sexta-feira, novembro 19, 2010
Ditos (muito) populares
quarta-feira, novembro 17, 2010
Isto anda tudo ligado - da cimeira da NATO às presidenciais
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CRP - Artigo 7.º
Relações internacionais
1. Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade.
2. Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.
3. Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão.
4. Portugal mantém laços privilegiados de amizade e cooperação com os países de língua portuguesa.
5. Portugal empenha-se no reforço da identidade europeia e no fortalecimento da acção dos Estados europeus a favor da democracia, da paz, do progresso económico e da justiça nas relações entre os povos.
6. Portugal pode, em condições de reciprocidade, com respeito pelos princípios fundamentais do Estado de direito democrático e pelo princípio da subsidiariedade e tendo em vista a realização da coesão económica, social e territorial, de um espaço de liberdade, segurança e justiça e a definição e execução de uma política externa, de segurança e de defesa comuns, convencionar o exercício, em comum, em cooperação ou pelas instituições da União, dos poderes necessários à construção e aprofundamento da união europeia.
7. Portugal pode, tendo em vista a realização de uma justiça internacional que promova o respeito pelos direitos da pessoa humana e dos povos, aceitar a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, nas condições de complementaridade e demais termos estabelecidos no Estatuto de Roma.
terça-feira, novembro 16, 2010
Mas o que é isto?
Principais acessos a Lisboa encerram no fim-de-semana
(Económico com Lusa)
16/11/10 12:04
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A ponte Vasco da Gama, a Segunda Circular e o Eixo Norte-Sul vão estar encerrados ao trânsito durante algumas horas na sexta-feira e no sábado.
Devido à realização da cimeira da NATO, no Parque das Nações, na sexta-feira, o acesso a Lisboa pelo Eixo Norte-Sul, para quem utiliza a Ponte 25 de Abril, estará encerrado entre as 15:00 e as 16:30.
Como alternativa deve ser usada a saída para Alcântara, estando também livre o acesso para a A5 (autoestrada de Cascais), Amoreiras e Fundação Calouste Gulbenkian (Praça de Espanha), segundo uma nota da PSP.
A segurança da cimeira obrigará também a um corte entre as 10:00 e as 12:00 na Segunda Circular, havendo a alternativa do Eixo Norte-Sul e Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL).
No mesmo dia, a Ponte Vasco da Gama estará encerrada entre as 15:00 e as 16:30 na continuação para a CRIL, IC2 e Parque das Nações, devendo os automobilistas optarem pela segunda circular ou zona ribeirinha.
Ainda na sexta-feira, o IC17 (Buraca/Pontinha) estará encerrado ao trânsito entre as 15:00 e as 16:30, podendo o trânsito ser desviado para a Segunda Circular com acesso pela Calçada da Carriche, dado que a CRIL e o IP7 estarão interditos no mesmo período.
No primeiro dia da cimeira também não se poderá circular, entre as 15:00 e as 16:30, no acesso à CRIL pela autoestrada do Norte (A1), ficando assegurado o acesso à Ponte Vasco da Gama e à Segunda Circular.
O IC2 também estará vedado ao trânsito entre as 15:00 e as 16:30 e entre as 21:45 e 22:45 no acesso que vem da Ponte Vasco da Gama para Lisboa com o acesso ao Parque das Nações.
Consulte a nota de imprensa da PSP
sexta-feira, novembro 05, 2010
sábado, setembro 11, 2010
Campanha em defesa da PAZ e contra a cimeira da NATO em Portugal

Vale a pena lê-lo todo.
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Sublinho esta "caixa" no interior

«Não à militarização da União Europeia
Na base da designada "cooperação atlântica", a NATO tem fomentado a crescente militarização da Europa. A Alemanha reforçou a sua capacidade ofensiva e passou a paricipar em guerras. Doze países do Leste europeu foram integrados na NATO e armados por ela. A França reintegrou a estrutura militar da NATO. O Tratado de Lisboa veio acentuar o empenhamento dos países da UE nas estruturas políticas e militares da NATO. A Unão Europeia tornou-se o pilar europeu da NATO.»
[na foto, à direita, a falar em nome da EUFOR de que é "o chefe", está o sr. Solanas, figura que me merece "particular simpatia" - membro desde a juventude do Partido Socialista de Espanha (Juventudes e PSOE) -, foi activíssimo na luta contra a entrada da Espanha na NATO, ao centro, o representante da NATO, à esquerda, sentado e meio escondido, um militar fardado... com o dedo no gatilho]
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
... até à derrota final... ou ao desastre para a Humanidade - 5
Para Lisboa, para a reunião de Novembro, prepara-se o “novo conceito estratégico”, de que se esperam “novidades”, correspondendo ao alargamento do âmbito geográfico e de temas, de certo modo apenas adoptando a posterior o que já faz na prática… mas a verdadeira novidade talvez seja a inclusão da questão ambiental como pretexto para ingerências, essa “construção” a partir do dito “aquecimento global”, talvez procurando recuperar do que foi o fracasso (para “os da NATO”...) da reunião de Copenhague.
