quinta-feira, maio 17, 2012

Brevíssima (dúvida)

Justiça


MP investiga introdução
de portagens nas SCUT (Sol)


A introdução de portagens nas antigas SCUT, em Julho de 2010, e em particular os novos compromissos então assumidos pelo Governo socialista com a Ascendi, concessionária do grupo Mota-Engil, estão a ser investigados pelo Ministério Público.

E a Mota-Engil vai devolver-nos a "massa"?
A propósito, essa tal Mota-Engil não é aquela para onde foi recrutado (!) um ministro das Obras Privadas, perdão, Públicas, que não é Passos mas também é Coelho?

Trazendo a conversa para aqui

Ricardo O. disse...

É curioso que, em capitalismo, a solução para a mobilidade das amssas passa sempre pela promoção de soluções de transporte individual, como que mercantilizando essa mesma mobilidade.
Mas o que mais me chocou foi a afirmação de que em alguns casos a solução-mota é mais barata que a solução-passe social (ou de assinatura, ou passe mensal...)!
Estaremos perante a exploração de novos mercados?

Sérgio Ribeiro disse...

Não ouviste o da Honda? Estava na onda!...

Breves - duas televisivas de ontem à noite

1. Manifestação de... empreiteiros, na Guarda.
2. Solução "vietnamita" (e não só) para o trânsito, para os orçamentos familiares, para a crise em geral: troque o seu carro por uma moto ou ""scooter", antes que a solução seja a bicicleta!

Fala do velho com os seus botões - 4

A todo o momento (histórico) se põem em causa os séculos e os milénios de (in)certezas.
Menos o que é convicção certa e certeira!

quarta-feira, maio 16, 2012

PAZ, SIM! nato, não!

Paz Sim! NATO Não!

A NATO, criada em 4 de Abril de 1949, sob a égide dos E. U. A., assume a função de guarda pretoriana do imperialismo, sendo um instrumento de repressão dos povos que lutam pela construção de um mundo de Paz e progresso social.
Recorde-se que a NATO, ao acolher Portugal como país fundador, foi um importante suporte da ditadura fascista e da guerra colonial movida contra os povos, sob o jugo do colonialismo português.
A NATO aprovou, em Novembro de 2010, um novo “ Conceito Estratégico” em que se arroga ao “direito” de intervir militarmente, à revelia da ONU e do Direito Internacional, sempre que considere que estão em causa interesses económicos, políticos e geo-estratégicos dos países que a integram, de que são exemplos a Jugoslávia, o Iraque, o Afeganistão e a Líbia.
Aquando da cimeira da NATO, realizada em Lisboa em Novembro de 2010, o povo português expressou firmemente e de várias formas a sua rejeição dos objectivos bélicos da NATO e da sua presença em território nacional.
Realizando-se agora, em Chicago, neste mês de Maio, mais uma cimeira da NATO, cujos anunciados objectivos são a confirmação e aprofundamento dos seus sinistros propósitos, o CPPC volta a denunciar a ameaça que representa a NATO para a Paz mundial, bem como a incompatibilidade entre estes objectivos e o interesse e sentimento do povo português, plasmados nos princípios da Constituição da República.

O CPPC solidariza-se com o movimento da Paz mundial que, por esta ocasião mais uma vez manifesta e denuncia a natureza agressiva e imperialista da NATO
Dando continuidade aos objectivos e aos compromissos da Campanha “Paz Sim! NATO Não!”, realizada em Portugal, em 2010, o CPPC afirma:
- A exigência da retirada imediata das forças portuguesas envolvidas em agressões da NATO, nomeadamente do Afeganistão;
- A rejeição da instalação do sistema anti-míssil dos EUA na Europa e de qualquer participação de Portugal neste;
- A rejeição da escalada de guerra no Médio Oriente, nomeadamente contra a Síria e o Irão;
- A reclamação do fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional;
- A reclamação da dissolução da NATO;
- A exigência do desarmamento e do fim das armas nucleares e de destruição massiva;
- A exigência do cumprimento dos princípios da Carta das Nações Unidas e da Constituição da República Portuguesa, em respeito pela soberania e igualdade dos povos.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação

Fala do velho com os seus botões - 3

(... tinha-me esquecido destas falas entre os "rascunhos" - e estão por lá umas tantas! -
... coisas de velho(s)...)

Até ao fim a interrogar-me.
De cada resposta, nascem duas perguntas...

