domingo, março 27, 2016

Para este domingo - Tanto Mar e Fado Tropical

Bom dia, Chico!








Prometido é devido

...não é dívida!

sábado, março 26, 2016

Chico é Brasil


amanhã - porque será domingo...- 
vou pô-lo aqui a cantar!
(há sugestões?)

sexta-feira, março 25, 2016

quinta-feira, março 24, 2016

avante! - Cuba


Capa N.º 2208









 - Edição Nº2208  -  24-3-2016

O que lhes dói…

A visita do presidente dos EUA, Barack Obama, à República de Cuba é um verdadeiro acontecimento histórico. Pelo facto de ser inédito na história de Cuba revolucionária; de representar um passo na alteração da política dos EUA face a Cuba; e de materializar uma importantíssima vitória política e diplomática da Revolução cubana.
Quando redigimos estas linhas ainda a visita de Obama não terminou. Contudo é já possível identificar alguns resultados e pontos positivos. O primeiro é a visita em si. Cuba recebeu Obama como tinha afirmado que o ia fazer: com respeito e com a hospitalidade que caracteriza o seu povo. Mas também com a dignidade e firmeza de quem há meio século resiste às manobras, guerra económica e política e atentados das sucessivas administrações dos EUA. O segundo é o conteúdo concreto dos acordos alcançados, quer no campo das relações económicas e diplomáticas, quer de intercâmbio nas áreas da saúde e educação. Não porque tenham uma dimensão significativa, ou mesmo grande importância económica, mas porque elas próprias furam o bloqueio que os EUA impõem a Cuba e retiram campo à sua extraterritorialidade. O terceiro ponto, e talvez o mais positivo, é que durante três dias as televisões de todo o Globo noticiaram esta visita. E o que o Mundo viu foi um país soberano, independente, firme nas suas convicções, receber com dignidade e respeito o presidente dos EUA e com este dialogar de igual para igual. Um respeito e uma dignidade bem patentes na conferência de imprensa conjunta em que Barack Obama reconheceu os avanços notáveis de Cuba em diversas áreas e afirmou que o destino de Cuba cabe unicamente aos cubanos.
Como seria de esperar os mais retintos anti-cubanos espumaram veneno face aos acontecimentos. Não tanto porque a visita de Obama tenha terminado com o bloqueio que eles tanto defendem, ou que tenha significado uma mudança significativa na política de ingerência dos EUA que lhes paga o «salário». Não… o seu nervosismo tem a ver com uma coisa que lhes dói mais… é que esta visita é um sinal de tolerância, diálogo e respeito mútuo e, acima de tudo, uma vitória de Cuba na luta das ideias. Uma luta que agora continua sob novas e mais exigentes condições.


Ângelo Alves 

quarta-feira, março 23, 2016

Hoje, 22 de Março - páginas de um (quase) diário

(...)

Hoje, foi mais um dia de terror e medo.

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Mas há, de um lado, os seres humanos que são terroristas e, do outro lado, os seres humanos que têm medo; de um lado, os seres humanos que se fazem morrer e, do outro lado, estejam os seres humanos que têm medo de ser mortos?

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É esta a linha que divide nós dos outros; o terror dos outros do medo de nós; o deus (os deuses) de nós, o juíz, do deus (os deuses) dos outros, o réu; os outros carrascos de nós que ardemos em autos de fé.  

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Mas não somos nós os outros e não são os outros o nós?; não é a minha desmesurada abastança de tudo a tua desumana fome de tudo?

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As palavras dizem "vamos unir-nos contra os outros" quando os outros são paridos pelos nossos actos. 

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Atiro perplexidades, que se querem lúcidas, para este diário de horrores E DE ESPERANÇA.

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... porque de luta, e porque gosto de ler coisas como esta, quanto me magoam, me ferem, as razões os motivos que levaram a que fossem escritas:
Tal como a pobreza, a fome, o desemprego, os baixos salários, a criminalidade, a degradação cultural, artística, social e ambiental, também o terrorismo é resultado da acção dos NOSSOS governos.
Se queremos resolver o terrorismo, temos de acabar com a política de direita aqui. Se queremos só fingir que resolvemos para que mais tarde o terrorismo caia mais violento ainda sobre nós, basta agitar as bandeiras do ódio. As mesmas que, pintadas com estrelinhas sobre um fundo azul, com ou sem riscas vermelhas, se fizeram passar por bandeiras da democracia.
Miguel Tiago

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Em todos os aquis. E impedir-nos de deixar criar os corvos que nos arrancarão os olhos.

