domingo, março 06, 2016

Claro, esclarecedor... para quem quiser, claro!

ENTREVISTA
“Não colocamos as questões no plano da intransigência e das linhas vermelhas”
 
02/03/2016 - 07:27
 Depois do sim histórico do PCP ao orçamento, o partido está a discutir as propostas na especialidade com o PS e há medidas de justiça fiscal e de aumento das pensões que vão obrigar os socialistas a tomarem decisões, diz João Oliveira, líder parlamentar dos comunistas.João Oliveira, líder parlamentar do PCP NUNO FERREIRA SANTOS
Os comunistas admitem ajudar o Governo a desenhar as medidas adicionais que Bruxelas pediu – desde que seja para ir buscar receita aos grandes grupos económicos e às grandes fortunas, diz o líder parlamentar. João Oliveira afasta quezílias com o Bloco, mas quando diz que o PCP prescinde da “encenação em favor da substância” não está a fumar o cachimbo da paz.
Jerónimo de Sousa admitiu que foi difícil a decisão de votar a favor deste Orçamento do Estado (OE). A reunião do Comité Central em que se decidiu o voto favorável foi mais complicada do que a que ratificou o acordo com o PS?
Não. Foi uma boa reunião de discussão, reflexão e de afirmação da unidade e coesão do partido na intervenção neste quadro político com todas as exigências que ela tem.
Quais foram as principais críticas levantadas na reunião?
As preocupações e a apreciação crítica estão traduzidas no comunicado do CC. Quer a apreciação crítica dos aspectos negativos, e contra os quais o PCP terá que se bater, quer sobre o que é insuficiente ou limitado, quer também em relação às medidas positivas a que dá expressão.
O OE traz coisas novas positivas, como o desaparecimento de um conjunto de artigos que restringiam direitos dos trabalhadores, limitações às autarquias, prestações sociais. Ou medidas que resultam do contributo relevante do PCP para o articulado, como o combate à precariedade na administração pública. E ainda outras medidas que já foram tomadas e são agora concretizadas, como a devolução dos salários, a redução e eliminação da sobretaxa, a reposição dos complementos de pensão.
No seio do PCP ainda há quem esteja dividido em relação a este apoio ao PS?
Temos noção que os compromissos que o PS mantém com a UE e a zona euro limitam muito a capacidade de discutir neste OE medidas de outro fôlego para responder aos problemas do país, ao apoio aos sectores produtivos e à recuperação a economia nacional.
E o PCP tem a consciência que apesar dessas limitações as coisas se fazem passo a passo – é isso que representa o voto favorável?
Sim, apesar dessas limitações e sem prescindir da nossa perspectiva de fundo de que essa resposta só pode ser dada com a política patriótica e de esquerda que nós propomos. Sem perder esse objectivo de vista, aquilo que estamos a procurar fazer nesta fase é, a partir desta correlação de forças que existe na AR, levar tão longe quanto possível a concretização das medidas que sejam positivas para recuperar direitos, rendimentos, desenvolvimento do país, ter justiça social.
Tendo em conta a análise crítica, a abstenção ou voto contra estiveram em cima da mesa?
Quando se trata de apreciar a posição de voto em relação a qualquer medida, qualquer opção tem de estar em cima da mesa.
Fizeram-se contas com os sentidos de voto já anunciados?
Esse calculismo aritmético nunca seria bom para a solidez das posições. Isso implica ficar dependente das posições dos outros para um determinado resultado. Essa perspectiva não é boa.
O sentido de voto foi votado no CC? Com que resultado?
A convocação da reunião do CC não teve como objectivo transferir para o CC uma responsabilidade que é da direcção do PCP. O comunicado do CC que faz a apreciação de fundo sobre o OE e que inclui a perspectiva de votação favorável na generalidade foi aprovado por unanimidade.
Foi um voto histórico do PCP. Mas foi contrariado?
Não, julgo que não. É um sentido de voto que é apurado com uma noção muito clara da situação e da avaliação que se faz do OE.
Como é que o PCP explica aos seus militantes reformados que têm a pensão mínima, ou que estão desempregados e sem apoios sociais que aprovou o OE ao mesmo tempo que o critica?
A resposta a essa pergunta não pode partir da circunstância individual de cada um; tem que ser uma apreciação política global. Mas pego na situação que refere: até para os desempregados sem prestações sociais pode haver uma resposta clara com a concretização de uma proposta do PCP sobre o subsídio social de desemprego. Num quadro de Governo PSD/CDS isso seria impossível.
E como explica aos reformados do PCP que votou contra a actualização das pensões à taxa da inflação prevista, como propunham PSD e CDS, e aceite os 0,4% do PS, que é mais baixo?
Porque o que PSD e CDS propunham era que os reformados ficassem eternamente amarrados à perspectiva de só terem aumentos das pensões se houvesse mais inflação e crescimento económico. Nós temos uma opinião diferente: deve haver um aumento real do valor das pensões, para lá do valor da inflação, para se poder recuperar poder de compra e vamos apresentar propostas nesse sentido.
Que propostas são?
Não temos a formulação definitiva. Pode passar por aumentos extraordinários que em alguns anos façam subir mais depressa ou mais devagar, acima da inflação e a determinado ritmo. Ou pode-se fixar com critérios que majorem o valor do aumento do valor em função da inflação.
Como está a decorrer a negociação das propostas do PCP na especialidade com o PS?
A discussão vai sendo feita. Estamos a discutir se poderá haver alguma coisa sobre o subsídio social de desemprego, a possibilidade de redução da taxa máxima do IMI, a progressiva gratuitidade dos manuais escolares e o não aumento das propinas.