A liquidação (por via...) do IVA

Excertos da intervenção do deputado Agostinho Lopes na Assembleia de República:


IVA a 23% - Liquidação de centenas de Micro e Pequenas Empresas
Quarta 16 de Maio de 2012

1. Até ao dia de ontem, 15 de Maio, a grande maioria das empresas de restauração (e as pequenas empresas de outros sectores) com 650 mil euros de facturação, liquidaram (ou não) o IVA do 1º trimestre. Os impactos dessa liquidação do IVA a 23%, na tesouraria dessas empresas, depois de 3 meses de brutal redução do volume de negócios e de esmagamento das margens comerciais, poderá ser o golpe fatal e final na sua, já difícil, sobrevivência!
De facto, obedecendo cegamente às orientações do Pacto de Agressão subscrito por PS, PSD e CDS/PP com a Troika, o Governo no Orçamento do Estado para 2012, agravou a taxa do IVA aplicada no setor da restauração de 13% para 23%, através da revogação das verbas 3 e 3.1 da Lista II anexa ao Código do IVA. O que correspondeu a um agravamento de 77% do imposto.
No decorrer do processo de discussão e aprovação do Orçamento de Estado para 2012 várias foram as vozes, opondo-se a este agravamento fiscal, num setor extremamente sensível no plano interno à perda de rendimento da generalidade dos trabalhadores portugueses e no plano externo às alterações de preço (depois de impostos) tendo em conta a importância da restauração na competitividade/atratividade da oferta turística, nos mercados internacionais. São conhecidas as propostas feitas pelo GP do PCP, em sede do debate orçamental, contra esse agravamento fiscal.

2. Se a generalidade dos portugueses ganhasse os salários dos presidentes e outros gestores das empresas da Bolsa de Lisboa/PSI 20, que se aumentaram, apesar da crise, 5,3% em 2011, outro galo cantaria! Assim só a restauração de luxo não será afectada! Como aliás aconteceu com o comércio dos carros de topo de gama nos primeiros 3 meses, em contraposição com os utilitários. A Porsche teve um aumento de 92%!
Mas não. Como os salários dos trabalhadores das empresas do PSI 20, e com os restantes assalariados a situação é pior, desceram no mesmo período 11%, em salários 44 vezes menores que os dos gestores (e ainda há quem diga que os sacrifícios estão bem repartidos!), as consequências da perda de poder de compra, são terríveis para a restauração. Degradação do poder de compra dos portugueses, que acumula também a redução e congelamento das pensões, o roubo do 13º e 14º meses, a punção fiscal no IRS e IVA, os aumentos da energia (combustíveis, electricidade, GN), o aumento das tarifas nos transportes, dos custos de acesso à saúde, etc, etc e de muitas outras malfeitorias do Pacto de Agrssão/Troika/Governo PSD-CDS/PP!
A queda a pique do poder de compra da generalidade dos portugueses, só ainda não teve consequências mais acentuadas na restauração, porque muitos estabelecimentos não fizeram refletir o aumento do IVA no preço final pago pelos consumidores. Mas isto tem, como é evidente, graves implicações na sua tesouraria. Onde pesam também os problemas com a subida dos preços da energia e as imposições e negativas da banca no acesso ao crédito.
Segundo declarações do secretário-geral da AHRESP a partir de 15 de Maio prevê-se uma forte aceleração de encerramentos de micro e pequenas empresas da restauração, devido ao impacto de tesouraria associado ao pagamento do IVA do primeiro trimestre de 2012: «Até agora tinha sido uma ‘derrocada’ pela quebra de consumo. A partir de agora passa a ser acrescida do impacto do aumento dos impostos, nomeadamente do IVA, até porque maioria das empresas não conseguiu induzir este aumento nos preços de venda. Em Maio, será o final da catástrofe, porque vai ser a maioria dos pagamentos trimestrais».
Segundo dados da AHRESP, a crise e o agravamento do IVA poderão conduzir à extinção de 47 mil postos de trabalho e ao encerramento de 21 mil estabelecimentos, só em 2012! Nos dois primeiros meses deste ano o número de insolvências no sector sofreu um agravamento de 68% face ao mesmo período de 2011. Se compararmos com o mesmo período de 2010, concluímos que o agravamento atingiu os 174%.
Recorde-se que os serviços de alimentação e bebidas representam cerca de 45% do consumo dos visitantes estrangeiros e cerca de 34% do consumo referente ao turismo interno. Estes números demonstram a sensibilidade da atividade da restauração ao aumento das respetivas taxas de IVA para os 23%, elevando a taxa média de IVA do Turismo para 20,4%, face à concorrência espanhola com 11,1% de taxa média. E quando se sabe que o IVA da restauração em França é de 7% e a da Irlanda com intervenção da Troika é de 9%!

