece um diálogo dos filmes do Tarzan: «Rússia má, NATO boa». Às proclamações insistentes sobre uma iminente «invasão russa» juntam-se acusações do governo britânico e dos EUA de que a Rússia estaria a organizar um golpe de Estado na Ucrânia (New York Times, 22.1.22). Não deixa de ser irónico, tendo em conta que o actual regime ucraniano assenta as suas raízes no golpe de Estado de 2014, abertamente patrocinado pelos EUA/RU/NATO/UE. Ainda mais irónico é que um eventual golpe na Ucrânia pode estar sim a ser preparado, mas pelo partido da guerra no seio do imperialismo anglo-americano.

Diz a CNN (28.1.22): «Enquanto os EUA advertem o mundo sobre uma potencial ‘iminente’ invasão russa da Ucrânia, um dirigente estrangeiro em particular não está convencido: o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. […] Zelensky afirmou aos jornalistas na passada sexta-feira que ‘existe no estrangeiro a sensação de que existe aqui uma guerra. Não é assim’. […] Zelensky e os seus conselheiros fartaram-se nas últimas semanas do que consideram ser uma «reacção excessiva» por parte dos EUA, que acreditam estar a incitar o pânico e uma convulsão económica na Ucrânia […]. As tensões latentes culminaram na noite de quinta-feira, quando Biden – durante uma chamada [telefónica] – incitou a Ucrânia a preparar-se melhor para uma potencial invasão em Fevereiro. […] A chamada ‘ não correu bem’ disse um alto funcionário ucraniano à CNN. […] Na sexta-feira, Zelensky redobrou a sua insistência de que uma invasão russa não está ‘iminente’ […] ‘Eu sou o Presidente da Ucrânia. Estou aqui sediado e penso conhecer com mais profundidade os detalhes do que qualquer outro presidente’». O ministro da Defesa da Ucrânia fala no mesmo tom. Conhecidos jornalistas partidários de todas as guerras imperialistas (como Julia Ioffe, puck.news, 25.1.22) já começaram o ataque a Zelensky: «a Casa Branca […] está praticamente farta do presidente Zelensky».

A zanga não é de princípio. Zelensky é defensor das campanhas anti-russas, da subordinação aos EUA e de sanções contra o gasoduto Nord Stream 2 entre a Rússia e Alemanha; preside a um regime profundamente corrupto onde fascistas assumidos ocupam cargos importantes e conhecidos colaboracionistas com os invasores nazis são publicamente homenageados; o principal dirigente do maior partido da oposição está desde Maio em prisão domiciliária e é acusado de traição (RT, 23.12.21); importantes meios de comunicação social opositores foram encerrados. Mas é bem possível que Zelensky, tal como a Alemanha, França e outros países europeus, estejam a perceber que a decadente e cada vez mais desorientada super-potência imperialista, no seu afã de travar o seu declínio parece procurar desesperadamente uma guerra na Europa. Veja-se as delirantes declarações dum Coronel dos EUA, Alexander Vindman (realclearpolitics.com, 19.1.22): «estamos prestes a ter a maior guerra na Europa desde a II Guerra Mundial».

O perigo de provocações do partido da guerra, visando precipitar a situação, é bem real.

Jorge Cadima