São matérias em que há aumento da despesa e diminuição da receita. Foi pedido que propusessem receita para compensar?
A discussão não é feita na base da moeda de troca. Temos discutido a possibilidade de haver um aumento da taxa de adicional de solidariedade em sede de IRS para os rendimentos acima de 80 mil e 250 mil euros. Na nossa estimativa, um aumento das taxas de 2,5% para 3,75% nos rendimentos acima de 80 mil euros e de 5% para 7,5% nos rendimentos acima de 250 mil euros permitia uma receita de 15 milhões de euros.
Outra proposta é o aumento da contribuição sobre o sector energético, que tem uma taxa de 0,85% [há ainda taxas intermédias consoante o tipo de negócio]. Com um aumento de 50% da taxa permite uma receita de 60 milhões de euros. Temos discutido outros exemplos de justiça fiscal: o imposto sobre o património mobiliário (acções, títulos) pode ser modulado. Temos uma proposta de aplicação ao património acima dos 100 mil euros, mas podem ser considerados aumentos temporários diferentes. Se incidisse sobre património acima de um milhão de euros com uma taxa de 1%, significava 150 milhões de euros de receita.
Qual a receptividade do PS?
Tem havido reflexão e troca de argumentos; não diria que possa estar fechada qualquer uma das propostas, mas o exemplo do IMI e dos fundos imobiliários comprova que vale a pena insistir.
Qual a redução da contribuição para a ADSE que vão propor? O Governo já admitiu o alargamento dos beneficiários.
Ainda estamos a avaliar a modelação de forma a não comprometer a sustentabilidade da ADSE, não temos a proposta fechada. O alargamento da ADSE tem que ser equacionado em função do destino dado ao dinheiro. Não nos agrada a perspectiva de transformação da ADSE num seguro de saúde que sirva para financiar o negócio privado da saúde. Deixaremos para mais tarde.
O voto final favorável também está garantido?
A apreciação feita para já foi do OE na generalidade. Portanto até à decisão sobre a votação final ainda teremos que fazer um trabalho de análise.
Está dependente de questões que o PCP considere imprescindíveis como o aumento real das pensões?
A consideração sobre a votação final global resultará do que globalmente no final for o OE. Nós não temos a perspectiva das linhas vermelhas. Batemo-nos por propostas com a noção do que é justo, necessário e do que não é possível aceitar.
Não há linhas vermelhas neste OE?
O que nós fazemos é uma discussão em função dos problemas a resolver e dos objectivos políticos a alcançar na resposta a esses problemas. Não colocamos as questões no plano da intransigência e das linhas vermelhas.
O aumento real das pensões é fulcral?
O objectivo político nas matérias das pensões deve ser o aumento real com o critério da reposição do poder de compra aos pensionistas - e é por ele que nos vamos bater.
Como lê a estratégia do PSD de votar contra o articulado e se abster nas propostas de alteração para forçar o PS a votar contra o PCP?
É uma posição que resulta dos compromissos que o PSD tem com a política de retrocesso e exploração que se está a procurar inverter. Não me estranha.
Sente-se pressionado para não desafiar o PS?
No dia em que nos deixarmos condicionar nas propostas pelas posições que o PSD assume não estamos a fazer aquilo que resulta dos nossos compromissos com os trabalhadores e o povo português.
Então o que PCP e PS podem fazer para contrariar essa ideia da geringonça a perder peças veiculada pela direita?
A preocupação com o discurso do PSD e CDS sobre a dita geringonça não deve ocupar um minuto na vida de ninguém.
O termo irrita-o?
De forma nenhuma. É um termo suficientemente superficial e aligeirado para não irritar.
Que termo usaria, em troca, para classificar o PSD e CDS?
Na política não é bom pensarmos em função de moeda de troca. O Jerónimo certamente tem muito melhores condições para arranjar uma expressão popular que corresponda a isso. (risos) Eu não tenho nenhuma.
PCP e BE estão de acordo há muito tempo sobre a renegociação da dívida. Não teriam uma posição de maior força sobre o PS se apresentassem uma proposta conjunta?
Porquê? Quando a 5 de Abril de 2011 apresentámos a proposta pela primeira vez estávamos isolados. Ninguém nos acompanhou. É de saudar o caminho que o Bloco fez de se aproximar da proposta do PCP. E na sociedade portuguesa cada vez mais muita gente reconhece a justeza e necessidade dessa proposta. Julgo que mesmo entre aqueles que a recusam liminarmente há a consciência de que mais cedo ou mais tarde lá teremos que chegar. Até o FMI já o reconheceu num relatório há uns anos.
O ministro das Finanças disse que está aberto ao debate mas só quando a questão se colocar em termos europeus. Viu nisso uma abertura à proposta do PCP?
Não sei se será exactamente uma abertura. A discussão que tem sido feita na sociedade tem vindo a confirmar o espaço cada vez mais reduzido que têm aqueles que defendem que a dívida não deve ser renegociada.
Há perspectivas que são colocadas como se fossem de renegociação a dívida que verdadeiramente não o são. São perspectivas de reestruturação da dívida num quadro europeu que considere a intervenção do BCE e que implicam novas perdas de fatias de soberania nacional. Se é verdade que uma parte da dívida é ilegítima também é verdade que, do ponto de vista da renegociação, o processo só faz sentido se ele tiver associado um conjunto de medidas: os milhares de milhões de euros que deixamos de pagar pela dívida temos que os usar no apoio aos sectores produtivos, na criação de emprego. Ou seja, deixar de gastar dinheiro com os juros da dívida para aplicá-lo bem.
