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quinta-feira, junho 04, 2015

Grécia, União Europeia, capitalismo

            - Edição Nº2166  -  4-6-2015

Grécia e Europa

Quando o PCP afirmou, já há alguns anos, que a «crise das dívidas soberanas» era uma expressão do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo e, por isso, também uma crise da União Europeia, dos seus pilares e fundamentos, sabia bem do carácter global dessa afirmação.
A crise económica na União Europeia mantém-se e irá manter-se, sendo o cenário de uma estagnação económica prolongada, acompanhada de taxas de juro e inflações perto do zero, o cenário mais plausível. Não somos nós que o dizemos. São figuras insuspeitas tal como Larry Summers1, que afirmam que «a Zona Euro vai enfrentar tensões e desafios substanciais durante o resto da década»2, falando de uma «estagnação secular».


Fruto de uma poderosa ofensiva de exploração e regressão social a crise social marca hoje a realidade da UE. O desemprego persistente e cada vez mais estrutural aí está, a par com os 133 milhões de pobres, cada vez mais jovens, e com as gritantes e crescentes desigualdades reconhecidas no recente relatório da OCDE.

Mas a crise não se fica por aqui. Como previmos, os próprios pilares da União Europeia são postos em causa, a sua verdadeira natureza vem ao de cima e as políticas de ataque directo à democracia e à soberania dos povos intensificam-se. Amanhã tem início – com uma tranche de 300 milhões – a sangria de 1,7 mil milhões de euros ao povo da Grécia num só mês. O Governo grego, sujeito a uma tenaz de chantagem política e asfixia financeira, e tentando lidar com as suas próprias contradições, divisões e hesitações tenta aquilo que a realidade mostra ser impossível: «um acordo que ligue o respeito pelo veredicto do povo grego ao respeito pelas regras que regem a zona Euro»3.
A questão grega é económica, mas é também e sobretudo política e ideológica, isto porque a crise na e da União Europeia não é meramente económica, tem a ver com a questão central do poder, no plano nacional e internacional. Um dos conselheiros económicos de Merkel prova-o ao afirmar que qualquer cedência ao Governo de Atenas seria «um risco moral» pois «A Grécia tem de voltar aos acordos que o governo anterior negociou», concluindo que é mais perigoso uma cedência à vontade do povo grego do que o cenário Grexit (saída da Grécia da Zona Euro)4. Estas declarações dizem quase tudo sobre o ponto em que está o caso grego. Demonstram também a profundidade da crise de legitimidade política da União Europeia e a chantagem e ataque directo à democracia que as «instituições» levam a cabo. As contradições do processo de integração capitalista estão ao rubro, impulsionam a arrogância e as políticas de imposição. Já não se disfarça os métodos: os senhores da UE e do FMI (Merkel, Hollande, Juncker, Draghi e Lagarde) reuniram na segunda-feira em Berlim para decidir os termos do ultimato à Grécia. Mas esta violência política, este desrespeito explícito pela vontade dos povos está a conduzir a outras expressões da crise: nomeadamente a crise dos sistemas de representação burguesa tão bem expressa nas recentes eleições em Espanha, Itália e Grã-Bretanha. Uma crise política, dos sistemas políticos e da super estrutura política da UE que por sua vez se desenvolve no quadro do aprofundamento das contradições dentro do campo imperialista.

Todos dizem que os próximos dias e semanas serão decisivos para a Europa. Não sabemos se o serão, uma vez que compete em último caso aos povos decidir, tal como não sabemos qual o desfecho dos mais recentes embates entre o Reino Unido e o eixo Paris Berlim. Mas uma coisa é certa: as crises na UE aprofundam-se e confirmam o que o PCP diz: uma outra Europa terá de nascer das ruínas de um processo de integração capitalista esgotado, contrário aos direitos dos povos.
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1 Reitor da Universidade de Harvard, ex-secretário de Estado do Tesouro de Bill Clinton e conselheiro económico de Barack Obama.
2 O Observador – 25/05/2015
3 Alex Tsypras – Le Monde – 01/06/2015
4 Diário Económico – 27/05/2015



Ângelo Alves 

sábado, março 21, 2015

O Euro e a UEM - seminário

Para 
O Euro e a União Económica e Monetária
- constrangimentos e rupturas

20.03.2015

Isolar o facto (por mais relevante historicamente que ele seja) do processo em que o facto se tem de inserir, quer no tempo, quer no espaço, é como retirar o texto do contexto, é como fazer omeletes sem ovos, estudar ovos ignorando galinhas.

