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terça-feira, junho 21, 2022

O PESO DA GUERRA

O PESO DA GUERRA

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral


Parece ser com grande facilidade que  material de guerra dos mais diversos tipos, chega à Ucrânia, supostamente por via terrestre.

Seria normal que no torna viagem, os mesmos meios que o transportaram, regressassem carregados com cereais e fertilizantes que tanta falta parecem estar a fazer. 
Mas, uma tonelada de armamento que é letal, ocupa um volume muito menor do que o mesmo peso daqueles produtos. Tal significa que o respectivo transporte só é rentável por via marítima. 
Caprichosamente, a morte pode chegar por meios que estão negados à manutenção da vida. 
É é assim que a guerra se torna mais pesada e mais vantajosa para alguns, uma vez que é medida pelo peso dos mortos que provoca. 
Paradoxalmente, é também mais fácil de transportar do que a Paz que tem o peso da sobrevivência da humanidade. 

Agora que estivemos a falar de valores, pesos e medidas, ocorre perguntar quanto pesa a vida de um Homem. 

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in Associação Conquistas da Revolução (ACR)

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

HORIZONTES PRÓXIMOS

LEITURAS QUE INFORMAM:

O ORIENTE PRÓXIMO HORIZONTE DO MUNDO

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 

Enquanto que os EUA e a UE mantêm guerras, ingerências e sanções em vários países do médio - oriente, o Irão emerge apesar de tudo isto, como uma peça relevante no xadrez político que fervilha no sudoeste asiático. Este país com uma longa história na região procura na Ásia uma saída alternativa.

Como declarou o deputado iraniano Mohsen Zanganeh :" Penso que se concentramos a nossa atenção nos países orientais, especialmente aqueles da Ásia Central, Ásia Oriental , bem como na Europa Oriental em vez de nos concentramos no Ocidente, podemos definitivamente beneficiar do seu considerável potencial económico. "

Desenha-se claramente uma aliança China, Russia e Irão, chamada Parceria da Grande Eurasia que inclusive anunciou já, exercícios navais conjuntos no Golfo Pérsico.

O Irão finalizou um plano abrangente de cooperação por 25 anos com a China e aderiu ainda à Organização de Cooperação de Xangai (SCO). Está também a ser negociado, baseado neste acordo, um outro por 20 anos com a Rússia.

Abriu-se também o Corredor Internacional de Transporte e Trânsito Golfo Negro que irá impulsionar a Iniciativa Rodoviária e do Cinturão Leste - Oeste liderado pela China (BRI) e para o Corredor Internacional de Transportes Norte - Sul, liderado pela Rússia e pela Índia.

Este corredor envolve a Rússia, Ásia Central, Azerbeijão Europa, Turquia, Irão, Afeganistão e Índia, sendo um sistema de trânsito multimodal de 7200 Km em conexão com a (BRI).

Na cimeira da Organização de Cooperação Económica (ECO) o Azerbeijão, Irão e Turquemenistão finalizaram um acordo de troca de gás.

Deste acordo resultou também o desenvolvimento das enormes reservas de petróleo e gás off shore, existentes no Mar Cáspio.

Por outro lado, espera-se a conclusão do Trans Caspian Pipeline (TCP) que atravessa o Mar Cáspio e que irá estabelecer a ligação ao corredor de Gás do Sul e à TANAP da Turquia.

A ramificação final para a Europa será finalmente concluída através do gasoduto Nabuco que traria para a região gás em abundância. É claro se não houver sabotagem política, como facilmente se adivinha.

Convém recordar que numa disputa recente com a UE, o impedimento da construção do gasoduto North Stream 2, fará esta sofrer unilateralmente com a correspondente não utilização, porque indo ao encontro dos ditames dos EUA, impondo a compra do seu gás natural liquefeito (GNL), muito mais caro, devido aos elevados custos de extracção e de transporte.

Em contrapartida a Rússia tem um novo acordo estratégico com a China.

O gasoduto "Power of Siberia", começou a exportar gás do leste da Sibéria para o nordeste da China há dois anos.

Estes países fizeram um acordo para a construção de um segundo gasoduto Power of Siberia 2 que transportará gás natural da península de Yamal no Artico Russo, para o nordeste da China. Tal significa que este gás tanto poderá facilmente abastecer a China como a Europa.

