segunda-feira, janeiro 17, 2011
Um retrato
domingo, janeiro 16, 2011
Sobre o FMI
Em 1944, ainda não terminara a guerra de 1939-45, realizou-se, em Bretton Woods, uma Conferência Monetária… ocidental. De onde resultou a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD).
Os mecanismos e organismos criados em Bretton Woods, antecipando-se pouco mais de um ano, ao criminoso lançamento das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaqui, de Agosto de 1945, foram, de certo modo, uma "bomba atómica de AP (acção prolongada)" para terapia do funcionamento da economia (e das finanças) cada vez mais internacional.
Para me actualizar, reli uma notável conferência de A. Ramos Pereira, de 1954, Organismos Económicos Internacionais – de Bretton Woods à U.E.P. (União Europeia de Pagamentos), no Sindicato Nacioal dos Comercialistas.
A que, obviamente, voltarei. Como é tão oportuno, passados 57 anos.
Do mundo do(s) outro(s) e do mundo nosso
Quisera que o real e a análise mo dessem
Cesário Verde
O sentimento dum Ocidental
Uma palavra e um gesto de cada um de nós, na aparência – e na realidade mundivivida –, não vale nada, se dita a palavra no cerco do silêncio, se feito o gesto no meio do vazio, se numa mundivivência isolada, solitária (se as há…). Chame-se esse homem ou essa mulher Carlos Marques ou Eva Curie, Maria Sem Mais ou Zé Ninguém. Mas, mesmo nesses casos, extremos e irreais, esse gesto e essa palavra é insubstituível. Porque só aquela Eva Curie, aquele Carlos Marques, aquele Zé Ninguém, aquela Maria Sem Mais, poderia ter feito o gesto que cada um deles fez, poderia ter dito a palavra que cada um disse.
E todas as vidas de cada um/uma são paralelas, no tempo em que tenham sido vividas. Por mais separados os tempos e os espaços, por mais se que se prolonguem, estão sempre a encontrar-se, a cruzar-se. Algumas, evidentemente mostrando como há o mundo de uns e como há o mundo de outros. E como esses mundos são o mesmo mundo.
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O bebé a que deram o nome de Aníbal nasceu lá para o Sul, ainda nos anos 30 do século passado. De família que, como então se dizia, seria remediada, ou, noutra terminologia, em meio pequeno-burguês.
“Fez os estudos” que essa condição social lhe permitiam e habilitou-se para a vida com a profissão de economista, segundo carta de curso e licenciatura tirada no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, o ISCEF, completado com doutoramento.
Por sua natureza (cromossomas?) e por força das circunstâncias que suas foram, “integrou-se” no “regime político” vigente, isto é, aceitou-o como bom e nele decidiu fazer a sua vid(inh)a, nem que fosse preciso ir “patrioticamente” para guerra colonial, cheio de cautelas com o seu “cabedal”, e nem que fosse indispensável preencher formulários em que tal afirmasse, e em que mais aproveitasse para dizer, desnecessário mas que, eventualmente, pudesse ajudar a mostrar a sua fidelidade aos valores e procedimentos do referido “regime político”, que fascista era, mesmo que tantos lhe escondam o nome apesar do comprimento da cauda.
Depois, dadas as mudanças… “integrou-se” no novo “regime político” pós-fascista, porque havia que fazer pela vid(inh)a, e ter-se-ia "integrado", embora a contra-gosto, se a evolução das coisas tivesse sido outra e não aquela que mais lhe convinha.
Foram as circunstâncias que o atiraram para um palco e para um discurso que teria sido o seu 13 de Maio ou de Outubro. Discurso que nem vale o sacrifício de ser lido.
No momento certo, com a postura ajustada, mostrou ser o homem que servia. E dez anos de 1º ministro serviu. Fazendo o que era preciso ser feito. Enchendo-se de si, e apetece acrescentar… de coisa nenhuma. Porque daquilo a que se chama cultura, um zero. À esquerda. Porque, entretanto, ia amealhando outros zeros. À direita.
Esgotado esse magistério, a outro voltou, ao propriamente dito, ou pelo menos assim o afirma, agora, quando se declara “um mísero professor”. Não sem que antes tenha tentado o que só dez anos depois conseguiu, ser Presidente da República, com uma derrota cuidadosamente apagada da biografia que convém mostrar de grande talento político, sempre vencedor.