3. Estamos, vamos continuar a assistir ao massacre das micro e pequenas empresas da restauração (e de muitos outros sectores), pela mão dos grandes patronos e defensores das pequenas empresas. Vai pouco mais de um ano, que PSD e CDS/PP, na oposição, diga-se, eram um desvelo, um carinho, uma atenção permanente, sempre com o santo nome das PME na boca! Aumento da carga fiscal?! Nunca, jamais, em tempo algum. Crédito? A CGD devia dar o exemplo e a prioridade às PME! (Agora a CGD anda mais entretida com as OPA do Grupo Mello e o Governo não pode dar orientações!). Energia!? Um escândalo, a afectar a competitividade das nossas empresas! Fundos comunitários/QREN, tudo e em força para as PME! Hoje no Governo e em maioria na AR, é a amnésia total do PSD e CDS/PP! (Amnésia, que se estende ao PS, que agora não se lembra do que fez no Governo!)
Nem sequer o IVA de Caixa, anunciado pelo 1º Ministro em Setembro em debate quinzenal, como medida imediata para responder às dificuldades de tesouraria. Aliás, contrariamente ao que disse noutro debate recente, os reembolsos do IVA, continuam a ser feitos com atraso…
E é extraordinário, que inteiramente à semelhança do Governo PS/Sócrates, não se queira enxergar a realidade! A Srª. Secretária de Estado do Turismo, presente na tomada de posse dos novos Órgãos da AHRESP a 27 de Abril, apesar de interpelada sobre o aumento do IVA para 23% e o fosso competitivo face a parceiros europeus, conseguiu o milagre de em cerca de 20 páginas de prosa, não tocar no assunto! Nem, para apenas reconhecer a gravidade do problema!

4.Todos estaremos de acordo com a gravidade do afundamento económico deste sector, e nos seus diversos impactos. No turismo, a nossa principal “exportação”. No escoamento da produção agro-alimentar e pesqueira do País! No emprego! Serão mais umas dezenas de milhares de desempregados, a juntar aos que hoje o INE anunciou: 1 224 400! Só no comércio e restauração, perderam-se nos primeiros 3 meses do ano, 21 mil postos de trabalho!
É necessário interromper este caminho suicida! É necessário renegociar a dívida, romper com as políticas que só servem o grande capital financeiro e multinacional, os pressupostos do neoliberalismo, e optar por uma política de crescimento e emprego.
Sobre o tema que trouxe a debate, é possível responder no imediato.
Face à grave situação da restauração e aos seus impactos na vida dos portugueses, assim como na atividade económica em geral, e nomeadamente no Turismo, o Grupo Parlamentar do PCP propõe a reposição da taxa do IVA nos serviços de Alimentação e Bebidas nos 13%, repondo as verbas 3 e 3.1 da Lista II anexa ao Código do IVA. Nesse sentido entregamos hoje na Mesa um Projecto-Lei.
Respondemos assim também ao apelo da petição contra o aumento do IVA nos serviços de restauração e bebidas promovida pela AHRESP e às reclamações de outras associações empresariais e sindicais.
Srs. deputados do PSD e CDS/PP, e também do PS, não basta afirmarem-se preocupados com a brutalidade e o drama do desemprego. Aprovem o Projecto do PCP e darão um contributo, para travar a destruição de postos de trabalho!

Só boas notícias...

Depois da queda do PIB menor que a esperada (por quem?), ao lado da inflação a desacelerar, hoje é o desemprego que, segundo o INE, não chega aos 15% da população activa (era de 12,4% no 1º trimestre de 2011, quando nos troikaram as voltas), e é inferior a 820 mil o número de desempregados:

«INE
Desemprego em Portugal dispara para recorde de 14,9% (DE)

A taxa de desemprego em Portugal subiu para 14,9% no primeiro trimestre de 2012, um novo máximo histórico, traduzindo um aumento de 2,5 pontos percentuais face ao trimestre homólogo. No final de Março, existiam 819,3 mil desempregados em Portugal.»

