terça-feira, novembro 03, 2009

Nota sobre trabalho (e reflexão) em curso

Terminada uma fase de um trabalho - está feita parte relativa aos resultados nacionais, por distritos, e aos distritais de Santarém - com base nos resultados das eleições de 2009, em confronto com as anteriores, os números (e o excell) confirmam que há um eleitorado estável na CDU, e um eleitorado flutuante que oscila entre os outros partidos (um ou uns descaradamente apoiados para “segurar” esse eleitorado flutuante, e impedir que passe a estável na CDU, ou, se necessário, criados com essa finalidade), oscilando consoante as… conjunturas.
Mesmo em zonas em que uma parte deste eleitorado a que chamo flutuante parecia estabilizado numa postura “clubística”, verificam-se mudanças, nalguns casos inesperadas, esbatendo uma anterior clivagem entre uma direita e uma dita esquerda que faz política de direita ou não assusta as forças dominantes.
Grande descoberta? Claro que não! Mas o que importa, para o meu objectivo, é ver - a meu juízo e proposta de reflexão - onde e porquê se conseguiu levar a luta ao voto e tornar o eleitorado estável tendencialmente crescente, ou se verificaram casos de sinal contrário.

domingo, novembro 01, 2009

Reflexões lentas e curtas - 7 - O XIII Congresso - A lição que mais retive - a. A coragem e a lucidez

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS

7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez


.....b. Uma das causas – Partido/Poder.

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O programado é para ser cumprido! Mesmo que demorando tempo, ainda que com grandes hiatos.
Este será o penúltimo “episódio” de uma reflexão que me acompanha, e que quis passar ao papel (“quere-se dezer”…). Fica arrumado e, nesta fase, com alguma sistematização. Não definitiva. Como nada o é. Será útil? Para mim foi (ou está a ser).
O socialismo, os seus ideais, estiveram – poderosamente! – no Poder. Por força de um Partido que soube, que foi capaz de materializar o caminho da História. Que foi e será.
Foi uma revolução inolvidável (aproximamo-nos do 7 de Novembro!), inapagável, por mais vilipendiada que seja na comprovação de que a luta de classes continua e tem momentos e aspectos que são, por vezes, quase insuportáveis. Para os explorados, sobretudo quando dessa exploração não tomaram consciência. E não tomaram partido e luta!
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O XIII Congresso (Extraordinário) do Partido Comunista Português realizou-se de 18 a 20 de Maio de 1990, quando um “vendaval” percorria o “mundo socialista”. Para datar com precisão, há que referir que a queda de Muro de Berlim, erigida como símbolo, foi em 9 de Novembro de 1989, embora a União Soviética apenas tivesse deixado oficialmente de existir a 25 de Dezembro de 1991, depois da extinção do Parlamento (a 16 de Dezembro) e da renúncia de Gorbatchev à presidência nesse mesmo dia 25 de Dezembro.
Pois o XIII congresso foi convocado, nesse intervalo e enquanto a actividade partidária continuava sem paragens, para apreciar os acontecimentos, a situação e a evolução na URSS e nos outros países socialistas, seu significado e suas consequências na situação internacional, na vida dos trabalhadores e dos povos do mundo e no movimento comunista e operário, com outros pontos na Ordem de Trabalhos mas decorrentes da situação que se vivia.
Em resumo, pode dizer-se que, sem perder de vista o património de conquistas das experiências de construção do socialismo, e valorizando-o inequivocamente, o Congresso procedeu a uma desenvolvida análise de causas determinantes do fracasso de um "modelo" que se foi afastando da ideologia, aprofundou a reflexão sobre a natureza e a identidade do PCP, e reafirmou o conteúdo diferenciado do projecto de democracia e de socialismo que o Partido defende, e a sua profunda confiança e convicção no valor, actualidade e projecção dos ideais comunistas.
Ao reforço dessa convicção nesses ideais juntou-se, para alguns muitos, o orgulho de pertencer a um Partido capaz de fazer, naquele tempo e naquelas condições, um congresso como o XIII, ao invés de outros – partidos e indivíduos – que, numa espécie de orfandade, desertaram e procuraram caminhos de curto prazo e efémera realização, à medida da sua escala de tempo.
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No último “episódio” se tratará do aspecto que mais fundamente retive deste Congresso, e relacionado com o tema desta “série”.

