domingo, março 13, 2011

Reflexões e recordatórias sobre aulas práticas e revendo matéria dada

Na minha aprendizagem pré-primária da reflexão e da luta política tive a sorte (e sorte foi!) de ter mestres e companheiros que, com toda a clareza, me colocaram, em aulas práticas, a questão luta de massas/luta institucional. Não em termos de alternativa redutora, mas no quadro de uma inter-acção, em que se valorizavam frentes de luta, em que o fundamental era ter um sentido para a luta e avaliação (baseada nesse sentido para a luta) para os meios a utilizar.
Daqui, o enraizamento, por essa via das "aulas práticas", para o que foi sendo a preparação teórica. Muitas vezes isolada, solitária, contra a corrente do pensamento dominante, do pensamento único.
A propósito de que vem isto?
Ao longo de décadas, vim acompanhando os esforços para se impor, como expressão (da) política, o pressuposto que esta era democrática quanto mais representativa fosse, quando mais a cidadania se reduzisse a adoptar (e melhorar) estruturas institucionais em que alguns "escolhidos" para representar institucionalmente todos o fossem por via de actos periódicos, no intervalo dos quais os mandantes apenas teriam que suportar as formas de fazer política dos "políticos" eleitos para o serem nesses intervalos.
Entre-actos, pontualmente, no acto seguinte de escolha dos "escolhidos" se decidiria, politicamente, que outros (ou os mesmo) continuariam, até ao acto a seguir a esse seguinte, a ser "os políticos" (a todos os níveis, desde os locais - freguesias por exemplo - até aos de estruturas em que fosse necessário escolher quem nos representasse - parlamentos europeus, por exemplo).
Pelos meus primórdios e caminhos percorridos, sempre combati/emos esta concepção de democracia às fatias temporais e a níveis secccionados de representação. A democracia não seria, na nossa concepção. uma forma de delegar poder, por parte de quem o tem, num reduzido número de eleitos. Só haverá democracia se exercida sem hiatos temporais, se em permanente esforço e reforço da participação de todos. Em articulação com formas institucionais de se exercer a prática política.
Assim me revejo na luta de massas, e em colectivo me integro nela. E, atenção!, não estou a fazer teoria, ou a especular intelectualmente. Para mim, isto ou é prática política, ou não é nada! E é-o desde a prática política individual à dos colectivos em que o indivíduo está, inevitavelmente, inserido.
Por isso, qualquer acção de massas é política, explicitamente se contra as políticas dos "políticos" que, abusivamente, se servem das expressões institucionais da política para as impor como sendo democráticas. E o fazem apenas porque eles foram... os escolhidos, por via de um voto, em que a maioria foi não esclarecida porque não informada ou deformadamente informada, que os tornou em "os políticos".
E assim vai sendo até que. Até que, a juntar ao trabalho constante, político, de quem tem da política a concepção de que todos - e sempre! - são políticos, há um estranho despertar, um acordar para que assim não pode continuar. Importante, decisivo, de massas. Com a cautelar prevenção de que esse acordar pode ser apenas um sobressalto, um grito de revolta, logo amordaçado - ou "recuperado" -, ou pode ser canalizado para a não construção, ou destruição, da tomada de consciência da importância da articulação luta de massas/luta institucional, para um futuro outro, para um projecto de sociedade, nas suas bases, princípios e valores, conhecido, discutido e assumido, o que não quer dizer unânime ou quer dizer não-unânime.
Como é evidente, toda esta reflexão se passa tendo por pano de fundo um anterior histórico que veio dividindo os seres humanos por interesses agrupados e contraditórios (em classes), que, com as suas forças, definem relações de força que condicionam o que é a democracia enquanto estrutura organizacional de iguais (em teoria) que o não são (nas práticas políticas).

sábado, março 12, 2011

Isto está a mexer...

... não como no Japão (toda a solidariedade!) mas isto está mesmo a mexer.
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Uma tarde, no Cartaxo, em que estivemos (uns 30) três horas a conversar sobre a vida do Partido criado em 1921, um jantar (uns 20) de aniversário do nonagenário, de caldo verde, frango, pudim, bolo, arroz com o nome do aniversariante (PCP) desenhado a canela e confecção camarada.
Depois, ainda uma passagem por Alpiarça por causa do almoço de amanhã no Entroncamento, do norte do Distrito, com a participação do Vasco Cardoso, da Comissão Política.
No carro, e já em casa, aqui na blogosfera, a informação sobre as manifestações pelo País todo e a concentração dos professores. E tanta iniciativa mais por tanto lado!

Um dia em cheio!
Amanhã, há mais...
... e a manifestação da CGTP do próximo sábado, 19, vem aí.
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A luta continua, contínua!
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[que é que acho de um senhor Sócrates?,

e de um senhor (a) Passos (de) Coelho?,

e de um senhor Cavaco?

não os conheço pessoalmente...
só lhe conheço (e de sobra!)
a mesma política que protagonizam
e luto contra!]

12 de Março, como 11 ou 13, como de Fevereiro ou Abril

Se não tivesse tomado partido
quando era tempo (difícil...) de o fazer
Se não estivesse na luta
como posso e sei (ou como sei e posso...)

Seria hoje!

Seria hoje que
tomava partido
Seria hoje que
entrava na luta:

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formaria o grupo dos reformados à rasca,
solidário com (todas) as gerações à rasca
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Assim..., assim sendo, vou até ao Cartaxo (como tantos camaradas noutros sítios estarão) continuar a luta que continua!

Com muitas palavras e cada vez menos bolos se vai mantendo enganada muita gente. Até quando?

Têm um léxico curto, embora bem sonante e actualizado. Têm, também, "em armazém" um sortido de frases, construídas a partir desse léxico, todas muito moldáveis e empáticas.
Fazem uso de tal arsenal, com a extensão que for julgada conveniente ou o número de caracteres que lhes for encomendado.
São uns/umas habilidosos/as!
Estando “ao serviço”, têm, ainda, um coro de apoiantes basbaques, ou uma claque aguerrida e, às vezes, violenta, que lhes servem de eco e, por isso, “ao serviço” ficam arregimentados.
Mas as realidades (e os pacotes) impõem-se.

Uma "sexta feira negra" num rumo desastroso

Queria, ontem e aqui, ter juntado esta voz, neste espaço, às vozes que reagiram ao anúncio das novas medidas de austeridade, na "sexta-feira negra" que ontem foi. Tal não me foi possível por um conjunto de circunstâncias, em que avulta o facto da "rede expressos" me vender bilhetes para viagens com a "promessa" de que terei acesso à net, e não cumprir a "promessa". Mas isso de se prometerem coisas e, com o maior das desfaçatezes, não se cumprirem, é moeda corrente e desgraçado sinal dos tempos.
Neste rumo em que vamos - e de que temos de sair! - sublinho o facto de ser, no dia seguinte a sessão na Assembleia da República, que o Governo vem anunciar, antecipando-se às reuniões em Bruxelas, mais "medidas de austeridade", e estas serem de enorme gravidade.





