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sábado, novembro 05, 2011

O G20 visto do Brasil - a partir de Vermelho

4 de Novembro de 2011

Cúpula do G20 termina e a crise continua,
mais grave

O G20 encerrou nesta sexta-feira (4) a cúpula realizada em Cannes, na França, impondo medidas que não solucionam a crise econômica que os países da Zona do Euro atravessam.
Os líderes das vinte maiores economias do planeta não chegaram a um acordo concreto para dar solução à crise. A razão é mais do que óbvia para os que não nutrem ilusões com os arranjos do imperialismo. Trata-se de uma crise sistêmica, estrutural, e não é uma reunião entre países espoliadores e os emergentes que vai solucioná-la. Sobra retórica vazia na declaração. Os países concordaram em "a adotar políticas para restaurar a confiança", sem estabelecer que políticas são essas. Afirmaram também que manterão as políticas restritivas antipopulares que adotaram.
Apesar de anunciaram a chegada a um consenso e a um compromisso, o G20 promete reforçar os meios financeiros do FMI, mas sem especificar a maneira como se concretizará tal contribuição. É uma tentativa de reforçar organismos supranacionais do capital financeiro internacional.
Segundo o comunicado final, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Coreia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos reafirmaram que estão comprometidos com a consolidação fiscal e com a redução do déficit de 2013 a níveis de 2010, assim como a estabilizar ou reduzir suas dívidas públicas até 2016.
Os EUA, por sua vez, pretendem implementar um pacote de medidas a curto e longo prazo para "estimular" a recuperação econômica. Mais uma vez, não foram revelados quais são as medidas do pacote que vão proceder a essa mágica.
Os povos que sofrerão de imediato os efeitos dessa cúpula foram o grego e o italiano. Portugal e Espanha, já antes da cúpula, tinham adotado medidas antinacionais e antipopulares no quadro da crise européia.
O presidente francês Nicolás Sarkozy festejou a imposição à Grécia de negar a realização de um referendo sobre o acordo feito no dia 27 de outubro com a zona do euro, para a concessão do resgate econômico a Atenas. A atitude revela mais uma vez o instinto antidemocrático do capitalismo, que arrepiou os cabelos na última segunda-feira (1º/11) ao ouvir a palavra "referendo" ser pronunciada em grego.
Sarkozy também festejou a imposição de "medidas para renovar a confiança", como pedir à Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que fiscalizem a implementação de suas reformas na Itália.
Segundo o G20, Brasil, Austrália, Canadá, China, Alemanha, Coreia do Sul e Indonésia, nações com finanças públicas sob controle, se comprometeram, a estimular "medidas fiscais" que impulsionem o crescimento e a demanda.

O G20 e o Brasil

Sem muito entusiasmo, a presidente Dilma Rousseff declarou após o encontro que a cúpula do G20 teve apenas um "sucesso relativo". O Brasil descartou a possibilidade de uma contribuição para o Fundo Europeu de Estabilização. A presidente Dilma Rousseff reiterou nesta sexta-feira, em entravista coletiva após a cúpula, que o Brasil está disposto a contribuir com recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI), na busca de evitar o agravamento da crise financeira internacional.
“Não tenho a menor intenção de fazer nenhuma contribuição direta para o Fundo de Estabilização Europeu. Faço a contribuição para o FMI porque dinheiro brasileiro de reserva é dinheiro que você protege, foi tirado com suor do nosso povo, então, não pode ser usado de qualquer jeito. Aportamos no FMI pelo fato de que o fundo nos dá garantias”, disse em entrevista coletiva após o encerramento da reunião da Cúpula do G20.
A presidente relatou ainda que as preocupações do encontro do G20 foram a estabilidade global e as consequências sociais da crise econômica. Segundo ela, as nações em desenvolvimento voltaram a pedir a mudança de governança do FMI.
Dilma reiterou também que o Brasil concorda com uma taxação global sobre operações financeiras cujos recursos seriam destinados a investimentos sociais. Segundo ela, esse é um ponto em que não há consenso entre os países que participaram das discussões no G20. “Tem países onde o serviço financeiro é a fonte principal de recursos. Eles são contra”, explicou.



com agências

domingo, fevereiro 20, 2011

Austeridade de forma "convincente"?!

