
vai promover, num torreão dos Castelos de Ourém
(disponibilizado pela Câmara Municipal),



(...) Com prejuizo de alguma simplificação da complexa teia que está a ser urdida, a lógica que o Governo quer implementar é esta: o ensino é um negócio; as universidades são empresas; os estudantes são clientes; o conhecimento é um produto. Os lucros, esses, ficam para a banca que sem riscos (uma vez que o Estado os assume) amarra milhares de jovens ao pagamento de uma dívida de largos milhares de euros no início da sua (cada vez mais precária) vida activa, (...)
Lá de surpresas esteve cheio o dia! Tantas que juraram nunca mais procurarem surpreender‑se mutuamente.
Mas o amor é feito, também, de juras não cumpridas. E renova‑se nas surpresas que se oferecem os que se amam.
EP...á!, de repente perguntei-me mas como é que me esqueci de colocar aqui a EP?
Ela recebeu o telefonema dele já com o casaco vestido e saco de fim-de-semana a tiracolo.
Que chegara bem, que fazia um tempo mesmo de Bruxelas!, dizia-lhe ele ao ouvido desatento Que já estava cheio de saudades.
Ela aproveitou para lhe lembrar que telefonaria para o apartamento às oito horas (“hora de Bruxelas!”, repetiu, precisa)... “quero fazer-te uma surpresa, embora tenha de ser só pelo telefone… mas tens de estar no apartamento àquela hora!”.
E ele, envolvido na sua conspiração, nem assim apanhou o fio da meada que ela deixara escapar.
Desligado o telefone, ela correu para o táxi que a levaria ao aeroporto.
Onde chegou cedo, com tempo para fazer umas compras no "free‑shop".
Ele, viajando,
conspirando, conspirando
(melhor que aquele das intentonas)
Na sala (dos) VIP com Boavista
Em resposta à “aliciante” compensação de acordarem ao lado um do outro no dia em que deviam jantar, ela resmungara qualquer coisa como:
"… sabes como eu sou ao acordar, talvez até fosse bom que não me acordasses nesse dia que já está estragado... depois a gente vê...",
e contra‑atacara com a resignação (“também não podemos fazer o fim-de-semana?... paciência!”).
Ele, inseguro,
mas determinado
A essa estocada (ping-pong ou esgrima?) ele procurara não ligar, não tomar por desinteresse o que o vírus da desconfiança de pronto lhe viera segredar, perfidamente.
E recuperou(-se) na determinação de levar a estratégia por diante. Aguentar firme, até ao fim!
E assim se separaram nas suas separações após fim-de-semana, e ele partiu para os aeroportos como se fosse descer e subir estações de metro.
E, nas alturas – para lá e para cá – foi afinando pormenores

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexactas
Pensem na mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioactiva
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

PRÓLOGO
o que vai ser contado não aconteceu… mas podia ter acontecido!
Agora, vai sê-lo na versão folhetim-blog.
Novo, inovador? Não, decerto. Mas talvez sim…
Um episódio por dia (se não houver falhas…), durante 20 dias.
Com eventual prolongamento.
- Então… como foi o jogo?
- Ahnn… não percebi lá grande coisa…
- Mas quem é que perdeu?
- Neste jogo os que perdem não jogam…
- ‘Tá bem… então, quem é que ganhou?
- Os que ganham sempre… aliás o jogo não acabou.
- Ah não!, porquê?
- Por avaria técnica… tudo muito esquisito...
- E agora?
- Agora, o jogo continua… isto é um verdadeiro casino!
- ... e sempre os mesmos a perderem sempre e sempre os mesmos a ganharem sempre.
- 'Pera aí... não foi o James Bond que disse nunca digas sempre?... ou foi o Jardim Gonçalves?... Se calhar foi o outro...
- Olha que não, olha que não... se calhar foi o Marx...
As fotografias entraram-me pelos olhos dentro, li os títulos, passei adiante.
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No actual estado de cousas, não é tema que estime prioritário.
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Apesar da questão tornada central serem mais de 20 mil euros por mês (e quantos meses?)… isto são apenas trocos.
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Bem mais no cerne, no osso, estão os milionários lucros dos bancos, das seguradoras e etc. e tal, em confronto com o papel que se quer atribuir ao Estado e aos seus trabalhadores, aos directores-gerais e… aos outros, à ralé.
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Aliás, as fotografias não me foram agradáveis à vista – o homem não é fotogénico (do que não tem culpa nenhuma… nem o fotógrafo) – e não gosto de dedos espetados.
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E os títulos, se escolhidos para serem atractivos, repeliram-me.
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Tal como não gosto de dedos no ar em frente do nariz, aquelas coisas do estilo “o erro está…”, “a maior doença é…”, “os piores ganham demais” são demasiado afirmativas, pesporrentas, para meu gosto, repelem-me.
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Agridem-me.
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Entretanto, e talvez pelo último título citado e pela aparente consensualidade que rodeia as frequentes afirmações e aparições públicas do senhor, dei por mim a querer reagir.
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Não que sinta qualquer acicate (ou invejinha) por o trabalho do homem ser tão excelentemente remunerado (mais em 1 mês que em 4-anos-4 de salário mínimo, quase tanto em 1 ano como em 30-anos-30 de um salário de 1000 euros mensais!)
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Não que defenda qualquer forma de igualitarismo e de menosprezo pelos méritos de cada um.
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O que me faz reagir é que defendo, defendi e defenderei, uma organização da sociedade em que, havendo direitos – à vida, ao trabalho, à saúde, à educação – que são universais, isto é, de todos, tal como há o dever de cada um contribuir para a satisfação deles à medida das suas capacidades, a partir desses pressupostos os seres humanos devem ser compensados proporcionalmente ao seu contributo para o bem-estar colectivo.
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E, depois, quando o “reino da liberdade” puder substituir o “reino da necessidade” porque haverá abundância, cada um deverá ter acesso ao que lhe satisfaça as suas necessidades, entre elas, claro, a de trabalhar e de ser útil a todos.
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Não que defenda a aplicação mecânica de fórmulas que, pela sua simplicidade, se podem tornar simplistas, mas, no caso e com as ditas reservas, parece-me oportuno lembrá-las.
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Se não, a sociedade assemelhar-se-á a uma selva de individualismo e competitividade.
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Haverá quem goste… enquanto se sentir com força predadora.
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Por mim, opto pela solidariedade.
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Feitios…