quinta-feira, julho 11, 2013

Estabilidade “à Cavaco”

Depois de muito e muitos ouvir, de muito pensar (?), de consultar o seus manuais de ciência política, Cavaco transmitiu a sua/dele solução para o País, preocupado sobretudo (e sobre todos!) com a estabilidade política, para cuja resolveu pôr uma pedra, um pedregulho…, sobre a crise.

Só que ficam algumas duvidazitas:

Vai dar posse a Portas como vice-primeiro ministro, a Pires de Lima como ministro da economia, e a Jorge não-sei-quê como ministro do ambiente?
Ou vai aceitar o pedido de demissão de Portas que Passos Coelho lhe não transmitiu?
Tão rigorosamente crítico em relação aos prazos a que obrigariam eleições-agora, em que prazos pensa Cavaco para se constituir a “salvação nacional” da “destruição final”?
Quem será a personagem misteriosa que foi referida (assim a escapar…) para fazer não se sabe o quê mas que será, decerto, muito importante para os mercados e a estabilidade?
As eleições antecipadas de 2014 serão feitas na partida da “troika” do aeroporto da Portela ou só depois desses senhores chegarem aos seus destinos de aterragem e terem aprovados os seus “debriefings”?
Nas autárquicas, o PS,PSD e CDS-PP podem concorrer separados, e os votos na CDU e no BE também contam?
E nas “europeias” de 2014?
E se o PS, o PSD e o CDS-PP, depois de longas maratonas negociais, não se entenderem, internamente e entre eles?


Dá a impressão que a “estabilidade política” de Cavaco é uma ficção (pouco) científica!    

avante, Monginho

Pequena dúvida geométrica

PS + PSD + CDS-PP

são o "salvador"
BLOCO CENTRAL?

se este é o bloco CENTRAL,
qual é a ala DIREITA da democracia política?
... já que a esquerda é dada/escavacada por inexistente


POVOPOVOPOVOPOVOPOVOPOVOPOVOPOVOPOVOPOVOP

5ª feira... que também é dia seguinte a 4ª








quarta-feira, julho 10, 2013

Tudo visto e todos ouvi(s)tos...

O Presidente da República Portuguesa passou a maior parte do seu aguardado tempo de antena a explicar aos portugueses porque não fazia aquilo que o Presidente da República Portuguesa deveria fazer  face à situação. O PdaRP não negou a situação provocada nos portugueses pela governação saída da maioria parlamentar de há dois anos. Maioria que já não tem qualquer base de apoio social, político, eleitoral. 
O Presidente da República Portuguesa veio justificar porque, sendo Presidente da República Portuguesa, não fazia o que o Presidente da República Portuguesa tinha de fazer. Veio dizer que há um compromisso tomado por três partidos que tem de ser cumprido pelos portugueses. Compromisso para com entidades estrangeiras que impuseram uma estratégia que, no seu obediente cumprimento, apenas agravou a situação, acresceu a dívida, destruiu o que restava da economia produtiva portuguesa, diminuiu brutalmente o nível de vida dos portugueses, fez os portugueses que trabalham (ou trabalhavam...) pagarem todos os desvarios de uma especulação e ganância desvairada. Que continua!
Tudo visto, todos ouvidos, tudo e todos reconhecendo o que chamam erros e falhanço - até os próprios autores e executores da estratégia -, o Presidente da República Portuguesa recusou dar a palavra ao povo. No resto do discurso, sempre com os sacrossantos mercados a sobreporem-se a qualquer consideração sobre a necessidade de se rever e negociar o que foi um desastre económico e social, o PdaRP juntou à assumpção da cumplicidade do que aconteceu a proposta-ordem de que os três partidos da "troika", únicos existentes para ele, se entendam numa "salvação nacional" que leve até ao fim o que tem sido a "destruição nacional".

Portugal ainda existe! E os portugueses têm de o provar.

A última assinatura de Gaspar....