A criação de uma moeda única para a integração económica no continente europeu não surgiu porque algumas cabeças privilegiadas (de tal encarregadas) assim o resolveu, mas construiu-se em sessões várias de compromissos e consensos. Em que também houve oposição, sem capacidade para a impedir, dada a correlação de forças sociais, das classes, nos níveis nacionais então prevalecentes, tendo os Estados-membros a sua reserva de soberania.
Temporalmente, refere-se o após Tratado de Maastrich, que veio crismar como União Europeia este processo de integração regional a passar de 12 para 15 Estados-membros (e não 16 porque o povo norueguês não o quis… como agora desistiu o governo da Islândia), numa associação a preparar-se para, no quadro de um assalto dito de globalização, absorver países do centro e leste europeu.
Mas poderia recuar-se duas décadas e meia e referir o ensaio falhado do Plano Werner de criar uma moeda única para os 6 Estados fundadores. De que resultou a substituição do A de aprofundamento pelo A de alargamento, com a entrada da Dinamarca, da Irlanda e do Reino Unido (e a primeira nega do povo norueguês), parecendo então necessário configurar uma outra estratégia, ou um adiamento estratégico, face a uma explosão de “crise” no sistema capitalista, a do começo dos anos 70, num contexto de confronto real, ao nível de Estados, com o socialismo.
Nos anos 90, a passagem dum tempo a outro – para além da mudança de designação de Comunidades para União Europeia e da alteração de número de membros – revela a assimetrização do espaço em integração e a formação de uma periferia à volta de um núcleo super-imtegrado, o que cumpria a dinâmica prenunciada no relatório Tindemans, de 75. E teria de reflectir, também, a mudança na correlação de forças inter-classes, dado o desaparecimento da União Soviética e dos países socialistas europeus, aliás intérpretes de um processo de integração económica, o COMECON, de 49, anterior à CECA e à CEE e Eurátomo.
Nestes anos, o sistema capitalista – os seus próceres –  arroga-se sistema mundial (e pensamento) único e final da História, com a insistência na globalização que substituiria o confronto de sistemas, e o imperialismo em cuja fase se dizia que estava. E em que permanece…
O terreno parecia liberto de constrangimentos maiores e, no espaço em integração, possibilitava juntar uma periferia leste à que, a sul (mais Irlanda) se formatava. O que ainda mais exigiria uma dinâmica de transferências para cumprimento do princípio, afirmado no Acto Único, de coesão económica e social, que a prioridade para o mercado interno vinha secundarizando até o apagar na prática (e no léxico), assim se agudizando a assimetria da interdependência, formulação adoptada, anos antes, em Cimeira dos países não-alinhados.
Entretanto, foi na sequência do mercado interno que se continuou a dar prioridade às vertentes económica e monetária, sobretudo a esta depois da determinada opção ideológica neo-liberal e monetarista da 2ª metade dos anos 70.
Dessa opção, com efeitos relevantes relativamente à alternativa de coexistência pacífica, derivou, em Maastrich, a Conferência Inter-Governamental dedicada à criação da União Económica e Monetária, a par de uma outra para os passos seguintes, necessários a uma União Política.
Assim, com a criação da UEM, o capitalismo procurava superar, no âmbito da integração europeia, uma crise larvar que vinha desde a declaração unilateral da inconvertibilidade do dólar (Nixon, 15.08.71), e para que a unidade de conta écu fora remedeio e não remédio.
Se passo em frente num descaminho, não se poderia esperar que o euro, tal como criado e enquanto instrumento, superasse a crise larvar. Não só o euro. Também o Banco Central Europeu, enquanto instituição criada com seus objectivos e competências, e à margem de qualquer resquício de democraticidade.
Tratava-se de mecanismos, instrumento e instituição, impostos com pendor federal, sem controlo das soberanias nacionais ou de outras instituições comunitárias com vínculos (ainda que indirectos) aos povos dos Estados-membros. Mas, evidentemente, com controlo directo e submissão ao capital financeiro transnacional…
Esta foi a leitura feita na busca permanente de coerência com uma leitura da História. Com ela teria de ser coerente quer a participação no processo de criação da UEM – muito monetária e pouco ou nada económica –, quer a sua votação, ainda que aparentemente mero ritual homologatório. Essa leitura teria de se inserir no tempo em História, que transcende o tempo do facto ou dos factos.
A criação da moeda única e do BCE é um momento numa fase de sistema que procura, pela via da especulação, sobreviver ao contrariar o que resulta da sua própria dinâmica, com leis tendenciais que impedem a acumulação de capital material como fruto – e único alimento real – de uma relação social que o define como sistema.
Teve o maior significado para nós, nesta frente de luta, a participação no processo de criação e nos actos formais de adopção. Se, na existente correlação de forças, se entendia a UEM como uma imposição de classe para contraditar a crise larvar, embora agravando contradições intrínsecas e insuperáveis, quer a participação, quer a votação só podiam ser uma resposta também de classe.   
O voto do PCP no Parlamento Europeu foi a expressão de uma posição sobre o sistema e o modo como o projecto foi conduzido e os interesses que servia.
Como está na declaração de voto de 2 de Maio de 98, não foi um voto contra a estabilidade de preços, o equilíbrio orçamental, o controlo da dívida; foi, sim, um voto contra a futura utilização de instrumentos e instituições para impor estratégias que prosseguiriam e agravariam a concentração de riqueza, aumentariam e tornariam estrutural o desemprego, agudizariam assimetrias e desigualdades, criariam maior e nova pobreza e exclusão sociais, diminuiriam soberanias nacionais e acresceriam défices democráticos.
E agravariam as condições que tornam evidente a crise larvar e provocam as suas explosões periódicas.
Foi sublinhado, igualmente, que se tratou de um voto que prevenia o decorrente privilégio de zonas geográfico-monetárias e a partilha de influência entre grandes famílias partidárias, numa evidente polarização do poder que viria condicionar todas as políticas dos Estados enquanto Estados-membros.
Foi essa, então, a posição dos deputados do PCP no Parlamento Europeu, em representação dos interesses nacionais. No voto contra foram acompanhados por 10 membros do grupo que integravam e por 52 outros, com mais 24 abstenções (das quais, 6 do grupo).