O problema que existe em relação à renegociação da dívida é a opção de fundo que o PS faz pela sua não renegociação. A partir do momento em que o PS assume a opção pelo não questionamento das regras do euro, das opções económicas no plano europeu, das imposições a partir da UE sobre a nossa soberania – a que nós chamamos constrangimentos - é natural que o PS aja nesse quadro.
Porque é que o PCP não integra o grupo de trabalho sobre a dívida que o BE vai ter com o Governo?
Não me vou intrometer na forma como o Bloco decidiu relacionar-se com o PS e com o Governo. O que faz sentido é fazer uma discussão sobre as questões da renegociação da dívida. Se o BE preferiu fazer um grupo de trabalho e nós preferimos fazer essa discussão bilateralmente com o PS, a diferença não é grande. O nome que se dá às coisas não altera a substância das negociações.
Não haverá uma altura da legislatura em que o PCP coloque a renegociação da dívida como condição para continuar o apoio parlamentar?
Desde o dia 7 de Outubro ficou claro para nós e para o PS que cada um é autónomo em relação às suas posições e que há matérias em que já sabemos que não convergimos. O grau de compromisso que se alcançou nessa discussão, que está traduzida na posição conjunta, reflecte aquilo em que foi possível encontrar convergência. As matérias da renegociação da dívida não são uma dessas matérias.
O voto contra no rectificativo fez mossa na relação com o PS?
Julgo que não surpreendeu ninguém a posição do PCP de não aceitar que fossem os portugueses a pagar a falência de mais um banco.
Nas propostas da renegociação da dívida e do Novo Banco PCP e BE pareciam estar a ver quem chega à meta primeiro.
Não vejo isso como tentativa de chegar à meta. Se a questão é sobre quem apresenta iniciativas primeiro… em 2011 entrou na AR o nosso primeiro projecto de renegociação da dívida e há dois anos apresentámos uma proposta para o controlo público da banca. A nossa proposta do Novo Banco decorre dessa.
Não há corridas?
Nós não intervimos politicamente com a preocupação da corrida ou de uma capa de jornal. Nem apresentamos iniciativas na AR com o objectivo de chegar à frente de quem quer que seja, mas com o objectivo de dar resposta a problemas concretos com soluções concretas.
Então como estão as relações com o Bloco? Não se cruzaram no acordo, não houve um aperto de mão no orçamento…
Eu compreendo que essa componente de encenação na política se tenha tornado uma coisa tão marcante que as pessoas já não consigam viver sem ela, mas nós prescindimos da encenação toda em favor da substância das coisas.
Não há desconforto, mesmo depois de duas eleições em que o BE ganhou tanto terreno?
Da nossa parte não. Nós não medimos a nossa intervenção nem pelos nossos resultados eleitorais nem dos outros. Até porque nas últimas legislativas nós crescemos: aumentámos os votos e o número de deputados, só temos que ficar satisfeitos com isso.
Mas o BE cresceu muito mais…
Em que é que isso prejudica o nosso resultado? Julgo que em nada.
O PCP podia ter maior poder de influência sobre o PS.
Ah, mas quem fizer disso critério de avaliação dos seus resultados eleitorais poderá chegar a essa conclusão, mas nós não fazemos. A correlação de forças não é indiferente, agora as relações que temos ou não com o BE a partir dos resultados eleitorais que cada um tem isso não são elementos que tenham correspondência.
Vai ajudar o Governo na preparação das medidas adicionais pedidas por precaução por Bruxelas?
Nós temos muitas soluções para os planos A de resposta aos problemas.
E tem vontade de participar num plano B?
Todas as medidas que sejam positivas para os trabalhadores e para o povo português nós cá estamos para as apoiar. Todas as que não o sejam contarão com a nossa oposição. Se forem medidas adicionais para obrigar os grandes grupos económicos a pagar mais impostos ou para tributar de forma mais justas os mais ricos entre os ricos, cá estaremos para adicionar essa medida.
Quando a maior parte dos pontos do acordo estiverem cumpridos o que se faz? Um aditamento durante a legislatura ou é um documento intocável?
Acho que se está a dar por curto um caminho que não é pequeno. Há muita coisa que está por fazer. Há um conjunto de questões da posição conjunta que não são de pouca monta. A começar pelo primeiro: combate à precariedade. Por isso agendámos um debate logo a seguir ao orçamento, para dar sinal de que é preciso dar prioridade ao assunto, apresentámos iniciativas e temos uma campanha política na rua desde 18 de Fevereiro.
Se será feita em menos de quatro anos? Depende da rapidez com que o trabalho for feito e da intensidade que se colocar. Há medidas aprovadas que também não estavam no acordo e só foi possível por haver esta nova correlação de forças, como as indemnizações aos trabalhadores mineiros e os hospitais de Évora e do Seixal.
Se conseguíssemos amarrar a vida nas linhas do papel provavelmente a vida tinha muito menos interesses.
O que espera de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém?
Eu espero que cumpra a Constituição e que lhe dê cumprimento de forma cabal porque já seria uma novidade relativamente ao exercício daquelas funções. Tenho que esperar o melhor e estar preparado para o pior, como aquela máxima do Antonio Gramsci do optimismo da vontade e o pessimismo da razão. E espero também não ter que chegar ao final do seu mandato fazendo um balanço tão negativo como fazemos deste que agora cessa funções.
Já alguém do PCP se reuniu com Marcelo?
Não tenho conhecimento disso.
Espera que seja coerente com as críticas que fez às políticas do PSD quando era comentador?
Espero que seja mais coerente com o cumprimento da Constituição do que com qualquer outra coisa e, sinceramente, que a coerência seja de facto com o juramento que vai fazer no dia em que vai assumir o mandato.