terça-feira, março 22, 2016

É hoje - como foi ontem, como será amanhã


Curiosamente (ou não...), nos trabalhos em que estou metido tropecei neste texto:

«(...) No caso de Portugal pode mencionar-se como factor positivo o controlo pelo Estado de um importante sector da produção e, como consequência, a sua possível orientação para objectivos políticos. Além disso, existem instrumentos legais para traduzir esses objectivos em programas de acção imperativos. A nacionalização do sector bancário, a reforma agrária e o controlo da gestão podem todos eles ser utilizados como instrumentos para dirigir a economia. O potencial de tais instrumentos está longe de ter sido esgotado, e eles deviam desempenhar um papel importante na execução do plano.
No que respeita à exequibilidade plano proposto, a manutenção do sector existente de empresas públicas - que inclui os bancos - e a inclusão desse sector no plano, são de importância fundamental. . Falando em geral, e sem cair em sistemas de raciocínio dogmático, parece impossível evitar a questão de saber se a economia pode ser planeada em relação às necessidades sem que as condições essenciais mínimas para a socialização da economia sejam satisfeitas. Será portanto necessário discutir essas condições essenciais.»

(Manuela Silva, Secretária de Estado para o Planeamento  - 1976-77 - no 1º governo constitucional.
De intervenção num seminário sobre o planeamento da satisfação das necessidades básicas, na Universidade de Gand-Bélgica, em Setembro de 1977, no lançamento de um livro Employment and basic needs in Portugal, editado pela OIT, e poucos dias antes de se demitir por esse plano não ter sido debatido na AdaR - depois de aprovado pelo governo em 1 de Junho -, preterido por outros debates considerados prioritários, em favor da contra-revolução e a "cavalgada" neo-liberal, como a Lei Barreto para destruir a reforma agrária. Texto incluído no livro referido e na sua edição em português, da Fundação Damião de Góis, em 1985 ) 


domingo, março 20, 2016

Atenção ao Brasil!


O esgotamento e a deriva

Opinião - Eu, hoje, sou Brasil

Transcrevo (corrigida e sublinhada) opinião (enviada e publicada) para médio-tejo.net, jornal digital para que me pediram colaboração semanal que cumpro, irregularmente (...) com muito gosto, e que, a 18 de Março me saiu assim, muito preocupado e atento (preocupação e atenção que não diminuiem, pelo contrário):

“EU, HOJE, SOU BRASIL”, POR SÉRGIO RIBEIRO


Escrevo a 18 de Março. Retomo, assim, uma colaboração que, embora de há pouco tempo, muito me agrada. Porque é uma forma de comunicar, que é o que pretendo fazer quando falo ou ponho os dedos a correrem pelo teclado. Não sei se algum leitor terá dado pela minha ausência… mas eu dei.
Claro que não vou preencher mais espaço dando justificações que a ninguém interessam. Mas aproveito a data de regresso como motivo de crónica. Porque é um dia especial para mim (haverá os que o não sejam?). E não por ser véspera de dia do pai (e, já agora, do avô); nem por ter sido o Bayern a equipa que saiu ao Benfica, facto transcendente que ocupa a quase totalidade da comunicação social que me entra pelos olhos e ouvidos na manhã de hoje. Porque, hoje, sou Brasil.
Acompanho com cuidada atenção, deste cantinho do que será (ainda) Médio-Tejo, a evolução internacional. Por razões idiossincráticas (terá a idiossincrasia razões?) e por alguma herança de tarefas de que estou reformado. Por isso, muito me interessou a relativamente recente emergência dos…emergentes. Dos BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul), a que podem juntar Angola, Venezuela, Cuba, Vietnam, Cabo Verde e outras emergências (por razões diferentes) como Síria, Turquia e por esse mundo fora. Que não pára de pular e de avançar (às vezes para trás).
Mas, hoje, é o Brasil que me convoca. Quando, depois de um difícil caminho para vencer os traumas de uma ditadura (ou várias), os brasileiros elegeram um ex-metalúrgico e sindicalista para Presidente da República era evidente que ele não seria o presidente de todos os (interesses) brasileiros. Num País enorme e potencialmente muito forte economicamente, desde logo se viu que a comunicação social, dominada pelo poder económico e financeiro, era um contra-poder político. No equilíbrio dessa correlação de forças se vive há quase década e meia.
Como “declaração de interesses pessoais”, ainda que apenas como observador, não nego que nunca me senti incondicionalmente atraído pelo PT (como, aliás, por nenhuma força política… nem por ninguém) mas via com simpatia e esperança a importância que o Brasil foi concretizando no quadro dos referidos emergentes e, sobretudo, anotava a saída de zonas de pobreza (e pior) de milhões e milhões de brasileiros. Em cada ano destes anos. Entretanto, a tal correlação de forças existia e provocavam-se atritos e desequilíbrios. Dentro e fora, com campanhas claras ou subterrâneas, aproveitando erros de uns e umas, más fortunas, talvez amores ardentes. Era uma das muitas frentes, ou elos de cadeias, como a financeirização, as dívidas, o preço do petróleo e outras incandescências.
Hoje, no Brasil, em apeadeiro de uma caminhada com antecedentes subterrâneos e manipulações escandalosas, jogam-se coisas bem mais importantes que os próximos Benfica-Bayern. Com o povo nas ruas. Com manifestações “boas”, ditas espontâneas, com manifestações “más”, porque de apoio ao que se pretende derrubar.
Com um papel fulcral da comunicação social – manipulada! – a ser manipuladora. Comprovando que, para o bem e para o mal, cada vez mais o futuro das massas depende das massas.

