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sexta-feira, novembro 11, 2022

"Uma (de) derrota intercalada" (em derrota)

  - Nº 2554 (2022/11/10)


Eleições nos EUA

Opinião

Os EUA foram a votos na passada terça-feira. Nas eleições intercalares estiveram em jogo todos os 435 mandatos da Câmara de Representantes, um terço dos 100 mandatos do Senado, 39 governadores de Estados, além de outros eleitos estaduais e locais. Mais uma vez a comunicação social acompanhou a par e passo estas eleições.

Exageros e subserviências de variado tipo à parte, é verdade que as eleições na maior potência imperialista do mundo têm importância, não tanto pelos resultados, mas por aquilo que evidenciam. Como sempre, tudo é decidido entre as duas cabeças de um sistema político totalmente controlado pelo poder económico, que «expele» do sistema quaisquer expressões políticas dissonantes.

Contudo, há novidades. Estas eleições evidenciam que esse sistema de poder está em crise e percorrido por contradições muito fundas decorrentes essencialmente de dois factores.

O primeiro é a situação económica e social nos EUA. A alta inflação, de 8,2 por cento, convive com insuportáveis taxas do juro e com uma perspectiva de redução da taxa de crescimento do PIB. Este cocktail desenvolve-se sob o lastro da maior desigualdade na distribuição da riqueza e dos rendimentos dos últimos 100 anos, bem expressa no facto de três multimilionários deterem uma riqueza acumulada equivalente à da metade mais pobre da população (160 milhões de cidadãos) ou de 45 por cento dos rendimentos nos EUA estarem a ser canalizados para um por cento da população.

Como seria de esperar, a administração Biden não beliscou sequer essa tendência. Pelo contrário, com os milionários gastos na guerra na Ucrânia e com os reflexos da sua estratégia de confrontação com a Rússia e a China, a situação social degrada-se e a economia tende a piorar. É neste contexto que a extrema-direita ensaia regressos, tirando partido do facto de a eleição da administração democrata não ter significado a tão prometida mudança.

O segundo é o mais do que evidente declínio relativo dos EUA no plano internacional. A estratégia de confrontação até pode ser a única forma que a grande potência em decadência tem de tentar conter essa tendência, mas os resultados não estão a ser os desejados e isso está a criar sérias rupturas no establishment que divide o poder.

António Santos


sexta-feira, outubro 14, 2022

Os desconcertos sociais

  - Nº 2550 (2022/10/13)


A concertação anti-social

Internacional

A maioria dos sócios do BMWED, sindicato que representa os trabalhadores da manutenção da linha férrea dos EUA, rejeitou o acordo de concertação social proposto pelo patronato e mediado pessoalmente por Biden, pelo seu chefe de gabinete, pelo principal conselheiro económico do país e por três dos seus secretários de Estado. É um sinal claro de que os trabalhadores dos EUA já não aceitam migalhas, mesmo que elas sejam servidas de um prato dourado pelo próprio presidente.

«Os trabalhadores ferroviários sentem-se desencorajados e revoltados com as condições de trabalho e com a compensação que recebem e vêem os patrões com maus olhos»,  comunicado, o presidente da BMWED, Tony Cardwell, após ser conhecida a rejeição do acordo pelos trabalhadores. Estes «condenam a administração por ter as suas vidas em tão baixa conta, como ilustra a sua teimosa relutância em proporcionar-nos dias de descanso pagos, especialmente em caso de doença».
O acordo de concertação social que os trabalhadores chumbaram propunha aumentos salariais de 24 por cento e um bónus de 5 mil dólares, mas previa que cada trabalhador só pudesse faltar por motivos de doença, apoio à família e nojo um dia por ano. Ou seja, para não perderem o salário ou mesmo o posto de trabalho, estes trabalhadores têm de ir trabalhar mesmo quando estão doentes, quando lhes morre um familiar ou quando têm de levar os filhos ao hospital. «Não temos de nos contentar com um acordo anti-social. Eles acham que não precisam do nosso consentimento para nada; então experimentem fazer os comboios andar sem ele», sugeriu.