Dia do bolinho

Começo o dia na expectativa. E um pouco excitado. Talvez mais que os miudos que, a partir destas primeiras hora do dia, vão aparecer por aqui a pedir bolinho, numa tradição que me faz recuar décadas, muitas décadas. Alegremente rejuvenescido.
A vida não se repete, mas renova-se.

"Oh!, tia... dá bolinho!"

sábado, outubro 31, 2009

Necessidades e luxos (em O Capital)

Agora é que é.

Em tempos há muito idos, preocupei-me com esta distinção entre o que são consumos de bens ou produtos necessários e consumos de bens ou produtos "de luxo". A propósito dos medicamentos, e como tarefa profissional de "economista de empresa".

Então, os medicamentos eram "luxo" para determinados estratos populacionais porque havia... elastecidade relativamente aos rendimentos. Ou seja, se os salários perdiam poder de compra, cortava-se nos bens ou produtos "de luxo", porque os que satisfaziam necessidade não se podiam comprimir. E as necessidades eram, e são, o pão, algum peixe (sardinha, pelo menos) alguma carne (pouca), roupa (nada a ver com moda), transportes (para e do trabalho), um tecto (e recheio de casa)! Para isto, os salários têm de chegar.

Agora, a estudar o Tomo V de O Capital, encontro essa divisão explícita, embora noutro tempo, noutro contexto e para outras finalidades. Marx divide os sectores da produção de mercadorias em sector I, de meios de produção, e sector II, de meios de consumo, e, no sector II, entre meios de consumo necessários e meios de consumo de luxo.

Nessa floresta densa de conhecimentos e ensinamentos, que procuro ir sistematizando para não me perder, de vez em quando lá aparecem uns raios de sol, como que a orientarem-me. Este, por exemplo:


"Para a nossa finalidade, podemos reunir todo este subsector na rúbrica: meios de consumo necessários, em que é totalmente indiferente se um produto real. p. ex., como o tabaco é, do ponto de vista fisiológico, um meio de consumo necessário ou não; basta que, em conformidade com o hábito, [ele é] um tal [meio de consumo necessário]." (pág. 421)


As mangas para que dá este pano!

Necessidades e luxos

Vai ser - quero que venha a ser - um fim-de-semana de transição. Tomada a posse que encerra o ciclo eleitoral, "arrumados" alguns casos e projectos/oportunidades (utópicos, dirão), há que retomar, não temas e preocupações mas ritmos e rotinas. Amigos, hóquei, leituras. Que não deixaram de andar bem aqui por dentro mas como que paralelos aos processos e sequelas eleitorais. Mas não (se) pense (eu) que fechei em gavetas-arquivos as eleições de Junho a Outubro. Elas ainda me vão dar água pela barba (tão branquinha que ela está... deve ser do pó!). Há a DORSA, há o Comité Central de dois dias, há o balanço aprofundado com análise de resultados, para que quero contribuir cá com umas coisas... Mas tudo isto passa a outro plano. Agora, de este fim-de-semana em frente, serão outras as prioridades. Para começar, este sábado os amigos, o hóquei, as leituras.
E, veja-se lá, tinha posto no título necessidades e luxo, que era o tema que aqui me trazia, a partir da leitura de Marx (O Capital), com que adormeci, ontem, vindo da tomada de posse de membro da Assembleia Municipal e da primeira sessão do órgão, de instalação e eleição da Mesa. Não faz mal, fica para o próximo "post". Mais daqui a bocado... se os amigos não chegarem antes.
Bom fim-de-semana.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Econom$a versus Economia

Escreve Fernando Samuel, em ocravodeabril:
"(...) Temos, ainda, um tal «Camilo Lourenço, economista» - cujo nível salarial desconheço mas que, pelos sinais exteriores do discurso, não é difícil adivinhar que é dos chorudos.
Diz ele, o «economista»: «Não é preciso ser doutorado em economia para perceber que em 2010 os aumentos devem ser nulos. Se o custo de vida não sobe, não faz sentido nenhum aumentar os salários».
Pois não, «não é preciso ser doutorado em economia»: basta ser «Camilo Lourenço, economista».
Por mim, se pudesse decidir nesta matéria, punha o economista Lourenço a salário mínimo nacional durante um ano - assegurando-lhe, ainda, três meses de salário em atraso."
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Subscrevo inteiramente! Faz sentido. Mais: seria uma boa lição de... economia, da dos Camilos Lourenços e quem eles servem.
E esta leitura fez-me lembrar que sou... doutorado em economia. É é de outra economia. Da que assenta em três pilares: necessidades, recursos, trabalho! Não da que assenta em outros pilares: dinheiro, acumulação de capital, exploração do trabalho.