No momento deste processo verdadeiramente escabroso, em que o sempre obediente governo português, pelo seu ministro das finanças, levantou a voz(inha) em desespero de causa por causa das demoras e zigue-zagues da "ajuda europeia" e dos juros bem acima dos 7%, e ensaiou um sumido protesto/pedido, este domingo de manhã vêm-nos com esta:
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Banco Central Europeu
Trichet pede a Portugal
para aplicar austeridade de forma "convincente"
Económico com Lusa
20/02/11 08:05


O presidente do BCE tem "mensagem muito forte para Portugal" sobre necessidade de ser "muito convincente" na aplicação das medidas de austeridade.
"Apelamos a todos os Governos europeus, sem excepção" para "aplicarem o plano [de austeridade] que têm tão rigorosamente e tão convincentemente" quanto possível, afirmou Jean-Claude Trichet, no final da reunião do G20, que decorreu nos últimos dois dias em Paris.
"Temos uma mensagem muito forte para Portugal, assim como para os outros", disse o presidente do Banco Central Europeu (BCE), acrescentando que "cabe aos países serem convincentes" face à desconfiança dos mercados internacionais relativamente à capacidade de alguns países da zona euro cumprirem os seus compromissos financeiros.
Para além do banqueiro central europeu, também o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss Khan pressionou os governos europeus, considerando essencial que os países da zona euro reduzam os níveis de dívida pública nos próximos anos, defendendo que a maneira mais fácil de o fazer é aumentar as taxas de crescimento das suas economias.
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Há mesmo que dar um murro na mesa (ou nalguns focinhos... dos "mercados").
Ou será que esta "austeridade" do M. Trichet se refere a algumas escandalosas campanhas de publicidade bancária e outras?
Por outro lado, não será de pedir ao presidente do FMI que apoie, pessoalmente, a campanha do PCP Pôr Portugal a Produzir, para o que, evidentemente, há que dar uma sapatada nessa coisa dos "mercados" e na obsessão da dívida pública. Que ninguém nega que tem de ser contida e diminuida, mas nunca à custa dos trabalhadores e da economia que produz riqueza e não "bangsterismo", e não com esta austeridade com o alvo (classista) nos que trabalham e são explorados.

Tudo depende da relação de forças sociais, e da força que as massas dêem às forças políticas diferentes. Sim!, porque não são todas iguais. Há uma fronteira (de classe!) a separá-las.

sábado, fevereiro 19, 2011

Que G20?

De repente, e surpreendentemente, vejo-me assim numa espécie de moderador de ânimos exaltados contra o G20.

Até pode parecer...

O que gostaria que ficasse claro é que, nesta reunião e no calendário que, sob a "presidência francesa", será levado até Novembro, vai haver muita luta.

Como haveria se a reunião fosse apenas de 7 ou 8, entre os países "desenvolvidos" de evidente matriz capitalista, nesta época de desmesurada competição e de demência monetarista, uma luta inter-imperialista.

Mas "eles" não estarão sozinhos.

Nos 20, que serão 24 países mais a U.E., estão também os chamados "emergentes", onde se incluem a China e a Índia, com perto de 2,5 mil milhões de habitantes, a população mundial de 1950, e mais de um terço da população actual, com Estados que não se podem conotar simplisticamente com o sistema capitalista dadas as relações de forças internas e as suas expressões institucionais (e muito longe nos levaria a reflexão sobre a China!, desde há mais de 50 anos sob a direcção de um Partido Comunista, que não deixa de se afirmar como tal... e da China!), e o "nosso" Brasil, não parecendo nada dispostos a abrandar o seu crescimento econónico e a não deixar que não seja, também, desenvolvimento que retire os seus muitos milhões de povo do subdesenvovimento e do atraso social quando os recursos são seus. Logo, luta e decerto dura porque a interdependência tem provocado assimetrias e desigualdades insuportáveis.