Nesse interregno, ter-se-á dedicado a acções mais rentáveis. Acções de aplicação e multiplicação do amealhado. É uma zona de sombra, até porque a sua memória tem uma selectividade que o faz esquecer muitas coisas. Coisas que, como é de bom tom dizer, se não devem vasculhar porque são da vida privada de cada um, a que todos têm direito. E não tenho – eu, que não ele… – nada mais a dizer.
O que se conhece, mau grado desejos e vontades, sãos resultados. Alguns. E os resultados que se conhecem são por demais elucidativos. De carteira de títulos, de acções, obrigações e fundos de investimentos, sabe-se e publica-se um total de mais de 200 mil euros. De “bens ao luar”, há a amostra de uma vivenda avaliável para as centenas de milhar (quantas centenas não é possível dizer por causa dos... esquecimentos selectivos). E não adiciono mais, que uma investigaçãozinha fina facultaria, porque não me quero meter na vida do meu colega, nem nas suas amizades, frequentações, vizinhanças. (lembro, irresistivelmente, o livro de de Laclos e o filme francês (com o Gérard Philippe) e o dos EUA, Ligações Perigosas...)
Aqui, faço a "ponte" para uma outra vida. Que é a minha. Que apenas serve de contraponto. De um mundo outro. De uma vida outra. E por ser evidentemente paralela.
Também nasci nos anos 30; também em “família remediada”; também fiz estudos com sacrifício de meus pais; também me licenciei no ISCEF; também me doutorei; também tenho uma pensão de reforma que soma anos de trabalho em empresas, em função pública, de professor universitário; também tenho vida política activa, com cargos e encargos.
Chega para o paralelismo? Acho que até é demais…
Agora, as diferenças:
Por minha natureza (cromossomas?) e circunstâncias que minhas foram, ainda na Universidade “desintegrei-me” do “regime político" vigente, entendi ser meu dever de cidadão, e para com os meus concidadãos, lutar contra o fascismo e, ao longo dos anos, sofri-lhe as consequências; terei nascido segunda vez (mas já era honesto!…) em 25 de Abril de 1974, até porque só depois dessa data me foi possível ser muita coisa que sou e sempre fui – livre, disponível para representar os outros, professor.
Como profissional, fui sempre bem remunerado, particularmente em missões em organismos internacionais das Nações Unidas, sempre vivi com alguma folga em relação às minhas necessidades, e sempre apliquei o que sobrava (por vezes, pisando riscos) em acções outras que não as de benefício próprio, procurando ajudar a luta contra o fascismo e o colonialismo, promover a informação e a comunicação, incentivar cultura, sobretudo através da edição e divulgação.
Vivo numa casa que é onde meu pai nasceu, em 21 de Janeiro de 1898, em que apliquei algum pecúlio para tornar habitável no século xxi, de acordo com o meu nível de necessidades, tenho um automóvel com 14 anos que vai servindo para o que o dele quero, viajo o mais que posso (que podemos… porque a dois o fazemos e com contas "a meias") para conhecer terras e gentes, tenho um depósito bancário à ordem que me serve de almofada, ou de segurança, e que me faz ter de recusar frequentes propostas de “gestores de conta” que não escolhi e a quem nunca dei instruções ou aceitei conselhos, decerto bem intencionados.
Sinto-me realizado. É o meu mundo. O mundo nosso. De antes e de depois de nós.
Há o outro mundo. O do(s) outro(s). Em que alguns se comprazem. Ignorando ou esquecendo o que lhes aconterá a médio prazo, como Keynes lembrou aos economistas.
O comício de Lisboa da candidatura de Francisco Lopes

a maior iniciativa da campanha eleitoral
domingo, 16 de Janeiro de 2011
Mais de 6 mil participantes animaram, com entusiasmo, alegria e determinação, o comício deste domingo em Lisboa, manifestando assim o seu apoio à candidatura de Francisco Lopes.
Na sua intervenção, o candidato fez um forte apelo à mobilização para o voto na sua (e nossa!) candidatura.
sábado, janeiro 15, 2011
Finalmente... uma ideia!