Ai! ai!

O antigo presidente francês Jacques Chirac - entre 1995 e 2007 - vai ser julgado por um alegado processo de corrupção de empregos fictícios na Câmara Municipal de Paris, da qual foi presidente entre 1977 e 1995. E, ao que parece, por mais coisas.

O Ministério Público pediu o arquivamento do processo, mas os magistrados não aceitaram e exigiram que Jacques Chirac seja julgado por "desvio de fundos públicos" e "abuso de confiança".

quinta-feira, outubro 29, 2009

As "redes" e a desocultação das faces

Os nomes e as faces eram conhecidos. Sabia-se da "rede". De repente, a(s) notícia(s). E tudo acontece após as eleições. Os "casos" e os despedimentos colectivos....

As situações sucedem-se. Há cruzamentos e "carreiras" político-empresariais que quase definem um comportamento geracional.

Depois, há silêncios. Ensurdecedores, como há quem goste de dizer, jogando um pouco com as palavras.

Acontece que, de vez em quando, irrompem redes e "faces ocultas" (ou semi) ficam a descoberto porque foram violadas regras que se deveriam auto (e altero) impor para que se pudesse con-viver.

Haverá quem estranhe, face à informação que se tornou avassaladora. Mas como estranhar os excessos de corrupção num sistema por natureza corrupto?

E é o sistema - de valores, de regras, de con-vívio - que é posto em causa. Efemeramente, embora esteja sempre em causa. Efemeramente porque se privilegia o próprio sistema, se (re)ocultam os excessos, que só excessos são, e que, por só excessos serem, revelam a natureza do sistema.

Por isso, é preciso impedir que se vá ao fundo dos casos. Se há faces desocultadas, necessário se torna - ao sistema - que elas ocultem a razão por que existem, que se arranje (se necessário se tornar...) um ou outro "bode expiatório" para que siga a dança depois de localizada e cauterizada a "culpa"...

Até um dia!

quarta-feira, outubro 28, 2009

A banalização das tragédias

Com a regularidade metrónoma, as notícias sucedem-se com o número de mortos no Afeganistão. Ontem foram vinte e tantos soldados dos Estados Unidos, anteontem de outra nacionalidade, hoje são seis funcionários das Nações Unidas


Afeganistão
Ataque talibã mata seis funcionários da ONU
por Lusa Hoje

Estes são os títulos. Porque, por cada título destes, com o número e as nacionalidades ou multinacionalidade das vítimas, há um sem números de mortos entre os afegãos, e muitos muitos da população civil, crianças, mulheres, homens sem etiqueta talibã, como os próprios títeres-responsáveis locais já começam a achar exagerado.
É uma extensão do boletim metereológico (ou do andamento das bolsas com maiúscula), e vão chegando dados do que se passa no Afeganistão, com a banalidade da necrologia.
Mas a banalização é impossível. A "guerra certa" de Obama, sem que as não-certas tenham acabado antes alastrado ou recrudescido, no Paquistão e noutras paragens, todas as guerras assustam, e mais assustam quando se homologa o que está a acontecer com a outorga do Prémio Nobel da Paz a Obama e se ouve o coro dos "obamanos" a cantar partituras de tragédias gregas como se estivessem num palco da Broadway a dar ambiente sonoro a uma comédia musical.
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Os talibãs mataram, hoje é a notícia, 6 funcionários das Nações Unidas. Os talibãs, essa criação do imperialismo para expulsar os soviéticos do apoio a um governo que pedira auxílio.

Cria corvos, terás por eles os olhos arrancados!


segunda-feira, outubro 26, 2009

O Capital - pérolas

A tarefa de ler O Capital ("abensonhada", como diria o Mia Couto) não é fácil.
É como... como hei-de dizer?, caminhar por uma densa floresta, em que cada árvore está viva e lateja, e nalgumas se tropeça, ficando-se parados a ver como as contornar para seguir caminho.
Mas, além de todas as compensações para melhor entender o mundo - e ganhar forças para nele intervir... bem -, de vez em quanto há como que uma clareira por onde nos chega um raio de sol.