Encontram-se ainda em execução projectos ferroviários para ligar o Golfo Pérsico ao Mar Negro, através do Irão, Azerbeijão e Georgia que permitirá a movimentação de mercadorias dos portos do Sul do Irão para a Europa Central por via exclusivamente terrestre.

Estes factos podem explicar as tentativas de desestabilização e uma permanente política de agressão com recurso à NATO, aos países oriundos ou não da ex União Soviética, através de sanções, chantagens e ameaças perpetradas pelos EUA, lamentavelmente acolitados pela UE.

Não será dispiciendo admitir que estas novas rotas deste importante recurso energético que é o gás natural desencadeie uma desenfreada e perigosa corrida aos armamentos.

Podemos considerar que esta estratégia se destina a enfraquecer a economia da Rússia e da China, forçando - as a aumentar os gastos militares em prejuízo do respetivo desenvolvimento e melhoria social, à semelhança do que foi feito com a URSS que poderá ter conduzido ao seu colapso.

A parceria da Grande Eurásia, é impulsionada pela defesa dos interesses comuns de um conjunto de Estados que pretende criar um novo paradigma multipolar, gerando nova riqueza que harmonize as necessidades de um todo.

E assim, se libertarão do monopólio unipolar dos EUA.


Ver:

Mathew Ehret - Dinâmica global - Dez. 2021

John Foster - Counterpunch - 3 Fev. 2022 

sábado, janeiro 22, 2022

No centenário de VASCO GONÇALVES-2

continuação


 













No centenário de VASCO GONÇALVES-1

 Do quase-diário:

22.01.2022

 Em devido tempo, que há muito foi, recebi esta informação-convite

da ACR (Associação Conquistas da Revolução), a que gosto de chamar Associação Vasco Gonçalves por, para mim, este nome simbolizar o período em que tantas conquistas houve.

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De imediato me decidi a ir a Lisboa nesse dia, visitar os netos e participar na iniciativa.

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Mas o homem põe e a idade, os quilómetros, os riscos da pandemia e outras coisas.. dispõem, e acabei por não ir.

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Recebi, ontem um mail da ACR onde se diz que a iniciativa se realizou e correu bem, e que ”… foi dado conhecimento a 498 órgãos de comunicação social (Tvs, Rádios, Semanários e Jornais). Infelizmente, com vai acontecendo, nenhum participou nem nos contactaram”.

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Ao pesar por não ter podido ir, juntou-se a indignação que é, para mal dos nossos pecados, permanente mas que tem picos que obrigam a moderar a linguagem embora exijam… informação.

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Vou, depois deste “post” de desabafo, publicar a intervenção de Avelino Gonçalves que foi, !, o primeiro Ministro do Trabalho no 1º Governo provisório depois do 25 de Abril de 1974.

segunda-feira, novembro 08, 2021

Informe-SE!... porque não O informam senão do que e como lhes serve...- 3

de ACR (As Conquistas da Revolução) - No centenário de Vasco Gonçalves 

A Ignorância dos perigos que desconhecemos 

e que corremos

 Marques Pinto

Vogal da Direcção

Penso que muitos de nós vivendo neste pequeno cantinho da Europa, vamos ignorando muitos dos riscos que a nossa espécie corre, de um modo muito mais perigoso do que a grande maioria pensa.

Claro que de um modo geral e porque se têm acumulado nos últimos anos um enorme arsenal atómico na Europa Ocidental - fruto sobretudo das tensões criadas pelos que habitam na outra margem do Oceano Atlantico - que segundo os especialistas em conflitos atómicos bastaria a deflagração de 3 a 5% desse armamento para que grande parte do território mais populoso da Europa Central ficasse um deserto de seres vivos.
Contudo o que me levou a colocar esta chamada de atenção foi um facto muito pouco divulgado ou mesmo quase escondido pelos grandes meios de comunicação e que aconteceu há poucos dias no Mar da China.
O submarino nuclear USS “Connecticut” SSN ( da classe Seawolf ) bateu em imersão num objecto ou relevo desconhecido e terá vindo á superfície perto das Ilhas Paracel - 150 milhas duma base de submarinos Chinesa na provincia de Hainan.
Claro que alem do risco de poluição atómica, com todas as possíveis consequências para a fauna marinha e o próprio ambiente foram denunciadas não só pela China como pelas Filipinas.
Nada se sabe ou pelo menos nada tem transparecido nos meios de comunicação e o que levanta mais suspeitas sobre a gravidade do incidente é que a própria Marinha Americana proibiu a divulgação e toda a guarnição durante uma semana ficou totalmente incomunicável.
Apesar da ocorrência em aguas territoriais de outro país a Marinha Americana não autorizou qualquer investigação ou inspecção.
Evidentemente que só através dos Governos das Filipinas e da China se conseguiu detectar e publicitar tal incidente pois até agora a “ignorância” dos grandes meios de comunicação se tem mantido fiel ao encobrimento de tal incidente.
Penso que este incidente independentemente da causa e dos efeitos mais ou menos graves que tenha provocado ou venha ainda a provocar, demonstra e deve-nos fazer pensar seriamente no que poderia acontecer com uma ocorrência semelhante aquando duma das eventuais “visitas amigas” de tal tipo de navios nucleares aos nossos portos ou mesmo em secretas patrulhas submarinas tão frequentes junto ás nossas costas dado que são rotas de inúmera navegação civil e sobretudo militar de tantos países.

