quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Notas para uma leitura de actualização - 3

Notas para uma releitura – de S. Paulo a Paris

Estas notas foram traduzidas para terminarem a intervenção que fiz na apresentação do livro:
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3.- (…) Por tudo isso, penso que no marxismo-leninismo temos condições para melhor compreender a interdependência assimétrica, a importância crescente das periferias.
Ora, esta interdependência centro-periferias começou por ter a expressão metrópoles-colónias e, nesta etapa do capitalismo, toma outras… que não são muito diferentes.
Como na União Europeia, onde o brutal falhanço do simulacro de objectivo da coesão económica e social veio demonstrar a sua incompatibilidade com o funcionamento do capitalismo. A Irlanda do primeiro alargamento, a Grécia do segundo, Portugal e a Espanha do terceiro, foram Estados-membros integrados na (i)lógica capitalista de transferência de fundos para compensar as consequências inevitáveis do mercado único capitalista, com as suas quatro liberdades, de que apenas uma é efectiva (e libertina!), a do capital.
Mas… quais fundos? E para fazerem o quê?, e ao serviço de quem? E como, com que dimensão, impossível de ultrapassar a contradição de se proclamar uma “governança” imperial-federalista com um minúsculo orçamento chamado comunitário e um controlo inaceitável dos orçamentos e das soberanias nacionais, algumas com muitos séculos de história e cultura.
Hoje, vêem-se os resultados e as ameaças são ainda piores! Portugal, talvez o melhor exemplo da periferia do centro, o país com a maior Zona Económica Exclusiva desta macro-estrutura “às apalpadelas”, e da sua divisão internacional e dita comunitária do trabalho, importa o peixe que os portugueses comem e, para a “dívida soberana” de que os portugueses são acusados em apelo, contribui o peixe que somos obrigados a importar dos países que pescam nas águas portuguesas, tendo sido transferido fundos para que tenhamos abatido barcos, para destruir a nossa frota de pesca.
Quantos outros exemplos?
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Cada vez mais, é necessário aprender com as situações e as lutas nas periferias. Desde a dos “paises emergentes” que, com o seu crescimento, não aceitam ser “almofadas” para os países em alternâncias e fricções metropolitanas, às massas dos países que lutaram pelas suas independências políticas e lutam, e continuarão a lutar, por independências económicas e financeiras, contra as manobras… dos chamados “mercados”. Por todo o lado e todos os dias não faltam sinais, e em regiões-chave do mundo.
Hoje, o Egipto… e amanhã ?
Previsões? Cremos – eu creio ! – que é preciso aprender, aprender sempre (!) e, como Marx escreveu tantas vezes, ceteris paribus, quer dizer, aprofundar o conhecimento das situações concretas, detectar as dinâmicas e afirmar que, se todas as outras condições se mantiverem, pode dizer-se que… assim se chegará ao socialismo.
A tomada de consciência das massas e a mobilização para a luta dos movimentos organizados dos trabalhadores, será o motor das mudanças históricas, no sentido da História, não apenas nas vertentes monetárias, financeiras, económicas, mas também sociais, culturais, de civilização.


já no Zambujal,
amanhã retomam-se rotinas
(o que é isso...)

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Memórias de (+ de) 1/2 século

