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sábado, maio 05, 2018

5 de Maio de 1818... 2018. VIVO!

Karl Marx
Nome completoKarl Heinrich Marx
Nascimento5 de maio de 1818
TréverisRenânia-Palatinado
PrússiaConfederação Germânica
Excerto de uma entrevista ao jornal Voz do Operário,
Maio de 2018

(...)
Qual é a vigência de Marx atualmente? Há quem tente escondê-lo, arrumá-lo na história… 

Tem a vigência da vida! Porque as coisas vão acontecendo por forma que fazem desmentir todos esses esforços de tirar valor ao contributo de Marx. O pensamento de Marx tem a importância imprescindível, para nós percebermos hoje o que se está a passar, de ter descoberto três ou quatro coisas que são fundamentais. E teve a modéstia de dizer "o que fiz de importante foi isto…" mas não falava n’O Capital, no Manifesto, falava em três ou quatro ideias que não atribuiu a si, que atribuiu a ter tido a capacidade de pegar em ideias de outros e transformá-las em novas, juntando a todas as outras. Num momento histórico, Marx teve a capacidade de apanhar tudo o que recolheu dos outros e dar-lhe um salto qualitativo. Aliás, isso tem a ver com a dialéctica, com a filosofia. 

(...)

terça-feira, maio 15, 2012

Marx em Maio... e outras coisas relacionadas

Na linha dessa felicíssima frase-poema do pedras contra canhões abril - seremos maio até que abril vença (em poesiaemcodigoaberto), continuo com Marx em Maio.
Dois episódios.
  • Um, de transcendente significado estritamente pessoal... mas transmissível
Estava eu em tarefa activa - na mesa de uma das mesas - e um certo Diogo Faria Ribeiro passou por lá, e só não ficou a participar porque, com os seus três meses, ainda é o umbigo do mundo e poderia perturbar a atenção (e a audição) de alguns presentes, a começar, evidentemente, pelo que estava na mesa e tinha, segundo o programa a cumprir, coisas para dizer... Mas deu-me uma enorme alegria a sua presença e marcou, indelevelmente, o meu Marx em Maio!
  • Outro, de relevante signicado universal.
Entre as bancas de livros e outros materiais nas escadarias da Faculdade de Letras, por onde passeei gulosamente (e, nalguns casos, saudosamente) os olhos, encontrei um CD-ROM, do Centro da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa -Karl Marx-Mathematical Manuscripts. Comprei-o para o abrir em casa, numa pausa de afazeres e quefazeres e nadafazeres. Assim o fiz. É um trabalho publicado em 1994, na Índia (Calcuta), por Pradip Baksi, a partir de um espólio que estará ainda na ex-União Soviética, onde a sua inventariação e estudo estavam a ser feitos. São - só! - 571 páginas! Fiquei - momentaneamente... - esmagado.




domingo, maio 13, 2012

Marx em Maio - publicação de comentário


A publicação da minha intervenção no Congresso Marx em Maio, suscitou alguns comentários e uns deles (de HM) diferentes do habitual que  fecharam com uma sugestão de transformar o comentário em artigo no corpo deste "blog". Agradeço e aceito (tal qual me chegou) a sugestão, com duas observações:
  • esta publicação não representa concordância com tudo o que está escrito nas mensagens, e a que eventualmente voltaremos, são mais reflexões sobre o que importa (sempre) reflectir;
  • que fique muito claro que não penso que a invasão, na circulação do capital, do dinheiro fictício e creditício venha contrariar a lei da baixa tendencial da taxa de lucro... vem tentar contrariar os efeitos da lei, por isso a confirmando!  
Aqui vai:

«Que o Sérgio me permita a reprodução, e me permita também a sugestão atrevida de publicação no corpo do blog (igualmente válido para qualquer leitor), da seguinte historieta, que conhece bem, pois foi publicada como nota de rodapé num livro brilhante do “seu tempo” (salvo seja), «A troca desigual», do Arghiri Emmanuel. Discordo da tese central do livro, que não obstante me abriu muito os olhos, mas entre outras formulações e considerações notáveis, esta simples anedota diz mais e explica melhor o que é a especulação bolsista do que muitas elocubrações teóricas.
HM