O último acto de Vitor Gaspar como ministro das Finanças foi um roubo a todos os trabalhadores portugueses. A Portaria 216/A/2013 foi publicada em 2 de Julho, no mesmo dia em que V. Gaspar se demitiu do Ministério das Finanças. 
É assinada tanto por ele como por Mota Soares, que na altura também considerava demitir-se. Essa portaria passou quase desapercebida em meio a crise política que se seguiu. No entanto, é gravíssima pois concretiza as ameaças do governo ao Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS). 
O referido diploma ordena ao Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social (IGFCSS) que proceda à substituição dos activos em outros estados da OCDE por dívida pública portuguesa até ao limite de 90% da carteira de activos do Fundo. Ou seja, o dinheiro pertencente aos trabalhadores, acumulado naquele Fundo para servir a Segurança Social, será lançado à voragem do financiamento da impagável dívida pública portuguesa
Este governo moribundo até o último minuto cumpre as imposições da "troika". E o governo recauchutado que eles pretendem seria a continuação deste.

Alienação...




A coordenadora da CDU/Torres Novas, vai realizar uma Conferência de Imprensa na próxima SEXTA FEIRA,12 DE JULHO às 17H30 junto à entrada do Hospital de Torres Novas, com o objectivo de denunciar o perigo da alienação do Hospital, pois tal situação nunca foi tão real como hoje.

terça-feira, julho 09, 2013

Aos Utentes dos Serviços de Saúde

Um comunicado do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses:


UTENTES DOS SERVIÇOS DE SAÚDE

ESTA INFORMAÇÃO É PARA SI!

A 9 E 10/JULHO 
OS ENFERMEIROS ESTÃO EM GREVE,

TAMBÉM POR SI, 
PELOS SERVIÇOS DE SAÚDE,

PELA SUA SEGURANÇA, PELO SNS!

É nosso dever alertá-lo para as consequências da politica do governo, no seu hospital e no seu centro de saúde.
Os cortes efetuados pelo governo já ultrapassou em cerca de 300 milhões de euros o que estava previsto. Isto significa que todas as instituições estão a ter cada vez mais dificuldade em dar as respostas que o Sr.(a) precisa e tem direito. O GOVERNO ainda quer “cortar” mais!

Os serviços têm hoje menos enfermeiros que há dois anos atrás pondo em causa a qualidade dos cuidados, a sua e a nossa segurança. O GOVERNO pretende despedir enfermeiros!

Os enfermeiros, há muito que têm um horário de trabalho norma de 35 horas semanais porque está provado que esse é o tempo indicado para lhes permitir o descanso físico e psicológico para estarem disponíveis para si, para cuidar de si. 
O GOVERNO pretende aumentar este horário para as 40 horas, pondo em causa, mais uma vez a sua segurança e a nossa!

Sabia que os enfermeiros por estarem 24 sobre 24 horas nos serviços, por trabalharem por turnos, não terem horas para comer estão mais sujeitos a riscos como: contrair doenças infetocontagiosas, doenças articulares e musculares e cancro no estomago?
Sabia que o aborto espontâneo é mais frequente nas enfermeiras que em qualquer outra profissão?
Sabia que o contacto permanente com a dor, o sofrimento e a morte, a elevada responsabilidade, o medo de errar e das consequências que esses erros podem ter na sua vida ou de um seu familiar ou amigo, a exposição à agressividade, a necessidade de estar em constante aprendizagem fazem com que muitos enfermeiros tenham depressões.

Estamos em luta contra as propostas do governo.
Estamos em luta para defender os seus serviços de saúde e as nossas condições de trabalho.

Estamos consigo, esteja connosco!
A luta pelo Serviço Nacional de Saúde é de todos os portugueses!

A fadiga mata 
pode matá-lo(a)
também!
A profissão de
enfermagem é
essencialmente
feminina!
Sabia que a
esperança de
vida das
mulheres, em
Portugal, é de
82,2 e que a
maioria das
enfermeiras não
chegará aos 65
anos de idade?

... menos um dia

E aqui estamos nós. Na aparente espera, que também tem de ser luta.
Na expectativa do que vai decidir o Presidente da República, com tudo a correr como se ele não existisse, ou como se estivesse por detrás de tudo, a cumprir os preceitos que é o primeiro a desrespeitar.
É uma situação insólita. Mas o que não o é? Insólito, caricato, "ridículo e vexatório" (como se dizia quando eu andava no liceu).
Há que dimensionar. Estes dias são, apenas, dias. Em caminhos de anos, de décadas, de séculos.
Só lembrar (para nós mesmos) que este governo tem dois anos e assentou sobre a coligação de dois partidos, a participação nele das suas figuras cimeira e escorado sobre três pilares: um "comissário político" -Relvas -, um "mago das finanças", muito cotado nos mercados, até pela sua experiência nos sistema bancário-fictício-creditício - Vitor Gaspar - e a descoberta (ou invenção) de um "génio(zinho) da economia", importado de universidades e aparentados da Canadá, com um super-ministério - o Álvaro Santos Pereira. Todos sob a batuta empunhada por uma "troika" externo (introduzida pela "troika" interna), que neles confiava e a que eles eram servis.

