terça-feira, julho 01, 2008

Materialismo histórico - 9 (divisão "natural" do trabalho)

Dividindo o e cooperando no trabalho, assim começou a História (ou a pré-história) no materialismo histórico.
Os seres humanos teriam começado a dividir o e a cooperar no trabalho entre si… e entre si começaram por partilhar tudo. Entre o homem e a mulher.
Da necessidade sexual e de procriação à necessidade do amor houve (e há!) um longuíssimo caminho percorrido (e a percorrer). De milénios de milénios.
Seria de ler ou reler o A origem da família, da propriedade privada e do Estado, de Engels (e não se perdia nada!...) mas, para aqui, apenas se devem deixar algumas referências, ou pistas, que pareçam oportunas.
Entre as necessidades "naturais" do ser humano a de ter um abrigo, o que hoje se chama “um tecto” (ou um T2 ou T3), foi das mais naturalmente prementes dadas as intempéries e os outros animais, a somar-se à necessidade do outro/a, e não se daria um salto incomensurável e incompreensível se se dissesse… a necessidade de “constituir família”.
Naturalmente – e insiste-se nesta expressão –, os seres humanos começaram a dividir a actividade racional de de se servir da e transformar a natureza. Ficando o elemento feminino da “família”, estivesse esta organizada como estivesse, com tarefas mais sedentárias, mais perto do “lar-caverna” e da prole (e dessas raízes de divisão “natural” do trabalho ainda hoje tanto se ressente, enquanto vítima de discriminação desde há muito só social), enquanto o elemento masculino partia para tarefas mais nómadas, de caça e pesca, mais arriscadas dados os imensos perigos, de todo o tipo, para quem se afastasse… da “soleira da casa”.
Por isso mesmo, por essa circunstância que caracterizou a organização social primitiva, esta teria sido do tipo matriarcal, assente no elemento feminino, estável e garante de continuidade, e até dos primeiros aproveitamentos da terra e não só da “recolha” de raízes e frutos que o chão e as árvores davam.

sábado, junho 28, 2008

Que nome chamar?

Que nome chamar a quem (ou ao que), no dia último da semana em que o sr. João Proença da UGT apôs a sua impressão digital no Código Laboral, e em que a CGTP e quem está com a classe - isto é, os operários e os outros trabalhadores - manifestam o seu repúdio por tal atentado, arranja iniciativas de diversão e aparentemente muito interessantes e muito progressistas?

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(desenho de Baláck)

Ao mando dos sinais, até a sombra vira à direita!

sexta-feira, junho 27, 2008

Eles andam por aí... à solta e bolsando

Tinha resolvido dar-me uma folga. Não ler o Expresso durante umas semanas "de nojo". Isto sobretudo por causa de uns senhores que por lá publicam as suas opiniões, sobretudo um Raposo que dá pelo nome de Henrique. É que este fulano terá atingido o "direito" (para ele, decerto, a honra...) de representar uma ninhada que pulula e uiva por essas e outras páginas. Fazem alarde de leituras actualizadíssimas, coisas que só eles terão lido - se publicadas foram... -, têm um originalíssimo senso de humor, amassado em sobranceria, distância (estão lá pelas olímpicas alturas), desprezo pelos pobres mortais, ódio ostensivo ao que caricaturam como sendo esquerda, máxime aos comunistas. Trabalhadores, povo, massas, manifestações? Escumalha, apitos e gaitinhas.
No entanto, apesar da resolução que tomara (por uns tempos porque há que não os perder de vista...), acabei por tropeçar no textozinho do tal sr. Henrique Raposo, por a ele me ter trazido a notícia da morte de Tchinguiz Aitmantov, que fui logo ler e de que deixo nota no som-da-tinta.blogspot. com.
E não fujo ao aviso: está ali um requintado fascista!