Isaac e Levy são dois joalheiros instalados frente a frente na mesma rua. Um dia Isaac compra um colar de pérolas finas por dez dólares apenas. Vai-se gabar disso junto de Levy. Levy fica maravilhado. «Vende-me esse colar», suplica ele, «tinha justamente prometido um semelhante à minha mulher Rebeca, ela ficará encantada, aqui tens onze dólares». Isaac deixa-se convencer. Ao meio-dia conta o negócio à sua mulher Sara. "Às dez horas da manhã", diz ele, "comprei um colar por dez dólares, às dez e cinco revendi-o a Levy por onze dólares. Ganhei um dólar em cinco minutos".
– Imbecil, diz-lhe Sara. Cais sempre nas mesmas... Se Levy te comprou esse colar por onze dólares, é porque viu que ele valia muito mais. Trata de o ir recuperar imediatamente.
De tarde Isaac vai ter com Levy. «Levy», diz ele, «se és meu amigo, revende-me esse colar. A Sara fez-me uma destas cenas... Tens aqui doze dólares».
Levy aceita e à noite conta a Rebeca a sua aventura: «Esta manhã Isaac veio vender-me um colar por onze dólares e esta tarde voltou a comprar-mo por doze. Ganhei um dólar sem me mexer do meu balcão.»
– Imbecil, diz-lhe Rebeca. Fazes sempre das mesmas. Mas se Isaac voltou a ter contigo para te comprar esse colar por mais um dólar do que to tinha vendido, é porque entretanto descobriu que ele valia muito mais. Vai recuperá-lo.
No dia seguinte de manhã Levy põe treze dólares em cima do balcão de Isaac e retoma o colar. No dia seguinte é a vez de Isaac por 14 dólares e assim de seguida.
Algumas semanas mais tarde, o colar está a 24 dólares e encontra-se em poder de Isaac. Levy chega e põe 25 dólares em cima da mesa.
– O colar, diz ele.
– Já não há colar, responde Isaac. Ontem à noite, antes de fechar, passou uma americana, ofereci-lho por trinta dólares, ela levou-o.
Levy fica desesperado.
– Vendeste o nosso colar! Mas, desgraçado, com esse colar, sem grande pena, calmamente, ganhávamos por dia um dólar cada um. E tu vendeste-o! O nosso ganha-pão!

Quando se conta esta história em sociedade, geralmente as pessoas riem. A ideia de que se possa enriquecer sem produção nem alienação parece-lhes ridícula. Mas quando exactamente a mesma coisa se produz na Bolsa, com a única diferença de que em vez de termos um Isaac e um Levy, temos mil Dupont e mil Durant que trocam acções, as pessoas tomam isso absolutamente a sério e até estão prontas a tomar parte no jogo. O que era objectivo e imaginário no caso dos dois indivíduos tornou-se objectivo e real no caso de grande número de indivíduos.

Arghiri Emmanuel
A troca desigual, volume I, pp. 165-6,
nota de rodapé, editorial Estampa, 1973
(edição original francesa de 1972).

quinta-feira, maio 10, 2012

Marx em Maio (breve, ainda e sempre)

Aponta mente rabiscado num papelucho:

Há os que o desconhecem, 
há os os que o apagaram, 
há os que o seguem cegamente, 
há os que o traem.

O que há... é que o estudar,
e que o continuar.
Como, aqui!, tantos fazem.