Por outro lado, dentro e fora dos países que formam o tal G20, há muita luta dos povos, das massas, nalguns casos organizadas e com uma finalidade de real libertação, noutros não (ainda não, e não se podem prever se e quando).

Tudo mexe!

Ia agora o G20 ser uma reunião de quietude, tranquila, em que os "senhores" decidiam e nós apenas protestávamos, indignados?, "eles" que, entre si, não se entendem?... embora se saiba que de tudo são capazes quando sentem as "barbas de molho" ou os dólares (ou euros ou ienes) a poderem fugir das mãos que os criam/querem todos para si.

Nem moderador e/ou "advogado de defesa", nem me associando aos protestos e à indignação pela sua existência e realização, embora me sinta indignado que chegue por tanta indignidade e desumanidade que nos rodeia, esperando sempre resultados da luta. De todas as horas, em todos os lugares.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

G20 - não vai ser fácil

Esta reunião G20 não será "pacífica". Não se olhe para ela como "favas contadas"... O G8, ou seja o minigrupo formado pelos "poderosos", não pode contar com facilidades. Por várias razões que estão cheias de razão.
E se é um facto que os que se julgam "os maiores" procuram sempre preparar as decisões para que, depois, outros aprovem, e para isso fogem a Nações Unidas e a outras fórmulas quando elas possam perturbar. E procuram fazê-lo a 2 (veja-se o "eixo franco-alemão" na U.E.), quando não o podem fazer a 1 (como tanto gostam os E.U.A.), mas não é possível. Vivemos em interdependência... embora assimétrica!
Acontece é que, quando o "presidente" do Grupo é um país como a França, não se deixa de tentar marcar bem a influência presidencial.
Como na definição das priodidades da agência, que são, para a reunião que hoje começou, logo saltou pontos muito explícitos como "regular a finança", "assegurar um crescimento forte, durável e equilibrado", "financiar o desenvolvimento", "reformar o sistema monetário", "reduzir a volatilidade das matérias primas".
Está cá tudo! Com as finanças e o sistema monetário à cabeça das prioridades.
Mas, como é evidente, há muitos outros países a participar, desde os chamados "emergentes", cada vez com maior influência e, ao que se denota, como pouca "maleabilidade" para aceitarem que isto continue como até aqui.
Como esta progressão dos activos bancários "não regulamentados" (banqueirismo na sombra, escondido), por exemplo:
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E, embora vá haver reuniões paralelas com os cinco bancos centrais dos "mais poderosos" (Estados Unidos, BCE, Reino Unido, Japão e China) sobre o tema "desequilíbrios mundiais e estabilidade financeira", sabe-se que não vai ser fácil. Por um lado, haverá países a colocarem "culpas" nos preços dos produtos agrícolas e matérias primas e querem gerir com "mão de ferro(ou de dólar ou de euro)" esses "mercados" tão importantes para os países em desevolvimento, e que a especulação tanto cobiça; por outro lado, também se sabe bem - embora haja quem faça por esquecer - como as reservas mundiais do sistema monetário (que nem sistema é) estão distribuídas, com a China a ter uma enorme superioridade sobre o segundo detentor de reservas, o Japão.
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Quando falamos de "poderosos", por vezes falamos de falsas aparências...

