sábado, maio 14, 2016

CLARO!!!... é a luta de classes

Mail amigo por aqui recebido:

«Claro que o assunto é totalmente desinteressante, mesmo que se trate do futuro do país.
Claro que as posições deles são sempre iguais e a cassete também, mesmo que sejam praticamente os únicos com a coragem de dar o passo em frente pela rotura com o pântano.
Claro que são todos já muito conhecidos, mesmo que um independente, catedrático de Economia, dê a cara a seu lado.
Claro que nem sequer têm umas carinhas frescas e jeitosas a quem apontar as câmaras.
Está mais que justificado.
São uns chatos.
Incomodam.
Jorge

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Sessão «A libertação do país da submissão ao Euro, condição para o desenvolvimento e soberania nacional»



Newsletter N. 24 - 2016 / 12 Maio 2016s



"A libertação da submissão ao Euro é uma necessidade e uma possibilidade"

10 Maio 2016
Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral.
O Euro e a crise  
na e da União Europeia

O Euro e a crise na e da União Europeia

10 Maio 2016
Intervenção de João Ferreira, membro do Comité Central e Deputado ao Parlamento Europeu.

"Preparar a saída do Euro é fundamental, é a sustentabilidade do país como país que está em causa"

10 Maio 2016
Intervenção de João Ferreira do Amaral, Economista.

"Com o Euro a soberania nacional foi confiscada"

10 Maio 2016
Intervenção de Jorge Bateira, Economista.

"Os portugueses têm o direito de exercer a opção soberana de libertar o nosso país do Euro"

10 Maio 2016
Intervenção de Paulo Sá, Deputado à Assembleia da República.

"A libertação da submissão euro, a recuperação da soberania monetária é uma necessidade estrutural do país"

10 Maio 2016
Intervenção de Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP.

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
(Sede) R. Soeiro Pereira Gomes, n° 3, 1600 - 196, Lisboa | Tel.: 217813800 | Fax: 217969126 | Email: pcp@pcp.pt | Contacta»




Obrigado, Jorge



quinta-feira, maio 12, 2016

A adesão ao euro "foi um desastre" e a permanência no euro é "um desastre ainda maior"!

 - Edição Nº2215  -  12-5-2016

Podem contar com o PCP!



O PCP vai distribuir, a partir de sábado, 14, por todo o País, um folheto intitulado «Basta de submissão à União Europeia e ao euro».
No documento, onde se afirma a necessidade de «defender o interesse nacional», destaca-se a «nova fase da vida política do País», com «as limitações inerentes a um Governo PS», mas também «com as possibilidades que o contributo que o PCP criou para dar resposta aos problemas e aspirações mais imediatas».
No Orçamento do Estado para 2016, por proposta dos comunistas, foi consagrado, entre outras matérias, manuais escolares gratuitos para o 1.º ano de escolaridade já a partir de Setembro; apoio extraordinário aos desempregados de longa duração, redução da taxa do IMI, desagravando o seu valor em 10 por cento; interdição do aumento da taxa máxima e mínima das propinas.
Porque «é necessário ir mais longe», o PCP propôs ainda o aumento extraordinário de 10 euros nas pensões de reforma; o fim das das restrições a direitos e remunerações dos trabalhadores da Administração Pública; o reforço do apoio à criação cultural e ao património; eliminação progressiva do PEC. Estas medidas foram rejeitadas pelo PS.

Na Assembleia da República e fora dela, os comunistas assumem ainda o compromisso de criação de um Plano Nacional de Combate à Precariedade Laboral; combate à desregulação do horário de trabalho; reposição do princípio do tratamento mais favorável do trabalhador e eliminação da caducidade dos contratos colectivos de trabalho; consagração das 35 horas como duração semanal de trabalho para todos os trabalhadores; subida do salário mínimo nacional para os 600 euros; aumento extraordinário das pensões de reforma.

Entre tantas...