quarta-feira, maio 09, 2012

Marx em Maio - intervenção - 6

6.
Uma 6ª dinâmica (ou “factor”)
a juntar às 5 anteriores!

Na actual fase do capitalismo começou a prevalecer o dinheiro não-metálico, com injecção de dinheiro fictício, por via dos Estados que reflectem a relação de forças na luta de classes, e de dinheiro creditício, através do sistema bancário imposto “dentro” do funcionamento do modo de produção.
Assim se agrava a “financeirização” e a “desmaterialização” do circuito monetário criado para servir o circuito real, a circulação das “coisas” que satisfaçam as necessidades sociais. Por isso, para além dos “factores” que Marx identificou como procurando contrariar a baixa tendencial da taxa de lucro, é necessário ver como e onde se encontrarão, no processo de circulação, formas de, sem alterar o que é intrínseco ao sistema, conseguir que D’ (capital-dinheiro no final da fórmula geral de circulação) seja superior a D (capital-dinheiro no início), estando já D necessariamente influenciado pelo dominante capital-dinheiro fictício e creditício.
É desta maneira que a especulação vem em socorro da exploração, que se concretiza pela apropriação de mais-valia, que está na génese e é o “alimento” do modo de produção capitalista. Continuando a constituir a sua essência.
No entanto, a especulação, através da criação e do movimento de capital-dinheiro fictício e creditício, tem importância enormemente crescente. Não só em relação ao tempo de Marx, também muito mais perto, relativamente às três últimas décadas, desde a inconvertibilidade do dólar (decretada unilateralmente por Nixon em 15.08.1971) e a queda dos países socialistas europeus, nestas nossas três décadas em que essa relevância acelerou vertiginosamente.
Se esse novo “factor” (o 6º?) vem contrariar a baixa tendencial da taxa de lucro, e precariamente o consegue, à escala temporal de séculos também ele é fictício e efémero.
Por outro lado, e fundamental, esse novo factor” (ou dinâmica, ou bóia de socorro) não representa, ao fim e ao resto, mais do que uma outra forma de transferir mais-valia criada e apropriada, numa dinâmica de concentração e de centralização da “riqueza das nações” (como lhe chamava Adam Smith, clássico que Marx tão bem estudou), “riqueza” que foi criada da única forma que o é, pelo trabalho realizado, através do valor de uso da força de trabalho.
A dramática alternativa, e sempre o último recurso do capitalismo, é a destruição de “riqueza” para mais a concentrar…
Com o complexo industrial-militar e as guerras sempre presentes e a Paz sempre em risco.

Em vez de negar as “leis”, ou as regularidades que Marx formulou, em particular a da baixa tendencial da taxa de lucro, esta nova forma de a contrariar só a confirma e, confirmando-a, valoriza o contributo imens(o)urável de Marx para o marxismo, e faz deste a chave da compreensão do presente, a chave que pode ajudar a abrir o futuro.


Marx em Maio - intervenção - 5

5.
A transformação do valor em preços-dinheiro
Tendo necessariamente que ficar para outras possíveis reflexões e notas a questão da “transformação dos valores em preços”, sendo estes a expressão daqueles, nesta intervenção deve fixar-se o processo de circulação, sublinhando-se que todo ele é analisado em valor, e a partir do contributo que, com a definição do seu carácter dual, veio completar a abordagem de David Ricardo e outros clássicos.
Essa questão da transformação do valor em preços-dinheiro é da maior importância e permite dizer, em resumo insatisfatório, que há duas vias de abordagem do capitalismo na sua fase actual.

Uma, que decorre do funcionamento intrínseco ao capital como relação social de produção, com a exploração do trabalhador produtivo (cada vez mais colectivo) por apropriação da mais-valia a ser proporcionalmente menos possível, por crescente peso de K em relação a V, e está-se no domínio da exploração.

Fórmula geral da circulação
no modo de produção capitalista

Outra, que se instala por alargamento desmesurado do circuito monetário-creditício, desligado da base material, e está-se na “financeirização” e no domínio da especulação, para compensar a tendencial queda de MV, mantendo ou travando a queda do lucro e da sua taxa, isto é, proporção relativamente ao capital-dinheiro inicial.

Troca de dinheiro por mais dinheiro
sem qualquer criação de “coisas materiais”
que criem mais-valia
e satisfaçam necessidades

... e dispenso-me de citar Aristóteles e Tomás de Aquino (que parece que é santo... mas não faz milagres quando se trata de juros e de usura!).

A “desmaterialização” do capital-dinheiro
No entanto, no que pode ilustrar o seu contributo, Marx quando, “naquela análise”, “na primeira época da produção capitalista”, ao considerar “tudo o mais” como inalterado, não ignorou o que não estimou relevante para o que estava a ser analisado nessa crítica, naquele momento.
Relativamente ao dinheiro, não o tomar em consideração a não ser enquanto metálico, ao analisar o funcionamento do processo de circulação, corresponde a que, naquela fase, Marx não considerava o dinheiro fictício, simbólico e/ou o dinheiro creditício como relevantes.
O que não obsta a que se sublinhe que, da edição Civilização Brasileira de O Capital, Livro Terceiro, se pode retirar, entre muitos outros excertos (pág. 510), que

“se o sistema de crédito é o propulsor principal da superprodução e da especulação excessiva, acelera o desenvolvimento material das forças produtivas e a formação do mercado mundial. (Ao mesmo tempo,) o crédito acelera as erupções violentas (as crises), levando a um sistema puro e gigantesco de especulação e jogo”,

Fim de citação… que parece retratar fielmente a fase actual do capitalismo.

terça-feira, maio 08, 2012

Marx em Maio - intervenção - 4


4.