Mas Francisco Lopes é que - surpresa!!!... - lhe deu a resposta acertada, mesmo na "mouche", ao afirmar, sobre tal escavacada proposta, que o que importaria saber era se tal ideia estava "ao serviço do aproveitamento dos recursos ou da sua liquidação"; e Francisco Lopes recordou que "nas décadas de 80 e 90 já houve ministério do Mar" afirmando que, na altura "grande parte da nossa frota pesqueira" foi destruída.
Para Francisco Lopes, aproveitar os recursos marítimos não pode ser sinónimo de "um género do loteamento dos recursos da nossa área marítima, e de a vender a patacos, como alguns fizeram no passado".
"Alguns, quando falam do mar, hoje, não é para o seu aproveitamento ao serviço dos interesses nacionais, é porque vêm nele mais uma área de negócios", acrescentou.
E eu acrescento, abusando da "qualidade" de mandatário: ou ligado à... Defesa Nacional, que não é nem defesa nem nacional!
Ex-citação... por memória para o futuro
É altura de voltarmos a nossa atenção para o candidato presidencial Francisco Lopes. Tem toda a razão: o problema de crescimento do país só se resolverá se voltarmos à produção de bens e serviços que os comilões da UE nos forçaram a abandonar. Lá se diz: com subsídios e bolos se enganam os tolos. O país precisa de uma agricultura que satisfaça o déficit alimentar, precisa de uma boa frota de pescas e explorar o mar.
O único candidato que pretende romper com a subserviência a esta Europa da desgraça é Francisco Lopes. Foi uma surpresa. Para ele, esta magnífica canção do TRIO enquanto dura a pausa do fim de semana.
Ainda por Viseu
sexta-feira, janeiro 14, 2011
África - a segunda vaga
Indo nós a caminho de Viseu
Como sempre, "até que voz me doa" (tanto que me impeça de falar), até que o corpo se recuse, foi só acertar agendas. "Com uma imensa alegria" (como dizia o Joaquim Pires Jorge, e é o título do livro sobre um bocadinho da sua vida e que, mesmo assim, vale bem a pena ler...), com o prémio de se ter arranjado forma de "meter o Samuel na festa", talvez repetindo experiências para mim inesquecíveis (sou um frustrado homem de teatro...), em Alpiarça (em que "actuámos a duo") e na Póvoa de Sta. Iria (com a Maria Ermelinda a compor um trio).
Com que então "A quem serviu a nacionalização do BPN" e "Porque defendem os grandes grupos económicos a intervenção do FMI em Portugal"?
Isto é cá um caderno de encargos! A primeira questão poderá "arrumar-se" com alguma "economia" de tempo, mas já a segunda é muito mais exigente e, para começar, seria preciso explicar o que é o FMI, como, quando e para quê foi criado, ao que tem servido desde a conferência económica realizada em Bretton Woods em 1944, ainda não tinha terminado a guerra. Bom... não sei quanto tempo estarão os camaradas de Viseu dispostos a aturar-me mas, pelo meu lado, também não poderei ficar por lá muitos dias porque a agenda está carregada...
E tem de sobrar tempo para ouvirmos o Samuel, o que é um grande estímulo, juntando o útil ao agradável!
Vamos ver o que se pode fazer.
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Porque é bom lembrar!
É um excelente texto (que pode ser lido integralmente aqui), e dele retiro este parágrafo da transcrição da despudorada "confissão" de Mário Soares:
«Depois do caso República - e no período mais agudo do PREC - conspirei activamente, em nome do PS, com o chamado Grupo dos Nove, no restaurante Bordalo, onde me encontrava praticamente todas as semanas com Victor Alves, Vasco Lourenço, Melo Antunes, Victor Crespo, Costa Brás e com o saudoso comandante Gomes Mota, entre outros. E mais tarde em casa do Jorge Campinos, contra o golpe que os comunistas e os esquerdistas preparavam para impor o "poder popular". Foram vencidos em 25 de Novembro de 1975, do qual resultou a normalização democrática da Revolução».
- antes do "caso República", já Soares conspirava contra o que ele chama PREC, e que são as iniciais de processo revolucionário em curso, talvez não o fazendo "activamente, em nome do PS" mas subversivamente em seu nome pessoal e dos interesses que servia com a sua conspiração, evidentemente contra-revolucionária. Aliás, a montagem do "caso República", aquela encenação burlesca ou soaresca, foi um exemplo de conspiração contra-revolucionária;
- como muito bem esclarece Fernando Samuel, «Já em relação ao aludido "golpe dos comunistas", Soares continua a fugir com a bochecha à seringa, assim escondendo, com um golpe inventado, a série ininterrupta de golpes a que ele e os seus correligionários e afins, a mando dos seus patrões, estiveram ligados.