E, claro, essas medidas "à medida de Bruxelas" e não - bem pelo contrário! - do povo português e seus representantes, foram encomiasticamente, com palavras de paternal estímulo, saudadas com satisfação e congratulações calorosas dos porta-vozes da Comissão e do Banco Central Europeu (e estes do poder financeiro).
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no Jornal de Notícias
de há 10 meses

sexta-feira, março 11, 2011

O indispensável e periódico bom censo

Se, com tempo vivido, a nossa medida do tempo passou dos anos para as décadas, poderia dizer-se que deveríamos ter passado a dar maior importância aos chamados censos da população. Seria uma questão de bom senso.
Embora já tivesse participado antes, ainda que agente passivo, transformado em “mais um”, em recenseamentos gerais da população, aquele a que dei particular atenção, e em que diz ser activo, por observador crítico e interveniente, foi no de 1970, o XI português. Por várias razões mas, à distância, uma se sobreleva, o facto histórico de ter a contagem, o inventário, o balanço, dos portugueses que éramos e como e onde estávamos no final de uma década em que a guerra colonial e a emigração nos tinham de profundamente mudado. A ele dediquei um livrinho. Fica só a referência. E a ilustração!
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Depois, ao longo da vida de trabalho, ou dos trabalhos da vida, confrontei, como elementos muito importantes, outros recenseamentos de outros Estados, em começo de independência política, como nomeadamente os da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
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Estamos a viver, este mês, outro momento de censo. E que de bom senso deveria ser.
Já vieram a casa entregar-me os questionários, dar umas explicações, já olhei os papeis deixados e o envelope fechado com um código, já apreciei a qualidade gráfica, o cuidado da apresentação, as referências muito "modernaças" à internet, às "linhas de apoio", já troquei impressões (muito simpáticas) com a agente recenseadora, e soube de algumas dificuldades que começara a enfrentar... não comigo, não comigo. Por mim, já estou preparado para ser recenseado.
E este é um acto muito importante na nossa vida social. É o momento de balanço, de passarmos das estimativas para o tanto quanto possível exaustivo conhecimento de nós próprios como comunidade. É muito sério. Ora, sendo-o, também serve para se medir a seriedade de quem por ele é responsável. Pelo que a preocupação é muita e fundamentada.
A talhe de foice, Anabela Fino, no avante! de 6 de Janeiro (ler aqui), pôs o dedo na ferida do recrutamento, tratamento e preparação dos recenseadores, elementos fulcrais para a qualidade do recenseamento, e do, comprovando o menosprezo pelo trabalho e pelos trabalhadores que, em todas as circunstâncias, nos agride; agora, no avante! de ontem em outro a talhe de foice, Anabela Fino reincide com justíssimas observações sobre a ideologia que atravessa esta operação estatística que é muito mais que isso. E em que é preciso que cada um participe com a consciência do acto em que está a participar, e da relevância da participação de cada um como membro de uma comunidade. Que está dividida em classes, como os questionários revelam, tomando partido. Veja-se o conceito de trabalhador por conta de outrém. Transcrevo, tal como Anabela Fino, o que se relevou da “explicação” da questão 32:
«“Se trabalha a "recibos verdes” mas tem um local de trabalho fixo dentro de uma empresa, subordinação hierárquica efectiva e um horário de trabalho definido deve assinalar a opção “Trabalhador por conta de outrem”».
É a consagração, no momento histórico do censo, da precariedade, da mercadorização da força de trabalho.
Claro que ao censo terei de voltar. E cada um de nós o deve fazer.

quinta-feira, março 10, 2011

É tempo de impedir a guerra - 2

Ler, e ouvir, também aqui.

«É tempo de impedir a guerra»!

Ainda no avante! de hoje, e ainda de Ângelo Alves, uma crónica internacional sobre a situação na Líbia, É tempo de impedir a guerra, que deveria ser lida.
E que pode ser lida aqui!, ou - melhor! - no próprio jornal.

Actual e certeiro (na minha opinião!)

No avante! de hoje, uma opinião de Ângelo Alves, muito certeira (na minha opinião) a tratar de uma "questão delicada":


Com uma imensa alegria


A vitória da canção «Luta é alegria» no Festival da Canção é, do ponto de vista musical, discutível. Como é discutível o «peso político» atribuído a este facto, como se a votação do público tivesse assumido o carácter de plebiscito do povo português. Assim não foi, e tentar transformar um acontecimento, produto de circunstâncias particulares, num qualquer momento de «viragem histórica» (por mais simpatias que se tenha com a música e seus autores e com a sua vitória no Festival) é semear ilusões inconsequentes e não poucas vezes «anestesiantes» da tão necessária consciência e participação sociais e políticas.

Deixando de lado aqueles que logo no próprio dia no Teatro Camões destilaram todo o seu veneno reaccionário e sectário contra os «Homens da Luta» – e que continuam a fazê-lo – as opiniões sobre esta forma de intervenção dividem-se: entre os que a consideram uma visão anacrónica e caricatural da «luta» e portanto distante da realidade; e os que a consideram uma interessante e inovadora forma artística de «transportar» para os tempos presentes a Revolução de Abril, tentando incutir nas jovens gerações o seu lastro cultural e de participação cívica e política.

Mas, independentemente de naturais diferenças de opinião, há dois factos importantes a registar. O primeiro é que o acontecimento fez sair dos armários o bafiento ódio e o medo que muita «gentinha» tem à Revolução de Abril e à luta popular e de massas. O segundo é que em Maio, por essa Europa fora, muitos milhões de pessoas verão nas suas TV’s uma imagem «estranha»: operários em luta; uma ceifeira alentejana; um cantautor revolucionário; um militar ao lado dos operários em luta e… cravos vermelhos. E vão perguntar-se porquê…

Deseja-se então que os protagonistas deste acontecimento – porque lidando com o que de mais rico, importante e belo existe na nossa história colectiva - estejam à altura das responsabilidades, façam compreender que a luta do povo português tem passado, presente e futuro, que as suas etapas são indissociáveis entre si e que neste país nunca deixaram de existir Homens que lutam. Sempre, e com uma imensa alegria!
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A Homenagem comovida,
com uma imensa saudade
(e, claro!, uma imensa alegria)

Mais (e outra!) informação sobre a Líbia

Informe-SE, mais (e de outra maneira).
Também sobre a Líbia.
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Aqui.

quarta-feira, março 09, 2011

O(s) discurso(s)

"Ouvisto" o indispensável da "pomada de tosse" (esta do samuel-cantigueiro ficou-me "agarrada"), apresso-me a deixar um comentário porque quero passar a outras coisas mais interessantes e menos incomodativas
Houve dois discursos. Porque o Presidente da Assembleia da República não se eximiu a fazer um discurso de fundo, antes de passar a palavra ao empossado. E foi significativo o ataque de Jaime Gama à União Europeia, assim relevando o factor externo e a dessolidariedade "europeia", cujas culpas atribui ao atraso de uma união política, de um verdeiro banco central europeu, de ausência de supervisão supranacional, sei lá..., de um Estado, super-Estado ou Federação Europeia. É uma opinião...
Em contrapartida, o discurso de Cavaco Silva praticamente ignora as causas externas da crise (que é do capitalismo, pelo que, para ele, não é...), e abriu o seu livro de economista, para fazer "o dignóstico". Mas o livro de Cavaco não tem as páginas todas, faltam-lhe mesmo capítulos inteiros, embora muito do que disse, nessa parte, seja muito aproveitável... para diagnóstico. Porque, quanto a responsáveis e saídas, só descortinei fugas.
Por outro lado, jurando cumprir a Constituição, esqueceu-se dela no discurso pois todo este, no que respeita à Parte II-Organização Económica, só vê o sector privado, as empresas, o empreendedorismo, a competitividade, e seria recomendável a releitura da CRP. É que bem mais do que "presença excessiva do Estado na economia (vista esta como economia de mercado e iniciativa privada)" não há "subordinação do poder económico ao poder político democrático", como manda o art. 80º dos princípios fundamentais do Título I dessa Parte II.
Depois, chegaram a ser chocantes os oportunistas e demagógicos apelos aos jovens. Quase só faltou ser mais um elementos dos "Homens da Luta" a convocar para a manifestação do dia 12: "façam ouvir a vossa voz!" .
O discurso foi várias vezes interrompido com aplausos, e no final foi aplaudido de pé, pelos deputados do PSD e do CDS. Para quem se reivindica de presidente de todos os portugueses, foi discurso de direita e demasiado ... partidário.
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E mais não digo, pelo menos por agora.