Em que contexto foram essas leis formuladas?
 (abro aqui um parêntese…)
Ler Marx é ter acesso a uma lição de rigor e de modéstia. As vezes que Marx escreve ceteris paribus (tudo o mais constante) ilustram a preocupação de não fazer afirmações definitivas, pois as conclusões a que se chega num qualquer ramo ou área do conhecimento apenas são conclusões na condição de tudo o mais, exterior ao estudo feito, se manter inalterado, na perfeita consciência que o mundo é feito de mudança… como dizia o marxista Luís de Camões. .
Fecho o parêntese e avanço com duas citações (ambas da página 124 do tomo IV do Livro segundo de O Capital) que muito esclarecem:
 
«Na consideração das formas universais do circuito e, em geral, em todo este Livro segundo, tomamos [o] dinheiro como dinheiro metálico, com exclusão do dinheiro simbólico, meros signos de valor que apenas formam uma especialidade de certos Estados, e [com exclusão] do dinheiro creditício, que ainda não está desenvolvido.”
Fim de citação:
Segunda citação:

«(…) Em primeiro lugar, isto é o curso histórico; [o] dinheiro creditício não desempenha nenhum papel, ou [um papel] apenas insignificante, na primeira época da produção capitalista. Em segundo lugar, a necessidade deste curso [histórico] é também teoricamente demonstrada pelo facto de que tudo o que de crítico acerca da circulação do dinheiro creditício foi desenvolvido por Tookee [e por outros] os obrigou sempre de novo a regressar à consideração de como a coisa havia de ser exposta na base da circulação meramente metálica.»
Fim de citação.

E na actual fase (nossa) do capitalismo?
Marx escreveu “na primeira época da produção capitalista” (na então – de Marx - actual fase do capitalismo).
Mas… e na actual fase do capitalismo (nossa contemporânea), em que o dinheiro simbólico e o dinheiro creditício são relevantíssimos, são desmesuradamente relevantes? ...à maneira do "aprendiz de feiticeiro" de Dukas...
Negam-se as leis, isto é, a realidade – sendo outra – faz com que leis anteriores percam a sua validade?

circuitos económico e financeiro
com dinheiro simbólico e creditício
com MAIS
dinheiro simbólico e creditício


Há uma resposta do marxismo após Marx e o seu contributo?
Antes de mais, parece indispensável separar o que é essencial – as próprias coisas, as suas conexões, a relação social de que são cimento – daquilo que resulta da análise do funcionamento, a partir dessa base essencial. E essa base essencial assenta no carácter duplo do trabalho e no tratamento da mais-valia de maneira distinta das formas particulares que ela possa vir a ter no processo de metamorfoses do capital na sua expressão material, tendo sempre presente que o valor está ligado ao tempo de trabalho necessário e não à expressão em dinheiro que possa tomar.    

Marx em Maio . intervenção - 3

3.

Se não haveria marxismo sem Marx,
há marxismo para além de Marx.


O contributo de Marx para o marxismo vai muito para além do tempo em que viveu. Porque Marx procurou, sobretudo, encontrar as dinâmicas da História da Humanidade, as raízes fundas dos comportamentos individuais e colectivos, através de um estudo do vivido até ao seu tempo, com uma base teórica em opções e conceitos histórico-filosóficos, construindo uma interpretação do passado capaz de ajudar a extrapolar para o tempo a ser vivido. Como guia para a acção. 



Marx e duas leis
Fixemo-nos em duas leis - se assim se pode chamar às dinâmicas sociais detectadas pela leitura marxista da História, a partir da análise do funcionamento do capitalismo, e do mecanismo da exploração da classe proprietária dos meios de produção apropriando a mais-valia criada pela classe proprietária da força de trabalho.


1º - A composição orgânica do capital
A composição orgânica do capital tornou-se num dos pilares do pensamento marxista, e é-o porque, a partir da leitura marxista da História (materialismo histórico), reflecte a evolução do processo histórico, e porque, tratada como “lei”, contribui decisivamente para a compreensão do(s) momento(s) histórico(s) e da sua dinâmica. A crescente parcela do capital constante (K) – trabalho cristalizado em meios de produçãorelativamente ao capital variável (V) – trabalho vivono capital na sua forma-expressão de capital produtivo, não é, no entanto, uniforme e/ou fácil de detectar e compartimentar.
O que se verifica, nomeadamente, no que respeita à localização no espaço, e na divisão das fases de metamorfose do capital, do trabalho produtivo e do trabalho não-produtivo, divisão que tem a maior relevância por ser do (e no) trabalho produtivo que nasce a mais-valia, logo a exploração, e, assim, o cerne do funcionamento da economia política do capitalismo.