No horizonte próximo está uma greve que pode paralisar toda a economia dos EUA e a que se podem juntar outros sete sindicatos ferroviários que, nas próximas semanas, votarão também o mesmo acordo. Entretanto, trabalho e capital concordaram em adiar qualquer decisão até à próxima sessão do Congresso que, em meados de Novembro, será chamado a pronunciar-se sobre a melhor forma de evitar a greve. As principais organizações patronais do sector, quiçá fartas de tanta concertação, já vieram pedir ao congresso e ao presidente que proíba uma greve que «destruiria toda a economia».

Não consta, em contrapartida, que o congresso, o presidente ou os seus melhores mediadores laborais tenham sugerido aos patrões a fórmula secreta que poderia desbloquear o contencioso: respeitar quem trabalha.


António Santos

quinta-feira, agosto 04, 2022

Reflexões lentas - democracia à moda do capital

 

“democracia” à moda do capital

(modelo e exemplo)

 

O esvaziamento conceptual das palavras, ou a desvirtualização do que é apregoado como valores, faz parte essencial da agressão ideológica que é enroupada de desideológica contra o que (e quem) tem uma ideologia. E  a assume.

Cada vez que é utilizado o vocábulo democracia haveria que procurar o sentido com que a palavra é atirada para comunicação, para a informação aos cidadãos do que se está a passar no mundo que vivemos.

Embora, por vezes, se lhe acrescente a localização do conceito (democracias ocidentais), esse acrescento é distracção, quando não é intenção perversa própria do pensamento único, como se democracia fosse propriedade de uma parte do universo e de mais nenhuma.

Absolutiza-se e privatiza-se o conceito, como, aliás, tudo é pretendido absolutivizar e privatizar, o que corresponde a uma desvirtualização do conceito, a um esvaziamento do(s) valor(es) que encerra.

… porque há mais do que uma democracia?

Não!, porque sendo una, a democracia pode tomar várias formas. Sendo una, enquanto prática da convivência dos seres humanos, em partilha solidária igualitária que respeite as desigualdades individuais naturais; podendo tomar várias formas e não apenas uma, segundo os lugares em que se pratica e as suas formas e histórias das comunidades locais.

O mais grave atentado ao conceito e valor da democracia é o de a espartilhar num modelo único: a democracia é isto!…  e o que assim não seja não é democrático.

 

No seu tempo histórico, a predominância do capital (enquanto relação social) sempre procurou impor a “sua democracia” e, nesse intuito, chega a ser caricata a obsessão de impor um modelo: a democracia ocidental! tornando a palavra, o conceito, o valor humano, numa definição que os dicionários apontam como “regime político”: a democracia é o regime político que… e sai modelo!

E o modelo é a valorização de determinadas estruturas padronizadas, sobrevalorizando esmagadoramente a representatividade traduzida eleitoralmente, relativamente à vertente essencial da participação (informada) de quem é afirmado deter o real poder, assim tornado inconsequente.

O modelo exporta-se, Estado a Estado, com ligeiras e apenas formais diferenças, procurando impor-se em toda a parte e em todas as condições… senão não há democracia!

 

 

No modelo à moda do capital, a estrutura da sociedade é dualista. Coerente com uma ideologia binária, deverá haver situação e oposição, os prós e os contras, o sim e o não, e o resto é (ou tem de ser obrigado a ser) paisagem, acessório.

Vejamos expressões de um espectro político desejado, e adeqado à “democracia”:

·       Democratas e republicanos

·       Sociais-democratas e cristãos-democratas

·       Democratas-cristãos e sociais-democratas

·       Conservadores e trabalhistas (e liberais)

·       PSOE e PP

·       PS e PSD-PPD

·       “esquerda” e “direita”.

 

Depois… tudo se confunde. As políticas são as mesmas, de tão parecidas que, por vezes, é quase surpreendente que as maiores diferenças pareçam existir no interior de um dos lados dos binários.