É isto que eu sinto.
E páro. E transcrevo. Página 405, do Tomo V, Livro segundo (edições avante!):

"A mercadoria do operário assalariado - a sua própria força de trabalho - apenas funciona como mercadoria na medida em que é incorporada ao capital do capitalista, [na medida em que] funciona como capital; por outro lado, o capital do capitalista despendido como capital-dinheiro na aquisição de força de trabalho funciona como revenue na mão do vendedor da força de trabalho, do operário assalariado.
Enlaçam-se aqui processos de produção e processos de circulação diversos, que A. Smith não mantém separados."


Governo com um ministro a mais (ou dois)...

Toma hoje posse um novo (ou recauchutado) governo, no termo de um processo que se iniciou na eleição para a Assembleia da República que teve determinadas regras a cumprir, algumas aparentemente cheias de boas intenções mas com aspectos perversos. Como a da paridade.
Pois este governo não cumpre a regra da paridade, a que - parece... - não está obrigado pois tem um ministro a mais (ou dois se se incluir, como deveria, o primeiro-ministro entre os 12 homens nos 17 do elenco ministerial completo) para as 5 ministras que inclui. Isto sem entrar em linha de conta com aquela particularidade da norma que não permite colocar três membros seguidos do mesmo sexo, por não haver uma clara hierarquização entre os ministros - 1º, 2º, 3º (uma mulher), 4º, 5º, 6º (uma mulher)... - embora a designação de Ministros de Estado signifique alguma hierarquização e, entre o primeiro-ministros e os ministros de Estado não se encontrar nenhuma mulher.
E, ainda por cima, não faltaram laudatórios comentários pela virtude de tantas ministras ter este governo. Quer dizer, para o deliberativo e legislativo há normas que para o executivo não são para cumprir? E, para mais, não faltaram laudatórios comentários pela virtude de tantas ministras se incluirem no elenco ministerial.
Nas autarquias não é bem assim: à partida (pelo menos à partida), os vereadores eleitos para o executivo estão condicionados pela tal lei da paridade, embora se possa dar o caso de, num total de 7, serem 7 homens numa composição 2 + 2 + 2 + 1.
Mas isto são minudências de quem anda sempre à procura das (in)coerências resultantes das soluções administrativas e demagógicas...

domingo, outubro 25, 2009

Boas intenções

Um domingo com a intenção de ser passado (ao menos grande parte deste "dia maior"...) a continuar a ler e a estudar o Tomo V de O Capital, que vai ser lançado em Novembro. Ou seja, mergulho em águas profundas... e refrescantes.

sábado, outubro 24, 2009

Às vezes apetece tanto!

Vou-me Embora pra Pasárgada

Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
_______


Mas não se assustem - ou não suspirem de alívio...
Não me vou embora para Pasárgada porque estou na "minha Pasárgada", embora republicana e eu não seja amigo nem do Presidente da República nem dos "poderosos da terra".
Mas, verdade, verdadinha, às vezes, por aqui, fico mais triste, mas tão triste de não ter jeito.
E por aqui fico. Lutando.
Também contra a tristeza pelo que se passa na "minha" Pasárgada.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Boa tarde? Isto não melhorou nada...