 - Edição Nº2215  -  12-5-2016

Da Grécia e da mentira…

Dizem as notícias que o Eurogrupo reuniu para analisar a situação na Grécia e que o «tabu» da dívida grega foi quebrado. As notícias lançam a possibilidade de «reestruturação» da dívida grega e a ideia da «flexibilidade».
Mas trata-se de uma mentira. O Eurogrupo nada decidiu sobre a dívida grega. O que decidiu e analisou foi, ao invés, o prosseguimento de um caminho que aprofundará ainda mais o grau de endividamento e submissão da Grécia aos ditames da União Europeia e do FMI. O que foi de facto decidido e «analisado» foi o cumprimento integral por parte do governo grego das medidas de austeridade contidas no chamado «memorando de entendimento» imposto ao povo da Grécia. Mais precisamente o Eurogrupo «analisou» se os 5400 milhões de euros de cortes nas pensões e de aumentos de impostos decididos pelo governo Syriza/Anel chegam, nesta fase, para «desbloquear» a segunda tranche do «empréstimo» à Grécia – cujo valor é também de 5400 milhões de Euros – que a Grécia «precisa» para «pagar» aos seus «credores». Ou seja, e simplificando, o povo grego paga mais cinco mil e quatrocentos milhões de euros. O Estado «recebe» esse mesmo valor de «empréstimo» que por sua vez entrega aos mesmos que lhe «emprestaram» esse mesmo valor. Contas feitas quem perde cinco mil e quatrocentos milhões de euros é o povo grego. Como sempre aliás. Como o demonstra o facto confirmado há dias de que 95 por cento dos 216 mil milhões de euros «emprestados» à Grécia foi parar aos cofres dos mega-bancos europeus, ou seja, aos «credores».
Quanto à dívida… Fala-se vagamente de reavaliação, de revisão, etc… mas só depois de 2018, e se a Grécia continuar a cumprir escrupulosamente as ordens dos «credores». Ou seja, o Eurogrupo aceitará mudar o método e o ritmo da extorsão (nunca o valor), mas só depois de a Grécia se endividar ainda mais. Pelo caminho, são aprovados mecanismos automáticos de ainda mais exploração e empobrecimento da Grécia (não vá a realidade fazer das suas) e garante-se que o «fundo de privatizações» (o bacanal de privatizações em que quem dita as regra são os «credores») está «operacional» em Setembro.
Não! O Eurogrupo não mudou nada, tal como nada mudou na Grécia e na União Europeia. Quem achar o contrário ou está enganado ou está a mentir.


Ângelo Alves 

Solidariedade!


terça-feira, maio 10, 2016

Reflexões lentas a propósito de previsões da prima vera

aponta mentes em quase-diário (agora chamado factos i relevâncias):


Na abertura da “intervenção” de amanhã* irei citar as observações de 1962 de um jovem economista de 26 anos na sua crónica na Revista de EconomiaHarmonização e Internacionalismo Político-Económico –, sobre o pedido de adesão do Reino Unido â CEE, precisamente nos 30 anos dos acordos de Ottava de 1932, criadores do “espaço Commonwealth”.
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No final, aproveitarei a lembrança de Paul de Grauwe, último artigo no Expresso das “previsões da primavera” da Comissão publicitadas (mas pouco) a semana passada, para sublinhar que essas previsões estimam um crescimento económico de 1,8% para o a União Europeia enquanto o conjunto (desconjuntado!) dos Estados-membros da zona euro apenas irão crescer 1,6%. 
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Esta diferença apenas agravará o facto dos Estados-membros da União Europeia, no seu todo (se se pode dizer assim), terem recuperado em 2012 o seu nível estatístico da “riqueza das nações” de 2008 enquanto a zona euro apenas o vir a fazer (se fizer…) este ano, isto é, com 4 anos de atraso em relação à comunidade de que são parte… 
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A partes desiguais, e ainda mais entre/dentro em si! 
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Na informação à comunicação social dessas previsões não muito primaveris , o vice-presidente da Comissão intitulado “responsável do euro e do diálogo social” (há compatibilidade?!... ou será irresponsabilidade?) afirmou que “o futuro crescimento dependerá cada vez mais das oportunidades que nós próprios criarmos, o que implica a intensificação dos nossos esforços de reforma estrutural a fim de remediar problemas de longa data de muitos países(...)”.
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E outro membro da Comissão, depois de confessar que o crescimento previsto era “bien maigre” acrescentou que “temos ainda muito a fazer para lutar contra a desigualdade”. 
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Ah, temos, temos! 
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… mas não “eles”, os que tanto têm feito pela desigualdade e as desigualdades. 
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E também não se “luta contra a desigualdade” apenas com a sua denúncia, com mais ou menos contundentes críticas aos “políticos da zona euro” e a esperança/ilusão de que esses aprendam com os erros e passem a estimular qb o investimento público**. 
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A política que os “políticos” podem definir e executar está condicionada pela correlação de forças sociais, e esta tem na sua raiz uma determinante relação social que se chama capital. 
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E o que se tem vivido não resulta de erros que se aprendam e corrijam sem uma transformação real – esta sim "quanto baste"... e enquanto – na correlação de forças sociais. 
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Resulta do funcionamento da relação social matriz, como lhe é permitido pela dita correlação. 
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Isto digo eu… que tomei partido!