... e batem-se recordes! Isto assim (não!) vai.

Mas isto vai.
Com a luta, isto vai!
 

terça-feira, maio 15, 2012

Alternantes alterados

Depois de (nenh)uma pausa, de (alg)uma expectativa "à pala" de umas eleições - que são sempre um (e só um) sinal, embora possa ser muito importante... - agitam-se as águas "europeias" (de que somos, aliás, os mais fartos).
Em França, Sarkosy foi à vida e a esposa vai voltar à vida artística; na Grécia, aquilo foi uma desgrécia  para os partidos da alternância e dos compromissos nas costas do povo; na Alemanha, a Merkel (ou o seu partido) levou um chimbalau de todo o tamanho e está a ver tudo verde-vermelho (em tons de rosa...).
Isto sem falar no mais importante. Nas massas nas ruas primaveris - aqui, organizadas e com ideologia e projecto; ali, a levantar parques de campismo onde eram parques de estacionamento, e a fazer frente aos cívicos bem pouco civilizados e, lá entre eles, nada civilizadamente se digladiadiando - nas massas a mostrarem, umas, a sua indignada determinação, outras, a sua indeterminada indignação.     
O certo, certo... é que nada é certo!

Cá por casa, após uns mesitos de governança, que pôs alguns na expectativa... "eles" espetaram-se! É um facto, mesmo que adiado.
Agacharam-se, agacharam-se e está a ver-se o que se vê. Até assinaram logo logo coisas, como quem vai ao forno sem o pão estar cozido e se queima. Terem sido os primeiros só lhe valeu a queimadura.
E nem o Gasparinho, que parecia (mal) vacinado contra a politicomielite, e se ia aguentando com alguma credibilidade para (alg)uns, se safa. Até já é interna e publicamente muito contestado pelos seus, e parece desorientado a clamar que não mente, que não ludibria, que não não-sei-quê... o que é muito mau sinal, e a refugiar-se em conversa com criancinhas.

Tanto pamplinas de pantanas... 


De bicicleta pela História - aqui também

Já não é só uma questão de equilíbrio. 
Parece que a corrente saltou da roda dentada e continua-se a pedalar desalmadamente.
E nós? Não vemos que é isso? Que a questão do tempo presente nos remete para a imagem velocipédica? O que temos é de fazer saltar quem está agarrado ao guiador, a fazer-nos pedalar no vazio, como se estivesse num ginásio privado num 5º andar das Avenidas Novas (que já estão velhas!), a viver dos rendimentos, que são juros e rendas e não mais-valias.
Apeá-los, primeiro, mas apearmo-nos, também!
Depois, com jeitinho, mas sem medo de sujar as mãos, de óleo, de terra, de lama, ferindo-nos nos calhaus e nas ferramentas, fazendo algum sangue, colocar a corrente na roda dentada, pôr em pneus em boa pressão (talvez, se preciso for..., tapar uns furos nas rodas), saltar para o selim... e continuar a corrida. Que é sempre em frente, apesar de muitas curvas e de pedaços de caminho em que parece que o raio da bicicleta tem marcha-atrás.

Pedalar, é preciso!







(original em
docordel.blogspot.com)                                                        

Marx em Maio... e outras coisas relacionadas

Na linha dessa felicíssima frase-poema do pedras contra canhões abril - seremos maio até que abril vença (em poesiaemcodigoaberto), continuo com Marx em Maio.
Dois episódios.
  • Um, de transcendente significado estritamente pessoal... mas transmissível
Estava eu em tarefa activa - na mesa de uma das mesas - e um certo Diogo Faria Ribeiro passou por lá, e só não ficou a participar porque, com os seus três meses, ainda é o umbigo do mundo e poderia perturbar a atenção (e a audição) de alguns presentes, a começar, evidentemente, pelo que estava na mesa e tinha, segundo o programa a cumprir, coisas para dizer... Mas deu-me uma enorme alegria a sua presença e marcou, indelevelmente, o meu Marx em Maio!
  • Outro, de relevante signicado universal.
Entre as bancas de livros e outros materiais nas escadarias da Faculdade de Letras, por onde passeei gulosamente (e, nalguns casos, saudosamente) os olhos, encontrei um CD-ROM, do Centro da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa -Karl Marx-Mathematical Manuscripts. Comprei-o para o abrir em casa, numa pausa de afazeres e quefazeres e nadafazeres. Assim o fiz. É um trabalho publicado em 1994, na Índia (Calcuta), por Pradip Baksi, a partir de um espólio que estará ainda na ex-União Soviética, onde a sua inventariação e estudo estavam a ser feitos. São - só! - 571 páginas! Fiquei - momentaneamente... - esmagado.




segunda-feira, maio 14, 2012

Reflexões lentas – quem é que está falido?