Eu bem não quero, mas as biografias impõem-se. Não quero ajudar à "fulanização" mas há fulanos que exageram tanto que se tem mesmo de fulanizar.
E, de vez em quando, aparecem umas… estrelas, uns verdadeiros… cometas.
Não fixara o nome do actual (ainda não tomou posse do novo cargo) ou já ex-Secretário de Estado da Justiça. No Correio da Manhã de sábado vem referido com uma história exemplar. Li a sua reprodução adaptada, ontem, no avante! num excelente a talhe de foice, do Domingos Mealha, e fui confirmar.
O jovem João Tiago Silveira (nasceu em 1971) gosta de iates.
Entre 2001 e 2006, teve um barco de recreio, de 11,69 metros, que, agora, trocou por um outro, pela módica quantia de 130 mil euros, ao antigo proprietário, dono da empresa Tecnovia. Ao que parece, a compra foi bastante em conta, pois um Grand Soleil 40R vale, no mercado, muito mais que isso. Foi um preço jeitoso...
Mas o Secretário de Estado (até ontem, da Justiça, e porta-voz do governo), com o seu CV cheio de boas habilitações e referências, não se preocupa com essas e outras dificuldades, e sabe aproveitar oportunidades. Pede empréstimos à banca e tem crédito assegurado, apesar de, na declaração de rendimentos anual ao Tribunal Constitucional, a soma dar (só!) 80 mil euros, e já ter encargos relativos ao apartamento que comprou e ao anterior barco.
E isto talvez passasse sem registo não fosse o caso de, ontem à noite, nos noticiários com a “manchete” do novo governo, apanhar de novo com o nome do senhor Secretário de Estado, agora promovido a Secretário de Estado da Presidência, e a fazer parte do dito “núcleo duro”.
Não tenho nada contra o senhor, contra o seu gosto por desportos náuticos, nenhuma invejazinha me move (porque não está na idiossincrasia e não sou muito “aquático”, a minha companheira enjoa, e a nossa idade é muito avançada para experiências marítimas). Desejo-lhe boas viagens, com todos os acessórios e boas companhias.
É só uma questão de (mau) feitio. Mas, que querem?, convivo mal com estas notícias ao lado de outras em que a salvação da economia portuguesa está na contenção de salários, com a informação de que o barco em doca só de estacionamento paga 360 euros por mês, ¾ do salário mínimo, mais que a maioria das reformas deste País. Fico mal disposto, e dá-me para disparatar.
Ah!, o governo é do Partido Socialista, virou à esquerda… e até tornou prioritária a discussão do casamento entre cidadãos ou cidadãs do mesmo sexo.

Bom dia? Nós é que "estamos feitos"...

Bom dia. Bom dia? Começa-se o dia a ler isto
"O Governo está feito e José Sócrates prepara os próximos passos. Num executivo que dará prioridade à economia e ao reforço do controlo dos milhões da UE, a prioridade passa a ser o programa de Governo e a agenda legislativa de curto-prazo. Uma das primeiras medidas, sabe o DN, será a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo." ...
como é que pode ser bom o dia?
O Governo está feito? Nós é que "estamos feitos"!
Sem me meter no beco de discutir nomes e personalidades (ou vice-versa), acho significativo que o ministro do Código do Trabalho vá para a economia, que se tente na educação o que se afigura ter resultado na saúde - uma boa cara para a má fortuna das políticas -, que vá para o trabalho uma "sindicalista de fachada" vinda directamente do "produtor", perdão de Bruxelas-UGT, uma transferência, ou promoção, das "lutas de bairro" para a defesa nacional, um ex para o lugar de um outro ex que fez história nas obras públicas, exemplares dos "orfãos da União Soviética", que eram muito comunistas enquanto a URSS parecia alternativa, que sairam porque eram "verdadeiros comunistas", dos puros, sem essa coisa do marxismo-leninismo e do centralismo democrático, e que se finam em minsitros de José Sócrates (paz à sua alma!).
E, logo de rajada, como prioridade das prioridades para que uma "aliança à canhota" possa abrir caminho de continuidade e reforço da política à direita, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Estamos feitos... e isto sem qualquer reserva ou preconceito relativamente à não discriminação por razões de orientação sexual.
Espero que o dia vá melhorando. Entretanto, tenho de ir dar uma volta por outras leituras.

Ouvendo televisão...

... como parece inevitável, não se discutem as políticas, as que eram e as que aí vêm, mas os personagens (alguns, os mesmos, nos mesmos sítios; alguns outros, os mesmos, noutros sítios) que, nas novas condições, irão intentar continuar as mesmas políticas.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Uma leitura marxista da crise...

"(...) Não existe nenhuma alternativa à actual situação que não passe pela destruição maciça das forças produtivas: até que ponto assim será é que se torna difícil prever.
"É no entanto bom não esquecer que a guerra tem historicamente constituído um meio eficaz de operar a destruição requerida. A multiplicação actual dos focos de tensão não surge por acaso. É também por isso que a luta pela paz está na ordem do dia."
Este é o final de um texto de Novembro de 1983, O marxismo e a crise económica actual, da autoria de António Mendonça e Nelson Ribeiro, em O Marxismo no limiar do ano 2000, Biblioteca Universidade Popular, 5, Editorial Caminho, Maio de 1985.
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Texto que, na sua actualidade, tem sido muito útil para a compreensão da crise, que teve uma recente e grave explosão, da co-autoria do hoje nomeado ministro das Obras Públicas de um governo chefiado por um 1º ministro que acha que Marx nem merece ser referido para a compreensão da crise do capitalismo.
Pode resumir-se dizendo que um ex-marxista se converteu, de forma total e descaradamente assumida, ao keyneseanismo e ao pragmatismo pessoal e colectivo?

quarta-feira, outubro 21, 2009

Caim?, não!... ou... o livro? claro que sim.