sexta-feira, março 04, 2016

Crónica internacional - a luta pela Paz


 - Edição Nº2205  -  3-3-2016

Cessar-fogo?

Seria bom se o acordo de cessar-fogo na Síria, assinado no dia 22 de Fevereiro pela Rússia e EUA, e que já teve o aval do governo sírio e do Conselho de Segurança da ONU, representasse o fim da mortífera guerra que há mais de quatro anos destrói aquele país laico do Médio Oriente. Mas essas esperanças não assentam sobre bases sólidas.
Logo no dia seguinte à assinatura do acordo, o Wall Street Journal citou «um alto funcionário governamental» para afirmar que o ministro da Defesa Ashton Carter, o Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, General Joseph Dunford, e o director da CIA John Brennan formaram uma «aliança emergente de falcões face à Rússia, que evidencia discórdia no seio dos altos funcionários militares e diplomáticos» e defende uma escalada militar contra o governo sírio e a Rússia. Segundo o jornal, esses altos dirigentes dos EUA exigem medidas para «fazer os russos sofrer a sério» e dá como exemplo «o fornecimento de armas terra-ar que permitam aos combatentes oposicionistas travar o poder aéreo russo, com sistemas que representem uma mudança de fundo no curso dos acontecimentos». Tradução: capazes de abater aviões russos. Dois dias mais tarde, os EUA procediam «ao segundo lançamento dum míssil balístico inter-continental no espaço duma semana». Para que não ficassem dúvidas, o vice-ministro da Defesa Robert Work afirmou que os ensaios «enviam uma mensagem de que Washington tem um arsenal nuclear eficaz, aos rivais estratégicos como a Rússia, a China e a Coreia do Norte. 'É precisamente para isso que o fazemos', afirmou» (Reuters, 26.2.16).


O anúncio do cessar-fogo resulta da dramática situação em que se vieram a encontrar os bandos terroristas que combatem a guerra de agressão imperialista contra o povo sírio, fruto da colaboração militar do governo sírio com os seus aliados russos, iranianos e do Hezbollah. Terroristas a soldo dos EUA, como os próprios admitiam em tempos que pareciam mais prometedores: «Num escritório secreto próximo da fronteira síria aqui [na Turquia], agentes secretos dos Estados Unidos e seus aliados […] pagam salários mensais de pelo menos $100 a cerca de 10 000 combatentes no Norte da Síria» (New York Times, 18.9.14). Terroristas que incluem o ISIL e a Frente al-Nusra, a quem o economista norte-americano Michael Hudson chama uma «Legião Estrangeira Americana, que é enviada para qualquer país que se pretende destruir e conquistar» (entrevista publicada em www.nakedcapitalism.com, 17.2.16).


É certo que as discórdias cada vez mais públicas entre ramos diferentes do governo dos EUA, ou entre este e alguns seus aliados (como Israel ou a Turquia) reflectem os fracassos e o enfraquecimento relativo da super-potência imperialista. Mas, para além dos arrufos, o cessar-fogo representa uma possibilidade de aliviar a pressão sobre esses bandos e recuperar forças. É também natural que haja nestas notícias e declarações a vontade de fazer voz grossa num momento de recuo. Mas o belicismo imperialista tem causas objectivas e seria perigoso subestimar a criminalidade da classe dirigente dos EUA e do seu «Estado profundo». O capitalismo encontra-se numa crise sistémica, que vai conhecer novos episódios graves. A correlação de forças económica está em profunda mudança. Nos próprios EUA, a intensidade da crise social reflecte-se na explosão de episódios de violência, no aumento da toxicodependência e da taxa de mortalidade, na diminuição da esperança de vida para os mais pobres (The Atlantic, 4.11.15; New York Times, 16.1.16) e também, embora de formas perversas, na própria campanha eleitoral presidencial. Incapaz de responder à sua crise, é grande a tentação de recorrer à violência sem freios. Também por isso, o último orçamento militar, proposto no mês passado pelo Prémio Nobel da Paz Obama, prevê um aumento de 1,8 mil milhões de dólares nas despesas com armas nucleares (Reuters, 26.2.16).



Jorge Cadima 

quarta-feira, março 02, 2016

Xi!! O que p'raí vai

Henrique Raposo é de direita. E é provocador. As duas "qualidades" dão chispa. E incendeiam quem, sendo de esquerda (ou alentejano, ou algarvio, ou queira a a terra para quem a trabalha, ou seja do PCP) tem razões (de sobra!) para não gostar da direita e...responde a provocações. Vai daí anda pelas redes (e sem rede...) um raio de um escarcéu. Que Henrique Raposo (e mais quem o edita) deve agradecer. Um outro Henrique (este, o Monteiro, a quem se pode chamar o que se quiser) veio ajudar com umas achas. Qu'Henricas prendas!

Ah! tem piada. Um dia destes li uma crónica do Henrique Iº sobre futebol e o Jesus que até gostei de ler. Não se pode ser assim, tão de direita e tão provocador, tão Henrique e tão Raposo, em tudo.

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

O PCP e o OE2016

DECLARAÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA

O PCP votará na generalidade a favor do Orçamento do Estado

No final da reunião do Comité Central, Jerónimo de Sousa anunciou o voto favor do OE sublinhando que "este voto é inseparável da avaliação quanto ao seu enquadramento, desenvolvimento e repercussões políticas e dos elementos positivos que registamos na proposta de Orçamento e que podem dar resposta a problemas imediatos dos trabalhadores e do povo português".

domingo, fevereiro 21, 2016

Para este domingo

"Provocado" pelo Samuel e pelas suas/nossas belas recordações - e de quem tão bem o seguiu - aqui estou eu, neste domingo, avec le temps




e sem nada esquecer
para... vivre debout
e tanto mais com que Brel me enche este domingo

AGENDA


21
FEB

AGENDA 

DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS



Reunião do Comité Central

Lisboa, 20:15

Reunião do Comité Central do PCP para analisar a situação Política e Social, o Orçamento do Estado, e tarefas do Partido.
As principais conclusões da reunião serão apresentadas pelo Secretário-Geral, Jerónimo de Sousa, em conferência de imprensa a realizar às 20h15, na sede da Soeiro Pereira Gomes, em Lisboa.

sábado, fevereiro 20, 2016

O que as aparências e os anúncios escondem


​Reino Unido garante “estatuto especial” na UE. Cameron convoca referendo                 




    rr.sapo.pt

Este o anúncio a divulgar...