"Inaceitável e prejudicial para o país!"

CGTP abandona reunião
da concertação social
09 de Março de 2011, 12:49

A CGTP abandonou hoje a reunião da concertação social, considerando “inaceitável” para os trabalhadores o compromisso entre os parceiros sociais que o Governo pretende levar à cimeira de Bruxelas na sexta-feira.

“A CGTP abandona a reunião porque esta declaração é inaceitável e prejudicial para o país. Não é por aqui que se ganha credibilidade e que Portugal responde aos desafios que tem pela frente”, disse aos jornalistas o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva.
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Pronto!, já se sabe de quem vai ser a culpa das taxas de juros no "mercado", tão aceitáveis e tão úteis ao País...

Contas do meu "diário"

Retomei uma escrita, em que persisti durante tempos recentes - entre 2004 ("regresso" ao PE) e primeiros dias de 2008 -, e vim a transformar em 30 caderninhos de aproximadamente 100 páginas cada. Uma espécie de notas ou apontamentos diários, de que a voracidade dos blogs, e a entrega à escrita de 50 anos de economia e militância, acabaram por me afastar, ou tão-só (vê-se...) interromper.
E recomecei porque, neste tipo de comunicação-cá-comigo, vou dizendo(-me) coisas que não digo nem a outros nem daquela maneira.
No entanto, não resisto - sou um fraco... - a transcrever as notas com que acabei o dia de ontem e comecei o dia de hoje

(...)

Amanhã não é dia da mulher!

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Também não consta que seja dia do homem ou de outra coisa qualquer.

09.03.2011

Afinal, parece que hoje é dia de outra coisa qualquer.

&-----&-----&

Parece que é dia de S. Cavaco!

&-----&-----&

Vou ver se consigo desligar, ou só “ouver” o indispensável.

(...)

Como o Homem se fez Gigante

Como teria notado quem por aqui passa, li - melhor: estudei - o caderno 7 de O Militante, acabado de editar e distribuir, Como o Homem se tornou Homem.
Também já terei escrito que este pequeno caderno, de 22 páginas, a que tenho recorrido, lembrou-me, até pelo título, um livro que, até pelos seus aspectos gráfico e de divulgação, gosto de manusear e tenho utilizado. Trata-se de Como o Homem se fez Gigante, edição das Edições Raduga, de 1989, impresso na URSS, com mais de 200 páginas (185 de texto ilustrado e muitas de anexos de gravuras), e que usei quando quis, neste blog, deixar uma série de "posts" (mais de 40) sobre materialismo histórico, há dois anos e meio.
É interessante, e útil, fazer a ligação entre as duas publicações pois o original, de Ilin e Segal (de que já tinha uma bem anterior edição que Edições Raduga reedita), é de 1940, sendo o actual caderno de O Militante muito mais actual... e actualizado cientificmente.
Decerto voltarei a esta abordagem. Até porque o homem continua a fazer-se gigante e a tornar-se homem.

terça-feira, março 08, 2011

8 de Março - dois apontamentos para o fim do dia

Do caderno de O Militante





retiro estas duas notas, que me parecem muito interessantes e adequadas para acabar o dia 8 de Março:

  • «(1) É também muito provável que, à semelhança dos chimpanzés actuais, já existisse uma ligeira divisão sexual do trabalho que posteriormente se veio a acentuar: machos e fêmeas teriam uma dieta ligeiramente diferente com os primeiros a consumirem mais proteína animal proveniente da caça e as fêmeas da recolha de insectos. Esta divisão teria sido favorecida pela selecção natural devido à fisiologia reprodutora dos mamíferos. Cabia sobretudo às fêmeas o investimento parental mais directo(*). As fêmeas estariam mais dependentes das técnicas extractivas de processamento de alimentos embora os machos também fizessem uso das mesmas. Tais técnicas implicam a utilização e a construção de instrumentos, ainda que pouco complexos. (Nota das Edições "Avante!".) »
  • «(...) O facto de o ser humano conseguir alimentação suficiente em todas a estações do ano - armazenando-a com segurança - e de se poder aquecer, tem, por exemplo, esta consequência importante: pode gerar e pôr no mundo crianças em todas as estações do ano, não tendo assim, como muitos outros animais, um período específico de procriação.»
(*) - não gosto desta do "investimento parental mais directo"...
porque não "função maternal" ou outra qualquer?!
(nota anónimo sec.xxi)

8 de Março e o Indice de desigualdade de género (PNUD)

Procuro sempre, em relação a qualquer abordagem, aproveitar o Indice de Desenvolvimento Humano (IDH), indicador criado há 20 anos pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Não porque o considere o "indicador perfeito", longe disso, mas trata-se de indicador que, através de introdução de variáveis relativas à educação e à saúde, como permanentes e de uma forma geral, e de outros, específicos, de certo modo corrige a abordagem estritamente económica, e melhor se diria monetarista, que se baseia na evolução dos PIB.
Uma das variantes refere-se às diferenças sociais derivadas de sexo, e tem vindo a apresentar dados relativos ao que chama Indice de Desigualdade de Género (IDG).
No último relatório, particularmente significativo por assinalar o 20º aniversário da sua criação e publicação, o relatório permite uma aproximação aalgumas desigualdades baseadas da diferença de sexos e situações por países ou regiões. Do quadro 4 do relatório, retirei alguns dados que arrumei no quadro abaixo, em que se alinham os países por IDH e IDG, e no que se refere a taxa de mortalidade maternal, taxa de fecundidade de adolescentes, percentagem de mulheres nos respectivos parlamentos, população maior de 25 anos anos com nível de ensino secundário, taxa de actividade e nascimentos assistidos por pessoal qualificado.

Neste quadro, apenas inclui os 50 países de menor desigualdade de género (dos 137 que possibilitam o cálculo do IDG) dos 168 que possibilitam o cálculo do IDH, e os três últimos. Apenas dois daqueles países para que se não calcula o IDH têm calculado o seu IDG, Cuba e Iraque, e, destes, só Cuba está entre os 50 primeiros IDG (47º) enquanto Iraque é o 133º.
Assim, depois de ver qual a diferença no ordenamento dos dois indicadores, eleborei outro quadro com os países que revelam maior diferença, mostrando os 10 que mais melhoraram e os 10 que menos melhoraram na desigualdade de género relativamente ao posicionamento no IDH.

Daria para muitos comentários, mas faço - pelo menos por agora - apenas dois ou três.

Um, relevando a presença de Portugal entre os 10 de melhor comportamento quanto a desigualdades de género, embora o seu décimo lugar fosse ultrapassado se Cuba tivesse lugar no ordenamento IDH, sublinhando, neste país como na China, um indicador estranho, decerto por diferentes critérios de mensurabilidade, o da taxa de mortalidade maternal, verdadeiramente anómalos em relação a todos os outros; outro, relativo ao posicionamento dos Estados Unidos no pior lugar entre os 50 melhores, bem como sublinho a posição dos países que acompanham os EUA nesse mau posicionamento.; por ultimo, também se releva que os países com menores desigualdades de género (Holanda, Dinamarca, Suécia, Suiça, Noruega) não aparecem nesta listagem das maiores diferenças entre IDH e IDG uma vez que esse seu comportamento na desigualdade de género (IDG) é paralelo ao de desenvolvimento humano (IDH) e para este contribui.
Tudo coisas para fazer pensar.