Indispensável e urgente


Mais e outra informação - 2



nota para a comunicação social

do PCP:

Face aos recentes acontecimentos no Brasil


Face aos recentes acontecimentos no Brasil












Face a solicitações de diversos órgãos de comunicação social relativamente aos recentes acontecimentos no Brasil, o PCP sublinha que:

Os recentes desenvolvimentos no Brasil não podem ser desligados do aprofundamento da crise do capitalismo que marca a situação internacional e que tem actualmente profundas consequências nos chamados países emergentes.

Tentando tirar partido de reais problemas e de profundas contradições na sociedade brasileira, os seus sectores mais retrógrados e anti-democráticos promovem uma intensa operação de desestabilização e de cariz golpista procurando alcançar o que não conseguiram nas últimas eleições presidenciais – a acção montada contra Lula da Silva insere-se neste processo mais geral de desestabilização.

O que sobressai nos recentes acontecimentos no Brasil não é a tentativa de combater a corrupção e um sistema político e eleitoral que a favorece, mas antes uma acção protagonizada pelos sectores mais retrógrados – eles próprios mergulhados em décadas de corrupção –, visando, por via da instrumentalização do poder judicial e da acção de órgãos de comunicação social, a criação das condições para a reversão dos avanços nas condições de vida do povo brasileiro alcançados nos últimos 13 anos.

Uma acção de desestabilização indissociável do conjunto de manobras de ingerência promovidas pelos Estados Unidos visando os processos progressistas e de afirmação soberana na América Latina.

O PCP é solidário com as forças progressistas brasileiras, com os trabalhadores e o povo brasileiro e a sua luta em defesa dos seus direitos, da democracia, da justiça e progresso social.

Mais e outra informação

de O Vermelho

19 de março de 2016 

Com escalada da intolerância, sedes do PCdoB e do PT são atacadas

Em mais um reflexo da campanha de ódio e intolerância fermentada pela oposição e pela mídia, a sede do PCdoB de Mato Grosso do Sul foi atacada na noite desta sexta-feira (18). De acordo com o presidente estadual do partido, Mario Cesar Fonseca da Silva, houve a tentativa de queimar a placa que fica em frente ao prédio, o que poderia ter resulado em um incêndio de maior proporção.



  
Em nota, ele condenou o vandalismo, que acontece um dia após as manifestações anti-golpistas em todo o Brasil, e disse que não responderá ao ataque com ódio e que tomará as medidas legais para que os responsáveis sejam identificados e punidos.

“Não nos abateremos com provocações e atentados fascistas. Isso só nos dá mais combustível para seguir na luta contra o golpe, pela democracia”, afirmou.

O dirigente destacou que a onda de agressões, que mobiliza setores da sociedade brasileira, é fomentada pela mídia (principalmente a Globo), grande parte do Judiciário, do MP e da PF, bem como pela oposição partidária conservadora.



Escalada das agressões

Nos últimos meses, com o estímulo desses setores, o país tem vivido uma escala da intolerância, que tem resultado em agressões e vandalismo em todo o Brasil. As sedes do PCdoB em Sergipe e em São Paulo e a sede da UNE já haviam sido alvo de ataques.

Na manhã deste sábado (19), o PT em Belo Horizonte denunciou que seu prédio também foi invadido. A porta foi quebrada e houve depredação, no terceiro ataque em menos de um mês. Os prédios do PT em Goiânia e São José dos Campos e Ribeirão Preto tinham sido atacdos na madrugada da quinta pata a sexta.



Em Goiânia, a fachada do prédio do amanheceu incendiada. Nas cidades do interior paulista, os vândalos colocaram bombas no telhado e na garagem, fizeram pixações e arrombaram um portão.