 Esta  foi a notícia:

Há acordo União Europeia-Reino Unido
Ontem 22:16 Económico com Lusa

Anúncio feito pela presidente da Lituânia através da conta do Twitter e já confirmado pelo próprio Donald Tusk, líder do Conselho Europeu.


...para ingleses (e portugueses e "europeus") verem!

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Convocatória

Conselho Português para a Paz e Cooperação

Rua Rodrigo da Fonseca, 56 – 2º 1250 -193 Lisboa, Portugal

Tel. 21 386 33 75 / Fax 21 386 32 21 www.cppc.pt
Estimados/as Amigos/as

Na nossa última Assembleia da Paz aprovámos alterações aos Estatutos do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) que incluem a apreciação e votação do relatório e Contas de 2015, durante este mês de Março de 2016.
Assim, vamos realizar a Assembleia da Paz prevista no artigo 18º dos Estatutos do CPPC, no próximo dia 19 de Março, a partir das 13h30, na Casa da Cerca, em Almada, de que se junta a respectiva Convocatória assinada pelo Presidente da Mesa da Assembleia da Paz.
Entretanto, tendo em conta as inúmeras actividades previstas para este ano, resultantes da concretização do Plano de Acção e do Plano de Actividades para 2016, aprovados na última Assembleia da Paz, em 19 de Dezembro passado, a Direcção Nacional decidiu cooptar dois membros da Presidência do CPPC: Amílcar José Silva Campos e Carlos Manuel Garcia. Nos termos do artigo 11º dos Estatutos do CPPC, é necessária a sua ratificação nesta Assembleia da Paz.
Convidamos, desde já, todos os aderentes e amigos a também participarem no Seminário sobre a actualidade da luta pela Paz, que decorrerá a seguir à Assembleia da Paz, nesse mesmo dia, e no mesmo local, a partir das 15 horas e que contará com a participação da Câmara Municipal de Almada, do CPPC, da Presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP) e, entre outros, de alguns delegados de movimentos da Paz europeus que virão participar numa reunião da região Europa do CMP.
Saudações de Paz
Pela Direcção Nacional do CPPC

Ilda Figueiredo

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Por onde lhes pegar?

A financeirização/banqueirização  da vida social em todos os seus aspectos reflecte o funcionamento do capitalismo, é o resultado do que caracteriza este sistema de relações sociais. Toda a dinâmica do capital tem por base a relação entre os homens, relação que o define e que divide a sociedade em classes. Não é grande descoberta, nem suscita qualquer satisfação pessoal afirmá-lo, mas é indispensável - para a compreensão do que se vive e contributo para a sua necessária transformação - não deixar que tal seja escondido, negado, minimizado.
Cá por casa, a mediatização do atrito Governo/Banco de Portugal (ao nível de 1º ministro e governador) e a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banif com o alarido provocado não o podem escamotear. Como, a nível do processo de integração europeia, o episódio referendo no Reino Unido/negociações governo do R.U./Conselho Europeu (de que aquele faz parte, pelo são intestinas... e por isso tão mal cheiram) e suas aparências para inglês ver, como, como, a nível mais global, as quedas das bolsas, a dança dos juros e as variações e trambolhões das cotações (do petróleo em particular), o fio da navalha Turquia-Nato-Arábia/Rússsia sangrando na Síria, nada destas e nestas erupções epidérmicas - e algumas perigosíssimas para a Paz e sobrevivência mundiais - pode escamotear as causas fundas de um sistema em implosão controlada-adiada.
Repito-me nesta manhã em que tudo aparece embrulhado num novelo que tem conhecidas pontas, pontas desconhecidas por quem as teria de conhecer para que as transformações sejam no sentido do progresso humano. 
Por quais pontas lhe pegar?   

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

A próxima "cimeira decisiva" e as aparências para um referendo

Aproxima-se mais uma "decisiva cimeira" (que já assim se chamaram e hoje têm o nome de "Conselho Europeu").
Desta vez, dizem..., por causa das negociações entre o governo BRitânico e as instâncias da União Europeia. Mas, como Paul de Grawe titulou um esclarecedor artigo publicado a 6 de Fevereiro no caderno Economia do Expresso, que tinha ali de reserva, cuidado com as aparências! (http://expresso.sapo.pt/opiniao/opiniao_paul_de_grauwe/2016-02-06-Cuidado-com-as-aparencias).
É que, para além de todas as que este professor universitário belga justamente aponta, e com que nos pretendem enganar, há uma aparência que tudo condiciona que é a de que se está a fazer uma aparente negociação para inglês ver. Porque o que é "decisivo" não é que se chegue a acordo na "cimeira", é mostrar aos que vão votar no referendo que não vale a pena dizer não à UE, provocar o BRexit, porque Cameron já conseguiu, após estas duras negociações e peregrinações, tudo o que levaria a BRexitar!
O que é aparente não é o que é fácil mostrar-se que é aparente, é a democracia. O que se pretende evitar com esta panóplia de negociações e aparentes resultados, é a complicação que iria acrescer na complicada situação existente e criada pela dinâmica capitalista desta integração de Estados-membros aparentemente democráticos a terem de coexistir em estratégias decididas à margem de quaisquer resquícios de democracia. Decididas e executadas por "instituições" ademocráticas que de ademocraticidade se vangloriam por se afirmarem não dependentes de escolhas em que os povos participem e alheias a controlos e avaliações de outras instâncias onde essa participação possa assomar.
Com estas aparências, o que se pretende evitar, para além dos resultados perturbadores em tão perturbada conjuntura, é terem de se vir a encontrar artifícios que anulem os efeitos do voto popular, como já tanta vez tiveram de fazer depois de Maastrich (na Dinamarca, na França, na Holanda, na Irlanda, na Grécia, e por essa Europa dentro).
E tantas vezes o cântaro vai à fonte!  