Materialismo Histórico - 8 (trabalho social)

Dividindo o e cooperando no trabalho(*).
Se cabe aos seres humanos o papel essencial na formação das forças produtivas, pois são eles que criam os meios de produção para prolongar o seu corpo, esse processo de criação e de evolução das forças produtivas não se faz isoladamente.
Não é um homem ou uma mulher, isolados, que o inicia e o continua, em qualquer momento histórico. O trabalho começa pela partilha de experiências, de conhecimentos adquiridos e, depois transmitidos. No espaço e no tempo. No processo de trabalho, essencial para o processo de produção, os seres humanos entram – naturalmente! – em comunicação uns com os outros. O trabalho tem uma natureza social, pelo que, sendo o trabalho social, a produção também é social, e cada vez mais! Porque combina trabalho social cristalizado, acumulado em milénios, com trabalho social vivo.
A ficção de Robinson Crusoé… é ficção literária. E mesmo assim, o “homem só” ficcionado por Daniel Defoe teria vivido 30 anos numa ilha deserta e nela construiu uma casa, trabalhou a terra, criou gado e fez artesanato mas utilizou, para isso, instrumentos de trabalho que encontrou no navio naufragado e dispôs de grãos e sementes, que já tinham sido trabalho de outros, além de ter conhecimentos (ou competências) que qualificavam a sua força de trabalho. Para não falar do seu relacionamento com a cabrinha e o papagaio e, evidentemente, de que o autor não foi capaz de prescindir de lhe arranjar um Sexta-feira que, tenham-se os preconceitos racistas (e outros...) que se tiverem, foi um companheiro com quem Robinson dividiu trabalho e com quem cooperou no aproveitamento dos recursos da natureza para satisfazer as suas (e as dele, Sexta-feira) necessidades.
Passando da ficção verosímil para o materialismo histórico, os seres humanos começaram a dividir o e a cooperar no trabalho entre si… e entre si começou, por ter sido a partir do que os distinguia naturalmente, biologicamente: o homem e a mulher.
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(*) – foto de Sebastião Salgado

quinta-feira, junho 26, 2008

Isto está mesmo mal parado...

Um recorte é da Rádio Renascença de há perto de um ano, o outro é desta semana e da RTP. Vejam só!
(e esta continua:)
O Banco de Portugal revela (…) que também o montante dos empréstimos concedidos pelas instituições financeiras a particulares voltou a bater o recorde fixando-se nos 130,833 mil milhões de euros. Este valor representa um acréscimo de 10,22% em relação a igual período do ano transacto.
Face ao mês anterior, o crédito malparado aumentou em 41 milhões de euros ou 1,65%. O total do crédito de cobrança duvidosa não chega a atingir os 2 por cento do valor total do crédito concedido, valor que é considerado pelas próprias instituições financeiras como confortável, apesar de constituir um aumento significativo (…). O peso do crédito de cobrança duvidosa no total passou dos 1,12% registados em Março para os 1,92%.
A crise económica e o aumento do preço dos bens essenciais são justificações possíveis para o crescimento do endividamento dos portugueses.
As famílias recorrem cada vez mais ao crédito, sendo que aumenta o número daquelas que não têm rendimentos suficientes para assumirem na íntegra as dívidas.
(Eduardo Caetano, RTP - 2008-06-24 15:40:33)

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Acrescente-se que o número de pedidos de ajuda de famílias, por esta situação, até Maio de 2008 já ultrapassou o de todo o ano de 2006! É tema a que se terá de voltar muitas vezes...

quarta-feira, junho 25, 2008

Não resisto...

... a transcrever este "post" do samuel-cantigueiro ...

"Governação de contrabando
Perante esta imagem pode-se perguntar "o que é que Vieira da Silva (Ministro do Trabalho, Solidariedade e tal...), o símbolo da UGT e João Proença o seu principal dirigente (?) fazem juntos?"
A resposta é: Tudo!
Isto a propósito da "notícia" de que o Governo recua no despedimento por inadequação à função, o que poderá abrir a porta ao SIM da UGT ao novo Código do Trabalho.
O meu lado "mal disposto" diz-me que isto é apenas mais uma encenação, perfeitamente cozinhada com a UGT, em que cinicamente se faz de conta que se cede num ponto "muito importante" para na realidade fazer passar tudo o que o patronato e o PS realmente pretendem.
O meu lado dado à galhofa diz-me que esta coisa do "despedimento por inadequação à função" deixou os membros do governo aterrorizados e a temer pelos empregos...
Na realidade, o que isto me lembra é o velho truque dos contrabandistas, que deixam apreender uma carripana conduzida por dois desgraçados quaisquer, com quatro ou cinco artigos, para deixar brilhar os guardas, incluindo aqueles com quem combinaram o "negócio" da apreensão, enquanto à mesma hora "ali mesmo ao lado" passa a fronteira a verdadeira carga, em camiões TIR."
...
como a melhor forma de lembrar as manifestações, por todo o País, no dia 28 de Junho, sábado!