Confira abaixo a nota do presdiente do PCdoB de Mato Grosso do Sul.

CAMARADAS, ATACARAM A SEDE DO PCdoB DE MATO GROSSO DO SUL!

Na última noite, a sede do PCdoB de Mato Grosso do Sul foi atacada. Tentaram incendiar a placa que fica na frente, com o foco de fogo muito próximo do madeiramento do beiral, causando sério risco de incêndio.

Isso é parte da onda de ódio e intolerância que mobiliza setores da sociedade brasileira, fomentada pela mídia (principalmente a Globo), grande parte do Judiciário, do MP e da PF, bem como pela oposição partidária conservadora.

Não responderemos com ódio, não deixaremos de defender soluções pacíficas e democráticas para os conflitos existentes na sociedade. Mas não nos intimidaremos. Somos o Partido da Coragem, aquele que lutou no Araguaia e que jamais abrirá mão de defender a democracia, a soberania nacional, os direitos dos trabalhadores e o socialismo.

Tomaremos todas as medidas possíveis para que, dentro da lei, os autores sejam identificados e punidos. Não nos abateremos com provocações e atentados fascistas. Isso só nos dá mais combustível para seguir na luta contra o golpe, pela democracia.

Viva o Partido Comunista do Brasil!

Viva a luta do povo!

#NãoVaiTerGolpe
#DemocraciaSempre

Mario Cesar Fonseca da Silva, presidente do PCdoB


sábado, março 19, 2016

Concurso INFORMAÇÃO MANIPULADA MANIPULADORA

Mais que um concurso, é um festival! Que tem décadas de contínuas candidaturas.
Perante uma verdadeira avalanche (à dimensão, importância e especificidade País-alvo), o "júri", confessando a dificuldade, decidiu

GRANDE PRÉMIO

1ª página do i 


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MENSÃO desHONROSA
por tão HABILIDOSA

editores do EXPRESSO diário

A FERVER Os brasileiros voltaram hoje a descer às ruas. Na Avenida Paulista, em São Paulo, voltaram a ouvir-se palavras de ordem contra Lula da Silva e exigindo a demissão de Dilma Rousseff. Mas também há quem defenda o antigo Presidente. Afinal, o que é que faz de Lula um homem tão amado e odiado ao mesmo tempo?
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Justificação da mensão;
A "notícia"/chamada poderia ter sido dada assim:

A FERVER Os brasileiros voltaram hoje a descer às ruas. Em todo o Brasil houve manifestações a favor de Dilma e de Lula. Também se voltaram a ouvir, na Avenida Paulista  palavras de ordem contra Lula da Silva e exigindo a demissão da Presidente Dilma Rousseff. Afinal, o que é que faz de Lula um homem tão amado e odiado ao mesmo tempo?



faz a sua diferença!!!

sexta-feira, março 18, 2016

Um depoimento...


... que muito respeito, sobretudo depois de ter lido a entrevista que Mujica deu recentemente na revista do Expresso, que, muito naturalmente..., estará esquecida do naipe de comentadores das "curtas" e dos "diários", mas deveria servir de referência ética, se acaso as quisessem ter!



17 de março de 2016 - 18h01 

“A mim parece muito bom ter Lula no governo”, diz Pepe Mujica


O ex-presidente do Uruguai, José “Pepe Mujica”, esteve em Foz do Iguaçu, no interior do Paraná, nesta segunda-feira (14), para ministrar uma aula magna aos estudantes de Ciências Políticas da Universidade Federal de Integração Latino-Americana (Unila). Na ocasião ele concedeu uma entrevista ao jornalista Darío Pignotti, do periódico argentino Página/12, onde fala sobre a crise política do Brasil e a importância de Lula na América Latina. 


Reprodução
"Sou amigo do Lula de toda a vida e sempre seguirei sendo amigo dele""Sou amigo do Lula de toda a vida e sempre seguirei sendo amigo dele"
Com muita calma antes de responder cada uma das perguntas, Mujica começou justificando os motivos pelos quais falaria sobre o assunto. “Me meto por mais que digam que não há que me meter, o que passa aqui reflete em toda a região, para mim não é igual se Lula vai bem ou vai mal, esperamos que as coisas andem com seu novo trabalho de ministro”, disse.

A entrevista foi feita antes do anúncio de Lula como ministro da Casa Civil, porém, será reproduzida na íntegra:

Darío Pignotti – Lula pode dar um novo impulso ao governo?