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Reflexões lentas... só por nascermos






Páginas (que são reflexões) num quase.diário:


(...)
E, depois, é-se assaltado pelas “manchetes”.

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Que é, dos jornais, aquilo que todos lemos porque é o que nos é atirado à cara.

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Ainda ontem, ao lado das fotografias do mau tempo e das suas nefastas consequências, tínhamos amostras significativas do mundo em que nos querem obrigar a viver.

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E que temos o dever cidadão de nos esforçamos por tentar transformar.

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Como hoje também temos “manchetes” (digo) provocadoras, e amanhã iremos ter, de certeza.

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Mas aquela fotografia de um bébé a dar os primeiros berros de vida autónoma (mas dependente, mas dependente como sempre será) ficou-me nos neurónios (se é este o lugar onde certas impressões ficam e se fixam).

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E saltou-me para a impressora e desta, por digitalização, para o computador e anda por aqui às voltas para, talvez…, amanhã se apresentar na Universidade Sénior na conversa sobre cidadania, a nossa animada conversa semanal

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por nascermos?!

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Mas não é certo que agora (não no tempo em que eu nasci, e quando nasceram os meu filhos), agora logo à nascença somos considerados… cidadãos e, juntamente com o nome, é-nos atribuído um número de contribuinte.

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Para pagar impostos?

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Claro… mas quando? SÓ e quando se tiver um rendimento… por se ter nascido!

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Assim se nasce neste mundo monetarizado, em que se assimila cidadania a ter, logo logo ao nascer, um número de identificação fiscal e a ter direito, não à saúde (a não ser tendencialmente e com taxas de moderação), não à educação universal e gratuita, mas a um rendimento.

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Cujo rendimento esse deverá passar por um banco para que todos os rendimentos, todos juntinhos façam muito movimento, viajem por praias lá fora, se multipliquem artificialmente, fechem circuitos, ou círculos viciosos.

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Basta!, digo eu… que sou economista de profissão (se é que ainda existe).

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O rendimento é… o outro lado.

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É outro lado de um produto, de um serviço.

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Produtos para que um recém-nascido não contribui em nada, serviços que não presta a ninguém;

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mas ele, recém-nascido, é apenas – e SÓ – o que tem direito a viver, porque é um ser humano e, por isso, animal diferente dos outros animais e que criou, pelo conhecimento e comunicação, pela contínua transformação da natureza (de que é parte), um viver solidário de divisão e cooperação, um viver com os outros, em cidade.

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A não ser que se retire o obsessivo sentido monetário que se infiltrou, imbuído neste mundo e tempo monetarizado até à perigosa insensatez.

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Isto é, que se reduzam as moedas, os créditos, os défices, os títulos, as obrigações, os juros, os lucros, à sua importante insignificância de meios, de instrumentos para que os cidadãos vivam em estado de cidadania, ou seja, de humana condição. 

Regressar aos verdes anos...

... em que estamos (depende da escala...)


 AMIGO PAREDES 

CONCERTO DE HOMENAGEM 
A CARLOS PAREDES 

Um príncipe, chamou-o Rui Vieira Nery.

No próximo dia 24 de Fevereiro,
no Teatro Tivoli BBVA,
a ALTHUM promove o espectáculo Amigo Paredes
 – um concerto de homenagem
e celebração a Carlos Paredes,
com a participação de Luísa Amaro,
Gonçalo Lopes, Paulo Sérgio,
António Eustáquio e os Bonecos de Santo Aleixo.

Ouvir Carlos Paredes é regressar aos verdes anos.
É tomar o pulso à respiração do músico
e compreender-lhe o corpo dobrado sobre a guitarra:
«Gosto demasiado da música para viver às custas dela»,
disse, um dia, com aquela desconcertante simplicidade
que o acompanhava a todas as horas.
Amigo Paredes – é assim que o queremos recordar.
É assim que será sempre recordado.

24 DE FEVEREIRO, QUARTA-FEIRA, 21H30 -
TEATRO TIVOLI / BBVA
http://redirect.state.sbu/?url=http://ticketline.sapo.pt/
evento/AMIGO-PAREDES-12862

sábado, fevereiro 13, 2016

Respostas a perguntas, e dúvidas e silêncios

Andava há uns tempos a perguntar-me que será feito do meu homónimo Monteiro, essa luminária?, depois da escandalosa nomeação para funções transcendentais e remunerações piramidais?