« (…) As duas reflexões que quero ainda deixar decorrem do testemunho trazido:
A mobilização do movimento pela Paz para a segurança e cooperação europeias não foi (digamos…) pacífica relativamente aos países sob repressão fascista, particularmente Portugal em guerra colonial. Lembro acaloradas discussões com camaradas espanhóis que consideravam ser errado pressionar a participação desses Estados em tal processo por poder representar uma certa aceitação dos regimes. Não tive, nem tenho!…, dúvidas que a posição de abrir mais uma frente de denúncia e combate ao fascismo e ao colonialismo, pressionando os Estados a comprometerem-se, era justa porque a que melhor servia a Paz e os Povos.
A segunda reflexão está – para mim – em aberto, ou melhor, mais se abriu como um rasgão… depois dos anos 80. O caminho percorrido baseava-se no princípio da coexistência pacífica (decreto nº 1 da União Soviética), e da Paz como necessidade intrínseca ao Socialismo e à Humanidade. Mas partiu-se no pressuposto de que, nos países socialistas, era consistente o passo em frente na luta de classes, que as massas não seriam permeáveis às campanhas que, perversa ou criminosamente (como se deveria prever), utilizariam as condições criadas nesses espaços de abertura, como também o não seria para uma camada de dirigentes que, em palavras, associava paz com mais socialismo e mais democracia, coexistindo no aparente respeito pelas diferenças e caminhos autónomos e antagónicos, mas esvaziando os conceitos por os tomarem como neutros, e assim fomentaram a continuação da guerra, da violência e do militarismo, em condições cada vez mais perigosas para a Humanidade.
Depois de criado há 60 anos, o Conselho Mundial da Paz teria estado no auge da sua existência histórica gloriosa com o avanço da segurança e cooperação europeias, depois desvirtuado e traído.
Hoje, atravessadas tantas dificuldades, continua.
Como a luta! »
terça-feira, fevereiro 02, 2010
O CMP e a OTAN - 4
A aproximar-se do termo do tempo de intevenção, o meu testemunho na comemoração dos 60 anos do Conselho Mundial da Paz continuava assim:
Como último telegrama antes de Abril de 1974, uma referência ao Congresso Mundial da Forças de Paz de 1973, em Moscovo, com uma larga delegação portuguesa (clandestina…) e o episódio inesquecível do encontro com os militantes da Paz (e, também, guerrilheiros...) de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, presentes no Congresso.
Depois de Abril abriu-se em Portugal uma nova era no movimento pela Paz, a assinatura do acordo de Helsínquia deveria ter tido grande significado para o Portugal novo, e a formalização do CPPC em 1976 foi acto relevante. (…)»
A NATO e o Conselho Mundial da Paz- 3

« (…) Na Assembleia (de 1972), participaram delegações de 27 países (e de Berlim Ocidental) e fizeram-se representar 32 organizações, das Nações Unidas ao Conselho Mundial da Paz e, por exemplo, Conferência de Berlim dos Cristãos Católicos dos Estados Europeus, a American Friends Service Comitee (Quakers).
De Portugal, deslocou-se uma delegação, a que se juntaram exilados políticos, compondo uma representação diversificada política, religiosa e territorialmente, que teve activa participação nas comissões – cultural, de organizações femininas, económica –, e houve uma declaração política de uma Comissão Nacional então criada.
Esta Comissão Nacional para a segurança e a cooperação europeias constituiu-se com 39 membros, e pode considerar-se a estrutura a partir da qual, e da sua evolução, se veio a formalizar o Conselho Português para a Paz e a Cooperação. Essa composição foi unitária, e pode ser consultada num livro então editado pela Estampa, A Segurança e a Cooperação Europeias, com episódios muito curiosos… que não conto por falta de tempo.
Na continuidade da Assembleia, realizou-se uma Conferência dos Representantes da Opinião Pública, também em Bruxelas, em Dezembro de 1972, com activa representação portuguesa, e dela resultou um Comité Internacional para a Segurança e Cooperação Europeias e uma declaração que, com outros documentos, também se encontra nesse livro.