Quem são os 25 do G20 que começa hoje


Começa hoje a cimeira do G20 em Paris. Depois de várias reuniões, durante “a crise”, em que a última foi em Novembro de 2010, a reunião que hoje começa, sob a presidência francesa – com logótipo especial e tudo -, vai procurar, de novo mas agora com “le grandeur” francês (com a Alemanha na sombra), uma cartada importante nesta fase do capitalismo.
Antes de falar da “agenda”, não só para as reuniões de hoje e amanhã mas também de todo o calendário até Novembro deste ano, uma pequena (?) observação sobre a composição “deste” G20.
Os 20 vão ser 25 a reunir-se para decidir o destino do mundo, ou melhor... do capitalismo pois, para os que ainda mandam, a 8 ou a 20, é essa a intenção.
Além dos já referidos Alemanha e França, fazem parte do Grupo (G), os Estados Unidos e o Canadá, mais Reino Unido e Itália, ainda a Rússia e a Turquia que em parte são países europeus, da América Central e Sul, México, Brasil e Argentina, de África estará a África do Sul, a caminho do Oriente estará a Arábia Saudita, já do Oriente estarão a Índia, Coreia do Sul, a China e o Japão, e, mesmo nos extremos, a Indonésia e a Austrália.
Somam 19. Para 20, falta 1, que não é um país mas a União Europeia. Pelo que quatro países – Alemanha, França, Itália e Reino Unido – têm a sua própria representação e mais o que representam na U.E., e não é pouco!, sobretudo os dois primeiros.
Mas não chega. Aos 20, junta-se sempre um convidado permanente, a Espanha, o que se compreende dada a importância da Espanha, apesar de a Bélgica e a Holanda, do lado de dentro da U.E., e a Noruega (sempre do lado de fora, embora o nº1 em IDHumano) pareçam não compreender lá muito bem…
Além destes 19 países mais uma “união” e mais um país sempre convidado, a este G-20 juntam-se quatro convidados especiais (por ordem alfabética): Emiratos Árabes Unidos, Etiópia, Guiné Equatorial e Singapura.
G'anda Grupo!

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

G20 - começa amanhã

Eles andam assim desde 2008! À procura...

E ainda há pouco, em Novembro de 2010, andavam à procura. Os G-20 (19 mais UE mais convidados). Não sabem é de quê!

Mas esta reunião em Paris vai ser muito importante...

Começa amanhã.
Vão mesmo tentar ver se encontram qualquer coisa até Novembro deste ano! Está na agenda...

Ministros das Finanças da UE e G-20 (e mais alguns)

Tanto "trabalho para casa"!
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Amanhã, inicia-se, em Paris, uma importante reunião do grupo conhecido por G-20 (que são 19 países mais a União Europeia, mais um convidado permanente, mais 4 convidados para esta reunião... mas disto tratarei mais tarde), enquanto segunda e terça se reuniram os ministros das finanças ditos europeus, mas que são da União Europeia, mas - às vezes... - nem todos porque são só os do "grupo do euro", e - quase sempre - apenas a França e a Alemanha de vez em quando juntando o Reino Unido por causa da libra e "ponte" para o dólar. É mesmo uma UE "às apalpadelas" nesta fase do capitalismo...
Ao ler os Echos de ontem, sobre esta reunião, apanho com este parágrafo que considero muito elucidativo:
«(...) Também, pela primeira vez, Fernando Teixeira dos Santos, ministro das Finanças de Portugal levantou a voz para denunciar a lentidão do processo. Enquanto o seu país está sempre sujeito à desconfiança dos mercados finnceiros, lembrou as medidas muito duras tomadas por Lisboa para reduzir o défice e pediu que a União cumpra também as suas promessas. "Creio que os atrasos e as hesitações afectam a zona euro e a estabilização do euro, e por consequência, todos os países que fazem parte."»
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Repito: "... pela primeira vez, Fernando Teixeira dos Santos, ministro das Finanças de Portugal levantou a voz..." Sem comentários!?
Comento a frase do ministro das Finanças de Portugal que foi transcrita: as preocupações prioritárias são as da zona euro e da estabilização do euro e, só depois e como consequência, a de todos os países que fazem parte (dela ou dele), entre eles Portugal, e o seu ministro só levanta a voz - pela primeira vez! - para defender a zona euro e a estabilização do euro!


sábado, novembro 13, 2010

Coisas estranhas...