2º - A lei da baixa tendencial da taxa de lucro
(E logo uma hesitação, uma dúvida: como dizer, lei tendencial ou lei da baixa tendencial?!)
Ora, é a partir do trabalho, e do tratamento da mais-valia não confundida nas suas formas particulares, que, nos seus caboucos, o marxismo se constrói e se vai permanentemente construindo. A lei da baixa tendencial da taxa de lucro tem de ser vista como resultante (e peça) dessa construção, enquanto regularidade no funcionamento do capitalismo.
O disparado crescimento de K relativamente a V, na composição orgânica do capital, obriga a alterações no funcionamento do sistema para manter D’ maior (sempre e mais) que D, e procura contrariar a tendência de menos MV dada a evolução da composição orgânica do capital, ainda que se procure aumentar a taxa de mais-valia, isto é a proporção do tempo de trabalho não pago pelo uso da mercadoria força de trabalho (como feriados e essas coisas…)
 
As formas (factores, dinâmicas ou contra-dinâmicas) de contrariar a tendência
Só no Livro Terceiro, cap. XV de O Capital (ainda não traduzido em português avante!) aparecem arrolados os 5 “factores” (ou dinâmicas) que podem contrariar a baixa tendencial da taxa de lucro –
i)                 acréscimo da exploração do trabalho;
ii)             descida do salário abaixo do seu valor;
iii)          depreciação de elementos de K;
iv)            sobrepopulação relativa;
v)               comércio externo
– e só forçada e indirectamente se poderia encontrar a influência de formas que possa tomar o dinheiro, tendo em conta que o lucro (sendo diferente da mais-valia) deriva da mais-valia enquanto resultante do tempo de trabalho necessário para a criação de valor.

segunda-feira, maio 07, 2012

Marx em Maio - minha intervenção - 2

2.

Os imensuráveis contributos


Cada ser humano é único, insubstituível e tem o seu, único e insubstituível, contributo para o fluir da História, independentemente da importância que se dê, ou venha a dar, a esse contributo, em termos de Humanidade (ou de humanização).
É fácil pensar como seria diferente a História (e a vida de hoje) se Beethoven tivesse nascido já surdo, se Picasso tivesse vivido não os seus prolixos mais de 90 anos mas uma qualquer doença infantil o tivesse ceifado, se Einstein se tivesse deixado ficar por Munique sem ter ido juntar-se à família em Itália, se Lenine tivesse sido assassinado como o irmão foi, se Hitler tivesse continuado a pintar anódinas tabuletas, se Salazar tivesse batido as botas durante a pneumónica, se Cunhal tivesse tido o mesmo criminoso fim de Militão Ribeiro, que com ele fora preso e, como ele, torturado.
Páro aqui com exemplos se não seria outra a intervenção, ainda que neste mesmo congresso porque falar de Marx em Maio é, também, falar de Álvaro Cunhal.
Continuo com duas observações essenciais.

Uma, a de que todos e cada um dos seres humanos têm um contributo para a História, seu e insubstituível, e que não só alguns estão predestinados a serem influentes, por mais determinante e marcante que a sua dedada seja, por mais forte que seja a sua impressão digital.

Outra, a de que não há ser humano isolado, sozinho no espaço e no tempo em que vive, a de que cada um e todos os seres humanos são um elo, são parte de uma massa humana que lhe é contemporânea, são como que um tijolo de um muro que vinha sendo construído e que continuará em construção, integrando esse tijolo, minúsculo ou enorme, que cada um/todos os seres humanos é/somos.

O contributo de Marx

Qual o contributo essencial, imprescindível, (ou quais os contributos) de Marx para o marxismo, e para que este de Marx continue a merecer a raiz do nome e a matriz?
O próprio Marx responde, e deve ser tarefa nossa procurar onde o diz e, com base nesse contributo essencial, tentar entender a realidade, tão diferente da de século e meio atrás, e tão igual no que é essencial e definidor das relações de produção.
Segundo Marx.