(acabada a tarefa,
para onde fui de metro,
uma pequena crónica...
para não perder este tão querido
contacto convosco)
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Foi, para mim, um jogo. Dos mais interessantes que até aí jogara: pela primeira vez em Paris, andar de metro pela primeira vez! Inventar sítios e lugares para ir, alguns de nomes conhecidos - e um ou outro mítico - mas não vividos... e descobrir como lá chegar. Começar por esta linha, com um número, cor e o destino final, mudar para aquela ali, saltar depois para aqueloutra acolá... Através de corredores, escadas, gente, gente.
O que eu gozei! Tão grande o gozo que chegou até hoje. E o lembro e renovo. Hoje.
Hoje!... tudo igual. Menos eu, apesar do mesmo/outro gozo. Menos o da novidade, mais o das lembranças que rejuvenescem.
Menos eu?! Não. Olho em volta e vejo as diferenças. As mesmas gentes, de cores e origens variadas, o mesmo acordeão de pedir esmola, outro mendigo, numa curva de um corredor, a fazer-nos ouvir Brassens; mas outras roupas, outra "moda", mas o dedilhar com os polegares sobre uns pequenos aparelhos que há 50 anos estavam longe de existir, e gente a falar sózinha para umas espécies de cabeças de alfinete e com umas coisas nas orelhas (deve ser para ouvirem musica ou o que do outro lado lhes respondem...).
Há mais de 50 anos! Sair no Boul'Mich e comprar o L'Humanité num quiosque. Que emoção! Voltar às entranhas da enorme cidade com comboios a circularem. "Mais uma volta, mais uma corrida!...", passardebaixo do Sena, para a outra margem, da rive gauche para a rive droite.
Subir até aos grandes boulevards. Passar no edifício central do L'Humanité. Sempre o l'Huma (ah!, quando o avante for legal e diário, e alguém escrever "oui!, mais" como o André Wursmer!, pensava eu...).
Tinha menos 50 anos e muita pressa.
Oui!, mais...
Hoje, tenho outra noção do tempo. Não o meço em dias, semanas ou meses.
Hoje, sei que o mundo muda - como então sabia... -, que os povos terão direitos que lhes negam - como então começava a acreditar, com toda a força de querer ajudar -, mas sei, também, que o tempo tem o tamanho de décadas, de séculos, de milénios.

Notas para uma leitura de actualização - 2

um pouco ao acaso:
2. (…) esta interpretação teórica do que se passa na realidade, com toda a desmesurada criação de capital-dinheiro (A’) sem qualquer produção material e transaccionável, ou a satisfação de necessidades imateriais por via de serviços, poderá ser muito útil para a compreensão de algumas questões que se têm visto levantadas sobre a lei da baixa tendencial da taxa de lucro (ou a lei tendancial da queda da taxa de lucro, o que é bem a mesmo coisa...).
Para o que é, desde logo, indispensável fazer a destrinça entre, mais-valia e taxa de mais-valia e lucro e taxa de lucro. Se a taxa de lucro se mede pela diferença entre capital-dinheiro (D) no início do circuito de circulação e capital-dinheiro no final desse circuito (D’), a intromissão (entre M’ e D’), de capital-dinheiro fictício ou simbólico pode levar a aparentes lucros, e alterar as taxas de lucro de maneira fictícia, simbólica e que não representarão mais que transferência de mais-valia, por via da concentração e centralização de capital-dinheiro, ou do terá as suas funções, com acrescido acesso à “riqueza das nações” por estratos cada vez mais minoritários com crescentes zonas de pobreza - absoluta, relativa ou em relação às necessidades próprias da época histórica, dadas as condições criadas pelo desenvolvimento global das forças produtivas.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Uma excelente "pedrada"

Embora cá por longe e ocupado com uma tarefa absorvente - e uma cidade para revisitar com o encantamento de sempre - não deixe de espreitar "como vão as coisas" là bas...
Vale a pena ler o texto de pedras contra canhões no autoridade nacional,
aqui

domingo, fevereiro 13, 2011

Notas para uma leitura de actualização (de São Paulo a Paris)