Teria falhado tudo. Como foi previsto e prevenido. Mas será que tudo falhou? Não teve, tudo, as consequências-custos sociais que, além de previstos e prevenidos, eram finalidades estratégicas? Empobrecimento para as massas e emigração para os que mais cá precisos eram para outra política. 

Agora, nestes dias de agora, espera-se a cavacal decisão para a negociada recauchutagem, sem Relvas, Gaspar e Álvaro. Com FMI pouco "troiko"? Com Pires de Lima para efeitos intestinos (CDS-PP) e internos (economia capitalista no âmbito local) e Portas dos negócios estrangeiros para os negócios troikulentos e as finanças menos evidentes mas igualmente determinantes? Como os banqueiros e os mercados mandam.

Só há que continuar a luta. Que a reforçar. Sempre na perspectiva que não choca com os muros do curto prazo. Do beco em que se/nos meteram  



Mais um dia...

Sobre o encontro do PCP com o Presidente da República


A pedido do Presidente da República, realizou-se hoje um encontro com uma delegação do PCP, composta pelo seu Secretário-geral, Jorge Cordeiro e Fernanda Mateus (membros da Comissão Política do CC).
No final do encontro, em declarações à comunicação social, Jerónimo de Sousa afirmou que foi transmitida a posição de fundo do PCP, perante a crise social, económica e política, perante um governo inevitavelmente enfraquecido e derrotado, de exigência e necessidade de demitir o Governo, convocar eleições e dissolver a Assembleia da República.
O Secretário-geral do PCP sublinhou que “Esta proposta parte da realidade nacional, dos problemas que estão colocados ao nosso país, ao nosso povo”, relembrando o Presidente da República que, há sete meses atrás, o PCP afirmou, no encontro de então, que “estaríamos a caminhar para o desastre, a continuar esta política, este Pacto de Agressão, e passados sete meses, a vida deu razão ao PCP. Vivemos uma situação insustentável, no plano económico e social, agravada agora com estes últimos acontecimentos”.
O Secretário-geral do PCP referiu que não se trata da mera demissão de Vítor Gaspar ou de Paulo Portas, mas “da afirmação do falhanço desta política”, salientando a cumplicidade do Presidente da República, caso permita o prosseguimento desta política e das suas consequências, lembrando que é no povo que reside a soberania. Jerónimo de Sousa terminou com a afirmação de que é urgente uma nova política, patriótica e de esquerda.

domingo, julho 07, 2013

Ex-citações antológicas

  • de Rei dos Leittões ("post" de Pata Negra)
Quinta-feira, 4 de Julho de 2013

Há tanto tempo que esperava este momento


Tínhamos acertado que um dia voltaríamos à terra da avó dela à Gramatinha, montaríamos a tenda no quintal, limparíamos a velha casa abandonada a umas centenas de metros da velha aldeia e ali ficaríamos distantes do mundo por uns dias.

E assim foi. Partimos no domingo, chegámos hoje.
Para recordar ou respeitar verdadeiramente a memória dos nossos antepassados é aconselhável que nos coloquemos, tanto quanto possível, na pele deles: sem água canalizada, sem energia eletrica, sem comunicações e sem contraceptivos.
Que bons foram estes dias sem ouvir o telemóvel, sem ouvir o filho pedir "ó pai quero um aipode", sem me irritar com o ruído de fundo da geladeira, sem a filha me acabar com a água quente, sem cartas de contas para pagar, sem me cruzar com a minha colega de trabalho, sósia da miss pig.
Vivemos tão intensamente que nos esquecemos que existia outro Portugal, o Portugal que paciente, aguenta a teimosia de Passos, que ignorantemente observa a competência de Gaspar, que humildemente suporta a vaidade de Portas, que se conforma com a imortalidade do Américo de Tomás.
Só um recolhimento como o destes dias me podia trazer a vontade de escrever estas linhas. Termino aqui, vou ver as notícias para ver se por cá também aconteceu alguma coisa, cinco dias sem comunicações foi um bom momento. Perdi alguma coisa?

