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segunda-feira, agosto 16, 2010

Acompanhando a evolução do PIB

É verdade que aqui há uns tempos decretei a minha reforma de economista. Para me dedicar a outras "artes". Mas não me deixam, melhor (ou pior!): não me deixo, desautorizo-me é o que é...

E lá vou acompanhando estas coisas, até com as estatísticas que saem do INE.

Por isso, actualizei-me nas informações e nos comentários, como nesta declaração do PCP sobre a evolução do PIB.

Mas não me fico por aí. Gosto de elaborar uns gráficos... e tal e coisa. E como não sou cioso, e não guardo nada (ou muito pouco) para mim, aí vão eles para acompanharem a eventual (e útil) leitura.

INE - PIB (estimativa rápida - 45 dias)

2006 = 100

segunda-feira, julho 19, 2010

Previsões económicas "à la carte"... - 6

Tenho de parar com esta série de "mensagens" sobre as previsões económicas a partir da divulgação das que o Banco de Portugal tornou públicas este mês, relativamente ao verão de 2010, e referindas aos anos de 2010 e de 2011.
O material daria para continuar… mas é preciso não exagerar. No entanto, também não devo terminar sem umas breves notas sobre as linhas relativas à "procura interna" e ao "investimento".
A "procura interna" já foi abordada por confronto com as "exportações", mas ainda se pode acrescentar que as "previsões de verão" são piores para 2010, quer relativamente às anteriores do Banco de Portugal, as "da primavera", quer relativamente às do governo, e são substancialmente piores para 2011, também em relação às duas anteriores previsões.
Mas as previsões quanto a "investimento", que bem se pode considerar nuclear, sobretudo numa perspectiva de crescimento económico, de aproveitamento dos recursos, são as mais (diria) desastrosas pois, se parece haver uma recuperação nas "previsões de verão" para 2010 relativamente às "da primavera" substancialmente melhor (passando de uma previsão de queda de 6,3% para -3,3%); a alteração relativamente às previsões do governo para este ano é substancialmente negativa (de -0,8 para -3,3%) e as duas correcções para 2011 são também substancialmente negativas (de +0,3% para -1,6, nas previsões do Banco Portugal, e de +0,9% para -1,6% das previsões do governo para as "de verão" do BP, acabadas de sair).
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Aqui, na análise destas previsões relativamente ao "investimento" está, seguramente. uma questão-chave da economia (e da sociedade) portuguesa.

domingo, julho 18, 2010

Previsões económicas "à la carte"... - 5

Estava ocupado – e (pre)ocupado – com estas previsões todas, o seu significado real e o seu aproveitamento desinformativo, entremeadamente com outras leituras de fim-de-semana, quando tropecei na crónica periódica do Expresso-Economia de um ex-ministro de “governo socialista”, Daniel Bessa (DB). Nessa crónica, que sempre leio, o economista-financeiro também pega, naturalmente, nas “previsões” do Banco de Portugal, ilustrando a subjectividade de critérios que tenho referido.
Para DB, o busílis está nas exportações, tomando como dado inalterado - e inalterável - que o “o mercado interno estará estagnado”. Trata-se de uma premissa político-ideológica, a que acrescento que, nessa opção, estará estagnado, quer no volume quer na sua monetarização, mas não na sua composição uma vez que as desigualdades sociais tenderão a agravar-se a partir de uma situação de dispersão de rendimentos (resultante da sua dispersão, a maior da União Europeia, ao nível da dos Estados Unidos) já muito grave.
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Mas detenhamo-nos nas "exportações".
Para 2010:
  • nas “previsões de verão” do BP - +5,2%;
  • nas “previsões da primavera” – +3,6%;
  • nas previsões do governo - +4,3%
    o que me leva a “classificar”, num caso como substancial melhoria, noutro como melhoria.

Já para 2011:

  • nas “previsões de verão” do BP - +3,7%;
  • nas “previsões da primavera” – +3,7%;
  • nas previsões do governo - +5,4%
    o que me leva a "classificar", num caso como confirmação (um dos 3 casos em 32), noutro como substancial pioria.

O verdadeiramente importante é que, para se cumprirem-se estas previsões sobre "exportações", no quadro das outras, isso significaria uma crescente e desastrosa maior dependência da economia portuguesa das economias externas, com continuado menosprezo pela economia produtiva e procura interna. Com as consequências que conhecemos.

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"Não conseguimos resolver problemas

usando o mesmo tipo de pensamento que usámos

quando os criámos" (Einstein)

Previsões económicas "à la carte"... - 4

As previsões "à la carte" revelam um "restaurante" à rasca...
Valem o que valem mas denunciam uma grande falta de rigor escondida atrás do "número exacto", ali certinho até às décimas de percentagem.
E mostram, também, o "ambiente" em que estamos a viver, as condições em que a luta se está a fazer e tem de continuar. Particularmente aquelas condições que se pretendem impor subjectivamente, através de campanhas de "informação".
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O "restaurante" está à rasca, desculpem o plebeísmo a este plebeu...
Das 32 comparações a partir das "previsões de verão" do Banco de Portugal, acabadinhas de ser públicas, com as previsões anteriores da mesma fonte e as mais recentes do governo (já nem falo das do PEC-1, de Março), apenas 3 coincidem como já sublinhei no "post" anterior, isto é, servem de confirmação, mas
  • 4 são substancialmente melhores;
  • 6 são melhores;
  • 7 são piores;
  • 12 são substancialmente piores,

Esta "classificação" resulta, evidentemente, de critério pessoal. Subjectivamente, avalio que a previsão do consumo privado, para 2010, de um crescimento de 1,3% vindo de 1,1% nas previsões da primavera, representa uma melhoria, e que, para 2011, uma diminuição de 0,9% (-0,9%!) corrigindo previsões de +0,3% nas previsões da primavera e de +0,5% nas previsões do governo (e +0,8% no PEC-1!) é piorar substancialmente.