Por exemplo: as posições de Biden (1ª figura do “modelo de democracia” estadounidense) e de Pelosi (3ª figura do “modelo de democracia” estadounidense) relativamente a uma ida a Taiwan, de que pode resultar (veja-se lá!) uma situação verdadeiramente assustadora para a Humanidade… foram diferentes, embora do mesmo partido, considerado como o mais progressista (ou o menos reaccionário) dos E.U.A..

A decisão que prevaleceu, adoptou, com toda a clareza, a forma de uma provocação, como foi sobejamente advertido pela China, teria sido democrática? Foi da “democracia ocidental”, cujo poder não está no povo dos Estados Unidos mas em interesses ligados a um regime político totalmente condicionado pelos interesses dominantes, pelo complexo industrial-militar.

 

Do que pode estar dependente o futuro da Humanidade! De evidentes e indesmentidas provocações de uma “democracia” à moda do capital!

segunda-feira, maio 30, 2022

Um dia no Texas

  - Nº 2530 (2022/05/26)


Um dia no Texas

Internacional

Um jovem, de dezoito anos apenas e cujo nome é irrelevante, entrou numa escola primária com duas metralhadoras e matou 20 crianças e um professor. Antes, tinha dado um tiro na avó. Depois, foi morto pela polícia. A guerra civil americana nunca terminou verdadeiramente.

Tradicionalmente, os EUA lidam com todos os seus problemas internos exportando-os. Isto tanto vale para a inflação (cujo descontrolo na outra margem do lago é muito anterior à guerra na Europa) como para a violência em geral e para os tiroteios em particular. Contagiar a concorrência — ou o inimigo — permite por vezes a diluição o problema, mas garante sempre a diminuição da vantagem do oponente.

O que aconteceu no Texas não foi um caso isolado. Só desde o início do ano, são já 28 os tiroteios em massa dentro de escolas nos EUA. Todas as semanas há um. No Texas, onde nem sequer existe qualquer registo das armas que se vendem e se compram, este é já o quarto.

Os tiroteios em massa têm causas profundas que vão, contudo, muito para além da facilidade com que se adquire uma arma: reflectem a violência enxertada na cultura de um povo por dois séculos de guerras imperiais; traduzem as profundas divisões e desigualdades entre brancos e negros; ricos e pobres; índios e colonos; urbanos e rurais; democratas e republicanos; confederados e nortenhos; religiosos e ateus; imigrantes recentes e imigrantes antigos.

Mas principalmente, a epidemia de tiroteios que persegue os EUA há tantas décadas é sintomática de uma sociedade doente, em fim de linha civilizacional. Não sobrem portanto dúvidas de que, incapazes de controlá-la, alguns governantes estado-unidenses não se importariam de vê-la contagiar o resto do mundo. A receita é, de resto, pública e pode confeccionar-se de variadíssimas formas: vendendo mais armas; acicatando o belicismo; promovendo a cultura da violência, do medo e do ódio; deixando caixas abertas cheias de metralhadoras no meio das avenidas; convencendo-nos sorrateiramente de que falar não serve de nada porque é aos tiros que se resolve tudo. É assim que se acorda um dia no Texas


António Santos




sexta-feira, fevereiro 25, 2022

A escalada

 - Nº 2517 (2022/02/24)

A Santa Aliança Americana

Internacional

O reconhecimento, por parte da Rússia, da independência das Repúblicas Populares do Donbass, foi o pretexto invocado por Biden para elevar ainda mais o risco de uma guerra, disparando um pesado pacote de sanções económicas cuja crítica uniu a chamada «esquerda progressista» do Partido Democrata à direita mais reaccionária do Partido Republicano. De Bernie Sanders a Donald Trump, todos acham que Joe Biden não está a fazer soar os tambores de guerra tão alto quanto devia.