De algumas notas para a iniciativa de apresentação de um livro (de 27 autores de 17 países), a 14 de Fevereiro, com base em intervenções num seminário realizado em Junho de 2009.
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1. Há um ano e meio. Desde o seminário de São Paulo e a apresentação deste livro. Desde Junho de 2009.
Deve reler-se e actualizar o que então foi escrito e dito sobre a «crise internacional», e tal deve ser feito à luz de tudo o que se passou entretanto. E não nos podemos queixar de falta de oportunidades para avaliar, de novo, as observações e análises de então.
Neste tão curto período de tempo (em tempo histórico) muitas coisas aconteceram. Cada um de nós as viveu, muitas delas comuns a todos, algumas diferentes em cada um dos nossos países.
Desde logo, a situação de «crise internacional» não foi ultrapassada, antes se agravou, apesar das declarações repetidas de uma falsa confiança, o anúncio e a propaganda de medidas sobre medidas, reforçando-se e contraditando-se, a ameaça de intervenções exteriores a pretexto de desregulações locais do sistema financeiro mundial e de manobras baseadas em critérios de agências de rating, criações fantasmagóricas para orientação… dos "mercados" .
Há um ano e meio ainda se esperava uma possibilidade do reforço de uma via (digamos…) de inspiração keyneseana, pela dinamização da economia produtiva, da procura efectiva, com um papel acrescido de Estado na economia, ensaiando-se, de uma certa maneira, a correcção da demencial corrida de “financeirização”.
(…) Após alguns zigue-zagueares, a linha dura, monetarista, neo-liberal, a continuidade das décadas de 80, de 90 e da primeira deste milénio, quase surpreende se a encararmos como cegueira face às suas inevitáveis consequências sociais.

O número de deputados... - correcção

Por erro, referi no "post" anterior que em Portalegre havia 3 deputados eleitos.

Na verdade, e porque para tal me foi chamada a atenção, há apenas 2 deputados, sendo um do PS e outro do PSD. Neste distrito, em 108 mil inscritos, em 2009, com uma participação de quase 61%, apenas 41 mil votaram na que é a representação distrital na Assembleia da República, tendo votado na CDU perto de 13%.

sábado, fevereiro 12, 2011

Como se estivesse no Largo do Carmo!

Como se estivesse no Largo do Carmo. Onde não estive, porque noutro lugar estava. À espera que nos abrissem as portas pelo lado de fora.
Naquela praça do Cairo, estivemos muitos de nós. Como estivemos no Largo do Carmo. Gente que somos, massas que fazem a História.
Naquela praça do Cairo, resistindo a todas as pressões e violências, ignorando recolheres obrigatórios e repudiando aliciamentos e manobras demagógicas. Durante semanas. Mostrando disposição para serem meses se fosse preciso que fossem meses.
Pode gritar-se Vitória!? Pode dizer-se Ganhou-se!?
Não. Nunca tal se pode gritar ou dizer como verdades conquistadas. O imperialismo tceu e tece as suas malhas. A luta vai continuar. Diferente. Diria que mais difícil.
Mas o dia 11 de Fevereiro, e os dias que levaram ao dia 11 de Fevereiro no Egipto já fazem parte da História. Mostrando como as massas são/podem ser o motor da História. Apesar de tudo e de todos que tudo fazem e de tudo são capazes para o impedir, o atrasar, o sabotar. Antes e depois.
Do Egipto, lembro o tempo iniciático de há 60 anos, de Assuan, do canal do Suez, de Nasser (dos capitães de Abril, lá longe e 20 anos antes, como o disse um camarada!), dos "não-alinhados", da primeira vaga das independências do colonialismo.
Como é bom lembrar, nestes tempos de novas maneiras e outras formas de colonianismo, com as finanças a comandarem, das suas metrópoles de "mercados" e "agências de rating".
Ontem, no Egipto, escreveu-se uma indelével página na História da Humanidade. Uma pequena página de um capítulo ainda inicial deste livro da Humanidade que está no seu começo, na sua infância apesar dos milénios que já tem de vida.
Uma página? Melhor diria um parágrafo, ou umas linhas. Como o foi no Largo do Carmo. Que o foi!
Mas de que se que fazem os livros senão de linhas, páginas, capítulos, tomos?
Mas que são as massas senão gente como cada um de nós, quando e enquanto?
no "expresso" das 10.30 (aleluia!)

Mais um dia...

Preparo-me para o dia. Que vai ser de encontros, reencontros, recordações e, decerto de algumas emoções. Um dia em que o projecto Som da Tinta reviverá, nas memórias, nos ecos, também nos projectos.
O Egipto, o povo, as massas, as manobras e a hipocrísia ficam para o "expresso". Se. Estamos sempre dependentes de tanta coisa... Interdependentes. Assimetricamente.
Bom dia!