(*) O artigo completo, em inglês, encontra-se neste link

https://www.informationclearinghouse.info/56840.htm

segunda-feira, junho 01, 2020

Em tempos turvos, recordando o que ajuda a clarificar:


Neste dia 1 de Junho de 2020, entrou-me no computador um mail da Associação Conquistas da Revolução que recorda este discurso de Vasco Gonçalves. Como sempre, ler o que disse Vasco Gonçalves em tantas ocasiões de um período verdadeiramente empolgante da nossa História, é singularmente refrescante e consciencializador. É a serenidade ideológica em situações de enorme tensão. Tenho pena de não me ter lembrado dele em 8 de Maio, neste dia em que, todos os anos, confronto a “habilidade” farsante de se adiar para o dia seguinte a comemoração do DIA da VITÓRIA, da EUROPA, da PAZ, apagando-o ao aproveitar uma certa confusão de calendários para instaurar um dia da Europa como se esta tivesse deixado de existir para ser uma União Europeia. Lembro o discurso-lição de Vasco Gonçalves, de 8 de Maio de 1975:


Representantes dos resistentes anti-fascistas que vieram até nós.
Resistentes anti-fascistas portugueses.
Camaradas do Conselho da Revolução e do MFA.
Membros do Governo.
Representantes Diplomáticos.
Conselho Português para a Paz e Cooperação.
Minhas senhoras e meus senhores.