8 de Março e leituras

A propósito do Dia da Mulher e de livros, aqui fica este apontamento:
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Hoje, repetindo gestos de todos os 8 de Março - e este foi de 2005 - fui à estante e, entre algumas edições da editora que Prelo se chamou, retirei um livro da colecção “documentos”, O problema feminino e a questão social, e reproduzo, como então fiz, um texto de Lenine seleccionado para essa colectânea publicada em 1973, há 38! anos, um ano antes do 25 de Abril!

“(…) A nós, não nos basta a democracia, nem sequer a democracia para os oprimidos pelo capitalismo, incluindo o sexo oprimido.
A tarefa principal do movimento operário feminino consiste na luta pela igualdade económica e social da mulher, e não só pela igualdade formal. A tarefa principal consiste em incorporar a mulher no trabalho social produtivo, arrancá-la à escravidão do lar, libertá-la da submissão – embrutecedora e humilhante - ao eterno e excepcional ambiente da cozinha e dos quartos das crianças. Esta é uma luta prolongada, que requer uma radical transformação da técnica social e dos costumes. Mas esta luta terminará com a plena vitória do comunismo.”

(sobre o dia internacional da operária, 1920)

Nada se perdeu. Apenas se tem de adiar, por vezes, umas migalhas de anos ou de décadas na imensidade do tempo da História.

8 de Março - um (talvez) poema e um (quase) desenho

Tu és o ovo e a mãe. Tu és a amante e o povo.
Tu és o fogo e a luta. Tu és a paz e o novo.
Tu és o futuro do homem, dizia Aragon...
e Brel replicava, reticente, que nem sempre;
treplico, insistente, que sempre o és

quando companheiros somos.

(de autor anónimo... do século xxi)


um (quase) desenho de Álvaro Cunhal,
esboçado há precisamente 50 anos,
num papel "recuperado"
(talvez pouco conspirativamente...)
por Joaquim Pires Jorge

8 de Março e os (meus) livros




Este, por exemplo: "A Condição da Mulher Portuguesa" :
Em 1967*, a Editorial Estampa lançou uma colecção a que chamou Polémica e de que entregou a direcção a Urbano Tavares Rodrigues. Para o 2º volume da colecção promoveu, em Novembro de 1967, um colóquio sobre a condição da mulher portuguesa para ulterior publicação, e convidou 4 escritores (Agustina Bessa Luís, Augusto Abelaira, Isabel da Nóbrega, Natália Nunes) uma jurista, Maria da Conceição Homem de Gouveia, uma socióloga (também escritora), Isabel Barreno Martins, e um economista, o responsável deste “blog” e “post”.
Tinha então 31 anos, e o convívio com escritores de que era leitor foi, para mim, experiência muito interessante.
Neste 8 de Março de 20011 (como o fiz há dois anos, noutro "blog"), reproduzo, com ligeiríssimas correcções, o começo da minha intervenção:
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«Ao aceitar o convite para participar neste debate, se o fiz com muito prazer, desde logo, também, me atribuí tarefas de sacrifício.
Primeiro, porque sentindo que devo apresentar os áridos números, sei que isso me pode tornar no desinteressante estragador de troca de impressões vivas, sobre temas vivos. Paciência! Tentarei pôr gente dentro dos números, adubar a sua aridez com clara significação humana. Depois, e este já não é um problema nosso, mas só meu..., muito gostaria de aproveitar quem aqui está encontrado para ser mais a conversar sobre a Mulher, sobre a Mulher e o Homem, sobre o amor possível. A conversa-prazer só facultada a alguns de nós que, por isto ou por aquilo, têm o privilégio de dispor das fatias do bolo património-sócio-cultural que o ser humano vem aumentando desde que começou a sê-lo. É que a disponibilidade para a realização a dois, o tema mãos dadas, “a semente que tu és e a terra que eu sou”, tudo isto nos apela para o conversar-desfrute. E então convosco!…
Mas vamos às tarefas auto-atribuídas. Lá fora, aqui ao lado, há frio, há fome, há quem apanhe chuva(*).
Por uma questão de método, entendo dever estudar-se o problema da condição da mulher por uma forma paralela ao esqueleto de uma formação social. Porque, na minha perspectiva, a condição da mulher resulta, fundamentalmente, de condicionalismos sociais, resulta de um fundo histórico.
Condicionalismos sociais, fundo histórico, que têm as suas raízes na relação Ser Humano-Natureza, no esforço do trabalho dos seres humanos relacionados entre si, para a progressiva libertação das condições impostas pela natureza.
Teríamos assim que dividir a abordagem do problema em estratos:
  • A mulher como ser biológico, na sua relação com a natureza;
  • A mulher como animal social, na forma como o ser humano se organiza nessa relação;
  • A mulher na consciência social, na representação que dela se tem (e que ela tem de si), nas instituições que traduzem , e tantas vezes forçam, a realidade da relações sociais e que traduzem, e tantas vezes forçam, o equilíbrio das forças sociais em antagonismo.

Vou deter-me, na minha participação, nos dois primeiros aspectos, mas afirmando, como definição fundamental, que nada é estanque.
Sobre a mulher na consciência social quero, no entanto, deixar dois apontamentos. Todo este interesse, todo este levantar a luva para discutir a condição da mulher reflecte que estamos perante um desequilíbrio. Existe, na base das relações sociais, uma transformação que, ao nível superstrutural, não é acompanhada em correspondência.
A literatura, as artes dão-nos esse desajuste. Os códigos civis mostram-nos (ou não nos mostram?) que as situações legais não servem as situações de facto. E, depois, o resultado disso: páginas femininas em profusão e a ganharem dimensão social, pega-se na bibliografia económica e a mulher a aparecer em muitas obras. A mulher (e a sua condição social) em foco. Em causa uma discriminação que, pessoalmente tanto me violenta como a resultante da pigmentação da pele.
Espero, com os números que vou apresentar, ilustrar o que foi dito ou for dito, fornecer elementos úteis a um melhor aperceber da real situação da mulher e, depois, libertar-me para a troca de impressões não quantificada mas, aproveitando números, valorizada. (…)»

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(*) - Nesse fim de dia e começo de noite de 1967, um temporal caíu sobre Lisboa provocando inundações com dimensão e consequências verdadeiramente dramáticas. Ao sair do debate, estava a cidade e os arredores em grande agitação, e destaco a solidariedade que então se organizou e em que os militantes do PCP, na clandestinidade, tiveram relevante intervenção.

Está quase... Tudo a postos!

Sei, ao ouvir os noticiários, nesta mudança de dia, sei que estou, que estamos a ser manipulados, preparados, para o que vai acontecer.
Toda a comunicação social que nos entra em casa, convergem, em vários "estilos", as declarações de Obama, de Campbel, de responsáveis franceses, do secretário-geral da NATO, da Sky News, da CNN.
Está tudo a postos, dizem-nos eles todos ...
Quero dizer, com a repulsa que sinto, que estou do lado de alguém que nunca me mereceu, sequer ao menos, qualquer simpatia, que justifico, ou que justificaria viesse de onde viesse, o que nos mostram e em que nos querem obrigar a acreditar? Nem por sombras!
Quantas vezes já vimos este filme, quantas as repetições destas cenas?

segunda-feira, março 07, 2011

Como o homem se tornou homem

Este Caderno O Militante, tem por base um texto original de Marianne Roth, traduzido, adaptado e actualizado cientificamente pelo Colectivo das Edições «Avante!».
É uma "viagem", pequena (de 22 páginas) mas empolgante, começo e companheira de muitas outras "viagens".
Transcrevo os dois últimos parágrafos:
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«O ser humano, embora pertencente ao reino animal, distingue-se dos restantes animais, antes de tudo e fundamentalmente, pelo trabalho. O trabalho criou a espécie e a sociedade humana, produziu o pensamento conceptual e a linguagem. A capacidade de realizar trabalho deve-a o ser humano a determinadas condições biológicas que já se tinham formado e desenvolvido nos seus antepassados hominíneos. Estes antepassados foram forçados a trabalhar pelas condições especiais de vida que em dado momento tiveram à sua volta.
A descoberta do papel do trabalho na criação do ser humano só foi possível, do ponto de vista do pensamento, à classe da sociedade que está directamente ligada ao trabalho e à produção de toda a riqueza - a classe operária.»