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 * - Na UNIESTE-Universidade Intergeracional do Clube D. Estefânia-Lisboa.
** - "(...)O desempenho macroeconómico da zona euro desde 2010 continua fraco. Prometeram-nos um belo futuro na zona euro. Esse futuro não existiu. De facto, os países da União Europeia que decidiram não entrar para a zona euro portaram-se significativamente melhor do que os que aderiram à união monetária. É tempo de os políticos da zona euro aprenderem com os erros. Podem fazê-lo reconhecendo que devem estimular o investimento público. Se o fizerem aumentarão os efeitos positivos que as injeções de dinheiro do Banco Central Europeu tiveram na economia da zona euro.
Isto também tornará possível colocar a zona euro num caminho seguro de mais crescimento e cumprir as promessas que se fizeram no início da união monetária europeia." Paul de GrauweProfessor da Universidade Católica de Lovaina, Bélgica

REGISTO

 a apresentação será de Rogério Reis
























Voltaremos!

segunda-feira, maio 09, 2016

A propósito de... é bom não esquecer

:)

Colégios privados, financiamentos públicos

9 DE MAY DE 2016

A discussão no Parlamento sobre o financiamento do ensino privado é como se fosse uma aula teórica que precisa dos casos concretos das aulas práticas para se entender, de facto, a matéria. O problema torna-se mais complicado quando Passos Coelho recorre à fantasia política e a manobras de diversão que desviam o debate da questão essencial. Acontece que dispomos em arquivo de uma “aula prática” bem elucidativa do que está em causa: a reportagem que a jornalista da TVI Ana Leal fez em 2013 e que acabou por ser distinguida com um prémio Gazeta. Fica aqui o “link” para o excelente trabalho de Ana Leal e a expectativa de que a TVI se lembre de o trazer de novo ao écrã. (JAG)
» Verdade inconveniente (reportagem de Ana Leal)
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- Clube de Jornalistas - http://www.clubedejornalistas.pt -
Colégios privados, financiamentos públicos
Posted By João Alferes Gonçalves On 10/11/2013 @ 11:00 In Headline | No Comments

A TVI emitiu no dia 4 uma reportagem sobre o escândalo da construção desordenada e financiamento público de colégios privados, um sorvedouro de dezenas de milhões de euros do erário público em detrimento de escolas do Estado. É uma peça jornalística exemplar. “Verdade inconveniente” lhe chamou a TVI. Inconveniente para o governo e para o desgoverno de que é cúmplice. Indispensável para se ter uma noção exacta do que é o cheque-ensino. (JAG)

» Uma certa liberdade de escolha [1] (Isaura Reis)

Article printed from Clube de Jornalistas: http://www.clubedejornalistas.pt

URL to article: http://www.clubedejornalistas.pt/?p=9345

URLs in this post:

[1] Uma certa liberdade de escolha: http://notasdecircunstancia.blogspot.pt/2013/11/analise-uma-certa-liberdade-de-escolha.html

[2] Crónica de Fernando Alves: http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=903681&audio_id=3515084

[3] Verdade Inconveniente – Reportagem de Ana Leal: http://youtu.be/5YOnCK79cpw

Copyright © 2009 Clube de Jornalistas.

Dois acontecimentos históricos - 2

Reincidente, reincidigo reincidência de há 3 anos (e mais anos) neste blog:



«Reincidindo... este ano de 2013, no dia 8 de Maio

9 de Maio, Dia da Europa? - Tão teimoso como "eles"!