Hoje, passada década e meia, muitos mais se juntariam a esse NÃO à moeda única, entre eles alguns que festejaram euforicamente o que chamaram (cito) “acontecimento singular”, orgulhosamente colocando Portugal “na primeira fila dos países fundadores” (do euro), e que só agora descobriram – e escandalizados denunciam – o que, então, anatematizaram como presságios de mau augúrio vindos de gente perversa ou perversamente etiquetada, augúrios que a realidade veio, afinal, confirmar. Com os gravíssimos danos sociais, humanitários, que se confrontam. Hoje.
A luta continua. Contínua.

Sérgio Ribeiro    










sexta-feira, março 20, 2015

Agenda

Seminário
O Euro e a União Económica e Monetária –
– constrangimentos e rupturas
(promovido pelo GUE/NGL)
Sexta-feira, 20, às 14h30,
no Hotel Sofitel (Av. Liberdade, Lisboa)
com os deputados do PCP ao PE

João FerreiraInês Zuber e Miguel Viegas

Tomarão a palavra os deputados do PCP ao Parlamento Europeu, João Ferreira, Inês Zuber e Miguel Viegas; Ângelo Alves membro da Comissão Política do CC do PCP; Stavros Evagorou do AKEL (Chipre), Paloma Lopez Bermejo da Esquerda Unida –Esquerda Plural (Espanha) e David Cullinane do Sinn Fein (Irlanda). 
E não só...

quinta-feira, maio 30, 2013

Os sonâmbulos (aparente mente), segundo The Economist


entre 8 "sonâmbulos",
2 portugueses...
Que honra!

quem é que disse
PÔR FIM AO DESASTRE!,
quem foi?

quinta-feira, maio 23, 2013

Reiteramos, hoje, a nossa posição contrária ao euro e à UEM



... e, se nunca estivemos sozinhos,
muito acompanhados estamos agora,
e mais poderemos estar
- e é preciso que estejamos -,
dentro e fora de fronteiras!

sábado, maio 11, 2013

OUTRA INFORMAÇÂO - Chipre nos dias de agora


11.05.2013
Na leitura do avante! encontrei uma notícia sobre Chipre.
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Depois da avalanche de há uns dias, com o rescaldo, aparente/mediaticamente calmo das reacções cipriotas e as sequelas em escandaloso aproveitamento daquelas “soluções” de ir buscar dinheiro directamente “debaixo do colchão” ou de dentro do “pé-de-meia” que são os depósitos bancários – de cada um, de empresas, de fundos – caira, sobre o País, um silêncio. 
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Abençoado avante!: “AKEL admite sair do euro”… apesar do título me parecer mau:
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A leitura, atenta, confirmou a “maldade” (não intencional, claro) do título: o AKEL tomara uma posição, como principal partido da oposição institucional (e de partido de massas) no parlamento a partir de uma posição do seu Comité Central, em que considerava que a única opção de Chipre está numa “solução fora do acordo de empréstimo e do memorando assinado” com a  troika.
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O que corresponderia, diz o AKEL, a ser “provavelmente equivalente a uma decisão de Chipre de sair da União Económica e Monetária (o que) é uma solução dolorosa. Os efeitos que se antecipam exigem o máximo apoio político do povo e implicam sacrifícios.”
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Continua o AKEL “No entanto, apesar de ser uma opção dolorosa, nestas circunstâncias, é igualmente uma alternativa séria, uma vez que o país se libertará de compromissos políticos, o que pode abrir perspectivas e a possibilidade de desenvolvimento e crescimento no futuro, com base num novo modelo económico de desenvolvimento”
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O avante! prossegue a notícia: “O AKEL considera ainda que uma tal decisão, a ser tomada, deve ser acompanhada de negociações entre a República do Chipre e a União Europeia com vista a uma saída ordenada e na base dos princípios do direito internacional.
Conscientes dos perigos e dificuldades de tal decisão, os comunistas cipriotas apelam ao governo e às forças sociais e políticas, bem como a toda a sociedade no sentido de abrir um diálogo político e social construtivo nesta direcção, propondo que o povo se pronuncie sobre ela em referendo.”

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Apenas dois "pormaiores":
·  A actual situação de Chipre apenas se verificou pela evolução do país, num contexto complexo e único, com os recentes resultados eleitorais que deram o poder político à direita por uma escassa maioria.
·   Essa escassa maioria reflecte-se na votação, no parlamento cipriota, do memorando com a troika, aprovado - em 30 de Abril - com uma maioria de apenas dois votos.


Numa mesma luta, cada País, 
cada Povo, 
com as suas diferentes condições.

domingo, maio 05, 2013

Notas à pressão e reflectida certidão de existência


Certidão de existência
(para informação da jornalista Clara Ferreira Alves)

Os factos – No regresso ferroviário de mais uma actividade de in/formação (auto e altero) em que me comprazo há já muitas décadas – esta, na Universidade Popular do Porto –, continuava a minha indispensável actualização solitária a ler o semanário Expresso, quando tropecei na Revista cuja capa me atirou para prioritária leitura da entrevista com o meu colega João Ferreira do Amaral. Tropeço foi esse que em tropeção se tornou quando, após o introito, a entrevistadora põe o que seria a primeira pergunta, que pergunta não foi mas a afirmação de que “subitamente, passou de ser o idiota da aldeia para ser o homem do momento”. E o tropeção foi tal que, embora não me tenha impedido de ler o resto, terá sido gota que extravasou o copo ou, em expressão erudita, o pequeno salto que mudou a quantidade de silenciosa resignação em qualitativo sobressalto de indignação que me obriga a esta:

CERTIDÃO DE EXISTÊNCIA
Eu, Sérgio Ribeiro, cidadão português com cartão que o comprova, que tomou Partido há 54 anos, vem, por esta via, certificar que existe, e informar ou lembrar
- que, enquanto na tarefa de deputado no Parlamento Europeu, votou contra o Tratado de Maastrich
- que, na sequência da aprovação deste, integrou a comissão monetária encarregada de criar a União Económica e Monetária e respectivos instrumento (moeda única) e instituição (BCE)
- que, nessa situação, publicou muito comentário adrede julgado oportuno, inclusive um livro (em  1994, Décadas de EUropa, de que se anexa fotocópia de capa e dois gráficos)
- que, em 1997, publicou um outro livro, formado por 40 fichas que serviam de fundamentação técnica e argumentos políticos para um Não à Moeda Única (cuja fotocópia de capa se junta)
- que, no dia 2 de Maio de 1998, fez uma declaração de voto, no Parlamento Europeu, sequente à votação da criação do euro nessa instância, que se reproduz em anexo, e com fundamentação que se vê hoje reproduzida como se original (e “descoberta”) fosse… para passar adiante sobre o pretendido insulto de “idiota da aldeia” de que JFAmaral é redimido, mas que a outros se colou como etiqueta ou tatuagem
- que, desde então, tem procurado dar a conhecer as posições tomadas, acompanhar e contribuir para minorar as consequências da decisão contra a qual votou, como parte de um colectivo, em múltiplas acções de informação e esclarecimento, nunca na postura balofa e emplumada de “veem como tínhamos razão”.

Razão de ser (da certidão) - No regresso do Porto, guardava uma citação que lá fizera [de Mestre Armando Castro (1918-1999)] a lembrar a frase que Mark Twain (1835-1910) atribuíra a Benjamin Disraeli (1804-1881) “há três espécies de mentiras – as mentiras simples, as mentiras maliciosas e as estatísticas” e, na viagem, juntei uma quarta espécie: as mentiras do apagamento da verdade.
O cordão sanitário relativamente às posições e argumentos do PCP, e de quem com ele seja conotado, combate-se com a luta, mas pode ter contornos pessoais que levam ao grito individual. Aqui fica este, que não pretende ser tão-só individual mas reagir a esse silêncio e menosprezo anatematizador que a entrevista publicada ilustra, e leva ao paroxismo quando subentende subliminarmente que, a acompanhar JFA, estiveram “economistas americanos importantes”… enquanto cá pela aldeia teria sido o “idiota” isolado e recuperável.
Na entrada da escola minha e do colega João Ferreira do Amaral (por quem tenho muito respeito… e discordâncias), Bento de Jesus Caraça diz-nos que não se deve temer o erro se se está pronto a corrigi-lo.
Parafraseio dizendo que se pode aceitar o silêncio de quem ignora, mas deve repudiar-se a persistência do silêncio intencional de quem está (ou deve estar) informado. 


certitfico-me, 
logo, existo!  

terça-feira, abril 09, 2013

Entre Vitores


extractos de uma espécie de diário:

09.04.2013
Entrámos num ciclo/circo Vítor Bento.
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O que tem a ver com o lançamento do livro “Euro forte, euro fraco – duas culturas, uma moeda: um convívio impossível?”, à volta do qual se faz uma campanha que tomo como uma provocação (política) à seriedade e abordagem democrática, informativa, pedagógica, de temas muito importantes para a nossa contemporânea idade no sentido mais restrito, do quotidiano. 
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O discurso é fácil e falso, com o toque do “como eu disse” e do “como eu previ” (ou "como eu alertei" à Cavaco).
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Não li ainda o livro-pretexto, mas irei lê-lo embora me seja bastante o que li na Visão, no Expresso, no Público.
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E considero já ser bastante por auto-suficiência,  por soberba de “não ir aprender nada”?
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Não!, aprenderei decerto alguma coisa, mas o fundo político, o dado (do jogo dos ditos) mais relevante está atirado para o tabuleiro com toda a campanha à volta do personagem.  
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Aliás, como há décadas comento, esta é uma diferença fundamental: “nós” lemos - e devemos ler - tudo de todos, para fazer a critica (e aprender), e encontrar as formas de intervir para transformar; “eles” sabem tudo, mesmo do que de nada sabem, analisam números certos, exactos, às décimas, não representam coisa nenhuma, prevêem ... quando já aconteceu o que, nalguns casos, anatematizaram quando previsto por outros.
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Também fazem a habilidade de usar palavras e expressões como consensuais, ou que em consensuais tornam que não correspondem a nada de sério, de verdadeiro, de minimamente (uso a palavra:) honesto!