Ted Cruz, do Partido Republicano, acusou Biden de «ser, em larga medida, culpado por esta crise» por ter uma «estratégia sem credibilidade baseada em fazer o que tem de ser feito». Já o congressista democrata Jim Jones, agoirava que «Putin está a invadir a Ucrânia, ponto final, parágrafo. Já o fez uma vez e vai fazê-lo novamente se não impusermos sanções absolutas». Também o democrata Bob Menendez pedia a Biden para «parar de se equivocar sobre se isto é ou não é uma invasão», acrescentando que «os EUA têm de tornar claro que as consequências começam já». Na mesma linha, a democrata Elissa Slotkin, da CIA, sintetizava: «Este é o momento de lhes mostrarmos [à Rússia e à China] quem vai escrever o próximo século.»

Acabados de regressar aos EUA, a delegação bipartidária de 21 quadros Republicanos e Democratas à Conferência de Segurança de Munique, subscreveu o mesmo texto em que se reclama que «o ditador Putin e os seus oligarcas corruptos paguem um preço devastador». Betty McCollum, em nome da delegação, resumiu a verve: «somos ambas as câmaras do Congresso, somos ambos os partidos, estamos unidos. A NATO está unida, a UE está unida e estamos dispostos a fazer tudo o que for preciso.»

Este consenso já se começou a traduzir em iniciativas legislativas nas duas câmaras do Congresso: na Câmara dos Representantes, os dois partidos uniram-se para aprovar o Support, um novo pacote de doação de armamento de guerra à Ucrânia; no Senado, 80% dos democratas aprovou outro pacote semelhante.

Nesta santa aliança contra a Rússia couberam os chamados «democratas progressistas» como Bernie Sanders. Conhecido por já ter apoiado as guerras na Jugoslávia e no Afeganistão, Sanders exige agora «sanções sérias» contra a Rússia. Também Jamaal Bowman, dos «Socialistas Democráticos da América», comparou Putin a Hitler e exigiu «agir agora, imediatamente».

Na verdade, a beligerante «Unidade Nacional» dos EUA é um consenso de classe que, para além de objectivos imperialistas comuns, permite esconder as suas profundas divisões e silenciar os graves problemas que o país atravessa.

António Santos 

quinta-feira, janeiro 20, 2022

Guerra civil nos USA?!

do quase-diário: 

No último sábado, neste blog, reproduzi um texto de António Santos, perguntando-me se não se estaria a exagerar:

 Nº 2511 (2022/01/13)


1861: o ano novo dos EUA

Em 1861 Henry Adams lamentava-se que «nenhum na América queria a guerra civil, nem a esperava, nem a antecipava». Na primeira semana de 2022, parece que todos os homens (e mulheres) da América a antecipam, a esperam ou a desejam.

«Vem aí a guerra civil?» perguntava, na semana passada, a manchete do New Yorker. «Enfrentamos uma segunda guerra civil?» ecoava, simultaneamente, uma coluna do New York Times. Três generais na reforma retorquiam numa coluna do Washington Post: «mais uma tentativa de golpe de estado» e ela pode mesmo estalar, avisavam. Entretanto, um estudo da Universidade da Virgínia revelou que mais de metade dos 74 milhões de eleitores de Trump acreditam que houve fraude eleitoral e defendem a secessão dos Estados republicanos. 44 por cento dos democratas concordam em partir a federação dos Estados.

No aniversário da patética tentativa de golpe ensaiada e gorada no capitólio, Biden perguntou-se se «vamos ser uma sociedade que aceita a violência política como a regra». Os sinais estão lá: a percentagem de estado-unidenses que admitem recorrer à violência para atingir fins políticos subiu de 10 por cento, na década de 90, para trinta por cento; o número de ameaças de violência contra congressistas duplicou em menos de um ano e, recorde-se, nos EUA há 434 milhões de armas para 330 milhões de pessoas e cerca 220 milícias. Oportunamente, Barbara Walter, uma consultora da CIA, promete ter todas as respostas no seu novo livro: «Como as guerras civis começam e como travá-las».

Os lunáticos tomaram conta do hospício?