Assim que me apercebi da polémica em gestação, decidi: não caio nessa!, como quem diz Caim? não!
Resisti às primeiras arremetidas. Fiz o que nunca faço, recusei um depoimento sobre o tema para um jornal que, de vez em quando, se lembra de que existo. Respondi não, desculpe... mas nessa polémica não quero entrar.
Depois, fiquei a pensar porquê?. Tenho algumas respostas, embora continuo à procura de mais que considere certas:
  • incomodam-me campanhas de marketing, mesmo as involuntárias e a favor de um produto adivinhado muito bom.
  • acho que não se discute com dogmáticos;
  • repudio os dogmas, e até gosto de me dizer o mais ortodoxo dos não-dogmáticos (no sentido político-partidário - sigo uma doutrina não dogmática e... os estatutos);
  • fico pior que estragado quando, dogmaticamente, há quem afirme que o Manifesto ou O Capital são a nossa Bíblia, pois tais textos são exactamente o contrário do dogmatismo biblico, ou da sua interpretação dogmática.

Assim sendo... vou ler o livro com pré-sabido gozo de leitor, e proveito anti-dogmático. E noutro espaço o comentarei. Talvez.

Que deus me ajude...

Portugal - 5º lugar em desigualdade de rendimentos (Gini)

"Mail" amigo encaminhou-me para uma informação no Yahoo! FINANCE sobre os países do mundo com maior fosso entre ricos e pobres. Por fazer parte dos indicadores que desejo ter actualizados, fui logo consultar e, de busca e busca, cheguei ao original, no BusinessWeek (que se pode ler aqui).
Em resumo (triste...), Portugal está entre os países de maior fosso entre ricos e pobres, em 5º lugar no indicador mais usado - o coeficiente Gini -, depois Hong-Kong, Singapura, Estados Unidos e Israel, e em 4º lugar no indicador "ratio de rendimento ou despesa, proporção entre os 10% mais altos e os 10% mais baixos", por troca com Israel, com 15 vezes, apenas sendo mais desiguais Hong-Kong (17,8), Singapura (17,7) e Estados Unidos (15,9).

terça-feira, outubro 20, 2009

Duas ou três notas (políticas, evidentemente) sobre o método de Hondt - 4

As duas ou três notas afinal são quatro. Porque não resisto a ir buscar os Hondt das eleições para o Parlamento Europeu de 1999. Também aí, como em Beja, como em 2009, como em tantas outras circunstâncias os deuses (ou os fados) não estiveram connosco. E de uma forma tão ostensiva que é evidente que tomaram partido. De classe, e com ajudas várias. Até sobrenaturais...
Repete-se a sequência. O método de Hondt (insisto na inocência da metodologia mas não de quem a escolhe e aplica) deu:
Ou seja, em 25 mandatos, como então era, a CDU teria o... 26º. E só não teve o 25º, que nos daria o 3º deputado, por 1839 votos, o que representa 0,02% (2 em 10.000) dos 8681854 inscritos nesse ano já longínquo. Como se pode ver:

As "razões" já enumeradas no anterior "post" servem para este, mas as consequências foram ainda bem mais graves (e não só por ter sido eu o 3º que não entrou!...) porque, em vez de não se ter subido de 2 para 3 mandatos, se caiu de 3 para 2. A enorme importância desta queda, para além da perda de pêso numa instância institucional (que alguns acharão discutível), mede-se na enorme dimunuição de fundos que deixaram de entrar para o PCP e para a CDU, para a organização, para a luta nas outras frentes. E posso testemunhar que não foi "rombo" pequeno.
Muitos casos destes, em que a sorte nos fez negaças, em que deuses (e os fados) nos foram nefastos, poderia arrolar, mas façamos boa cara à má fortuna e partamos para a luta. E que esta pequena série possa ter ajudado alguém como a mim me ajudou.