  • de avante! (excerto de O estoiro, de Henrique Custódio
«(...) Na segunda-feira de manhã a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, realiza o breefing com os jornalistas – uma luminosa invenção do ministro Poiares Maduro – e nada diz sobre o que horas depois lhe desabou em cima: a demissão do ministro Vítor Gaspar e a sua ascensão ao lugar vago. No dia seguinte, o Presidente da República adverte que não contem com ele para derrubar o Governo, empurrando a decisão para a Assembleia da República, e marca a tomada de posse da nova ministra das Finanças para as 17 horas. Mas, uma hora antes, Paulo Portas anuncia a sua demissão e dá a estocada final na coligação e no Governo, o que não impediu Cavaco Silva de, grotescamente, «dar posse» à nova ministra e aos respectivos secretários de Estado.
Conclui-se que os protagonistas andaram afincadamente a aldrabar-se uns aos outros, seja Portas a ludibriar Passos e Cavaco Silva, seja Passos a driblar Portas e o Presidente, seja este último a enganar o País.(...)»




É isso mesmo: patético!

Conferência de Imprensa, Jorge Cordeiro, membro do Secretariado e da Comissão Política do Comité Central do PCP, Lisboa

As encenações de Portas e Passos 

não iludem a derrota do Governo 

 e a necessidade de eleições



Por mais encenadas e patéticas que sejam as declarações em que PSD e CDS se desdobram, nada ilude as duas questões essenciais que estão colocadas perante o país:
- a de que estamos perante um governo politicamente derrotado e socialmente isolado, um governo que, apesar de obcecadamente agarrado ao poder, é já parte do passado.
- e a de que, perante um governo e uma maioria que há muito deviam ter sido demitidos, perante um governo e uma maioria ilegítimos que agem à margem da lei e contra a Constituição, não há nenhuma outra saída digna e democrática que não seja a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições.

O Presidente da República assume, nas actuais circunstâncias, a inteira responsabilidade de todas as consequências que resultem do prolongamento deste caminho para o abismo económico e social.
O país não compreenderá – sobretudo, não aceitará – que, perante o inaceitável percurso e espectáculo de degradação política, perante o não regular funcionamento das instituições, o Presidente da República não assuma as suas competências constitucionais, aquilo que jurou cumprir e se transforme em mero parceiro da coligação.

Que nome dar a esta fantochada?... (além de fantochada, claro!)

notícias de sapo(s):


Líder do CDS será vice-primeiro-ministro, coordena áreas económicas e reforma do Estado e "rouba" às Finanças as renegociações do memorando.

... no que será assessorado
pela ministra Maria Luís
(creio eu...)!,
a não ser que esta tome uma decisão
inevitável  i e revogável...

 


sábado, julho 06, 2013

Dias de agora, ou "questões de moral", ou a História (como a vivemos e como escrita será)

06.07.2013
A política (mal dita) “ao mais alto nível” atingiu o mais baixo nível.
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Embora não surpreenda que ainda mais baixo desça.
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 Do ponto de vista moral, ético – o que se lhe queira chamar… – esta “jiga-jogas” Gaspar-Passos-Maria Luís-Macedo-Portas-Cavaco & mais plantel (agora com Pires de Lima e mais não sei quem em protagonistas), são absolutamente execráveis.
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Surpreende? Não. Indigna!
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Sobretudo preocupa pelo que provoca de descredibilização da política nas massas!
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E dá vontade de ir tomar um duche… ou de ir ler textos nossos sobre moral (de Marx, de Cunhal), em que tudo está explicadinho.
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 Fica para outra altura, porque há que ir à concentração!
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Mas, a propósito de acasos, ainda transcrevo três trechos de A História: Acaso ou Lei, com que ocupei a espera antes de uma tomada de sangue para umas análises que o médico me exigiu.
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 (...)


(…)

sexta-feira, julho 05, 2013

CONCENTRAÇÃO, amanhã, em Belém

CGTP mantém concentração 

mas cancela desfile 

devido a temperaturas elevadas

Lisboa, 06 jul (Lusa) -- A CGTP decidiu alterar o programa relativo ao protesto convocado para sábado, em Belém, devido às temperaturas elevadas previstas para Lisboa, disse hoje à Lusa o representante da Intersindical, Armando Farias.