Ontem, já de madrugada e antes de "fechar o expediente", li um trabalho de João Ramos de Almeida (se a hora tardia não me trai quanto ao nome do autor), sobre a reunião do G20, em Seoul, trabalho que achei interessante e elucidativo. Antes de desligar o computador, coloquei um "post" em que fiz um "link" para esse trabalho.
O "link" está lá... mas não funciona, procuro o artigo... mas não o encontro. E não sonhei, e julgo estar, agora, já bem acordado.
Coisas...
Que dizia o trabalho? De forma sucinta, que a cimeira, que tinha o tema das moedas e suas paridades como central, adiara a questão para um grupo específico, dados os não-resultados e Obama ter ficado de "mãos a abanar" com as suas propostas. A grande questão era o valor cambial da moeda chinesa, que se quer que "não desvalorize" porque, ao faze-lo, facilita as suas transacções, quando o facto é que as outras moedas é que teriam de desvalorizar, e muito, para aguentar a competitividade com a economia chinesa.
Afinal, esta coisa das moedas e dos seus câmbios continua - e cada vez mais!, embora encapotadamente - a influenciar a economia mundial, quando nos quiseram convencer, com a criação do euro, que isso tinha "passado à história". E, sublinhe-se, o modo como se estabeleceu o câmbio para que o escudo se apagar no euro é das situações que mais deveria ser recordada e estudada para encontrar as explicações para muito do que se está por cá a viver. Ñão tinha nenhuma ideia de escrever - assim e agora... - sobre isto, mas o "desaparecimento" do trabalho "linkado", deixou-me "lixado" e saiu - assim e agora...
Aliás, recordo, no trabalho referia-se o comentário de um(a) dos participantes do G20 sobre os "relatórios diplomáticos" que se mandam para a comunicação social para fazer crer que "tudo correu muito bem" em cimeiras em que ou "nada correu" ou "tudo correu mal".
Tudo isto é muito significativo!

quinta-feira, novembro 11, 2010

A reunião do G20

Hoje e amanhã. em Seoul, são os dias da reunião do G20 (os "grandes" mais os "emergentes"), esse grupo de países que decidem tanta coisa...

Como principal ponto na Ordem de Trabalhos estará a questão das moedas e das suas paridades, US$, UE€, UK£, Jap-ien, com a moeda e as reservas chinesas a pairarem... e a serem verdadeiramente decisivas!

sexta-feira, abril 03, 2009

G19 + 1(UE)?

1. - Acabou a reunião do G-20

2. - Que se deveria ter chamado G-19 +1(UE), porque são 19 Estados mais uma União Europeia que integra 4 dos 19.

3. - E como a UE não estava em representação dos seus Estados não representados, pode dizer-se que, dos 19 Estados, havia 4 Estados que tinham uma representação a valer 1 + 0,25, isto é, a presença da UE a dividir pela Alemanha, pela França, pela Itália e pelo Reino Unido, o que soma 5 em 4.

4. Se se juntar, a esses 4 a valerem 5, os EUA, a África do Sul, a Arábia Saudita, a Argentina, a Austrália, o Canadá, a Coreia do Sul, a Indonésia, o Japão, o México e a Turquia (também posso ter os meus critérios, até de ordem "alfabética ajustada", que diabo...), temos 16 dos 20.

5. Sobram 4, os tais BRIC (Brasil, Russia, India, China) e, nestes, um - a China - cujo orgão oficial do Partido Comunista da China, que desde 1949 conduz a política e a economia do País, lembrava que entre 2003 e 2008 (neste pequeníssimo lustro!) o PIB dos EUA passou de 32% para 25% do PIB mundial, números rigorosamente simétricos dos dos tais "países emergentes", interrogando-se sobre o que mudará no mundo nos próximos 5/10 anos (ver artigo de Luís Carapinha, no avante! de 26.03, O trunfo do socialismo).

