segunda-feira, dezembro 14, 2015

Reflexões lentas (em quase-diário) -França

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E aqui volto porque, na crónica do Valdemar Cruz, para além da sua habitual escrita corredia e de ideias que pedem conversa, me parece de sublinhar que, na sua análise, falta uma referência – para além da brevíssima nota histórica – à ausência, no quadro actual da França política, de um Partido Comunista Francês, herdeiro daquele que me ajudou a formar ideologicamente (e a tantos de nós!), nos anos 50/60.

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Quanto aprendemos… em francês!

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E agora?, sem editions sociales, economie et politique, france nouvelle, la pensée, l’huma, depois da deriva eurocomunista, da adopção da "abrangência" escondendo a luta de classes, da mudança da revolution em mutation, pergunto – como Edgar Silva na sua declaração de candidatura – quem ouve o clamor do povo, das gentes, das massas?

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Não seria de esperar, mais que previsível para quem está atento aos sinais e às consequências dos oportunismos e das fragilidades ideológicas, que as massas ouvissem (vão escutando e seguindo) outras vozes, vindas do outro lado do seu sentido histórico mas a dizerem-lhes o que elas querem ouvir para teren um rumo, para recusarem um caminho que não é o seu?

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Rumo e caminho que as massas voltarão a encontrar, só que depois de se sentirem sem voz, depois – talvez…e esperemos que não – de terem de cair para se levantarem de novo, com a força que é a sua, apenas sua.



Da ameaça ao susto e ao reforço da ameaça

Não que este espaço se esteja a transformar num recipiente de artigos de outros (particularmente de origem expressa), mas há que aproveitar e divulgar o que de bom, e merecedor de divulgação, se vai publicando. No Expresso-curto de hoje:

Valdemar Cruz
Por Valdemar Cruz
Jornalista

14 de Dezembro de 2015

França livra-se (para já) a Afronta Nacional



A França tem um novo inimigo, a juntar aos vários inimigos internos e externos que tem vindo a alimentar. Melhor, uma certa ideia de França está a desmoronar-se perante a evidência do imparável crescimento da Frente Nacional (FN). A extrema-direita francesa, racista, xenófoba, demagógica, populista, anti-globalização, anti-união europeia, e o mais que se queira, não venceu em nenhuma das 13 regiões, mas recolheu ontem o voto de seis milhões e meio de franceses. Perdeu uma batalha. Porém, a causa maior pela qual luta é outra. Aí o combate assume novas proporções e, como diz hoje Joël Gombin, especialista em extrema-direita numa entrevista ao Libération, os resultados de ontem "devem garantir à FN a presença na segunda volta". Avizinha-se uma guerra. Tem data marcada, maio de 2017, e chama-se eleições presidenciais. Será o tudo ou nada para Marine Le Pen e os principais partidos políticos franceses já identificaram o problema.


Não significa que o tenham percebido. Tal como não perceberam quando, ao longo de anos, por razões estratégicas, a Frente Nacional, tida como uma bizarria de Le Pen, foi em momentos cruciais levada ao colo para o regaço de potenciais eleitores. No El País, em artigo intiulado "Un desastre anunciadio", Samir Naïr, filósofo franco-argelino especialista em emigração, recorda como a história da subida da Frente Nacional começa nos anos de 1980, com Miterrand, para lá do não cumprimento de promessas como as de acabar com o desemprego, a usar uma estratégia muito perigosa ao apostar na FN para tentar dividir a direita e impedi-la de vencer as eleições. Face a um apelo de Le Pen, que na altura não estava, sequer, a conseguir reunir as assinaturas necessárias para concorrer às presidenciais, Miterrand fez com que lhe fossem escancarados os programas de maior audiência na televisão e rádio nacionais. O próprio Le Pen chegou a afirmar que "A 'omertá' foi rompida graças a Miterrand".



Naïr poderia recuar um pouco mais e ir até Jacques Chirac, que em junho de 1991, então ainda "Maire" de Paris, ao fazer em Orléans o agora célebre discurso do "odor e do barulho" provocado pelos emigrantes, de alguma forma credibilizou muitas das teses da FN.



São palavras duras, estas. Parecerão até injustas. Sê-lo-iam se o objetivo fosse radicar na ação daqueles ex-presidentes da República a ascensão da FN. Ou acrescentar-lhes apenas o papel de Sarkozy nesta última semana, que se deslocou tanto para a direita que, em alguns casos, se tornava difícil perceber se quem falava era um ideólogo da FN ou um "republicano", como passou a chamar-se o centro-direita. É impossível afastar da análise à ascensão da FN as consequências de uma crise económica prolongada e sem fim à vista, a raiva provocada pela exponencial disparidade entre os rendimentos dos mais ricos e os dos mais pobres, os mal resolvidos problemas de emigração, o acantonamento de emigrantes em verdadeiros guetos, o dilema da segurança e como a resolver no contexto de uma sociedade democrática (tema levantado no que ando a ler). Tudo questões em geral arredadas de um debate sério e consequente no âmbito do espaço público.