José Pepe Mujica – A mim parece, humildemente, que será muito bom ter Lula no governo. Vamos ver como vai ser, vão tentar de tudo para tirá-lo, e ele sabe disse melhor que ninguém. Me parece que Lula vai assumir o gabinete com outra linha econômica que não é esta de agora de Dilma Rousseff, eu sei que na cabeça dele ele pensa que há como colocar em marcha um brutal plano de crédito para os mais submergidos e para a classe média baixa. 

DP – A Direita busca obstruir a gestão de Lula
Mas ele é um líder com muita capacidade, é um homem curtido com coragem para enfrentar estes momentos difíceis, tenho esperança de que seja possível levar isso adiante, mas tem que dançar com a mais feia, as coisas não andam bem para ninguém. Espero que tenha alento para os grandes desafios que enfrentará, há muita gente que perdeu o emprego. Há que gerar trabalho, fazer mover a economia, Lula vai ter que lutar com uma direita que está querendo destruir o país fomentando uma crise irracional. Me disseram que há juízes que buscam o estrelato atacando Lula e as empresas, isso é uma barbaridade, não podem matar uma coisa coletiva, uma empresa é um esforço coletivo que aporta trabalho. se querem fazer justiça mandem presos os donos, se querem em calabouços de luxo e ali sigam dirigindo as empresas, que sigam produzindo. Que aprendam com o caso da Wolksvagen, que deu de ombros, pagaram uma multa pesada, mas seguiram trabalhando. Aqui é diferente, há juízes que querem matar a galinha dos ovos de ouro. 
DP – Há juizes que parecem obcecados em capturar Lula. 
Dá a impressão que há uma espécie de exposição pública jurídica no Brasil, isso também está acontecendo em outros países da nossa região, há gente na justiça que cria denúncias muito vistosas para estourar nos meios e fazer seu negócio. Me disseram que querem encontrar algo contra Lula a força, me disseram que quando o interrogaram lhe perguntaram até sobre umas garrafas de vinho que tinha em sua casa, isso é bastante estranho. Se querem investigar que investiguem tudo, o que digo é que sou amigo do Lula de toda a vida e sempre seguirei sendo amigo dele... E se alguém o mandar preso eu vou visita-lo, já visitei vários amigos presos. 
DP – Querem evitar sua candidatura em 2018?
Eu creio que há interesses muito pesados em jogo nisso tudo que está acontecendo com Lula, eu não poderia dizer se é este ou aquele grupo que está jogando, mas digo que há gente que está interessada em tirar Lula da carreira política, da carreira para as eleições. 
DP – Entre esses interesses estão os dos Estados Unidos?

Se o Brasil é grande e complexo, o que podemos dizer dos Estados Unidos que é muito maior que o Brasil. Não podemos falar de um Estados Unidos porque há muitos. É possível sim que existam grupos dos Estados Unidos dando uma mão aos que estão contra Lula e contra a legalidade democrática. Não tenho dúvidas de que há gente nos Estados Unidos que está incomodada com o Brasil, que sente que o Brasil em alguns assuntos lhe pisou os calos. Eles não veem com bons olhos que o Brasil tenha feito o porto de Mariel em Cuba. Não digo que esta seja a política oficial dos Estados Unidos, dar um garrote no Brasil, veja que em alguns aspectos, Obama é um presidente que está muito limitado. Mas no fim e ao cabo o que o Brasil fez por Cuba algum dia o mundo vai agradecer, ainda que muitos tontos não entendam o quanto foi importante. 


A José Mujica lhe preocupa a ameaça de golpe institucional sobre o que fala em vários momentos da entrevista, quando lhe perguntamos se “sente o cheiro de golpe”, leva a mão à cabeça, ajeitando o cabelo branco, olha para sua companheira, a senadora Lucía Topolansky. Faz outra pausa e finalmente responde perguntando: “golpe no Brasil? Vou contar uma anedota, uma coisa característica de meu país. Nos bairros populares, onde vivem os pobres, a gente diz ‘eu não creio nas bruxas, mas que elas existem, existem’. Isso é o que eu diria sobre um golpe no Brasil. Entende?”.

DP – Estamos diante de um golpe branco iminente?
Isso não vou responder porque não tenho bola de cristal. Oque sei é que se há um problema no Brasil isto contagia toda a região, por isso é que me meto e falo do que se passa aqui. É necessário dar uma mão ao Brasil desde fora, os países irmãos temos que rodeá-lo para que não caia a legalidade democrática. E de tudo isso há que tirar lições, há que aprender, não temos que ser tão ingênuos. 

DP - É otimista ou pessimista?