Marx, em carta a Engels de 27 de Abril de 1867, escreveu que «o que há de melhor no meu livro (O Capital) e aí repousa toda a compreensão» foi ter encontrado, no trabalho, o seu carácter duplo, o dualismo que se exprime em valor de uso e em valor de troca, e ter tratado a mais-valia independentemente das formas particulares (lucro, rendas, juros, despesas) que viesse a tomar nas metamorfoses do capital que, como relação social, nelas se materializa; e acrescentava que «o estudo dessas formas particulares da mais-valia, quando confundido com o estudo da forma geral à maneira dos economistas clássicos, dá uma misturada informe», uma verdadeira salada como é possível traduzir...
E Marx confessou “ter suado as estopinhas para chegar às próprias coisas, quer dizer, à sua conexão”.

Chegar às próprias coisas, às suas conexões!, poderá ser considerado como uma formulação que serve para matriz do marxismo! Desde Marx, e do seu contributo para o marxismo. De que, evidentemente, se não pode prescindir. A partir de uma base teórica. Para que o contributo de Marx foi, e continua a ser!, origem e avaliação.
Não como dogma. Nunca como fautor de modelos.
Sempre como ponto de partida.

Marx em Maio - breve nota e começo minha intervenção -1

Foram três dias cheios. Em cheio. Em sala quase sempre cheia, ou muito bemcomposta.
Tão cheios os dias que foi impossível estar em tudo, ouvir tudo, acompanhar tudo. Mas tudo o que se acompanhou valeu bem o tempo vivido. Bem como os encontros que – parece… – só nestes acontecimentos se têm.
Durante três dias, organizado por um Grupo de Estudos Marxistas, com vários apoios, realizou-se o Congresso Marx em Maio. Uma iniciativa ambiciosa, um programa ambicioso, e tudo me pareceu ter corrido muito bem. Rodeado de um sepulcral silêncio (como seria de esperar e compreender – não de aceitar! – … mas nem todo!).
Muito se ouviu e muito se aprendeu no anfiteatro 1 da Faculdades de Letras de Lisboa. Na minha perspectiva, esteve-se em plena formação e luta ideológica.
Ouviram-se exposições excelentes, debateram-se temas diversos em 19 mesas, que se sucederam com uma surpreendente (e tolerante) disciplina. Não vou referir um nome, uma comunicação (a não ser a minha, claro), mas vou sublinhar um aspecto relevantíssimo: a juventude da maioria dos organizadores e dos participantes! E a qualidade dessa juventude.
Marx vivo num Maio jovem, em Lisboa.
É preciso que se saiba! Que se divulgue.
Pelo meu lado, convidado a participar, assim o fiz. A minha intervenção vai alimentar alguns “posts”. Outras o mereceriam mais… mas cada um dá o que tem.

1.

Comecei por saudar calorosamente o Grupo de Estudos Marxistas e agradeci a oportunidade de intervir.
Entretanto, a juntar à minha dificuldade de meter 124 páginas de um texto que escrevi em intenção do Congresso Marx em Maio… estava quase inaudível (por rouquidão), e resolvi prescindir do apoio da projecção dos diapositivos (que aqui aproveito).
Antes de iniciar os “cruéis” 20 minutos, ainda quis sublinhar o facto de estarmos a 5 de Maio e li o extracto de um registo notarial, retirado da introdução da uma interessante edição de uma novela humorística (!) de Karl Marx – e da célebre carta ao pai, de 10 de Novembro de 1837 – da responsabilidade de José Viale Moutinho, registo notarial que comprovava o nascimento de Karl Marx em 5 de Maio de 1818, na cidade de Trier. 

Fazia precisamente 194 anos naquele dia 5 de Maio de 2012

E passei aos 20 minutos que me eram concedidos (mais coisa/menos coisa)

Marx em Maio - hoje, dia de eleições por aí

Amsterdam, Congresso Marx em Maio e outras circunstâncias afastaram-me deste cantinho.
E hoje, ao regressar, a anteceder o necessário balanço de Marx em Maio, mas a ele ligadas, as eleições em França e na Grécia.
Lendo os "sinais". Que só assim devem ser lidas as eleições.
E os"sinais" são aparentemente contraditórios, com a comunicação social a fazer eco, não da informação mas do modo como "convém" informar. Muita alegria nas ruas de Paris e arredores do hexágono, com cânticos de vitória... da esquerda, saudando o fim da austeridade; na Grécia, uma queda brutal do Pasok o Partido Socialista da Grécia), e também da dita Nova Democracia, castigando os fautores (internos) da austeridade como solução (de quê?).
No meio das contradições, o não à austeridade como "sinal" convergente. Para ser lido ou para ser manipulado?