6. Mantendo todas as reservas sobre a legitimidade desta reunião, quando anteriores foram noutros âmbitos (1933, no âmbito da Sociedade das Nações, 1944-Bretton Woods, no das Nações Unidas), há que dizer que não será justo etiquetar os 20 como um G(ang)-20, ou 20-Gangsters.

7. Acrescente-se que, no mesmo artigo, se lembra que o Japão - já foi "Estado emergente"... - está em tal estado que o FMI estima para ele um "crescimento negativo" (!?) de 6% em 2009, enquanto para a China o mesmo FMI estima um crescimento (que, julgo eu, só pode ser positivo...) de 6,5%.

8. "O presidente Hu Jintao reiterou recentemente que a liderança do Partido, as vantagens do sistema socialista e os esforços do povo serão determinantes para vencer as dificuldades" (mesmo artigo que, no título, poderia - talvez... - colocar um i entre o r e o u de tr(i)unfo)

9. Do comunicado final, retiram-se muitas palavras e frases, e apenas se sublinha, por agora, a insistência no papel e reforços da instituições reguladoras nascidas em Bretton-Woods, do Banco Mundial e do FMI, que estão umbilicalmente ligadas à evolução da economia mundial das últimas décadas, com os chamados e famigerados "ajustamentos estruturais" por exemplo, enquanto entidades supranacionais do capitalismo em fase de imperialismo.
10. Isto será chamar o "nome aos bois" (sem ofensa, claro...), e outros comentários a tal comunicado final de tal "cimeira" talvez fiquem para mais tarde... mas não nesta madrugada do (à Sérgio Godinho) "primeiro dia do resto da nossa vida".

quarta-feira, abril 01, 2009

G20?

