Fui congresso, porque sou militante e naquilo que sou (quer dizer, no PCP e em muito da minha vida e não só na estrita actividade cívica), não estou, sou!
Neste Congresso, fui
congresso em todas as suas fases e não ia deixar de ser por não haver condições para estar
na reunião final e plenária.
Fui congresso na leitura e
apreciação do documento inicial do CC, comecei por ser congresso quando me apercebi das consequências que poderia ter o surto epidérmico e seu
aproveitamento na correlação de forças das classes sociais, e em que Portugal
se insere. E escrevi-o prevendo a particular importância que iria ter numa
cadeia 1º de Maio-Festa do Avante!-Congresso na luta de classes em que somos
e fazemos História, ao mesmo tempo que lia comentava esse documento do CC.
Fui congresso na leitura-estudo
das Teses, na sua apresentação na concelhia de que faço parte, tendo elaborado
um texto que esta aprovou, e depois seguiu o seu caminho.
Fui congresso ao participar
na Tribuna do Congresso, publicada no Avante!.
Fui congresso na reunião
electiva de delegados, tendo sido proposto e aprovado como delegado-suplente, e
fiquei disponível para o caso de ser necessário, como felizmente não aconteceu.
Estas as expressões formais,
congressuais, em que fui congresso (de um congresso que não tem parecenças com
outras reuniões de outros partidos, ou proto-partidos, para votar moções de f(r)acções
e escolher líderes), mas congresso me senti, e considero ter sido, em intervenções
e escritos nas chamadas redes sociais.
Antes da reunião plenária, a partir do Avante! que a precedeu, fui congresso depois de ler a proposta de composição do próximo
Comité Central, ao ver os que sairiam (alguns por regra não escrita de "excesso" de idade) e
os que entrariam, a redução em número, e tendo a minha opinião que, como em
tudo, se julgo útil ao colectivo nunca calo.
Não estive na reunião plenária,
mas nela fui, sem presença física mas acompanhando-a on-line em todo o seu decurso. E com a alegria de ter amigos e camaradas a telefonarem-me (ou eu a telefona-lhes).
Em Loures fui (sem lá estar), e confirmei o que sou, ao ouvir a intervenção inicial do camarada secretário-geral, que colocou muitos
pontos em muitos is, quase exaustivamente e só não o sendo porque tal é impossível.
Fui congresso na intervenção
do camarada que lidera o grupo parlamentar quando esclareceu, com clareza e
felizes analogias sinfónicas, o papel do PCP relativamente ao governo minoritário
do PS, recusando o papel de 1º violino afinadinho em orquestra que não é a
nossa, com partituras que mal nos soam e contra as quais nos batemos.
Fui congresso,
particularmente ao partilhar o apoio e o entusiasmo com que foi saudada a
candidatura individual do camarada João Ferreira às eleições para Presidente da
República, e no aplauso unânime à sua excelente e adequada intervenção no nosso
congresso.
Fui congresso, ainda, como em tudo o
resto, ao ouvir (ou “ouver”) um camarada e amigo que me tinha enviado antes
a sua comunicação, e me pediu opinião.
Fui – e estive no! – congresso
quando a camarada que prestou contas do trabalho da comissão de verificação de
mandatos referiu o cumprimento da eleição de delegados, (quatro centos e alguns
efectivos a juntar às inerências e mais seiscentos e poucos
delegados-suplentes) entre o de 17 e o de 84 anos, e este era eu, certamente, que
dentro de 3 semanas faço 85 anos.
Sou congresso, nesta manhã
de domingo em que ele se encerra, e espero as decisões da noite que se seguiu à
votação do novo CC.
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Nesta manhã de domingo, sou congresso, a "ouver" a 6ª sessão da sua reunião... e talvez volte.
4 comentários:
Simplesmente foste Congresso. Na totalidade. De corpo inteiro. Sem deixar de debater, criticar, acrescentar... Dei também o meu pequeno contributo para as Teses. Apoiei,critiquei e acrescentei. Todos os militantes o deviam fazer.Desejo que todos os delegados o tenham feito. Assim o resultado final será melhor e fortalecerá o Partido.
Desejo que seja congresso por muitas e repetidas vezes. Não porque eu seja da "vossa cor", mas porque o PCP contribui para o equilíbrio democrático saudável. Quero que saiba que me sinto um previligiado em tê-lo como amigo.
Fico muito satisfeito... mas com pena de não saber quem é Unknown. Porquê anónimo?
Quanto à sua pergunta sobre os delegados e a sua participação tenho a quase certeza de que muitos não as leram, estudaram, criticaram...e não por não o quererem fazer mas pela iliteracia reinante, cultivada e nada inocente. Sabem, no entanto, e é um saber sábio!, quem é que está com eles. Eu estou (e sou!) ELES-os-outros-eu.
Muito claro e muito Tu!
Também estive colada ao écrã do computador o tempo todo. Ainda estou a digerir.
Grande abraço.
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