(obrigado, Rogério)
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O que é, para Vitor Bento – e extrapolo – “extrema esquerda”?; quem é que disse que “não se deve pagar aos credores”?; quem é que disse – assim! – que “devemos sair do euro”?: quem é que, entre tantas propostas alternativas feitas, concretas e realizáveis, fez esta, assim?
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Já agora, para partir para outra, sempre disse – também gosto de prever, mas depois de analisar as dinâmicas e os fundamentos ideológicos, se acaso os há... como é o caso – que o ideólogo deste governo era Vítor Gaspar, mas agora (as)salta-me uma ideia: se Vítor Bento tivesse sido o ministro das finanças em Junho de 2011, como foi hipótese, talvez hoje estivéssemos no seio de uma campanha a propósito de lançamento de um livro de Vítor Gaspar, com este ou com outro título mais gasparino e menos bento…

segunda-feira, março 25, 2013

A saída do euro... porque nele entrámos!

iinformação

Estes economistas já vêem Portugal
fora do euro e dizem como vai ser

Por Margarida Bon de Sousa , publicado em 25 Mar 2013 - 13:59

Defensores da saída do euro invocam o caso da Islândia.
E dizem que a recuperação será mais rápida

(...)

A propósito... e só para lembrar!

Extracto de actas do Parlamento Europeu (em 50 anos de economia e militância - e mais 5...):

«SESSÃO DE SÁBADO, 2 DE MAIO DE 1998

4. Moeda única
Declarações de voto

Ribeiro (GUE/NGL). – Senhora Presidente, os deputados do Partido Comunista Português, com a solenidade que a ocasião exigiria, mas que a euforia para impressionar a opinião pública não permite, declaram que:

- o seu voto é a expressão coerente de uma posição contra este projecto, o modo como foi conduzido e os interesses que serve. Não é um voto contra a estabilidade de preços, o equilíbrio orçamental, ou o controlo de dívidas, mecanismos e instrumentos. É, sim, um voto contra a sua utilização para impor estratégias que concentram riqueza, agravam desemprego, agudizam assimetrias e desigualdades, criam maior e nova pobreza e exclusão social, diminuem a soberania nacional e aumentam défices democráticos;

- é também um voto contra a formação do núcleo duro para a Comissão Executiva do BCE, privilegiando zonas geográfico-monetárias e partilhando influência entre grandes famílias partidárias, numa evidente polarização do poder na instituição que condicionará todas as políticas dos Estados-Membros;

- após este passo, continuarão a combater os já reais e os previsíveis malefícios do projecto que integram os mecanismos e instrumentos criados. Procurarão, do mesmo modo, contribuir para que sejam potenciadas as suas virtualidades;

- lamentam, por último, que o Parlamento tenha perdido a oportunidade para se credibilizar como instituição democrática, por ter cedido à pompa e circunstância de um ritual de homologação ou de confirmação do que lhe foi apresentado.»*
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* - Em confronto, por me parecer muito significativa a vários títulos, transcrevo, também das actas, a declaração de voto dos deputados do Partido Socialista:
«Marinho, Torres Couto, Apolinário, Barros Moura, Campos, Candal, Correia, Torres Marques, Lage, Moniz (PSE), por escrito. – O euro entrará em vigor em 1 de Janeiro de 1999. É uma certeza que desmente categoricamente os vaticínios negativos que muitos faziam.
Portugal, contrariamente às previsões daqueles que não apostavam um cêntimo nas suas possibilidades, venceu, brilhantemente, todos os exames e está na primeira fila dos países fundadores, participando com orgulho neste momento, verdadeiramente crucial da história da Europa, que assim dá sinais de não querer envelhecer e declinar. Ao contrário também daqueles que arrogantemente garantiam a pés juntos que para atingir o euro seria necessário sacrificar os interesses imediatos dos cidadãos e, ao mesmo tempo, previam uma crise da produção nacional. Portugal desmentiu, nesta recta final do euro, todas as teorias académicas e ideias adquiridas: o crescimento económico do país acelerou, o nível de vida dos portugueses melhorou e a capacidade de exportar aumentou.
Tudo isto foi conseguido porque a grande maioria dos portugueses se sentem identificados com este grande projecto, porque trabalhadores e empresários souberam aproveitar a conjuntura favorável e porque, é justo dizê-lo, o Governo socialista soube combinar habilmente a expansão da procura interna com o investimento público e apostou na iniciativa privada, dinamizada pela baixa da taxa de juro. Tudo isto realizado num clima de tranquilidade social e de solidariedade de que a introdução do rendimento mínimo garantido foi o símbolo maior.
Não se pode dizer que não haverá problemas ou dificuldades. Todavia, tal como o país mostrou ser capaz de realizar as «performances» inesperadas que realizou, também será capaz de, com o mesmo espírito e dinamismo, aproveitar as oportunidades que tem à sua frente e aproximar-se mais depressa dos níveis médios de riqueza e das exigências de competitividade dos nossos parceiros do euro, com os quais encetamos esta caminhada inédita na história contemporânea. Caminho esse que não dispensa, antes exige, uma intensificação da dimensão política e social da integração europeia. A Europa política tem agora a palavra, o funcionamento democrático da União Europeia e o envolvimento dos cidadãos têm a prioridade.
Nós, que desde sempre nos batemos e sonhámos com este momento, temendo quantas vezes em silêncio que não nos pertencesse a alegria da chegada, sabemos reconhecer quem nos indicou o caminho e quem o tornou possível. Vivemos um acontecimento singular da história da Europa, um princípio e não um fim, e estamos conscientes que nesta nova etapa do projecto europeu, esta instituição, será chamada a uma maior intervenção nos destinos da Europa.»


quinta-feira, março 21, 2013

Debate «O Euro e a divida - Défices estruturais»

19 de Março, Lisboa

Intervenções de João Ferreira do Amaral, Economista («Eu não creio que haja solução dentro do Euro»), de José Lourenço, membro da Comissão para os Assuntos Económicos do PCP («O povo português tem o direito inalienável a decidir o seu destino»), de Agostinho Lopes, membro do Comité Central («O euro não foi um problema de ignorância, foi e é uma opção política do grande capital e das potências dominantes da Europa»), de Octávio Teixeira, Economista («Resta-nos a saída unilateral, tanto quanto possível negociada»).