28 de Junho de 2008

28 de Junho de 2008
em todo o País
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terça-feira, junho 24, 2008

Materialismo Histórico - 7 (Base económica)

O materialismo histórico, no seu enunciado - e não se está mais do que a enunciar, e a convidar à reflexão conjunta -, tem a sua base. E a sua base é a base económica. Não no sentido, quase se diria pejorativo, que hoje merece o vocábulo economia e seus derivados, meros sucedâneos de finanças e moeda (ou dinheiro), mas no sentido de estudo da actividade racional do ser humano para, com os recursos naturais e com os que vai adquirindo ou socializando, satisfazer as suas necessidades, em que às naturais, biológicas, se vão somando as culturais, socializadas.
Já neste espaço e percurso houve quem, em comentário pertinente, tivesse vindo lembrar (até com a "ajuda" de Fidel Castro, e este "apoiado" directamente em Marx) que "na produção social da sua vida, os homens estabelecem determinadas relações necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção que correspondem a uma fase determinada do desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, ao contrário, o seu ser social que determina a sua consciência".
Ora a base económica é precisamente a relação primeira entre o ser humano e a natureza (de que faz parte), relação que, pelo trabalho, se racionaliza e socializa, e de onde decorrem as relações de produção correspondentes ao estádio (histórico) do desenvolvimento das forças produtivas materiais, que são os recursos existentes e os transformados pelo recurso primeiro - porque o acesso e aproveitamento dos recursos começa pela mão e pelo que "está à mão" - que é a força de trabalho.
Neste passo do caminho que gostaria de percorrer, será oportuno dar expressão gráfica ao que vai sendo escrito:

Depois, e com essa mesma intenção, sublinha-se o já dito: que as necessidades evoluem, sempre se acumulando, sendo uma necessidade satisfeita o começo de uma mesma (embora diferente) necessidade, pois quem come para matar a fome não deixa de comer mas pode tornar-se num gastrónomo, e novas necessidades vão sempre nascendo, como as culturais ou de lazer:


Do mesmo modo (gráfico!), as forças produtivas desenvolvem-se incessantemente porque o ser humano, prolongando o seu corpo, criando meios de produção que o auxiliem, instrumentos de trabalho que actuam sobre objectos de trabalho, permanentemente aumenta o seu domínio sobre a natureza libertando-se da total dependência ou servidão (nem sempre, ou muitas vezes não tendo em conta que faz parte dessa natureza, agredindo-a/se ou delapidando-a/se):
E tudo acontece, ao longo dos tempos dos tempos, historicamente, dividindo-se o e cooperando-se no trabalho, num quadro de relações sociais de produção.