Os próximos dias serão pródigos na produção de análises ou contributos para perceber como foi possível um movimento durante anos visto como apenas umas excentricidade se ter tornado na terceira força política francesa, com praticamente a mesma percentagem (28%) de votos do PS (29%). No jornal Público, Jean-Yves Camus, diretor do Observatoire des Radicalités Plitiques da Fundation Jean Jurés, autor de vários livros sobre a extrema-direita, assegura que a "França nunca esteve tão à direita como hoje".



É uma evidência patente, desde logo, no modo como funcionou esta espécie de aliança republicana contra a FN. O método em si mesmo nem é novo, com todos os riscos implícitos para o PS, que ficará todo um mandato sem qualquer presença nos órgãos políticos de várias regiões. A grande diferença, que dá substância à afirmação de Camus, reside no facto de, não há muitos anos, esta disciplina republicana ser materializada em desistências recíprocas, à segunda volta, dos candidatos do PS e do Partido Comunista Francês para vencerem a direita. Desta vez não houve reciprocidade. O PS desistiu em várias regiões em favor do colocado melhor colocado, mas Sarkozy, determinado em assegurar uma posição forte para entrar na corrida às presidenciais, não tomou a mesma atitude em favor da esquerda. A abstenção diminuiu (41%), Sarkozy venceu (40,7%), mas radicalizou o discurso à direita. Criou anti-corpos no seu próprio partido. Seguiu uma estratégia perigosa, mesmo aos olhos dos seus correligionários, por pressentirem que está a facilitar o caminho de François Hollande.



O presidente, de resto, não está também isento de críticas, pela suspeita de que poderá estar a atuar em função das presidenciais de 2017. O modo como o poder reagiu aos atentados terroristas de 13 de novembro em Paris foi caracterizado pelo excesso, segundo vários analistas, com declarações de guerra, estado de emergência prolongado, anúncio de mudanças constitucionais, mudanças na lei da atribuição de nacionalidade. O Estado acaba por adotar como suas algumas propostas passíveis de reforçarem o clima de medo e a deriva securitária tão ao gosto da FN.



Muito vai estar em jogo na política francesa a partir de agora, com óbvias repercussões na Europa. Está tudo em aberto e pejado de incógnitas sobre a evolução do eleitorado até 2017. Como se percebe, já ninguém ousa lançar a pergunta que demasiadas vezes muitos quiseram colocar em tom jocoso: C'est qui, Marine Le Pen?

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Para descomprimir, vamos lá abandonar a França e ouvir um pouco de rádio em português, onde, já agora, a música francesa tem um lugar de relevo. Ainda se lembra daqueles programas tão cativantes e tão envolventes que o tempo parecia correr à velocidade da luz? Já não existem, dirá. Não é verdade. Experimente sintonizar a Antena 1 às 0h00 das terças-feiras e terá uma enorme surpresa. Prepare-se para ouvir algo raro. Chama-se "Crónicas da Idade Mídia" e é uma invenção de Ruben de Carvalho, muito bem acompanhado por Iolanda Ferreira. Ruben é uma enciclopédia de conhecimento, de saber. Iolanda é, sem ofensa, uma excelente facilitadora de conversas. Trata-se de uma hora de viajam no tempo, durante a qual se contam histórias grandiosas, umas, deprimentes outras, sempre a partir da relação que tiveram com a música, ou vice-versa. Já por lá passaram programas sobre a Belle Époque, Nelson Mandela, as histórias das músicas de Natal, Edith Piaf, fados e desgarradas, pubs irlandeses, as músicas associadas à Revolução Francesa, ao 25 de abril em Portugal. A lista é gigantesca e inclui grande espaço para uma das paixões de Ruben de Carvalho, a música popular norte-americana, nas suas múltiplas vertentes, dos blues ao rock, do jazz ao folk. Experimente entrar porque inúmeros programas já emitidos continuam disponíveis na página da Antena 1.
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Já cá voltaremos, nós...

domingo, dezembro 13, 2015

Quando a desigualdade mata - Stiglitz



de A Estátua de Sal (obrigado), para que  fique legível:

Quando a desigualdade mata


(Joseph Stiglitz, in Expresso, 12/12/2015)
Autor
Joseph
Stiglitz
Os norte-americanos brancos também estão a morrer mais cedo à medida que os rendimentos decrescem, como revela Angus Deaton, Prémio Nobel da Economia.