Estes foram os "post" de 2007:

Quarta-feira, Maio 09, 2007
Qual o Dia da Europa?
8 ou 9 de Maio? - 1

“Eles” dizem que hoje, 9 de Maio, é que é o dia da Europa.
E porquê?
Porque, como nos diz a Wikipédia:

“Em 9 de Maio de 1950, Robert Schuman apresentou uma proposta de criação de uma Europa organizada, requisito indispensável para a manutenção de relações pacíficas.
Esta proposta, conhecida como "Declaração Schuman", é considerada o começo da criação do que é hoje a União Europeia.
Actualmente o dia 9 de Maio tornou-se um símbolo europeu (Dia da Europa) que, juntamente com a bandeira, o hino, a divisa e a moeda única (o euro), identifica a identidade política da União Europeia. O Dia da Europa constitui uma oportunidade para desenvolver actividades e festejos que aproximam a Europa dos seus cidadãos e os povos da União entre si.”
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Eu protesto!
Sobretudo porque não aceito que se confunda a Europa com a União Europeia, adoptando-se para Dia da Europa uma data que começou por ter a ver exclusivamente com 6-países-6 da Europa e com um arranjo sectorial sobre o carvão e o aço.
Nessa mesma (i)lógica porque não a data da criação do BENELUX, que juntou a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo?

Qual o Dia da Europa?
8 ou 9 de Maio? - 2


Estas buscas que andei fazendo, e os calorosos parabéns que hoje recebi da Lécia, a “nossa” ucraniana – não pela CECA mas pela PAZ, de que ela sabe que sou defensor estrénuo – vieram lembrar-me outra circunstância significativa relativa ao 9 de Maio.
Ainda da Wikipédia:

“O Dia da Vitória na Europa (V-E Day) foi o dia 8 de Maio de 1945, data formal da derrota da Alemanha Nazi em favor dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.
A data foi motivo de grandes celebrações, especialmente em Londres, onde mais de um milhão de pessoas festejaram o fim da guerra na Europa, embora os racionamentos de comida e vestuário continuassem por mais uma série de anos. (…)
Nos Estados Unidos, o Presidente Harry Truman, que celebrava 61 anos nesse mesmo dia, dedicou a vitória ao seu antecessor, Franklin D. Roosevelt, que morrera há cerca de um mês antes, no dia 12 de Abril.
Os Aliados haviam acordado que o dia 9 de Maio de 1945 seria o da celebração, todavia os jornalistas ocidentais lançaram a notícia da rendição alemã mais cedo do que era previsto, precipitando as celebrações. A União Soviética manteve as celebrações para a data combinada, sendo por isso que o fim da Segunda Guerra Mundial, conhecida como a Grande Guerra Patriótica na Rússia e outras zonas da antiga URSS, é celebrado no dia 9 de Maio.”
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Talvez se possa concluir, sem se ser demasiado abusivo, que o dia 8 de Maio é o dia da Vitória, da Paz, da Europa, porque era o dia de aniversário de Truman…
De qualquer modo, se razão há para se considerar este dia 9 como o Dia da Europa não o deveria ser por o sr. Schuman ter feito, nesta data, aquele discurso na sala dos relógios (ou lá onde foi) mas porque os “Aliados” tinham decidido que seria o dia da proclamação da Paz na Europa, o fim da 2ª Guerra Mundial, o que não foi respeitado pelo “Ocidente” e, pior ainda, a guerra foi continuada pelos Estados Unidos fora da Europa porque ainda tinham umas bombitas atómicas para lançar no Japão, sobre Hiroshima e Nagasaki.

Tenho dito.
Por agora!

Continuo a dizer!

Dois acontecimentos históricos - 1

Com os amigos e devidos agradecimentos ao 
Manuel Augusto Araújo (Praça do Bocage)