E Marx, nisto?
Transcreve-se um seu texto quase desconhecido, um pequeno capítulo (o 27 de uma série não sequencial) de uma "novela humorística":
«Capítulo 27  
"Ignorância, ignorância". "Porque (...) o seu joelho se dobrava demasiado para um lado!", mas faltava-lhe a certeza, e quem pode assegurar, quem pode descobrir que parte é a direita e qual é a esquerda?
Diz-me tu, mortal, donde vem o vento ou então se Deus tem nariz, e eu te direi que é a direita e que é a esquerda?
Não são outra coisa que conceitos relativos, é como misturar a loucura e a demência com equilíbrio.
Oh! Todas as nossas aspirações serão vãs e a nossa nostalgia uma ilusão até que tenhamos acertado em saber que é a  direita e que é a esquerda, já que a esquerda colocará os cabrões e a direita os cordeiros.
Se se volta, se toma outra direcção porque à noite se teve um sonho, então os réprobos estarão à direita e os santos à esquerda com as nossas miseráveis visões.
Por isso, explica-me o que é a direita e o que é a esquerda e se desfará completamente o nó da criação. Acheronte movebo, disso eu deduzirei com precisão onde irá parar a tua alma, e depois deduzirei também em que escalão te encontras agora já que a relação originária aparecerá mensurável; enquanto a tua colocação fora determinada pelo volume da tua cabeça; sinto vertigem, se aparece um Mefistófeles serei Fausto, pois está claro que todos nós somos um Fausto, já que não sabemos que parte é a direita e qual é a esquerda, por isso a nossa vida é um circo; corremos em círculo, procuramos todas as partes até que caímos sobre a areia e o gladiador, a vida, precisamente, nos mata;  devemos ter um novo salvador, pois - pensamento tormentoso, roubas-me a saúde, matas-me - não podemos distinguir a parte esquerda e a parte direita, não sabemos onde se encontram.»














apresentação de
José Viale Moutinho
versão portuguesa de
João Folgado
arca das letras, Porto 2007

quarta-feira, maio 02, 2012

Marx em Maio - resumo de intervenção (600 caracteres)

Tanto quanto me seja possível, vou entrar em Congresso. No Congresso Marx em Maio.
Sublinhe-se que não vou fechar para congresso!
Vou entrar em congresso. Preparando-me para intervir, para ouvir, para aprender. Sempre.

Transcrevo o resumo da que será a minha intervenção... para que disponho de 20 minutos. O que quero cumprir e para que falta tempo para tanto do que quero dizer em tão pouco tempo. Como às vezes gosto de dizer: não tive tempo para escrever menos!

«Só com Marx há marxismo, mas há marxismo para além de Marx. Não está publicado tudo o que Marx escreveu, e o marxismo não se esgota no escrito por Marx.

Marx afirmou só considerar, “na fase histórica do capitalismo”, o dinheiro com base metálica, apesar de ter estudado o ainda não relevante “dinheiro simbólico e creditício”. Na actual fase do capitalismo, a especulação “desmaterializada” procura superar as insuperáveis dificuldades materiais da exploração da força de trabalho.

No imens(o)urável contributo de Marx, que ajuda para a compreensão de uma fase que Marx não estudou?

Não para apenas compreender, para transformar.»
 

quinta-feira, abril 26, 2012

sexta-feira, abril 20, 2012

quinta-feira, abril 19, 2012

Marx em Maio - resumo de intervenção

O resumo da minha intervenção para o Congresso Marx em Maio,na mesa 16 (com comunicações de Selma Totta e Silas Cerqueira, e a moderação de Rui Henriques), com o título Sobre o contributo de Marx para o marxismo, esperando-se haja debate, como em todas as 19 mesas:

Só com Marx há marxismo, mas há marxismo para além de Marx. Não está publicado tudo o que Marx escreveu, e o marxismo não se esgota no escrito por Marx.

Marx afirmou só considerar, “na fase histórica do capitalismo”, o dinheiro com base metálica, apesar de ter estudado o ainda não relevante “dinheiro simbólico e creditício”. Na actual fase do capitalismo, a especulação “desmaterializada” procura superar as insuperáveis dificuldades materiais da exploração da força de trabalho.

No imens(o)urável contributo de Marx, que ajuda para a compreensão de uma fase que Marx não estudou?

