domingo, agosto 19, 2007

UMA HISTÓRIA DE AMOR ou DE (S) ENCONTROS - 13

Ela, ao tear,
tecendo, tecendo
(melhor que Penélope)


Ela tornou pública, às chefias, a decisão de ficar a sexta‑feira no estrangeiro e não vir trabalhar, nem se importando que isso lhe fosse descontado nos dias de férias. É que, fazendo assim, beneficiava do fim-de-semana e, para a empresa, a vantagem ainda seria maior porque o bilhete do avião custava muito menos se ela só regressasse no domingo em vez da sexta.

Os responsáveis pela gestão só podiam achar muito judiciosa a decisão, e ela nem pensasse nisso de descontar o dia nas férias.

Por acaso, só por acaso, claro..., com a agência de viagens arranjou um voo para Bruxelas, partindo na quarta à tarde, chegada a Bruxelas a tempo de jantar, ida e volta de comboio a Roterdão na quinta-feira, regresso a Lisboa no domingo à noite.

Tudo a correr como projectado. Como entretecido, como quem faz malha.


Ele, viajando,
conspirando, conspirando
(melhor que aquele das intentonas)

Chegou o fim-de-semana antes do "dia D" (bis).
No habitual regresso de Bruxelas, lá veio ele com uma lembrança embrulhada “en cadeau”, para mostrar que estava sempre a lembrar‑se. E foi o encontro e as conversas a correrem como se nada de especial estivesse para acontecer ou a preparar‑se.

Um fim-de-semana igual a muitos outros. Acordar e levantar tarde – o que nem sempre coincidia –, cinema no sábado, às vezes teatro na matinée de domingo.

Um jantar agradável, calmo, pelo meio. Alguma televisão. Deitar só quando lhes chegava a vontade. Para o encontro dos corpos, para o amor que, ao fazer-se, os rejuvenescia, os reencontrava a cada um e aos dois, lhes lembrava como se amavam.

Contando‑se, depois, aquela graça, que ele insistia em repetir, de que um casal é jovem enquanto não tem alternativa: adormece sempre tarde! Ou porque se deita tarde, ou porque, deitando‑se cedo, acaba por adormecer tarde.

4 comentários:

Maria disse...

Também de Bruxelas a Roterdão é um pulinho.... e os combóios são bons e pontuais!
Não posso deixar de sorrir com a última frase da parte "ELA"...

Somos jovens enquanto o nosso espírito é jovem...
Soube-me a pouco....

o autor disse...

Ou bem que é interactivo ou que não é, n'é? Tudo isto é uma trama... Obrigado, Maria!
Quanto à... juventude, tenho uma "teoria" já muito plagiada (!): é-se jovem quando (e enquanto) se tem mais projectos que memórias, logo, como dizes, quando o espírito o está.
No caso de "uma história de amor...", e neste episódio, trata-se da juventude de um casal, de um par, como dois que vão para a cama... e adormecem logo ou sempre tarde. É diferente!

Mar Arável disse...

TUDO CERTO.AVANÇA.

GR disse...

“…como se nada de especial estivesse para acontecer... “ e o 6º sentido "delas"?
Será que "ela" também o tem?

GR