Um Concerto Património da Humanidade

PALMIRA
Ontem, no teatro romano de Palmira, na Síria, a orquestra do Teatro Mariynski, dirigida por Valery Gergiev deu um concerto que se reveste de enorme simbolismo. Em 27 de Março as tropas do Estado Islâmico (EI) foram expulsas da cidade pelo exército sírio apoiado pela aviação russa. Foi, até hoje, a maior derrota que os terroristas sofreram. Significativamente, como Robert Fisk assinalou, Obama, Cameron e Hollande ficaram em silêncio perante tão importante sucesso que salvou uma cidade Património da Humanidade das barbaridades que o EI aí estava a cometer, contra a população e contra um património histórico inestimável. Aliás, enquanto as forças militares avançavam para libertar a cidade esse silêncio foi interrompido por interposto Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres muito activo a denunciar as vitimas civis provocadas pelos bombardeamentos dos que combatiam para reconquistar a cidade.
Depois de reocupada Palmira, um batalhão de sapadores russos iniciou o trabalho de desminagem da zona histórica, armadilhada com quase 5000 artefactos explosivos. Agora estão a continuar o seu trabalho nas áreas habitacionais.
Foram essas acções que permitiram a realização deste concerto histórico em que se fizeram ouvir Bach, Schedrin e Prokofiev num cenário fabuloso, homenageando Khaled al Assar, director do Museu Central de Palmira e do seu património arqueológico que foi torturado e executado, juntamente com outros técnicos do museu pelos terroristas, perante o silêncio do OSDH. Bem significativo da credibilidade dessa gente sempre tão bem acolhida e acarinhada pela comunicação social.
Lembre-se que Palmira foi ocupada pelo EI em Março de 2015. As atrocidades habituais sucederam-se. Foram ampliadas pela destruição de vários monumentos, como o Arco do Triunfo, o templo de Baal Samin, um deus semita, o templo de Bel, entre outros que são considerados preciosidades impares do património cultural mundial. Irina Bokova, directora geral da Unesco, afirmou:" não se viu nada similar desde a Segunda Guerra Mundial. O que está a acontecer é a mais brutal destruição sistemática do património mundial”. A essas destruições soma-se o assalto e roubo de peças únicas do Museu Central de Palmira. O seu director Khaled al Assar, os seus familiares, os técnicos do Museu foram torturados e executados porque o EI procurava um tesouro que supunham escondido. Não o encontrando, roubavam o que o exército, quando abandonou a cidade e evacuou a população, não tinha conseguido pôr a salvo.
A história de Palmira atravessa séculos do neolítico ao Império Otomano. Capital de uma dissidência do Império Romano, lugar de importância pela sua localização geográfica para o trânsito comercial, era a última paragem antes do Mediterrâneo na Rota da Seda. Com a sua história Palmira congregou um valor monumental raro. O EI, enquanto destruía monumentos saqueava peças arqueológicas que traficava através da Turquia para os mercados mundiais. “As antiguidades de Palmira estão à venda em Londres, como outros objectos da Síria e do Iraque" denunciou no The Independent a arqueóloga Joanne Farchakh. É indignante como esse mercado floresce no Ocidente sem que ninguém faça nada.
O concerto da Orquestra de Mariynski assinala uma vitória da civilização contra a barbárie. A abrir o concerto, Putin, por vídeo, fez um discurso em que lembrou que “celebrar aquele concerto na proximidade de lugares onde decorrem acções bélicas tem riscos e exige muita coragem pessoal” enaltecendo-o como “magnífica acção humanitária, uma mensagem de memória, esperança e agradecimento”(…) agradecimento extensível a todos os que lutam contra o terrorismo pondo em risco a própria vida (…) uma  memória de todas as vitimas do terrorismo, independentemente do lugar e do momento do crime, sempre um crime contra a humanidade(…) a esperança no futuro renascimento de Palmira como património da humanidade, é um sinal da libertação da civilização contemporânea dessa peste que é o terrorismo internacional”.
Um concerto de propaganda? Um discurso de propaganda? Claro que Vladimir Putin aproveita para mostrar ao mundo quem no Médio-Oriente entrou na guerra para lutar de facto contra o terrorismo, obrigando outros a maior empenho e, se possível, a menor hipocrisia já que foram os maiores patrocinadores desse mesmo terrorismo, até ficar fora de controle. Agora estão mais empenhados, mas continuam políticas dúbias como se vê quando se submetem a chantagens da Turquia e Erdogan. Faz propaganda do que a Rússia conseguiu? Claro que faz e fá-lo sabendo que, sem os nomear, Obama, Cameron, Hollande estavam com as orelhas a arder, mesmo que a gigantesca máquina de mentiras ao seu serviço silencie ou menorize este concerto histórico.
 Manuel Augusto Araujo | 6 de Maio de 2016 às 20:59 | 

sexta-feira, maio 06, 2016

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Expresso curto... a frio e sem açucar