Numa destas andanças em que trago sempre “trabalho para casa”, ficou (re)moendo a ilustração dada por Avelãs Nunes de que vivemos num capitalismo “curioso”, um capitalismo sem falências.

E veio-me à memória o regresso do Parlamento Europeu, em 1999, depois de umas eleições verdadeiramente traumáticas (e não só no plano pessoal), em que a CDU não elegeu o 3º deputado – que era eu – por uma escassíssima margem, com consequências políticas e financeiras muito danosas.

E lembrei-me porquê? Porque, naturalmente, retomei o meu lugar no ISEG para cumprir os dois anos do contrato interrompido pelos dois mandatos anteriores. Foi uma mudança de vida…

Ora, mais que a mudança pessoal de vida, para que aliás me preparara em vários sentidos (como sempre considerei de meu dever, dado estar tão-só em tarefa precária e datada, como deveriam ser todas as dos eleitos representantes de outros), o que encontrei foi uma escola mudada.

Num resumo, inevitavelmente pouco histórico mas impressivo, foi-me atribuída a docência de uma cadeira em que estava encarregado de tratar do funcionamento do Estado como se uma empresa fosse, com os consagrados critérios empresariais. E, lembro-me, havia um texto base do Kugelman em que essa analogia era brilhantemente (como sempre… isto é, cheia de brilho) enunciada.

Ainda estrebuchei, dei a cadeira “à minha maneira”, decerto insatisfatoriamente para toda a gente (a começar por mim), e resolvi abandonar “aquele barco”, renunciando a um ano de contrato. Voltei “à terra”.

Desse episódio na minha vida guardo a arreigada ideia de que um Estado não pode falir! Um Estado-nação tem um património que não é o somatório de activos destinados a um objectivo social determinado, tem um património histórico-cultural, formado em gerações, com uma materialidade incontabilizável e sem um pacto social que não seja uma Constituição (ou algo que a substitua) que rege, em termos gerais, a convivialidade da comunidade, e a que a legislação e os executivos devem obediência.

As empresas, no sentido habitual do termo, são associações com um fim social para que se disponibilizam meios materiais para se alcançar um resultado. Quando os meios próprios ou alheios que se consignam a esse objectivo se tornam insuficientes e/ou são mais os alheios que os próprios, o património passa a negativo, o resultado é inalcançado, e a empresa vai à falência. (Claro que há definições jurídicas – e (talvez) mais rigorosas… – que para aqui não trago.)

Por isso, recentemente começou a irritar-me essa “conversa” do Estado falido, quando o que estava a falir eram empresas.

E mais me irrita quando vejo tudo de “pernas para o ar”: o que não pode falir são as empresas, muito particularmente os bancos (veja-se o BPN e, agora, a Espanha), mas os Estados sim, esses estariam falidos, ou teriam de cobrir, com os sacrifícios dos cidadãos-trabalhadores e contribuintes, os desvarios de alguns cidadãos-empresários e especuladores, consagrados baluartes da cidade ou da sociedade, e da estabilidade, que ees desestabilizam.... Mas que, por isso - por serem estabilizadores -, teriam de ser amparados. Nunca falindo!

Deixemo-nos de meias-tintas:
o que está falido é o capitalismo.





Jormadas de Maio - no Porto


Uma pequena amostra:




Obrigado, GR
Obrigado, JG

Jornadas de Maio

Nelas estamos. Porque estamos em luta!
A do dia 12, no Porto, foi um excelente começo.
"À Porto"!
Por isso, a silenciaram quanto puderam, até valorizando outras de aqui e de algures.
Vamos nós dizendo (a nós e a outros)
como foi e como vai ser!