NOVA IORQUE — Esta semana, Angus Deaton receberá o Prémio Nobel da Economia “pela sua análise do consumo, pobreza, e desenvolvimento”. Merecidamente. Na verdade, pouco depois de o prémio ter sido anunciado em outubro, Deaton publicou um trabalho impressionante com Ann Case nos Proceedings of the National Academy of Sciences — uma investigação que é, pelo menos, tão digna de nota como a cerimónia do Nobel.
Ao analisarem uma grande quantidade de dados relativos a saúde e mortes entre os americanos, Case e Deaton mostraram que a esperança de vida e a saúde estavam a piorar para os americanos brancos de meia-idade, especialmente para aqueles com instrução secundária ou inferior. Entre as causas estavam o suicídio, as drogas e o alcoolismo.
A América orgulha-se de ser um dos países mais prósperos do mundo, e pode gabar-se de, em todos os anos recentes exceto num (2009), o PIB per capita ter aumentado. E a boa saúde e a longevidade são aparentemente um sinal de prosperidade. Mas, embora os EUA gastem mais dinheiro per capita em cuidados médicos do que quase qualquer outro país (e mais como percentagem do PIB), estão longe de liderar o mundo na esperança de vida. A França, por exemplo, gasta menos de 12% do seu PIB em cuidados médicos, comparando com os 17% dos EUA. Contudo, os americanos têm uma expectativa de vida inferior, em três anos completos, à dos franceses.
Durante anos, muitos americanos tinham uma explicação para esta distância. Os EUA são uma sociedade mais heterogénea, defendiam, e a distância refletia a grande diferença na esperança média de vida entre os afro-americanos e os americanos brancos.
A barreira racial na saúde é, claramente, demasiado real. De acordo com um estudo publicado em 2014, a esperança de vida para os afro-americanos é cerca de quatro anos menor para as mulheres e mais de cinco anos menor para os homens, relativamente aos brancos. Esta disparidade, contudo, é dificilmente apenas um resultado inócuo de uma sociedade mais heterogénea. É um sintoma da desgraça americana: discriminação generalizada contra os afro-americanos, refletida num rendimento familiar mediano que é menos de 60% do das famílias brancas. Os efeitos do rendimento menor são exacerbados pelo facto de os EUA serem o único país avançado que não reconhece o acesso aos cuidados de saúde como um direito básico.
Alguns americanos brancos, no entanto, tentaram desviar a culpa de morrer mais novo para os próprios afro-americanos, citando os seus “hábitos de vida” [NdT: lifestyles]. É talvez verdade que os hábitos pouco saudáveis estejam mais concentrados entre americanos pobres, e que muitos destes sejam negros. Mas estes hábitos em si são uma consequência das condições económicas, para não falar das pressões do racismo.
O PIB não é normalmente uma boa medida do bem-estar de uma sociedade
Os resultados Case-Deaton mostram que essas teorias já não servem. A América está a tornar-se uma sociedade mais dividida — dividida não apenas entre brancos e afro-americanos, mas também entre os 1% e o resto, e entre os que têm um nível de educação superior e os que não o têm, independentemente da raça. E a divisão pode ser medida não apenas em salários, mas também em mortes precoces. Os americanos brancos, também, estão a morrer mais cedo à medida que os seus rendimentos decrescem.
Esta evidência dificilmente choca aqueles que estudam a desigualdade na América. O rendimento mediano de um trabalhador masculino a tempo inteiro é inferior ao que era há 40 anos. Os salários dos trabalhadores masculinos com educação secundária caíram perto de 19% no período estudado por Case e Deaton.
Para não se afundarem, muitos americanos contraíram dívidas junto de bancos a taxas de juro usurárias. Em 2005, o Governo do Presidente George W. Bush fez com que fosse muito mais difícil para as famílias declararem falência e solicitarem perdão de dívidas. Depois veio a crise financeira, que custou os empregos e lares a milhões de americanos. Quando o seguro de desemprego, desenhado para pequenos períodos de falta de trabalho num mundo em pleno emprego, se esgotou, foram abandonados à sua sorte, sem rede de segurança (além dos vales-alimentação), enquanto o Governo resgatava os bancos que tinham causado a crise.
Os privilégios básicos de uma vida de classe média estavam cada vez mais longe do alcance de um conjunto cada vez maior de americanos. A Grande Recessão mostrara a sua vulnerabilidade. Aqueles que investiram no mercado bolsista viram desaparecer muita da sua riqueza; aqueles que aplicaram o seu dinheiro em títulos de dívida pública viram os rendimentos da sua reforma a diminuir quase até zero, à medida que a Fed baixava incessantemente as taxas de juro tanto no curto como no longo prazo. Com o aumento das propinas da faculdade, a única maneira para os seus filhos terem a educação que lhes permitisse uma réstia de esperança seria pedir emprestado; mas, com empréstimos a estudantes praticamente nunca reembolsáveis, a dívida para estudar parecia ainda pior do que outras formas de dívida.
Não havia maneira para que esta crescente pressão financeira não colocasse os americanos de classe média e as suas famílias sob uma maior tensão. E não surpreende que isto se tenha refletido em maiores taxas de abuso de drogas, de alcoolismo e de suicídio.
Fui economista-chefe do Banco Mundial no fim da década de 90, quando começámos a receber notícias igualmente deprimentes provenientes da Rússia. Os nossos dados mostravam que o PIB tinha caído perto de 30% desde o colapso da União Soviética. Mas não confiávamos nas nossas medições. Os dados que mostravam a diminuição da esperança de vida masculina, mesmo quando esta aumentava no resto do mundo, confirmavam que as coisas não iam muito bem na Rússia, especialmente fora das grandes cidades.
A comissão internacional para a medição do desempenho económico e do progresso social, a que copresidi e onde Deaton participou, já tinha salientado que o PIB não é normalmente uma boa medida do bem-estar de uma sociedade. Estes novos dados sobre a degradação do estado de saúde dos americanos brancos confirma esta conclusão. A sociedade que representa a quintessência da classe média no mundo está em vias de tornar-se a primeira sociedade pós-classe média no mundo.