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

O número de deputados...

A questão do número de deputados, como aliás nenhuma outra. E, muito menos, ser usada essa simplificação de forma populista, enganadora, manipuladora.
É crucial ligar essa questão ao princípio da proporcionalidade da representação. Porque um deputado é, em democracia (burguesa, mas democracia), um representante do povo, escolhido pelo povo com capacidade eleitoral, de acordo com um sistema, adoptado no quadro constitucional, definido pela legislação e mecanismos necessários.
Em Portugal, esse princípio da proporcionalidade está constitucionalmente consagrado, os círculos eleitorais são os distritos (e as regiões autónomas), a apresentação de candidaturas obedece a regras e o mecanismo é o do método de Hondt.
Deste conjunto de preceitos, resultou a seguinte composição, em 2009:
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PS – 97 (1 eleito na emigração)
PSD – 81 (3 eleitos na emigração)
CDS/PP – 21
BE – 16
CDU – 15 (13 deputados do PCP e 2 do PEV).

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Vejamos a questão da proporcionalidade:
i) No plano geográfico, é a população que, naturalmente, condiciona os números de deputados proporcionalmente às populações. Assim, o distrito com mais deputados é de Lisboa, com 47 deputados, e os distritos com menor número de representantes, ou mandatos, são Beja, Bragança, Évora e Portalegre, com 3 deputados;
ii) na relação entre os votos expressos – que levam a eleitos, mandatos ou representantes – e mandatos resultantes da aplicação do método de Hondt, temos a seguinte distorção:

  • PS, com 36,6% dos votos, tem 42,2% de representantes na AR, isto é, mais 5,6 p.p.;
  • PSD, com 29,1% dos votos, tem 35,2% de representantes, isto é, mais 6,1 p.p.;
  • CDS/PP, com 10,4% dos votos, tem 9,1% de representantes, isto é, menos 1,3 p.p.;
  • BE, com 9,8% dos votos, tem 7,0% de representantes, isto é, menos 2,8 p.p.;
  • CDU, com 7,9% dos votos, tem 6,5% de representantes, isto é, menos 1,4 p.p.;
  • 6,2% dos votos (portanto, de votantes) não têm representantes na AR.

A redução de deputados, com esta distribuição espacial – e com qualquer outra, “cozinhada” pelo PS e PSD – teria o efeito de, geograficamente, poder levar regiões a perderem representantes na AR,

e, quanto a mandatos, teria o efeito de agravar a desproporcionalidade, aumentando as diferenças entre os votos e os deputados (positivamente para os PS e PSD, e negativamente para os outros partidos e para os eleitores sem representação parlamentar).

É isso que a democracia pede, e o povo quer?

Que dia!

O "post" que se segue era para ser um dos "trabalhos" na viagem até Lisboa.
A rede"expressos" traiu-me. Mais uma vez!
Nada de hi-fi, ou lá como se chama...
Depois, não sei como, o senhor motorista fez um trajecto que me surpreendeu... quando me vejo a subir a Calçada do Carriche (ah!, Gedeão, Gedeão). Não percebi!
Cheguei tarde!
Mas cheguei a tempo de estar a horas no CC.
Depois, foi o desligar dos telemóveis e nada de ligações à net. Pois claro...
Mas fomos acompanhando o que se passava lá no Cairo.
Caiu um, outros não! De qualquer modo, foi importante e significativo... e amanhã falo do Egipto. Se tiver hi-fi, ou lá o que é.
Agora, chegado onde vou dormir, "boto" o "post" que estava "de conserva"... Sobre o número dos deputados.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

notas À SOLTA...

Não é de valores, princípios, ética, moral (o que lhe queiram chamar...) que se anda para aqui a falar (embora também seja), é de decência e de sentimento de QUEDA DO IMPÉRI(ALISM)O ROMANO!

notas À SOLTA... e logo a "ressaca"

Vindo do almoço (como muita nota na "agenda"...), trazia isto escrito:

Assis, sempre a falar da estabilidade e da confiança, com aquele seu ar assustado, instável e completamente vazio de confiança (em quem?... a começar por si mesmo)
e "apanho" com o debate parlamentar, com esse mesmo Assis a abrir as "hostilidades" com perguntas ao Governo, como quem estende a passadeira para que o Exº. Senhor Primeiro Ministro fazer a sua cansativa e insuportável exibição de verborreia vazia. Que estou a ouvir, e vou continuar a "ouver"...