Designadamente o 25 de Novembro, do qual resultou esta «normalização democrática» em que vivemos hoje: com a independência do País nas patas dos grandes da Europa e do mundo, com a aparelho produtivo destruído... com o desemprego, a precariedade, os salários em atraso, os cortes nos salários, o congelamento das pensões e reformas... com os PEC's todos, o OE, a pobreza, a miséria, a fome... e com o FMI a preparar-se para invadir e ocupar Portugal.»
Esta chamada (por Mário Soares) «normalização democrática da Revolução"», NÃO!, nem obrigados.
É 3 em 1 porque não é normalização, não é democrática, é contra-revolucionária.
Mas é bom lembrar os conspiradores que estão na sua origem! E quando são eles a fazê-lo, melhor.
"balanços" - 2
No sapo-on line organizaram-se:
Nos dias 10 e 11 de Janeiro, os mandatários dos candidatos à Presidência da República vão estar aqui para responder em directo às perguntas mais votadas pelos utilizadores do SAPO. Participe!»
- candidato Manuel Alegre (mandatário Jacinto Lucas Pires) - resposta a 13 perguntas e questões;
- candidatura de Francisco Lopes (mandatário Sérgio Ribeiro) resposta a 27 das 81 perguntas e questões que lhe foram colocadas (é o único número do total de perguntas e questões colocadas a quem tinha a tarefa de responder que conheço)... porque não houve tempo para mais;
- candidato Defensor de Moura - resposta a 10 perguntas e questões;
- candidato Cavaco Silva (mandatário Diogo de Vasconcelos) - resposta a 17 perguntas e questões;
- candidato Fernando Nobre - na manhã de hoje, 13, continuava afixado:
- Próximos Debates
Fernando Nobre - brevemente
Veja as diferenças!
Não fomos nós que o dissemos...

Krugman: Juro do leilão de OT de Portugal é “ruinoso”
Económico com Lusa
13/01/11 07:00
O Nobel da Economia alerta que mais sucessos como o do leilão português de ontem e a periferia europeia será “destruída".
Na apreciação que Paul Krugman faz no seu blogue, o economista considera a taxa de juro do leilão da dívida pública portuguesa "pouco menos que ruinosa".
Portugal colocou hoje no mercado 1.249 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidades a 10 e a 4 anos. Nos títulos a 10 anos, a taxa média ponderada baixou para 6,716% face aos 6,806% observados no leilão anterior. Nessa maturidade foram emitidos 599 milhões de euros, tendo a procura superado em mais de três vezes a oferta. Já nos títulos a 4 anos, os juros dispararam para 5,396% face aos 4,041% do leilão anterior comparável. Nesta maturidade foram dadas ordens que superaram em 2,6 vezes o montante da oferta, tendo sido emitidos 650 milhões de euros.
Em reacção, o primeiro-ministro considerou a colocação da dívida "um sucesso, qualquer que seja o parâmetro pelo qual se analise".O leilão foi "um sucesso na procura e um sucesso no preço, e isso é a melhor demonstração de confiança na economia portuguesa por parte dos mercados", sublinhou José Sócrates, à entrada para a Heimtextil, em Frankfurt.
No seu comentário, Krugman afirma que "considerar um sucesso a capacidade de Portugal colocar obrigações a dez anos a uma taxa de juro de 'apenas' 6,7% diz alguma coisa do profundo desespero da situação europeia".
O Nobel argumenta que, "se se pensar sobre a dinâmica da dívida, uma taxa de juro tão alta é pouco menos que ruinosa". Adianta, porém, que "não é, de facto, tão má como as pessoas estavam à espera na semana passada, daí o sucesso". Mas alerta: "Mais alguns sucessos e a periferia europeia será destruída."
No início do dia de quarta-feira, antes do leilão que se realizou durante a manhã, a Bloomberg citava o Financial Times alemão para divulgar que a Comissão Europeia e o fundo de resgate europeu estavam a preparar uma ajuda a Portugal que poderia chegar aos 100 mil milhões de euros se fosse necessária. Pormenorizava-se que a ajuda poderia ser disponibilizada muito brevemente, se o leilão da dívida registasse juros considerados insustentáveis.»