Ao comemorar a derrota do fascismo na Europa não quero deixar de exprimir um sentimento de alegria reconfortante pela presença dos resistentes que vieram e que quiseram trazer ao MFA e a Portugal o seu apoio e a sua experiência.
Uma referência muito particular quero também fazer a Maria Lamas, fidelíssima combatente anti-fascista e símbolo da luta da mulher portuguesa pela sua libertação total.
Há 30 anos a Europa respirava aliviada do pesadelo fascista, renascia a esperança do homem no futuro. Esse renascimento cimentava-se na luta e no sacrifício de milhões de pessoas originárias de todos os Continentes; tal devia bastar para que a Humanidade rejeitasse duma vez por todas aquela aberração. Sítios houve, porém, onde a derrota de 1945 foi por longo tempo inconsequente. A Portugal, as liberdades conquistadas pelos povos europeus, só chegaram na madrugada de 25 de Abril de 74. O Povo Português tem, em relação à Europa, um crédito de 30 anos de liberdade a lançar na conta do fascismo.
A neutralidade na guerra de 39-45, para além dos benefícios imediatos, custou ao Povo Português um preço demasiado caro. A não participação no tremendo conflito foi ignobilmente explorada pelo governo fascista no sentido de criar num povo, mantido num estado de atraso material e intelectual deplorável, a ideia do guia esclarecido e incontestável na defesa dos interesses da Pátria.
A partir daqui todas as conquistas dos povos na sua marcha para a liberdade foram classificadas e apresentadas como passos na degradação dos valores tradicionais, como maquinações de diabólicos inimigos, fomentando-se o individualismo pessoal e o isolamento nacional como últimos baluartes da dignidade Humana.
À sombra desta enorme mistificação incentivou-se e desenvolveu-se o capitalismo mais retrógrado, num proteccionismo feroz, na exploração desenfreada das massas trabalhadoras e no comprometimento da Independência Nacional.
O fascismo português atingiu um tal grau de contradições que, criado pelo capitalismo, para seu serviço, acabou por se tomar um obstáculo ao desenvolvimento desse mesmo capitalismo, ao ponto de originar uma boa aceitação do 25 de Abril pelos seus sectores mais avançados.
Nesta perspectiva há que estar atento à realidade de que, se o fascismo foi derrubado em Portugal, as forças capitalistas não desistiram nem desistirão facilmente de tentar recuperar as suas condições de expansão.
Perdidas as esperanças no 25 de Abril como factor de readaptação a novos condicionamentos, o ataque desencadeou-se, como o provam as diversas crises atravessadas até ao 11 de Março, e continuará a desenvolver-se utilizando formas mais subtis e menos detectáveis ao nível do Povo Português.
É preciso que as classes trabalhadoras estejam conscientes dos novos perigos, que olhem a realidade de frente para além dos programas aliciantes e das propostas brilhantemente demagógicas. Os amigos, bem como os inimigos, revelam-se na prática diária e não através de verbalismos estéreis. A marcha dura dum processo político difere substancialmente do deslizar dos sonhos.
A nossa luta desenvolve-se em torno do que «é» e não do que gostaríamos que fosse. Os povos só se libertam pela luta intensa, incansável e de todos os dias contra a opressão. Quando se cansam, perdem. Para que a luta triunfe é necessário que o povo tenha consciência da sua exploração e também de quem o explora e como o explora. Só assim são aceitáveis os sacrifícios que a revolução pede, só assim aparece claramente projectado o inimigo do Povo.
Sob pena de que a revolução se perca, o Povo Português tem de saber distinguir as suas verdadeiras opções e estas são:
— Revolução ou reacção.
Não se põem neste momento, tal como desde o início, questões de pormenor. Não estamos perante problemas que digam respeito à roupagem da via para o socialismo. Tais questões podem levantar-se para camuflar o problema de fundo, para criar divisões entre os trabalhadores, para confundir as mentes. Mas o problema é ainda:
— Socialismo ou capitalismo.
O MFA não faz revoluções contra o Povo, nunca na História se fizeram revoluções contra a vontade do Povo; o que por vezes aconteceu foi classificar-se de revoluções as readaptações das classes dominantes, mas é preciso que a vontade do Povo coincida com os interesses do Povo, sem o que, essa vontade pode tornar-se objectiva e inconscientemente contra-revolucionária.
Os trabalhadores portugueses foram desde 25 de Abril de 1974 os grandes geradores da energia da revolução, sem a qual nunca se teria materializado a união POVO-MFA. Seria trágico que esses mesmos trabalhadores comprometessem todo o processo, admitindo no seu seio o divisionismo, deixando galopar o oportunismo político, lutando entre si por questões de pormenor ampliadas artificialmente para servir interesses que não são os interesses do Povo Português.
Uma revolução, por mais pura que seja a linha teórica, não sobrevive à completa degradação económica e, particularmente, a economia portuguesa não comporta mais encontrões. Quem são as vítimas principais e quem recolhe os benefícios da desintegração económica do País? É suficientemente claro, e os trabalhadores devem analisá-lo com a cabeça fria.
A consciência revolucionária do Povo, demonstrada em 28 de Setembro e em 11 de Março não deve permitir que se deixe espartilhar a revolução por baias imediatas e exclusivamente utilitárias.
Uma revolução no sentido do socialismo, como a nossa, implica o controlo progressivo dos meios de produção pelos trabalhadores bem como a garantia de que as mais-valias criadas se aplicam em benefício da colectividade. Implica também a existência duma democracia real, aberta a todas as liberdades, excepto à liberdade de explorar. Nenhuma via socialista pode assentar em benefícios salariais imediatos, nenhum povo revolucionariamente consciente pode centrar a sua luta sobre o empolamento reivindicativo de tais benefícios.
Temos uma necessidade premente de construir um aparelho produtivo sólido e o MFA tem dado sobejas provas de que esse aparelho não será posto ao serviço de classes privilegiadas mas sim ao serviço da colectividade.
A conjugação da vontade do MFA com a iniciativa criadora dos trabalhadores permitirá caminhar seguramente e eliminar à partida qualquer equívoco sobre o processo.
Para além disto, reivindicar o que a economia nacional não tem capacidade para conceder, e a economia nacional é, fundamentalmente, o somatório da economia das empresas; só poderá conduzir à contra-revolução em detrimento dos trabalhadores. E a contra-revolução, perante uma economia deteriorada, não pode deixar de desembocar no totalitarismo fascista, esse mesmo fascismo que a Europa varreu em 1945 e que não queremos que regresse à nossa Pátria.
Vivam os resistentes portugueses anti-fascistas! Vivam os resistentes anti-fascistas dos países amigos que vieram até nós!
Vivam a Paz e a Amizade entre os Povos de todo o mundo!