Episódios da luta

Em 1972, já com muita gente desiludida da "abertura marcelista" (nem toda, até porque alguma dessa gente é incuravelmente atreita a ilusões), deu-se um episódio que agora se recorda.
Havia um Festival Internacional da Canção Popular, que nesse ano seria no Rio de Janeiro. no Maracañazinho. O Festival começara em 1966, com a participação portuguesa a cargo de Simone de Oliveira, com Começar de Novo (David Mourão Ferreira/Nóbrega e Sousa), e para essa sétima edição, o 7-FIC, a forma de escolher a representação portuguesa incluiu uma "votação popular", por intermédio do Diário de Lisboa e, como para essa edição a delegação era de duas canções por país, foram escolhidas Maria vida fria (José Niza/Pedro Osório), por Paulo de Carvalho, e - veja-se lá! - A Morte saiu à rua (José Afonso), pelo Zeca.
Esta canção, como José Afonso lembrava ao apresentá-la, contava/cantava o assassinato, pela PIDE, de José Dias Coelho, militante clandestino do PCP, numa rua de Alcântara, no dia 19 de Dezembro de 1961.


Lembrei-me de aqui trazer deste episódio, antes de mais porque tudo me traz à memória esse dia, depois porque há uma grande animação à volta dos "movimentos cívicos" e dos "votos populares" que, sem deixarem de ser um sinal do tempo que vivemos, não podem transformar-se em coisa nova e nunca vista.
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E sublinho, para que não haja confusões (tão queridas...) e para que se leia, com o rigor de quem sabe ler, o que foi escrito, o que disse Jerónimo de Sousa:

Entrevista TSF/DN
'Não somos indiferentes à manifestação.Vamos estar lá'
por DN.pt0 4 Março 2011

O líder do PCP revela em entrevista à TSF/DN que os militantes do seu partido também vão percorrer a Avenida da Liberdade em conjunto com outras pessoas e organizações que aderirem à acção promovida pelos precários da "geração à rasca", no dia 12. Mas recusa a ideia de que o PCP seja "um partido de mera contestação social". E explica: "Temos um projecto e um programa que, quando o povo português o entender, será parte de uma solução governativa. O PCP não pode ser cúmplice de uma política que está a levar o país a este estado."

Cadernos O Militante

Depois de um fim-de-semana, começado sexta-feira, dominado pela assinalação dos 90 anos do PCP, com toda a relevância a dar a tantos anos de luta de tantos, e antes de fazer, de amanhã, mais uma assinalação de outra data maior da emancipação e dignificação do ser humano, o dia 8 de Março, o Dia da Mulher (não obstante todos as superiodades desdenhosas que tais comemorações suscitam em alguns/umas), nesta passagem de pequeno intervalo, uma referência ao que tem de preencher todos os intervalos - porque aprender, aprender sempre também luta é! -, aos Cadernos O Militante, de que terminei ontem a leitura "mastigada" do seu volume 7, que é o primeiro de uma nova série.
Na sequência da série dirigida por José Barata-Moura, de cadernos entre 14 e 22 páginas,
saiu este volume Como o Homem se tornou Homem, iniciando-se assim nova série, agora da responsabilidade de tradução, adaptação e actualização científica do Colectivo das Edições "Avante!", a que se seguirão mais 5 volumes

2. Desenvolvimento do Homem e da Sociedade (Da Comunidade Primitiva ao Fim do Feudalismo)
3. A Origem do Capitalismo (A Revolução Industrial na Inglaterra)
4. Liberdade, Igualdade, Fraternidade (A Grande Revolução Francesa de 1789 e as Suas Repercussões)
5. A Comuna de Paris
6. O Outubro Vermelho de 1917.

De Como o Homem se tornou Homem darei breve nota em próximo "post".

domingo, março 06, 2011

Os símbolos

Começámos e continuámos assim

Assim somos
Sempre iguais, embora sempre diferentes!











Houve os que, em certos momentos históricos,
cruzaram as interrogações com as exclamações








e acabaram sem ter que pôr nos cabeçalhos, desidentificando-se
(que pena me faz o "meu" L'Huma sem foice nem martelo
... vazio!)

E vêem-se os resultados!
(a ter de recuperar, com a luta!)

«A luta agora está de novo acesa/E o caminho é só um é sempre em frente»


Bom/belo trabalho, Samuel!

Obrigado!

Hoje... mas em 1921


No jornal A Batalha:





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Do excelente trabalho do colectivo do jornal avante!, do caderno separável com 90 momentos, reproduzo o seu início, os seus primeiros 5 momentos:
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sábado, março 05, 2011

De susto mas sem assustar!...

Ao terminar este sábado, esta véspera do dia do aniversário do Partido, é de susto a notícia de que, em sondagens hoje publicadas, sobre as presidenciais em França, a Le Pen, a filha do Le Pen, está em primeiro lugar.
Entretano, há quem se perca, ou esteja distraído, ou empenhado em distracções. Como se não houvesse luta antes e depois, como se o tempo histórico fosse o das suas vidinhas.
Para quem faz amanhã 90 anos e se sente na infância de séculos, estas notícias só podem reforçar a consciência da necessidade, da vontade, da determinação na luta.
Para que a História não se repita, sendo certo que nunca se repete.

90º aniversário do PCP - O comício de Lisboa


As palavras estão aqui:






90º aniversário do PCP - a subir... mas!

O DN de hoje refere o 90º aniversário do PCP, e na DN-Política, coloca esta foto da deputada Rita Rato e põe, na coluna elevador, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP. a subir!
Tudo bem!
Tudo bem? Desde que não se leia esta frase, não sei se assassina se suicida..., que está nas curtíssimas linhas de legenda:
  • O partido liderado por Jerónimo faz 90 anos e demonstra que, pelo menos por enquanto, é mais que uma peça de museu...

Depois das sucessivas "certidões de óbito", a resignada verificação de que o Partido está vivo e jóvem, aos 90 anos. Mas não se consegue esconder o ódio ao Partido, à luta de classes, à classe que luta!


sexta-feira, março 04, 2011

"Rejeitar a dívida" - a informação que não se dá

Há países de que não se fala. Ou de que se fala só o que convém, ou só quando convém, e só como convém.

Um país como a Noruega chega a merecer dúvidas se ainda existirá. Duas vezes o povo norueguês disse não às "maravilhas da integração europeia" (em 1972 e em 1992), pelo que já teria acabado... Mas não. Ano a ano temos prova da sua existência no Indicador de Desenvolvimento Humano (IDH), do PNUD, e cada vez mais no 1º lugar de todos os países das Nações Unidas. Coisa estranha!...

Outros exemplos se daria, como o atrevido Chipre que, apesar de estar na União Europeu, não tem dívida (soberana) que o ponha nas primeiras páginas e em todos os noticiários televisivos, e muito menos se lembra que até elegeu como Presidente da República um recente secretário-geral do AKEL, partido que se afirma comunista. Coisas...