domingo, maio 13, 2012

Marx em Maio - publicação de comentário


A publicação da minha intervenção no Congresso Marx em Maio, suscitou alguns comentários e uns deles (de HM) diferentes do habitual que  fecharam com uma sugestão de transformar o comentário em artigo no corpo deste "blog". Agradeço e aceito (tal qual me chegou) a sugestão, com duas observações:
  • esta publicação não representa concordância com tudo o que está escrito nas mensagens, e a que eventualmente voltaremos, são mais reflexões sobre o que importa (sempre) reflectir;
  • que fique muito claro que não penso que a invasão, na circulação do capital, do dinheiro fictício e creditício venha contrariar a lei da baixa tendencial da taxa de lucro... vem tentar contrariar os efeitos da lei, por isso a confirmando!  
Aqui vai:

«Que o Sérgio me permita a reprodução, e me permita também a sugestão atrevida de publicação no corpo do blog (igualmente válido para qualquer leitor), da seguinte historieta, que conhece bem, pois foi publicada como nota de rodapé num livro brilhante do “seu tempo” (salvo seja), «A troca desigual», do Arghiri Emmanuel. Discordo da tese central do livro, que não obstante me abriu muito os olhos, mas entre outras formulações e considerações notáveis, esta simples anedota diz mais e explica melhor o que é a especulação bolsista do que muitas elocubrações teóricas.
HM

Isaac e Levy são dois joalheiros instalados frente a frente na mesma rua. Um dia Isaac compra um colar de pérolas finas por dez dólares apenas. Vai-se gabar disso junto de Levy. Levy fica maravilhado. «Vende-me esse colar», suplica ele, «tinha justamente prometido um semelhante à minha mulher Rebeca, ela ficará encantada, aqui tens onze dólares». Isaac deixa-se convencer. Ao meio-dia conta o negócio à sua mulher Sara. "Às dez horas da manhã", diz ele, "comprei um colar por dez dólares, às dez e cinco revendi-o a Levy por onze dólares. Ganhei um dólar em cinco minutos".
– Imbecil, diz-lhe Sara. Cais sempre nas mesmas... Se Levy te comprou esse colar por onze dólares, é porque viu que ele valia muito mais. Trata de o ir recuperar imediatamente.
De tarde Isaac vai ter com Levy. «Levy», diz ele, «se és meu amigo, revende-me esse colar. A Sara fez-me uma destas cenas... Tens aqui doze dólares».
Levy aceita e à noite conta a Rebeca a sua aventura: «Esta manhã Isaac veio vender-me um colar por onze dólares e esta tarde voltou a comprar-mo por doze. Ganhei um dólar sem me mexer do meu balcão.»
– Imbecil, diz-lhe Rebeca. Fazes sempre das mesmas. Mas se Isaac voltou a ter contigo para te comprar esse colar por mais um dólar do que to tinha vendido, é porque entretanto descobriu que ele valia muito mais. Vai recuperá-lo.
No dia seguinte de manhã Levy põe treze dólares em cima do balcão de Isaac e retoma o colar. No dia seguinte é a vez de Isaac por 14 dólares e assim de seguida.
Algumas semanas mais tarde, o colar está a 24 dólares e encontra-se em poder de Isaac. Levy chega e põe 25 dólares em cima da mesa.
– O colar, diz ele.
– Já não há colar, responde Isaac. Ontem à noite, antes de fechar, passou uma americana, ofereci-lho por trinta dólares, ela levou-o.
Levy fica desesperado.
– Vendeste o nosso colar! Mas, desgraçado, com esse colar, sem grande pena, calmamente, ganhávamos por dia um dólar cada um. E tu vendeste-o! O nosso ganha-pão!

Quando se conta esta história em sociedade, geralmente as pessoas riem. A ideia de que se possa enriquecer sem produção nem alienação parece-lhes ridícula. Mas quando exactamente a mesma coisa se produz na Bolsa, com a única diferença de que em vez de termos um Isaac e um Levy, temos mil Dupont e mil Durant que trocam acções, as pessoas tomam isso absolutamente a sério e até estão prontas a tomar parte no jogo. O que era objectivo e imaginário no caso dos dois indivíduos tornou-se objectivo e real no caso de grande número de indivíduos.

Arghiri Emmanuel
A troca desigual, volume I, pp. 165-6,
nota de rodapé, editorial Estampa, 1973
(edição original francesa de 1972).

... e salta-nos esta

... que é preciso agarrar, e atirar aos ares como faz o semeador:

abril
seremos maio até que abril vença

(poesiaemcodigoaberto)
 
obrigado,
pedras contra canhões!

Com uns dias de atraso...

...mas sempre a tempo.
Para continuar a começar o dia, e a semana, e o tempo que aí vem.