Haverá quem assim não ache, pois considerará que o mal (ou um dos males) da economia portuguesa está no excesso de consumo privado, pelo que estas correcções nas previsões mostrariam que, neste aspecto, se vai no bom caminho, para o que muito contribuiria a sempre presença contenção salarial...

Que haja parte da população que, privadamente, consuma demais, estou inteiramente de acordo, mas que uma quebra de previsão de 0,8% de acréscimo do consumo privado médio dos portugueses em 2011 (PEC-1, em Março) para -0,9% (neste Julho) é, dados os actuais níveis de vida absolutos e relativos da população portuguesa, mais que substancialmente pior, é assustadoramente mau! Até porque esta quebra, a verificar-se, não será na parcela da população que, privada e egoisticamente, consome demais, mas na grande maioria da população que, privada e dificilmente, já (ou ainda) consome de menos.

Previsões económicas "à la carte"... - 3

Antes de passar a coisas mais sérias, ainda mais uma observação nesta denúncia da falibilidade do que nos apresentam com o o falso rigor do "número certo".
Das "previsões de verão" do Banco de Portugal podem extrair-se 8 indicadores (sobre PIB, consumos privado e público, investimento, procura interna, exportações. importações e inflação).
Pois, cotejando essas previsões com as "previsões da primavera" e com as do governo, temos (4x8) 32 previsões para 2010 e 2011. Dessas 32 previsões, apenas em 3 casos - das exportações de 2011 nas duas previsões do BP, do consumo privado de 2010 e das taxas médias de inflação para 2011 nas "previsões de verão" do BP e nas do governo - há coincidência. Ou seja: em 29 de 32 previsões não há coincidência, cada um dos três que prevêm dá um número.
Parece-me um bocado exagerado, mesmo para mim que tenho todas as reservas sobre os números exactos, que considero a negação do rigor.
Acrescento, no entanto, que não culpo os técnicos. Seria como avaliar os cozinheiros pela qualidade de uma omolete ignorando o s fornecedoree dos ovos e a frescura destes, e os ingredientes postos à disposição pelos donos do restaurante.

sábado, julho 17, 2010

Previsões económicas "à la carte"... - 2

Depois de uma primeira vista, mostrando como o cardápio é mesmo "à la carte", e que o senhor 1º Ministro se queixa daquilo que ele próprio pratica sem qualquer pudor, veja-se, para (re)começar, a qualidade dos "pratos do dia" nesta ementa.
Pelo que já se disse, relativamente ao PIB, que é indicador relativo ao produto, viu-se que as "previsões de verão" do Banco de Portugal, vieram corrigir as "previsões da primavera" e não coincidem com as do governo.
Para 2010, temos:
  • BP-"verão" - +0,9%
  • "primavera" - +0,4%
  • "governo" - +0,7%

Para 2011:

  • BP-"verão" - +0,2%
  • "primavera" - +0,8%
  • "governo" - +0,5%

Mas a estes números podem juntar os de outras previsões conhecidas:

Para 2010:

  • FMI - +0,3%
  • OCDE - +1,0%
  • Comissão UE - +0,5%

Para 2011:

  • FMI - +0,7%
  • OCDE - +0,8%
  • Comissão da UE - +0,7%

Em resumo: para 2010, em 6 previsões há 0,3%, 0,4%, 0,5%, 0,7%, 0,9% e 1,0%; para 2011, em 6 previsões, há 0,2%, 0,5%, e 2 vezes 0,7% e 0,8%. Ou seja, em 12 previsões, há 8 nºs. diferentes, entre 0,2% e 1,0%, com uma estranha falha do 0,6%!

Vou descansar um bocadinho, para recuperar credibilidade. No entanto, ainda diria que, para mim, e sem querer inventar nada (ou desacertar muito...), diria que o crescimento do PIB português deverá situar-se, em 2010, entre 0,3% e 1,0%, e, em 2011, entre 0,2% e 0,8%!

Como dizia, e digo!, a alunos meus, "em economia, se alguém vos vier, cheio de falsa sapiência, atirar com números certos, exactos, às décimas ou centésimas, está a enganar-vos!"

Previsões económicas "à la carte"... -1

... mas num restaurante rasca.
Sairam as previsões de verão do Banco de Portugal. E, delas, logo o governo aproveitou, relativamente às previsões da primavera, a melhoria no PIB de 0,4% para 0,9% para 2010, como se diz prever, e Sócrates usou e abusou desses números com o seu proverbial desplante, no seu irrisório apelo à confiança.
Mas o cardápio, embora nada aliciante, tem outras linhas, quer relativamente a 2010, quer relativamente a 2011, e logo a mesma escolha do PIB, mas para 2011, daria uma desconfortante quebra (para não dizer mais) de uns fracos 0,8% primaveris para uns quase nulos 0,2% neste mês de Julho.
Tudo isto será merecedor de algum aproveitamento que ilustre como se faz política e se informa o povinho.
Irei deixar três ou quatro mensagens sobre "ementas de previsões" e a falta de rigor, quer no cálculo, quer (menor ainda) na sua utilização.
Desculpem lá a aridez e a sensaboria do cardápio.