O caso da Irlanda é outro. Falou-se muito dele, primeiro como exemplo bom, de como se saía do fundo dos "rankings", e, depois, recentemente, como exemplo mau, de como se estava no fundo dos "rankings". E quando se poderia avançar com o seu caso para mostrar que a terapêutica do FMI & Cia. estava a ser pior que a maleita, da Irlanda não se falou. Menos ainda, agora que houve por lá eleições. A 25 de Fevereiro.

Pois bem. Sempre a romper conspirações de silêncio (há 80 anos que o faz e, quando preciso foi, clandestinamente!) o avante! dá notícia:





Quem quiser ler a notícia completa, com os números todos como os irlandeses votaram, pode clicar aqui ou, muito melhor!, comprar o jornal que até tem um número especial a comemorar os 90 anos do PCP. E vale a pena. Fica-se com outra informação e com um lindo poster e tudo.

Discorso em tempo carnibalesco e espaço rectanburlesco e muito mar

F(r)ases retombantes e redondantes é o que mais (se) houve. Ou tem sido aviado. Basta de bosta.
Vivemos um priorado histérico, a crise é mesmo estertoral, e é fundomental encorar (de vergonha) de fronte, a fussa da real idade, que deveria ser nossa, com os nós que tanto dizem que nós devemos a tantos de outras bandas e bancas. Ofchore, ofchore!
Não se pode promitir a torciversão do que está a entontecer aos pingentes que mandantes se julgam (não há juízes?, nem juízo?), e que são, por nossas (a)penas inlitorais, feros servos do globo quemanda. Não temos de nos fmiliarizar com a intruvenção extorna que, ao fim e aobama, faz renegar as juras feitas votos com os altos juros dos marcados pela escupidez, pela dona se-posso-e-mando do merkelado e consubstanciamente entricherado.
Antes uma cadeira pelas costas abaixo que dois bancos a voarem, diz o povão e tem razão, e já Sócrates, o velho, o que em grego se ouvia, o dizia.
Háque deixar de acruditar nas epidermeidades e infermas pandemanias, e nas superfícialiadas; háque recusar as falsas vacuidades como se fossem as veras insistências, pelas quais, sim, é que mais bale a pena relutar. Continuadassempre.
E mais nem digo, ou seja, pelo contrário e deste lado, acruzcento muitos ensejos de um Natal cheiínho de prospriedades e de um bom Ano Novo, que já está para aí velhiínho de rebentar, cheio de facilidades. Quisto está mesmo maligno…
Teria dito se dito tivesse.
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(escrevido d'acordo
com muito desacordo orthográphico)

Uma notícia para desmascar as falsas notícias

Transcrevo de autoridadenacional (aqui):

uma não notícia para esconder a verdade
O DN online faz uma peça sobre uma suposta posição do PSD, escondendo o real desenvolvimento de um processo político.
Podem ler aqui.
Ora, vejamos a verdade:
Perante a publicação do Decreto-Lei a que o governo chamou de reorganização curricular, o PCP foi o primeiro partido a apresentar uma Apreciação Parlamentar. Seguiu-se o CDS e o BE.
O PSD foi confrontado com uma situação complexa. Por um lado quis aguentar a política do governo como tem feito até aqui. Por outro foi pressionado pela luta dos professores. No entanto, nunca apresentou apreciação parlamentar a este diploma. O PCP anunciou que iria apresentar um Projecto de Resolução para a revogação imediata do Decreto. O BE fez o mesmo. O PSD, em vez de anunciar que votaria a favor, disse que não iria aprovar as iniciativas do PCP e do BE. Fiquei espantado quando soube que o PSD também apresentará uma proposta para revogação. No entanto, o que importa é que o decreto seja mesmo revogado. Mas também é importante que se conheçam os reais contornos de todo este processo.
E é também importante que se perceba como as notícias e a comunicação social conseguem criar ilusões e, neste caso, atribuir a um partido uma iniciativa que não é sua, mas uma cópia das restantes.
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Bom trabalho de desmascaração!

Hoje


quinta-feira, março 03, 2011

O que me vêm à ideia...

  • branco e preto
  • duche escocês
  • uma no cravo, outra na ferradura
  • quente e frio
  • Merkel e Trichet
  • uma diz "não se mate... hoje", outro diz "esfole-se... amanhã!"

Líbia & CompanhIA


No avante! de hoje, o anterior a 6 de Março, data do 90º aniversário do PCP, no ano em que o jornal faz o seu 80º aniversário, destaco dois artigos de opinião sobre a situação na Líbia.
Fazem o "ponto da situação".
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Deixo a possibilidade de leitura.
Aqui, a crónica internacional, de Jorge Cadima, com o título Ventos de guerra., com o seguinte destaque: Longe vai o tempo em que o regime líbio se caracterizava pelo anti-imperialismo.
E, aqui, a nota de Angelo Alves. na secção actual, com o título O amor ao povo Líbio.

Para não dizerem que não falo de flores...

Nesta volta pelo jardim, para pausa e desfrute, levei a maquinita. Bem merecia, o que (vi)vi, outro aparelho (e outro operador!...).
Depois de, na manhã acordada, a beleza do manto branco da geada brilhando ao sol a nascer para mais um dia soalheiro, estas amostras do meio do dia.














se se clicar sobre as fotografias,
vêem-se maiores...
e vê-se melhor a má qualidade das fotografias
(e do fotógrafo!)

Ora aí estão...

Isto é o que está no sapo, agorinha. Aquilo que se transcreve no "post" anterior, e que aconteceu ontem, pela voz de um membro da Comissão Política do Comité Central do PCP... não aconteceu!

Sócrates diz que

País não consegue resolver sozinho

uma crise que é "sistémica" (SIC)
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Portugal não necessita de ajuda financeira externa, e tem condições para resolver os seus problemas sozinho, mas não consegue combater isoladamente uma crise que José Sócrates afirma ser "sistémica", e para isso precisa de ajuda europeia. PSD, BE e PS foram os partidos que já reagiram ao encontro.
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Quanto à crise ser "sistémica", inteiramente de acordo com Sócrates (!), porque é uma crise num sistema em crise. Que só se resolverá com uma mudança de "sistema", mas também se deve acrescentar que há expressões nacionais da crise que tornam mais grave a crise "sistémica" para trabalhadores, para populações dessas nações, como é o caso de Portugal!
Já agora - e ainda a tempo -, uma brevíssima nota: no quadro actual, a "ajuda" que se poderia esperar que viesse de Merkel seria alguma influência para que os juros não tivessem os níveis que estão a atingir, ultrapassada (e muito) que foi a barreira dita inultrapassável dos 7%... mas a esses costumes diz-se nada.