Valdemar Cruz
Por Valdemar Cruz
Jornalista

6 de Maio de 2016

A estratégia da aranha na negociação transatlântica

Paciência. Criatividade. Perversidade. São inúmeras, na história da arte, ou na mitologia, as referências às características da aranha. Entre as milhares de espécies existentes, algumas dezenas têm uma picada muito perigosa para os humanos. Há quem se deixe tomar pela aracnofobia, uma rejeição extrema, não apenas da peçonha, como tudo quanto possa estar ligado à aranha. Por exemplo as teias. Como as que têm vindo a ser tecidas em segredo entre a União Europeia e os EUA da América na negociação do TIIP-Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento. Como ontem, numa citação do jornal "Guardian", titulava Joana Azevedo Viana no Expresso Diário, este é "o assunto mais aborrecido com que todos deviam estar preocupados". A aranha move-se silenciosa. Tem o tato e a visão muito desenvolvidos e a paciência bastante para provocar a intrusão na mais absoluta das discrições. O TIIP começou a ser negociado em 2013, mas a generalidade dos europeus tem andado distraída das consequências de um tratado cuja aprovação e aplicação resultaria numa secundariação absoluta do papel do Estado nos serviços públicos, na segurança ambiental e familiar, com consequências gravosas na regulação financeira, na defesa e privacidade dos cidadãos ou nos direitos laborais, transformados numa espécie de cidadela a varrer do mapa, custe o que custar. O objetivo de reduzir os entraves regulatórios e a burocracia para potenciar ao máximo as trocas entre os EUA e a EU tem sido negociado longe de qualquer olhar. Nenhuma organização não governamental ou parlamento nacional, nem sequer os membros do parlamento europeu têm acesso aos documentos, nem estão à mesas das negociações. Os defensores do acordo, como Luísa Santos, diretora das relações exteriores da Business Europe, uma estrutura do patronato europeu, citada há dias pelo El País, sustentam que "as pessoas que protestam estão contra a globalização e o comércio internacional em geral". No Expresso Diário, Mark Dearce, pertencente à ONG War on Want, afirma que o TTIP representa "a maior tomada de poder pelas grandes empresas a que se assistiu numa geração". Ainda segundo Dearce, "através da desregulação, privatizações e do mecanismo de 'tribunais corporativos', este acordo secreto vai colocar as grandes empresas numa posição em que podem destruir as proteções sociais, ambientais e de saúde, forçar a privatização dos serviços públicos e levar governos a tribunal por causa de qualquer prática que afete os seus lucros". As aranha começam por digerir os alimentos fora do corpo. Só depois da completa captura da presa a cobrem com os seus sucos digestivos e a sugam. Nunca têm pressa. O processo é lento. Mas é implacável, a estratégia da aranha. (...)»

segunda-feira, maio 02, 2016

Lucidez, confinada... mas lucidez

"quase-diário":

Num intervalo. a ler o lúcido, keynesianamente – o que quer dizer lucidez confinada –, Nicolau Santos numa muito  boa síntese da situação, na perspectiva dos níveis a que se trava a luta política (que não é apenas par(a)lamentar):

«Bom dia. Este é o seu Expresso Curto, o primeiro deste mês de maio, no dia seguinte ao Dia do Trabalhador, que ficou marcado por uma divergência não de objetivos mas de velocidade entre o Governo e a CGTP.