Fim de série... e para este domingo

para acabar esta série, que por mais que uma razão me fizeram editar (ah!, os desenhos de João Morais Ribeiro,,,,,), repete-se o último vídeo-resumo


...e, por ser domingo, este "para este domingo" que nos transporta há muitas (e a diferentes) décadas atrás, desde o lançamento de Ferrat chante Aragon, na Festa do l'Huma de 1972, a que tive a sorte de assistir



"16 dias contra a violência sexista-género"-8 (de 8)

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"Quando a desigualdade mata"

Este é um título "roubado" a um Prémio Nobel da Economia (de 2001), Stiglitz, que vale a pena ler, ouvir e divulgar. Esteve recentemente em Portugal e respigos que leio neste meu "retiro de reformado" fazem-me lamentar não ter podido ouvi-lo, mas compenso-me lendo-o, como neste artigo que se transcreve abaixo a propósito do Nobel da economia deste ano, Angus Deaton, opinião publicada no Expresso de hoje, na sua coluna pensamento não convencional
É preciso procurar bem, mas é reconfortante ver que esta profissão não está exclusivamente entregue a "contabilistas",e que há quem a encare como ciência social, e seja reconhecido com mérito. O que é particularmente significativo porque se soma às vésperas anunciadas da saída do relatório de 2015 do Indicador de Desenvolvimento Humano, pelo PNUD. Por que se espera com grande interesse... e vontade de trabalhar!

sexta-feira, dezembro 11, 2015

Morreu Eugénia Cunhal

Custa sempre. Dói. 
A notícia de que morreu alguém como a Eugénia Cunhal deixa-nos muito triste apesar da não-surpresa, perante o  inevitável. E com uma grande vontade de encontrar palavras que traduzam essa tristeza, e sejam, também, de homenagem e já saudade. Dela, e de nós mesmos.


Homenagem e saudade de uns finais de Festa do avante! de convívio e  festa nossa, de uns poucos que prolongávamos a  Festa. De uma ida ao Som da Tinta, à livraria de Ourém, uns dias depois da morte do irmão tão admirado por tantos de nós e tão querido dela; desse marco na nossa vida (e não só nossa) em que se fez teatro a partir de um dos seus belíssimos curtos contos, dessa tarde em que ela conviveu, sempre amiga e cheia de ternura, com os jovens que tinham representado o seu texto. Memórias que a manterão viva em nós. Como homenagem e já saudade.

"16 dias contra a violência sexista-género"-6 (de 8)

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quinta-feira, dezembro 10, 2015

"16 dias contra a violência sexista-género"-5 (de 8)

Por ser o último dia da campanha, transcreve-se a abertura desta série:
"16 dias de acção contra a violência sexista-género" (16 Days of Activism Against Gender-Based Violence) é uma iniciativa internacional que data de 1991, do Women’s Global Leadership Institute. De 25 de Novembro (Dia Internacional pela eliminação da violência contra as mulheres) e o dia 10 de Dezembro (Dia Internacional dos direitos humanos) procura sublinhar-se que a violência sexista e a violência contra as mulheres constituem uma violação dos direitos fundamentais do ser humano. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho participa numa campanha mundial e chama a atenção para o problema crucial da violência sexual e sexista nas situações de conflito armado e de catástrofe, que será um dos temas da sua XXXIIª conferência internacional. A campanha insiste no facto de que em todo o universo se pode ser vítima deste tipo de violência, ainda que alguns e algumas lhe estejam mais expostos, em razão da idade, de deficiência, de origem étnica, por separação da família, deslocados ou migrantes. As catástrofes exacerbam as descriminações e as desigualdades já existentes,e desencadeiam, muitas vezes, um acréscimo da violência baseada no género durante e após as catástrofes.