A viagem a Berlim de Sócrates e Teixeira dos Santos

... um aprofundamento das relações de dependência económica e política...


quarta-feira, março 02, 2011

Freud e os complexos e as fixações da direita

O pensamento de direita, que domina, única e imperialmente, não aceita a mínima contradita, ou seja, antecipa-se à possibilidade de ser contrariado, agredindo com as agressões que perpetraria se não fosse imperialmente dominante. Isto com a ajuda envergonhada e útil de ditos pensadores e políticos de uma dita esquerda.
Vejamos o pretexto do caso do FMI. É um folhetim.
Em artigo no i (Pavlov e os reflexos da esquerda), o excelentíssimo professor universitário Luís Cabral de Moncada, com banca de advogado, faz uma introdução genérica sobre “a esquerda nacional”, e recorre a grossos varapaus para a desancar. Desde acusações de pavlovianismo («Pavlov, herói da pseudobiologia “soviética”») a obscurantismo vale tudo, e sem quaisquer contenções ou auto-controlo, para passar à momentosa questão do FMI.
O professor de Moncada nunca deixa de agredir o que chama “esquerda nacional”, usando todos os conhecidos “narizes de cera”, acabando por denunciar o seu acrisolado desamor, ou incontrolado ódio de estimação, aos Estados cubano e norte-coreano, que trouxe à baila a (des)propósito de credores e de juros, que ele via pintados de vermelho se provenientes desses Estados que parecem perturbar-lhe os sonos e teve de meter no seu escrito.
Mas não é isso que interessa. O professor de Moncada, sobre o FMI não poupa a tal “esquerda nacional” pois onde o seu/desta “obscurantismo mais se evidencia é na reacção à eventual intervenção no nosso país do FMI”.
(“nosso país do FMI”?... esta língua portuguesa!)
Ora o que depois faz o professor de Moncada, não se faz. Como não deve ter lido sequer uma linha original com as razões de quem está contra essa eventual intervenção do FMI no nosso País, resume-as em três pequenas frases pretensamente assassinas e um etc., para passar a enunciar as vantagens que a dita intervenção trará, e embrulha-se em argumentação paupérrima pois limita a questão a operações de i) pedir dinheiro emprestado e ii) pagar, quer o que pedido foi, quer os juros que são fixados (é como quem diz…) para esse empréstimo. Disso saberá o professor de Moncada, mas revela nada saber (e, se calhar, tem raiva a quem sabe) da economiazinha, dos recursos que não são aproveitados, do desemprego, já agora, para ser um bocadinho keyneseano, da procura efectiva. Das necessidades não satisfeitas de estratos muito significativos da população.
Já agora, no dia em que uma delegação ao mais alto nível do governo se deslocou a Berlim com as medidas na mão, seria bom que o professor de Moncada não falasse de FMI, porque estamos na fase do “fundo europeu” ter ou não ter fundos e querer ou não querer pôr um travão ao garrote que não só consente como aperta via taxas de juros.
Mas este é um episódio. Pode a sra. Merkl, em sua casa, estar num dia de boa disposição que de nada servirá o "oxigénio" que poderá facilitar às finanças, se essa “trégua” não tiver um complemento, não nas finanças mas na economia e na política. E isso só pode acontecer cá, no nosso País, com uma mudança de rumo, com uma nova política, que ponha Portugal a Produzir.
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Para já? Com os problemas resolvidos no próximo trimestre?
Claro que não. Mas sacudindo o País desta dependência, desta sujeição a vontades outras como se vontade não tivessemos.
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(Quanto a este "post"
- que não buscará o privilégio de ser lido
para além de quem me visita -
ser da responsabilidade de um membro da "esquerda nacional",
falta-lhe uma "qualidade" com que LCM a caracteriza:
não insultei ninguém "até à terceira geração"...)

Estão a perder a paciência...

Antes de projectar uma cópia da 1ª parte do filme (produzido pelo cravodeabril e realizado por Fernando Samuel), faço-lhe um breve intróito em curtísima metragem:

Na pantalha, aparece a retirada, lá do sítio líbio, de embaixadores e outros "europeus", e de eventuais assimilados, nalguns casos quase à força e desmentindo a dramática situação de que se passam imagens em fundo, depois... segue-se o resto, se possível com o aval das Nações Unidas. Se não for possível... faz-se uma reunião nos Açores!

Sem intervalo, começa o filme
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TÍTULO:
«O mundo está a perder a paciência com Muammar Khadafi»

CENÁRIO:
O mundo que está a perder a paciência

ARGUMENTO: média dominantes

ADEREÇOS: democracia, liberdade, direitos humanos, ajuda humanitária

MÚSICA: Vira o disco e toca o mesmo

PERSONAGENS E FALAS (por ordem de entrada em cena):

OBAMA: «Todas as hipóteses estão em cima da mesa» - «Os EUA vão manter a pressão até Khadafi abandonar o poder».

DAVID CAMERON (primeiro-ministro britânico):
«É inaceitável que Khadafi possa usar os seus aviões e helicópteros para matar o seu próprio povo»

PENTÁGONO: «Temos em marcha planos de contingência»

ANÓNIMO 1: «É necessário criar uma zona exclusiva aérea (ZEA) para impedir Khadafi de - como ameaçou - bombardear os manifestantes»

GENERAL JAMES MATTIS (Chefe do Comando Central dos EUA):
«Criar uma ZEA pressupõe a destruição prévia da defesa anti-aérea líbia»

DAVID CAMERON:
«Temos aviões em Malta prontos a voar num prazo muito curto»

CRONISTA DO PÚBLICO:
«O Egipto já tomou medidas para começar a armar e treinar o exército de Bengasi e acelerar a queda de Khadafi»

VOZ OFF: «Os EUA enviaram para o Mediterrâneo centenas de marines em dois navios anfíbios»

Hillary Clinton: «(os marines)
Destinam-se a apoiar a evacuação e a prestar apoio humanitário»

ANÓNIMO 2: «Não há ainda unanimidade sobre o caminho a seguir para travar a violência»

FIM DA 1ª PARTE
(a 2ª parte segue dentro de momentos)
copyright
cravodeabril
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Bom trabalho, cravodeabril e Fernando Samuel!

Assunção de responsabilidades

Li, num destes profícuos (nem por isso desejados) almoços solitários, que o Presidente da Federação de Atletismo pediu a demissão. Porquê? Porque houve "um erro administrativo" da responsabilidade da Federação a que presidia que impediu uma atleta de correr uma prova (3.000 metros) nos "Europeus de pista coberta" que este fim-de-semana se realizou em Paris, dado ter sido inscrita - pelo dito erro - noutra prova (os 1.500 metros).
Poderão dizer-me que o sr. Presidente estara à espera de um pretexto para se ir embora, esse calhar até é verdade, mas isso não me impede de achar que esse pretexto é uma demonstração de assunção de responsabilidades e não "sacode água do capote".
Se estava a pensar no "desastre" das eleições de 23 de Janeiro?... Por acaso até estava!

É bom o contraditório, dizem eles... desde que não os contrariem

Ao contrário de alguns camaradas que se poupam, e talvez por espírito de sacrifício a roçar o masoquismo, vou lendo e "ouvendo" muita coisa. Mas não o dr. Mário Soares às 3ªs. feiras no DN. Isso não!
Mas sou obrigado a ter conhecimento dessas "páginas de antologia" por duas vias: uma apologética; outra, de denúncia incansável do que esse ícone foi e é na sociedade portuguesa com a sua intervenção, tão de décadas que quase secular, ao desbragado (e nem sempre disfarçado) serviço daquilo contra que luto, o imperialismo travestido de “democracia ocidental”.
Hoje, resolvi colocar as duas “versões” face a face,
Num encantamento de hipnotizado (embora com umas cautelas inabituais quando comenta, semanalmente, estas perorações soaristas…), escreveu afigaro, em Manuelinhodévora:
  • «Mário Soares coloca no DN de hoje muitas dúvidas, às quais o cidadão atento não pode ser alheio. E, por fim remata o cronista: "São os manifestantes em favor da liberdade, da democracia e dos direitos humanos - que gritam nas ruas e nas cidades do Magrebe e do Próximo Oriente - que mais podem contribuir para enfraquecer o terrorismo radical da Al-Qaeda". Será? os tempos são de muita incerteza...os modelos de democracia(?) daqueles povos terão alguma coisa a ver com a democracia dos povos ocidentais?...ela, usualmente, não tem sido possível um pouco por toda a África: Escapam os povos de Cabo Verde e de S. Tomé e Príncipe, enquanto vigorar a nossa cultura por lá, julgo!»