"balanços" - 1

quarta-feira, janeiro 12, 2011
Previsões BP e comentário - continuação 2
Na anterior mensagem sobre este tema, deixei algumas reflexões, e tive a satisfação de receceber um comentário com contributos interessantes (obrigado, Ricardo!).
Vou transcrever o comentário e aditar mais umas observações.
Escreveu o Ricardo:
«Alguns contributos:
1.º O BP projecta que o emprego diminua 1% em 2011 e 0,2% em 2012.
2.º O BP estima que ainda em 2012 o PIB se situe abaixo do de 2007, calculado a preços de 2007 (portanto, comparáveis).
3.º O BP estima que, independentemente da metodologia utilizada, a taxa de crescimento potencial do PIB português se situa claramente abaixo do 1% ao ano.
4.º O BP calcula uma probabilidade que representa o risco do cenário macroeconómico nacional se agravar:
Conclusão, o risco para as projecções do PIB serem inferiores é de 60% em 2011 e de 63% em 2012; as relativas ao consumo privado são de 59% e 64%, respectivamente... Revelando que o cenário poderá ser muito mais grave que o entretanto projectado.
Vê o gráfico 5.1. da página 20 do Boletim de Inverno do BP... Palavras para quê?»



pequeno CURSO DE ECONOMIA (continuação)
Encontrámo-nos, conversámos, dividimos tarefas. Mais (e melhor?) que um plano ou um guião, partimos de uma lista de temas, ou assuntos que nos pareciam dever ser tratados, com a pré-disposição unânime de que seria uma iniciativa aberta, susceptível de se alterar de acordo com a evolução do que fosse acontecendo, até de sugestões ou pedidos que nos fossem chegando e a que, desde o início, nos afirmámos abertos e solicitadores.
Nessa divisão de tarefas, o camarada Gorjão Duarte assumiu o papel de coordenação e de ligação com O Militante, de motor e de consolidação ou “cimento” de todos os nossos contributos.
Ainda a esta distância, é com alguma admiração – e orgulho pelo trabalho colectivo, partidário, que em muito transcendeu a nossa pequena equipa – que avalio o que foi, naquele tempo e naquelas condições, a publicação desses 19 cadernos.
Mas não se ficou por aí. Ou, ao ir-se mais longe, só se reforça esta avaliação. De hoje.
Foi decidido, pelas edições avante!, fazer uma publicação desses cadernos em livro, que veio a acabar de ser impresso em Maio de 1993, sempre com o acompanhamento gráfico do camarada José Araújo.
Essa publicação poderia servir para continuidade do trabalho de intenção formativa ideológica que era o das separatas de O Militante. E tê-lo-á sido, nos seus 2.000 exemplares de tiragem que não demoraram muito tempo a esgotar-se.
Algum trabalho foi feito para a passagem dos cadernos a livro. Não, necessariamente, todo o que seria exigido. Mas o livro não envergonha. Bem pelo contrário. Por outro lado, como está no prefácio que Fernando Sequeira e eu assinámos, Gorjão Henriques fez enorme falta nesse trabalho.
"(…) Quando se reviam os fascículos para se transformarem neste pequeno livro, quem o fez parou muitas vezes a lembrar, emocionado, a troca de impressões sobre o tratamento de um tema, a discussão amiga e camarada por detrás de uma frase. E muita falta fez o Gorjão para que o trabalho em que participou até ao limite das suas forças ainda tivesse beneficiado do seu contributo, sempre procurando melhorar o que a outros já satisfazia."
Entretanto, nas acções de formação de quadros (e de militantes) do Partido, quem tinha a tarefa da área da “economia” frequentes vezes lamentou não poder apoiar-se no pequeno Curso de Economia, como documento de trabalho para essas acções, ou recomendando-o para acompanhamento posterior, por ele se ter esgotado.
Até que foi decidido encarar fazer-se uma reedição. Que, naturalmente, deveria ser revista, actualizada, sempre mais quanto mais o tempo ia passando. Alguns esforços e tentativas foram feitos mas sem se conseguir avançar. (...)»