De Jerónimo de Sousa:
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terça-feira, março 12, 2013

O que as massas estão a reconhecer... aos poucos.

A opinião de Stiglitz no caderno Economia do Expresso é muito interessante. Coloca uma pergunta no título, O que a Itália está a dizer?, e responde com o que se resume na primeira frase da entrada do artigo: “Austeridade está a ser rejeitada pelos eleitores.”.
E de Nova Iorque nos dá a sua opinião, que merece ser conhecida, não só por ser de reputado economista (mais um Nobel...) mas também ter intrínseco interesse crítico relativamente à estratégia da União Europeia e às "troikas". O que não quer dizer acordo. Até porque defende o federalismo (fiscal) e a homotetia com os Estados Unidos que se considera absolutamente desajustada.
Por outro lado, ou pelo mesmo…, diz coisas sobre o orçamento da União Europeia que, sendo correctas, têm um sentido perverso na perpectiva federalista estadounidense que adopta.
Diz Stiglitz que esse orçamento é “minúsculo”, e “ainda mais diminuído pelos defensores da austeridade”, o que é um evidente malefício da chamada União mas que apenas deveria ser aumentado, e substancialmente, para poder concretizar o objectivo (do Acto Único, de 1987) da coesão económica e social, por via das transferências dos Estado-membros crescidos (economicamente) e sempre a aproveitar da integração para os Estados-membros menos crescidos (economicamente) e sempre a serem periferizados. Mas não para irem além da supervisão “comum” e para avançarem pela União Política, como Sptiglitz defende.
Depois, é significativo que, neste momento em que as massas se movimentam por muitos Estados-membros, o Nobel apenas refira "eleitorados" como se a democracia se reduzisse ao acto de escolher representantes em quem se delega poder até à seguinte eleição.
O que está em causa, novaiorquinamente falando, é o euro, e Stiglitz termina dizendo que a UEM da U.E, foi um meio para atingir um fim e não um fim em si mesmo, acrescentando que “o eleitorado (!) europeu parece ter reconhecido que, no quadro dos acordos actuais, o euro está a minar os mesmos propósitos para os quais foi supostamente criado. É essa a verdade simples que os líderes europeus ainda têm de entender.”
Para lá da incómoda arrogância, não estará o Nobel a pressupor supostos propósitos, impedido de entender outros propósitos... que apenas poderia entender se fosse capaz de ver o que se está a passar numa óptica de luta de classes? Mas para isso teria de ir além das suas chinelas, ou de sair das suas tamanquinhas.
Não se espera tanto. Mas aprende-se a ler este cadeerno e a aproveitá-lo para reflectir.

segunda-feira, março 11, 2013

Constâncio, Enfatuado & Ridículo, Lª (ou sem limites)




«União bancária na zona euro
é solução a longo prazo

Económico com Lusa
11/03/13 14:04

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, vincou hoje que a união bancária projectada para a zona euro é uma solução a longo prazo para combater a fragmentação do mercado financeiro.

"Para o curto prazo, desenhámos algumas medidas como a OMT (Outright Monetary Transactions - "Transações Monetárias Diretas" em português), que tem sido bem sucedida em reduzir a fragmentação na zona euro", afirmou hoje aos jornalistas, à margem da conferência 'Regulação Financeira - A caminho de um quadro regulatório global?'.
O responsável não quis comentar a necessidade de outras medidas porque considera que "a OMT tem sido interpretada de forma correta pelo mercado como uma barreira [backstop] credível e, como tal, teve um efeito porque foi credível suficientemente".
Vítor Constâncio falava aos jornalistas após a intervenção da abertura da conferência, organizada pelo Instituto Real de Assunto Internacionais, onde afirmou que "a fragmentação do mercado [financeiro] está a perturbar seriamente a política monetária do BCE".
O problema, apontou, é que em alguns países, as alterações à taxa de juro estão a ser transmitidas ao consumidor e empresas, mas "noutros, porque o financiamento do banco é apertado, as taxas de juro não estão quase a ser passadas".
Isto, continuou o responsável, está a "tornar o crédito muito difícil ou excessivamente caro em algumas partes da zona euro". Constâncio defendeu que a união bancária teria um papel positivo em mitigar a crise financeira e a actual situação porque limitaria a fragmentação financeira.
"Um supervisor imparcial que realize testes de stress credíveis acalmaria os receios de que os bancos estão a esconder maus activos em alguns países", garantiu.»