E, com a sua costumada (e justa) acutilância, escreveu Fernando Samuel, em cravodeabril:

  • «(...) 3 - O inesgotável Mário Soares, dedica a sua compacta prelecção de hoje, no DN, entre outras coisas, aos acontecimentos nos países árabes.
    Fazendo questão de separar o trigo do joio - coisa que nele significa separar a democracia e a liberdade dos totalitarismos todos - fala-nos do "Presidente Mubarak" e do "ditador Kadhafi"...
    E radiante, esfuziante, delirante, Soares observa que "as revoltas verificadas até agora, à excepção da Líbia - que é um caso sui generis - não envolveram gritos de ódio contra a América, o imperialismo ou Israel"...
    Facto que, obviamente, garante às ditas "revoltas# um conteúdo democrático que não teriam se houvesse "gritos de ódio" à benemérita "América", ao altruísta "imperialismo" e a esse modelo de democracia que é "Israel"...»

A Líbia, Portugal e a teoria das relações externas

A(s) situação(ões) nos países árabes, particularmente na Líbia, e muito particularmente para Portugal dadas as nossas idiossincrasias e também as fotografias "tendaciosas" de Sócrates com Kadhafi, parecem ter perturbado a avaliação, diria ética, nas relações internacionais.
Com mal disfarçado incómodo, o ministro dos negócios estrangeiros e alguns dirigentes do PS, vieram fazer teoria. Em vez de mostrarem naturalidade perante o que afirmam ser natural, vieram justificar o que não teria necessidade de justificação se eles achassem natural. Vai daí, pouco à-vontade mas petulantemente, teorizaram.
Resumo numa frase batida, repetida ou adaptada a estilos, palavras e tons diferentes: a política externa não se preocupa com princípios e valores… senão estávamos a falar só com meia dúzia de países.
Sobre a primeira parte da frase-síntese apetece perguntar quando e em que circunstâncias é que, em política, esses teóricos se preocupam com princípios e valores, sendo que bem parece que, para a maioria deles, mostram considerar que em política (tout court) vale tudo.
Assim sendo, sobre a segunda parte da frase-resumo fica-me a dúvida de quantos e quais os países que ficariam a falar connosco se se aplicasse a regra de que esses "nossos políticos", cheios de pesporrenta superioridade ética, se dispensam.

terça-feira, março 01, 2011

Um noticiário cheio de... matéria

O primeiro-ministro e o ministro das finanças a caminho de Berlim, para que a D. Ângela Merkl lhes diga a última palavra (ou a penúltima...), depois de todos os anúncios de "coragem" para se tomarem medidas mais "corajosas" - ou (ainda)... mais "corajosas" medidas... abrenúncio -, o desemprego a ultrapassar os 11%, no MAI a operação "sacudir água do capote" depois do desastre nas eleições de 23 de Janeiro, mesmo depois de "sacudido" um Director-Geral, a Líbia a continuar a ser o motivo de tantas notícias contraditórias e convergindo (em quê?), um "mundo árabe" ainda a mexer mas desconfiado, muito desconfiado, a véspera de um Benfica-Sporting que já não é o que era (e o Sporting?... qu'é dele?). E
Apesar de tanta matéria, falta aqui qualquer coisa. Importante.

notas À SOLTA ... ou À TO(n)A

Notas à toa, no rescaldo de (mas não confinado a) uma Assembleia Municipal:

O executivo é para executar, o deliberativo é para deliberar. Isto no plano local, das autarquias.
Acontece que, por vezes, o executivo não pode executar sem que o deliberativo delibere que... sim, senhor, pode executar. Quer isto dizer que, em muitas coisas, e naturalmente nas mais importantes, o executivo não pode executar se o deliberativo não deliberar.
Há, entretanto, a ideia de que só o executivo é que conta. Porque é o que executa. E que o deliberativo é um verbo-de-encher. Uma grande parte da culpa deste equívoco, para não dizer toda, é do deliberativo, até porque (mas não só) do deliberativo fazem parte os executivos que são os presidentes das juntas de freguesia, que se agacham porque só podem executar – e para isso, ao serviço dos vizinhos, se candidataram e foram eleitos – se não estiverem de candeias às avessas com o executivo camarário.
Esta intrincada rede poderia funcionar, em teoria, se houvesse cultura e prática democráticas. Da que se aprende desde que se torce o pepino, seja em casa, seja na televisão que lá em casa está, seja na escola. E aqui é que outra coisa torce, e ela é o rabo da porca.
Do mesmo mal se sofre a nível nacional. A este nível com a agravante do executivo não ser eleito, não ser directamente representativo, e ainda haver um terceiro órgão, habitualmente viril mas não necessariamente, que é eleito e tem uma data de poderes que a um se poderiam resumir: cumprir e fazer cumprir a Constituição!
E se se pode dizer que, a nível nacional, se sofre do mesmo mal, pior é o mal porque esse executivo, o governo, além de ser executivo ainda tem um bocadinho de legislativo pois pode fazer decretos-leis, não ficando apenas para o deliberativo (e legislativo) a competência legislativa. Pelo que se foi instalando o equívoco nacional de que se elege o chefe do executivo quando o que os cidadãos escolhem são os seus representantes distritais para uma Assembleia da República, de cuja formação global deriva o executivo.
Isto não é tão complicado como parece, e como se simplifica não inocentemente. Pois se até há dias, um tal Passos Coelho (que é candidato a tudo mas que para nada está eleito… a não ser lá entre eles) dizia, disparado, que o governo (de Sócrates) que resolvesse que este é que foi eleito para isso! Quando este governo não foi nada eleito e muito menos para aquilo que tem estado a fazer!
O grave, o muito grave, é que de valorização de executivos em executivos, se diminui ou até apaga a democracia, e crescem as vocações ditatoriais. Com a finança a comandar a política.

Agenda - almoço do 90º aniversário do PCP - norte distrito de Santarém


homo sapiens, labore carens, europaeus

De há muito, relativamente..., tenho consciência que, no chamado "mundo desenvolvido", ou seja, no capitalismo maduro ou em vias de apodrecimento, o desemprego é o indicador mais significativo.
Não - apenas! - enquanto indicador estatístico, mesmo que se veja por detrás de cada número um trabalhador que não tem emprego, uma situação degradada de um ser humano; também - e antes! - porque, nas relações sociais prevalecentes, no capitalismo, o desemprego corresponde à colocação em stock", "em armazém" ou reserva, de uma quantidade de uma mercadoria sem utilidade, pelo menos momentânea. E se, como mercadoria, é usada (ou desempregada/"armazenada", é o seu detentor, o ser humano, que, nessas relações sociais, no capitalismo, não tem préstimo.
De várias maneiras se pode (e deve) tratar esta questão maior. Ao reler uma banda desenhada editada em 2000, de um autor de que gosto muito (Daniel Pennac, aqui com o ilustrador Tardi), encontrei estas duas tiras:
O animal no jardim zoológico é o homo sapiens, desempregado, da Europa, com a identificação completada com as designações "científicas" homo sapiens, labore carens, europaeus.
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Ora é essa mercadoria, a força de trabalho, que, por um lado, enquanto capital-mercadoria que se usa, se pretende tratar como se igual a qualquer outra fosse, por outro lado, é a única mercadoria que tem, para os que dela se servem (em horas de uso), a qualidade única, como capital-variável, de criar valor. Mas a esta abordagem voltarei. Recorrentemente, como é "bem" dizer-se...