Participamos na divulgação desta iniciativa, a partir do texto acima - que não encontrámos em português - e da exposição dos vídeos, dois por dia.

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os desenhos são de 
João Morais Ribeiro


Ainda se publicarão 3 "posts", que completam os vídeos (6/7, 8/9 e 10/11) da campanha

quarta-feira, dezembro 09, 2015

A questão da composição do Conselho de Estado

Ou o Conselho de Estado em (falsa) questão. 
Ou o Conselho de Estado em qu'estão (eles...) 
Ou o Conselho de Estado em mais um "round" de uma luta par(a)lamentar com centro na AdaR. 
Ou o Conselho de Estado e o que é e como é: 
ESTATUTO DOS MEMBROS DO CONSELHO DE ESTADO 
LEI N.º 31/84, DE 06.09 
A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 164.º, alínea d), 167.º, alínea g) e 169.º, n.º 2, da Constituição, o seguinte: 
CAPITULO I 
Disposições gerais 
Artigo 1.º (Definição) O Conselho de Estado é o órgão político de consulta do Presidente da República.
Artigo 2.º (Composição) O Conselho de Estado é presidido pelo Presidente da República e composto pelos seguintes membros: 
 O Presidente da Assembleia da República; 
O Primeiro-Ministro; 
O Presidente do Tribunal Constitucional; 
O Provedor de Justiça; 
Os presidentes dos governos regionais; 
Os antigos presidentes da República eleitos na vigência da Constituição que não hajam sido destituídos do cargo; 
5 cidadãos designados pelo Presidente da República pelo período correspondente à duração do seu mandato; 
5 cidadãos eleitos pela Assembleia da República, de harmonia com o princípio da representação proporcional, pelo período correspondente à duração da legislatura.

a ver vamos...


Presidenciais - sessão com Edgar em Santarém

"16 dias contra a violência sexista-género"-4 (de 8)

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Convite


terça-feira, dezembro 08, 2015

Presidenciais

Começam a mexer as presidenciais. Ontem, Edgar Silva foi o segundo (depois de Paulo Morais) a formalizar a candidatura. 
Ou seja, hoje há 2-candidatos-2, embora para a comunicação pareça que tudo isto é tempo perdido porque trata um candidato como se fosse o único e os outros meros acessórios para emprestarem democraticidade ao acto de 24 de Janeiro. 
Depois, entre as candidaturas acessórias, há uma que é, como de costume (vinda de onde vem), mais acessória que as outras. Veja-se um exemplo, no Público de hoje:
Isto na página 8, transbordando foto e matéria deste candidato que ainda não formalizou a candidatura para a página 9, onde há também notícias sobre outras candidaturas (as "acessórias de primeira" e fotos para as do sexo feminino).
Pois vamos recuperar a notícia (ou o que o deveria ser) sobre o candidato Edgar Silva, que formalizou a sua candidatura entregando 15 mil assinaturas de proponentes (o máximo!) no Tribunal Constitucional, notícia que foi remetida para o canto inferior direito da página par.
   

"16 dias contra a violência sexista-género"-3 (de 8)

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segunda-feira, dezembro 07, 2015

"16 dias contra a violência sexista-género"-2 (de 8)

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Extracto de "diário" face a notícias

07.12.2015

(enquanto na França, enquanto na Venzuela)

Há dias-sim.

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Como há dias-não.

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Como há dias assim-assim.

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Como há dias assim-assim… sim!

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Como há dias assim-assim… não!

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Este está a ser um dia sim e assim –assim… não!

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As duas coisas misturadas.

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António Machado disse que Caminante, no hay camino/se hace camino al andar”, e não nos cansamos de no-lo dizer, e de o dizer a outros, para que outros connosco caminhem.

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Mas Machado disse mais, antes de dizer isto e depois de isto dizer, e muito mais temos de nos dizer e de dizer aos outros… que nós somos.

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Por pouco que seja!

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O caminho não é sempre em frente,  feito de auto-estradas sem limites de velocidade e sem portagens, de estradas sempre rectas e sem curvas, sem outros a caminhar a nosso lado (ou em contra-mão) e em velocidades que assustam até chocarem em desastre final (para eles e para nós-outros).

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Há, por vezes, que andar para trás (embora nunca se volva exactamente às "casas de partida" e aos lugares de antes de começar a caminhar); há, muitas vezes, que dar dois passos ao invés do passo em frente, para que, depois, se dêem passos em frente, no caminho a fazer “al andar”.

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Enquanto, aqui, porque aprendemos a História e na História nos escoramos, estamos a dar pass(inh)os, noutros lugares e espaços, se dão passos atrás nos caminhos abertos e sempre com obstáculos e intercepções e interesses que não os nossos, a quererem travar-nos o passo. 