domingo, junho 22, 2008

Na minha aldeia não há onde comprar jornais.
Em tempos, na vila lá em baixo não havia jornais à venda. Só se liam os da terra e uns outros que vinham da capital. Por assinatura ou correio postal.
A vida corria entre semeaduras e colheitas, entre vindimas e desfolhadas, no lagar e na eira. O gado convivia com as gentes e nós, os da "cedade", vínhamos a férias e gostávamos deste viver calmo, sem bulício, bonançoso. Até depressa, jovens que éramos, o aborrecermos.
Era assim que nesta Europa se vivia. Eram maus esses tempos... mas havia muitas coisas boas. Muitas.
Os ditadores tinham nomes conhecidos e temidos por todos, eram venerados por alguns (sabiam lá eles porquê...) e combatidos por uns poucos. E não havia jornais, nem televisão, nem rádio. Só uma grafonola em que giravam discos daqueles de 78 rotações sob agulha que fazia vrum-vrum, e tocava músicas de portas abertas para a rua onde os vizinhos se atardavam.
Agora não. Agora, na minha aldeia não há onde comprar jornais. Mas eles entram-me em casa pela porta do computador. Vivemos em liberdade e democracia, que muito por elas se lutou e sofreu. E pergunta-se (há quem pergunte, há!) para quê, para que foi essa luta, pois pensa-se (há quem pense, há) que elas teriam vindo à mesma, mesmo que por ela não se tivesse tanto lutado.
Vivemos, diz-se, em democracia porque se vota de vez em quando, e em liberdade porque não se é preso por dizer mal do governo. Pobres democracia e liberdade por que tanto se lutou.
Só há que continuar a lutar, dizemos nós. Os que lutaram antes e a lutar continuam. Pela democracia e pela liberdade
E, na minha aldeia, sabemos logo logo as notícias do mundo. E "ouvemos" coisas de espantar.
Querem um exemplo?
Os irlandeses disseram não a um tratado que uns tratantes dizem ser o melhor do mundo, ou pelo menos da europa. E, aqui, na minha aldeia, sei tudo (bem... quase tudo) que isso faz dizer.
Por exemplo: o senhor doutor Durão Barroso disse, num jornal de hoje, que «quando um governo assina um tratado, assume a responsabilidade da sua ratificação». E eu pasmo! E chego a ter saudades do tempo em que, na minha aldeia, gente desta não entrava em minha casa.
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Público de hoje





Não faça referendos!
Assim terá rendimentosTOP...
(...) Perante nós a grisalha moldura (...)

(do poema Vladimir Ilich Lénine,
de Maiakovsky)

quinta-feira, junho 19, 2008

Que grande sarilho!...


(no avante! de hoje, 19 de Junho)

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... e porque não obrigá-los a votar até aprenderem?,

assim é q'era... para aprenderem a ser "democratas à maneira"!

(isto digo eu... mas já ouvi uns zuns-zuns e até não faltam precedentes)

Materialismo histórico - 6 (trabalho abstracto)

Ligando tudo – e tudo tem de estar sempre ligado – o trabalho é uma necessidade. Individual E colectiva, social.
Mas o trabalho abstracto é um conceito, uma categoria económica e não uma realidade sensível, enquanto o trabalho concreto é o trabalho que se materializa, que tem um resultado, um produto, um valor para ser usado.
O conceito de trabalho abstracto é um dos conceitos fundamentais da economia política e aparece num momento do processo histórico. A ele se voltará oportunamente, deixando por agora apenas um apontamento como ponte[1] para futuro, porque alguns comentários o terão provocado ao considerar-se que a definição de trabalho como actividade racional arrasta a noção de abstracção: “construir na cabeça antes de construir em concreto” (ver adenda entre estes dois “episódios”).
Ainda deixaria a nota, para depois se retomar, que o trabalho abstracto se mede, geralmente, em unidades de tempo. Fala-se de oito horas de trabalho, de um dia de trabalho, de uma semana de trabalho[2]. O dispêndio de energia de todo o tipo tem uma dimensão temporal. Daqui que o conceito seja científico, desprovido de conotação ideológica e tonalidade moral. É independente da personalidade do trabalhador, e Marx afirma-o com clareza ao dizer ser o dispêndio de trabalho no sentido fisiológico e com carácter objectivo.
No entanto, fugindo a continuar com o que virá a ser tratado no momento próprio, apenas ainda diria, neste quase-desvio, que ao falar de trabalho e de abstracção nenhum outro exemplo seria mais elucidativo que… a descoberta do zero! A importância que teve no processo histórico, na abordagem materialista da História, da representação de coisa nenhuma, é a de um salto qualitativo.
E deixaria a referência a um dos livros em que mais terei aprendido – e apreendido – de materialismo histórico: Conceitos Fundamentais da Matemática, de Bento de Jesus Caraça!
O próximo “episódio” voltará (talvez…) aos carris do M.H.
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[1] Um apontemento… deixem-me brincar um bocadinho
[2] De 65 horas?... que escândalo!

quarta-feira, junho 18, 2008

Não estarão a abusar?