A nova configuração do mapa e do sistema eleitorais - (em conversa de barbeiro)

Quando me encaminhava para o meu vizinho barbeiro, ia decidido: «Hoje, não vai haver "conversa"... não estou com vontade nenhum de discutir as presidenciais com o meu simpático cortador de cabelo e barba que, decerto, votou ou no Cavaco ("apesar de não me ser simpático, o homem, mas aqueles ataques que lhe fizeram... afinal o homem só fez o que todos nós..."), ou no Alegre ("... porque é preciso mudar, ele tem boas ideias e vocês os da esquerda...), ou no Nobre (porque isto dos partidos é do piorio, e o homem tem cá um passado..."), ou no Coelho ("o homem convenceu-me... tem mesmo graça, e disse umas boas..."), ou, o mais provável..., votou em branco ("porque isto não pode continuar assim, tenho de protestar, calcule que o banco...");
não, desta vez, não... estou um bocado cansado para ripostar, perguntando-lhe porque se "esqueceu" de um candidato ("ah!. pois... o vosso... olhe que o homem surpreendeu-me, chegou bem para eles, e tem mesmo a vossa marca, honesto, a dizer as coisas certas... mas... sabe?... não tinha hipóteses... vocês..".);
não!, desta vez vou fugir à conversa política lá porque sou eu o cliente nas mãos dele...»
Assim determinado entrei na loja de duas cadeiras e um profissional, saudámo-nos afectuosamente, como bons vizinhos e algumas actividades (teatrais) em que colaborámos com simpatia mútua, soubemos das respectivas famílias, olhei-me no espelho sem óculos, despedi-me da barba e do cabelo a pedirem tesoura, e sentei-me na almofadada cadeira...
e não é que, logo ao primeiro assalto, ainda sem estar armado da sua ferramenta e quando só me colocava a espécie de babete, ele me atira. «... então e aquela proposta de redução do número de deputados... cá por mim 180 ainda são demais... para o que eles trabalham e para o que nos custam... nem sei se seriam preciso alguns... que é que acha?»
Lá fui dizendo o que achava, primeiro. a ver se escapava, depois ganhando calor e até irritada agressividade... apesar da ameaçadora tesoura andar por ali à roda da minha cara, nariz, orelhas, lábios.
Olhem... foi mais ums três quartos de hora iguais aos que se repetem de mês e meio em mês e meio"
Quando voltei para o carro, mais leve e com a frialdade da manhã a aproveitar as abertas nas minhas defesas mais expostas ao vento e aragens, vinha a resmungar: «... mas para quê?... porque é que me entrego todo a estas discussões?... o que poderia ter convencido (ensinado!, pois... que o que ali mais há é desconhecimento, desinformação) vai sofrer uma barrela total no próximo noticiário e até ao próximo encontro... nem que viesse cortar o cabelo todos os dias!...».
O facto, e facto foi, é que ainda estive quase a voltar atrás para juntar mais um dado e um argumento. Dos definitivos. Como todos...
Fica para o próximo encontro.
segue

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Pormenores...