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Mas, como mais dizia Machado, “… Al andar se hace el caminho/y al volver la vista atrás/ se ve la senda que nunca/se ha de volver a pisar./Caminante no hay caminho/sino estelas en la mar”.

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Ou, mais prosaicamente: a luta continua!

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Contínua!

"16 dias contra a violência sexista-género"-1 (de 8)

"16 dias de acção contra a violência sexista-género" (16 Days of Activism Against Gender-Based Violence) é uma iniciativa internacional que data de 1991, do Women’s Global Leadership Institute. De 25 de Novembro (Dia Internacional pela eliminação da violência contra as mulheres) e o dia 10 de Dezembro (Dia Internacional dos direitos humanos) procura sublinhar-se que a violência sexista e a violência contra as mulheres constituem uma violação dos direitos fundamentais do ser humano. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho participa numa campanha mundial e chama a atenção para o problema crucial da violência sexual e sexista nas situações de conflito armado e de catástrofe, que será um dos temas da sua XXXIIª conferência internacional. A campanha insiste no facto de que em todo o universo se pode ser vítima deste tipo de violência, ainda que alguns e algumas lhe estejam mais expostos, em razão da idade, de deficiência, de origem étnica, por separação da família, deslocados ou migrantes. As catástrofes exacerbam as descriminações e as desigualdades já existentes,e desencadeiam, muitas vezes, um acréscimo da violência baseada no género durante e após as catástrofes.

Participamos na divulgação desta iniciativa, a partir do texto acima - que não encontrámos em português - e da exposição dos vídeos, dois por dia.
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(desenhos de 
João Morais Ribeiro)

domingo, dezembro 06, 2015

Reflexões lentas - num domingo de necessário apaziguamento

Nem o bom senso, uma mínima lucidez, trava a campanha. 
É por isso que, sendo tão legítima como a "esquerda", enquanto uma leitura da História e um projecto futuro consequente com ideologias que colocam o indivíduo a prevalecer sobre colectivos, a "direita"  é perigosa. 
Quando se vê em riscos de perder poder ou em saída do poder (do poder de decidir, de governar, de aproveitar ser poder) perde a cabeça. Descamba no radicalismo e no extremismo, acusa toda a "esquerda" de ser radical e extremista, não olha a limites, a meios-termos, perde (com senso) e lucidez. Torna-se perigosa
E desencadeia campanhas. Que têm como alvo a esquerda que tem o objectivo de transformar o mundo, e que também é alvo de ataques da "extrema esquerda", da que quer (ou diz querer) a revolução já!, alheia às condições em que se desenvolve, ou pode desenvolver, a luta revolucionária. Luta que tem um tempo (todo o tempo) para se fazer, e que só pode ser feita com gente... e para as gentes.
Vivemos um momento em que isto nos parece evidente (ou que para nós é evidente).
A campanha anti-comunista chega a ser ridícula, até porque alguns dos seus protagonistas o são. Acabamos de digerir alguns exemplos,e, num texto sobre o 25 de Novembro, que nem se incluiria nessa campanha extremista porque é interessante, útil (e discutível...) encontra-se, no título e no lead, um sinal denunciador dessa campanha falsificadora e ultramontana.
Diz o título, em parangonas, REVOLUÇÃO OU MORTE!, escreve-se no lead "Nos derradeiros três meses da revolução, a disciplina e a hierarquia de numerosos quartéis foram subvertidas por um movimento auto-denominado Soldados Unidos Vencerão (SUV). Apoiado pelo PCP e por toda a extrema-esquerda, nascido no Porto (...)
Neste momento, no meio da linguagem e dos ataques desbragados e falsificadores ao PREC e ao PCP, isto vem mesmo a calhar. Para assustar?!
Quem ler o texto, de J. P. Castanheira, lerá múltiplas referências ao PRP, ao LCI, ao MES, pode ler que "na sua génese (cuja paternidade é dada ao LCI e PRP) participaram também militares ligados ao MES e ao PCP", mas pouco ou quase nada encontrará que justifique o destaque que "merece" o PCP  no lead. Um desses militares, nessa altura ligado ao PCP, diz mesmo "o nosso envolvimento nos SUV foi ditado por essa abordagem estratégica (organizar uma frente de resistência aos saneamentos nos quartéis, movida por Pires Veloso), mas também para temperar o movimento porque aquela malta era louca."
Quantas loucuras e aventureirismos tiveram (e têm) de se evitar ou tentaram evitar por aqueles que, mais tarde, na contrafacção histórica são responsabilizados por loucuras e aventureirismos, ou do que se pretende consensualizar como tendo-o sido!
  
    

sábado, dezembro 05, 2015

Um ódio que mete dó!