Em campanha - Jerónimo de Sousa no distrito
terça-feira, janeiro 11, 2011
pequeno CURSO DE ECONOMIA
É a 2ª edição de um trabalho que foi tarefa em que participei com enorme gosto e vontade de acertar. Do prefácio a esta 2ª edição, de minha responsabilidade, reproduzo trechos, em dois "posts" separados.Sob a orientação do camarada Fernando Blanqui Teixeira, foram encarregados da tarefa de cumprir essa decisão os camaradas Fernando Sequeira, Joaquim Gorjão Duarte e eu próprio.
O primeiro caderno saiu com o número de Fevereiro de 1990 e, número a número, os cadernos sucederam-se até ao número, então já bimestral, de Novembro/Dezembro de 1991.
Foram 19 cadernos que podem ser balizados entre a mitificada (e mistificadora!) queda do Muro de Berlim, a 9 de Novembro de 1989, e a extinção da União Soviética em 31 de Dezembro de 1991, “decretada” a 21 de Dezembro.
Muito significativo me parece este facto. Que é, indesmentivelmente, um facto!
Estes cadernos foram sendo elaborados e publicados, com a intenção de serem instrumentos de formação teórica marxista-leninista enquanto pelo mundo, e muito particularmente na Europa, a luta de classes tomava a expressão de uma derrota de certo modo inesperada, apesar dos sinais que se vinham acumulando de erosão económica, política e, sobretudo, ideológica, nos países socialistas, e da incapacidade e/ou traição dos dirigentes dos partidos comunistas desses países.
Também no dito Ocidente, nos partidos comunistas dos países capitalistas, se fez sentir muito profundamente essa erosão e a fragilidade ideológica. Verificaram-se verdadeiras deserções da luta de classes e, pior que isso, deram-se passagens de “armas e bagagens” para o outro lado da luta, com trânsito por limbos de hesitação e procura de caminhos vários, outras mais rápidas e explícitas; uns aberta e publicamente em campanha contra a direcção ou contra quem respeitava os valores e os estatutos da organização, alguns procurando, por dentro, mudar os princípios e a organização.
Houve quem (individual ou colectivamente) não tivesse conseguido interpretar e resistir a uma derrota histórica por estarem a ser dados passos atrás na História da Humanidade, houve quem (individual ou colectivamente) tivesse passado de algum sectarismo partidário e ideológico, consciente ou inconsciente, para a negação da existência da luta de classes (e das classes), para a recusa do marxismo-leninismo como base teórica, do centralismo democrático como forma de organização e funcionamento.
Enquanto isto, o trabalho da nossa pequena equipa, no quadro de tarefas militantes no PCP, avançou, sem hiatos. Não se concretizou através da constituição de um grupo de trabalho formal, com reuniões e discussões periódicas. Encontrámo-nos, conversámos, dividimos tarefas. A esta distância, ficou-me a memória de que foi muito fácil. Não retive a recordação do mínimo atrito, da menor fricção, do mais pequeno azedume entre nós.
Previsões BP e comentário

Portugal contrai 1,3% este ano
Eudora Ribeiro
11/01/11 11:33
No Boletim Económico de Inverno, o Banco de Portugal adianta que 2011 será um ano de "queda substancial da procura interna" e continuação das dificuldades de financiamento dos bancos portugueses.
Avança a instituição liderada por Carlos Costa que as projecções para a economia portuguesa apontam para uma contracção de 1,3% em 2011 e um "crescimento limitado em 2012", de 0,6%. Uma evolução que "será marcada pelo reforço do processo de ajustamento dos desequilíbrios macroeconómicos acumulados ao longo de mais de uma década", explica o Banco de Portugal.
Continua o documento que "as actuais projecções caracterizam-se pela ligeira diminuição das necessidades de financiamento das famílias e das empresas e supõem, em particular, uma significativa consolidação orçamental, num quadro de queda substancial da procura interna".
O Banco de Portugal nota ainda que "esta projecção assume que o recurso ao financiamento pelo Eurosistema permanecerá significativo até final do horizonte", num contexto de persistência de dificuldades de acesso dos bancos portugueses aos mercados de financiamento.
Sobre honestidade (corrigido e ilustrado)
Ouvi aquele homem na entrevista na RTP1, e não consigo fechar o computador (e apagar a luz...) sem escrever qualquer coisa.
Ele há conceitos e conceitos!

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segunda-feira, janeiro 10, 2011
Debate directo
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Voltarei a esta viagem.