Lutar há que lutar sempre, não há nenhuma vitória definitiva e não há nenhuma derrota definitiva. Agora bem, vejo tudo isso com amargura e com um pouco de pessimismo. O Brasil tem uma gigantesca população jovem, são milhares e milhares de jovens de menos de 25 anos... a gente jovem não tem obrigação de saber as amarguras que viveu este país durante a ditadura... Na ditadura os policias te pegam à noite e te enchem de pontapés e ninguém sabe de você, porque quando há ditadura a imprensa não escreve essas coisas. Não há liberdade de imprensa quando derrubam os governos democráticos, é isso que os jovens brasileiros tem que meter na cabeça nestes dias estranhos que estão vivendo aqui com algumas mentes confusas... que pensam que se pode terminar com a legalidade e não vai acontecer nada. Seria bom que o Brasil não cometesse o mesmo erro que se cometeu na América Latina nos anos dos policiais, nossas direitas têm que deixar de ser tão colonizadas. 


DP - Pode falar mais sobre isso?


Falo do Brasil, como posso falar de outros países nossos, digo que há uma direita colonizada que está pensando em como tirar Lula, uma direita que sempre olhou primeiro para fora antes de olhar para dentro... é uma direita que tem comportamentos fantasiosos. Veja uma coisa, a primeira universidade brasileira foi em São Paulo, que foi fundada nos anos 1920, 1930, mais ou menos. Por que isso aconteceu tão tarde? Porque os filhos da oligarquia eram mandados para estudar na Europa e não lhes interessava que os filhos do povo estudassem. 


Você se surpreende com a multidão que se mobilizou contra o governo?


A mim, mais do que os que saíram a protestar, me interessa os que ficaram em suas casas, que são muitos mais. Há que ver o que se passa com os que não vão porque eles são a maioria do povo. E a verdade é que os que pagam o pato da crise não são os que vão gritar contra Dilma e contra Lula, é o povo pobre. Há que trabalhar por este povo. Há que pensar nesse povo que é a maioria dos 200 milhões de brasileiros. A direita quer causar uma fratura no país como o Brasil que é o maior exemplo de miscigenação que há na face da terra... é um monumento de mistura de raças distintas, não há que alimentar o ódio contra os mestiços e os negros, que não os mais pobres. 

DP – Geralmente a esquerda era mais forte na rua que a direita, mas isso se inverteu no Brasil. 


A direita perdeu toda a racionalidade. Não querem entender que comendo um pouco menos, igual seguem comendo muito, não gostam de Lula e do PT porque rechaça a necessidade que há de repartir ainda que seja pouco. Estão cegos, estão raivosos, quando a direita se descontrola se torna fascista, e com essa pressa por voltar ao governo não deixam saídas ao país. Desde a humildade de minha voz, digo à direita brasileira que seja um pouco mais inteligente, que seja menos apaixonada contra Lula.
 
Fonte: Página/12
Tradução: Mariana Serafini

Brasil, Hoje


Dia 18, todo mundo na rua pela democracia


INFORME-SE
Não se deixe manipular!


terça-feira, março 15, 2016

AMÉM!

Este escolhido descendente 

(ou eleito pelos senhores) 

é o monarca perfeito, 

este eleito por nós 

(ou escolhido pelos deuses) 

é o perfeito presidente da república; 

é

 – enquanto for! – 

o vértice do povo 

- enquanto basbaque e idólatra :


·        mais papista que o papa se adivinha, no povo em que nasceu, a adoração santa, católica, apostólica e romana;

·        mais islamita que o islão se lhe palpita, entre as gentes de que se alcandorou a sorte régia ou presidencial, a predominância da metafísica em versão de alcorão;
·        capaz de evidenciar –  com espectacular simplicidade, com humildade arrogante – o grau zero de intransigência, a escala infinita de tolerância;
·        procurando afecto baixando-se (para beijos e abraços, com lágrimas e risos)
·        buscando glória nas alturas (em deuses, anjos, alás, profetas… e o mais que houvera).


Assim será. O vértice até ao vórtice.