Estou a ter respostas. Por exemplo, na capa do Expresso de hoje:

"Caso Veiga
contactos proibidos com Relvas e Sérgio Monteiro"


Uma obsessão temporã



Os comunistas
                                          

(artigo de “opinião”
de António Barreto
          no Diário de Notícias)

Está de novo a criar-se um ambiente mitológico de branqueamento dos comunistas. A fazer lembrar os anos 1950: eram, ao mesmo tempo, os heróis e as vítimas. Os únicos heróis e as principais vítimas.
Hoje, ser adversário dos comunistas, não desejar os comunistas no poder e lutar contra eles é mau, é primário e é reaccionário... Pelo contrário, ser adversário dos fascistas e da direita em geral é bom, é honroso, é democrata e é progressista...
Não querer os comunistas no governo, nem sozinhos nem acompanhados, é preconceito, é considerar que há partidos de segunda e é censura... Ao invés, não querer fascistas nem a direita no governo é patriótico.
Detestar os capitalistas, a direita, os sociais-democratas e mesmo alguns socialistas é honroso e patriótico. Detestar os comunistas é pior do que racismo.
Colocar no mesmo pé comunistas, fascistas e nazis, atitude justa e de bom senso, é considerado primário e grosseiro.
Os comunistas portugueses, últimos abencerragens de obscura utopia, derradeiros exemplares de raça quase extinta, estão aí, para preocupação maior, a exibir o nosso atávico atraso perante o mundo, a economia, a sociedade, a liberdade e a cultura! Chegámos atrasados a quase tudo, até à liberdade. E ainda tivemos de sofrer a última revolução comunista, felizmente abortada. Tivemos a última revolução industrial na Europa, o último fascismo, o último colonialismo, a última descolonização, a última revolução socialista e agora os últimos comunistas.
O mais curioso é que os comunistas conseguiram convencer grande número dos seus adversários, a começar pelos seus mais abominados rivais, os socialistas, a serem complacentes e a pensar como eles. São estes os responsáveis pelo resgate moral e político dos comunistas.
Os comunistas fazem tudo o que se lhes permite, permitem tudo o que se lhes faz. Dizia De Gaulle. Só conhecem uma regra, a da relação de forças. E uma lei: a do mais forte!
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo.


Há ódios de estimação que fazem alguns homens tão pequeninos...
E quantos mais os centímetros acima do metro e meio, maior é a pequenez

Notas do diário:

Chega a assustar como um homem pode ser tão… obcecadamente ilúcido, sendo tão aparentemente cult(ivad)o.

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E vale a pena transcrever, para fazer reflectir sobre a origem (e ao serviço de quê e quem) de tão desbragado ódio a quem personaliza uma ideia e uma postura coerente com uma concepção de vida e de ser humano. 

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Na verdade, reconhecemos a regra da (cor)relação de forças... e sabemos bem de que lado ele escolheu estar ao serviço.

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

ALERTA VERMELHO!

Na meteorologia?
Sim... mas não só!
ONDAS GRAVITACIONAIS 
NA ECONOMIA (?) CAPITALISTA.
... e não só...
Que fim-de-semana vai ser este!


à meia-noite

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Reflexões lentas (em quase-diário)

... com algumas saudades do anónimo, não do anonimato:

"(...)
e, depois, apanhei a reacção do Samuel Quedas ao artigo do Rui Tavares (RT) no Público de ontem.

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Certeira e contundente reacção do Samuel, como merece o RT ao escrever a sua crónica Uma conspiração de idiotas.

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Consoante os protagonistas… naturalmente, até porque um deles (o autor da crónica (o RT) titula o espaço que ocupa no jornal que o acolhe de Consoante Muda!

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Se ele o confessa…

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Mas seria útil aprofundar um pouco o temário.

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A partir da dilucidação do que se entende por alguns vocábulos e designações afins: consoante e idiotas, esquerda e inteligentes, União Europeia, euro e Europa.

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Com uma posição prévia a tornar muito clara: no nosso entendimento, o estar de acordo ou em desacordo não passa pelo estabelecimento de uma linha de demarcação em que quem está do “nosso lado” são inteligentes (embora auto-etiquetando-se de idiotas, irónica e “inteligentemente”) e que quem está do “outro lado” são idiotas (ainda que chamando-lhes inteligentes ajuntando argumentos que não são os seus e fazendo-os passar por idiotas).

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Depois, insistir em afirmar i) que a Europa, como realidade geográfica, histórica, cultural, já existia antes da constituição de uma comunidade de Estados-membros (e pre será diferente, ainda que esta tivesse a intenção e viesse a agrupar todos os Estados e espaços do continente...), e continuará a existir para lá de qualquer evolução e configurações que esta associação venha a ter;

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ii) que o euro é uma moeda, um instrumento criado em condições e ao serviço de certos interesses e desfavorecendo outros, como o tem provado em década e meia de existência, seja essa diferença de interesses vista numa óptica regional, nacional, ou seja vista numa óptica de classes, de luta de classes;

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iii) que esquerda não é uma consoante (que) muda consoante as circunstâncias, ao sabor de oportunismos e carreirismos, mas uma opção de vida, o que não quer dizer que seja imutável, adinâmica, mas sim, e pelo contrário, que é a adopção de concepções de base que privilegiam o colectivo e o respeito pelo outro versus o individualismo e benefícios pessoais e desrespeito pelos outros.

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De acordo com este entendimento, e sem adulterar outros (o de outros...), não considero de esquerda quem mude consoante os seus interesses ou objetivos pessoais e não recue perante fazer a caricaturação e a anatematização de outros com quem não se concorde ou que consigo não concordem.

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Tinha a intenção de aproveitar estas reflexões para “postar” no anónimo.

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Hesito…

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Decido-me."

Decidi-me!

sábado, fevereiro 06, 2016

A cultura como critério e direito universal


Uma das razões por que, a ter uma (2ª!...) opção de nacionalidade. escolheria Cabo Verde. E por que tanto lamento ter Portugal o PdaR que tem, e o pouco que melhorará com o que aí vem, tão culto de si próprio...