Quando tenho alguma disponibilidade, isto é, podendo “ficar em casa”, arranjo uma espécie de ambiente e rotina. Ligo a televisão no canal da Assembleia da República, sento-me à secretária e computador e vou trabalhando… com um olho no burro, outro no cigano (isto sem ofensa para ninguém).
Para além de coisas importantes (que é isso?), atraem-me a atenção pormenores (talvez?) sem importância.
Por exemplo, no meu partido e no Parlamento Europeu, ganhei o hábito – que, aliás, já tinha – de respeitar hierarquias aceites democraticamente e cumprir tempos de uso de palavra decididos colectivamente. E incomoda-me (ou)ver os desrespeitos e os incumprimentos do que o colectivo deciciu.
O governo e os senhores deputados têm atribuídos x minutos para falar. Usam-nos à sua vontade e, quando os estão a ultrapassar, o deputado que está a presidir avisa o membro do governo ou o colega de que está a ultrapassar o tempo que lhe foi atribuído... e o avisado faz orelhas moucas e continua o seu discurso como se nada fosse, às vezes ultrapassando dois e mais avisos e, acabando quando entende, mostra-se sobranceiro e indiferente a regulamentos e a respeito pelos outros. Quase sempre sem, sequer ao menos, uma justificação ou um pedido de tolerância para acabar uma frase, ou um pensamento não concluído. O sr. primeiro-ministro, então, abusa dessa postura.
E fico satisfeito ao "ouver" que – e não por acaso – os deputados do Partido Comunista , mesmo quando ultrapassam (sempre pouco…) o tempo que lhes está atribuído, o fazem com pedido de tolerância e autorização a quem está a presidir... e pressa de acabar.
Pormenores!

Onde está o crime?

Verdadeiramente chocado!
Curiosamente, a informação a que mais atento estou é aquela que ouço enquanto conduzo. Nada me distrai... além da condução, claro!
Por isso, mas não só, estou chocado. Após o noticiário das 13 horas, a RDP1 faz a actualização das notícias sobre a a zona a que as sus capacidades de penetração têm capacidade. E ouvi o responsável pela Polícia de Segurança Pública de Castelo Branco, depois de uma lenga-lenga do primeiro ministro em Penamar sobre nem-sei-o-quê de feixos ópticos e informática, dizer que o tipo de crimes que está a aumentar na área de sua jurisdição é o de furtos em habitações exclusivamente para o roubo de alimentos, em dispensas, frigoríficos e geladeiras. Importa sublinhar isto e perguntar:
onde está o crime?
No chamado furto
ou nas causas que levaram a esse tipo de furtos?!

A nova configuração do mapa e do sistema eleitorais

Corrida a lebre Lacão, logo apareceu o galgo Relvas.
Em "timings" que parecem mesmo apropriados a estas "corridas". Para mais, dois jovens políticos em que encontro muitas semelhanças, como esta do gosto pelas carreiras e "corridas", talvez influenciados pela origem (política) ribatejana, pois fizeram as suas "formaturas" e "estágios" partidários aqui pelo distrito de Santarém.
Os dois jovens, embora um ligeiramente mais jovem que o outro, são da mesma geração e extracção, a dos adolescentes em 25 de Abril de 1974, e aí estão, lançados, muito oportunamente e tangendo os instrumentos que tocam a música a que foram sendo habituando os ouvidos das gentes, a da redução dos deputados, desses "párias"... que, porque fazem parte do "grupo", são sempre os outros do "grupo".
Mas a manobra vai muito mais longe.
Veremos porquê, sabendo, desde já, quais as intenções (ainda que caladas ou negadas): chegar a um sistema que, destruindo a proporcionalidade da representação, consagre as maiorias absolutas alternantes, ora agora o eu-PS, ora agora tu-PSD, oura agora eu-PSD, ora agora tu-PS.
Como tem sido na prática, mas com engulhos e sobressaltos.
segue

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Reflexão sobre manifestações de massas

Algo inesperadamente, encontrei-me numa reunião que não estava no meu "programa de festas"... Fui lá parar por razões de vizinhança, e da boa-vizinhança de que procuro ser fiel praticante, e, de repente, descubro-me a falar de massas! E fiz uma "descoberta" que, decerto, nada inventa.

Por me parecer desadequada ao encontro em que estava, senti necessidade de corrigir, não a abordagem mas a terminologia, e expliquei que, ao falar de massas, não estou a falar exclusivamente de protestos, de manifestações na rua, tão numerosas quanto possível, mas não querendo dizer, de modo nenhum, partindo montras e queimando carros.