Amanhã realiza-se a reunião do G20. A comunicação social está repleta de referências a esta reunião, etiquetada como decisiva. Porque nela se reúnem os 20 países economicamente mais importantes (seja isto o que for!) do mundo, que como tal se auto-agruparam, e porque o actual momento (histórico sem limites temporais precisos) é… de crise a que é preciso dar uma resposta.
Aqui vai deixar-se uma espécie de glossário para se perceber um pouco do que se está a passar.
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O que é, e quem são, o tal G-20?
O Grupo dos 20 (G20) foi constituído na década de 90, em plena dita globalização, como uma das estruturas de países capitalistas, juntando o G7 (os países mais industrializados: EUA, Canadá, Japão, Reino Unido, França, Itália e Alemanha) mais a União Europeia enquanto entidade supra-nacional, e doze outros países de economias consideradas (pelos países constituintes) como mundialmente importantes: Brasil, Rússia, Índia, China (os BRIC), África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia. Critérios? Vários: população, espaço, localização, crescimento económico, petróleo. Direito a associação no plano planetário…
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Bretton-Woods (NU)
Fala-se muito de Bretton-Woods. Mas que é Bretton-Woods, além de ser uma cidade nos Estados Unidos, New-Hampshire? Foi nesta cidade que, em Julho de 1944, ainda antes de acabar a 2ª guerra mundial, se assinou o acordo que tomou o nome da cidade, depois de um encontro de representantes de 45 países que realizaram uma Conferência monetária e financeira das Nações Unidas.
O acordo tinha por objectivo reorganizar a economia capitalista internacional para o pós-guerra. As moedas dos países membros passariam a estar ligadas ao dólar, em condições de se tornar moeda internacional dadas as reservas acumuladas em Forte Knox, estando a moeda dos EUA ligada ao ouro a 35 dólares por onça, e convertível. Assim se criava um sistema monetário internacional, e para que tudo funcionasse sem grandes sobressaltos criaram-se duas entidades de supervisão, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, o que demonstra que a supervisão não é “ideia nova”, da "globalização" pós-anos 90-.
Deste modo se alterava o sistema do padrão-ouro ao tornar o dólar a moeda central do sistema, embora mantendo-se moeda nacional.
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O sistema padrão-ouro
O sistema do padrão-ouro, prevalecente apesar de várias contingências, tinha “regras de ouro”… em que a quantidade de reservas de ouro de cada país determinava a oferta monetária, que visavam uma situação de equilíbrio na economia internacional de modo a que cada país mantivesse uma base monetária consistente com a paridade cambial, procurando-se contribuir para balanças comerciais equilibradas, com os saldos a serem cobertos, na balança de pagamentos, por transferências em ouro.
Com Bretton Woods, teria começado uma novo sistema monetário internacional, em que o dólar substituía o ouro mas não completamente, sistema que terminou com a decisão de Nixon, de 15 de Agosto de 1971, ao tornar, unilateralmente, o dólar inconvertível por as reservas de ouro dos EUA se terem reduzido excessivamente em relação aos dólares colocados em circulação, mantendo o domínio da economia mundial pelo privilégio monetário, e podendo responder a necessidades de financiamento crescentes como as provocadas, por exemplo, pela guerra do Vietname.
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Capitalismo vazio de sistema monetário internacional
Desde esse dia, não existe sistema monetário internacional, mantendo-se o dólar moeda internacional. E, a partir do final da década de 70, o neo e ultraliberalismo, o monetarismo desbragado, tem imperado na ausência de “regras de ouro” ou de “regras de dólar”, ou de “regras de ouro e de dólar”, chegando-se à actual situação em que as reservas estão polarizadas em alguns países, com os EUA na 23ª posição e a China no topo, com mais de 30 vezes o quantitativo, em dólares, de reservas em dólares e ouro relativamente às dos EUA. Uma situação insustentável por tudo andar à volta de uma moeda cuja ligação a uma base material, à agora tão falada “economia real” cada vez é mais ilusória e sem qualquer fiabilidade (fiduciária).
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A Conferência Monetária e Económica Mundial de Londres, de 1933 (SdasN)
Não é por acaso, por isso, que, neste momento de explosão de crise do capitalismo, os G20 reúnem, e não é por acaso que, com algum desespero, se recorda, nos meios de comunicação social, a Conferência Monetária e Económica Mundial de Londres, 1933, com 66 países e no âmbito da Sociedade das Nações, reunidos para porem termo à desordem monetária e às guerras comerciais e para tentarem, simultaneamente, retirar lições da Grande Depressão (datada de 1929). Conferência em se tanto se esperou dos EUA (e de F. D. Roosevelt). Após vários meses de negociações, foi admitido o seu fracasso e teria sido um passo no imperialismo, no agravamento das contradições de que resultou a 2ª guerra mundial, o enriquecimento e armamentismo estado-unidense, a consagração desta evolução/situação em Bretton-Woods.
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Amanhã, G-20
E aí se está numa encruzilhada. Como noutras se esteve. Em 1933, no âmbito da Sociedade das Nações, em 1944 no das Nações Unidas, hoje (ou melhor: amanhã) no âmbito de um grupo escolhido “a dedo” de 20 Estados. Com as “grandes esperanças” de novo colocadas nos EUA (agora não em Roosevelt mas em Obama). Noutras condições. Nem melhores nem piores, diferentes. Talvez (ainda) mais perigosas para a Humanidade.
Para resumir a actual situação, sem esquecer as “lições da História”, apenas se transcreve a frase de hoje (ou de ontem) de um anónimo identificado como conselheiro de Sarkosi: “(esta conferência de Londres - a de 2009 como a de 1933 - será, ou poderá ser) um falso sucesso cheio de declarações generosas sem consequências".
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Assim vai o capitalismo. E não nos chamem catastrofistas porque lutamos pelo futuro. Pelo socialismo.