Não para apenas compreender, para transformar.

O resumo tinha o limite regimental de 600 caracteres
(com evidente tolerância
mas, evidentemente..., sem abusos)







sábado, abril 14, 2012

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Reflexões lentas - e apropósito...

De reflexões que levam a "textos em carteira", alguns são para posterior aproveitamento público, de partilha. Há um desses textos, longo, que espera fecho e oportunidade, que tem uma introdução com um título "De imensuráveis contributos, por serem enormes, e de contributos imensuráveis, por serem minúsculos – todos únicos e insubstituíveis", de que me salta um trecho a pedir antecipada publicação (porque terá sido?...):

«(...)
Nenhum ser humano nasce comunista. Não vem no código genético.

O ser comunista pode entranhar-se no ser humano. Porque as circunstâncias o tenham provocado e os genes acolhido.
Assim pode acontecer num processo, em que o salto qualitativo pode ser um facto, um encontro, uma conversa, uma leitura. E esse salto qualitativo pode ser também a entrada para um partido com uma prática, uma base teórica, um programa, embora a coincidência não seja automática ou inevitável.
Não há uma via única nesse processo, embora haja uma que é natural, que é feita de exploração, de carne viva, sangue, sofrimento.
Mas se é certo que existe uma dinâmica social imparável, que a sucessão dos modos de produção conduziu ao aparecimento de burgueses e de proletários, pode o conhecimento e a compreensão dessa dinâmica e do aparecimento dessas classes, constituir uma outra via de se chegar a comunista, "tomando partido".
Nenhuma das duas vias é mecânica, nenhuma é fácil. (...)»

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Marx, sempre... e em Maio - 1

É a altura. É a altura de começar a pensar neste "congresso", Marx em Maio, que se vai realizar... em Maio. Não que não me tenha já feito pensar... mas é tempo de passar "aos actos", de cumprir prazos.
"O «Congresso Internacional Marx em Maio - perspectivas para o século XXI» realiza-se nos dias 3, 4 e 5 de Maio de 2012 (quinta-feira, sexta-feira e sábado). Os trabalhos decorrerão no Anfiteatro I da Faculdade de Letras de Lisboa.
(...) o congresso é composto por várias secções: filosofia, sociologia, história, psicologia, política, economia, movimento sindical, estética, ciência e actualidade. O traço que une esta multiplicidade de áreas de trabalho é a referência ao pensamento de Marx e às novas perspectivas que abriu e que continua a abrir."

A iniciativa é de um Grupo de Estudos Marxistas (GEM), e nele estamos (ou fomos...) inscritos.
Do que se for passando, ir-se-á dando conta por aqui.

Para já, fez-nos ir buscar a uma estante - gesto tão repetido... - um livro, de que um outro GEM é autor.
A edição é de 1982 (Editorial Estampa), traduzindo para português (por Maria José Dias Rodrigues) um original belga, de edições Du Monde Entier, de 1979, da autoria de um grupo com a sigla GEM.
De um outro (que outro?) GEM.
No prefácio que subscrevi na edição portuguesa, que ajudei a promover com o apoio de Jacques Nagels, motor dessoutro GEM (Grupo de Economia Marxista), respondia-se ao incluir a tradução da contracapa da edição original:
«O GEM?
Um grupo de economistas preocupados
com as realidades sociais,
partilhando as mesmas preocupações
face à evolução da crise 
e a mesma inquietação
perante as escolhas dos nossos governantes.
Um grupo criado há 4 anos
à volta de algumas ideias-piloto relativas a:
- função do economista;
- crítica da economia política académica;
- natureza da economia política marxista;
- elaboração de uma opção democrática
para a economia belga

Será fácil compreender-se como este "grupo" nos atraíu, e como nos empenhámos na edição do livro, e da sua saída, que se conseguiu concretizar em 1982, quando "a Europa connosco" era uma palavra de ordem contra-revolucionária, contra o caminho da democracia avançada, numa luta em que era preciso mobilizar tudo o que ajudasse à tomada de consciência do que estava em causa. Com razões que, passados 30 anos, se comprovam. 
A vida não se repete mas, no curto espaço de tempo de 30 anos, repetem-se as siglas e as razões de  uma luta contra o "projecto para a Europa", contra uma "Europa" que nos queria (e conseguiu...) "mata-borrar", ao serviço do capitalismo financeiro-especulativo, então na "infância da arte".

Voltar-se-á, evidentemente.