"um supervisor imparcial..."?!
Ele, por exemplo,
aproveitando a sua experiência de supervisor,
com os resultados conhecidos no BPN!
Ou, recuando um pouco,
a sua experiência de secretário-geral
do Partido Socialista,
de onde passou para o Banco de Portugal,
depois de ter perdido as eleições para PSD-Cavaco Silva,
na desgraçada alternância que nos tem entrado em casa,
posto tudo de pantanas
e a que há que pôr fim!

sexta-feira, março 08, 2013

A lição de Itália... e o imbróglio

Já aqui anotámos a importância das eleições em Itália. A falta de uma organização política massas de vanguarda, como ela se erodiu num "euro-comunismo" e suas consequências, a derrota de Monti (da U.E. e seus próceres), o desespero/desesperança de um protesto aclassista e a sua expressão populista e inconsequente.
Este artigo de Jorge Cadima diz mais e melhor:

Opinião

Jorge Cadima
O «euro-comunismo» degenerou no «euro-troikismo»

Itália

As eleições italianas foram uma derrota, embora contraditória, dos planos da UE e do grande capital financeiro internacional. O objectivo eleitoral era claro: prosseguir as políticas de austeridade, militarismo e federalismo do governo de Mario Monti, através duma coligação com o chamado «centro-esquerda» do Partido Democrático (PD). As eleições não lhes deram maioria, nem no voto popular, nem em lugares no Senado.

A derrota de Monti não deve ser subestimada. Trata-se dum peixe graúdo. Ex-comissário europeu, ex-presidente europeu da Trilateral, ligado ao grupo Bilderberg e ao gigante financeiro Goldman Sachs, Monti chegou à chefia do governo italiano, não por via eleitoral, mas graças a um golpe orquestrado nos centros de comando da UE, com papel de destaque do presidente da República, o ex-PCI Napolitano. Não é coincidência que a sua nomeação para 1.º ministro, em Novembro de 2011, tenha ocorrido 12 dias depois de outro italiano ligado ao grande capital financeiro, Mario Draghi, assumir a presidência do Banco Central Europeu (um dos três pilares da troika). Draghi foi vice-presidente da Goldman Sachs e director executivo do Banco Mundial, além de director do BIS (o «banco dos banqueiros») e a sua chegada à chefia do BCE coincidiu com uma intensa especulação financeira que adubou o terreno para a substituição do imprevisível Berlusconi por um «governo de técnicos». Endeusado pela comunicação social de regime, Monti redobrou as políticas de ataque contra os trabalhadores e o povo levadas a cabo por anteriores governos «de centro-esquerda» e de Berlusconi. Embalado por sondagens, antecipou as eleições e entrou directamente na campanha com um novo partido. Recebeu apoios mais ou menos explícitos da UE, de Merkel, de Obama, do Vaticano. A sua derrota eleitoral (ficou-se por 10% dos votos) é, pois, notável. É reflexo, e ao mesmo tempo factor de agravamento, da crise da UE e do capitalismo europeu.

O lado negativo das eleições é que o enorme descontentamento social dos italianos se traduz no aumento da abstenção (+5%) ou é capitalizado por forças de contornos ambíguos e obscuros (o Movimento 5 Estrelas de Grillo) e por Berlusconi. Ambos proclamaram demagogicamente oposição à austeridade e distanciaram-se da UE ou do euro. À esquerda, os partidos dos comunistas italianos (PdCI e PRC), coligados com Verdes e o partido do juiz Di Pietro, obtiveram maus resultados ficando, de novo, fora do Parlamento. Esmagados pelo silêncio mediático, as pressões do «voto útil» e a lei eleitoral, terão também sofrido com uma opção eleitoral personalista, que apagou nomes e símbolos partidários, e ainda com a sua participação em governos «de centro-esquerda» cujas políticas foram, no fundamental, ditadas pelo grande capital e a UE.

O estado-maior da UE vai reagir como de costume: ignorando os resultados eleitorais. Durão Barroso já disse que a derrota de Monti «não significa que a sua política, ou a da UE, estejam erradas» e apela a «não ceder ao populismo». Napolitano já anunciou que «o governo Monti vai representar a Itália no Conselho Europeu de meados de Março, assumindo todas as responsabilidades necessárias, na continuidade da sua política». O futuro é incerto. Mas importa registar o papel central, nos golpes do grande capital, de Napolitano e os dirigentes do PD, que se destacaram na descaracterização e liquidação do maior partido comunista da Europa ocidental. O «euro-comunismo» degenerou no «euro-troikismo», para tragédia dos trabalhadores e do povo. Mais cedo ou mais tarde, os trabalhadores de Itália saberão reconstruir o seu grande partido revolucionário de classe.

em avante!

domingo, março 03, 2013

Interessante...

Económico


França

Paris exige desvalorização do euro

Pedro Duarte  
03/03/13 17:37

Paris exige desvalorização do euroO ministro francês da Indústria acusou hoje o BCE de estar “inactivo” perante a crise, sendo necessário que Draghi tome medidas para fazer cair o valor do euro.
"O BCE não está preocupado com o crescimento, não liga aos desempregados, não está interessado na população europeia", afirmou hoje em entrevista à rádio ‘Europe1' o ministro Arnaud Montebourg.
Para o governante, na situação actual da Europa, é necessário "activismo", e o "dever" da instituição liderada pelo italiano Mario Draghi é a de estimular o crescimento económico.
"Se queremos crescer, é necessário descer o preço do euro. Mario Draghi tem que começar a dizer que o euro está sobreavaliado e que há necessidade de uma moeda mais fraca", disse Montebourg.
Os analistas notam que o discurso do ministro francês é um sintoma da grande vitória obtida nas legislativas italianas pelo movimento anti-euro do comediante Beppe Grillo, cujo movimento se tornou no maior partido da Itália. Nessa linha, Montebourg afirmou que "os italianos castigaram a política económica [de austeridade] imposta pelos mercados", em particular a chanceler alemã Angela Merkel, que é quem "dita a taxa de câmbio do euro".