Dias de agora (e "de brasa")

Nestes "dias de brasa", muito se teve de ouvir e ler, muita informação se cruzou e enredou. Do que viemos acompanhando, retiram-se excertos de uma espécie de diário, "dias de agora":

05.07.2013
Tendo dormido mal, pelo calor (...), não vou deixar que elas (preocupações) se sobreponham e apaguem as que vieram ontem com o acordar.
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(,,,)
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São notas que considero de não se perderem neste vendaval de informações e contra-informações.
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De tudo o que vi e ouvi, e muito foi, guardei pedaços da entrevista com Adriano Moreira como se tivesse assistindo a algo insólito.
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Não ouvi e reouvi os nomes mais que badalados, mas ouvi ideias e considerações sobre o que é Portugal hoje, o que poderia ser e o que poderá vir a ser.
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Com relevância para a questão da plataforma continental e posição estratégica de Portugal, para o espaço da CPLP desafunilando da “Europa” e do Atlântico Norte.
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Adriano Moreira continua, lá para os 90 anos, lúcido, culto, inteligente, com dimensão de “homem de Estado” (queira isto dizer o que se queira).
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E não posso deixar de lamentar que o CV deste homem me faça lembrar que foi ele que assinou, como ministro do fascismo, abertura do Tarrafal, do "campo da morte lenta".
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Mas foi o único comentador, entre aqueles muitos que ouvi (não sei se escreva que consegui ouvir, ou que tive de ouvir) de que quero deixar aqui registo.
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Por outro lado, anoto o que considero “acasos” ou coincidências curiosas.
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No Expresso que antecedeu a semana da saída de Vitor Gaspar, e toda a “campanha” para a sua substituição por Paulo Macedo, a capa da Revista e a sua entrevista central com este ministro da saúde, não pode ser um mero acaso…

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Como não o terá sido a escolha deste mesmo ministro para representar o governo no debate parlamentar de ontem sobre questões financeiras.
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Assim como não é mero acaso, decerto, o roda-pé televisivo e a 1ª página do Correio da Manhã com a notícia do desemprego-demissão do marido da tão polémica ministra das finanças, depois de ter sido empregue na EDP, em que cuja privatização a respectiva esposa teve protagonismo.
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Retive, também, a informação de uma refeição em que os participantes teriam sido, Relvas, Macedo e Salgado, um dos banqueiros que tomaram posição clara (como confederações patronais), embora não muito mediatizada, contra a realização de eleições… e a defenderem a estabilidade política que tão mal se descortina.

OUTRA INFORMAÇÃO - e opiniões pouco (ou nada) divulgadas - O BRASIL, hoje

A situação do/no Brasil merece a nossa maior atenção. 

Porque, para os portugueses, é o Brasil, obviamente...; porque o seu peso no contexto internacional ganhou uma importância enorme. 
É, só!, a partir dos indicadores habitualmente utilizados, a 6ª economia mundial, depois dos Estados Unidos, da China, do Japão, da Alemanha, a aproximar-se da França, e tendo ultrapassado o Reino Unido. 
Recentemente, a 21 e a 28 de Junho, aqui se deixaram dois "posts" em que tal era sublinhado e, ainda mais recentemente, recebemos um mail de Sergio Barroso com um interessante artigo (que já leramos no vermelho), cuja parte final se transcreve, depois de 9 pontos de fundamentação histórico-teórico-ideológica que também merecem leitura. E reflexão. Sobre o espontâneo e o consciente na luta de massas. 