Depois da directiva das 65 horas semanais, a directiva do retorno ("dedicada" aos emigrantes... 18 meses de "prisão" sem julgamento!).
E isto é com o dito (mal) Tratado de Lisboa defunto, ou seja, com o Tratado de Nice em vigor, a fazer funcionar a UE!
Venho aqui, a correr, só para não deixar sem assinalação e desabafo estes escândalos sucessivos.

terça-feira, junho 17, 2008

Adenda a M.H. - 5

"Uma aranha realiza operações que se assemelham às do tecelão e uma abelha, através da construção dos seus alvéolos de cera, envergonha muitos mestres-de-obras humanos. O que, porém, de antemão distingue o pior mestre-de-obras da melhor abelha é que ele construiu o alvéolo na sua cabeça antes de o construir em cera." (Karl Marx, O Capital, livro primeiro, tomo I, página 206)

Materialismo histórico - 5 (trabalho)

As necessidades naturais dos seres humanos são idênticas às dos outros seres vivos, a começar pela de se auto-conservarem… vivos. Para isso recorrem, naturalmente, aos recursos do "meio" em que vivem. Aos que “têm à mão”, com o que “têm à mão”. Ou à pata, ou ao focinho, ou ao bico…
Mas há uma grande diferença. Há o que se pode assimilar a uma “diferença qualitativa”, ou melhor, a primeira e essencial e humanizadora diferença qualitativa.
O ser humano, ao servir-se da natureza, no "meio" em que é, fá-lo por uma actividade racional, que adapta e transforma o “meio”, libertando-se progressivamente da sua sujeição a esse “meio” que adapta e transforma ao seu serviço.
Mas os outros seres vivos não adaptam e transformam a natureza?, as formigas não “isto”, as toupeiras não “aquilo”, os pássaros não “aqueloutro”?
A diferença - qualitativa – estará em que a actividade do ser humano é… trabalho. Porque é racional, porque, ao servir-se, ao adaptar, ao transformar, o ser humano aprende, retém o aprendido, transmite o retido.
Com o ser humano, a organização da matéria atingiu o estádio de transmitir o retido porque experimentado e aprendido. Para explicar o porquê dessa “diferença” existem áreas do saber na humana busca constante de conhecer e explicar.
O trabalho é a actividade racional do ser humano que tem por fim transformar os objectos naturais (de trabalho) com o seu corpo e instrumentos (de trabalho) que vai criando para, com esses recursos, satisfazer as suas necessidades. Também em permanente evolução. Assim criando valores de uso, ou para uso, isto é, que satisfaçam necessidades humanas.
E porque retém e transmite, no espaço e no tempo, o que aprende e retém, o trabalho é colectivo, porque, hoje, usa o que até hoje foi aprendido e retido, aqui e ali. Divide o trabalho. Humaniza-se e socializa-se (o que é redundante…) pelo trabalho.

domingo, junho 15, 2008

12-15 de Junho: "NO to LISBON"

1. Tenhamos calma!
2. O referendo na Irlanda foi no dia 12.
3. O resultado foi conhecido e confirmado no dia 13.
4. Logo no dia 13, ontem e hoje, houve reacções... da reacção.
5. Nem chegámos, os que estão contra o tal Tratado - temos esse direito, não? - , a festejar.
6. Disso nos impediram as reacções da reacção, dos que não queriam que se corresse o risco de um povo "tresmalhar"... e um povo, o único que teve essa possibilidade, "tresmalhou"!
7. Desenhou-se, logo, a "solução" a partir da responsabilização do governo irlandês (coitado!... por ter tal povo e não ter conseguido prevenir a possibilidade dele se exprimir),
8. Chegou-se a descaros que nos fazem corar pelo destempero "à portuguesa".
9. Tudo isto é uma vergonha, uma imposição de um caminho, de um pensamento único, uma ditadura do capital financeiro, do neo-liberalismo, do federalismo, do militarismo.
10. Mas, atenção!, quem está com o problema são "eles"!
11. São "eles" que têm de encontrar uma "solução", e "nós" temos a força de os impedir de fazer ainda mais batota porque os irlandeses votaram NO to LISBON.
12. Força temos, mas muitos de nós (ainda) não o sabem
13. "Eles" são perigosos, não recuam perante nada... mas "eles" é que estão "à rasca".
14. E, no meio disto tudo, ainda não bebi uma Guiness!

