Desde que me retirei para este cantinho, e só tarefas (partidárias ou asociativas) daqui me arrancam, tenho ido muito menos ao cinema! E faz-me falta...
Este domingo, na cidade ali em baixo, passava o Call Girl, do A.P. Vasconcelos, e não resisti ao chamamento (e à recomendação).
Não tinha a intenção de vir para aqui vazar a moderada indignação que trouxera para casa (que tanto há a merecê-la que é preciso defendermo-nos!), mas o artigo de hoje do Abílio Fernandes no Público, estimulou-me a fazê-lo. Recomendo a leitura.
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Pergunta Abílio Fernandes em título
Um comunista porquê? ,
e começa:
"Será que o enredo do filme Call Girl
, de António-Pedro Vasconcelos, terá alguma coisa a ver com o que se passa na sociedade portuguesa? Parece que tem! Mas o que ninguém pode acreditar é que tenha alguma coisa a ver com os comunistas, como parece fazer crer. (...)".
Começo por dizer que teria gostado do filme SE... Se tivesse querido contar o que se passa na sociedade portuguesa. Com bom ritmo e linguagem cinematográfica (tanto quanto me permito dizê-lo), com certos personagens muito bem caracterizados, com algumas interpretações excelentes.
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MAS... mas para quê aquela tão descarada mensagem político-partidária? Para, evidentemente, fazer crer que aquela história tinha a ver com os comunistas.
Lar Catarina Eufémia logo a abrir , uma
Vila Nova entre Lisboa e o Algarve
, as placas para
Baleizão, o funeral de Álvaro Cunhal na televisão,
as bandeiras de foice e martelo e
os punhos no ar erguidos por velhos a atirarem para a senilidade, e o
amor aos sobreiros, única amarra de um autarca já com suspeitas de anteriores corrupçõezitas e uma vida muito pouco asseada (ia dizer ortodoxa...). Nada de subliminariedades. Tudo clarinho. O mundo, como se diz no final, está mesmo uma merda mas vá lá que há um ou dois agentes da PJ para evitarem que ainda fique pior.

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Anti-comunismo pela afirmativa e pela negativa. Pelo que se diz sobre a corrupção que outros protagonizam e nos escolhem para ilustrar, e pela luta nossa que se cala.
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E não me venham com a balela de que sofremos de complexo de perseguição! Lembro-me logo do homem que vai ao médico e diz sofrer de um complexo de inferioridade, ao que o médico atalha dizendo que o diagnóstico lhe compete a ele, pedindo ao homem para falar. E este fala, fala, e o médico no fim faz o diagnóstico: o senhor não sofre de nenhum complexo de inferioridade, o senhor é mesmo inferior!
Por melhor que seja o filme...