Barbara - mal de vivre

Porque hoje é domingo, e acordei assim...-assim. Talvez cansado, apesar de ter dormido repousado, talvez tristonho sem saber porquê... sim, porque há coisas para que não há porquês.
Venha de lá então este mal-de-vivre, que é o grande bem que temos certo. O único!
Como um outro. Também único.

E porque a Barbara o diz de uma das maneiras que dá muito gosto (amargo?) de ouvir e ver.


Le mal de vivre
- Barbara

Ça ne prévient pas quand ça arrive
Ça vient de loin
Ça c'est promené de rive en rive
La gueule en coin
Et puis un matin, au réveil
C'est presque rien
Mais c'est là, ça vous ensommeille
Au creux des reins
Le mal de vivre
Le mal de vivre
Qu'il faut bien vivre
Vaille que vivre
On peut le mettre en bandoulière
Ou comme un bijou à la main
Comme une fleur en boutonnière
Ou juste à la pointe du sein
C'est pas forcément la misère
C'est pas Valmy, c'est pas Verdun
Mais c'est des larmes aux paupières
Au jour qui meurt, au jour qui vient
Le mal de vivre
Le mal de vivre
Qu'il faut bien vivre
Vaille que vivre
Qu'on soit de Rome ou d'Amérique
Qu'on soit de Londres ou de Pékin
Qu'on soit d'Egypte ou bien d'Afrique
Ou de la porte Saint-Martin
On fait tous la même prière
On fait tous le même chemin
Qu'il est long lorsqu'il faut le faire
Avec son mal au creux des reins
Ils ont beau vouloir nous comprendre
Ceux qui nous viennent les mains nues
Nous ne voulons plus les entendre
On ne peut pas, on n'en peut plus
Et tous seuls dans le silence
D'une nuit qui n'en finit plus
Voilà que soudain on y pense
A ceux qui n'en sont pas revenus
Du mal de vivre
Leur mal de vivre
Qu'ils devaient vivre
Vaille que vivre
Et sans prévenir, ça arrive
Ça vient de loin
Ça c'est promené de rive en rive
Le rire en coin
Et puis un matin, au réveil
C'est presque rien
Mais c'est là, ça vous émerveille
Au creux des reins
La joie de vivre
La joie de vivre
Oh, viens la vivre
Ta joie de vivre

quinta-feira, maio 10, 2012

Que papel tão sujo!

A caminho da Guarda, para participarmos na apresentação do livro de Avelãs Nunes, que vou ter o honroso gosto de apresentar, com acrescida responsabilidade depois da sua "actuação" no Prós e Contras, parámos para uma curta refeição (e não só).
Calhou-nos apanhar, no rectângulo da televisão que nos persegue, o "patrão do Pingo Doce", imagem muito frequente nos "média" pela sua enorme fortuna, das de referência mundial, e por outras razões bem discutíveis... para não dizer o que nos vai na alma...
Pois, segundo o roda-pé que conseguimos (ou não podemos deixar de) ler, o senhor SS dizia que as manifestações dos trabalhadores no 1º de Maio tinham fracassado, e que se estava a aproveitar a "operação de promoção do Pingo Doce" para se arranjar um "bode expiatório".
Custou-me mais a engolir esta que a rápida refeição. Aquela "operação de promoção" foi uma indignidade e uma provocação a vários títulos, e contra vários estratos sociais, talvez sobretudo contra quem julgou dela ter beneficiado, mas o senhor SS quis focalizar o mau estar que provocou em tanto lado nos trabalhadores que lutam e que fazem do 1º de Maio o seu dia. 
Não havia necessidade de tão depudoradamente vir dar razão aos que viram, naquela "operação", também uma provocação e uma acção da luta de classes. Sabíamos que tínhamos razão, não era precisa a confirmação daquele figurão, com a embalagem de uma mentira, ou de uma falsidade.
E, já agora, que fique confirmado que as manifestações, em todo o País, não concentradas em Lisboa, não foram - de modo nenhum! - um fracasso. Foram uma bela e forte jornada de luta

Mas ele está no seu papel....

Marx em Maio (breve, ainda e sempre)

Aponta mente rabiscado num papelucho:

Há os que o desconhecem, 
há os os que o apagaram, 
há os que o seguem cegamente, 
há os que o traem.

O que há... é que o estudar,
e que o continuar.
Como, aqui!, tantos fazem.