Trump, surpreendentemente, embora enleado em processos judiciais, já escorraçado da Casa Branca e permanentemente censurado pelo Twitter, pelo Facebook e pelo Youtube, nunca foi tão popular. Segundo as últimas sondagens, reúne o apoio de 9 em cada 10 republicanos e conta com uma taxa de aprovação de 52 por cento dos estado-unidenses— mais do que quando se sentava na sala oval e o suficiente para sonhar com uma nova candidatura em 2024.

À medida que a hegemonia dos EUA esmorece, agravam-se as contradições internas da burguesia. Essas contradições tomam as formas mais diversas: são demográficas, num país urbano e democrata de costas voltadas para um país republicano e rural; são eleitorais, na distorcida sobre-representação dos republicanos no Senado; são económicas, na alta finança oposta à indústria e são, crescentemente, políticas, na amplitude de soluções propostas para salvar o capitalismo em crise.

É possível prever que 2022 traga, à semelhança de 1861, um clima político ainda mais polarizado, violento e volátil. É difícil dizer se esse clima conduzirá a mais erupções localizadas de violência ou à rotura da união dos Estados porque a resposta depende bastante de medidas de loucura. Mas, tratando-se dos EUA, ninguém ficará surpreendido se um dia os lunáticos tomarem conta do hospício. Por ser um hospício, primeiramente. E por estar apropriadamente a transbordar de lunáticos, já agora.

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Ontem, em Notícias Zap, podia ler-se:

MUNDO

EUA: e uma guerra civil em todos os Estados?

NUNO TEIXEIRA DA SILVA

 

18 JANEIRO, 2022

Muitos norte-americanos aceitam o cenário de cometer actos violentos 

que atinjam membros do Governo.

Guerra civil? Nos Estados Unidos da América? Não seria sequer um tema em 2022, para quase todas as pessoas. Mas, no início desse tal ano, as análises à volta deste assunto multiplicam-se.

Ron Elving, correspondente da National Public Radio em Washington, e alguém que acompanha constantemente os assuntos e os bastidores da Casa Branca, avisa: “Imagine outra guerra civil nos EUA mas, agora, em todos os Estados“.

Não é um cenário provável já para amanhã, ou para a próxima semana, mas a verdade é que vários inquéritos nacionais demonstram que há muitos habitantes nos EUA que aceitam a ideia de cometer actos violentos que atinjam membros do Governo. Não são a maioria, mas já são uma minoria significativa.

Revelaram as sondagens que 33% das pessoas achava que a violência contra o governo era “justificada, por vezes”. Esta percentagem era de 10% em 1990.

Aliás, ainda em 2020, em Outubro foi publicada uma sondagem nacional que revelou que a maioria dos norte-americanos acreditava que o país já atravessava uma situação de uma “Guerra Civil Fria”.

Em 2021 a maioria dos apoiantes de Donald Trump queria que o seu Estado deixasse de fazer parte do país. E, mesmo entre os apoiantes de Joe Biden, uma percentagem considerável (41%) admitiam a possibilidade de “dividir o país“.

Além dos problemas sociais e das desigualdades económicas, fica a ideia de que as pessoas que vivem nos EUA não acreditam no sistema democrático do país. Sobretudo os jovens não acreditam.

Esta noção foi transmitida por um inquérito revelado no mês passado, que também demonstrou que um terço dos inquiridos disse que estava à espera de uma guerra civil nos próximos tempos; e um quarto das pessoas pensa que, pelo menos, um Estado vai passar a ser totalmente autónomo.

Não se espera uma guerra que cause 600 mil mortos (ou mais), como causou a guerra civil nos EUA. Mas espera-se, e já é uma realidade, que assuntos importantes causem divisões fortes entre Estados – e, ainda antes disso, “a guerra está prestes a surgir à porta de casa de cada um“, lê-se no artigo.

O desgaste é evidente, a atmosfera é “tóxica”. E num país onde há 434 milhões de armas na posse da população…

   Nuno Teixeira da Silva, ZAP //