... para fazer pensar!,
sobretudo, claro,
os que ainda não começaram
a pensar nisto...

domingo, julho 29, 2012

O BCE como boia (fruste e frustre) de salvação

Está a criar-se um ambiente à volta do BCE e das declarações do seu presidente, o italiano Mário Draghi, vindo, evidentemente, de um banco e pertencente a bangster grupo, o Goldman Sachs.
É uma manobra comunicacional nauseabunda. Que até mete, talvez por ignorância... , o anterior presidente, o francês J.-C. Trichet (como o nome não engana) como sendo alemão.
É um truque fruste (e frustre), ao nível dos dessa recente vedeta do humor (?) futebolístico nacional, também futre, com os charters a virem da China aos fins-de-semana para verem jogar um chinês no Sporting...
Esta "salvação" baseia-se num gravíssimo sub-entendido. Além de nada ter mudado na instituição, parida com o seu gémeo euro-moeda-única, colocarem-se nela falsas esperanças tem o perverso (e subliminar) gravame da dita instituição ser o único órgão assumidamente federal e completamente alheio a controlos democráticos, ao inteiro dispor do capital financeiro sem constrangimentos de qualquer espécie.
Atenção aos "quimbóios"! 

terça-feira, julho 24, 2012

Confusões... estratégicas

no sapo:

Conselheiro de Merkel
teme saída de Espanha e Itália
do euro
(DE)


Wolfgang Franz, conselheiro do governo alemão, receia que a saída da Grécia do euro abra a porta ao regresso da peseta e da lira.

... depois das
declarações de ontem
de Mário Draghi
sobre a irreversibilidade do euro!

Há um dedinho que me diz
que o que se está mesmo a  preparar
é um mesmo/outro euro
como moeda "forte" para economias "fortes".

Mas nada garante que o consigam...

sexta-feira, junho 29, 2012

OUTRA INFORMAÇÃO (que faz muita falta a alguns ignorantes encartados) - Chipre

O ano passado estive em Chipre. Pela segunda vez, e desta como reformado e em turismo assumido (mas comprometido!). Deixei aqui alguns "posts". Por isso, na moção de censura do PCP ao governo, da última 2ª feira, mais ridículas achei as intervenções vindas da extrema direita da Assembleia da República, em que, revelando (na menos má das hipóteses) uma lamentável ignorância político-geográfica, na salada de referências misturaram países e regimes e até fizeram das dificuldades de Chipre, no plano financeiro, um motivo para atacar o PCP, identificando-o como um país governado por comunistas.
Lembrei-me desse episódio ao ler o avante! de ontem, em que nos é facultada "outra-informação". Claro que não tenho qualquer ilusão quanto à leitura, quer do avante!, quer deste blog, por tal gentinha, mas fica como reforço de argumentação entre nós.
Extractos da informação (OUTRA!) na ultima página do avante!,:

«Chipre negoceia empréstimos


(...)
As dificuldades do país resultam da grande exposição do seu sistema financeiro à economia da Grécia, que tem sido alvo da brutal ingerência e aplicação dos denominados «memorandos» da UE e do FMI – inadmissíveis instrumentos de extorsão e de exploração dos trabalhadores e do povo grego, que, representando um enorme retrocesso social e provocando calamitosas consequências para a economia grega, servem os interesses das grandes potências e dos grandes grupos económicos e financeiros.
Dimitris Christofias, Presidente da República de Chipre, criticou a UE, o BCE e o FMI, caracterizando a sua postura como a de uma «força colonial», que procura impor políticas neoliberais e medidas de austeridade através dos seus «memorandos», dando como exemplo o caso da Grécia que se repercute na economia cipriota. Como em qualquer outro país da União Europeia, a aplicação de programas de agressão no Chipre atingirá profundamente os interesses dos trabalhadores e do povo.
Dimitris Christofias foi eleito Presidente da República em Fevereiro de 2008, na segunda volta da eleição presidencial, era então secretário-geral do Partido Progressista do Povo Trabalhador (AKEL).
Actualmente o AKEL participa no governo do Chipre com três dos 11 ministros (com as pastas do Trabalho, Energia e Interior). Nas eleições legislativas realizadas em Maio de 2011, o AKEL obteve 19 dos 56 deputados, sendo a segunda força no parlamento nacional.


(...)
Num quadro caracterizado por grandes pressões, o governo cipriota formalizou, dia 25, a intenção de solicitar um empréstimo financeiro à União Europeia, faltando agora determinar os termos do pedido e a consequente negociação do conteúdo de um possível acordo, nomeadamente quanto à definição de montantes, prazos e juros. Com vista a assegurar a recapitalização de alguns dos seus bancos, o governo de Chipre desenvolve um conjunto de iniciativas, tendo nomeadamente encetado negociações bilaterais com a Rússia e a China para a concretização de empréstimos por parte destes dois países


Também é de lembrar que,
desde 1974,
Chipre é um país dividido,
com cerca de metade do território 
ocupado pela Turquia,
com um muro a separar,
e que nele continuam bases
da antiga metrópole colonial,
o Reino Unido