quinta-feira, novembro 17, 2016

Como há mais de 40 anos!

Num ensaio "definitivo" (ou "definidor", isto é, que define com dor), Jorge Sampaio veio... dizer. Tal como fez em idos de 1975 quando era MES e veio... dizer. 
E sendo essa a distância em tempo histórico, JS hoje disse (no Público) que «À partida, direi, como posição de princípio, que é na fractura aberta pelas insuficiências da actual Europa que importa trabalhar, mesmo se para tal for necessário quebrar alguns tabus, colocar questões inconvenientes e formular “hipóteses fora da caixa”.».
Pois é! Só que, em vez da "fractura aberta" - não pelas insuficiências da "actual Europa" (que é o que ele chama a essa coisa dita União Europeia) mas pelo funcionamento do capitalismo -, há a complicada questão da factura exposta pela "dinâmica do capitalismo global", por assim dezer...
«... na certeza de que a dinâmica do capitalismo global, tal como se desenvolveu e se afirma no nosso tempo à escala planetária, exige da Europa e dos países europeus a determinação de se constituir como uma alternativa sólida, por um lado, à financeirização da economia e, por outro, ao capitalismo autoritário de “valores asiáticos”, por assim dizer», dit-il!
Ou, dito de outra maneira - do outro lado da correlação de forças sociais -, essa dinâmica exige dos povos europeus a determinação de superar o capitalismo, fazendo face à desmaterialização e ficção monetarista e ao autoritarismo da aparente e querida exclusiva democracia representativa.
Por agora, disse. Porque é curioso como me parece estar, de novo, a ripostar a posições de há mais de 40 anos... Riposta (na Seara Nova) com reflexões que, evidentemente, não tiveram o mérito de justificar qualquer reacção mas agora surgem casmurramente actuais. Pelo que reincido. 

2 comentários:

Justine disse...

Ah, se não fosses tu para nos ires esclarecendo...

Olinda disse...

Boa reflexão!Mas J.Sampaio não surpreende!Bjo