Reflexões lentas - Pontas do novelo - 2

 (...)
  • Sobre a situação da UE - Para a questão (ou mote) e evolução do processo OE16 terão contribuído as evidentes dificuldades ditas europeias (da UE), por mais que escamoteadas se procurem fazer, que se reflectem inteirinhas outras situações em outros Estados-membros que não os da Grécia e Portugal, e as negociações da Comissão da UE com Governos desses Estados, mormente com o Governo Cameron do Reino Unido.
A inevitabilidade de um referendo sobre a continuidade do RU na UE potencia os tantos antecedentes, desde a "esquisita" adesão de 1972 (alargamento de 6 para 9, quando foi negociado para 10 com a recusa do povo norueguês), e o percurso de "opting-outs" que fazem desta UE uma união com um Estado-(meio ou não)membro, uma união desunida de um Reino Unido (e não só, porque há as formais desuniões parcelares da Dinamarca e da Suécia... tudo um pouco "à la carte"). 
Ora esse referendo vem em altura crucial. Ou virá nesta altura em consequência do momento crucial da evolução...

O que foi negociado, e apregoado como "conquistas" por Cameron, contribui para a desunião da União para esta continuar a ser o que não é, o que foi acordado é "para inglês ver", adormecer e votar continuidade de permanência num formato que já não é, e mais deixaria de ser se se viesse a cumprir o acordado entre o Governo Cameron e a Comissão Junker. 
Neste grande imbróglio entre "os grandes" (com a Espanha, o "grande dos pequenos" num enorme sarilho) era o que faltava não se evitar mais um problema ainda mais ao Sul e com um dos "mais pequenos dos pequenos". Tal novelo teria sido bem aproveitado, em termos de soberania nacional de que Portugal tem andado tão arredado, enquanto ponta de um emaranhado inextrincável.
Agora, ou por ora. Ou por horas numa escala de tempo de séculos.

Reflexões lentas - as pontas do novelo - 1

Absorventes tarefas, outros trabalhos e ocupações, estados de espírito (e de corpo...) têm-me afastado da presença assídua por estas paragens. Não que menos me tenha interessado pelo que habitualmente aqui me traz. Ou, até..., talvez seja algum incómodo ou hesitação em "como pegar" nos temas/motes que tanto me motivam (e que, por isso, aqui me trazem) contribua para esse afastamento.
Mas a evolução dos temas OE e da situação da UE (OiÉ! e iUÉ!) exige-me (e de mim e por mim falo) duas palavras de desabafo, Cauteloso para que não haja confusões. Que, aliás, só a mim perturbariam...

  • Sobre o OE2016, haveria váriadissimas maneiras de lhe "pegar". E muitas delas têm sido glosadas, embora as mais escolhidas, usadas e abusadas batam na mesma tecla da efemeridade da actual (e democrática) solução governativa face ao controlo pela ademocrática Comissão da UE sob a capa de defesa dos interesses dos... credores criadores da situação que, segundo "eles", tem de ser paga pelas vítimas (os trabalhadores e as famílias) da estratégia política por "eles " comandada. Essas maneiras - escolhidas, usadas e abusadas - têm sido as do lado do capital com os seus "contabilistas" ao serviço (bem remunerado).

Pois venho trazer, com toda a humildade (de cêntimos e euros), uma outra maneira. Outra, sem referência a negociações e acertos de milhões, centenas e milhares de milhões como quem atira poeira para os olhos incautos.
Diferente porque o que quero sublinhar é que foi o Governo português que fechou 5ª feira e entregou na 6ª feira na Assembleia da República portuguesa, eleita pelos cidadãos portugueses, a proposta do OE2016 para Portugal, ou seja, antes da declaração de "não rejeição" pela Comissão da UE. Diria que se trata, em toda a simplicidade, de uma questão de democraticidade e de soberania traduzida nos "timings", isto é, calendariamente.
Ao que considero de dar todo o destaque possível, sublinhando que ser patriótico e de esquerda não é uma impossibilidade neste tempo de interdependências assimétricas e de cavar de clivagens classistas espaciais.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Sondagem (ou amostra) após resultados

Insisto, persisto (e assino, dizia o Brel) que as eleições formais, neste estádio da organização social em que nos encontramos, são "o termómetro das massas". Pela percentagem de votantes, por onde se distribuem os votos expressos, os números saídos das (e os não entrados nas) urnas dão-nos informações, em cada tipo de eleição à sua maneira, a cada um dos que trabalham essas informações com os objectivos que motivam esses trabalhos. Para fins académicos, para exercício profissional, para preparar as eleições seguintes, para melhor se entender o nível de (in)formação e consciência dos cidadãos.
Se há área em que o trabalho com os resultados eleitorais (antes e depois de resultados serem) surge e surde é na comunicação social, num retorno de informação (de sondagens e de resultados obtidos), e em que esta está bem longe de ser neutra, pois é manipulada para ser manipuladora.
Vou apenas fazer um breve exercício a partir de um facto que não mereceu (ao que avalio pelo que defrontei e confrontei) destaque: as simultaneidade das eleições presidenciais e autárquicas em São João da Madeira. Exercício que pode servir de sondagem a posteriori ou de amostra interessante. E única em 24 de Janeiro.
Foram duas votações diferentes. No mesmo dia, no mesmo momento, dos pouco mais de 20 mil inscritos foram votantes perto de 12 mil, o que representa uma abstenção de 42,5%, e fizeram-no para as presidenciais e para as autárquica intercalares.
Na votação para as presidenciais foi notório o voto no candidato personalizado, com muitos votantes indiferentes ao posicionamento no xadrez político-partidário, e MRS teve mais 11,5% que a soma dos votos na lista PSD/CDS para as autárquicas; na situação (estatisticamente) antagónica, a lista PCP-PEV teve o nível dos de 2013, ou seja, o dobro dos votos do candidato proposto numa clara migração de votos naquele lugar e naquele momento.                       
Achas para uma reflexão contínua. Como a luta