sábado, junho 14, 2008

Antes de fechar e expediente (por hoje)

Duas palavras (depois de, para acabar, ouvir um senhor que foi eleito Presidente da República de um País que é o meu):
batoteiros, aldrabões!
Mais uma: desavergonhados! (E estou comedido...)
Vou à (outra) vida. (Ligeiramente) mais aliviado.

sexta-feira, junho 13, 2008

"Eles" bem tinham razão...

... para desconfiar de referendos e coisas dessas em que o povo mete o bedelho. O povo é para votar assim a modos de quem passa cheques em branco.
Vêem no que deu? E o trabalhão que isto agora vai dar para endireitar!

Estou aflito...

Como é que é possível?
O tempo, de repente, acelerou e sinto-me... atropelado.
Há tanta coisa que quero comentar!
O dia de ontem e a manhã de hoje foram, na sua aparente acalmia... alucinantes.
Vou tentar não deixar fugir tudo por entre os dedos (ou as teclas...).
Muita coisa (o quê?) irei procurar colocar no docordel.
Aqui, não quero deixar de dizer, à sal, que os que foram à Guarda, ao "café-concerto" do Teatro Municipal da Guarda, é que têm de lhe agradecer (e às suas/aos seus colegas, e àquela maravilhosa miudagem que tão bem se portou!)

E sai a devida vénia!

Crónica "à la minute"

Regressado de uma longa viagem, com o sol já de verão (finalmente!) a aquecer o carro sem ar condicionado (só aos poucos me vou habituando a novidades... que já estão longe de o serem), chegámos espapaçados!
Ela, foi descansar, até porque fizera a "despesa" da condução; eu, vim ver os blogs, pôr-me "em hora", deixar um "post" sobre os resultados na Irlanda, sentar-me espreguiçado no sofá, "ouver as últimas".
Apanhei a "sic-notícias", o programa "opinião pública" (parece-me que pela primeira vez...), o jornalista com um convidado, "professor do ISEG" ("olha um colega meu... o que irá sair dali?", pensei seu).
Cheguei numa altura em que se estava a dar a palavra aos ouvintes. E ouvi duas reformadas, um agricultor (transmontano de sessenta e tal anos), um estudante, uma professora universitária, e mais uns tantos. Todos mostrando o seu contentamento pelo resultado. Cada um dizendo coisas certíssimas, acertando em alvos que têm estado móveis e enevoados.
Grande opinião pública!
Pausa. Voltou-se ao convidado. E o que saiu dali? O "meu colega" (salvo seja) veio, meio encabulado, fazer o discurso da "elite", dos "políticos", dos "representantes" que afinal não representam ninguém. Muito sensato, muito cordato, muito "europeu", muito "necessidade de encontrar formas de". Com luvas de pelica e pézinhos de lã...
Estava para me vir embora mas ainda apanhei mais umas chamadas da dita "opinião pública", e a primeira delas logo a pôr o "senhor professor" no seu lugar, ao pedir-lhe, concretamente, que dissesse que benefícios da tal União Europeia, do tal euro, para a maioria da população, para as gentes. E deu-me ganas de telefonar e perguntar "e a que prazos" o que tivesse sido benefícios para alguns ou muitos.
Mas já estava já cansado. Há muito que não aguentava tanto tempo com os olhos e os ouvidos no pequeno écran... sem ser para um filme. E dei-me por satisfeito. Satisfeito!
Vim com mais força para trabalhar um bocado.