Eles estão mesmo descontrolados. Eles pensam a vida e o mundo substituindo os sentidos, que cinco seriam com mais um sexto que só alguns terão, por um único. Que é o seu umbigo. Mas são muito inteligentes, muito cultos, leram tudo o que valia a pena ler, viram têm tudo o que valeria a pena ver, ouviram tudo o que valeria a pena ouvir. E tudo filtraram pelo tal umbigo, tudo coado e transformado em opiniões definitivas e inabaláveis. 
Eles têm um ódio que os une nas suas rivalidades e invejinhas recíprocas: o ódio aos comunistas. A essa gentinha (segundo eles...) que tem a ousada pretensão de transformar o mundo. Este mundo em que eles se sentem como peixinho colorido em aquário, procurando suscitar ohs! de admiração e alimentando-se das iguarias sofisticadas que o mercado criou para animaizinhos de (boa) companhia.
Viviam nababamente, instalados em mansões nestas paragens à beira Atlântico e,por vias deste, de outras terras e caminhos, fazendo tranquilamente os seus "números", depois de terem apanhado um susto lá pelos anos 74 e 75 - a que, aliás, se tinham forçado, com juvenil radicalismo, a adaptar na convicção de que as revoluções se fazem já! -, e eis senão quando um sobressalto os agita.
Eles, que tinham enterrado em definitivo seus juvenis arroubos nas pedras que ruíram de um demonizado muro, eles que, embora desconfiados, passaram certidões de óbito a um partido comunista que comunista queria continuar a ser, eles reagem, entre atarantados e peremptórios, ao que está a acontecer ao redor do aquário aquecido e iluminado.
Veio ao de cima o que dentro de si têm vindo a guardar e a acarinhar: o desprezo ou a zanga pelos outros, que os enfastiam e incomodam, e o ódio aos comunistas, que nos outros se revêm e que, como lhes é natural, querem mudar as suas desgraçadas situações de hoje sem desistirem de transformar o mundo.
E, se assustados parecem, a verborreia extravasa-os. Alguns exemplos nos entram em casa, como afirmações inteligentíssimas (embora torcendo a História) de eu, comunista não sou, ou como ardilosas construções de inimizades íntimas que falsificam a tão maltratada História. 
Um ódio de classe por interpostos e servidores escribas de auto-reclamada e elogiada qualidade intelectual. 

Sinto necessidade de escrever isto porque também, de vez em quando, extravasa o meu copo de paciência. E bem largo e alto ele é... ou se foi tornando.
Um títere que se assina Vasco Pulido Valente, e que tem à disposição três colunas na última página do Público, editou um vómito intitulado Os dois governos, em que tropecei, e onde li coisas que VPV bolsou sobre os comunistas, sobre Álvaro Cunhal, sobre o Partido, sobre «o "centralismo democrático", que matou milhões» (!).
Para recuperar do incómodo que a exposição de tanto ódio cego me provocou, fui passar os olhos pelo O Partido com paredes de vidro, onde há alguns trechos do capítulo A democracia interna, que se recomendaria como terapêutica se tal enfermo tivesse cura. Mas não tem! 

É, só, um ódio que mete dó!

sexta-feira, dezembro 04, 2015

Reflexões lentas - Cidadania e inaceitável, lamentável e condenável

  • Obrigatório. 

Deveria ser obrigatório que, no ensino assim chamado, todos os jovens em vias de se tornarem cidadãos, aprendessem o mínimo de... cidadania. 
  • Cidadania.

A cidadania resulta da convivência e de regras que, para ela, é necessário estabelecer, cumprir e fazer cumprir, regras que se não podem desconhecer e são as leis (e porque são: circular por um dos sentidos da via - na estrada pela direita, nos caminhos de ferro pela esquerda), de que a primeira é a lei de onde dimanam todas as outras, isto é, a Constituição, saber o que é o Estado, como funciona nas suas linhas mestras - os poderes (legislativo, executivo, judicial) e como se organizam e articulam (Presidência da República, Assembleia da República, Governo, Poder Autárquico).
  • Inaceitável.

É inaceitável que os cidadãos que se propõem representar os outros enquanto exercício de delegação do poder de todos em apenas alguns (como tem de ser, pois não podem todos fazer tudo o que a todos respeita), desconheçam esse mínimo de... cidadania. E mais, se boicote quem queira repor a verdade e se apresente numa postura cidadã.
  • Lamentável.

Por isso, é lamentável, próprio de burlões, que quem, não podendo desconhecer as regras da cidadania, não só não as cumpra, como não as divulgue e, pior ainda, use de má fé e informe os concidadãos de maneira errada para conseguir essas delegações de poder. Exemplo: sabendo-se que os cidadãos nas legislativas, elegem os deputados do seu círculo eleitoral para formarem, com os eleitos pelos outros círculos eleitorais, o orgão democrático representativo por excelência, a Assembleia da República, haja quem faça campanha como se o voto fosse para escolher o governo ou o primeiro-ministro.
  • Condenável.