Amém! 

quinta-feira, março 10, 2016

Ainda a 9 de Março,,,

transcrição de
Exposição (pessoal) em intenção de “aula”
na “cadeira” de cidadania na Universidade Sénior de Ourém

Caros concidadãos

Hoje é empossado, segundo algumas “contas”, o 20º Presidente da República Portuguesa. Digo certas “contas” porque não conta (mas depois contou...) o 1º, Teófilo Braga, porque foi provisório, nem Salazar, que era, definitivamente, Presidente do Conselho e só fez um biscate entre Carmona e Craveiro, nem a Junta de Salvação Nacional que, entre outras coisas, nos salvou do Tomás neste lugar in nomine.
Não vos vou massacrar com biografias oficiais e factos políticos gerais mas fazer-vos aproveitar da circunstância de ser eu o orador e das circunstâncias microscópicas mas insubstituíveis que vivi, ou por causa deles, ou com eles. Que este relato superficial e epidérmico sirva para esta nossa hora de convívio.
Esses primeiros (da 1ªRepública e até ao golpe de 28 de Maio de 1926…) – Manuel Arriaga, Teófilo Braga, Bernardino Machado, Sidónio Pais, Canto e Castro, António José de Almeida, Manuel Teixeira Gomes, Mendes Cabeçadas, Jor. – não os conheci. No entanto, a partir aí dos meus 18/20 anos passei a visitá-los no dia 5 de Outubro, no Alto de S. João, dia anual de apanhar com a GNR em cima, com bastões, às vezes cavalos e tudo.
Veio a seguir Gomes da Costa, depois de ter descido de Braga, e nas suas voltas nunca passou pelo Zambujal nem eu já cá estaria. Quando nasci era nosso (salvo seja…) Presidente da República um aparentemente simpático velhote, o marechal (acabam todos em marechais…) Óscar Carmona. Ora o Óscar passou a contar pouco, como os malmequeres que só têm pétalas de pouco ou nada. 
Quando chegou a sua hora morreu e foi substituído (vejam lá…) interinamente por Salazar enquanto se encontrava a solução Craveiro Lopes, embora tivesse havido uma gente valente que tentou perturbar essa sucessão de sucessos com a candidatura de Norton de Matos e de Quintão Meireles (e aí já entro eu, com os meus 15 anitos). 
O mandato de Craveiro não foi sem espinhos, e picou-se com Salazar, houve uns desaguisados e não teve direito a segundo mandato. Para este foi descoberto um marinheiro, com um h e um z no apelido Tomás (Thomaz) e de nome Américo. Este, começou por ter a oposição de Arlindo Vicente e depois de um opositor que ficou na História dos presidentes (embora sem numeração), o general Humberto Delgado, que se vieram a juntar e pelos depois quem fiz campanha cidadã, tinha eu 22 anos, com muitas limitações e alguma discrição. O que me permitiu que votasse no general sem medo, pois só em 1963 é que me foram retirados os direitos políticos... e outras coisas como uns tempos de liberdade de não estar preso atrás de grades e maus tratos,
Esse admirável almirante fez história… Uma antologia de ditos e frases e discursos e a assinatura do célebre despacho 100, que foi, segundo teve o cuidado de lembrar, o que veio a seguir ao despacho 99 e antes do despacho 101, e que, várias vezes falou pela primeira vez nos lugares onde ia pela primeira vez..…
Mas… adiante. Que estamos a chegar aos presidentes que tenho, ou tive, o privilégio de conhecer enquanto o almirante navegava para o Brasil com escala no Funchal.
Logo, para começar, o general – depois marechal, claro – Spínola. Esclareça-se que, a este, o conheci em circunstâncias curiosas que, ao que parece, não se quer que se conheçam. Conheci-o, e ao monóculo, desfardados e empresários.
Bem antes de ser presidente da República em herança da presidência da Junta de Salvação Nacional, como cavalheiro da indústria siderúrgica, sócio de António Campalimaud, para o que suspendera a sua vocação de cavaleiro militar e fero. A cuja vocação voltou, por causa – ao que constou – de uns arrufos ou amuos com o sócio principal e, também, para cumprir o seu papel histórico em guerras coloniais; as quais, ao ver que não as ganhava – o que lhe fazia pressupor que ninguém o conseguiria... – o levaram a escrever um livro: Portugal e o Futuro. Que não o viria propriamente a ser como ele propunha e pugnou de várias maneiras algumas bem condenáveis embora condecoradas.
Quando começou a guerrilheirar para impor esse “futuro”, foi substituído por Costa Gomes, que tinha sido seu Chefe do Estado Maior e o empurrara para essas altas cavalarias. Ora, Francisco Costa Gomes, como Presidente da República, teve papel muito estimável na procura de estabilidade e de consensos para se avançar com a democracia, e terá contribuído para evitar coisas muito sérias, para as quais, a alguns, saltava o pé e a espingarda. Tenho prazer em dizer que, este, conheci. Petiscou no quintal das traseiras da minha casa em Lisboa, fiz viagens a acompanhá-lo a reuniões do CPPC e Conselho Mundial da Paz, pois acabou nos “generais pela Paz”, ele que era – também, claro – marechal. Chamaram-lhe muita coita feia, como Xico Cortiça, o que foi uma intencional injustiça.
Depois, vieram os dois mandatos de Ramalho Eanes. Dois mandatos diferentes… mas não estou aqui, agora, para esse tipo de comentários. Na minha memória pessoal revivida, dois registos:
  • ·         uma interferência/”cunha” junto do chefe da Casa Civil, meu colega de curso, para que viesse a Ourém inaugurar a estátua de D. Nuno Álvares Pereira, o que ele não queria fazer por calhar em tempo de eleições mas eu, teria negado, como membro mais que minoritário (único) de uma Assembleia Municipal unânime (veio mas nem o cumprimentei… porque fujo sempre das 1ªs.filas e dos bicos dos pés;
  • ·         ter-lhe enviado, por sugestão e por intermédio do seu assessor de imprensa Joaquim Letria, o meu livro Porque vivi e quero contar… e dele recebi uma carta de agradecimento com comentários só possíveis vindos de quem teria lido o livro e gostado de o ler.