E, em complemento, dei o exemplo de poder ser uma poderosa manifestação de massas a reunião, por todo um país (pode ser o nosso, pode...), de 1.000 assembleias gerais (ou algo semelhante), cada uma com cerca de 100 pessoas, para ser proposta e tomada uma posição sobre um mesmo assunto. Poderá ter, nalgumas circunstâncias, viabilidade e tanta importância (política!) como uma manifestação de 100.000 pessoas na rua.
As formas de luta - de massas - são insubstituíveis e podem articular-se, ou suceder-se.

Fiquei satisfeito com a minha "descoberta"!

PNB e esperança de vida ao nascer - adenda

Depois de ter começado a "pegar" neste tema, a ele fiquei "agarrado".
Alguns quadros e gráficos que trabalhei, e que me servirão em eventuais futuros desenvolvimentos, desafiam-me a ser mostrados, pela sua eventual imediata utilidade, dado revelarem, de forma gritante, como há correlação entre os níveis de rendimento (sejam medidos de que maneira forem) e as esperanças de vida ao nascer, quer nas estratificações sociais, quer regionalmente.



Já agora, mais um elemento para observação e reflexão. este apenas copiado:


Esperança de vida ao nascer

No mesmo dia em que, no começo da madrugada, a propósito do que estamos a viver no Egipto, escrevia neste "post" «(...) Há, sempre, que olhar para além das nossas apertadas fronteiras, para antes e depois dos nossos tão limitados anos de "esperança de vida ao nascer" (conceito estatístico!)», um artigo publicado no Público - Classes Sociais e Desigualdade na Saúde, um trabalho do sociólogo Ricardo Martins - colocava a questão da esperança de vida ao nascer em termos que ligava esse conceito (operacional) da estatística demográfica às classes sociais, possibilitando "leituras" que alguns blogs da área de pensamento em que me posiciono mais que fundamentadas. De acordo com o estudo, «a classe a que se pertence é que determina a maior ou menor longevidade das pessoas (pelo que) os operários morrem mais cedo»!
Retomando o trabalho sempre em curso, mesmo quando em períodos de repouso, relativo aos indicadores de desenvolvimento humano, do PNUD, acrescento uns dados e considerações com base no último relatório, até porque esse indicador é dos que fazem parte da panóplia que, complementando os indicadores económico-financeiros com indicadores de saúde e de educação sempre, pontualmente com outros, traz outras vertentes que não as económico-financeiras para a avaliação do desenvolvimento humano.
Divididos os países escrutinados em IDH muito elevado, elevado, médio, fraco e menos desenvolvidos, temos:
No mundo, a esperança média de vida ao nascer seria de 69,3 anos, os países com IDH muito elevado teriam uma esperança de vida ao nascer de 80,3 anos, os de IDH elevado teriam 72,6 anos, os de IDH médio teriam 69,3 anos, os de IDH fraco teriam 56,0 anos e os menos desenvolvidos de 57,7 anos, enquanto os seus valores de capitação de rendimento nacional bruto (RNB) seriam, para o mundo, de 10.631 dólares e, respectivamente, de 37.225 dólares, 12.286 dólares, 5.134 dólares, 1.490 dólares e 1393 dólares, para os diferentes estratos e regiões.
É impressionante e dá que pensar!

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

"A crise internacional e as alternativas de esquerda"

(...)













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1. Apresentação do livro «CRISE INTERNACIONAL»
«Segunda-feira, 14 de Fevereiro, das 18 às 20 horas, na Assembleia Nacional, Sala Lamartine, com o patrocínio do Groupe Gauche démocrate et républicain (agrupando PCF, PG, Verts, FASE...), e do Embaixador de Cuba em Paris. O deputado François Ascensi, em nome do Grupo e sua excelência o Embaixador de Cuba intervirão, assim como os autores e futuros responsáveis da edição do livro presentes. Confirmaram, até à data, a sua presença: José Reinaldo, Valter Pomar, Samir Amin, Robert Griffith, Chris Mathlako, Lô Gourmo, Sérgio Ribeiro... Esperamos confirmação de outros intervenientes.»