Com efeito, o primeiro-ministro, que estava nos Açores, apelou às forças que apoiam a orientação do atual Governo para cerrarem fileiras.Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, respondeu-lhe, anunciando uma semana de greves e manifestações entre 16 e 20 de maio.
Disse António Costa: “É necessário que prossiga uma mobilização muito forte em defesa desta política, que tem muitos adversários, não só internos, como externos”. Exemplificou com as instâncias europeias que “criticam a política da atual maioria de aumento do salário mínimo nacional”. Por isso, “percebemos bem que é essencial que essa luta prossiga, porque não é possível continuar a alimentar a ilusão de que o nosso desenvolvimento se faz com um modelo que está morto e que tem de ser enterrado - um modelo de baixos salários e de precariedade laboral”.
Ora qualquer líder sindical gostaria de ouvir estas palavras. Mais: um líder sindical subscreveria a maior parte delas. Mas Arménio Carlos não é um líder sindical qualquer. Tem pressa, impaciência e desconfia do que pode acontecer. Reconhece que “as medidas implementadas [pelo atual Governo socialista], embora limitadas, invertem o rumo de cortes sucessivos nos salários, nas pensões e nos direitos”, mas defendeu que “é preciso ir mais longe”: “há muito caminho para fazer, um conjunto vasto de problemas para resolver e uma luta que não pode parar”. Por isso,anunciou uma semana de luta - de 16 a 20 de maio – para reivindicar o aumento de salários,
o emprego com direitos, a renovação da contratação coletiva e as 35 horas de trabalho semanal para os trabalhadores dos setores público e privado.
Mais: disse a António Costa que pode contar com o apoio da CGTP para “resistir às chantagens e ingerências internas e externas”, mas avisou que a central sindical jamais será cúmplice “de políticas que perspetivem a cedência e subjugação aos ditames da 'troika' ou a hipotéticos consensos alargados defendidos pela direita”.
Ora aqui está como se pode aparentemente estar do mesmo lado da barricada, mas seguramente não de mãos dadas. Ora aqui está como o Governo pode contar com o apoio do parlamento mas não o das ruas - embora, na verdade, as greves tenham caído a pique desde que António Costa chegou ao poder. Com efeito, os dados oficiais mostram que nos primeiros três meses deste ano, os sindicatos entregaram ao Ministério do Trabalho apenas 105 pré-avisos de greve. Ou seja, menos um terço do que em igual período do ano passado (348) e quase cinco vez menos do que no pico da crise, em 2013, quando as estatísticas atingiram o recorde de 448 pré-avisos de greve em apenas três meses.(...)»


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Pois é, Nicolau, há líderes sindicais que não são uns lideres sindicais quaisquer, e hã sindicatos de classe!

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Por mais que custe a acreditar, há quem tenha uma leitura da História como sendo eesta a luta de classes (como, dizemos nós… , a História o comprova), e procure ser coerente com essa leitura e do lado da outra classe, na correlação de forças sempre mutável.

domingo, maio 01, 2016

Página de um quase-diário - 1º de Maio

01.05.2016

São 3 da tarde do dia 1º de Maio

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Em muitas cidades de Portugal, muitos milhares de nós estão nas ruas para assinalar, indelevelmente, o Dia do Trabalhador.

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Hoje, em 2016, também travestido de Dia da Mãe (que já foi a 8 de Dezembro e noutros dias… mas este ano calhou neste!).

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Todos na rua para defender, repor e conquistar.

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Mas também é indispensável saber porquê.

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 Porquê hoje e para onde.

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Todos os que na rua estão, e muitos dos que à rua não foram por válidas razões?

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A maior parte?

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Muitos!

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Pelo menos alguns…

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No dia 1 de Maio de 1886 realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago, que tinha como finalidade, não defender ou repor mas conquistar a jornada de trabalho das 8 horas.

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Também nesse dia, e com o mesmo objectivo, teve início uma greve geral nos Estados Unidos, que originou, nos dias seguintes, mais manifestações e  incidentes, alguns de muita gravidade.

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Não se trata de lembrar a História, que é (ou deveria ser) conhecida, mas de sublinhar a importância que tinha, então, a questão da duração da “jornada de trabalho”.

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E que continua a ter, embora por vezes pareça esquecida nesta nuvem monetarista em que nos envolveram.

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Com o capitalismo, o ser humano deixa de ser escravo, e ser escravo significa ter todo o tempo de vida à disposição de quem é seu proprietário.

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Nesta etapa histórica, o trabalhador passa a vender horas da sua força de trabalho para que esta, como mercadoria, fique ao serviço dos objectivos de outros seres humanos proprietários de outras  mercadorias-meios de produção e circulação de mercadorias.

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Em 1 de Maio de 1886 lutou-se por tempo livre, por o ser humano, com a venda da sus força de trabalho durante o máximo de 8 horas diárias durante 6 dias da semana, ter direito, pelo modo como a sociedade se organizava e distribuía a riqueza produzida, a mais 8 horas de repouso e recuperação diárias, e também a 8 horas livres diárias e um dia por semana todo seu.

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No dia 1º de Maio, há que lembrar que é o tempo livre, que é ter uma parte do dia, da semana, do ano, um tempo da sua vida de que possa dispor livremente que distingue o ser humano livre do ser humano escravo.  

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E que foi esse avanço civilizacional que o capitalismo trouxe… ou que lhe foi arrancado pela classe social que ele teve de criar nas suas entranhas.

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Não o esqueçamos.

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Lembremo-lo!