segunda-feira, abril 20, 2015

Respirando fundo e a tomar balanço

No rescaldo/ressaca de um fim de semana prolongado e esgotante (começou na 5ª, se não foi antes...) procuramos entrar num ritmo... suportável. 
Mas a semana que começou promete! É a vida. É a vida como deve ser vivida, mas também é preciso, é indispensável, ter tempo para para parar e pensar, para ler e pensar, para meter o que nos está a acontecer neste preciso momento em todo o fluir do tempo e integrá-lo no espaço em que vivemos. 
Antes de passar adiante - ávante! -, como trampolim para o que já aí vem, guardo - aqui - dois "documentos" (há outros que terão, talvez, oportunidade de virem "a lume") que ficarão destes dias. E, também, a  que foi a minha "entrada" na iniciativa "João Honrado por ele mesmo", esse vídeo que me emocionou, e que comecei por muito agradecer às autoras (Ana e Maria João) por o terem realizado passando, rápido!..., ao texto que levava escrito para cumprir o tempo do programa. Reproduzo apenas o começo de texto, que é, decerto, a repetição do que vou dizendo de forma adaptada ao que o momento me exige, embora com tema e citação que se vai tornando irremediavelmente repetitiva.

(...) Já lá vão muitos anos, num seminário de homenagem a Amílcar Cabral, um filósofo húngaro, Imre Marton, fez uma intervenção em que usou uma imagem que nunca mais esqueci. Disse ele que há homens com quem convivemos e que, ao morrerem, vêm povoar o nosso cemitério interior, onde eles ficam vivos e connosco convivendo.
Ao longo destas mais de três décadas, de vez em quando essa imagem me tem assaltado e a cito mas, estranhamente (?!...), em vez de se ir apagando com o tempo e o uso, está a ter uma maior frequência… quase constante. Então estes últimos tempos tem sido um exagero. Eu bem selecciono a entrada, mas o facto – que facto é… – é que parece que o tal cemitério interior começa a ter lotação esgotada. Ele foi o José Saramago, que deu nome a esta biblioteca, ele foi o Herberto Goulart, ele foi o Zé Casanova, ele foi, há dois anos e hoje, o João Honrado, para referir apenas os imprescindíveis, segundo Brecht.
Este insistente recurso a citação (e a admissão) resulta, naturalmente, da teimosia de tantos amigos em nos irem deixando, ficando nós com o frágil recurso de os mantermos vivos dentro de nós, mas será, talvez também, o desespero esperançado de que haja quem faça o mesmo quando chegar o nosso tempo de acabar e assim o ter prolongado.
Mas… voltemos ao que a Beja nos trouxe: lembrar o João Honrado que em nós vive, de o lembrar com os outros e aos outros, sobretudo aos que o não conheceram como nós. (...)

Documento 1











Muito obrigado, Baguinho, pelo envio deste tão significativo documento (para mim). tirado na Som da Tinta, quando o Zé Casanova foi apresentar um livro do João Honrado.

 Documento 2















Esta "prenda" que o GATA (o nosso grupo de teatro da Atouguia) me quis oferecer, num arranjo de flores para que a Camélia-Margarida Poeta "arranjou" o papel de jornnal bem adequado! Obrigado a todos!

a vida é feita
de pequeninas coisas
  e, sobretudo, gestos!  

4 comentários:

Justine disse...

Um post muito belo e cheio de emoções, algumas com-vividas, pelo que me sinto feliz!

Isabel Lourenço disse...

Tempos passados e tempos presentes,muito a gradáveis!

Olinda disse...

Lindo e emocionante texto!Linda a imagem sobre os nossos mortos.

Bjo

cid simoes disse...

A ternura de um pequeno gesto.