(...)
10. Em termos de considerações finais – e de volta para o futuro. Não, não foi a “espontaneidade” crua que conduziu a rebelião social que vivenciamos. A adesão de dezenas e centenas de milhares de jovens, populares, trabalhadores, aposentados, pais com suas crianças, por si só, é uma óbvia atitude de tomada de posição contestatória às referidas doenças e sequelas sociais acumuladas dum capitalismo tardio brasileiro, dilacerado havia muito pouco pela tragédia neoliberal; ao que se acrescente com ênfase o repúdio à corrupção em geral, seja ela mistificada ou não pela sistemática campanha midiática nacional. E leve-se em conta, de alguma maneira, a influência entre nós dos grandes protestos ocorridos em Wall Stret (“occupy”), na Espanha (“los indignados”), ou os do Egito, sem dúvida auxiliados pelas “redes” de internet. Por outro lado, é imperioso preparar-se para um longo combate à instrumentalização desses movimentos, a contrapropaganda preconceituosa contra a organização partidária e das massas, que visam, como no passado, absorver e diluir o descontentamento popular buscando estimular (remotos) movimentos “inorgânicos”. Relembrando Gramsci, a direita reacionária utiliza esses movimentos e “quase sempre... aproveitam o enfraquecimento objetivo do governo para tentar golpes de Estado”.
Essencialmente, as Jornadas de Junho refletem os espaços das conquistas democráticas indiscutivelmente acentuadas pelos governos de Lula e Dilma: o pleno exercício duma “democracia das ruas” veio se efetivar em massivos protestos convergentes contra as mazelas deste tipo de capitalismo brasileiro! Por isso também trata-se de um (perigoso) engodo a ideia de que nos encontramos na “primeira década de governos pós-neoliberais no Brasil” [13]; bem como superlativizar as políticas sociais como sendo “o coração dos governos Lula e Dilma”.
Três exemplos insofismáveis: a) na política econômica, a permanência e a defesa oficial do “câmbio flutuante”, da política fiscal semi-ortodoxa, bem como a recidiva duma política monetária de juros elevados, atestando a vigência de orientações ainda da órbita neoliberal (e nos últimos três anos não conseguimos nos livrar da volta ao baixo crescimento econômico); b) entre abril de 2002 e janeiro de 2013 o valor do salário mínimo passou de R$ 200 para R$ 622, o que representa ganho real de 70,49% - o maior desde a sua criação; entretanto, assegura o Dieese: dos cerca de 3,5 milhões de trabalhadores do estado do Pará, quase 1,4 milhão (cerca de 40%) recebe hoje um salário mínimo; c) a renda per capita do Brasil está em torno de US$ 10 mil ou cerca de três vezes inferior a da Coréia do Sul, país que teve sua industrialização ainda mais tardia que a nossa.
De outra parte, diferentemente do que imaginam o Senador Lindbergh e o professor Singer, o PCdoB - inobstante suas insuficiências e limitações - continua empenhando todas as suas energias na organização, na elevação da consciência política e programática das massas no país, nomeadamente dos trabalhadores (as) e da juventude. Aliás, o PCdoB procura não esquecer as lições de Marx sobre o significado abrangente do impacto das transformações nos meios de comunicação: “A burguesia, pelo rápido aperfeiçoamento de todos os instrumentos de produção, e tornando as comunicações infinitamente mais fáceis, arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras, para a civilização”. [14] Por isso o PCdoB não só sabe a importância relativa das “redes sociais”, tendo seu de Portal Vermelho na internet, premiado como o mais importante da esquerda brasileira; como também não se deixa abater com as grandes dificuldades do desestímulo à participação política: no caso das eleições da UNE (União nacional dos Estudantes), há anos hegemonizada por jovens do PCdoB, desconhece-se no país qualquer outra experiência de tal envergadura duma democracia “horizontalizada” para escolha de seus representantes.

É o PCdoB quem recusa o falso diagnóstico de já vivermos um decênio de “pós-neoliberalismo”; é ele quem critica, desde o início do novo ciclo político, a orientação macroeconômica do governo; é ele quem afirma vivermos ainda “uma grande transição” a um novo estágio de desenvolvimento no país; é ele a única corrente política no Brasil quem tem um renovado e nítido Programa estratégico, nele pontificando a passagem pelo desenvolvimento e o progresso sociais, com a indispensável ampliação da democracia para a garantia de luta pelos direitos do povo brasileiro. Mas o Programa do PCdoB é socialista e não tergiversa: considera que é o Socialismo a maior conquista da humanidade no “campo da política” e, mais ainda, que só ele é capaz de levar adiante a consecução dos grandes ideais da Revolução Francesa - Liberdade, Fraternidade, Igualdade -, definitivamente abandonados pela democracia burguesa. 
[13] As precipitadas opiniões são de Emir Sader (org.) em: “10 anos de governos pós-neliberais no Brasil: Lula e Dilma”, Apresentação, São Paulo, Boitempo/FLACSO, 2013.
[14] Em: “Manifesto do Partido Comunista”. Lisboa, Edições Avante!, 1975, p. 64, 2ª edição.

O "topete" é deles... MAS O TAPETE É NOSSO!


Boa, Monginho!

Uma intervenção patriótica e de esquerda