Sendo assim, é condenável (não sei é como...) que, depois de, apesar de tudo e no final de um processo complicado, tudo tenha acabado funcionando de acordo com as regras que são as da nossa cidadania, da Constituição e do Estado que são os nossos, haja quem insista na burla a partir da mentira repetida e glosada de que os cidadãos têm um chefe de executivo que não elegeram, que está nesse lugar contra a vontade do povo (nas suas costas), por golpaça contra aquele que o povo elegera, e repitam a mentira com desvergonha e como se pudessem substituir-se ao que obriga todos. Também a eles.
  • Denúncia.

Exemplificando os actos e dando o nome aos protagonistas, os discursos da chamada direita a merecer o apodo de extrema direita e de radical, com que apostrofam a esquerda que não é radical (mas tão-só esquerda), feitos na discussão do programa de governo feitos por Telmo Correia, Paulo Portas, Passos Coelho (houve mais, mas estes salientaram-se), insistiram em qualificar o primeiro-ministro de não-eleito como se fosse um insulto, quando nenhum primeiro-ministro, no quadro da cidadania portuguesa, foi eleito ou será enquanto for este o processo. Eleitos são o Presidente da República, os deputados da AdaR, os eleitos no poder autárquico. 

Este é apenas um sinal!   
   

quinta-feira, dezembro 03, 2015

Gente que não é séria

 - Edição Nº2192  -  3-12-2015

Burlas e mentirolas

Mesmo conhecendo-se que não se deve mexer no que está enterrado justifica-se ainda assim voltar a uma das mais visíveis burlas políticas que o governo de Passos e Portas inscreveu na sua passagem pelo poder. Aludimos, naturalmente, à sobre-taxa e à cenoura eleitoral que a sua devolução constituiu, a que não faltou, como nos grandes golpes não falta, a minúcia da encenação que o designado «simulador» do Portal das Finanças preencheu.
A sua evocação não é determinada pelo receio de que tendo sido enterrado possa agora ressuscitar. Voltar ao assunto encontra, sobretudo, razão nesta comprovada falta de memória que a vertigem dos acontecimentos, por mais vis que sejam, acabam por ter na voragem noticiosa que nos submerge. Daqui a poucos meses poucos se lembrarão da golpada política do anterior governo, ainda que seguramente muitos portugueses se tenham decidido, eleitoralmente, em função daquele logro. Talvez ainda menos se lembrem do modo como Passos Coelho sacudiu, em entrevista a um canal de televisão, as suas responsabilidades, por mais difícil que a escolha se apresente entre o que daquela entrevista se deve eleger como mais indigno: se a tentativa de se defender invocando não de tratar de uma promessa mas tão só de uma previsão; se a ligeireza com que tentou transferir explicações para os titulares da pasta das Finanças. Como ainda menos são os que se lembrarão do papel amplificador do semanário «Expresso» naquela burla política. Não fosse a manobra eleitoral de PSD e CDS suficientemente eficaz, aí tivemos aquele jornal a titular a uma semana das eleições «Devolução da sobre-taxa cada vez mais próxima». E para que dúvidas não subsistissem quanto ao seu alinhamento com Passos e Portas foi ver o «Expresso» a escrever exultante, não fosse a burla passar despercebida, que se o «governo conta com 35 por cento de devolução, o simulador do Expresso aponta para valores entre os 60 por cento e os 100 por cento»! Diz-se, e com verdade, que a mentira tem a perna curta. E apesar da memória não ser, em regra, muito mais longa do que a perna, a verdade é que a mentira vem sempre ao de cima mesmo quando aquela é difundida por quem se arvorando de «referência» não passa de uma mera bússola que o magnetismo do grande capital determina.
Jorge Cordeiro

Gradações ou degradações

Há, em política feita por cidadãos que mereçam o qualificativo, uma regra: o respeito pelo outro, por mais que dele se discorde.
Ora se o outro, ou os outros, cumprindo os preceitos legais que a todos obrigam, tiveram procedimentos ou provocaram situações de que se discorde, só há que os respeitar, sem prejuízo de os debater e combater dentro desses preceitos.
Paulo Portas, agora associado a Passos Coelho (e mais alguns de segundo plano mas que os seguem), são a prova ad contrarium  do que tanto deveria ser prezado. Procuram achincalhar, o que pode fazer rir mas é muito... muito feio. Só lhes fica mal, mas eles lá sabem. 
Nem a atenuante têm de terem procurado achincalhar em dia de chocalho, justificando onomatopeias. 

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Direitos humanos em Cuba









































lá estarei...