Depois foi Mário Soares mas, para este, a crónica seria demasiado extensa. Apenas o primeiro e o último contacto:
  • ·         numa conferência de imprensa, em Bruxelas, antes do 25 de Abril, pu-lo deveras irritado com uma pergunta que lhe fiz, e mais ainda quando me identifiquei como jornalista da redacção do Notícias da Amadora:
  • ·         no avião da primeira ida ao Parlamento Europeu após as eleições de 1999, que seria a minha última (por não ter sido eleito) e a 1ª dele (por ter sido eleito… lugar aos novos!), quis convencer-me da justeza da sua candidatura a presidente do PE, e eu tentei provar-lhe que seria um erro um rematado fracasso tal intento, e que traria prejuízos para a participação de portugueses na direcção do PE, o que não consegui... mas que breve se confirmou

Ao seguinte, Jorge Sampaio, conheci-o na “crise académica de 1962" (eu já como ex-associativo académico), e encontrámo-nos frequentemente, em particular entre 1969 e 1974 na CDE, e… sempre nos tratámos por tu.
Cavaco Silva é “outra loiça” (e sempre com o caldo entornado…). Duas notas quase de humor (o homem ri-se?)
  • ·         assinei o seu  cartão de atleta, sendo eu presidente da direcção do CDUL, o que fixei por ter achado curioso ter um jovem estudante da escola em que me formara a correr barreiras no Estádio Universitário;
  • ·         apertei-lhe uma vez a mão, no 25 de Abril de 1990, ele 1º ministro sem cravo e eu de cravo impante na lapela (e não quero mais conversas…)

  

Para hoje – e para acabar – lembro que muito novinhos – teria ele vinte e poucos e eu trinta e alguns – participei com Marcelo Rebelo de Sousa num debate na sacristia de uma igreja em Campo de Ourique, andava ele nas suas tropelias aparentemente heterodoxas, no fundo para facilitar a vida ao/s) padrinho.(s) E por aí ficaram os nossos encontros. 
Que o façamos cumprir a Constituição, como jurou, cumprindo o seu (en)cargo.

terça-feira, março 08, 2016

domingo, março 06, 2016

Aniversariando

95 ANOS
AO ENCONTRO DO ENCONTRO

para que eu pudesse fazer o meu caminho pelo
caminho comum e partilhar o tempo
a invenção, o desejo, o trabalho e a luta por
uma terra sem amos

para que nas histórias lidas desde a infância
eu aprendesse a descobrir os meus
a articular aquelas palavras
sobre as quais o confronto ainda não terminou
e assim nos movem

para que eu pudesse sentir-me esperado sobre
esta terra tão dilacerantemente bela
e tão insuportavelmente devastada

para que tendo aprendido a falar eu tivesse
podido encontrar os outros na minha língua

para que eu pudesse olhar, estender as mãos
e encontrar o corpo do mundo
como a minha tarefa comum

para que eu viesse e pudesse chegar a esta reunião contínua
esta assembleia de homens
explorados e livres, oprimidos e
livres

foi necessário que a convocatória chegasse até mim
foi necessário que eles continuassem reunidos e me esperassem
foi necessário que tu tivesses vindo e chegado antes
que te tivessem acolhido e te tivessem transformado o nome próprio
em nome comum

Manuel Gusmão

(Via Maria Gusmão e Teresa Carvalho no Facebook)

Obrigado,
Manuel Gusmão,
Fernando Campos.
Cid Simões
(e Maria e Teresa)!
Parabéns.
camaradas
(os que o são e sabem
e os que o não sabem mas são)!