O livro seria lançado por ocasião da vinda a Portugal de Raymond Goor, cónego belga que presidiu à Assembleia de Junho, e foi um grande animador desta campanha pela Paz. Acompanhei-o de Bruxelas a Lisboa, para esse lançamento e outras actividades… mas o lançamento não se fez porque o livro foi apreendido, e as outras actividades tiveram rocambolescas atenções da PIDE, com os seus agentes decerto surpreendidos com o seu aspecto de padre saído de uma das nossas paróquias de aldeia, a dizer coisas terríveis, subversivas, pelo País, contra a guerra e a favor da Paz.
O livro seria lançado por ocasião da vinda a Portugal de Raymond Goor, cónego belga que presidiu à Assembleia de Junho, e foi um grande animador desta campanha pela Paz. Acompanhei-o de Bruxelas a Lisboa, para esse lançamento e outras actividades… mas o lançamento não se fez porque o livro foi apreendido, e as outras actividades tiveram rocambolescas atenções da PIDE, com os seus agentes decerto surpreendidos com o seu aspecto de padre saído de uma das nossas paróquias de aldeia, a dizer coisas terríveis, subversivas, pelo País, contra a guerra e a favor da Paz. (…)»
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
... em conceito estratégico até à derrota final... - 2
Em 1966, uma declaração política “sobre a consolidação da paz e da segurança na Europa” do Comité Consultivo dos Países membros do Pacto de Varsóvia terá sido o primeiro passo visível na caminhada que viria a terminar em 1975 com a Conferência (de Estados) sobre a segurança e a cooperação na Europa e a criação da OSCE.
A declaração de 66, de Bucareste, requeria, precisamente, a convocatória de uma conferência para debater estas questões. Sendo uma declaração no âmbito das relações externas dos Estados, tinha, e teve, desenvolvimentos significativos noutros planos. Que foram decisivos.
Na verdade, o movimento da Paz – com o CMP a polarizar esforços –, partidos políticos (sempre com os comunistas na primeira linha), organizações sindicais, religiosas (ou de elementos de diferentes confissões) e outros movimentos, como de mulheres, de jovens, de intelectuais, de artistas, mobilizaram-se para pressionar os Estados.
Neste percurso destaco a realização da Assembleia de representantes da opinião pública para a segurança e a cooperação europeias, realizada em Bruxelas de 2 a 5 de Junho de 1972, que mereceu o epíteto de "A Europa na mão dos povos".
Sobre a preparação e a realização desta assembleia gastaria horas, muitas horas... Vou deixar uns telegramas e duas reflexões. (...)»
domingo, janeiro 31, 2010
De conceito estratégico em conceito estratégico... - 1
Membros da OTAN na Europa por data de entrada
Estados membros
Membros fundadores
Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido (4 de abril de 1949).
Adesões durante a Guerra Fria
Grécia e Turquia (18 de Fevereiro de 1952), Alemanha Ocidental (9 de Maio de 1955) e Espanha (30 de Maio de 1982).
Adesões após 1990
Alemanha Oriental (reunificada com a Alemanha Ocidental, 3 de Outubro de 1990), República Checa e Polónia (12 de Março de 1999), Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia e Roménia (29 de Março de 2004), Albânia e Croácia (1 de Abril de 2009).
No simpósio Contra a guerra - 60 anos de luta pela Paz, comecei assim o meu testemunho (o único de que tenho documento escrito):
No fim da guerra de 39-45 aconteceu muita coisa. Hiroshima e Nagasaki, as Nações Unidas e Bretton-Woods, a NATO e o Conselho Mundial da Paz.
Estamos nas comemorações sexagenárias… melhor se diria: do que deve ser assinalado. Contra a Paz e na luta pela Paz.
A criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, de Estados capitalistas com claro carácter militarista e o desígnio de ser uma frente de oposição e de agressão aos países que tinham enveredado pela via do Socialismo, antecedeu de poucas semanas a do Conselho Mundial da Paz, instituído por organizações do movimento pela Paz, pela coexistência pacífica e pelo desarmamento nuclear.
Sendo certo que o movimento pela Paz não começou com o CMP, a sua criação é facto assinalável e merecedor de comemoração.
Apenas um apontamento sobre o tempo que foi o de uma geração que passava da adolescência para a idade adulta, regista-se a cronologia das efemérides NATO, CMP, Pacto de Varsóvia, este apenas em 1955, embora se persista na despudorada manipulação de que a NATO foi a resposta do Ocidente à criação desse Pacto. Aliás, após o desaparecimento deste, a NATO já estendeu o Atlântico Norte até ao Afeganistão e arredores, oceânicos ou não. (...)»