quinta-feira, setembro 26, 2019

Dia Internacional para a eliminação das armas nucleares


Divulgamos e apoiamos o Comunicado do CPPC

Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares - 26 de Setembro


Desde 2013 que o dia 26 de Setembro é, por decisão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares.
Reputados cientistas alertam que a explosão de apenas um por cento das armas nucleares operacionais hoje existentes no mundo equivaleria a cerca de 4000 vezes a energia libertada pela bomba atómica lançada pelos EUA sobre Hiroxima, em 1945.

Uma explosão nuclear provoca a destruição massiva quer de seres vivos quer de estruturas inertes. Pela conjugação de diferentes efeitos, pode conduzir a morte imediata mas também a sequelas desfasadas no tempo, que afetam a saúde, quer em resultado da exposição direta às radiações quer pelos efeitos da contaminação do meio ambiente resultante da disseminação de poeiras radioativas.

Em consequência da deflagração nuclear, podem ser geradas temperaturas de vários milhares de graus Celsius na zona do impacto bem como ventos com velocidades que podem exceder 1000 quilómetros por hora. Estes efeitos levam à formação de tempestades de fogo de enorme poder destrutivo.

Alertando ainda que uma conflagração nuclear, mesmo de carácter regional ou continental, terá efeitos duráveis sobre o ambiente, conduzindo a alterações globais catastróficas no plano da meteorologia que poderão persistir por vários anos. Para lá da ação destrutiva direta das explosões nucleares, dos efeitos imediatos e dos efeitos prolongados da emissão de radiações e das poeiras radioativas, as alterações meteorológicas associadas ao chamado “inverno nuclear” – diminuição prolongada e importante das temperaturas médias no meio ambiente devido à ocultação da luz solar pelas cinzas projetadas para a alta atmosfera – reduziriam a duração ou eliminariam os períodos férteis de crescimento das plantas durante anos, levando a maior parte dos seres humanos e outras espécies animais a sucumbir à fome.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), herdeiro dos movimentos em defesa da paz surgidos no início da década de 50 do século XX – que tiveram precisamente na exigência do fim das armas atómicas uma das suas mais importantes causas e no Apelo de Estocolmo a sua maior expressão –, apoia desde sempre essa reivindicação que é tão importante para o assegurar da paz mundial e o futuro da Humanidade, e que tem hoje no Tratado de Proibição de Armas Nucleares um significativo instrumento para a sua concretização.

Este Tratado, negociado em 2017 por uma conferência das Nações Unidas e aprovado então por 122 países, necessita de ser ratificado por mais de 50 estados para entrar em vigor – até ao momento já foi assinado por 70 estados e ratificado por 26. Nenhuma das potências nucleares ou membros da NATO assinou ou ratificou este Tratado, sendo todo o processo marcado por múltiplas pressões para a sua não subscrição, vindas sobretudo dos Estados Unidos da América.

O CPPC lançou uma petição pela assinatura e ratificação deste Tratado por parte de Portugal, que recolheu mais de 13 mil assinaturas, entregues na Assembleia da República, que a debateu no passado mês de Julho.

Chamados a pronunciar-se sobre projetos de resolução que concretizavam o essencial do conteúdo da petição, PS, PSD e CDS votaram contra a adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares, optando por manter o País amarrado a «compromissos internacionais» que colidem abertamente com o interesse de Portugal, a aspiração pela paz por parte do povo português e com o espírito e a letra da Constituição da República Portuguesa – que, entre outras matérias, pugna pelo «desarmamento geral, simultâneo e controlado» e pela «dissolução dos blocos político-militares».

O CPPC considera que os desenvolvimentos mais recentes da situação internacional, nomeadamente o desenvolvimento de nova tecnologia de armamento nuclear e a desvinculação unilateral por parte dos EUA de acordos e tratados internacionais que visam a contenção de armamento nuclear, tornam ainda mais urgente a exigência da erradicação total das armas nucleares e de destruição massiva, a bem da sobrevivência da Humanidade e da vida no planeta.

A adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares constituirá um importante contributo a favor da paz e do desarmamento!

Direção Nacional do CPPC